Prohlašuji, že jsem diplomovou práci vypracovala samostatně s využitím uvedených pramenů a literatury



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Masarykova univerzita

Filozofická fakulta

Ústav románských jazyků a literatur

Portugalský jazyk a literatura


Bc. Monika Sabáčková

Provérbios

Diplomová práce

Vedoucí práce: Mgr. Iva Svobodová, Ph.D.
2010

Prohlašuji, že jsem diplomovou práci vypracovala samostatně s využitím uvedených pramenů a literatury.

..........................................

Bc. Monika Sabáčková

Zde bych chtěla upřímně poděkovat vedoucí práce Mgr. Ivě Svobodové, Ph.D. za podnětné připomínky, energii a čas, který mé práci věnovala.

ÍNDICE

  1. Introdução 6

  2. O provérbio e as suas definições tradicionais 8

    1. Sinónimos conceptuais 8

    2. As definições tradicionais do provérbio ao longo do tempo 13

      1. Definições tradicionais na base das fontes portugueses 14

      2. Definições na base das fontes checas 17

  3. Propriedades proverbiais 22

    1. Provérbio no campo fraseológico 22

      1. Questão da Idiomaticidade, da Fixidez e Variação dos provérbios

    2. Provérbio como texto e componente textual 32

    3. Propriedades sintáctico-léxicas 39

      1. Construções verbais 39

        1. Comutação entre verbos 39

        2. Não realização lexical de um verbo 41

        3. Variação da morfologia verbal 42

      2. Complementos Adverbias 43

        1. Comutação entre advérbios 43

        2. Alterações no interior do advérbio 43

        3. Omissão do advérbio 44

      3. Construções Adjectivais 45

        1. Comutação entre adjectivos 45

        2. Realização zero do adjectivo 45

        3. Variações morfológicas 45

      4. Léxico Nominal 46

        1. Substituição de um nome por outro 46

        2. Realização zero de um nome 48

        3. Alterações morfológicas 49

      5. Variações que afectam Pronomes 49

        1. Comutação entre pronomes 49

        2. Realização zero do pronome 50

      6. Variação das Palavras Gramaticais 50

        1. Determinantes 50

        2. Conjunções 52

      7. Variação de um Membro do Provérbio 53

        1. Comutação de um membro 53

        2. Realização zero de um membros do provérbio 53

      8. A Desordem das Palavras 54

        1. Permuta de membros 54

        2. Troca dos elementos na posição do sujeito 54

        3. Inversão da ordem sujeito-verbo 55

  4. Essência dos provérbios 57

    1. A sua função através da tradição oral 57

      1. A comunicação humana 58

      2. Os provérbios e oralidade 59

      3. A conservação dos provérbios 61

    2. Origens e influências das frases proverbiais 63

      1. Influências Orientais 63

      2. Os Livros Sapienciais 64

  5. Temática proverbial 67

    1. Religião 69

      1. O Deus 69

      2. Os Santos 70

    2. As Crenças e Superstições 73

      1. Os Números 74

      2. O Diabo 76

      3. A Morte 77

      4. Os Sonhos 78

    3. A Natureza 79

      1. Os Animais 79

      2. As Plantas 85

      3. A Água 89

      1. Conclusão 92



  1. Introdução

O provérbio, tema do nosso trabalho, conhecemos desde a nossa infância em suas formas concretas e, também, é um componente eterno que faz parte da comunicação humana. A história do provérbio, ou seja, as suas raízes são mais remotos do que as da tradição escrita ou literária. Os provérbios pertencem ao campo da tradição oral em que viviam e vivem até aos nossos dias, transmitindo a sabedoria popular.

Assim, os provérbios podem ser considerados dignos da nossa atenção. Devemos pensar mais se é, realmente, verdade que conhecemos este conceito como «a palma da mão»? No trabalho presente será o nosso objectivo estudar os provérbios em diferentes campos da linguística, oferecendo uma colecção complexa e elaborada das teorias existentes. À continuação, tentaremos demonstrar o lado prático, ou seja, temas e uso dos provérbios que serão estudados em duas línguas- checa e portuguesa.

O trabalho será divido em quatro capítulos centrais. No primeiro capítulo começaremos por aludir sinónimos conceptuais que o termo «provérbio» tem na língua portuguesa, encontrando-os em vários dicionários portugueses. A seguinte, demonstraremos as tradicionais definições proverbiais baseadas nas fontes checas e portuguesas.

O segundo capítulo oferecerá três pontos de vista possíveis para o estudo das propriedades proverbiais. Tentaremos definir o provérbio no campo fraseológico, como componente textual e no campo das propriedades sintáctico-léxicas.

No capítulo seguinte abordaremos problemática da essência das frases proverbiais. O capítulo será concebido como estudo da função e origem das frases proverbiais.

Ao final, dedicar-nos-emos à temática proverbial. Analisaremos a simbologia que os objectos escolhidos comportam nos provérbios, comparando ambiente proverbial checo e português. Nestas comparações tentaremos encontrar seja os idênticos seja os opostos.

Respeito ao método do trabalho presente utilizaremos os processos da lógica, especialmente, de indução e dedução e com base em tais pressupostos realizaremos a seguir a análise dos conhecimentos recebidos. Porém, não devemos deixar de lado o método de comparação, sendo outra fonte para obter os conhecimentos das ambas línguas.


  1. O provérbio e as suas definições tradicionais

No presente capítulo começaremos por colocar as seguintes questões: Donde provém a noção «provérbio» e qual é a sua definição tradicional? Procurar e encontrar uma resposta complexa e clara é uma tarefa difícil. No início esclareceremos as possíveis significações que o lema provérbio tem nos dicionários e continuaremos pela apresentação das definições tradicionais.

    1. Sinónimos conceptuais

Quando se estuda o provérbio, uma das maiores dificuldades com que nos encontramos é de ordem terminológica. O termo «provérbio» tem definições diferentes e que tem também várias denominações sinonímicas. Podemos enumerar: anexim, adágio, rifáo, máxima, parémia, ditado, dito, apotegma, aforismo, sentença moral...etc. Abaixo esclareceremos estas denominações de natureza diversificada nos dicionários.

O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa (2001) define o provérbio como: “Máxima ou sentença de carácter prático e popular, expressa em poucas palavras e geralmente rica em imagens e sentidos figurados. Sentença moral, máxima, rifão.” (p. 2994)1

O Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado (1981) apresenta as seguintes explicações:

Provérbio: “Máxima expressa em poucas palavras e que se tornou popular. Sentença moral, adágio, ditado, anexim e rifão.”(p. 495)2

Sentença: “Máxima, pensamento sucinto, que encerra um sentido geral ou uma boa moralidade, rifão, provérbio, anexim.” (p. 92)3

Adágio: “Provérbio ou sentença moral de fonte popular, rifão, sentença, ditado, anexim, aforismo, máxima.” (p. 182)4

Ditado: “Sentença popular, provérbio, adágio, anexim.” (p. 455)5

Anexim: “Dito popular picante e curto.” (p. 455)6

Rifão: “Ditado popular e conceituoso (geralmente rimado), apropriado a qualquer circunstância da vida, mas que pode não envolver sentença, provérbio, adágio, a anexim.” (p. 372)7

Máxima: “Sentença ou doutrina que nos serve de norma ou regra de procedimento nos nossos pensamentos ou nas nossas acções. Brocado, conceito, anexim, aforismo, ditado.” (p. 105)8

O Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa (1994), composto por António Morais, oferece conceitos semelhantes:

Provérbio: “Máxima expressa em poucas palavras e que se tornou popular. Sentença moral, adágio, ditado, anexim, rifão.” (p. 393)9

Máxima: “Sentença ou doutrina que nos serve de norma ou regra de procedimento nos nossos pensamentos e nas nossas acções, conceito, anexim, aforismo, ditado.” (p.459)10

Adágio: “Sentença breve geralmente recebida, e de ordinário moral, rifão.” (p.81)11

Ditado: “Provérbio, adágio, anexim.” (p.328)12

Anexim: “Sentença, provérbio.” (p. 194)13

Rifão: “Refrão, ditado popular e conceituoso (geralmente rimado), apropriado a qualquer circunstância da vida, mas que pode não envolver sentença, provérbio, adágio, anexim.” (p. 26)14

No Grande Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido Figueiredo (1996, 25.ª edição) surgem as seguintes definições:

Adágio: “Provérbio, sentença moral. Sinón.: aforismo, ditado, rifão.” (p. 58)15

Aforismo: 1. “Máxima ou sentença, que em poucas palavras encerra princípio de grande alcance. 2. Preceito moral.” (p. 80)16

Ditado: “Aquilo que se dita, ou que se ditou. Anexim, provérbio, brocado.” (p. 881)17

Parémia: “Curta alegoria ou provérbio.” (p. 1904)18

Provérbio: “1. Sentença moral, máxima expressa em poucas palavras. 2. Anexim, rifão. 3. Desenvolvimento de uma sentença moral ou rifão, numa peça dramática. Musset escreveu alguns provérbios para o teatro.” (p. 2083)19

Rifão: “Ditado popular, provérbio, anexim.” (p. 2218)20

Sentença: “1. Locução que contém um princípio ou um pensamento moral. 2. Provérbio.” (p. 2218)21

Esta lista diversificadas definições parece não contribuir para um esclarecimento particular e único. Por um lado, há autores que descrevem o provérbio através de alguns destes conceitos e há outros autores mais rigorosos que pretendem encontrar definições particulares para cada um deles e que defendem a afirmação de que se distanciam uns dos outros no aspecto formal e metodológico. Neste ponto, podemos mencionar algumas perspectivas de alguns linguistas que discutem sobre este tema da sinonímia.

Na obra Philosophia Popular em Provérbios David Corazzi sustenta que não existe uma perfeita sinonímia entre as diversas designações apesar de alguns autores usarem a palavra «adágio» para se referirem a um provérbio antigo. Na opinião dele um provérbio é reservado para as máximas ou sentenças que apresentam origem bíblica, dirigindo-se ao livro dos provérbios de Salomão.22

Ruivinho Brazão, outro autor que pertence ao campo dos estudos da paremiologia, refere que os provérbios acabam por ser uma miscelânea de definições de seus sinónimos equivalentes porque maioritariamente nenhuma das denominações é distinguida de modo preciso. O autor não se ocupa por uma severa distinção, explicando que as definições expressam essencialmente os mesmos objectivos, por isso, não é necessário lutar por uma diferença absoluta23 o que afirma Luís Chaves com as suas palavras: “(..)na essência diferem apenas incidentalmente.”24

Neste ponto, quando vimos inúmeras definições, ou seja sinónimos, seria apropriado dizer que as diferenças em pormenores não serão decisivas para o trabalho presente, assim, não estabeleceremos qualquer distinção entre provérbio, ditado, anexim, aforismo, parémia ou outra das designações mencionadas deste tipo de enunciados e utilizaremos o termo mais frequente – o «provérbio».

Outro aspecto que pomos em foco é a distinção entre o provérbio e a expressão idiomática, considerando-o igualmente motivo principal de discussões frequentes. Não raramente os provérbios são denominados expressões idiomáticas e expressões idiomáticas classificadas como provérbios.

O dicionário Petit Robert refere que «idiotismo» ou expressão idiomática é: “uma locução própria duma língua e impossível de traduzir literalmente duma estrutura analógica.”25 Por outras palavras: não é possível transmiti-las letra à letra à uma outra língua estrangeira.

Neste aspecto parece ser apropriado mencionarmos o Novo Dicionário de Expressões Idiomáticas de António Nogueira Santos, em cujo prefácio se nota que em todas as línguas existem frases fixas que se empregam num sentido não literal e que até para os falantes nativos são, muitas vezes, complicadas de explicar ou traduzir.26 No mesmo prefácio, outro linguista, Lindley Cintra, refere que a associação de ideais que está na base da estrutura da expressão idiomática encontra-se ligada a um: “processo de transposição de sentido, de substituição de um sentido literal por um figurado, metafórico, que raramente é possível de reconstruir com rigor.”27

Chegamos à conclusão de que existem aspectos que o provérbio e a expressão idiomática têm em comum. Podemos mencionar dois: sua possível natureza metafórica e a necessidade da percepção global destes enunciados que facilita e permite a sua compreensão. Por outro lado, é necessário sublinhar algumas propriedades típicas apenas dos provérbios e estas serão desenvolvidas mais detalhadamente nos capítulos seguintes e neste momento contentamo-nos com seguinte afirmação. Primeiro, a sua tendência didáctica não está presente na expressão idiomática, ou seja, expressão idiomática não implica nenhum ensinamento moral. Segundo, o provérbio destaca-se com certa autonomia quer no campo sintáctico quer no semântico o que não podemos afirmar no caso da expressão idiomática. Veja-se o seguinte exemplo: «Querer é poder» que basta a si próprio, assim, não necessita de mais constituintes para lhe completar o sentido. Agora, as expressões «por conta de» ou «era uma vez» requerem a completação dum constituinte que lhe dá o sentido relevante.

Nesta parte do trabalho apresentámos sinónimos potenciais ao termo de provérbio através duma pesquisa nos dicionários, estabelecendo-o como noção única que vamos empregar. Também aludimos à relação entre expressão idiomática e provérbio, verificando traços que os aproximam ou diferenciam. Agora, podemos passar às definições tradicionais como os apresentam alguns linguistas portugueses e checos.









    1. As definições tradicionais do provérbio ao longo do tempo

Podemos encontrar as raízes do conceito «provérbio» em cultura clássica em que a palavra grega παροιμία equivale à palavra latina proverbium, cuja formação é composta pelo substantivo verbum que designa palavra e pelo prefixo pro. A seguir, o termo parémia ou paremiologia provêm do grego παροιμία que designa a ciência interessada nos enunciados fixos e na classificação deles.

Na antiguidade greco-latina caracterizam-se por dois traços essenciais: verdade e atemporalidade. O proverbium considerado um produto da sabedoria antiga torna-se argumento de autoridade porque denuncia factos reconhecidos como uma verdade institucionalizada.28

Alguns sábios da Antiguidade manifestaram o seu interesse e apreço pelos provérbios porque estes têm um grande potencial de vulgarizar princípios científicos ou popularizar preceitos de doutrina. Ana Macário Lopes no seu trabalho menciona que Aristóteles, na parte de Retórica, inclui os provérbios no conjunto de «provas não artificiais», correspondente ao conjunto dos factos reais.29

Podemos mencionar outro nome famoso da época de Roma: Jùlio César que nomeia os provérbios «Apotegmas» defendendo a sua função como exemplos úteis, podendo ajudar nas actividades da vida quotidiana.

Na Idade Média surgem livros de origem cristã nos quais os provérbios têm o seu lugar como riquíssima fonte intelectual, usando-se para esclarecer ou resumir as ideais científicas e morais. Pela influência do Cristianismo, dos Evangelhos e outros livros canónicos, muitos provérbios atravessaram as fronteiras do tempo apesar de terem ganho algumas alterações fraseológicas.

Ao longo do tempo os provérbios conquistaram um lugar importante na linguagem e na cultura dos povos como enunciados consagrados pelo uso e transmitidos de geração em geração.



      1. Definições tradicionais na base das fontes portugueses

Como já mencionámos - esta sabedoria reunida através dos tempos revela a força do instinto popular que soube pitorescamente criar e manter este precioso tesouro de filosofia. Agora, trabalharemos com as definições que apresentaram alguns investigadores portugueses em relação ao nosso tema.

Começaremos por mencionar o nome de José Hermano Saraiva que não pertence oficialmente aos pesquisadores linguísticos mas dedicou a sua vida a estudar história da nação portuguesa, incluindo também estudos sobre a sua língua materna. Ele afirma o seguinte sobre a linguagem do povo e as razões que o levam para utilizar estas expressões :

„A sabedoria do povo exprime por máximas, provérbios, adágios, ditados, aforismos, anexins expressão lapidar e geralmente sob a forma de metáforas. Essas sentenças têm enorme interesse sob muitos aspectos. Traduzem a moralidade popular, o sentimento da justiça e do dever, a concepção da vida. De modo simples e conciso afirmam-se por vezes conceitos profundos que, denotam a maior justeza da observação. A forma literária é também digna de nota, pelo vigor dos termos e valor evocativo das imagens ou metáforas utilizadas.“30

No mesmo prefácio podemos ler opinião de Carlos Valle, asssinalando um papel que estas expressões populares desempenham para o povo. Usam-se para definir «ser» e «sentir». O povo emprega estas frases para lamentar, afastar maus agouros, ironizar os acontecimentos etc., pertencendo assim à linguagem natural e quotidiana. Podem ajudar simplesmente enfrentar acontecimentos, ainda que desagradáveis da vida real. Assim ganham um aspecto social.31

Luís Chaves, afirma o seguinte:

“As colecções e estudos dos provérbios não tem apenas a superficial curiosidade de mostrar o imprevisto, a graça, o pittoresco, o espirito objectivo dos provérbios. O apreço que merecem, está na sua dinámica, na actividade do espírito colectivo que criou os adágios, os aceitou, transmitiu, interpretou, interpreta e mantém. É um documento vivaz da psicologia portuguesa.”32

Outro autor que vai ser mencionado ainda ao longo do nosso trabalho é Ladislau Batalha. Autor do livro História Geral dos Adágios Portugueses que é frequentemente usado como fonte nos ensaios proverbiais. Para ele o provérbio existe, em geral, como uma frase clássica consagrada pelo uso do povo ou pela antiguidade e frequentemente reunida em colecções religiosas ou filosóficas.33

Comprovámos que os provérbios provêm do povo que os mantêm vivos graças ao seu uso repetido ao longo das gerações. Assim os provérbios ganharam um certo estatuto de serem fragmentos do tesouro cultural das nações particulares. Agora, dediquemos a nossa atenção a encontrar a definição através dos traços considerados como típicos achados nos provérbios. Primeiro, utilizaremos a divisão que Ana Macário Lopes aplicou no seu trabalho. Ela denuncia quatro características do provérbio apontados nas definições tradicionais.

1. Autonomia dos provérbios que lhes permite funcionar como complexo sem outros complementos numa comunicação, ou seja, nas palavras da autora:

“Os provérbios: estes têm sempre um valor semântico autónomo em termos comunicativos, ao contrário das expressões idiomáticas que são apenas constituintes de frase e nunca podem ocorrer como enunciados completos. Pensamos que este é um dos traços constitutivos da especificidade do provérbio.”34

2. Expresividade lapidar que liga dois aspectos seguintes: estrutura breve e clara, ás vezes, usando elipse e o seu potencial de resumir um significado não trivial.

3.Instrumento didáctico. Através deste aspecto podemos denunciar as normas de comportamento, as leis morais e os valores nos quais se baseia a nossa sociedade. Por outro lado, se pensarmos mais nos provérbio nem todos têm qualquer ensinamento directo e podem servir como injunções indirectas. Ana Macário Lopes propõe o provérbio «Quem ri por último ri melhor.» e fornece: ”Concordamos que se trata de uma asserção de pendor conclusivo (..) o mesmo provérbio pode funcionar como avaliação negativa de um determinado comportamento, ou até como injunção indirecta.”35

4. Função mnemónica, ou seja, o uso de certas particularidades no plano fónico. Podemos nomear: rima, aliteração, assonâncias ou o ritmo que servem para os podermos guardar na memória muito facilmente. Deste modo, os provérbios sobreviveram ao longo das gerações apesar de os falantes não terem obtido educação básica. Assim, esta função permitiu que os provérbios ficam sempre presentes na nossa linguagem. Por outro lado, esta função não abraça todas as unidades proverbiais, considerando-a como comum ou frequente mas não necessária.

Neste ponto, parece-nos apropriado declarar uma definição interessante de Ruivinho Brazão que consiste na fórmula BRSMN em que: “B corresponde à brevidade, R corresponde ao ritmo, S corresponde à simetria, M corresponde à metáfora e N corresponde à norma.”36 De facto, esta noção encerra em si as principais características tradicionais do provérbio.

Por fim, podemos declarar que o provérbio é um texto com poucas palavras, com ritmo, reflexo da sua estrutura formal susceptível de servir uma função mnemónica, com simetria formal que contribui para uma intemporalidade dos provérbios, ligado com metáfora, denunciando um significado não trivial. Também não podemos deixar de lado o seu valor social numa população.


      1. Definições na base das fontes checas

No âmbito da procura das definições tradicionais não podemos deixar de lado os estudos da paremiologia que surgiram no nosso país e têm uma grande tradição. Desde a era de Jan Amos Komensky que lançou as bases da paremiologia moderna aos linguistas do século 20. Mencionaremos os mais acentuados que deram uma contribuição significante para este campo linguístico.

O nome de Jan Amos Komensky é ligado com o seu estudo e as suas obras sobre pedagogia moderna, como por exemplo Didactica magna ou Orbis pictus nas quais totalmente alterou modos anteriores de ensino nas escolas. Para nós é significante conhecer a sua obra Sabedoria dos Checos Antigos37 (1657). Para ele o provérbio é parábola cerrada em si que expressa algo interior, físico e conhecido mas entendido como espiritual e menos sabido. Komensky, assim, dedica a sua atenção à relação entre o provérbio e a verdade que é declarada e divide os provérbios tematicamente em provérbios de fauna e flora, de artesanato, de história, de livros, poemas ou fabulas. Como menciona Mukarovsky esta divisão dirige-se mais a acentuar distinção entre os provérbios particulares do que à sua unificação, explicando que esta não era necessária naquela época que considerou Deus como o princípio do todo o mundo dos símbolos e sentidos transferidos. 38

O autor da obra Literatura proverbial esclavónica e alemã I. J. Hanus nota no prefácio que os provérbios são os componentes vivos da comunicação que permanecem e mudam-se dentro do povo, por isso, não é possível encerrá-los numa colecção única. Ele aprecia os provérbios como um “herbário da cultura nacional.”39 Finalmente, podemos observar uma certa mudança do ponto de vista que começa a ver os provérbios num contexto mais amplo, ou seja, não se dirige somente aos provérbios isolados mas ao seu conjunto.

Outro linguista checo que deu uma contribuição ao campo dos estudos neste tesouro tradicional da linguagem checa é Frantisek Ladislav Celakovsky, jornalista, linguista, crítico e tradutor que criou uma obra nomeada Sabedoria do povo esclavónico nos provérbios40 (1851) em que fala sobre a importância dos provérbios nas línguas dos povos. Ele considera os provérbios como os signos dum certo nível de maturidade de população qualquer. Ele acrescenta que nas nações orientais os provérbios funcionam como as Sagradas Escrituras. Para ele os provérbios apresentam as medidas que temos que empregar no nosso discurso para torná-lo mais interessante. Celakovsky contribui para alternância da perspectiva nos estudos proverbiais. Nesta luz observamos uma concepção diferente que vê os provérbios não só como as unidades separadas e cerradas em si o que podemos ver no caso de Komensky, mas também como unidades incluídas num complexo expressando eterna sapiência nacional.41

Outro linguista cujos estudos e opiniões serão mencionados ao longo do nosso trabalho é Jan Mukarovsky. O cientista dedicou se durante a sua vida a investigações linguísticas orientadas, especialmente, as sobre os princípios da poética e da estética nas obras literárias. Quanto ao nosso tema consideramos interessante a análise dele nomeada Provérbio como componente de contexto incluída na obra As viagens de poética e estética42 (1971). Para ele a definição do termo «provérbio» é muito complicada e difícil de definir claramente. Declara que encontramos com muitas variações, mostrando exemplos das enciclopédias ou dos livros didácticos:

1. “Os provérbios contêm as regras de vida ou o juízo de assunto qualquer.”43

2. “O provérbio resume experiência de muitas pessoas numa forma válida em geral. Apesar do facto de o criador ser um indivíduo ou cooperação de mais indivíduos, o valor do provérbio consiste na seu vigor genérico.”44

3. “O provérbio é uma expressão lapidária duma ideia, uma expressão que generaliza, num sentido figurativo, algumas acções, relações e circunstâncias da vida prática.”45

4. “Os provérbios são as sentenças lúcidas que expressam (normalmente numa frase única) o pensamento do povo sobre diversos assuntos e relações de vida.”46

5. “O provérbio é uma regra expressa por mínimo de palavras e vulgarizada.”47

6. “Os provérbios são ditos breves e vulgares para referir occorências de vida, frequentemente representados por uma fala rítmica.”48

Nas linhas anteriores observámos as definições que variam entre si e cada uma veicula ou prefere outra propriedade característica do provérbio. Se tirarmos estes traços fora das suas definições podemos organizar uma lista dos principais:

1. sentido figurativo

2. carácter didáctico e avaliador

3. vigor genérico

4. brevidade e clareza

5. carácter popular

6. carácter polivalente

Não enunciaremos mais definições nas quais se misturam qualidades isoladas ou as qualidades ajuntadas, sabendo que descobrimos uma grande variedade. Embora agrupemos todas as definições sempre observaremos uma certa discordância entre elas. Veja-se o seguinte exemplo: Um linguista pode ter a opinião de que a popularidade é o essencial para o provérbio e assim, suprimirá o facto de que nem todos são de origem popular. Assim, temos que perguntar: Donde vem esta diversidade das opiniões? As suas raízes têm origem em duas razões principais: 1. Existência de inúmeras qualidades nas quais não podemos considerar uma qualidade mais decisiva e importante do que a outra e 2. Influência da época e do uso particular, ou seja, no período do romantismo os cientistas têm outro ponto de vista, outra concepção do que os da era moderna do século 20.

Portanto, podemos declarar que esta diversidade é lógica e compreensível mas para nós inútil. Não procuramos uma explicação parcial ou limitada que pode resultar numa concepção vaga. A nossa tentativa não é recorrer à definição que abranja todas as propriedades incluídas no provérbio. Ainda por cima, esta tarefa parece irrealizável e na verdade não é necessária. Por outras palavras, Jan Mukarovsky diz que: “Não tentaremos encontrar uma definição mas encontrar uma lista das propriedades do provérbio não só empiricamente completa, mas também logicamente consequente e sistemática.”49

Em conclusão: é evidente que não achámos diferença marcante entre as definições tradicionais dos provérbios em linguística checa ou portuguesa, testemunhando uma certa concordância não só das características mas também das opiniões que os provérbios pertencem aos meios expressivos que enriquecem a comunicação humana e que são considerados como tesouro da filosofia popular.


  1. Propriedades proverbiais



    1. Provérbio no campo fraseológico

Em todas as línguas encontramos estas frases fixas que se caracterizam pela sua coesão na estrutura e variabilidade na extensão. Trata-se das unidades que são pré-construídas, ou seja, um pouco limitadas no seu uso: “Combinações que o falante se limita a reproduzir como unidades compactas que integram a sua competência linguística.”50 Estas expressões são fixas pela língua e pelo uso popular e massivo duma comunidade dos falantes. Assim, não podemos falar das expressões que aparecem e nascem livremente com espontaneidade num discurso concreto. Os provérbios também correspondem com as suas características e enquadram-se nesta categoria.

Apresentaremos três linguistas que Ana Macário Lopes sublinha no seu trabalho como dignos de nota neste quadro teorético. Observaremos as suas divisões e análises fraseológicas que podem ajudar na compreensão mais global do provérbio como uma unidade fixa.

O linguista romeno Eugenio Coseriu, autor da obra Teoría del Lenguaje e Linguística General (1977) introduz a expressão “discurso repetido” para denominar tudo o que é tradicionalmente fixado como expressão, giro, modismo ou locução, insistindo em que estas podem funcionar só em blocos cujos elementos não são substituíveis e recombináveis segundo as regras actuais duma língua.51 Segundo a proposta de Coseriu existe uma tipologia de unidades fixas. A sua possível comutação com outras unidades de língua depende do seu nível gramatical. Assim, ele distingue os tipos das unidades:

1. “As unidades fixas que só podem comutar com frases ou textos completos. Para esta categoria das unidades pode reservar-se o termo de «textemas» ou «frasemas».”52

2. “As unidades que só ocorrem no interior da frase e que podem comutar com sintagmas livres. São «sintagmas estereotipados».”53

3. “As unidades fixas que ocorrem no interior da frase e são comutáveis com unidades léxicas. Podem ser chamados «perífrases léxicais» e devem ser estudadas no âmbito da lexicologia.”54

Parece importante adicionar que Coseriu eleva o seu termo «discurso repetido» com as suas características contra o termo da «técnica do discurso» o que apresenta “ um conjunto das unidades lexicais e gramaticais da língua e das regras para a sua combinação e modificação na frase.”55 Quer dizer que as unidades do discurso repetido não são inventadas ou criadas originalmente pelo falante num discurso concreto mas são frequentemente citadas ou pré-construídas nos seus blocos. Esta característica leva-nos a um dos traços principais do provérbio - que se trata do texto alheio, ou seja, o texto somente interpretado pelo falante que o aplica na sua fala. Mukarovsky também fala sobre esta característica e denomina-a como «dessubjectividade», explicando que esta «dessubjectividade» está ligada com o facto de que o falante usa o provérbio mas não é o seu autor.

Afinal, voltando à concepção de Coseriu temos que advertir para os seus limites. Esta concepção vê as unidades exclusivamente do ponto de vista fraseológico, ocupando-se só com uma divisão segundo as certas regras: “Trata-se apenas de classificar as unidades do discurso repetido, tarefa taxonómica que não esclarece as propriedades sintático-semânticas de cada tipo de unidade.”56

Outro linguista apresentado é investigador lituano Algirdas Julien Greimas que dedicou a sua vida aos estudos da semiótica e que no seu artigo “Idiotismes, proverbes, dictons” (1960) distingue três tipos de combinações sintagmáticas: livres, semi-fixas e fixas. Combinações semi-fixas apresentam o «lugar comum» e o «cliché»; os «modismos», «ditados» e «provérbios» ocupam lugar das combinações fixas. Respeito aos «modismos», invocam-se como os seus critérios principais de identificação frequência de utilização e a comutabilidade. Os ditados e provérbios são combinações fixas cuja estrutura sintáctica corresponde à frase. Ele nomeia os ditados como unidades fixas não conotadas com uma interpretação possível literal. Ao contrário, os provérbios são unidades conotadas cujos significados não provêm dos princípios de uma semântica composicional. Quer dizer que algum significado não se situa ao nível da sua significação primeira mas ganha uma segunda frequentemente simbólica.57 Falando sobre os provérbios, Greimas aponta as suas propriedades típicas:

1. “O carácter arcaico da sua construção gramatical, que se manifesta pela ausência de determinante e de antecendentes e ainda pela não observação da ordem convencional das palavras. Também ao nível do léxico se podem observar certos traços arcaizantes.”58

2. “O predomínio de certos tempos e modos verbais, nomeadamente o presente do indicativo e o imperativo.”59

3. “A estrutura rítmica binária, realizada através da oposição de duas orações ou de dois grupos de palavras no interior de uma só oração. Note- se que a rima e a assonància contribuem frequentemente para sublinhar e reforçar as oposições binárias.”60

Porém, estas características conferem ao provérbio uma autoridade de sabedoria dos tempos antigos causada pelo carácter arcaico; um potencial aforístico que permite enunciar verdades notórias causado pelo uso do tempo presente e um valor de ordem moral causado pelo uso do imperativo.

Alberto Zuluaga na sua obra Introducción al estudio de las expresiones fijas (1980) distingue dois tipos das expressões fixas segundo as suas posições nas frases. O primeiro tipo situa-se numa posição inferior à frase (as locuções) e o segundo tipo é representado pelas expressões equivalentes ou superiores à frase (os enunciados fraseológicos). Quanto ao termo enunciado mencionaremos que é relevante neste contexto porque o autor quer sublinhar a ideia que se trata do produto linguístico duma fala, funcionando como unidade mínima da comunicação humana. Este linguista chama a nossa atenção para a diferença entre os enunciados fraseológicos que são somente reproduzidos e os outros que são criados na comunicação diária e assim, a sua produção fica sob um sistema de normas duma certa linguagem. Ele continua no estudo dos enunciados fraseológicos, estabelecendo-os em três categorias:

1.“Enunciados meramente fixos ou de sentido literal.“61

2.“Enunciados semi-idiomáticos, cujo sentido é simultaneamente literal e idiomático, servindo o primeiro de motivação funcional sincrónica.“62

3.“Enunciados idiomáticos, que não apresentam funcionalmente, motivação linguística.“63

Nesta divisão podemos observar que o autor alude tema de fixidez e idiomaticidade dos enunciados fraseológicos que dependem da sua relação que mantêm com o contexto em que são usados. Assim, divide os enunciados funcionalmente livres e enunciados contextualmente marcados.

Os enunciados livres não dependem de qualquer contexto linguístico e não necessitam alguns constitutivos complementares. Nas palavras do próprio autor: “unidades semântica e pragmaticamente completas e autónomas, livres de qualquer dependência anafórica, catafórica ou deíctica.“ 64.

Os enunciados contextualmente marcados não têm o potencial de constituir uma frase de sentido completo sem necessitar outro elemento para a completar. Zuluaga enquadra nesta classe certas fórmulas e clichés que podem aparecer nos determinados tipos de discurso. Por exemplo: a fórmula que introduz contos tradicionais «era uma vez» ou as fórmulas que utilizamos na vida quotidiana social como «Muito obrigado». Podemos ver que sem contexto seguinte não ganharão significado compreensível.

Nesta perspectiva podemos afirmar que segundo a teoria de Zuluaga os provérbios integram o primeiro grupo. Porém, concordamos com a opinião de Ana Macário Lopes que o estudo da relação entre o provérbio e o contexto em que seja utilizado merece uma análise mais aprofundada. Acrescente-se que com proposta apresentada por Zuluaga voltamos novamente à diferença que mencionámos nas páginas 7-8 entre as expressões idiomáticas e os provérbios. Zuluaga vê esta problemática de outro ponto de vista, tentando incorporar os critérios pragmáticos na sua tipologia e simultaneamente mostra a sensibilidade á variabilidade contextual.

Agora, introduziremos um linguista checo que se chama Frantisek Cermak e que com a sua obra Lexicologia Checa (1985) encerrará a nossa lista das teorias relevantes no campo fraseológico que podem contribuir ao esclarecimento do termo provérbio.

Acrescente-se que Frantisek Cermak estuda área das frases feitas e estabelece nela os termos: «frasema» ou «idiotismo» que se entendem como sinónimos.65 Trata-se das designações fixas, simbólicas e, muitas vezes, expressivas. Na perspectiva de Cermak podemos observar os tipos seguintes de idiotismos:

1. Idiotismos lexicais, frequentemente, representados por uma só palavra - «pão-duro» ou «obra-prima».

2. Idiotismos de colocação cujos componentes são palavras ou certas formas verbais que não podem constituir frase ou discurso. Entre os idiotismos de colocação figuram algumas locuções, frases feitas como «estar farto de» e «puxados pelos cabelos» ou comparações - «estar como peixe na água» etc.

3. Idiotismos proposicionais e poli-proposicionais podem funcionar sem nenhum elemento complementar e a seguinte, são divididos em idiotismos mono-subjectivos ou inter-subjectivos.

Os poli-proporcionais inter-subjectivos são constituídos por combinação de duas proposições e assim, na comunicação estão ligados pelo menos com dois falantes. Veja-se exemplo numa fórmula social: A: O senhor chama-se XY. B: Muito prazer.

Nós estamos interessados mais em definições dos idiotismos proposicionais e poli-proposicionais mono-subjectivos que diferem dos outros porque são considerados os enunciados completos por si próprios. Daí, descobriremos outra diferença relevante que não é possível transformá-los em infinitivos, tendo um sujeito dado e preestabelecido. Cermak constata que podemos distingui-los segundo o seu modo de formação. Primeiro, podem ser formados por meio da combinação dos componentes no plano lexical que se chamam os proposicionais(Ad1). Segundo, os que empregam a combinação dos componentes no plano proposicional são nomeados poli-proposicionais(Ad2). Veja-se os seguintes exemplos:

Ad. 1.: A ocasião, faz ladrão.

Ad. 2.: Como canta o galo velho, assim cantará o novo. Come pouco e bebe pouco, dormirás como um louco.

Entre estes idiotismos figuram os termos típicos como: provérbios, ditados, adágios etc. O autor acrescenta que recentemente podemos enquadrar nesta lista também o termo de «wellerism». O wellerism é um tipo picaresco de idiotismo baseado num suplemento individual que pode seguir uma frase popular.66 A seguinte, Cermak analisa outros tipos dos idiotismos que pertencem à fraseologia checa. O facto importante para a nossa tese foi já mencionado que segundo o autor os provérbios pertencem ao grupo dos idiotismos proposicionais e poli-proposiconais mono-subjectivos que têm os seus constituintes preestabelecidos e funcionam como os enunciados completos por si próprios.


      1. Questão da Idiomaticidade, da Fixidez e Variação dos provérbios

Este capítulo será concebido como um resumé dos parágrafos anteriores. Nestes tentámos resumir as análises fraseológicas que achamos mais relevantes ao estudo do provérbio. Para todos os autores mencionados o provérbio apresenta uma unidade fraseológica cujas características determinantes são a fixação e idiomaticidade.

Quanto à idiomaticidade, os provérbios são reconhecidos como frases idiomáticas, dado à sua opacidade semântica. Por frases idiomáticas entendem-se as semanticamente não composicionais, isto é, aquelas cujo significado global não pode ser inferido a partir do sentido individual de cada um dos constituintes que a completam. Por outras palavras:

“São idiomáticas as expressões que, resultantes da combinação de um número variável de signos, actualizam um conteúdo semántico figurado, que não se deduz composicionalmente em função do significado dos elementos nelas envolvidos e da estrutura combinatória.”67

Definida, assim, a idiomaticidade, são exemplo de provérbios idiomáticos os seguintes enunciados:

- Não se apanham trutas, de bragas enxutas.

- Burro velho não aprende línguas.

Porém, temos que mencionar que as opiniões sobre o carácter idiomático dos provérbios são divergentes. David Cram defende que: “Idiomaticidade não é uma propriedade definitória do provérbio. Todos os provérbios não são frases idiomáticas e, assim, nem todas as frases idiomáticas são os provérbios.”68 Ana Macário Lopes acrescenta que à luz deste parâmetro verificamos que há os provérbios idiomáticos, ou seja, aqueles cuja interpretação não depende de uma semântica composicional. Ao contrário, há provérbios cujo significado se encontra muito próximo do seu sentido literal, composicionalmente apreendido. A idiomaticidade não é, assim, uma propriedade definitória dos provérbios.69 Veja-se os seguintes exemplos nos provérbios:

- Quem me avisa, meu amigo é.

- Tal pai, tal filho.

- Mas vale prevenir, do que remediar.

Como podemos ver o grau de idiomaticidade pode variar nos provérbios e, assim, não podemos considerá-la ser um critério decisivo. Por isso, passamos a clarificar o que entendemos por fixidez e variação.

Quanto à fixidez, noção fundamentalmente sintáctica, esta evoca o seu potencial de impedir transformações dos elementos e, assim, dando origem às expressões ou frases fixas. Podemos confirmar que o provérbio tem uma estrutura aparentemente fixa, que se pode reproduzir numa unidade.70 É evidente que essa fixação pode ter certos graus e níveis de variação das frases proverbiais tal como ocorre no caso da idiomaticidade. Nas frases proverbiais todas as posições são fixas mas é possível mudá-las dentro duma unidade sem perderem o seu carácter proverbial. Mencionaremos alguns tipos de variações como: adição lexical, substituição sinonímica, elisão do artigo, alteração da ordem dos constituintes etc. que ocorrem nas estruturas proverbias e serão analisadas mais no capítulo das propriedades sintáctico-lexicais do provérbio. Veja-se exemplos das variações nos seguintes provérbios:

- Mais fere má palavra que espada / Mais fere a má palavra que espada afiada

- Onde há fumo há fogo / Não há fumo sem fogo

- Em casa de ferreiro, espeto de pau / Em casa de ferreiro, espeto de salgueiro

- Não se apanham moscas com vinagre / Não é com vinagre que se apanham moscas

Acrescenta-se uma opinião de professor Neal R. Norrick linguista inglês que afirma: “fixidez nos provérbios é somente relativa, permitindo variações simultâneas e algumas alterações estruturais e léxicas em formas fixas. Os provérbios nunca são completamente congelados.”71

A seguinte, ele fala sobre a condição de reconhecimento dos provérbios que está ligada com as variações possíveis que são limitadas e por outro lado, não bloqueadas definitivamente. Muitas vezes, quando um provérbio é bastante popular, não é necessário proclamar esta frase completa. Basta mencionar só uma parte do provérbio durante a conversação para evocar o seu significado completo no ouvinte. Norrick estabelece um termo “kernel” como a designação do núcleo decisivo e necessário do provérbio para esta evocação.72

Neste ponto, convém falar sobre a distinção entre “variação” e “sinonímia proverbial”. As variantes proverbiais são frequentamente registadas nas colecções ou antologias e mostram entre si diferença no nível lexical e sintáctico: “Regra geral, uma das variantes impôe-se pela sua frequência de uso e é em relação a ela que se medem eventuais adições, reduções ou transformações.”73 Quanto à sinonímia, dois provérbios podem ser substituíveis (um pelo outro) embora sejam bastante distintos. Por exemplo:

- A cobiça rompe o saco. / Quem tudo quer, tudo perde.

Podemos ver que estes dois provérbios diferem-se radicalmente no seu nível superficial (gramatical, lexical etc.) mas no nível de significação um pode funcionar em lugar do outro.

Em conclusão, podemos afirmar que os provérbios variam entre si. Cada frase proverbial possui um grau particular de idiomaticidade e de fixação que influi as variações potencionais dentro da sua estrutura. Quanto ao reconhecimento do provérbio estabelecemos um termo novo “kernel” que expressa uma parte central do provérbio que é necessária para a compreensão da frase toda. Por outras palavras, “kernel” desempenha um papel importante no provérbio que possibilita estas variações interiores sem perder o significado exterior proverbial.



    1. Provérbio como texto e componente textual

Neste capítulo analisaremos o provérbio como texto peculiar e também como uma parte do texto. Primeiro, apresentaremos alguns paremiologistas que tentam sugerir definições nos termos da estrutura nomeadamente propostas de Milner, Dundes e Kuusi. Segundo, dedicaremos a nossa atenção aos linguistas Norrick e Mukarovsky que também estudam estrutura e propriedades do provérbio mas em relação ao contexto em que se encontra.

Autor George Milner estabelece a teoria de “quadripartite structure” e afirma que a propriedade mais importante do provérbio é a sua estrutura simétrica. Ele vê esta simetria não só na sua forma, do ponto de vista formal mas também no seu conteúdo, ou seja, do ponto de vista semântico. A seguinte, popularidade da frase proverbial depende da correspondência entre a simetria de forma e de significado. Acrescenta a sua teoria que a forma mais frequente do provérbio é que possui quatro termos ou «quarters» e a cada um destes termos é atribuído valor negativo (-) ou positivo (+). Autor, depois, divide o provérbio em duas partes que formam «cabeça» e «cauda» da frase. A «cabeça« e «cauda» podem ser interpretadas como positivas se os constituintes da frase tiverem signos idênticos ( - e - ou + e +) ou podem ganhar o valor negativo se os constituintes forem diferentes (+ e -). Artigos, preposições e verbos são simplesmente ignorados. 74

As boas contas (fazem) bons amigos.

+ + + +


Bocado comido não faz amigo.

+ -


Esta análise provoca muitas questões. O autor próprio admite que se trata da forma arbitrária de estudo e assim, subjectiva e não controlada. É evidente que cada um pode dividir um provérbio em termos e grupos diferentes, atribuindo-lhes outras valores segundo a sua opinião particular. Por cima, Neal R. Norrick nota que não é possível avaliar elementos individuais e, principalmente, isolados do contexto sintagmático e temático do provérbio. Assim, concordamos com a opinião de Ana Macário Lopes que esta estrutura quadripartida não pode ser apresentada como uma característica decisiva e mais importante dos provérbios o que mais tarde o autor próprio confirmou. Milner denunciou que a maioria dos provérbios pode ser analisada como os provérbios quadripartidos na sua estrutura superficial. Nos achamos esta teoria interessante, podendo mostrar as opiniões divergentes que podem aparecer na área de linguística.

Outro linguista Alan Dundes defende a sua teoria «topic-comment structure». Por outras palavras, os provérbios são construídos por «tópico» que representa aquilo do que se fala e «comentário» que retrata o que se refere sobre o tópico. Nesta teoria cada provérbio possui estes constituintes que formam um «elemento descritivo». Para o autor existem os provérbios com um só elemento descritivo e aqueles, mais frequentes, que possuem vários elementos descritivos dentro de si.

Nestes parâmetros, Dundes distingue os provérbios «equacionais» e «oposicionais». Os primeiros acentuam uma certa equação entre os elementos relacionados em que o traço A corresponde ao B (1). Os segundos implicam os elementos que estabelecem entre si uma relação contraditória em que A não corresponde a B (2) ou uma relação de exclusão de dois estados-de-coisas em que se tem A não pode ter B (3).75

1. Tal pai, tal filho / A fome é um bom tempero.

2. O olho azul em português não é sinal de boa rês / Nem tudo o que luz é ouro.

3. Não se ganha boa fama em cama de penas.

Por um lado, Dundes oferece-nos uma divisão, usando termos de tópico e comentário nos provérbios que pode ser aplicada para diferir os provérbios das outras frases fixas. Por outro lado, Neal R. Norrick e Ana Macário Lopes opõem nas suas afirmações que se trata: “duma definição demasiado ampla para captar a especificidade do texto proverbial, já que todas as asserções podem ser analisadas à luz da oposição tópico/comentário ou tema/rema.”76

Nas teorias anteriores podemos observar que é muito complicado tentar estudar o provérbio como uma frase isolada, esquecendo que sempre surge como um componente num contexto. Seria apropriado mencionar uma síntese que Neal R. Norrick introduz na sua conclusão das propriedades de provérbio que é colocado num texto ou numa interacção conversacional. Esta síntese é baseada em parte nos estudos abordados por Barley (1974) e na necessidade de diferir o provérbio das outras unidades fixas tradicionais. O autor próprio afirma que a sua intenção é: “uma síntese orientada para uma criação de significado nos provérbios como textos.”77

1. “potentional free conversational turn” – o provérbio é sempre de carácter fundamentalmente conversacional e funciona como uma unidade semântica e pragmática autónoma independente de contexto.

2. “traditional”- o provérbio é um texto que o povo consagrou com o seu uso durante as gerações cujo grau preciso de antiguidade é difícil definir. Não se podem confundir com os clichés e slogans que frequentemente funcionam como as unidades de moda usadas por um grupo particular da sociedade e, principalmente, durante um período curto.

3. “spoken”- O provérbio pertence, indubitavelmente, à literatura tradicional de transmissão oral e assim, podemos afirmar que se trata dum texto de carácter oral. Ao contrário, existem unidades fixadas pela sua origem na escrita como os aforismos, apotegmas ou epigramas.

4. “fixed form”- O provérbio difere com este traço das outras unidades tradicionais que se assinalam por uma maior flexibilidade na sua composição como anedota ou conto. Seria apropriado mencionar que temos que ter em conta as variações possíveis que podem ocorrer na estrutura do provérbio. Estas variações já foram abordadas e ainda ganharão espaço no capítulo seguinte.

5. “didactic”- O provérbio possui sempre um carácter didáctico o que já abordámos como o traço decisivo na comparação entre expressão idiomática e proverbial.

6. “general”- Para Norrick, cada interpretação do provérbio é sempre genérica embora o provérbio seja utilizado numa situação específica.

7. “figurative”- O carácter figurativo é considerado relevante para autor somente para estabelecer distinção entre o provérbio e a locução proverbial (modismo ou expressão idiomática) e afirma que existem os provérbios cuja significação pode ser literalmente transmitida. Ao contrário, expressão idiomática sempre requere uma leitura figurada.

8. “prosodic”- Este traço prosódico (vocalização das palavras segundo as leis do acento e da quantidade) não é considerado decisivo, podendo variar nos provérbios.

9. “entertaining and humorous”- Norrick enquadra estas propriedades facultativas para confrontar o provérbio com a anedota, canção ou conto.

A seguir, apresentaremos uma imagem que corresponde às definições da síntese de Norrick. O sinal de + marca que uma propriedade particular está presente, o sinal – indica a ausência de uma propriedade e, finalmente, 0 significa o seu carácter facultativo.







potential free conversational turn


conversational

traditional

spoken

fixed form

didactic

general

figurative

prosodic

entertaining


humorous

proverb

+

+

+

+

+

+

+

0

0

-

0

cliché

+

+

+

+

-

-

0

0

0

-

0

wellerism

+

+

+

+

-

-

-

0

0

+

+

curse

0

+

+

+

-

-

-

0

0

-

0

proverbial phrase

-

+

+

+

-

-

-

+

+

-

0

riddle

-

-

+

+

0

0

-

0

0

+

0

joke

-

-

+

+

-

-

-

0

-

+

+

tale

-

-

+

+

-

0

-

0

-

+

0

song

-

-

+

-

+

0

-

0

+

+

0

slogan

+

-

-

0

+

0

-

0

0

-

0

aphorism

0

-

-

-

+

0

+

0

0

+

0


Chart 1: As propriedades do provérbio
Nas linhas seguintes apresentaremos a síntese de linguista checo Mukarovsky que também trabalha com os provérbios como se fossem textos inseridos num contexto particular. Ele oferece outro ponto de vista nas análises de propriedades proverbiais, mostrando a confrontação com as outras unidades fixas tradicionais. No seu estudo ele divide as propriedades do provérbio segundo três aspectos fundamentais.

1. As propriedades relacionadas com a relação do provérbio ao sujeito, principalmente, ao autor dum acto de fala.

2. As propriedades do provérbio que caracterizam a sua construção interior de significado.

3. As propriedades que caracterizam o provérbio em relação ao contexto.

As primeiras propriedades estão relacionadas com o facto de que o falante usa as frases proverbiais mas não é o autor dele. Fala-se sobre a situação de «dessubjectividade» e daqui o autor introduz as três qualidades seguintes: carácter tradicional, convenção colectiva e percepção de presença do sujeito alheio e carácter autoritário.

Quanto ao carácter tradicional o provérbio tem este traço em comum com muitas outras unidades fixas de discurso. Principalmente, consideram-se tradicionais os clichés ou fórmulas. O cliché usa-se automaticamente num acto de fala, mas a fórmula aproxima-se ao carácter duma ordem. O provérbio circula entre estas unidades o que depende do seu uso. Se é usado espontaneamente durante uma fala aproxima-se ao carácter de clichés, incluindo uma instrução o provérbio aproxima-se ao carácter de fórmula. Mukarovsky menciona outra unidade tradicional que se denomina “loci communes” que se usa quando é necessário evitar alguns factos e tornar a conversação mais leve e assim, o provérbio mesmo pode ser usado igualmente como esta unidade.

A propriedade seguinte é a convenção colectiva ou seja aceitação da ideia do provérbio por toda a comunidade. O falante que aplica o provérbio no seu discurso procura invocar consenso genérico da idea nele incluída. Acrescente-se que sem este consenso o provérbio perderia a razão principal do seu uso. A seguinte, Mukarovsky fala sobre o carácter popular e afirma que a aprovação colectiva não significa que todos os provérbios que são aceites por um povo provêm das fontes populares. Um grande número dos provérbios é de origem erudita e passam facilmente de nação para nação. Assim, achamos um provérbio como provérbio porque sabemos que é aceite pela nossa comunidade e nós próprios, usando uma frase proverbial, pomos nele a autoridade que se deriva da convenção colectiva.

E, finalmente, a presença de um sujeito alheio que aproxima o provérbio à citação. Ambos são frequentemente percebidos como as unidades que provêm dum sujeito terceiro. Se o provérbio funciona como citação no acto de fala as duas características seguintes podem ser aplicadas como proverbiais: 1. O provérbio pode ocorrer no contexto quer como um elemento alheio, isolado quer como o seu complemento. Quanto á sua isolação podemos mencionar os meios possíveis para assinalar que se trata do elemento alheio que interfere no nosso discurso. Na escrita usamos as medidas gráficas- dois pontos ou aspas enquanto na fala usamos as medidas vocais- entonação ou timbre. 2. O provérbio é uma unidade “endereçada”, ou seja, dirige-se directamente ao ouvinte, usando o elemento avaliador. Assim, o falante mostra a sua atitude, provocando o ouvinte tomar a mesma atitude. Mukarovsky aponta que se trata duma das propriedades mais decisivas do provérbio.

O carácter autoritário do provérbio encerra a primeira categoria das propriedades proverbiais. Podemos constatar que neste aspecto o falante usa o provérbio como uma frase válida, querendo apelar para o reconhecimento da sua veracidade ou obrigatoriedade. É evidente que nem sempre a autoridade do provébio pode ser acentuada e aplicada directamente e que depende do falante e do contexto em que se o provérbio encontra.

A extensão do trabalho é limitado por extensão, por isso, limitar-nos-emos a enumerar as propriedades que autor enquadra à seguinte categoria das propriedades proverbiais. Caracterizaremos a estrutura interior do significado que é analisada por Mukarovsky de um modo interessante e variável, sendo que não conseguimos fazer, por ditas razões, analisar a sua teoria de uma maneira detalhada. No caso das primeiras qualidades pretendemos abordar a linha que Mukarovsky segue ao longo do seu estudo. Agora, apresentaremos, pelo menos, as seguintes propriedades proverbias:

1. carácter generalizador

2. carácter avaliador

3. carácter simbólico

4. polissemia dos provérbios

5. carácter didáctico

Ao final, resumiremos a terceira parte da lista de propriedades proverbiais que caracterizam o provérbio em relacão com o contexto. O estudo abordado por Mukarovsky trata das aplicações possíveis do provérbio no contexto. Assim, o provérbio pode realizar-se como a frase generalizadora - alusão ou eufemismo; como a citação ou cliché.O autor adiciona que o provérbio ocorre frequentemente no contexto como o sinónimo que substitui uma expressão directa, estabelecendo a distinção entre a sinonímia sucessiva e simultânea. Se o provérbio indica algo o que será expresso pelo contexto mais adiante ou resume o contexto prévio trata-se da sinonímia sucessiva, podendo provocar uma certa tensão no texto. Por outro lado, se o provérbio sai fora do contexto e insere nele os novos significados ou factos trata-se da sinonímia simultânea. Para Mukarovsky os provérbios colocados no contexto apresentam “os jogos de significados” e são portadores da função estética o que apresenta a propriedade última ao mesmo tempo da síntese de Jan Mukarovsky.









    1. Propriedades sintáctico-léxicas

Agora, voltamos à problemática de fixidez relativa das frases proverbiais e, principalmente, às variações possíveis entre os seus constituintes. Observaremos e analisaremos as variações particulares que influem a estrutura interior do provérbio que passaremos analisar. É apropriado mencionar que estudaremos este fenómeno apoiando-nos no trabalho de Lucília Maria Chacoto que resumiu estas variações na sua tese Estudo e formalização das propriedades léxico-sintácticas das expressões fixas proverbiais (2004).

      1. Construções verbais

        1. Comutação entre verbos

Segundo Lucília Maria Chacoto trata-se do tipo de comutação que ocorre com maior frequência nas estruturas proverbiais. O estudo deste tipo de comutação pode revelar-se como o objecto de estudo relevante para uma análise da sinonímia verbal.

Em: Quando um não quer, dois não batalham+brigam.

Verifica-se aqui uma substituição de um verbo por outro com um significado próximo.

Em: Pelejam + Ralham + Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.

Os verbos que comutam são semanticamente equivalentes, ou seja, implicam uma situação de discórdia entre duas ou mais pessoas. É interessante descobrir que as construções ditas livres não mostram esta equivalência.

Eles pelejaram contra os romanos/ Eles ralharam aos romanos./ Eles zangaram-se com os romanos.

Em seguinte: Esbarrar + Escorregar + Tropeçar não é cair, é meio caminho andado.

Os verbos novamente alternam, não provocando a alteração de sentido de provérbio.

As relações de sinonímia que se estabelecem entre as formas verbais podem resultar de:


  1. Variantes morfológicas do mesmo verbo:

Quem porfia + aporfia, mata caça.

O homem é fogo, mulher estopa, vem o diabo e sopra. / O homem é fogo, e a mulher estopa; vem o Diabo, assopra.

Lucília Chacoto nota o facto interessante de que estes provérbios são os únicos em que se esta variação verifica.


  1. Verbos com traços semânticos muito próximos:

Antes dobrar+ vergar, que quebrar+



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