Protocolo de avaliaçÃo admissional multidimensional do idoso institucionalizado


º TEMA SUGERIDO – por que tememos envelhecer?



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7º TEMA SUGERIDO – por que tememos envelhecer?


Envelhecer é um processo complexo, dinâmico, progressivo e irreversível a que todos os seres estão sujeitos com a passagem do tempo. Bicho, pedra, árvore, gente, tudo está envelhecendo.

A única alternativa ao envelhecimento é morrer cedo e essa não costuma ser uma alternativa desejada. Na hora H, quando chega a nossa vez, preferimos continuar tentando permanecer vivos e aprimorando a nossa compreensão da vida. Viver é uma experiência sem garantias, é impossível voltar e desfazer, nem sempre é possível refazer. São as escolhas de hoje que determinam nosso envelhecimento e o que seremos quando envelhecermos.


Por que todos nós temos medo de envelhecer?

De fato, não é o envelhecer por si que nos assusta, mas o medo de nos tornarmos dependentes e a constatação de que, um dia, todos morreremos. Envelhecer, muitas vezes, é confundido com a perspectiva de adoecer. Quanto mais é a nossa vez de envelhecer, mais nos damos conta de que pode não ser assim. Nem sempre somos velhos com doenças, nem sempre somos jovens livres de doenças. Cada um envelhece e vive de acordo com experiências únicas. Quando se trata de envelhecer, não se pode generalizar, mas todos podemos e devemos buscar envelhecer com dignidade.

O nosso projeto de vida, habitualmente, não inclui o que faremos quando ficarmos velhos ou o que faremos se nos tornarmos frágeis. Não contamos com essa possibilidade e quando ela acontece é quase sempre de maneira inesperada. A nossa velhice mora no olhar do outro. Os outros é que nos lembram que estamos ficando velhos.

Costumamos pensar na dependência como algo perverso e, no entanto, há quanto tempo dependemos uns dos outros? Dependemos de outros para sobrevivermos durante toda a nossa vida. Vivemos num sistema complexo de interdependência. Definitivamente a tão propalada auto-suficiência não é verdadeira e pode, muitas vezes, significar mais solidão do que força.

Um dos desafios do século XXI é a construção de estratégias não apenas para continuar aumentando o número de anos de vida, mas sobretudo para prevenir as incapacidades e driblá-las, caso elas aconteçam e/ou quando elas acontecerem.


8º TEMA SUGERIDO – O PROCESSO NATURAL DO ENVELHECER


Em nenhum outro período da história do homem, tivemos tantas chances de chegar à velhice!”

Já sabemos da explosão demográfica que há anos vem acontecendo no mundo, com um crescimento espantoso da população com mais de 60 anos. Em 1992 a Organização Pan-Americana de Saúde considerou o, envelhecimento como uma das mais importantes mudanças na estrutura populacional do mundo. No Brasil este crescimento é também bastante expressivo, em 2025 seremos o sexto país do mundo em população idosa, portanto temos que nos preparar para a atenção ao idoso e principalmente para sermos um deles.

Devemos entender o envelhecimento como um processo natural, que ocorre com a maioria dos seres vivos e regido por fenômenos absolutamente fisiológicos, portanto deveria ter suas bases mais conhecidas. Porém só nas últimas décadas com o avanço da Geriatria é que o idoso passou a ser melhor compreendido, indicando todas as suas particularidades e necessidades especiais. Vários fatores contribuíram para que esse avanço ainda não tivesse acontecido, principalmente porque o envelhecimento era considerado um estado patológico e assim sempre foi tratado. Procuravam combatê-lo e não entendê-lo. Para que entendamos as alterações próprias do envelhecimento, é necessário que lembremos sempre:

Como a criança não pode ser considerada uma miniatura do adulto, o idoso também não deve ser tratado como se fosse a sua continuação” .



Y. Moriguchi

CONCEITO:


Definir envelhecimento é algo muito complexo, biologicamente é considerado um processo que ocorre durante toda a vida.

Existem vários conceitos de envelhecimento, variando de acordo com a visão social, econômica e principalmente com a independência e qualidade de vida do idoso. A população de baixo poder aquisitivo envelhece mais cedo, resultado de uma diversidade de fatores biopsicossociais. O envelhecimento acontece logo após as fases de desenvolvimento e de estabilização, sendo pouco perceptível por um longo período, até que as alterações estruturais e funcionais se tornem evidentes. No ser humano, a fase de desenvolvimento alcança sua plenitude no final da segunda década, seguida por um período de certa estabilidade, sendo que as primeiras alterações do envelhecimento, são detectadas no final da terceira década de vida. Confort caracterizou o envelhecimento natural como “a progressiva incapacidade de manutenção do equilíbrio homeostático em condições de sobrecarga funcional”. No nosso corpo os mecanismos mantenedores da homeostase, desde os mais simples aos mais complexos, compõem-se fundamentalmente de sensores. Para manter o corpo em equilíbrio, por exemplo, existem os responsáveis pela detecção do desequilíbrio, os encarregados da modulação da resposta (centros reguladores), e os efetores que são capazes de executar as correções necessárias. Durante o envelhecimento ocorrem alterações do número e sensibilidade dos sensores, do limiar de excitabilidade dos centros reguladores e da eficiência dos efetores. Facilitando principalmente as quedas, que são muito freqüentes nos idosos. O envelhecimento não é uniforme, portanto não é possível escolher um indicador único; pode-se dizer que é o conjunto das alterações estruturais e funcionais do organismo que se acumulam progressiva e especificamente com a idade.


ASPECTOS GERAIS DO ENVELHECIMENTO:


Além de alterações estruturais e funcionais, a composição corporal vai sofrendo modificações importantes com o envelhecimento. A gordura corporal vai aumentando com o avançar da idade (aos 75 anos é praticamente o dobro daquela aos 25 anos).

No tecido subcutâneo ocorre a diminuição do tecido adiposo dos membros e aumenta no tronco, caracterizando a chamada gordura central. A água corporal total diminui (15% - 20%), principalmente às custas da água intracelular, com redução dos componentes intra e extracelulares, principalmente os íons sódio e potássio, provocando maior susceptibilidade a graves complicações conseqüentes das perdas liquidas e maior dificuldade à reposição do volume perdido. A retração do componente hídrico, associado ao aumento da gordura corporal (20% - 40%) poderão contribuir para a alteração da absorção, metabolização e excreção das drogas no idoso. Vale a pena lembrar que drogas lipofílicas (se ligam as gorduras), como o Diazepam, em um indivíduo de 80 anos terá uma vida média em torno de 80 horas, pois têm efeito cumulativo se ligando a gordura corporal. Da mesma forma a redução da albumina altera o transporte de diversas drogas no sangue. O metabolismo basal diminui de 10% a 20%, com o progredir da idade, o que deve ser levado em conta quando calculamos as necessidades calóricas diária do idoso. A tolerância à glicose também se altera, às vezes criando dificuldade para se diagnosticar o diabetes, apesar de ser uma doença que incide com muita freqüência no idoso.


SENESCÊNCIA X SENILIDADE


É de suma importância para nós, profissionais de saúde, que lidamos com pacientes idosos, que saibamos conhecer e distinguir as alterações fisiológicas do envelhecimento, ou seja, da senescência, daquelas do envelhecimento patológico ou senilidade. Conhecer e distinguir o considerado normal e o patológico pode ser difícil, pois muitas vezes estas condições se superpõem.

Não devemos atribuir à VELHICE, sinais e sintomas de doenças muitas vezes passíveis de tratamento e cura.

Não considerarmos sinais e sintomas de doenças e até mesmo iniciarmos exames e tratamento, em idosos que apresentem sinais apenas compatíveis com o processo natural do envelhecimento.





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