Prof: marlon a santos


- Procedimentos para o acompanhamento do desenvolvimento



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2.2.4 - Procedimentos para o acompanhamento do desenvolvimento
A observação do desenvolvimento deve ser feita durante a consulta da criança. O profissional deve tentar observar os marcos ou indicadores desde o início, quando a mãe entra no consultório. Só o absolutamente necessário deve ser elicitado na mesa de exame. A criança no colo da mãe se mostra mais cooperativa e tranqüila.

No caso dos bebês, deve-se tentar observá-los no período entre as mamadas, haja vista que quando famintos ficam muito irritados e pouco cooperativos; e após as mamadas, sonolentos e pouco responsivos.

A Ficha de Acompanhamento do Desenvolvimento deve ficar no prontuário da criança; e a padronização para o seu uso, no consultório. Sempre que possível, o profissional deve tentar utilizar a mesma forma de padronização1. O que facilitará o exame e dará maior confiabilidade aos achados clínicos.

O profissional anotará a sua observação no espaço correspondente à idade da criança e ao marco do desenvolvimento esperado, de acordo com a seguinte codificação:


P = Presente

A = Ausente

NV = Não Verificado
Ao se aplicar a ficha, algumas das seguintes situações podem ocorrer:
• presença das respostas esperadas para a idade. A criança está se desenvolvendo bem e o profissional de saúde deve seguir o calendário de consulta;

• falha em alcançar algum marco do desenvolvimento para a idade.


Antecipar a consulta seguinte; investigar a situação ambiental da criança, relação com a mãe, oferta de estímulos. Sugere-se orientar a mãe para brincar e conversar com a criança durante os cuidados diários;
• persistência do atraso por mais de duas consultas (ou ausência do marco. no último quadro sombreado). Se verificado, encaminhar a criança para referência ou serviço de maior complexidade.

CAPITULO III


  1. O PROGRAMA DE SAÚDE NA ESCOLA (PSE)

O Programa Saúde na Escola (PSE), lançado em setembro de 2008, é resultado de uma parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação que tem o objetivo de reforçar a prevenção à saúde dos alunos brasileiros e construir uma cultura de paz nas escolas.

 

O programa está estruturado em quatro blocos. O primeiro consiste na avaliação das condições de saúde, envolvendo estado nutricional, incidência precoce de hipertensão e diabetes, saúde bucal (controle de cárie), acuidade visual e auditiva e, ainda, avaliação psicológica do estudante. O segundo trata da promoção da saúde e da prevenção, que trabalhará as dimensões da construção de uma cultura de paz e combate às diferentes expressões de violência, consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Também neste bloco há uma abordagem à educação sexual e reprodutiva, além de estímulo à atividade física e práticas corporais.



 

O terceiro bloco do programa é voltado à educação permanente e capacitação de profissionais e de jovens. Essa etapa está sob a responsabilidade da Universidade Aberta do Brasil, do Ministério da Educação, em interface com os Núcleos de Telessaúde, do Ministério da Saúde, e observa os temas da saúde e constituição das equipes de saúde que atuarão nos territórios do PSE.

 

O último prevê o monitoramento e a avaliação da saúde dos estudantes por intermédio de duas pesquisas. A primeira é a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que contempla, além de outros, todos os itens da avaliação das condições de saúde e perfil socio-econômico das escolas públicas e privadas nas 27 capitais brasileiras. O resultado dessa pesquisa servirá para que as escolas e as equipes de saúde tenham parâmetro para a avaliação da comunidade estudantil. A segunda pesquisa será o Encarte Saúde no Censo Escolar (Censo da Educação Básica), elaborado e aplicado no contexto do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) desde 2005. Essa sondagem consiste em cinco questões ligadas mais diretamente ao tema DST/AIDS.



 

O tempo de execução de cada bloco será planejado pela Equipe de Saúde da Família levando em conta o ano letivo e o projeto político-pedagógico da escola. As ações previstas no PSE serão acompanhadas por uma comissão intersetorial de educação e de saúde, formada por pais, professores e representantes da saúde, que poderão ser os integrantes da equipe de conselheiros locais.

 

Todas as ações do programa são possíveis de serem realizadas nos municípios cobertos pelas equipes da Saúde da Família. Na prática, o que ocorrerá será a integração das redes de educação e do Sistema Único de Saúde. Os municípios interessados devem manifestar sua vontade em aderir ao programa. Portaria do Ministério da Saúde definirá os critérios e recursos financeiros pela adesão e orientará também a elaboração dos projetos pelos municípios.



 

O Ministério da Saúde, além de incentivo financeiro, ficará responsável pela publicação de almanaques para distribuição aos alunos das escolas atendidas pelo PSE. A tiragem da publicação poderá chegar a 300 mil exemplares este ano. O ministério fará ainda cadernos de atenção básica para as 5.500 equipes de Saúde da Família que atuarão nas escolas.

 

Portaria 1.861, de 4 de setembro de 2008, que define critérios do programa e traz o Termo de Adesão dos municípios (formato PDF | tamanho: 108 Kb)
Para auxiliar o PROGRAMA DE SAÚDE NA ESCOLA (PSE), utilizamos o PROSAD.

3.1 - Conhecendo o PROSAD
Segundo Ministério da Saúde,  o  PROSAD  foi  criado pela Portaria do Ministério da Saúde nº 980/GM de 21/12/1989, fundamenta-se numa política de Promoção de Saúde, de identificação de grupos de risco, detecção precoce dos agravos com tratamento adequado e reabilitação, respeitada as diretrizes  do Sistema Único de Saúde, garantidas pela Constituição Brasileira de 1988. 
3.1.1 População Alvo
Jovens de ambos os sexos de 10 a 19 anos de idade, cerca de 32 milhões de pessoas, o que significa 21,84% da população total do Brasil (IBGE/1991).                                                         

 A 1ª causa de mortalidade na adolescência são as causas externas, isto é, acidentes de trânsito, homicídios e suicídios.                                              

Em relação ao uso de drogas, um estudo feito em 1987, 1989 e 1993 em 10 capitais, entre estudantes de 1º e 2º graus, mostra que a maior incidência refere-se ao grupo de estudantes que trabalham, e/ou que estão atrasados em 3 anos ou mais na relação série escolar/idade e/ou têm pais separados ou falecidos.                                                                            

Em 1990, 14,4% dos adolescentes de 10 a 14 anos e 9,42% de 15 a 19 anos eram analfabetos e, entram cada vez mais cedo no mercado de trabalho. Em 1990, o percentual de adolescentes economicamente ativos era de 17,5% e 56,7% nas faixas de 10 a 14 anos e 15 a 19 anos, respectivamente.             

Em relação à sexualidade, existem dados demonstrando que o nível de fecundidade de adolescentes entre 15 a 19 anos aumentou entre 1970 e 1980, havendo também incremento da fecundidade na faixa entre 10 e 14 anos.                                                                   

Em 1996 o percentual dos partos em adolescentes de 10 a 19 anos realizados na rede SUS chegou a 25,79%.


3.1.2 Característica do Programa
O Programa Saúde do Adolescente - PROSAD é dirigido a todos os jovens entre 10 a 19 anos e é caracterizado pela integralidade das ações e pelo enfoque preventivo e educativo. O PROSAD visa garantir aos adolescentes o acesso à saúde, com ações de caráter:

  multiprofissional;

  intersetorial;

  interinstitucional
3.1.3 Objetivos do PROSAD


  • Promover a saúde integral do adolescente, favorecendo o processo geral de seu crescimento e desenvolvimento, buscando reduzir a morbi-mortalidade e os desajustes individuais e sociais.

  • Normatizar as ações consideradas nas áreas prioritárias.

  • Estimular e apoiar a implantação e/ou implementação dos Programas Estaduais e Municipais, na perspectiva de assegurar ao adolescente um atendimento adequado às suas características, respeitando as particularidades regionais e realidade local.

  • Promover e apoiar estudos e pesquisas multicêntricas relativas a adolescência.

  • Contribuir com as atividades intra e interistitucional, nos âmbitos governamentais e não governamentais, visando a formulação de uma política nacional para a adolescência e juventude, a ser desenvolvida nos níveis Federal, Estadual e Municipal.


3.1.4 Áreas Prioritárias de Ação
   crescimento e desenvolvimento;

  sexualidade;

  saúde mental;

  saúde reprodutiva;

  saúde do escolar adolescente;

  prevenção de acidentes;

  violência e maus-tratos

  família.
3.1.5 Competência  do Nível Federal
  Implantar e/ou implementar o PROSAD em todos os estados.

  Apoiar treinamentos de recursos humanos e de adolescentes multiplicadores de saúde.

  Dar assessoria técnica aos estados.

  Estimular a criação de centros de referência para a saúde do adolescente, dentro das normas do Ministério da Saúde (anexo).

  Elaborar, imprimir e distribuir material normativo e educativo, condizentes com as especificidades das populações a que se destinam, ou apoiar a elaboração a nível estadual e municipal.

  Apoiar eventos que possam fomentar o interesse e melhorar a qualidade da atenção ao adolescente.

  Manter um permanente canal de informação entre o nível central, estadual e municipal.

  Estimular pesquisas em serviços e aquelas que visem compreender as atitudes e comportamento de jovens frente à sua saúde.

  Participar de eventos, reuniões, grupos de trabalho, conselhos, comitês, etc., relativos à saúde integral do adolescente, para que políticas nacionais que reconheçam as necessidades especiais dos adolescentes sejam adotadas.

  Disponibilizar o acesso a métodos de avaliação e acompanhamento da assistência prestada ao adolescente em todos os níveis do SUS.

  Articular-se com: Ministério da Educação e do Desporto; Ministério do Trabalho; 
Ministério da Justiça (COFEM, CONANDA); Ministério da Previdência Social; Programa Comunidade Solidária; Organizações Não-Governamentais; Organismos Internacionais (OMS/OPAS, UNICEF, FNUAP, outros); Sociedades Científicas; Universidades.

3.1.6 Situação Atual do PROSAD
O programa está oficialmente implantado nos 27 estados da federação e já foram treinados 130 multiplicadores em Atenção Integral à Saúde do Adolescente. Foram elaborados, impressos e distribuídos os seguintes documentos:

  Bases Programáticas do PROSAD;

  Normas de Atenção Integral à Saúde do Adolescente I, II e III

  Violência e Maus-Tratos contra a Criança e o Adolescente;

  Prevenir a violência: um desafio para educadores;

  Crescer sem violência: um desafio para educadores;

  Guia de Orientação sobre Sexualidade e Saúde Reprodutiva (Ficar... por dentro!)

  Adolescente Grávida e os Serviços de Saúde no Município (parceria com UNICEF);

  Pranchas de Tanner.
3.2 - Doenças mais comuns no ambiente escolar
Catapora
Tipicamente, a doença incide no final do inverno e início da primavera, porém pode ocorrer durante todo o ano. É altamente contagiosa. Já existe vacina, mas ela ainda não está disponível na rede pública. A catapora dura cerca de 20 dias, aparece com várias manchas vermelhas na pele e a cura acontece quando as manchas se transformam em crostas. O recomendável é não ir à escola, ficar em casa, em repouso e seguir os conselhos médicos. 


Gripe e resfriado

A higiene é essencial para a prevenção da doença. Lavar sempre as mãos é extremamente recomendável. Com a gripe suína, as precauções devem ser redobradas. Arejar o ambiente é fundamental; tomar bastante água, ficar sempre hidratado, manter uma alimentação saudável com vitaminas, frutas e legumes, além de atividades físicas. O pediatra Navantino recomenda que o professor, assim que


perceber que há algum aluno gripado em sala, comunique logo o fato aos pais. O ideal é que as escolas façam filas para que os alunos possam passar álcool em gel nas mãos antes de entrar na sala. A medida é simples e elimina muitos vírus.

Bronquite
Inflamações dos brônquios. Pais e professores devem observar se a inflamação é constante ou intermitente. Esse dado é importante para o tratamento. Existem três tipos de bronquite: asmática, bacteriana e alérgica. 


Alergia 
Nos grandes centros, é muito comum nos apartamentos três crianças dormirem dentro de um mesmo quarto, em um espaço pequeno, ambiente que facilita o desenvolvimento de uma alergia. O número de alérgicos praticamente dobrou nos últimos 20 anos. Outras causas também são: poluição ambiental, alimentação errada, excesso de ácaros e fungos nas casas. Muita gente sofre de alergias respiratórias sazonais, geralmente na primavera ou no outono, causadas por pólen, mofo e pó. Há também as alergias alimentares. Tudo isso sem se esquecer do fator psicológico: boa parte dos pacientes alérgicos sofrem de algum tipo de desconforto emocional.
Piolho
A solução é a higiene. Lavar sempre as mãos e os cabelos. Professores e pais devem observar se o aluno está coçando muito o cabelo e olhar se há lêndeas (filhotes) e se elas já estão virando piolho. O tratamento é com medicamentos, mas o mais importante é prevenir esse parasita. Os alunos devem evitar emprestar pentes e escovas para os colegas. 


Desmaio 
Geralmente, quando um adolescente desmaia, é algum problema emocional, uma necessidade de chamar a atenção. Pais e professores não devem desconsiderar isso. Mas cuidado porque pode tratar-se de uma epilepsia, por exemplo. 


Infecção de garganta 

Contagiosa, passa para todos da casa e também da escola. A criança ou adolescente que estiver com a doença deve ficar em casa de repouso e fazer o tratamento correto. Se não tratada, a infecção pode desenvolver uma febre reumática, problemas nos rins, etc. A infecção de garganta também é transmitida pelas vias respiratórias. 




Virose
Na escola é muito comum. Se contrair o Rotavírus, por exemplo, a criança terá diarréia. O ideal também é sempre manter a higiene e cuidar da alimentação, para deixar o corpo forte e mais resistente aos vírus. 


Verminose
A maioria das pessoas não apresenta sintomas perceptíveis, porém a verminose por lombriga pode causar atraso no desenvolvimento físico e no ganho de peso. Se a pessoa estiver muito infectada pode ter dor abdominal. Mais uma vez a higiene é primordial. O mais comum é a desidratação causada pela diarréia e vômito, que ocorrem na fase aguda da doença. Outras condições também são descritas em consequência das verminoses: obstrução intestinal, comprometimento do comportamento na infância e anemia cada vez mais grave. As verminoses são transmitidas por alimentos contaminados, frutas e verduras mal lavadas, água contaminada, carnes cruas ou mal cozidas, mãos sujas, objetos contaminados (chupetas, brinquedos, copos, pratos, talheres, etc...). 


Problemas de visão e audição

É imprescindível a observação dos pais e professores. Um aluno que só se senta perto do quadro ou, quando se senta atrás, não presta atenção em nada e não atende à demanda do professor, isso pode significar algum problema de visão. Criança que não dá retorno quando a professora fala ou a mãe chama pode estar surda. Comportamento como ouvir televisão e rádio muito altos também é sinal para o qual os pais devem ficar atentos.




3.3 - Introdução à estratégia AIDPI
A abordagem da Organização Mundial da Saúde/Organização Pan-Americana da Saúde para a saúde infantil tem evoluído e apresentado mudanças. Estimulada pela crescente quantidade de evidências científicas, a abordagem tem mudado o seu enfoque de controle de doenças individuais para uma abordagem nova e integrada do tratamento e da prevenção das doenças da infância. A estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI) é uma abordagem que aceita e responde pela condição da criança doente em toda a sua complexidade. Para isso, usa-se uma estratégia padronizada, baseado em normas internacionais com grande impacto na redução da morbimortalidade infantil.

3.3.1 - Objetivos de aprendizagem
Para este objetivo ser alcançado o futuro técnico em enfermagem estará apto a:

  • Conhecer a problemática da situação da situação da criança.

  • Descrever os fatores de risco associados à morbimortalidade infantil.

  • Compreender as estratégias utilizadas para a melhoria da saúde da criança.

  • Definir os componentes da estratégia AIDPI.

  • Conhecer as evidências científicas da estratégia.

  • Compreender a metodologia de atendimento da AIDPI.

• Avaliar a criança.

• Classificar a doença.

• Identificar o tratamento.

• Tratar.

• Aconselhar à mãe ou acompanhante.

• Orientar sobre consulta de retorno.



  • Selecionar os quadros de condutas apropriados.



3.3.2 - Componentes da estratégia AIDPI

As crianças ao serem levadas as unidades de saúde geralmente apresentam mais de uma condição clínica, fazendo com que não seja apropriado apenas um diagnóstico.

Em geral, essas crianças necessitam freqüentemente de uma atenção combinada para que se possa alcançar um bom êxito no tratamento. Uma estratégia integrada, portanto, tem de levar em conta a variedade existente de fatores que colocam em risco as crianças. Deve assim assegurar que se utilize a combinação apropriada de ações para tratar as principais doenças na infância, como acelerar o tratamento de urgência em crianças gravemente doentes; envolver os pais no cuidado efetivo da criança no lar – nos casos em que isso é possível; e enfatizar as medidas de prevenção, através das imunizações, da melhoria da nutrição e do aleitamento materno exclusivo.

Com essa abordagem, essa estratégia se constitui em um enfoque altamente efetivo, em relação a seu custo, para o manejo e controle das doenças prevalentes da infância.

Procura, assim, aperfeiçoar a utilização dos recursos existentes, identificando e promovendo a utilização dos tratamentos e medicamentos mais apropriados e, ainda, evitando a duplicação de esforços que poderia ocorrer com a implementação de programas de controle de doenças individuais.

Essa estratégia consiste em um conjunto de critérios simplificados para a avaliação, classificação e tratamento das crianças menores de cinco anos que procuram as unidades de saúde. Além disso, é um somatório de ações preventivas e curativas, pois contempla ainda o monitoramento do crescimento e a recuperação nutricional, incentivo ao aleitamento materno e a imunização, sendo fundamental para a melhoria das condições de saúde das crianças. Ela busca acelerar a redução da mortalidade na infância, a freqüência e gravidade das doenças e as incapacidades resultantes, contribuindo para melhorar o crescimento e desenvolvimento de crianças menores de cinco anos. Além disso, busca melhorar as habilidades do profissional de saúde, a organização dos serviços de saúde e as práticas familiares e comunitárias relacionadas ao cuidado e saúde das crianças.




3.3.3 - Metodologia de atendimento
Essa estratégia é apresentada em uma série de quadros que mostram a seqüência e a forma dos procedimentos a serem adotados pelos profissionais de saúde. Esses quadros foram elaborados para ajudar o profissional de saúde a atender as crianças de menores de 5 anos de idade de forma correta e eficiente Esses passos são provavelmente parecidos com os que são utilizados atualmente para atender às crianças, ainda que possam estar sistematizados de outros modos.


3.3.4 - Seleção dos quadros de condutas apropriados
A maioria das unidades de saúde tem algum tipo de procedimento para inscrever crianças e identificar se vieram à consulta porque estão doentes ou por qualquer outra razão, como uma visita de rotina, aplicação de uma dose de vacina, controle de crescimento e desenvolvimento. Quando a mãe traz a criança ao serviço de saúde porque está doente e lhe encaminham o caso, você precisa primeiramente saber a idade da criança, para poder selecionar o quadro de conduta apropriado e começar o processo de avaliação. Dependendo do procedimento adotado ao inscrever os pacientes no seu serviço de saúde, é possível que já tenha sido anotado o nome da criança, sua idade e outra informação pertinente, como por exemplo, seu endereço. Se não for o caso, você deverá começar perguntando o nome e a idade da criança.
3.3.4.1 - Determine em que grupo de idade a criança se encontra:
De 0 a 2 meses de idade ou de 2 meses a 5 anos de idade.
Se a criança tem entre 2 meses e 5 anos de idade, consulte o quadro intitulado AVALIAR E CLASSIFICAR A CRIANÇA DOENTE DE 2 MESES A 5 ANOS DE IDADE. A expressão “... a cinco anos de idade” significa que a criança ainda não completou 5 anos.

Assim, esse grupo de idade inclui uma criança que tenha 4 anos, 11 meses e 29 dias, porém não inclui uma criança que já tenha 5 anos. Uma criança que tenha dois meses se enquadrará no grupo de 2 meses a 5 anos de idade, não no grupo de 0 a 2 meses de idade, ou seja até 1 mês e 29 dias.



Caso a criança ainda não tenha completado 2 meses, deverá ser usado o quadro AVALIAR, CLASSIFICAR E TRATAR AS CRIANÇAS MENORES DE 2 MESES.
Seleção dos quadros apropriados para o manejo de casos


Resumo do processo de manejo integrado de casos


CAPITULO IV
4 - A IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO INFANTIL
Devemos lembrar que se hoje a taxa de mortalidade infantil nos países mais desenvolvidos do mundo é baixa, e a média de vida aumenta, isso se deve à vacinação.

vacinação é o primeiro passo real da medicina preventiva: a vacinação responde à necessidade de prevenir e modificar as doenças, e representa uma tentativa fundamental feita pela medicina nessa direcção.


O objectivo da saúde pública é o de conferir que a imunidade seja em sua maior percentagem possível de indivíduos, com o menor risco possível de efeitos adversos, e menor custo. Além disso, quanto maior o número de pessoas vacinadas, menor é a  possibilidade de contágio da doença, também para aqueles que não foram vacinados.


decisão de vacinar contra uma determinada doença depende de:



  • a gravidade da doença;

  • a probabilidade de entrar em contacto com ela;

  • o estado imunológico de quem recebe a vacinação;

  • a eficácia da vacina.

segurança da vacina é uma questão importante:

  • os benefícios devem ser muito maiores que os riscos da respectiva doença;

  • os eventuais efeitos secundários devem ser ligeiros;

  • os eventuais efeitos secundários devem ser limitados no tempo;

  • os eventuais efeitos secundários devem ser limitados à área de inoculação da vacina.

Todas estas condições são completamente satisfeitas nas vacinas dadas às crianças.

4.1 - O cartão de vacinas está atualizado?

Forma simples e eficiente de se prevenir doenças da infância, a vacinação nos primeiros anos de vida é indispensável para garantir a saúde dos pequenos. Hoje, há novas fórmulas de imunização. Mas, algumas das vacinas já disponíveis no mercado ainda não foram incluídas na lista oficial do Ministério da Saúde.

Como os calendários estaduais de vacinação seguem a orientação federal, os novos produtos não são oferecidos gratuitamente a toda a população. Segundo a enfermeira Eliana Maria Belém Spina, do Centro de Imunização Pró Vacina, a recomendação e prescrição das novas vacinas parte quase sempre dos pediatras, que seguem o calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria, entidade que acompanha estudos realizados por comitês internacionais de saúde. A discussão sobre a importância do seu filho tomar as vacinas não previstas no calendário oficial deve ser proposta ao pediatra. Somente ele poderá avaliar os riscos e vantagens da indicação.

Confira o calendário oficial do Ministério da Saúde: 



Calendário Básico de Vacinação 2000/2001

Ao Nascer

BCG

Dose única

Formas graves de tuberculose

Vacina contra Hepatite

1ª Dose

Hepatite B




01 mês

Vacina contra Hepatite

2ª Dose

Hepatite B




02 meses

Vacina oral contra Poliomelite (sabin)

1ª Dose

Poliomielite ou Paralisia Infantil

DTP (Tríplice Bacteriana)

1ª Dose

Difteria, Tétano e Coqueluche

Hib (contra Haemophilus influenzae tipo B)

1ª Dose

Meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus




04 meses

Vacina oral contra Poliomelite (sabin)

2ª Dose

Poliomielite ou Paralisia Infantil

DTP (Tríplice Bacteriana)

2ª Dose

Difteria, Tétano e Coqueluche

Hib (contra Haemophilus influenzae tipo B)

2ª Dose

Meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus




06 meses

Vacina oral contra Poliomelite (sabin)

3ª Dose

Poliomielite ou Paralisia Infantil

DTP (Tríplice Bacteriana)

3ª Dose

Difteria, Tétano e Coqueluche

Hib (contra Haemophilus influenzae tipo B)

3ª Dose

Hepatite B

Vacina contra Hepatite B

3ª Dose

Meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus




09 meses

Vacina contra sarampo

Dose única

Sarampo




15 meses

Vacina contra Febre Amarela

Dose única

Febre Amarela

Vacina via oral contra Poliomelite

Reforço

Poliomielite ou Paralisia Infantil

DTP (Tríplice Bacteriana)

Reforço

Difteria, Tétano e Coqueluche

Vacina Tríplice Viral ou
Vacina Dupla Viral ou
Vacina contra Sarampo

Dose única
(qualquer das 3 - reforço sarampo)

Sarampo, Rubéola, Sindr. Rubéola Congênita e Caxumba
Sarampo, Rubéola, Sindr. Rubéola Congênita
Sarampo




06 a 10 meses

BCG

Reforço

Formas graves de Tuberculose




10 a 11 anos

dT (Dupla Adulto)

Reforço

Difteria e Tétano

Vacina contra Febre Amarela

Reforço

Febre Amarela




12 a 49 anos*

dT (Dupla Adulto)

Reforço

Difteria e Tétano (*mulher em idade fértil)




No pós-parto e pós-aborto imediatos

Vacina contra Rubéola ou
Vacina Dupla Viral ou
Vacina Tríplice Viral

Dose única
(qualquer das 3)

Rubéola e Síndrome Rubéola Congênita
Sarampo, Rubéola e Síndr. Rubéola Congênita
Sarampo, Rubéola e Síndr. Rubéola Congênita e Caxumba




60 anos +

Vacina contra Influenza (Gripe)

Dose única

Influenza (Gripe)




60 anos +

Vacina contra Pneucocos (Antipneumônica)

Dose única

Infecções Respiratórias (Pneumonias)




 


CAPITULO V
5 - SEXUALIDADE, MAUS TRATOS E DESCRIMINAÇÃO INFANTIL E ADOLESCENTE

5.1 - A DESCOBERTA DA SEXUALIDADE
Qual é o papai ou a mamãe que não ficam em uma saia justa quando seus pequenos começam a descobrir sua sexualidade?

Atitudes embaraçosas, perguntas constrangedoras...

Tudo isso faz parte do desenvolvimento saudável da criança desde que sem exageros.

É importante tentar perceber quando a criança está demonstrando uma curiosidade de acordo com sua idade ou sua vontade de conhecer mais está extremamente exagerada podendo configurar um transtorno.

Uma regra que vale sempre, não só no assunto sexualidade, mas em todos os momentos em que são questionados, é sempre dar respostas verdadeiras e diretas. Se uma criança pergunta como ela nasceu o papai ou mamãe podem responder: “No hospital. Você saiu da barriga da mamãe.” Se esta resposta for suficiente para a curiosidade a criança vai parar por aí. Se não foi certamente virá outra em seguida e mais outra até que ela obtenha uma resposta que satisfaça sua dúvida. O que não deve acontecer é querer dar uma aula de anatomia, relacionamentos e reprodução quando a pergunta é bem mais simples.

Quando os pais ficam absolutamente sem ação é melhor dizer a criança que não sabem a resposta, que vão pesquisar e depois dizer a ela, do que inventar uma resposta não verdadeira. Se ela não ficar satisfeita com a resposta, certamente irá buscá-la em outra fonte.

É preciso compreender que essa descoberta é saudável e importante para o desenvolvimento da sexualidade adulta sem traumas.

Por volta dos 3 anos, geralmente livres das fraldas, começam a ter curiosidade pelos seus órgãos, tocá-los e percebem que dá prazer. Então começam a perceber as diferenças entre meninos e meninas. Muitas dessas situações vão ocorrer e o que mais os pais e educadores devem estar atentos é às situações compulsivas e recorrentes.

É preciso passar a elas que essa descoberta é normal, dá prazer, não é “feia”. Da mesma forma que você precisa de privacidade para ir ao banheiro, outras atitudes também precisam. Como agir em uma situação como essa? Tanto pais como educadores devem fazer com que ela saiba lidar com sua descoberta e perceba que há hora e lugar para a exploração.

Quando a criança insiste em um comportamento em casa ou na escola, proponha a ela uma outra atividade. Um jogo, uma brincadeira fazendo com que ela perceba que aquele momento é inapropriado para sua “pesquisa”.

Ao largar as fraldas muitas das crianças têm um choque ao visualizar o amiguinho no banheiro e perceber que ele ou ela tem algo a mais ou a menos. É a chamada síndrome da castração segundo Freud. A menina pensa que lhe falta um pedaço ou ainda vai crescer. Os meninos por sua vez ficam horrorizados pensando o mesmo e achando que se aconteceu com elas pode também acontecer com eles. Por isso é importante mostrar a elas as diferenças. Deve-se passar uma mensagem clara para que não haja um problema de identificação sexual.

Por volta dos 5 anos aparece a curiosidade em explorar o corpo dos amigos. Ela está descobrindo o seu próprio corpo e o dos outros. Mais uma vez é importante perceber qual a conotação para ela. Crianças não têm uma visão erótica dessas manifestações. Essa idéia está no pensamento já estereotipado do adulto.


5.1.1 - Troca de papéis
Meninos encantados pelas brincadeiras e brinquedos “de menina” ou vice-versa? Não é motivo para desespero.

Diferenças físicas, genéticas, hormonais, de interesse, de amadurecimento... Poderíamos enumerar milhares de diferenças entre meninos e meninas.

Muito se discute qual a carga genética e qual a participação do meio ambiente no comportamento das crianças.

Em um primeiro momento não há porque se desesperar quando o menino ou menina opta por brincadeiras normalmente preferidas do sexo oposto. Uma conclusão à priori só vem reforçar um raciocínio preconceituoso que imagina erroneamente que irá afetar a sua sexualidade na idade adulta.

Hoje, estamos presenciando uma confusão de papéis: família e escola têm trocado sistematicamente responsabilidades ora de um ora de outro. Ambas instituições são primordiais na formação do indivíduo, mas lembremos que os valores familiares são essenciais na formação da criança e esses são passados em atitudes mais do que em discursos.

Na formação da sexualidade não é diferente. A ligação afetiva da criança com seus pais começa no nascimento e evolui através da demonstração dessa afetividade com abraços, palavras doces, carinho, na hora do banho, da troca dentre inúmeros outros momentos de relacionamento muito próximo.

A criança que por um ou outro motivo foi privada desse contato pode ter dificuldade de se relacionar no futuro além de poder desenvolver problemas também na definição de sua própria sexualidade. Biologicamente falando, meninos identificam-se com os pais e meninas com as mães. Na ausência constante de um deles é necessário que haja uma pessoa próxima e íntima que assuma esse papel de modelo de tipificação.

Até o final da fase pré escolar não se pode ainda afirmar que a criança tem sua opção sexual definida. O fato de mostrar um interesse maior por algo tipicamente do outro sexo pode, na verdade significar que ela simplesmente, pela falta de um modelo freqüente de seu mesmo sexo, não sabe o que um menino ou menina de 4 anos faz? Que tipo de brincadeiras gosta? Como se comporta? Não que com isso queira traçar um padrão já que sabemos que ele não existe. A maior parte desses comportamentos acontece porque a criança não convive com o modelo do mesmo gênero. Essa identificação acontece quando a criança percebe-se pertencente a um sexo e não outro. O que ocorre normalmente no início da socialização e é reforçado primeiramente pelos pais e posteriormente escola e amigos.

“Segundo Stoller (1993), o núcleo da identidade de gênero vai resultar de 5 fatores:

1) de uma força biológica, originada na vida fetal e comumente genética em sua origem, compreendendo os cromossomos masculinos (XY) e femininos (XX);

2) da designação do sexo do bebê, na hora do nascimento, da observação dos órgãos genitais externos (pênis ou vagina) pelo médico e pais, e do convencimento destes pais desta designação;

3) da influência incessante desta designação por parte dos pais, principalmente pela mãe, e a interpretação destas percepções pelo bebê, o que Silva (1999) adequou a chamar de socialização, na qual a criança passa a internalizar as regras culturais;

4) dos fenômenos bio-psíquicos, que são os efeitos pós-natais precoces causados por padrões habituais de manejo do bebê, ou seja, estão relacionados a aprendizagem e diretamente relacionado com o item 3;

5) e do desenvolvimento do ego corporal, resultante das qualidades e quantidades de sensações, principalmente nos genitais, que define o corpo e as dimensões psíquicas do sexo da pessoa.”

O mais importante é fazer com que a criança possa ter experiências, das mais diversas com a figura masculina ou feminina, do mesmo gênero, preferencialmente o pai ou a mãe.

O transtorno de identidade pode ser caracterizado quando aparece na infância, antes da puberdade e caracteriza-se por um intenso sofrimento em pertencer a um sexo junto com o desejo de pertencer ao outro. Por isso deve-se ser muito cuidadoso ao se fazer um diagnóstico.

É preciso uma observação constante, longa e notar se a criança realmente pode apontar para um transtorno ou se ela não tem os modelos necessários para desenvolver seu gênero de uma forma habitual.

5.2 - CRIANÇAS VÍTIMAS DE MAUS TRATOS

Os maus tratos com crianças ainda se constituem um grave problema em nossa sociedade. Inclui-se desde os maus tratos físicos e/ou emocionais (negligência), bem como abuso sexual.

A violência física pode ser identificada pela presença de marcas no corpo da criança: pequenas marcas redondas ou cicatrizes de queimaduras por cigarro; queimaduras nas nádegas ou planta dos pés; marcas de tapas; estrias e marcas de cintos, fivela, corrente ou cabide; assim como escoriações circulares ao redor dos punhos ou tornozelos; entre outros (WHALEY, WONG,1989).

A negligência é a forma menos evidente de violência doméstica: não proteger a criança e/ou não dispensar a atenção adequada às suas necessidades. Pode ser identificada por uma alimentação inadequada, descuidos em relação a higiene e vestimentas, falta de afeto e desinteresse pela criança enquanto indivíduo. Causa danos psicológicos ou se confunde com resultados de acidentes comuns (queimaduras, fraturas, lesões). Muitas vezes é confundida com falta de recursos financeiros, porém ela está presente em todas as camadas sociais (DAVOLI, OGIDO, 1992).

O abuso sexual precisa ser investigado: inspeção da criança procurando evidências de contato genital, sexo anal e/ou oral. Realização de exames laboratoriais para pesquisar presença de sêmen ou doenças sexualmente transmissíveis (DST). Com exceção de AIDS, sífilis congênita e conjutivite gonocócica em recém nascidos, outras DST devem ser consideradas indício de abuso sexual (WHALEY, WONG, 1989).

Os profissionais da área de saúde precisam estar atentos, detectando e fornecendo acompanhamento para esta família. Esteja em um Centro de Saúde, Pronto Socorro, Ambulatório ou alguma unidade de internação, avalie como a criança é cuidada, o relacionamento pais-filho (se há agressão verbal, desinteresse,...), o modo como a criança reage ao exame ou à presença de familiares.

DAVOLI & OGIDO (1992) citam alguns fatores que podem contribuir, para a identificação de possíveis casos de maus tratos:


  • história contada pelos pais não coincide com os achados clínicos;

  • pais revelam atitude de indiferença ou exageram a gravidade dos fenômenos, apresentando uma atitude conformista ou com remorso;

  • quando há relutância ao fornecimento dos dados sobre o ocorrido ou se oferecem dados contraditórios;

  • quando observa-se demora em procurar ajuda após o ocorrido;

  • recusa dos pais para realizar exames complementares ou concordar com tratamento necessário;

  • não comparecimento dos pais às entrevistas.

Quando é possível um maior contato com a família, pode-se perceber, segundo WHALEY & WONG (1989):

  • pais que tiveram uma criação violenta, e com isso acabaram desenvolvendo uma baixa auto-estima e precária auto-imagem, transferindo essas convicções aos filhos;

  • escasso conhecimento das realizações do desenvolvimento normal das crianças, cobrando atitudes que os filhos ainda não estejam aptos a desempenhar;

  • transferência de cuidados emocionais, alguns pais esperam que os filhos cuidem deles, dando carinho e atenção. Quando não são atendidos, descontam nas crianças suas ansiedades e frustrações;

  • fornecimento de responsabilidades de um adulto às crianças: pais que deixam filhos de meses com irmãos em idade pré-escolar;

  • descuidos com a segurança do ambiente doméstico, levando frequentemente a acidentes graves;

  • vivem em isolamento social, derivam de escasso prazer e satisfação dos relacionamentos interpessoais, por não terem desenvolvido confiança em sua infância. Em virtude dessas necessidades insatisfeitas procuram gratificação num parceiro, que pode ser o abusador ou quem os tolera, não interferindo.

"Os maus tratos são o resultado de uma alteração na função associadas ao papel de pais e portanto pode afetar qualquer um dos filhos" (WHALEY, WONG, 1989). Porém, observa-se uma maior incidência em filhos ilegítimos, não-desejados, portadores de lesão cerebral, hiperativos, deficientes físicos ou procedentes de lares desfeitos (WHALEY, WONG, 1989).

Dentre os fatores precipitantes de maus tratos podem ser citados: treinamento dos esfíncteres, desenvolvimento da fala e habilidades de auto-cuidado. Fatores advindos do ambiente também podem contribuir: estresse crônico, crises financeiras, emocionais, físicas e maritais.

Esses ambientes são carentes de um sistema de apoio adequado ao desenvolvimento das crianças. Porém estudos nos EUA revelaram que retirar essas crianças de seus lares naturais provocam mais danos ao seu já fragilizado sistema emocional (CHRISTENSEN et al, 1984).

Concordam em se tratar de uma questão polêmica e bastante complicada para os enfermeiros e outros profissionais que lidam com essas crianças e suas famílias. CHRISTENSEN et al (1984) trazem como solução o desenvolvimento de um serviço preventivo. Quando fossem detectados casos de maus tratos ou suspeita, encaminharia-se as famílias.

O projeto foi desenvolvido no Departamento de Ramsey County (St.Paul, Minnesota), e foi chamado de Projeto de Cuidado a Famílias Especiais. Tem como objetivos identificar famílias, prevenindo a ocorrência da violência, fornecendo acompanhamento, orientações e aconselhamentos, continuados por dois anos. Utilizam uma equipe multidisciplinar de enfermeiros e profissionais da saúde mental.

Pretende-se contribuir para uma estabilização dos relacionamentos interfamiliares, reduzindo o número de famílias que apresentem:



  • pais com atitude de afastamento com os filhos;

  • crianças morando em lares abrigados ou instituições;

  • crianças vítimas de abuso físico por outros ou pelos próprios pais;

  • crianças que abandonaram a escola;

  • crianças que abusam de drogas ou álcool, com tentativa de suicídio, hospitalizadas por problemas psiquiátricos ou envolvidas com a polícia.

Trata-se de um problema de saúde pública e precisa ser encarado de frente, os profissionais de saúde precisam estar atentos e não se omitirem, denunciando ao Centro de Referência e Atenção aos Maus Tratos na Infância (CRAMI - 019 - 251 1234) ou à própria polícia sempre que necessário.

5.2.1 -VIOLÊNCIA E MAUS TRATOS
As sociedades têm submetido crianças e adolescentes a inúmeros tipos de violência, sendo a de cunho doméstico uma das mais comuns. Trata-se de uma violência intra-classes sociais e que permeia todas as classes sociais, já sendo reconhecida como relevante problema de saúde pública.

As instituições do setor saúde estão entre aquelas mais intensamente requisitadas para atuarem frente à questão, e a interação com os diversos níveis do sistema de saúde é alvo indispensável, assim como a integração do setor saúde com os demais setores envolvidos na prevenção e na assistência à infância e adolescência.

No final da década de 80, verificou-se a importância da violência como tema prioritário a ser enfrentado pelo setor saúde, especialmente pelos serviços que lidam diretamente com crianças e adolescentes vítimas de violências. O trabalhador em saúde confronta-se, hoje, mais do que nunca, com a necessidade de prestar ajuda a jovens explorados e feridos no trabalho, sujeitos à prostituição, expostos a abusos sexuais, físicos e psicológicos, vítimas de seqüestros e roubos, tentativas de homicídios. Os dados de estudos sobre o tema revelam que são crescentes os eventos violentos ocorridos no ambiente familiar, comunitário ou institucional contra crianças e adolescentes. Devido à sua magnitude e relevância, damos aqui enfoque privilegiado à violência intra-familiar (doméstica), que para fins didáticos pode ser configurada como:
a) Violência física – corresponde ao uso de força física no relacionamento com a criança ou o adolescente por parte de seus pais ou por quem de fato exerce a autoridade no âmbito familiar.

Baseia-se no poder disciplinador do adulto e na desigualdade adulto-criança/adolescente;


b) Violência sexual – “todo ato ou jogo sexual, relação homo ou heterossexual entre um ou mais adultos e uma criança ou adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente essa criança ou adolescente ou utilizá-los para obter uma estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa” (Azevedo e Guerra, 1988). Nessas ocorrências – em que há sempre o prazer direto ou indireto do adulto, conseguido pela coerção ou sedução – A CRIANÇA OU ADOLESCENTE É SEMPRE VÍTIMA, e não poderá transformar-se em RÉ.

Esses procedimentos devem ser utilizados respeitando-se as diferentes realidades locais.



5.3 – DESCRIMINAÇÃO INFANTIL (BULLYING)
Bullying é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully,tiranete ou valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.

Em 20% dos casos as pessoas são simultaneamente vítimas e agressoras de bullying, ou seja, em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de assédio escolar pela turma. Nas escolas, a maioria dos atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos e grande parte das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida.



Acossamento, ou "intimidação" ou entre falantes de língua inglesa bullying é um termo frequentemente usado para descrever uma forma de assédiointerpretado por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre alguém ou sobre um grupo mais fraco.

O cientista sueco - que trabalhou por muito tempo em Bergen (Noruega) - Dan Olweus define assédio escolar em três termos essenciais:




  1. O comportamento é agressivo e negativo;

  2. O comportamento é executado repetidamente;

  3. O comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

O assédio escolar divide-se em duas categorias:



  1. Assédio escolar direto;

  2. Assédio escolar indireto, também conhecido como agressão social

bullying direto é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. A agressão social ou bullying indireto é a forma mais comum em bulliesdo sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social. Este isolamento é obtido por meio de uma vasta variedade de técnicas, que incluem:



  • Espalhar comentários;

  • Recusa em se socializar com a vítima;

  • Intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima;

  • Ridicularizar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades etc).

O assédio escolar pode ocorrer em situações envolvendo a escola ou faculdade/universidade, o local de trabalho, os vizinhos e até mesmo países. Qualquer que seja a situação, a estrutura de poder é tipicamente evidente entre o agressor (bully) e a vítima. Para aqueles fora do relacionamento, parece que o poder do agressor depende somente da percepção da vítima, que parece estar a maisintimidada para oferecer alguma resistência. Todavia, a vítima geralmente tem motivos para temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de violência física/sexual, ou perda dos meios de subsistência.

Deve-se encorajar os alunos a participarem ativamente da supervisão e intervenção dos atos de bullying, pois o enfrentamento da situação pelas testemunhas demonstra aos autores do bullying que eles não terão o apoio do grupo. Uma outra estratégia é a formação de grupos de apoio, que protegem os alvos e auxiliam na solução das situações de bullying. Alunos que buscam ajuda tem 75,9% de reduzirem ou cessarem um caso de bullying.[2]

Os professores devem lidar e resolver efetivamente os casos de bullying, enquanto as escolas devem aperfeiçoar suas técnicas de intervenção e buscar a cooperação de outras instituições, como os centros de saúde, conselhos tutelares e redes de apoio social.[2]
5.3.1- características do BULLIES
Pesquisas indicam que adolescentes agressores têm personalidades autoritárias, combinadas com uma forte necessidade de controlar ou dominar. Também tem sido sugerido[10] que uma deficiência em habilidades sociais e um ponto de vista preconceituoso sobre subordinados podem ser particulares fatores de risco. Estudos adicionais têm mostrado que enquanto inveja e ressentimento podem ser motivos para a prática do assédio escolar, ao contrário da crença popular, há pouca evidência que sugira que os bullies (ou bulidores) sofram de qualquer déficit de autoestima. Outros pesquisadores também identificaram a rapidez em se enraivecer e usar a força, em acréscimo a comportamentos agressivos, o ato de encarar as ações de outros como hostis, a preocupação com a autoimagem e o empenho em ações obsessivas ou rígidas.

É freqüentemente sugerido que os comportamentos agressivos têm sua origem na infância:

"Se o comportamento agressivo não é desafiado na infância, há o risco de que ele se torne habitual. Realmente, há evidência documental que indica que a prática do assédio escolar durante a infância põe a criança em risco de comportamento criminoso e violência doméstica na idade adulta".

O assédio escolar não envolve necessariamente criminalidade ou violência. Por exemplo, o assédio escolar frequentemente funciona por meio de abuso psicológico ou verbal.

Os bullies sempre existiram mas eram (e ainda são) chamados em português de rufias, esfola-caras, brigões, acossadores, cabriões, avassaladores, valentões e verdugos.

Os valentões costumam ser hostis, intolerantes e usar a força para resolver seus problemas. Porém, eles também frequentemente foram vítimas de violência, maus-tratos, vulnerabilidade genética, falência escolar e experiências traumáticas. Comportamentos auto-destrutivos como consumo de álcool e drogas e correr riscos desnecessários são vistos com mais frequência entre os autores de bullying.

Quanto mais sofrem com violência e abusos, mais provável é deles repetirem esses comportamentos em sua vida diária e negligenciarem seu próprio bem estar.

5.3.2- Tipos de assédio escolar
Os bullies usam principalmente uma combinação de intimidação e humilhação para atormentar os outros. Alguns exemplos das técnicas de assédio escolar:


  • Insultar a vítima;

  • Acusar sistematicamente a vítima de não servir para nada;

  • Ataques físicos repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou propriedade.

  • Interferir com a propriedade pessoal de uma pessoa, livros ou material escolar, roupas, etc, danificando-os.

  • Espalhar rumores negativos sobre a vítima;

  • Depreciar a vítima sem qualquer motivo;

  • Fazer com que a vítima faça o que ela não quer, ameaçando-a para seguir as ordens;

  • Colocar a vítima em situação problemática com alguém (geralmente, uma autoridade), ou conseguir uma ação disciplinar contra a vítima, por algo que ela não cometeu ou que foi exagerado pelo bully;

  • Fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa (particularmente a mãe), sobre o local de moradia de alguém, aparência pessoal,orientação sexualreligiãoetnia, nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bully tenha tomado ciência;

  • Isolamento social da vítima;

  • Usar as tecnologias de informação para praticar o cyberbullying (criar páginas falsas, comunidades ou perfis sobre a vítima em sites de relacionamento com publicação de fotos etc);

  • Chantagem.

  • Expressões ameaçadoras;

  • Grafitagem depreciativa;

  • Usar de sarcasmo evidente para se passar por amigo (para alguém de fora) enquanto assegura o controle e a posição em relação à vítima (isto ocorre com frequência logo após o bully avaliar que a pessoa é uma "vítima perfeita").

  • Fazer que a vítima passe vergonha na frente de várias pessoas.




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