Projeto de Recuperação – ª série ª Sem/2011 portuguêS – gramática e portuguêS – LITERATURA portuguêS – gramática objetivo



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Projeto de Recuperação – 2ª série - 1ª Sem/2011


PORTUGUÊS 1 – GRAMÁTICA e PORTUGUÊS 2 – LITERATURA

PORTUGUÊS 1 – GRAMÁTICA
OBJETIVO:

Rever os conceitos mais importantes, trabalhados ao longo do semestre, mas não assimilados pelos alunos.


MATÉRIA A SER ESTUDADA:


  1. Termos essenciais da oração (sujeito e predicado);

  2. Tipos de predicado e predicativo;

  3. Classificação dos verbos quanto à predicação;

  4. Termos integrantes da oração (objeto direto, objeto indireto e agente da passiva);

  5. Termos acessórios da oração (adjunto adverbial, aposto e vocativo);

  6. Sintaxe de regência verbal e nominal;

  7. Complemento nominal e adjunto adnominal;

  8. Interpretação textual.

Respectivamente aulas: 2,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12,14,15,16,17,18,19,20,21,22,23,24


ESTRATÉGIAS:


Refazer os exercícios da apostila, tanto os de classe quanto os de casa; refazer as atividades avaliativas e conferir com os gabaritos trabalhados; refazer os exercícios trabalhados no caderno; retomar as anotações feitas no caderno referentes às explanações teóricas.

A nota de recuperação será obtida através da resolução de uma lista de exercícios anexa a este projeto e de uma prova composta por 10 perguntas que serão retiradas desta lista. A lista deverá ser entregue no dia da inscrição com todas resoluções.


Algumas sugestões de sites da internet que poderão complementar os estudos:
www.gramaticaonline.com.br

www.nossalinguaportuguesa.com.br

www.bussolaescolar.com.br (selecionar o que deseja consultar dentro de Português)

www.portrasdasletras.com.br
Gramáticas para consulta:

Gramática da Língua Portuguesa – Pasquale & Ulisses

Aprender e praticar Gramática – Mauro Ferreira

Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Domingos Paschoal Cegalla

Gramática Ilustrada – Hildebrando de A. André

Gramática do Português Contemporâneo – Celso Cunha


Lista de Exercícios de Gramática
1.

ALTÉIA

Cláudio Manuel da Costa

Aquele pastor amante,

Que nas úmidas ribeiras

Deste cristalino rio

Guiava as brancas ovelhas;


Aquele, que muitas vezes

Afinando a doce avena,

Parou as ligeiras águas,

Moveu as bárbaras penhas;


Sobre uma rocha sentado

Caladamente se queixa:

Que para formar as vozes,

Teme, que o ar as perceba.

(in POEMAS de Cláudio Manuel da Costa. São Paulo: Cultrix, 1966, p. 156.)
Levando em conta que as três estrofes citadas constituem num período completo:

Aponte a função sintática de “Aquele pastor amante”.


2. Identifique o tipo de predicativo (do sujeito ou do objeto) na frase a seguir e classifique o predicado da oração.
Pai, filho e a esposa receberam Ulisses ansiosos.
3.

Texto 1

O material do poeta é a vida, e só a vida, com tudo o que ela tem de sórdido e sublime. Seu instrumento é a palavra. Sua função é a de ser expressão verbal rítmica ao mundo informe de sensações, sentimentos e pressentimentos dos outros com relação a tudo o que existe ou é passível de existência no mundo mágico da imaginação. Seu único dever é fazê-lo da maneira mais bela, simples e comunicativa possível, do contrário ele não será nunca um bom poeta, mas um mero lucubrador* de versos.

(Vinícius de Moraes, "Para Viver um Grande Amor", p. 101-102.)

* aquele que compõe com esforço à custa de muita meditação.


Voltando ao texto em prosa de Vinícius de Moraes e pondo foco no trecho "Seu único dever é fazê-lo da maneira mais bela",

a) A que se refere no texto os pronomes “seu” e “lo”?


4.

ROMANCE II OU DO OURO INCANSÁVEL
Mil bateias 1 vão rodando

sobre córregos escuros;

a terra vai sendo aberta

por intermináveis sulcos;

infinitas galerias

penetram morros profundos.


De seu calmo esconderijo,

o ouro vem, dócil e ingênuo;

torna-se pó, folha, barra,

prestígio, poder, engenho...

É tão claro! - e turva tudo:

honra, amor e pensamento.


Borda flores nos vestidos,

sobe a opulentos altares,

traça palácios e pontes,

eleva os homens audazes,

e acende paixões que alastram

sinistras rivalidades.


Pelos córregos, definham

negros, a rodar bateias.

Morre-se de febre e fome

sobre a riqueza da terra:

uns querem metais luzentes,

outros, as redradas 2 pedras

Ladrões e contrabandistas

estão cercando os caminhos;

cada família disputa

privilégios mais antigos;

os impostos vão crescendo

e as cadeias vão subindo.


Por ódio, cobiça, inveja,

vai sendo o inferno traçado.

Os reis querem seus tributos,

- mas não se encontram vassalos.

Mil bateias vão rodando,

mil bateias sem cansaço.


Mil galerias desabam;

mil homens ficam sepultos;

mil intrigas, mil enredos

prendem culpados e justos;

já ninguém dorme tranqüilo,

que a noite é um mundo de sustos.


Descem fantasmas dos morros,

vêm almas dos cemitérios:

todos pedem ouro e prata,

e estendem punhos severos,

mas vão sendo fabricadas

muitas algemas de ferro.

(MEIRELES, Cecília. "Poesias completas". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.)

1 peneiras de madeira

2 depuradas, selecionadas
Há no poema de Cecília Meireles construções a que se atribui duplo sentido em virtude da natureza poética do discurso.

a) A expressão “Por ódio, cobiça, inveja” (v. 31) desempenha dupla função sintática. Aponte a palavra responsável por essa ambigüidade e identifique as funções sintáticas dessa expressão.

b) Na última estrofe, narra-se uma seqüência de ações que giram em torno da busca de riqueza. O verso “e estendem punhos severos” (v. 46) expressa, entretanto, um duplo sentido. Explique sua duplicidade dentro da estrofe.
5. Quando lhe pedi que ela fosse comigo ao mercado, ela reagiu como se eu lhe tivesse feito uma proposta absurda.

a) Transcreva do texto a oração que exerce a função de um objeto direto

b) Transponha para a voz passiva a oração "como se lhe tivesse feito uma proposta absurda".
6. O povo caía e morria DE sede e fome, COMO o gado. (par. 2)

a) Identifique a idéia que cada palavra destacada expressa.

b) Reescreva o período substituindo as mesmas palavras em destaque por equivalentes, sem alteração de sentido.
7. Analise sintaticamente o termo em destaque:

a) O navio foi comandado PELO CAPITÃO.

b) Luís, na fazenda, nunca saía da CASA GRANDE.

c) DEUS, tire-me daqui.

d) A fisionomia ABORRECIDA de Maria Eugênio incomodou Pedro.

e) Santa Maria, MÃE DE DEUS, tenha piedade de minha avó doente.


8. Complete com as preposições adequadas:

1) Ficou aflito ______ não poder viajar. (de - por)

2) A criança sentia desprezo ______ brinquedos. (aos - pelos)

3) O rapaz era fanático ______ futebol. (ao - por)

4) Ele era generoso ______ os funcionários. (com - para)
9. Complete com as preposições adequadas:

1) A estima ______ rebeldes eles conseguirão aos poucos. (dos - aos)

2) Este livro é rico ______ exercícios. (em - de)

3) Estou em falta ______ meus amigos. (com - para com)

4) Tinha aversão ______ tudo. (a - para)
10.

Partimo-nos assim do santo templo

Que nas praias do mar está assentado,

Que o nome tem da terra, para exemplo,

Donde Deus foi em carne ao mundo dado.

Certifico-te, ó Rei, que se contemplo

Como fui destas praias apartado,

Cheio dentro de dúvida e receio,

Que a penas nos meus olhos ponho o freio.

(Camões, "Os Lusíadas", Canto 4Ž - 87.)

Nessa estrofe, há um verbo empregado com uma regência diferente da que se usa nos dias de hoje, no português do Brasil.

a) Identifique essa construção.

b) Redija uma frase com esse mesmo verbo, utilizando a sua regência atual.


11. A prática da gramática não deve estar desvinculada da percepção das diferenças na produção de sentido, encaminhadas pela língua no processo de comunicação.

Explique as diferentes regências do verbo “combater” e as decorrentes produções de sentido no contexto em que se inserem:

“Combateremos a sombra. Com crase e sem crase.”
12. Comentário:

Considere as duas frases:

(1) Os papagaios aspiravam o ar puro das montanhas

(2) Os papagaios aspiravam ao ar puro das montanhas

O que você vai fazer:

Construindo textos coesos e coerentes, explique a diferença de sentido entre a frase (1) e a frase (2) e aponte a causa.

a) Sentido da frase (1).

b) Sentido da frase (2).

c) Razão pela qual a frase (1) é diferente da frase (2).
13. Indique a alternativa em que a preposição "de" foi empregada conforme as exigências da variedade padrão da língua:

a) Certas pessoas acreditam de que sorrir tira-lhes a seriedade e credibilidade.

b) Este ano o Natal vai cair de domingo.

c) Muitos alunos ficaram de recuperação, no final do ano.

d) Pela natural arrogância de que somos dotados, julgamos que somos hábeis para entender a complexidade do relacionamento humano.

e) Em alguns calendários não dá de ver as fases da Lua.


14.

DE CRIANÇA PARA CRIANÇA

Depois de ler os Direitos das Crianças, você pode trocar idéias com seus irmãos, com o papai e a mamãe. Se quiser, escreva ou faça um desenho. Coloque seu nome, endereço, idade e o nome da escola.
DIREITO À FAMÍLIA

Todas as crianças têm direito à atenção e ao carinho dos adultos, de preferência do papai e da mamãe. E as crianças que não têm família? Elas merecem uma proteção especial dos adultos, você não acha?

(www.tvcultura.com.br. Adaptado.)
Considere o texto e analise as três afirmações seguintes.

I. A frase Toda criança deve ser assistida quanto ao seu direito à atenção e ao carinho dos adultos está correta quanto aos sentidos propostos no texto e também quanto à regência.

II. Deve-se interpretar a referência do pronome você como criança, conforme sugerido pelo título do texto.

III. As duas orações que compõem as perguntas estabelecem entre si relação de adversidade.


Está correto apenas o que se afirma em

a) I.


b) II.

c) III.


d) I e II.

e) II e III.


15. Assinale a alternativa em que, CONTRARIANDO A NORMA CULTA, usou-se ou deixou-se de usar uma preposição antes do pronome relativo.

a) No momento que os gaúchos chegaram, os castelhanos soltaram vivas.

b) A moça, que os amigos generosamente acolheram, portou-se como uma verdadeira dama.

c) Era uma flor belíssima, de cujo olor extraíra o poeta sua inspiração.

d) Tinha mãos sujas da graxa em que a peça estivera mergulhada.

e) A linguagem era recheada de palavras pretensamente eruditas, que o condenavam.


16. (Correção gramatical: ortografia, regência, concordância etc.):

Reescreva o texto a seguir, corrigindo-o no que for necessário, levando em consideração as normas do padrão culto da linguagem.


Entregou-se ao professor os relatórios de estágio que precisávamos para a obtenção dos créditos finais e, agora, ficaremos a espera dos resultados cujos os números serão divulgados em breve pela secretaria.
17. Reescreva as frases seguintes, substituindo o que estiver em destaque pelo verbo indicado entre parênteses. Faça as alterações necessárias, sem modificar o sentido da frase:
a) PRESENCIÁVAMOS tudo atordoados. (assistir)

b) ERA DIFÍCIL, PARA MIM, acreditar no que diziam. (custar)


18. Dê a predicação dos verbos destacados de cada oração, explicando-lhes o sentido:

a) Os cavalos ASPIRAVAM pó da estrada.

b) O ensino VISA o progresso brasileiro.

c) A mulher ORDENOU à cozinheira que caprichasse.


19. Copie e complete adequadamente as frases com os pronomes O ou LHE, dependendo da regência do verbo:

a) Lembro ________ que amanhã é dia de prova.

b) Gostaríamos de convidá ________ para a festa.

c) Nunca quis ofendê ________ de modo algum.

d) Declararam ________ inocente frente a situação.

e) Não ________ enviamos a carta ainda.


20. Observe o período a seguir:

Neste ano, muitos empresários estavam interessados no projeto de arte-educação, porque o governo federal concedia benefícios fiscais para as empresas.


O item que inverte a relação de idéias nas orações apresentadas é:

a) Neste ano, muitos empresários estavam tão interessados no projeto de arte-educação que o governo federal concedeu benefícios fiscais para as empresas.

b) Neste ano, muitos empresários estavam interessados no projeto de arte-educação, uma vez que o governo federal concedia benefícios fiscais para as empresas.

c) Neste ano, muitos empresários estavam interessados no projeto de arte-educação, visto que o governo federal concedia benefícios fiscais para as empresas.

d) Neste ano, como o governo federal concedia benefícios fiscais para as empresas, muitos empresários estavam interessados no projeto de arte-educação.

e) Neste ano, já que o governo federal concedia benefícios fiscais para as empresas, muitos empresários estavam interessados no projeto de arte-educação.


PORTUGUÊS 2 – LITERATURA

Objetivo: Proporcionar ao aluno a oportunidade de rever os conteúdos e conceitos mais importantes do 1º semestre, além da possibilidade de melhorar seus conhecimentos em Literatura Portuguesa e Brasileira.

Matéria a ser estudada: 

  1. Estética romântica – seus pressupostos e características gerais;

  2. Autores das três gerações da poesia romântica brasileira;

  3. O romance do Romantismo brasileiro – sua estrutura e principais autores;

  4. Estética realista-naturalista – seus pressupostos e características gerais;

  5. RELEITURA DO LIVRO: Dom Casmurro, de Machado de Assis.




APOSTILA

CONTEÚDO

Ap. teoria 1

Romantismo brasileiro

Ap. teoria 1

Poesia romântica brasileira

Ap. teoria 1

Prosa romântica: José de Alencar

Ap. exercícios 1

Exercícios de Classe e CASA A

Ap. teoria 2

Realismo-Naturalismo (até Machado de Assis)

Ap. exercícios 2

Exercícios de Classe e CASA A

Estratégias: 

  1. Estudar o conteúdo selecionado para a prova através da apostila de teoria, dos exercícios (CASA A e CLASSE) e do caderno (anotações e resumos);

  2. Fazer e entregar os 40 exercícios da lista.

ATENÇÃO:

  • A lista de exercícios deve ser feita a caneta azul ou preta, com letra legível, capricho e sem rasuras;

  • NÃO SE ESQUEÇA de colocar nome, número e unidade no início da lista;

  • A entrega da lista resolvida corresponde a 20% da nota total, ou seja, 2,0 pontos;

  • A lista de exercícios será a referência para a produção da prova e deverá ser entregue no dia da inscrição;

  • Faça a lista de Literatura (Português 2) SEPARADA da lista de Gramática (Português 1);

  • OBS: NÃO MISTURE AS LISTAS!!! A professora / o professor apenas vistará as listas entregues a ela / a ele.



EXERCÍCIOS DE LITERATURA – 2ª SÉRIE - RECUPERAÇÃO (JULHO)
1- Leia o soneto a seguir.
XXXI

Longe de ti, se escuto, porventura,

Teu nome, que uma boca indiferente

Entre outros nomes de mulher murmura,

Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...
Tal aquele, que, mísero, a tortura

Sofre de amargo exílio, e tristemente

A linguagem natal, maviosa e pura,

Ouve falada por estranha gente...
Porque teu nome é para mim o nome

De uma pátria distante e idolatrada,

Cuja saudade ardente me consome:
E ouvi-lo é ver a eterna primavera

E a eterna luz da terra abençoada,

Onde, entre flores, teu amor me espera.

(BILAC, Olavo. "Melhores poemas". Seleção de Marisa Lajolo. São Paulo: Global, 2003. p. 54.)


Olavo Bilac, mais conhecido como poeta parnasiano, expressa traços românticos em sua obra. No soneto apresentado observa-se o seguinte traço romântico:
a) objetividade do eu lírico.

b) predominância de descrição.

c) utilização de universo mitológico.

d) erudição do vocabulário.

e) idealização do tema amoroso.
2- Graças a Gonçalves de Magalhães, a majestosa mangueira substituiu os carvalhos, o sabiá desentronizou o rouxinol da Europa, e algumas das belezas americanas vieram, por fim, a ser cantadas com a mais pura e autêntica poesia.

Essa "mais pura e autêntica poesia" a que se refere o texto acima é a que está, também,


a) nos poemas nacionalistas de Gonçalves Dias.

b) na lírica amorosa de Gregório de Matos.

c) nos sermões de Antônio Vieira.

d) nos textos simbolistas de Alphonsus de Guimaraens.

e) no nacionalismo crítico de Oswald de Andrade.
3- Tomadas em conjunto, as obras de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Castro Alves demonstram que, no Brasil, a poesia romântica:
a) pouco deveu às literaturas estrangeiras, consolidando de forma homogênea a inclinação sentimental e o anseio nacionalista dos escritores da época.

b) repercutiu, com efeitos locais, diferentes valores e tonalidades da literatura européia: a dignidade do homem natural, a exacerbação das paixões e a crença em lutas libertárias.

c) constituiu um painel de estilos diversificados, cada um dos poetas criando livremente sua linguagem, mas preocupados todos com a afirmação dos ideais abolicionistas e republicanos.

d) refletiu as tendências ao intimismo e à morbidez de alguns poetas europeus, evitando ocupar-se com temas sociais e históricos, tidos como prosaicos.

e) cultuou sobretudo o satanismo, inspirado no poeta inglês Byron, e a memória nostálgica das civilizações da Antigüidade clássica, representadas por suas ruínas.
4- "Descansem o meu leito solitário

Na floresta dos homens esquecida.

À sombra de uma cruz, e escrevam nela:

- Foi poeta - sonhou - e amou na vida. "
O excerto acima é de autoria de........ , importante poeta do ultra-romantismo brasileiro, autor de......... :
a) Casimiro de Abreu - Primaveras

b) Álvares de Azevedo - Lira dos Vinte Anos

c) Fagundes Varela - Contos e Fantasias

d) Gonçalves Dias - Últimos Contos

e) Castro Alves - Espumas Flutuantes
5- A CRUZ DA ESTRADA
Caminheiro que passas pela estrada,

Seguindo pelo rumo do sertão,

Quando vires a cruz abandonada,

Deixa-a em paz dormir na solidão.
É de um escravo humilde sepultura,

Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz.

Deixa-o dormir no leito de verdura,

Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs.
Dentre os braços da cruz, a parasita,

Num abraço de flores se prendeu.

Chora orvalhos a grama, que palpita;

Lhe acende o vaga-lume o facho seu.
Caminheiro! Do escravo desgraçado

O sono agora mesmo começou!

Não lhe toques no leito de noivado,

Há pouco a liberdade o desposou.

(ALVES, Castro. (1883) In: LAJOLO, Marisa & CAMPEDELLI, Samira (org.) "Literatura comentada". 2ª ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 89-90.)


Nesse fragmento do poema "A cruz da estrada", observa-se um traço marcante da poesia romântica, que é:
a) o egocentrismo exacerbado revelador das emoções do eu.

b) o nacionalismo expresso na origem histórica do nosso povo.

c) o envolvimento subjetivo dos elementos da natureza.

d) a evasão do eu para espaços distantes e exóticos.

e) a idealização da infância como uma época perfeita.
6- No período romântico brasileiro, os aspectos estéticos e os históricos ligaram-se de modo especialmente estreito e original: entre nós, o Romantismo deu expressão à consolidação da independência, à afirmação de uma nova Nação e à busca das raízes históricas e míticas de nossa cultura — características que se encontram amplamente:


  1. na poesia de Casimiro de Abreu, influenciada pela de Gonçalves Dias.

  2. nos romances urbanos da primeira fase de Machado de Assis.

  3. nos romances de costumes de Joaquim Manuel de Macedo.

  4. na lírica confidencial de Álvares de Azevedo e de Casimiro de Abreu.

  5. na ficção regionalista e indianista de José de Alencar.

7- O excerto a seguir foi extraído da obra Noite na Taverna, livro de contos escritos pelo poeta ultrarromântico Álvares de Azevedo (1831-1852).


Uma noite, e após uma orgia, eu deixara dormida no leito dela a condessa Bárbara. Dei um último olhar àquela forma nua e adormecida com a febre nas faces e a lascívia nos lábios úmidos, gemendo ainda nos sonhos como na agonia voluptuosa do amor. Saí. Não sei se a noite era límpida ou negra; sei apenas que a cabeça me escaldava de embriaguez. As taças tinham ficado vazias na mesa: aos lábios daquela criatura eu bebera até a última gota o vinho do deleite…

Quando dei acordo de mim estava num lugar escuro: as estrelas passavam seus raios brancos entre as vidraças de um templo. As luzes de quatro círios batiam num caixão entreaberto. Abri-o: era o de uma moça. Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez lívida e embaçada, o vidrento dos olhos mal-apertados… Era uma defunta!… e aqueles traços todos me lembravam uma ideia perdida… — era o anjo do cemitério! Cerrei as portas da igreja, que, eu ignoro por quê, eu achara abertas. Tomei o cadáver nos meus braços para fora do caixão. Pesava como chumbo…
(AZEVEDO, Álvares de. Noite na taverna.São Paulo: Moderna, 1997. p. 23.)
Com relação ao fragmento anterior, afirma-se:
I- Acentua traços característicos da literatura romântica, como o subjetivismo, o egocentrismo e o sentimen­talismo; ao contrário, despreza o nacionalismo e o indianismo, temas característicos da primeira geração romântica.

II- Idealiza figuras imaginárias, mulheres incorpóreas ou virgens, personagens que confirmam o amor inatingível, idealizado na literatura ultrarromântica. Dessa forma, no 1o parágrafo, o amor platônico não é superado pelo amor físico.

III- Tematiza a morte, presente em grande parte da obra do autor.
Assinale a alternativa correta.


  1. Apenas I está correta.

  2. Apenas I e II estão corretas.

  3. Apenas II e III estão corretas.

  4. Apenas I e III estão corretas.

  5. I, II e III estão corretas.

8- Os dois textos abaixo apresentam diferentes concepções da figura da mulher.


I.

"Pálida, à luz da lâmpada sombria

Sobre o leito de flores reclinada,

Como a lua por noite embalsamada,

Entre as nuvens do amor, ela dormia!"

(Álvares de Azevedo)


II.

"Uma noite, eu me lembro... Ela dormia

Numa rede encostada molemente..

Quase aberto o roupão... solto o cabelo

E o pé descalço no tapete rente. "

(Castro Alves)


Apontar nos dois textos situações contrastantes que revelam essas diferentes concepções.
9- Se ambos os textos são românticos, como explicar a diferença no tratamento do tema?
10- Tomadas em conjunto, as obras de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Castro Alves demonstram que, no Brasil, a poesia romântica:
a) pouco deveu às literaturas estrangeiras, consolidando de forma homogênea a inclinação sentimental e o anseio nacionalista dos escritores da época.

b) repercutiu, com efeitos locais, diferentes valores e tonalidades da literatura europeia: a dignidade do homem natural, a exacerbação das paixões e a crença em lutas libertárias.

c) constituiu um painel de estilos diversificados, cada um dos poetas criando livremente sua linguagem, mas preocupados todos com a afirmação dos ideais abolicionistas e republicanos.

d) refletiu as tendências ao intimismo e à morbidez de alguns poetas europeus, evitando ocupar-se com temas sociais e históricos, tidos como prosaicos.

e) cultuou sobretudo o satanismo, inspirado no poeta inglês Byron, e a memória nostálgica das civilizações da Antiguidade clássica, representadas por suas ruínas.
11- Assinalar a alternativa que contém três poetas representantes, respectivamente, das três gerações românticas:
a) Tobias Barreto - Fagundes Varela - Joaquim M. de Macedo

b) Casimiro de Abreu - José de Alencar - Bernardo Guimarães

c) Gonçalves Dias - Álvares de Azevedo - Castro Alves

d) Junqueira Freire - Castro Alves - Tobias Barreto

e) Álvares de Azevedo - Bernardo Guimarães - José de Alencar
12- Graças a Gonçalves de Magalhães, a majestosa mangueira substituiu os carvalhos, o sabiá desentronizou o rouxinol da Europa, e algumas das belezas americanas vieram, por fim, a ser cantadas com a mais pura e autêntica poesia.

Essa "mais pura e autêntica poesia" a que se refere o texto acima é a que está, também,


a) nos poemas nacionalistas de Gonçalves Dias.

b) na lírica amorosa de Gregório de Matos.

c) nos sermões de Antônio Vieira.

d) nos textos simbolistas de Alphonsus de Guimaraens.

e) no nacionalismo crítico de Oswald de Andrade.

13- Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente as lacunas do trecho apresentado.


Vista de forma panorâmica, a poesia romântica brasileira é muito rica em temas e em tons: estão nela a bravura do silvícola cantada por ......, a timidez amorosa e idealizante da lira de ......, a pujança oratória dos versos ....... de Castro Alves.
a) Casimiro de Abreu - Olavo Bilac - líricos

b) Fagundes Varela - Gonçalves Dias - anti-abolicionistas

c) Gonçalves Dias - Álvares de Azevedo - condoreiros

d) Álvares de Azevedo - Fagundes Varela - satíricos

e) Olavo Bilac - Casimiro de Abreu - libertários
14- SONETO
Perdoa-me, visão dos meus amores,

Se a ti ergui meus olhos suspirando!...

Se eu pensava num beijo desmaiando

Gozar contigo a estação das flores!
De minhas faces os mortais palores,

Minha febre noturna delirando,

Meus ais, meus tristes ais vão revelando

Que peno e morro de amorosas dores...
Morro, morro por ti! na minha aurora

A dor do coração, a dor mais forte,

A dor de um desengano me devora...

Sem que última esperança me conforte,

Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora

Morte no coração, nos olhos morte!
Em relação ao soneto, podemos afirmar que:
a) há, na primeira estrofe, idealização da mulher amada.

b) se evidencia, na terceira estrofe, a proximidade da morte física.

c) há, na terceira estrofe, idealização do amor, da mulher e da morte.

d) somente a quarta estrofe aponta o desencanto do poeta.

e) ele pode ser considerado um exemplo da segunda fase do romantismo brasileiro.
15- Sobre o Romantismo no Brasil, é INCORRETO afirmar que:

a) já se verificam traços condoreiros na obra de Fagundes Varela, embora tal tendência apresente seu ponto mais alto na poesia de Castro Alves.

b) "Suspiros Poéticos e Saudades", de Gonçalves de Magalhães, é considerado seu marco inicial.

c) o indianismo se verificou tanto em prosa como em verso.

d) os poetas ultra-românticos como Casimiro de Abreu e Álvares de Azevedo pertencem à segunda geração.

e) José de Alencar, seu maior prosador, dedicou-se exclusivamente a romances indianistas e urbanos.


16- Identifique a afirmação correta sobre José de Alencar.
a) Seus três romances indianistas fazem parte do projeto maior: retratar aspectos típicos da realidade e dos mitos nacionais.

b) Com MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS, deu-nos um colorido painel da sociedade carioca ao tempo de D. João VI.

c) Embora tenha escrito belos poemas líricos, foi pela poesia abolicionista que se notabilizou como escritor.

d) Deve ser considerado o pioneiro do Naturalismo no Brasil, com obras-primas no conto, no romance e na novela.

e) Seus romances têm a marca inconfundível da prosa intimista, em que tudo se resume às memórias e pensamentos subjetivos.
17- Sobre a obra de José de Alencar, SENHORA, assinale a alternativa FALSA:
a) Movida pelo despeito e vingança, apesar do amor que ainda sentia por Fernando, Aurélia, personagem central de SENHORA, resolve "comprar" o ex-noivo por cem contos de réis.

b) A despeito da contundente crítica à sociedade burguesa, SENHORA é uma obra tipicamente romântica, o que é visível sobretudo na caracterização idealizada do amor e da mulher.

c) O narrador de SENHORA explora habilmente o conflito básico entre o grande amor de Aurélia e a vergonhosa transação que põe Fernando à sua mercê.

d) Preocupado com a análise social e com o objetivo de criticar o materialismo e o conflito de classes na sociedade capitalista, Alencar exclui de SENHORA qualquer abordagem psicológica das personagens.

e) A dialética do bem e do mal na construção do enredo e das personagens de SENHORA ganha complexidade humanística, atingindo um refinamento que prenuncia a obra de Machado de Assis.
Texto para as questões 18 e 19:
Seixas aproximou-se do toucador, levado por indefinível impulso; e entrou a contemplar minuciosamente os objetos colocados em cima da mesa de mármore; lavores de marfim, vasos e grupos de porcelana fosca, taças de cristal lapidado, joias do mais apurado gosto.

À proporção que se absorvia nesse exame, ia como ressurgindo à sua existência anterior, a que vivera até o momento do cataclismo que o submergira. Sentia-se renascer para esse fino e delicado materialismo, que tinha para seu espírito aristocrático tão poderosa sedução e tão meiga voluptuosidade.

Todos esses mimos da arte pareciam-lhe estranhos e despertavam nele ignotas emulsões; tal era o abismo que o separava do recente passado. Era com uma sofreguidão pueril que os examinava um por um, não sabendo em qual se fixar. Fazia cintilar os brilhantes aos raios de luz; e aspirava a fragrância que se exalava dos frascos de perfume com um inefável prazer.

Nessa fútil ocupação demorou-se tempo esquecido. Porventura sua memória atraída pelas reminiscências que suscitavam objetos idênticos a esses, remontava o curso de sua existência, e descendo-o, depois o trazia àquela noite fatal em que se achava e à pungente realidade desse momento.

Recuou com um gesto de repulsão.”

(ALENCAR,José de., Senhora.)


18- Considerando esse trecho no contexto da obra a que pertence, é correto afirmar que, nele, o personagem Fernando Seixas:

  1. rejeita os objetos que o cercam, porque deseja conquistar posição elevada em ambientes mais refinados.

  2. dá-se conta de que aqueles objetos, que tanto valorizara, nesse momento eram a comprovação dos erros que praticara.

  3. experimenta o fascínio por objetos luxuosos que não são seus e decide lutar para conseguir possuí-los.

  4. sente renascer nele a revolta por não dispor de meios econômicos para possuir objetos luxuosos.

  5. relembra infantilmente sua existência anterior, quando podia usufruir do luxo que agora perdia, e lamenta sua situação atual.

19- A depreciação do narrador quanto à atitude de Fernando Seixas com os objetos do toucador se revela no(s) termo(s):



  1. “cataclismo”.

  2. “fino e delicado materialismo”.

  3. “ignotas emoções”.

  4. “fútil ocupação”.

  5. “indefinível impulso”.

20- A certa altura do romance Senhora, o narrador diz que muitos admiradores “rendiam vassalagem” a Aurélia, a bela protagonista. “Render vassalagem” é uma expressão que vem da Idade Média feudal, quando os senhores de terras contratavam “vassalos” para defendê-las, os quais eram obrigados a prestar um “juramento de fidelidade” ao patrão. Esse vínculo, transposto para a lírica trovadoresca, criou a relação de subserviência do homem à mulher, ele, uma espécie de “vassalo” perdidamente enamorado da Dama sempre inacessível.


(MONGELLI, Lênia Márcia, “Roteiro de leitura”, em Iracema, de José de Alencar. São Paulo: FTD, 1992. p. 261. Adaptado.)
As afirmações desse texto crítico ajudam a compreender que:


  1. num romance romântico, a figura da mulher pode surgir envolvida numa aura de idealismo.

  2. num romance romântico, as qualidades da mulher confundem-se com as da natureza tropical.

  3. numa narrativa regionalista romântica, a mulher assume uma posição de mando e de liderança familiar.

  4. num romance indianista, a personagem feminina principal exemplifica como ninguém a tese da força da natureza.

  5. na ficção de caráter histórico e documental, as personagens femininas ilustram a grandeza do sacrifício pessoal.

21- Ainda em relação a SENHORA, assinale a alternativa FALSA:


a) a atuação inicial da personagem Fernando Seixas representa uma ruptura com as características habituais de um herói romântico.

b) o movimento narrativo ganha impulso graças aos problemas de desnivelamento nas posições sociais, que vão afetar a própria afetividade das personagens.

c) mesquinha e má, Aurélia Camargo foge completamente ao estereótipo da heroína romântica.

d) o grande amor de Fernando Seixas é abafado pela vaidade e pelo desejo de ascensão social.

e) há uma associação entre a moda - visível nas minuciosas descrições de roupas e hábitos - e o próprio ritmo da vida social e a caracterização das personagens.
22- "O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma raça?"
Eis aí uma reflexão sob a forma de pergunta que o autor, ................, faz a si mesmo - com toda propriedade, e por motivos que podemos interpretar como pessoais -, ao finalizar o romance ...................
Assinale a alternativa que completa os espaços.
a) José Lins do Rego - "Menino de Engenho"

b) José de Alencar - "Iracema"

c) Graciliano Ramos - "São Bernardo"

d) Aluísio Azevedo - "O Mulato"

e) Graciliano Ramos - "Vidas Secas"
23- A prosa literária adquiriu consistência com as obras desses dois grandes romancistas: o primeiro, pelo estilo ágil e preciso de seu único romance, que descreve pitorescamente os tipos, os ambientes e os costumes do Rio da primeira metade do século XIX; o segundo, pelo leque de romances que abriu, inspirados tanto na vida citadina do Brasil Imperial quanto nas personagens míticas e tipos regionais de nossa terra.
O texto acima está se referindo, respectivamente, aos escritores:

a) José de Alencar e Machado de Assis.

b) Joaquim Manuel de Macedo e Menotti del Picchia.

c) Aluísio Azevedo e Machado de Assis.

d) Manuel Antônio de Almeida e José de Alencar.

e) Euclides da Cunha e Manuel Antônio de Almeida.


24- O romance é um gênero literário que veio a se desenvolver no século ....., retratando sobretudo .....; era muito comum publicar-se em partes, nos jornais, na forma de ..... .
Preenchem corretamente as lacunas do texto acima, pela ordem:
a) XVII - a alta aristocracia - conto

b) XVIII - o mundo burguês - folhetim

c) XVIII - o mundo burguês - crônica

d) XIX - o mundo burguês - folhetim

e) XIX - a alta aristocracia – crônica

25- UM ÍNDIO


Um índio descerá

de uma estrela colorida brilhante

de uma estrela que virá

numa velocidade estonteante

e pousará no coração do hemisfério sul na américa num claro instante

(...)

virá

impávido que nem muhammad ali

virá que eu vi

apaixonadamente como peri

virá que eu vi

tranqüilo e infalível como bruce lee

virá que eu vi

o aché do afoxé filhos de ghandi

virá

(Caetano Veloso)


O trecho anterior mostra, com uma visão contemporânea, determinado tipo de tratamento dado ao índio brasileiro em certo período de nossa literatura. Assinale a alternativa em que aparecem os nomes de dois autores que manifestaram tal tendência.
a) Santa Rita Durão e Casimiro de Abreu.

b) Gonçalves de Magalhães e Álvares de Azevedo.

c) Castro Alves e Tobias Barreto.

d) Fagundes Varella e Visconde de Taunay.

e) Gonçalves Dias e José de Alencar.
26- Tanto na prosa de José de Alencar quanto na poesia de Gonçalves Dias, a figura do índio é caracterizada:
a) com os atributos da honradez de um cavaleiro medieval.

b) enquanto um herói pagão movido pelas forças da natureza.

c) como uma mescla de ingenuidade e violência incontrolável.

d) por meio de uma fiel descrição de seus valores naturais.

e) da mesma forma como o representava Anchieta em suas peças.

27- No romance IRACEMA, José de Alencar:


a) desenvolve, na linha mesma do enredo, valores éticos e estéticos próprios da sociedade burguesa europeia.

b) busca fundir num mesmo código as imagens de um lirismo romântico e alguns modos de nomeação e construção da língua tupi.

c) defende a superioridade da cultura indígena sobre a européia, tal como o demonstra o desfecho desse romance idealizante.

d) faz confluírem o plano lendário e o plano histórico, o primeiro representado por Martim, e o segundo, por Iracema.

e) dispõe-se a desenvolver a história de uma virgem que, resistindo ao colonizador, representa o poder da natureza indomável.
28- Leia o texto a seguir, de "Iracema", de José de Alencar, e responda às questões a ele pertinentes.
Quanto mais seu passo o aproxima da cabana, mais lento se torna e pesado. Tem medo de chegar; e sente que sua alma vai sofrer, quando os olhos tristes e magoados da esposa entrarem nela.

Há muito que a palavra desertou seu lábio seco; o amigo respeita este silêncio, que ele bem entende. É o silêncio do rio quando passa nos lugares profundos e sombrios.

Tanto que os dois guerreiros tocaram as margens do rio, ouviram o latir do cão a chamá-los e o grito da ará, que se lamentava. Estavam mui próximos à cabana, apenas oculta por uma língua de mato. O cristão parou calcando a mão no peito para sofrear o coração, que saltava como o poraquê.

- O latido de Japi é de alegria, disse o chefe.

- Porque chegou; mas a voz da jandaia é de tristeza. Achará o guerreiro ausente a paz no seio da esposa solitária, ou terá a saudade matado em suas entranhas o fruto do amor?

O cristão moveu o passo vacilante. De repente, entre os ramos das árvores, seus olhos viram sentada, à porta da cabana, Iracema com o filho no regaço, e o cão a brincar. Seu coração o arrojou de um ímpeto, e a alma lhe estalou nos lábios:

- Iracema!..

ALENCAR, José de. "Iracema". São Paulo: FTD, 1991, p. 86.

Assinale a alternativa correta em relação ao romance.
a) Seu autor escreveu também "A Moreninha".

b) Nele, não se ressaltam valores culturais, apenas políticos.

c) O irmão de Iracema é o legendário índio Peri.

d) A natureza não passa de pano de fundo da narrativa.

e) É narrado, em terceira pessoa, por um narrador onisciente.
29- "Iracema" é um romance que integra, na classificação da obra de José de Alencar, a série indianista. É um poema em prosa, verdadeira obra-prima de nossa literatura. Indique nas alternativas a seguir a que contém enunciado que identifica a obra em questão.
a) "Ela embebeu os olhos nos olhos do seu amigo, e lânguida reclinou a loura fronte. (...) Fez-se no semblante da virgem um ninho de castos rubores e lânguidos sorrisos: os lábios abriram como as asas purpúreas de um beijo soltando o voo. A palmeira arrastada pela torrente impetuosa fugia. E sumiu-se no horizonte."
b) "Ajoelhou então o sertanejo à beira do canapé; tirando do peito uma cruz de prata, que trazia ao pescoço, presa a um relicário vermelho, deitou-a por fora do gibão de couro. Com as mãos postas e a fronte reclinada para fitar o símbolo da redenção, murmurou uma ave-maria, que ofereceu à Virgem Santíssima como ação de graças por ter permitido que ele chegasse a tempo de salvar a donzela."
c) "Desde então os guerreiros pitiguaras que passavam perto da cabana abandonada e ouviam ressoar a voz plangente da ave amiga, afastavam-se com a alma cheia de tristeza, do coqueiro onde cantava a jandaia. E foi assim que um dia veio a chamar-se Ceará o rio onde crescia o coqueiro, e os campos onde serpeja o rio."
d) "Seriam cinco horas e meia, quando no azul diáfano do horizonte se desenhou iluminada pelo arrebol da tarde a torre da igreja do Espírito Santo, que servia de matriz à vila de Jaguarão. Receoso talvez de que o último raio do sol se apagasse, deixando-o ainda em caminho, o gaúcho afrouxou as rédeas ao Ruão, que lançou-se como uma flecha."
e) "Representamos uma comédia, na qual ambos desempenhamos o nosso papel com perícia consumada. (...). Entremos na realidade por mais triste que ela seja; e resigne-se cada um ao que é; eu, uma mulher traída; o senhor, um homem vendido."
30- "Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores."
Nesse trecho de um famoso romance do século XIX, os termos "lá", "aqui" e "virgem morena" referem-se, respectivamente,

a) a Portugal, ao Brasil e a Aurélia.

b) ao Brasil, a Portugal e a Capitu.

c) a Portugal, ao Brasil e a Capitu.

d) ao Brasil, a Portugal e a Iracema.

e) a Portugal, ao Brasil e a Iracema.


31- Um dos traços fundamentais do Romantismo reside no idealismo com que os escritores concebem suas personagens. No Brasil, tornaram-se célebres alguns protagonistas de Alencar, modelos ideais de comportamento e dotados de admirável beleza física. A partir destas observações, explique, a partir de dois exemplos, por que Iracema pode ser tomada como personagem típica do Romantismo.
32. Sobre os romances "Iracema", de José de Alencar, e "Dom Casmurro", de Machado de Assis, é correto afirmar:

a) "Dom Casmurro" é um romance de caráter nacionalista, pois aborda, como Iracema, a miscigenação étnica (índios e brancos), geradora do autêntico brasileiro.

b) "Iracema" apresenta alguns parágrafos com ritmo extremamente cadenciado, como por exemplo o de abertura, "Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes de carnaúba", o que levou Machado de Assis a se referir à obra como "poema em prosa".

c) "Dom Casmurro" tem como personagem Capitu, que apresenta comportamento muito semelhante ao de Iracema, daí podermos afirmar que o romantismo alencariano tem grande influência sobre as obras machadianas.

d) Os dois romances escritos no século XIX possuem como característica principal a exaltação da natureza e a idealização da mulher.

e) "Virgem dos lábios de mel" e "olhos de cigana oblíqua e dissimulada" são, respectivamente, designações de Capitu e Iracema, o que demonstra um traço típico do Realismo na descrição do caráter de ambas as personagens.


33- Sobre "Iracema", de José de Alencar, podemos dizer que:
1) as cenas de amor carnal entre Iracema e Martim são de tal forma construídas que o leitor as percebe com vivacidade, porque tudo é narrado de forma explícita.

2) em "Iracema" temos o nascimento lendário do Ceará, a história de amor entre Iracema e Martim e as manifestações de ódio das tribos tabajara e potiguara.

3) Moacir é o filho nascido da união de Iracema e Martim. De maneira simbólica ele representa o homem brasileiro, fruto do índio e do branco.

4) a linguagem do romance "Iracema" é altamente poética, embora o texto esteja em prosa. Alencar consegue belos efeitos lingüísticos ao abusar de imagens sobre imagens, comparações sobre comparações.


Assinale:

a) se apenas 2 e 4 estiverem corretas.

b) se apenas 2 e 3 estiverem corretas.

c) se 2, 3 e 4 estiverem corretas.

d) se 1, 3 e 4 estiverem corretas.
34- O trecho seguinte pertence ao romance "Iracema" (1865), de José de Alencar:
Refresca o vento.

O rulo das vagas precipita. O barco salta sobre as ondas e desaparece no horizonte. Abre-se a imensidade dos mares; e a borrasca enverga, como o condor, as foscas asas sobre o abismo.

Deus te leve a salvo, brioso e altivo barco, por entre as vagas revoltas, e te poje nalguma enseada amiga. Soprem para ti as brandas auras; e para ti jaspeie a bonança mares de leite!

ALENCAR, J.M. de. "Iracema". Porto Alegre: L&PM, 1999. p. 22-23. (Coleção L&PM Pocket)


O barco mencionado no fragmento:
a) transporta o corpo de Iracema em ritual fúnebre indígena.

b) conduz Moacir, o primeiro cearense ainda criança, para o exílio.

c) dirige-se, para novas conquistas de territórios, ao sul do país.

d) parte da Europa, levando o colonizador português ao Ceará.

e) transporta o corpo de Martim em ritual fúnebre indígena.
35- Leia atenciosamente os textos abaixo:
Texto I
Carlota
Eu sabia que era bela; mas a minha imaginação apenas tinha esboçado o que Deus criara.

Ela olhava-me e sorria.

Era um ligeiro sorriso, uma flor que desfolhava-se nos seus lábios, um reflexo que iluminava o seu lindo rosto.

Seus grandes olhos negros fitavam em mim um desses olhares lânguidos e aveludados que afagam os seios d'alma.

Um anel de cabelos negros brincava-lhe sobre o ombro, fazendo sobressair a alvura diáfana de seu colo gracioso.

Tudo quanto a arte tem sonhado de belo e de voluptuoso desenhava-se naquelas formas soberbas, naqueles contornos harmoniosos que se destacavam entre as ondas de cambraia de seu roupão branco.

(José de Alencar)


Texto II
Virgília
Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.

(Machado de Assis)


O Texto I e o Texto II apresentam descrições diferentes, entretanto o objeto descrito é o mesmo. Qual é? Retire de cada texto (I e II) uma passagem que caracterize o movimento literário a que cada um pertence e estabeleça uma relação de oposição entre elas.

36- "O primo Basílio" pertence à fase dita REALISTA de seu autor, Eça de Queirós. É reconhecido, também, como um ROMANCE DE TESE - tipo de narrativa em que se demonstra uma ideia, em geral com intenção crítica e reformadora. Tendo em vista essas determinações gerais, é correto afirmar que, nesse romance,


a) o foco expressivo se concentra na anterioridade subjetiva das personagens, que se dão a conhecer por suas idéias e sentimentos, e não por suas falas ou ações.

b) as personagens se afastam de caracterizações típicas, tornando-se psicologicamente mais complexas e individualizadas.

c) a preferência é dada à narração direta, evitando-se recursos como a ironia, o suspense, o refinamento estilístico de períodos e frases.

d) o interesse pelas relações entre o homem e o meio amplia o espaço e as funções das descrições, tornadas mais minuciosas e significativas.

e) a narração de ações, a criação de enredos e as reflexões do narrador são amplamente substituídas pelo debate ideológico-moral entre Jorge e o Conselheiro Acácio.

37- A narração dos acontecimentos com que o leitor se defronta no romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis, se faz em primeira pessoa, portanto, do ponto de vista da personagem Bentinho. Seria, pois, correto dizer que ela se apresenta:


a) fiel aos fatos e perfeitamente adequada à realidade;

b) viciada pela perspectiva unilateral assumida pelo narrador;

c) perturbada pela interferência de Capitu que acaba por guiar o narrador;

d) isenta de quaisquer formas de interferência, pois visa à verdade;

e) indecisa entre o relato dos fatos e a impossibilidade de ordená-los.

38- Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem. Se ainda não o disse, aí fica. Se disse, fica também. Há conceitos que se devem incutir na alma do leitor, à força de repetição.



(Machado de Assis," DOM CASMURRO")


No trecho acima o narrador, Bentinho, apresenta uma interessante comparação ao leitor: "Capitu (...) era mais mulher do que eu era homem". Considerando tal comparação, responda:
Que características do comportamento das duas personagens, quando crianças, permitem entender a afirmação de Bentinho?
39- Qual é a diferença fundamental entre o Bentinho-narrador, que está escrevendo a história de sua vida, e o Bentinho-menino, que se surpreendia com o comportamento de Capitu?
40- D. Sancha, peço-lhe que não leia este livro; ou, se o houver lido até aqui, abandone o resto. Basta fechá-lo; melhor será queimá-lo, para lhe não dar tentação e abri-lo outra vez. Se, apesar do aviso, quiser ir até o fim, a culpa é sua; não respondo pelo mal que receber. O que já lhe tiver feito, contando os gestos daquele sábado, esse acabou, uma vez que os acontecimentos, e eu com eles, desmentimos a minha ilusão; mas o que agora a alcançar, esse é indelével. Vá envelhecendo, sem marido nem filha, que eu faço a mesma coisa, e é ainda o melhor que se pode fazer depois da mocidade.

As afirmações que seguem referem-se ao excerto acima, do romance DOM CASMURRO, de Machado de Assis.


I. Esse trecho praticamente constitui um capítulo inteiro do livro; é que o autor por vezes se preocupa mais com reflexões do escritor no presente do que com o ritmo de romance convencional.

II. A invocação de Sancha é, aqui, uma variante das falas do autor a seu público, dirigindo-se agora a uma personagem de sua vida, suposta na mesma condição de viuvez e melancolia em que se acha o escritor.

III. Bentinho envia carta a Sancha, apresentando-lhe seu livro, baseado num triângulo amoroso constituído por ele mesmo, por Sancha e por Capitu.
Pode-se afirmar que

a) apenas I está correta.

b) apenas I e II estão corretas.

c) apenas I e III estão corretas.

d) apenas II e III estão corretas.

e) I, II e III estão corretas.


BOM TRABALHO!!!
Prof.ª Jerusa Toledo

Prof. Eduardo Sperduti Lima


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