Programa Nacional do Livro Didático



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Exemplo de Ficha de Avaliação

Análise de Livro Didático do Ensino Médio

Área: BIOLOGIA

Conteúdo: Zoologia dos Cordados

Sistemática, Evolução, Biologia, Morfologia e Fisiologia dos grupos animais relacionados (exceto humana)


Ficha de avaliação


Título da obra:

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Volume da obra:

XXXX

Nome do discente avaliador:

XXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Turma/Semestre/Ano: XXXXXXXXXXXXXXXXX

Professor responsável pela avaliação:

XXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Universidade Federal da Bahia, Instituto de Biologia

ORIENTAÇÃO GERAL: desenvolva sua análise de maneira precisa e detalhada. Cada informação deve ser examinada com cuidado, assim como ilustrações (figuras, desenhos e esquemas), legendas e tabelas. Os assuntos tratados na obra devem estar consonantes com os objetivos da obra e público-alvo. Os itens a serem preenchidos são, em sua maioria, auto-explicativos. Em caso de dúvida, procure o professor responsável pelo exercício. Lembre-se que este é apenas um exemplo de avaliação. Você deve realizar somente análise dos conteúdos relacionados à Zoologia dos Cordados. Note, porém que há obras que tratam do assunto ao longo de unidades diferentes! Atenção, portanto, em sua análise.

Para cada obra deverá ser preenchida ficha em separado. As obras a serem avaliadas deverão ser aquelas disponibilizadas pelo professor.

Ao professor deverá ser entregue uma ficha para cada obra por grupo de discentes. Cada grupo deverá ser composto de 03 alunos; cada grupo avaliará 02 obras, sendo que todos os membros de cada grupo deverão avaliar as duas obras e preencher fichas individuais. Ao final das discussões intra-grupos, uma única ficha consolidada por grupo será entregue ao professor. Cada grupo deverá apresentar seus resultados oralmente, sintetizando os principais resultados e recomendações.

A. Pequena descrição

Estrutura da obra (indicar as partes componentes do Livro do Aluno e do Livro do Professor; LA, livro do aluno; MP, manual ou livro do professor)


Livro do Aluno
A obra é constituída de três volumes subdivididos em unidades temáticas. O volume 2 é composto por XX unidades temáticas distribuídas em XXX páginas, ordenadas da seguinte maneira: (1) “Os seres vivos”, (2) “A vida microscópica”... e (10) “Nutrição e seus processos”. A primeira unidade discorre sobre a classificação dos seres vivos. A segunda unidade discorre sobre os vírus... A décima unidade discorre sobre os sistemas Circulatório, Respiratório, Digestório e Excretório. Ao final do volume se encontram um glossário, gabarito de exercícios propostos e referências bibliográficas.

Cada volume é iniciado por (i) “Apresentação” e (ii) “Sumário”. Ao final de cada volume (respectivamente, págs. XXX-XXX, XXX-XXX e XXX-XXX), encontram-se (a) “Glossário”, (b) “Gabarito” e (c) “Referências bibliográficas”, todos específicos para cada volume.


Todas as unidades da obra estão organizadas segundo um mesmo padrão estrutural ao longo do livro. Inicialmente é apresentado o texto básico do conteúdo trabalhado. Em seguida, há uma seção “XXXXXX”, dividida em “QUESTÕES BÁSICAS”, “QUESTÕES XXXXXXX” e “QUESTÕES XXXXXX”, sendo as duas últimas seções formadas essencialmente por questões de vestibular e a primeira seção constituindo um questionário sobre os assuntos abordados.



Livro do Professor
O Livro do Professor, doravante denominado MP, apresenta a estrutura geral idêntica ao Livro do Aluno, exceto pelo Manual do Professor inserido no início do volume.

No volume 2, o MP é composto por seis itens distribuídos em XX páginas, ordenados da seguinte maneira: (i) Apresentação, (1) “A Biologia no Ensino Médio”, onde se consideram os objetivos gerais educacionais, contextualização e interdisciplinaridade, e competências e habilidades a serem desenvolvidas no ensino de Biologia; (2) “Objetivos”... (6) “Referências bibliográficas”, onde estão listadas referências bibliográficas para subsidiar o trabalho docente.


Sumário do conteúdo para cada série (no caso de volume único, especificar todas as unidades e capítulos; mo caso de somente o volume 2, se limitar a este volume; abaixo segue exemplo com somente o segundo volume na análise).

O MP não determina explicitamente que os volumes 1, 2 e 3 devam ser utilizados nesta ordem nos três anos seriados do ensino médio. Abaixo, segue a descrição sumária do conteúdo para cada série, onde todos os grifos seguem conforme o original.



Volume 2
Este volume está organizado em dez unidades. A primeira unidade, “História do XXXXXXX”, apresenta uma seção principal que correspondem ao conteúdo “Teoria XXXXX: XXXXXXXXXXXXXX”. A segunda unidade,Características básicas da XXXXX”, apresenta uma seção que corresponde ao conteúdo “A célula”. A terceira unidade, “XXXXXXXXXX”, se divide em cinco seções que correspondem, respectivamente, aos conteúdos: “As XXXXXXXXXXXX”, “XXXXXXXXXXXXXX”... A décima unidade, “XXXXXXXXXXXXXXXX”, se divide em cinco seções que correspondem, respectivamente, aos conteúdos: “XXXXXXXXXXXXX”, “XXXXXXXXXXXX”, “XXXXXXXXXXXX”... Ao final do volume são apresentados “Glossário”, “Gabarito” e “Referências bibliográficas”.



B. Critérios eliminatórios1

B.1. ASPECTOS SOBRE CORREÇÃO CONCEITUAL

1.

A obra contém:

a) Conceitos formulados erroneamente.

b) Informações básicas erradas e/ou desatualizadas.

c) Conceitos e informações mobilizadas de modo inadequado.



( X ) Sim (Apresentar argumentos abaixo, exemplificando) ( ) Não

Caso seja marcado pelo menos um ‘SIM’ nos critérios eliminatórios, a obra deverá ser excluída do daquelas que devem ser usadas em sala de aula como ‘recomendadas’.
A obra XXXXXXXXXXXX apresenta (a) conceitos formulados erroneamente, (b) informações básicas erradas e/ou desatualizadas e (c) conceitos e informações mobilizadas de modo inadequado. O conjunto de impropriedades foi considerado alto e acaba por inviabilizar a utilização da obra no ensino médio. Seu uso acabará por acarretar a incorporação de impropriedades indesejáveis ao aluno e de impedir a compreensão de tantas outras informações. Tal conclusão toma por princípio que o professor em sala de aula necessitará constantemente corrigir as diversas falhas notadas nesta análise. Pelo volume de inconsistências ser alto e igualmente o ser as faltas de clareza e de construção gramatical, a opção do professor no dia a dia de sala de aula fazê-lo de maneira plena e sem prejuízo para o aluno é por demais temerosa. A obra falha nos objetivos principais que, julgo, uma obra didática deva objetivar: ter clareza, conteúdo comedido e suficiente, boa organização dos textos e figuras, ilustrações informativas e de boa qualidade e ser uma referência de escritura adequada, com linguagem e construção da redação exemplares.

Abaixo seguem exemplos que se enquadram nas três categorias elencadas no caput deste item.



Volume 2

O Volume 2 trata da taxonomia dos seres vivos e de suas estruturas e fisiologias, descrevendo a diversidade biológica como um todo. Todavia, o enfoque e a qualidade das informações disponibilizadas nas unidades destinadas à diversidade biológica contrastam significativamente daquelas destinadas à anatomia e fisiologia humanas. No que diz respeito às partes de anatomia e fisiologia humana, o livro apresenta bom desenvolvimento do conteúdo, assim como a parte de Saúde, onde discorre de maneira suficiente sobre diversas parasitoses (viroses, bacterioses, helmintíases etc.), embora não as contextualize em termos de problemas regionais brasileiros. Contudo, há flagrante desconhecimento e desatualização no que concerne ao tema Evolução (filogenia) dos metazoários (vol. 2), o que dificulta ao educando a desejável compreensão da biologia sob uma abordagem evolutiva. A diversidade biológica tem igualmente aprofundamento insuficiente, linguagem pouco clara e confusa e ainda inclui erros conceituais graves, informações básicas erradas e conceitos e informações mobilizadas de modo inadequado. O estudo dos Seres Vivos compromete substancialmente a obra e levará o aluno a erros graves, impossibilidade de compreender a diversidade biológica em toda sua plenitude e ainda por em dúvida os próprios conhecimentos do professor tamanha é a quantidade de erros gramaticais, imprecisões, orações mal construídas e sem sentido e ilustrações de qualidade ruim e pouco explicativas, além da existência de figuras que informam incorreções ao aluno. Já as unidades destinadas à anatomia e fisiologia humanas contratam novamente às destinadas aos Seres Vivos, apresentando poucos erros gramaticais, ilustrações de melhor qualidade e aprofundamento por vezes além do necessário para o ensino médio. Assim sendo, o volume 2 ora peca por flagrante insuficiência de qualidade e ora por algum excesso de informações. Abaixo, seguem exemplos das deficiências observadas no volume 2 para as três categorias de problemas elencadas no caput deste item.



(a) Conceitos formulados erroneamente

- pág. XX – Nesta página a obra utiliza a seguinte afirmação para caracterizar os animais pseudocelomados: “Nos animais pseudocelomados pode-se observar uma cavidade corporal, porém esta cavidade não é totalmente envolta pela mesoderma, e apresenta em contato com ela, apenas a porção mais externa da cavidade celomática, e a porção interna está em contato com a endoderme” (grifo nosso). Primeiramente, vale ressaltar, embora não esteja diretamente relacionado a este item, que o problema recorrente de orações muito extensas e de excesso de vírgulas volta a acontecer. Além disso, a frase é pouco clara e confusa, principalmente porque carece de uma figura associada que auxilie a compreensão de planos transversais do corpo de celomados, pseudocelomados e acelomados. Contudo, o aspecto mais grave e que vale a inserção neste item é quando o texto cita a presença de uma cavidade celomática em um pseudocelomado, já que em não havendo celoma, não há cavidade do celoma. Incorre-se assim em erro conceitual.

- pág. XXX – Nesta página a obra ao discorrer sobre o sistema respiratório dos anfíbios afirma “... a existência de alvéolos muito simples”. Nesta informação há erro conceitual. Alvéolos são evaginações bronquiolares e, como estes não estão presentes nos anfíbios, as pequenas concavidades na parede dos pulmões dos anfíbios não podem ser denominadas de alvéolos. Este erro é grave e conceitual, pois os demais tipos de pulmões, como os dos répteis acabam por serem considerados igualmente alveolares. Este erro se propaga a acaba por impedir a compreensão do que são brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares.

(b) informações básicas erradas e/ou desatualizadas

- pág. XX – Nesta página a obra ao discorrer sobre a evolução dos primatas afirma o seguinte: “Portanto, sabemos que o chipanzé e o homem tiveram um ancestral comum, pela análise das características genéticas, mas evoluíram dando origem a espécies de primatas diferentes” (grifo nosso). Da maneira que a frase em negrito foi escrita, mobiliza-se a idéia de que o homem e o chipanzé evoluíram e originaram espécies distintas, quando devia se gerar a idéia de que o ancestral comum e exclusivo de homem e chipanzé evoluiu e gerou dois táxons terminais distintos, homem e chipanzé.

- pág. XX – Nesta página a obra apresenta quadro sobre a classificação do tamanduá, preguiça e tatu. Afirma que os cordados apresentam coluna vertebral onde se lê “Chordata (apresentam coluna vertebral)”. Ressalta-se que nem todos os cordados têm coluna vertebral. Este erro consiste em erro conceitual, já que desconsidera que nem todos os cordados são vertebrados.

- pág. XX – A obra nesta página intitula a unidade que irá discorrer sobre o Reino Animalia de “Seres vivos”. Este fato nos leva a entender que os organismos antes estudados (reinos Monera, Protista e Plantae) não são seres vivos, além de que o Reino Animalia acaba por não ser apresentado ao aluno no título da unidade destinada ao mesmo.

- pág. XX – Nesta página a obra determina que “Todo o grupo animal pode ser inicialmente dividido de duas formas, a presença ou não de um esqueleto, com isso os filos são apresentados em um grupo de invertebrados e em outro de vertebrados”. Esta afirmação incorre em erro conceitual grave, já que propõe a classificação dos metazoários baseados em critério inexistente. Esqueletos existem tanto em vertebrados quanto em invertebrados, o que torno sem sentido a afirmação do livro.

(c) conceitos e informações mobilizadas de modo inadequado

- pág. XX – Nesta página a obra usa o termo “cordados inferiores” para os subfilos Urochordata e Cephalochordata. O termo “inferiores” não é adequado e leva a uma compreensão de que se tratam ou de animais de qualidade inferior aos demais ditos superiores ou que são mais “primitivos”, isto é, menos evoluídos do que os Vertebrata, o que é igualmente errado, já que a única afirmação correta seria que se tratam de táxons mais basais na evolução. Como a obra não define o que é ser mais basal e mais primitivo, fica a critério do aluno o que concluir da afirmação. Esta mobilização errônea sobre evolução e filogenia dos grupos animais é recorrente e utiliza termos variados que culminam no mesmo problema. Na página XXX, por exemplo, ao discorrer sobre a classe dos répteis a obra afirma que “Os répteis são mais avançados do que os anfíbios...”.

- pág. XXX – Nesta página a obra discorre sobre “A EVOLUÇÃO”. Embora o título do item seja amplo e sugira uma abordagem geral sobre o tema, o que de fato retrata é com respeito à era mesozóica e o predomínio dos répteis. A obra fornece informação errada ao afirmar que “... os répteis são animais que surgiram e evoluíram de um ancestral anfíbio. Estes animais apareceram na Terra no início do período Triássico”. Há duas informações que mobilizam conceitos errados e graves para o aluno. A idéia de que anfíbios, como os conhecemos, evoluíram e originaram os répteis é errada. Primeiramente, os amniotas, e não répteis, se originaram de tetrápodes não amniotas conhecidos como labirintodontes. Estes não eram anfíbios. Os anfíbios pertencem ao táxon Amphibia ou Lissamphibia e os labirintodontes e outros grupos do paleozóico pertencem aos grupos Batracomorpha e Reptilomorpha. Assim, os amniota não se originaram de anfíbios. Outro erro é que a obra cita que os répteis [leia-se amniotas] apareceram no Triássico. Os amniota apareceram na era Paleozóica, mais precisamente no Período Carbonífero. Este erro é recorrente na obra, voltando a se repetir à página XXX do volume XX, onde se lê “... os répteis originaram-se a partir da evolução dos anfíbios...,” na página XXX do volume XX, ao discorrer sobre a evolução dos anfíbios, onde se lê “Eles se originaram a partir da evolução dos peixes...” e na página XXX do volume XX, ao discorrer sobre a evolução dos répteis, onde se lê “Os répteis originaram-se a partir da evolução de um grupo de anfíbios...”.



2.

A obra contém ilustrações que veiculam:

a) idéias incorretas sobre conceitos.

b) idéias incorretas sobre as dimensões ou cores do que é representado, sem indicação apropriada de escalas ou cores-fantasia.


( X ) Sim (Apresentar argumentos abaixo, exemplificando) ( ) Não

A obra XXXXXXXXXX utiliza-se de ilustrações, em sua maioria, de baixa qualidade. Há figuras com erros conceituais graves. As figuras carecem de escalas de tamanho, assim como não há indicação de cores fantasia. Há ilustrações sem fontes de origem e não há datas nas mesmas. Os desenhos não têm os créditos. Vale salientar que cada volume apresenta nas respectivas últimas páginas (respectivamente, págs. XXX, XXX e XXX) uma “Nota da Editora e autores” com os seguintes dizeres: “As ilustrações de caráter científico, apresentadas de forma atrativa e detalhada nesta coleção, são representações, esquemas e modelos, cujas proporções e cores, diferentes do real, foram utilizadas para ‘conferir clareza e aumentar a eficiência comunicativa do texto científico’”. Todavia, como já salientado julgo que as ilustrações não são atrativas e tão pouco detalhadas de maneira correta. Além disso, uma única observação, e na última página do volume, não é suficiente para dirimir os problemas que ausências de escalas e presença de cores fantasia irão causar no aluno. Aliás, não há indicação nesta nota dos autores e editora de que estas informações não serão fornecidas ao lado das figuras quando for o caso. Esta medida da editora claramente soa como uma “desculpa” para não proceder de maneira adequada quanto a este aspecto. Com estas particularidades, as ilustrações não se mostram adequadas e neste quesito devem ser avaliadas como insuficientes. Abaixo seguem exemplos comentados destas impropriedades.

Volume 2

As ilustrações de maneira geral são de baixa qualidade, isto é, os desenhos explicativos não são claros, desprovidos de legendas explicativas mais detalhadas, sem escalas, sem observações sobre cores fantasia e que por vezes exprimem conceitos errados. Não há chamadas das figuras nos texto principal, ou observações sobre suas partes, o que as posiciona se maneira desvinculada da explicação. Abaixo, seguem exemplos destas inadequações das figuras.



(a) Idéias incorretas sobre conceitos

- pág. XXX – Nesta página a obra apresenta a figura de um nematódeo a fim de representar o sistema circulatório destes animais. Ilustra vasos sangüíneos dorsal e ventral e sete corações transversais. Os erros figurados são erros conceituais graves, pois não há circulação em “verme nematóide”. A figura comentada encontra-se apensada abaixo.



- pág. XXX – Nesta página a obra ilustra no canto inferior direito estrutura denominada pela obra de “saco respiratório (prolongamento das brânquias)” em peixe ósseo. A estrutura indicada como “saco respiratórionão procede, ou melhor, não consta na bibliografia tradicionalmente disponível sobre vertebrados, incluindo as últimas atualizações. Vale notar que no texto principal a única associação possível desta figura com o mesmo seria na seguinte passagem: “Alguns osteícties são conhecidos como peixes pulmonados, porque, além de efetuar a respiração por meio de brânquias, estes organismos possuem pulmões utilizados para captar o oxigênio atmosférico”. Ainda que a estrutura figurada fosse um “pulmão”, esta estaria errada, já que um pulmão de peixes dipnóicos não consiste em um prolongamento das brânquias e nem tem o aspecto ilustrado. A figura comentada se encontra apensada abaixo.





(b) idéias incorretas sobre as dimensões ou cores do que é representado, sem indicação apropriada de escalas ou cores-fantasia.

Não há indicação de escalas ou de cores fantasia em nenhuma figura dos três volumes. Logo, a citação de todas as fotografias sem escalas e ilustrações sem escalas e/ou indicação de cores fantasia seria por demais morosa e julgo desnecessária. Assim, citei abaixo alguns poucos exemplos para ratificar esta observação. Todavia, lembro que basta folhear qualquer um dos três volumes que rapidamente juntar-se-á uma quantidade consideravelmente grande de figuras sem escalas e/ou cores fantasia.



Volume 2

- pág. XX – Nesta página observam-se três figuras de vírus sem escala e sem indicação de cores fantasia.

- pág. XX – Nesta página há duas fotografias de bactérias. Não há indicação de escalas ou de cores fantasia.


B.2. ASPECTOS PEDAGÓGICO-METODOLÓGICOS

3.

No livro do professor:

a) As bases teórico-metodológicas são apresentadas de maneira pouco clara.

b) Diferentes opções metodológicas são apresentadas de maneira desarticulada.

No livro do aluno:

c) Há incoerência entre as bases teórico-metodológicas e a proposta concretizada.


( X ) Sim (Apresentar argumentos abaixo, exemplificando) ( ) Não

No livro do professor (MP):

(a) As bases teórico-metodológicas são apresentadas de maneira pouco clara.

A obra XXXXXX apresenta as bases metodológicas na página XX do manual do professor sob o título “XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX”. Neste item, a obra fornece em sete subitens o que seriam as bases metodológicas. Além de ser por demais sinóptico, o livro não define a metodologia que será seguida na coleção ora examinada, se limitando a fornecer objetivos gerais que um professor deve ter em sala de aula. Abaixo, segue a transcrição na íntegra deste subitens.

Para que o trabalho pedagógico siga nessa direção, é importante que a prática do professor seja organizada de maneira a:



  • estimular a iniciativa e participação dos alunos, compromissando-os com sua aprendizagem;

  • garantir momentos de interação e troca entre alunos, por meio de trabalhos em grupo, mesas-redondas, etc;

  • incentivar a pesquisa de temas relevantes, buscando contribuições de fontes diversas, como forma de enriquecer o conteúdo que está sendo trabalhado;

  • promover discussões sistemáticas sobre questões, polêmicas ou não, para que os alunos possam estabelecer parâmetros de análise e de julgamento de fatos da realidade e, assim, desenvolver seu espírito crítico;

  • possibilitar o exercício da experimentação, investigação e elaboração próprias em aulas práticas ou trabalho de campo;

  • garantir o acesso à leitura e interpretação de textos científicos;

  • garantir a apropriação do conhecimento pelo aluno.”

No livro do aluno:

(c) Há incoerência entre as bases teórico-metodológicas e a proposta concretizada.

O MP, dentre os objetivos propostos como “questões metodológicas”, afirma que o livro deve “garantir momentos de interação e troca entre os alunos, por meio de trabalhos em grupo, mesas redondas, etc”. De fato o livro do aluno apresenta algumas propostas de trabalho em grupo e de trabalhos de campo ou delas derivadas (aulas práticas), as quais se encontram ao final de algumas seções na forma de um pequeno quadro de coloração verde, indicados com uma seta indo da esquerda para a direita. Todavia, estas propostas são sinópticas, mal explicadas, muito óbvias e desarticuladas de textos, vídeos ou de outra fonte de informação que não seja o próprio texto principal. Além disso, tais quadros, justamente por serem sinópticos, não trazem explicação detalhada de como o trabalho de grupo deve ser organizado e quais produtos esperar destes trabalhos. Tais informações são necessárias, já que o MP não detalha estes aspectos.

Quanto ao objetivo “garantir o acesso à leitura e interpretação de textos científicos” a obra pouco se empenha neste intuito. Não há leituras complementares, cientificas ou não, disponíveis no Livro do Aluno ou no Manual do Professor. Para se desvencilhar da falta de leituras complementares que subsidiem estas “discussões”, o Livro do Aluno traz sistematicamente nos pequenos quadros aludidos no parágrafo anterior a sugestão para o aluno pesquisar na internet ou em revistas e jornais, sequer indicando quais revistas, jornais, livros, artigos, páginas da internet ou mesmo vídeos poderiam ser as fontes iniciais de pesquisa.

Quanto ao objetivo “possibilitar o exercício da experimentação, investigação e elaboração próprias em aulas práticas ou trabalho de campo”. No aspecto experimental a obra no volume 2 apresenta apenas um experimento simples (pág. XX, vol. 2; ver abaixo em exemplos) e de resultado duvidoso, além de possuir, via de regra, explicação insuficiente do como realizar e do que relatar como resultado. No volume 1 a obra apresenta 2 experimentos, mas somente o da página XXX com explicação conveniente. No aspecto trabalho de campo não há na realidade propostas no livro. Limita-se a solicitar que o aluno colete exemplares e os traga para sala e aula para serem observados. No aspecto investigativo a obra se limita a solicitar ao aluno que observe, anote e discuta com os colegas o que viu. Analisando-se as tarefas conclui-se facilmente que esta “discussão” se limita a uma narrativa para o outro aluno do que viu, já que na maioria das vezes não há o que realmente discutir. Esta atitude não caracteriza a elaboração metódica de uma aula prática e desta maneira não garante ao aluno o bom desenvolvimento da experimentação científica. Diante destes fatos julgo pela desqualificação da obra neste quesito.

Abaixo seguem exemplos de trechos transcritos do Livro do Aluno.



Volume 2

- pág. XX – Ao discorrer sobre a classificação dos seres vivos a obra propõe o seguinte trabalho de grupo: “Para que você possa exercitar como é realizada a classificação de um ser vivo, junto com seus colegas, procurem alguns vocábulos no dicionário, observem se é de origem latina e escreva-os”. Notar que fazer ou não com os colegas é indiferente, já que não há propostas de discussão, e ainda não há sentido aparente no trabalho com fins de exemplificar uma classificação biológica.

- pág. XX – Ao discorrer sobre as briófitas a obra propõe o seguinte trabalho de grupo: “Procure coletar alguns representantes do grupo das briófitas, especialmente os musgos que são bastante comuns, e leve-os às aulas de laboratório. Reúna-se com mais três ou quatro colegas e, com auxílio de lupas, ou até mesmo a olha nu, procure identificar as partes dos musgos... Depois faça desenhos esquemáticos de suas observações e levante questões a serem discutidas em sala de aula”. Notar que a obra solicita que o aluno levante questões, deixando de nortear claramente o que se pretende com esta prática. Não há experimentação. Não há explicação de onde se obter um musgo. Não há determinação clara dos produtos a seres obtidos. Observando-se mais abaixo, na mesma página, em “Atividades” a obra sugere como questões a serem discutidas em grupo (1) “Caracterize uma briófita quanto à sua morfologia” e (2) “Descreva o ciclo de reprodução das briófitas”. Estas atividades não são atividades próprias para discussão em grupo. São atividades descritivas que um aluno realiza individualmente. Estas ações caracterizam a falta de compromisso do livro em subsidiar realmente discussões sobre temas importantes e a tentativa de dissimular esta ausência com propostas irrelevantes para se obter o resultado a que se propõe.

- pág. 244 - Ao discorrer sobre os insetos a obra propõe o seguinte trabalho de grupo: “Realize, inicialmente, uma pesquisa sobre as famílias dos insetos, e, com o auxílio do professor, monte uma coleção, identificando as famílias existentes”. Notar, além dos problemas já expostos anteriormente, que esta é a única prática proposta para o estudo dos animais.



4.

O livro do aluno e/ou do professor propõe atividades que:

a) trazem riscos para alunos e professores de tal ordem que não devem ser realizadas.

b) podem trazer riscos para alunos e professores que não impedem sua realização, mas observa-se insuficiência de alertas sobre riscos e também de recomendações de cuidados e procedimentos de segurança para preveni-los, no livro do aluno e/ou no livro do professor.


( X ) Sim (Apresentar argumentos abaixo, exemplificando) ( ) Não

(b) Podem trazer riscos para alunos e professores que não impedem sua realização, mas observa-se insuficiência de alertas sobre riscos e também de recomendações de cuidados e procedimentos de segurança para preveni-los, no livro do aluno e/ou no livro do professor.

A obra XXXXX no Livro do aluno propõe certos trabalhos de campo e laboratoriais. Estas propostas não são acompanhadas de explicações sobre o manejo dos materiais biológicos e/ou objetos a serem utilizados pelos discentes. Esta conduta é recorrente na obra, onde não há preocupação da obra em orientar a realização de trabalhos práticos e, quando o faz, discorre de maneira descompromissada e superficial dobre os mesmos. Abaixo seguem exemplos.



Volume 2

- pág. XXX – Ao discorrer sobre a morfologia da raiz, caule e folha a obra propõe o seguinte trabalho de grupo: “Em aula de laboratório realize o corte anatômico de raiz, caule e folha. Prepare lâminas e observe-as ao microscópio. Faça desenhos esquemáticos e anotações complementares sobre as suas observações”. Notar que a obra não explica como cortar o caule e a raiz. Sabe-se que os cortes têm que ser finos; logo, usar uma gilete ou outro estilete poderia levar os alunos a injúrias, já que não há nenhuma explicação ou alerta de como manusear estes instrumentos.

- pág. XXX - Ao discorrer sobre os insetos a obra propõe o seguinte trabalho de grupo: “Realize, inicialmente, uma pesquisa sobre as famílias dos insetos, e, com o auxílio do professor, monte uma coleção, identificando as famílias existentes”. Notar que a obra não orienta como capturar insetos; que os mesmos devem ser mortos sob anestesia; logo, não há orientação igualmente de que tipo de anestesia; e quais materiais devem ser usados para montá-los e como montá-los. Vale ressaltar aqui que há insetos que podem ser perigosos ao aluno, causando-lhes injúrias a até mesmo reações anafiláticas sérias, como diversos himenópteros (abelhas, marimbondos, formigas), alguns coleópteros e alguns dípteros (principalmente aquáticos, como belostomatídeos e naucorídeos).


5.

A metodologia empregada:

a) tem como característica principal a memorização de conteúdos e termos técnicos, deixando de contribuir para promover o desenvolvimento de capacidades básicas de pensamento autônomo e crítico e negligenciando as relações entre conhecimento e vida prática.



( X ) Sim (Apresentar argumentos abaixo, exemplificando) ( ) Não


(a) tem como característica principal a memorização de conteúdos e termos técnicos, deixando de contribuir para promover o desenvolvimento de capacidades básicas de pensamento autônomo e crítico e negligenciando as relações entre conhecimento e vida prática.

A obra no MP (pág. XX) afirma que “Em sua elaboração procurou-se sempre estabelecer relação entre os conteúdos propostos e o cotidiano dos(as) alunos(as), condição importante para uma aprendizagem significativa”. Esta afirmação no MP atenta para o objetivo do livro em fornecer o desenvolvimento do texto de maneira a usar o conhecimento prévio dos alunos como ponto de partida para a aprendizagem.

Todavia, o Livro do Aluno não condiz com estes objetivos. Não há na obra inserção de textos que promovam a discussão de temas atuais sobre assuntos importantes e/ou polêmicos que digam respeito à vida prática do aluno. Temas que poderiam ser explorados no livro em leituras complementares como o estado da arte e a importância da conservação dos biomas brasileiros, helmintíases e doenças de carência brasileiras e suas relações com os problemas de ordem social e econômica, os tipos de conhecimento, o método científico, a biopirataria e tantos outros temas de relevância no dia a dia do aluno não são explorados na obra. Não há textos extraídos de fontes diversas versando sobres assuntos da atualidade, aliás, não há textos complementares na obra. O aluno necessita ter acesso a bibliotecas para buscar, por si mesmo, alguma informação que possa ligar a sala de aula ao seu cotidiano, isto é, ciência, tecnologia e sociedade. A insistência da obra em sugerir o acesso sistemático à internet como meio de pesquisa principal aos alunos e da não disponibilização de textos complementares na própria obra demonstra a falta de responsabilidade da obra com a realidade social e econômica das escolas brasileiras. Estes fatos também apontam para a despreocupação em vincular o livro à vida prática dos alunos de maneira contextualizada. Exemplos da falta de norteamento nas pesquisas e propostas de discussão, além da falta de compromisso social, científico, metodológico e, principalmente, didático com os assuntos abordados já foram comentados e podem ser vislumbrados nos itens 3 e 4 desta ficha de avaliação.

Dentre as atividades propostas, os exercícios dissertativos e os de múltipla escolha são os principais recursos utilizados pelo livro para promover o desenvolvimento cognitivo do aluno. Como não há verdadeira preocupação com a integração ou discussão do grande volume de informação apresentada, os exercícios passam a desempenhar apenas um papel de testar o conhecimento formal do estudante. Sendo assim, as relações de conhecimento e vida prática são negligenciadas dentro da metodologia proposta.

Abaixo, seguem exemplos do volume 2 que discorrem sobre o que o livro denominou de “Questões básicas” e que representam bem a ausência de abordagem direcionada para o desenvolvimento das capacidades básicas do pensamento autônomo e crítico no aluno. Há ainda o quadro “Questões pelo Brasil” e “Questões descritivas” que trazem exercícios de vestibulares passados, mas que objetivam o mesmo, isto é, a mera memorização de conteúdos. Estes e muitos outros exercícios de mesmo teor se encontram ao final de cada seção do livro.

Volume 2

- pág. XX – “Questões básicas”. “XX. Como se reproduzem os protozoários?”; “XX. Correlacione a importância do manuseio de alimentos com os protozoários”.

- pág. XXX – “Questões básicas”. “XX. Caracterize o que é a forma de pólipo e a forma de medusa”; “XX. Caracterize a circulação, a digestão e a excreção dos cnidários”.

- pág. XX – “Questões básicas”. “XX. Cite as doenças causadas por pletelmintes e os seus nomes”; “Diferencie a cisticercose da teníase”.




6.

a) São propostos experimentos e demonstrações cuja realização dificilmente é possível, que apresentam resultados implausíveis e/ou veiculam idéias equivocadas sobre fenômenos, processos e modelos explicativos.

b) Os experimentos e as demonstrações têm função meramente ilustrativa, sem conexão com as teorias e os modelos explicativos.

c) Os experimentos e as demonstrações desconsideram o impacto ambiental proveniente do descarte dos resíduos gerados, quando existentes.


( ) Sim (Apresentar argumentos abaixo, exemplificando) (X) Não




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