Professor Regis Romero Esquistossomíase



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Encontro29.08.2018
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Professor Regis Romero
Esquistossomíase

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), nas áreas tropicais e subtropicais, a esquistossomíase só é superada pela malária em termos de importância sócio-econômica e de saúde pública. A doença tem presença constante em mais de 74 países (praticamente todos subdesenvolvidos), de 500 a 600 milhões de pessoas correm riscos de serem atingidas por ela e mais de 200 milhões são infectadas a cada ano.





O Schistossoma mansoni. Na foto, o mais fino é a fêmea e o mais grosso, o macho

A esquistossomíase (forma adotada pela Nomeclatura Internacional de doenças) também é conhecida como bilharziose ou esquistossomose. É causada por vermes do gênero Schistosoma, que parasitam as veias do homem e de outros animais, onde se fixam por meio de ventosas. Dentre as diversas espécies, destacam-se o S. haematobium (mais comum na África e no Mediterrâneo), o S. japonicum (mais presente no sudeste asiático) e o S. mansoni (presente, sobretudo, em países americanos, como o Brasil), que será a espécie descrita aqui. O verme apresenta sexo separado, pertence à família dos trematódeos e pode chegar a medir um centímetro de comprimento.




O ciclo

A água é o meio que o S. mansoni utiliza para infectar o homem (hospedeiro principal) e o caramujo do gênero Biomphalaria (hospedeiro intermediário). O ciclo de evolução da esquistossomíase começa quando fezes de algum enfermo infectadas com ovos entram em contato com a água. Os ovos germinam e liberam a primeira forma larval do S. mansoni, conhecida como miracídio. A larva precisa de condições ambientais apropriadas para sobreviver, o que acaba com o mito de que a esquistossomíase ocorre apenas em águas poluídas.





O ciclo da esquistossomíase: os ovos (foto à esquerda), lançados na água junto com
as fezes de algum doente, eclodem e originam o miracídio (foto à direita) que...

Assim que sai do ovo, o miracídio busca e penetra o caramujo, onde, durante 20 ou 30 dias, multiplica-se e transforma-se em outra larva, conhecida como cercária. Um caramujo é capaz de liberar milhares de cercárias em um só dia, dando início à segunda fase do ciclo. Normalmente as cercárias são libertas entre 11 e 17 horas, raramente à noite e são capazes de sobreviver só durante algumas horas. Uma vez na água, a cercária nada em busca de seu hospedeiro definitivo.



...penetra o caramujo do gênero Biomphalaria (foto à esquerda), onde multiplca-se e
transforma-se na segunda forma larval do S. mansoni: a cercária (foto à direita)

Após penetrar o corpo humano, a cercária migra para a corrente sangüínea ou linfática. Com um dia de infecção, é possível encontrar larvas nos pulmões e nove dias depois as mesmas rumam para o fígado, onde alimentam-se de sangue e iniciam sua maturação. No vigésimo dia, os vermes, já adultos, começam a se acasalar e sete dias depois a fêmea já libera os primeiros ovos. Em média, apenas após o quadragésimo dia de infecção será possível encontrar ovos de S. mansoni nas fezes do enfermo.



A esquistossomíase também é popularmente conhecida como barriga d'água



Os sintomas

Febre, dor de cabeça, calafrios, sudorese, fraqueza, falta de apetite, dor muscular, tosse e diarréia, esse os sintomas da esquistossomíase em sua fase aguda. O fígado e o baço também aumentam devido às inflamações causadas pela presença do verme e de seus ovos. Se não for tratada, a doença pode evoluir para sua forma crônica, onde a diarréia fica cada vez mais constante alternando-se com prisão de ventre e as fezes podem aparecer com sangue. O doente sente tonturas, coceira no ânus, palpitações, impotência, emagrecimento e o fígado endurece e aumenta ainda mais. Nesse estágio, a aparência do enfermo torna-se característica: fraco, mas com uma enorme barriga, o que dá a doença seu nome popular de barriga d'água.



O tratamento

O tratamento é feito, sobretudo, por meio da administração de medicamentos como o oxamniquine ou o praziquantel, porém, a melhor maneira de enfrentar a esquistossomíase e evitar que ela aconteça. Para tanto, faz-se necessária uma extensa política de saúde pública e sanitária, já que a esquistossomíase está diretamente ligada a problemas sócio-econômicos. Portanto, controlar a existência da Biomphalaria não é suficiente, é preciso melhorar a qualidade de vida das populações e tomar medidas sanitaristas, como, por exemplo, a construção de sistemas adequados de esgoto.





Colégio Ari de Sá Cavalcante






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