Programa Nacional do Livro Didático



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C.3. ASPECTOS SOBRE A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO


30.

Construção de uma compreensão integrada da Biologia, caso seja disciplinar, ou das várias disciplinas abordadas, caso a obra seja interdisciplinar.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I (X)

A obra apresenta integração insuficiente entre os conteúdos explorados. Este aspecto já foi destacado no item 1 desta ficha de avaliação, em “critérios de exclusão”. Este fato é claramente identificável ao abordar os seres vivos. Embora o livro às páginas XX a XX tente criar uma visão de integração evolutiva, este se limita a descrições superficiais da morfologia e fisiologia dos grupos de seres vivos, antes mesmo de apresentá-los ao aluno. Não discorre sobre as novidades evolutivas dentro de uma topologia evolutiva, esta última, ausente na obra. Assim, o texto apresenta algumas estruturas e suas funções de maneira desarticulada, artificial e, por vezes, com informações incorretas e sem sentido. Parte destas incorreções, desatualizações e impropriedades já foram citados no item 01 destas ficha de avaliação. Vale salientar que a evolução é, seguramente, o aspecto mais integrador e central nas Ciências Biológicas e que foi pouco explorado ao se abordar os seres vivos. Abaixo segue uma transcrição do livro que almeja exemplificar o tipo de tratamento sumário apresentado na obra. Este pequeno trecho da obra foi escolhido por representar um dos melhores momentos em que o livro tenta associar as partes dos organismos em um sentido evolutivo, mas ainda assim tem desenvolvimento insuficiente.



Volume 2

- pág. XXX – “RESPIRAÇÃO. Para captar o oxigênio do meio, os animais desenvpçveram aparelhos respiratórios adaptados ao ambiente onde vivem. Independente do tipo do aparelho respiratório, o processo é sempre o mesmo, a difusão simples dos gases através de uma membrana respiratória.



Os anelídeos (minhoca), realizam as trocas gasosas por difusão simples através da cutícula, passando o oxigênio diretamente para os vasos sangüíneos. Nos moluscos terrestres (caracol), já existe um pulmão dentro da concha. Nos artrópodes (gafanhoto), o aparelho respiratório é formado por traquéias; na ninfa, existem brânquias traqueais, e a larva aquática de mosquito tem um tubo para respiração na superfície da água. Nos vertebrados a troca de gases pode ser realizada pelas brânquias (respiração branquial), pela pele (respiração cutânea) e pelos pulmões (respiração pulmonar)”.

Notar que a obra se limitou a citar estruturas que compõe os sistemas respiratórios destes animais. Em nenhum momento inseriu estas estruturas dentro de um encadeamento evolutivo e/ou ecológico. Tais estruturas são adaptações a habitats diversos e foram, e são, objeto de pressões seletivas constantes. Assim, são objetos de intrigantes discussões. Este trecho reflete a falta de posicionamento da obra frente a evolução como integradora dos diversos temas abordados na coleção ora tratada.







31A

Criação de condições para aprendizagem de ciências, particularmente da Biologia, como processo de produção cultural do conhecimento, valorizando a história e filosofia das ciências.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I ( X )

A obra não apresenta leituras específicas sobre a história e a filosofia das ciências. Todavia, em raros momentos, procura introduzir certos assuntos através de narrativa sinóptica sobre fatos históricos que marcaram determinados segmentos das ciências. Este procedimento tem mérito e não se resume apenas a dados biográficos, mas infelizmente, como dito, são raros. A obra procura inserir informações que subsidiem o estudo que está sendo trabalhado. Contudo, estas são muito sinópticas e têm abordagem histórica limitada a certos períodos e a questões muito específicas. Abaixo, seguem exemplos das raras ocasiões em que a obra utilizou esta abordagem de maneira adequada.

Volume 2

- pág. XX – Nesta página a obra discorre sobre a classificação dos seres vivos. Após fornecer breve caracterização do que é classificar coisas, disserta sobre as primeiras classificações biológicas de maneira interessante ao leitor. Observe o seguinte trecho: ”Desde antiga Grécia, havia a necessidade de classificar os seres vivos, para melhor estudá-los. O filósofo grego Aristóteles (384 – 322 a.C.), considerado o “pai da Zoologia”, procurava observar detalhes que pudessem diferenciar os seres. Dividiu, inicialmente, os animais em grupos de acordo comsuas características comuns, como animais com patas e sem patas, com asas e sem asas, com sangue vermelho e sem sangue vermelho (veja a classificação). Os critérios utilizados por Aristóteles serviram de base para a classificação dos animais por, aproximadamente, 2000 anos.



CLASSIFICALÇAO DE ARISTÓTELES

  1. Enaima (vertebrados) com sangue vermelho.

a) Vivíparos.

1. Homem.

2. Baleias.

3. Outros mamíferos.

b) Ovíparos.

1. Aves.

2. Anfíbios e a maioria dos répteis.

3. Cobras.

4. Paixes.

  1. Anaima (invertebrados), sem sangue vermelho.

a) Cefalópodos.

b) Crustáceos.

c) Insetos, aranhas.

d) Outros moluscos e equinodermos.

e) Esponjas e celenterados.

31b

Tratamento da história da ciência integrado à construção dos conceitos desenvolvidos, evitando resumi-la a biografias de cientistas ou a descobertas isoladas.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R (X) I ( )

A obra não apresenta leituras específicas sobre a história e a filosofia das ciências. Todavia, em raros momentos, procura introduzir certos assuntos através de narrativa sinóptica sobre fatos históricos que marcaram determinados segmentos das ciências. Como exemplos, ver item 31a desta ficha de avaliação.






32.

Abordagem adequada de modelos científicos, evitando confundi-los com a realidade.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I ( )

Justificar a menção. Exemplificar.

NÃO AVALIADO






33.

Abordagem adequada da metodologia cientifica, evitando apresentar um suposto Método Científico como uma seqüência rígida de etapas a serem seguidas.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I (X)

A obra no MP (pág. XX) afirma que “Considerou-se, também, que a Biologia, como Ciência, não é um conhecimento neutro e acabado, mas um processo de construção coletiva, e que deve ser analisado sob a ótica dos contextos histórico, social, econômico e político em que é produzido”. Todavia, a obra não discorre explicitamente sobre o tema metodologia cientifica e, sendo assim, não apresenta posicionamento claro a este respeito.






34.

Proposição de atividades que favoreçam formação de espírito investigativo, como atividades em que os alunos levantem hipóteses sobre fenômenos naturais e desenvolvam maneiras de testá-las, ou em que utilizem evidências para julgar a plausibilidade de modelos e explicações.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I (X)

A obra afirma no MP (pág. XX) que é direcionada para que os alunos(as) “... se tornem questionadores, críticos e, como escreveu Guimarães Rosa, capazes de ‘enxergar a terceira margem do rio’”. Embora o MP afirme que tem estes objetivos, a análise do Livro do Aluno não condiz com esta afirmação. O Livro do Aluno não valoriza a realização de atividades direcionadas ao espírito investigativo ao não oferecer textos complementares que, somados a sugestões de atividades em grupo pelos alunos, estariam voltadas à discussão dos referidos temas, que poderiam incluir reflexão, discussão e confecção de relatórios dotados de resultados, discussões e conclusões. Além disso, os exercícios propostos não refletem tais anseios, já que consistem basicamente de exercícios de fixação e memorização do conteúdo. Exemplos podem ser encontrados no item 3 desta ficha de avaliação, já elencado entre os critérios de exclusão.






35.

Estímulo ao uso do conhecimento científico como elemento para a compreensão dos problemas contemporâneos, para a tomada de decisões e a inserção dos alunos em sua realidade social.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I (X)

A obra no MP (pág. XX) afirma no item 2 (“Objetivos”) que o processo ensino-aprendizagem deve permitir ao aluno “correlacionar os conhecimentos adquiridos, na sala de aula, com o seu cotidiano”, “compreender a importância do estudo da Biologia no contexto da sociedade”, “desenvolver espírito crítico por meio dos conhecimentos apreendidos em relação às políticas discutidas, atualmente, que envolvem as ciências biológicas” e “o acesso aos conhecimentos de Biologia, visando a uma participação mais conciente no meio em que vive”. Estas afirmações atentam para o objetivo do livro em estimular o uso do conhecimento para a compreensão dos problemas contemporâneos e para a tomada de decisões por parte dos alunos.

Todavia, a análise do Livro do Aluno não caracteriza estas aspirações do MP. A obra ignora a associação entre conhecimento biológico, tempo, espaço, história, tecnologia e desenvolvimento sócio-cultural. De fato, como comentado no item 31a, tenta em raros mementos subsidiar o conteúdo com introduções históricas, mas é por demais tímida neste aspecto. Em outros casos, estas tentativas de associação são insatisfatórias, pois acabam tratando de aspectos da biologia como sendo importante aquilo que é útil para o ser humano. Como exemplos, podemos citar relatos de visão antropocêntrica no volume 2 (pág. XX) e no volume 3 (pág. XX). Estes exemplos se encontram transcritos no item 39 desta ficha de avaliação.






36.

Proposição de discussões sobre as relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade, dando elementos para a formação de um cidadão capaz de apreciar criticamente e posicionar-se diante das contribuições e dos impactos da Ciência e da Tecnologia sobre a vida social e individual.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I (X)

A obra no MP (pág. XX) afirma que objetiva que “... o aluno apreenda a relação entre os fenômenos a partir de sua inserção nas relações sociais, de modo a entender como e por que o conhecimento foi e é produzido”. Esta observação atenta para o objetivo da obra em contribuir para a formação de um cidadão crítico e capaz de posicionar-se diante das contribuições e impactos da Ciência e da Tecnologia sobre a sociedade. Ainda no MP, a obra à página XX, discorrendo sobre a organização das unidades do volume 1, cita que “aqui o aluno deve interpretar as diferentes concepções individuais sobre a origem do Universo e da vida e verificar se ocorrem mudanças perante as evidências científicas”. Esta afirmação ressalta importância na proposição de discussões sobre as relações entre Ciência e Sociedade.

Todavia, a obra falha neste aspecto. Apresenta os temas sobre ciência, tecnologia e saúde na forma de definições simplistas, sem levantar problemas ou tendências capazes de instigar discussões sobre os impactos sociais, culturais e éticos do emprego de novas tecnologias e/ou conhecimentos. Como exemplo pode-se citar a ausência de temas polêmicos e instigantes ao tratar dos métodos contraceptivos (volume 2, págs. XX a XX). Assuntos como sexo, aborto, gravidez indesejada, pílula do dia seguinte, masturbação, caracteres sexuais secundários e a libido, Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, não são tratados na obra no texto principal e nem como textos complementares no MP ou no Livro do Aluno. Não há igualmente sugestões de livros paradidáticos que abordem estes assuntos ou sugestões de discussões em sala de aula.



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