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APOSTILA DE SAÚDE DA CRIANÇA




PROF: MARLON A SANTOS


SUMÁRIO


CAPITULO I




  1. O PAPEL DO TÉCNICO EM ENFERMAGEM NA SAÚDE DA CRIANÇA E ADOLESCENTE.




    1. OS EIXOS DE ATENÇÃO




1.2- NASCIMENTO SAUDÁVEL




    1. PRIMEIRA SEMANA SAÚDE INTEGRAL




1.4 - A CRIANÇA HOSPITALIZADA










CAPITULO II




2- CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO




2.1 – CRESCIMENTO




2.1.1 – Fatores que influenciam o crescimento




2.1.2 – A herança genética




2.1.3 – Influência do fator genético no crescimento




2.1.4 – A influência do meio ambiente




2.1.5 – O crescimento intra-uterino




2.1.6 – A desaceleração do crescimento intra-uterino




2.1.7 – O peso ao nascer




2.1.8 – Fatores extrínsecos que influenciam o crescimento




2.2 – INTERPRETAÇÃO DA CURVA DE CRESCIMENTO




2.2.1 – Indicadores antropométricos complementares




2.2.2 – Desenvolvimento Humano: fundamentos e princípios para a prática clínica




2.2.3 – Roteiro para o acompanhamento do desenvolvimento: Uso de ficha de acompanhamento do desenvolvimento




2.2.4 – Procedimentos para o desenvolvimento










CAPITULO III




3 – O PROGRAMA DE SAÚDE NA ESCOLA (PSE)




3.1 – CONHECENDO O PROSAD




3.1.1 – População alvo




3.1.2 – Características do Programa




3.1.3 – Objetivos do PROSAD




3.1.4 – Áreas prioritárias de ação




3.1.5 – Competências do nível Federal




3.1.6 – Situação atual do PROSAD




3.2 – DOENÇAS MAIS COMUNS NO AMBIENTE ESCOLAR




3.3 - Introdução à estratégia AIDPI




3.3.1 - Objetivos de aprendizagem




3.3.2 - Componentes da estratégia AIDPI




3.3.3 - Metodologia de atendimento




3.3.4 - Seleção dos quadros de condutas apropriados




3.3.4.1 - Determine em que grupo de idade a criança se encontra










CAPITULO IV




4 – A IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO INFANTIL




4.1 – O cartão de vacinas










CAPITULO V




5 – SEXUALIDADE, MAUS TRATOS E DESCRIMINAÇÃO INFALTIL E ADOLESCENTE




5.1 – A DESCOBERTA DA SEXUALIDADE




5.1.1 – Troca de papéis




5.2 – CRIANÇAS VÍTIMAS DE MAUS TRATOS




5.2.1 – Violência e maus tratos






5.3 – DESCRIMINAÇÃO INFANTIL (BULLYNG)




5.3.1 Características do BULLIES




5.3.2 – Tipos de assédio escolar




5.3.3 – Bullyng professor-aluno




5.3.4 – Legislação




5.3.5 – Condenações legais




5.3.6 – No Brasil










CAPITULO VI




6- A PRESERVAÇÃO DA SAÚDE DA CRIANÇA E ADOLESCENTE




6.1 – SAÚDE BOCAL




6.2 – SAÚDE MENTAL




6.3 – SAÚDE REPRODUTIVA




6.4 – DOENÇAS SEXUALMENTE TRASMISSÍVEIS (DST) E AIDS




6.5 – SAÚDE DO ESCOLAR ADOLESCENTE




6.6 – PREVENÇÃO DE ACIDENTES




6.7 – FAMÍLIA










CAPITULO VII




7 – EXAME FÍSICO NA CRIANÇA E NO ADOLESCENTE




7.1 – ATENÇÃO A CRIANÇA SADIA




7.1.1 – Orientações




7.1.2 – Pontos que devem ser abordados na consulta




7.2 – ATENÇÃO AO ADULTO




7.3 – ATENÇÃO AO ADULTO HOSPITALIZADO










ANEXOS




CAPITULO I


  1. - O PAPEL DO TÉCNICO EM ENFERMAGEM NA SAÚDE DA CRIANÇA E ADOLESCENTE.

Esta apostila de saúde foi idealizada com o propósito de estabelecer as diretrizes que nortearão as ações de saúde para a criança em nossa rede de atenção básica. Ela tem como base a “Agenda de Compromissos para a Saúde Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil1”, do Ministério da Saúde.

O objetivo desta apostila temático é definir ações que garantam o atendimento da criança, visando principalmente:


  • Diminuição do Índice de Mortalidade Infantil;

  • Incentivo ao Aleitamento Materno;

  • Acompanhamento adequado do crescimento e desenvolvimento;

  • Imunização adequada;

  • Acompanhamento adequado para as crianças com patologias de risco como: recém-nascido (RN) em situação de risco (vide página 08), portadores de patologias respiratórias, desnutrição, sobrepeso, obesidade e anemia.




    1. Os eixos de atenção são:

1. Nascimento saudável

2. Atenção ao menor de 1 ano

3. Atenção às crianças acima de 1 ano


É compromisso da Unidade de Saúde, ofertar ações nas linhas de cuidado:

  • Ações da Saúde da Mulher: atenção humanizada e qualificada

  • Atenção humanizada e qualificada à gestante e ao recém-nascido

  • Triagem Neonatal

  • Incentivo ao Aleitamento Materno

  • Incentivo e qualificação do acompanhamento, crescimento e desenvolvimento

  • Alimentação saudável e prevenção do sobrepeso e obesidade infantil

  • Combate à desnutrição e anemias carências

  • Imunização

  • Atenção a doenças prevalentes

  • Atenção a Saúde Bucal

  • Atenção a Saúde Mental

  • Prevenção de acidentes, maus-tratos, violência e trabalho infantil

Nos Anexos desta Diretriz estão textos técnicos que orientarão as ações das linhas de cuidado.



1.2- Nascimento Saudável
Nascimento Saudável: atenção à mulher que deseja engravidar, cuidado pré-natal, cuidado ao nascimento, cuidado após o parto, cuidado ao RN, cuidado com a criança;

A atenção à mulher está contemplada no Caderno de Saúde da Mulher e o atendimento ao parto é orientado através dos convênios da Secretaria Municipal de Saúde com as maternidades de nossa cidade. Destacamos os itens de competência das Unidades Básica de Saúde (UBS):



  • Qualificar e humanizar a assistência.

  • A Equipe de Saúde da Família deve conhecer o número de gestantes da área de abrangência; programar e avaliar as ações de saúde para a mulher (prénatal, exames complementares, pré-natal de alto risco, assistência ao parto); conhecer o número de puérperas e recém-nascidos da área de abrangência para programar as ações de saúde e realizar visita domiciliar na primeira semana após o parto.

  • Para a gestante: manter continuidade do cuidado até o parto (também para a gestante de alto risco acompanhada em outra unidade), com consultas mais freqüentes no último mês e busca ativa das gestantes faltosas.

  • Seguir protocolo do Ministério da Saúde: mínimo de 6 consultas (preferencialmente uma no primeiro trimestre, duas no segundo trimestre e três no terceiro trimestre da gestação); realizar os exames conforme protocolo de atendimento pré-natal; realizar consulta de Puerpério.

  • Garantir a vinculação com a maternidade para o parto e intercorrências.

  • Identificar a gestante em situação de risco para amamentação e encaminhá-la para grupos de apoio ao aleitamento materno.

  • Realizar busca ativa da gestante faltosa ao pré-natal.

  • Realizar visita domiciliar no último mês de gestação.

  • Avaliação da saúde da mãe/puérpera; checar relatório de alta/cartão de prénatal.

  • Orientar sobre a importância da “Primeira Semana Saúde Integral”.

  • Verificar cartão da criança e relatório da alta da maternidade/unidade de assistência ao recém-nascido.

  • Identificação do recém-nascido de risco, ao nascimento.

  • Avaliar a saúde do recém-nascido.

  • Avaliação e identificação da alimentação; avaliação e orientação para o aleitamento materno.

  • Checar e orientar sobre o registro de nascimento.

  • Verificar a realização do Exame de Triagem Neonatal - teste do pezinho (Programa de Triagem Neonatal).

  • Aplicação das vacinas BCG e contra hepatite no recém-nascido (se esta não foi realizada na maternidade) e aplicação das vacinas dupla tipo adulto e tríplice viral na mãe, se necessário (Imunização).

  • Prioridade de agendamento de consulta: para o recém-nascido, para a puérpera (30 dias após o parto) e para crianças que não compareceram à Unidade de Saúde na primeira semana de vida.

  • Na primeira consulta do RN deve-se identificar a forma como a mãe planeja alimentar o filho até os 2 anos de idade ou mais. Observar a formação do vínculo afetivo (O bebê e suas relações afetivas), a posição da mãe durante a amamentação, a posição da criança, a pega da aréola, o uso de artefatos que podem prejudicar o aleitamento materno, como mamadeiras, chucas e chupetas; verificar o aspecto das mamas, presença de ingurgitamento, sinais inflamatórios ou infecciosos, existência de cicatrizes ou traumas e se existem dificuldades. Se a mãe apresenta ingurgitamento mamário, mais comum do 3º ao 5º dia após o parto, ensinar a auto ordenha manual e orientar a adequada extração do leite do peito para doação a um Banco de Leite Humano. Se detectadas alterações/dificuldades, encaminhar para avaliação pelo médico ou banco de leite, assim como para grupos de apoio à amamentação. Se a mãe apresenta sinais de infecção no peito (mastite), mais comum a partir do 14º dia após o parto, encaminhar imediatamente para atendimento. (Protocolo de Aleitamento Materno).




    1. - Primeira Semana; Saúde Integral

A “Primeira Semana; Saúde Integral” é uma estratégia de atenção a mãe e ao recém-nascido fundamental para a diminuição da morbidade e mortalidade maternoinfantil.

É um momento especial e de maior vulnerabilidade na vida da mulher e da criança. O pós-parto é um momento de cuidado especial e os serviços de saúde devem organizar-se para garantir esta atenção.

Esta estratégia consiste em uma visita do Agente Comunitário de Saúde (ACS) e um profissional da equipe de enfermagem, em conjunto, até o domicílio da puérpera, na primeira semana pós-parto, para avaliação das condições de saúde da mãe e do recém nascido.

A visita será orientada através do de um questionário específico cujas respostas serão analisadas pela equipe do Programa de Saúde da Família (PSF) ou representante específico dentro da UBS. (Primeira Semana Saúde Integral)

Além da visita à residência da família, faz parte da primeira semana de atenção integral, o bebê ser consultado pelo pediatra ou generalista da equipe de PSF no máximo até o décimo dia de vida.

Durante a visita domiciliar deverá ser avaliado na criança: estado geral, se está ativa, corada, se tem icterícia (pele e mucosas amareladas), cianose (extremidades arroxeadas), febre ou hipotermia, ou outro sinal de anormalidade; verificar aspecto do umbigo; checar com a mãe/responsável se existem queixas e se as eliminações (fezes e urina) estão normais (as fezes nos primeiros dias são de cor verde-escuras e depois clareiam, ficando amareladas). Se observada alguma alteração, solicitar avaliação pelo enfermeiro ou médico da Unidade imediatamente.

Durante a primeira visita do RN à Unidade, ele será avaliado pelo médico, e se necessário em conjunto com o enfermeiro. Na impossibilidade do médico fazer o atendimento, esta consulta será de responsabilidade do enfermeiro.

Se a criança está em bom estado geral, em aleitamento materno e sem queixas, orientar sobre os cuidados com o recém-nascido e aleitamento e agendar consulta de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento com 30 dias (puericultura); se há alguma alteração, reavaliar conforme a gravidade da patologia, e agendar consulta com Enfermeiro; se recém-nascido de alto risco (prematuro extremo e/ou com patologias graves) providenciar a referência para o ambulatório de recém-nascido de alto risco (Ambulatório Fênix - Hospital Municipal Mário Gatti). Neste caso é importante que a Unidade de Saúde continue o acompanhamento da criança além do encaminhamento ao ambulatório.

Faz parte deste primeiro atendimento checar a carteira de vacinação (ver se foi feita a primeira dose da vacina anti-hepatite B) e a aplicação da vacina BCG. Se a criança não recebeu a vacina anti-hepatite B ela deve ser aplicada neste momento. Deve-se checar se o teste do pezinho foi realizado. Se o exame não foi colhido na maternidade, este é o momento para a coleta. Deve-se observar se os testes de emissões otoacústicas (teste da orelhinha) e do reflexo do olho vermelho foram realizados. Se não houver anotação sobre estes exames, realizar o exame do reflexo do olho vermelho neste momento e agendar o teste de emissões otoacústicas pelo sistema on-line (SOL).

Deve-se avaliar se a criança é de risco ao nascer através das seguintes informações:


  • Residente em área de risco;

  • Peso ao nascer < 2500g;

  • Prematuro (< 37 semanas de gestação);

  • Asfixia grave (Apgar < 7 no quinto minuto de vida);

  • Mãe adolescente (< 18 anos);

  • Mãe com baixa instrução (< 8 anos de estudos);

  • Criança internada ou com intercorrências na maternidade/unidade de assistência ao recém-nascido;

  • Criança com orientações especiais à alta da maternidade (prescrição de antibióticos, observação de icterícia, dentre outros);

  • História de morte de crianças menores de 5 anos na família;

  • Mãe HIV+ (ver Anexo nº 08 - Crianças expostas ao HIV Materno).

As crianças de risco deverão ter prioridade de atendimento e de vigilância. Deverão ser incluídas em protocolos específicos de atendimento.
1.4 - A criança hospitalizada
A criança e o adolescente se constituem de um grupo vulnerável a doença e a hospitalização, pois elas afastam a criança de sua vida cotidiana, do ambiente familiar e promove um confronto com a dor, a limitação física e a passividade, aflorando sentimentos de culpa, punição e medo da morte. A doença e a hospitalização são as primeiras crises que a criança e o adolescente têm de enfrentar durante a vida.

Muitas vezes, as reações da criança são influenciadas pelo seu estágio de desenvolvimento, por suas experiências anteriores com doenças ou hospitalização ou pela gravidade de diagnóstico.

A hospitalização para a criança e o adolescente traz um sentimento de ameaça, agressão, medo do desconhecido, pois é nesse momento que ocorre a separação de todos os objetos significativos de sua segurança, por outro lado à família retorna para casa cheia de angústia, ansiedade e sentimento de culpa.

A criança não pode ser compreendia de forma isolada, desconsiderando o todo como ser humano e o seu contexto histórico, na qual está inserida, além também, das necessidades de cuidados para o corpo, com alimentação e aprendizado. A ligação afetiva entre a criança e a família, e mais objetivamente com a mãe é imprescindível para assegurar que as bases de formação psicológica do futuro adulto sejam mantidas intactas.

Informar a criança/adolescente e pais sobre os seus direitos durante a hospitalização garante uma maior compreensão da situação e pode aliviar parte dos sentimentos como medo e ansiedade que eles tipicamente sentem.

Um dos maiores marcos na atenção integral a infância é a aprovação da Lei nº 8069, Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, que trata dos princípios da proteção social e da criança como sujeito de direitos. Em seu Livro I, Parte Geral, Título I: “das Disposições Preliminares trata dos Direitos fundamentais: vida, saúde, alimentação, educação, esporte lazer, cultura, dignidade, respeito, liberdade, convivência familiar e comunitária”. O ECA define criança como a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescentes aqueles entre doze e dezoito anos. Assegura a efetivação dos direitos, levando em conta a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.

O Título II dos Direitos Fundamentais, Capítulo I - Vida e Saúde referem a permanência dos pais ou responsáveis em tempo integral nos casos de internação da criança e do adolescente. A família, comunidade, sociedade em geral e o poder público são obrigados a assegurar estes direitos.

Durante o processo de hospitalização da criança e do adolescente, a presença dos pais, além de ser uma necessidade para minimizar os efeitos da separação, atualmente, é legislada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, no Capítulo I, Art. 12º. que garante a "...permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente".

Os hospitais que prestam serviço a crianças e adolescentes devem ter uma ampla política de direitos e responsabilidades desses pacientes e /ou responsáveis. Um número cada vez maior de hospitais e organizações desenvolveu a Declaração de Direitos do paciente que é exposto por todo o hospital ou é apresentado ás crianças e às suas famílias no momento da admissão.

No Brasil, a Resolução nº 41 de 1995 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e dos Adolescentes\CONANDA, trata dos Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados. Nesse documento estão descritos vinte itens, dentre eles: “o direito a ser hospitalizado quando for necessário ao seu tratamento, sem que haja distinção de classe social, condição econômica, raça ou crença religiosa; o direito de ter conhecimento adequado de sua enfermidade, dos cuidados terapêuticos e diagnósticos, respeitando sua fase cognitiva, além de receber amparo psicológico quando se fizer necessário; o direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde e acompanhamento do currículo escolar, direito a que seus pais ou responsáveis participem ativamente do diagnóstico, tratamento e prognóstico, recebendo informações sobre os procedimentos a que será submetida”. 

Nos países da Europa, A Carta da Criança Hospitalizada foi encaminhada ao Parlamento de Estrasburgo, Conselho da Europa e Organização de Saúde, em 1988(9). Estes documentos resumem e afirmam os direitos das crianças e adolescentes hospitalizados e até hoje tem sua importância.

O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, em seu Art. 1º, “confirma o compromisso da enfermagem com o ser humano e a coletividade nos diferentes níveis de promoção, prevenção e recuperação”. Logo, o enfermeiro e o técnico de enfermagem atua durante a hospitalização das crianças e adolescentes, visando não só o cuidado com o seu problema de saúde atual, como também o seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, o que está garantido no Art. 3º do ECA.

Portanto o cuidado de enfermagem não deve ser desvinculado da família e de suas necessidades, o que implica no domínio de informações teóricas específicas e ao desenvolvimento de uma sensibilidade especial para lidar com esta clientela.

Desta forma, os objetivos deste estudo são: identificar a produção científica nacional sobre os direitos da criança e do adolescente hospitalizados; e analisar sobre o papel da equipe de enfermagem, enquanto profissional de saúde, na perspectiva desses direitos.

O desenvolvimento desse estudo pressupõe que a Resolução nº 41/95 do CONANDA é pouco conhecida pelos profissionais de saúde, principalmente pela enfermagem pediátrica, pais e familiares.

Esperamos contribuir para a assistência visando à melhoria da atenção fornecida a criança e ao adolescente e seus familiares durante a hospitalização. Para o ensino, esperamos contribuir como fonte de consulta e ampliação de conhecimentos dos profissionais de saúde e de enfermagem na perspectiva da garantia dos direitos das crianças e adolescentes. Na pesquisa, como base científica a ser consultada além de fomentar outros estudos.




CAPITULO II
2- CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO

Nesta apostila para o Acompanhamento do Crescimento e Desenvolvimento foi dividido em duas partes: a parte 1 aborda o crescimento e, a parte 2, o desenvolvimento. Embora o crescimento e o desenvolvimento configurem um processo global, dinâmico e contínuo, do ponto de vista didático, a avaliação do crescimento da avaliação do desenvolvimento deve-se ao fato de sua abordagem apresentar sistemáticas e metodologias diferenciadas e específicas.



Na parte 1 – Crescimento procedeu-se à atualização do conteúdo, abordando-se alguns aspectos fundamentais do processo biológico do crescimento de interesse para a prática clínica, assim como os principais fatores que interferem neste processo. Foram introduzidos, também, outros índices antropométricos como mais uma ferramenta para avaliar o crescimento e que poderão ser usados, em caráter complementar ao índice peso/idade, nos serviços de maior complexidade que tenham condições de utilizá-los.

Na parte 2 – Desenvolvimento, a avaliação foi modificada em relação às edições dos manuais anteriores de normas técnicas. O enfoque psicométrico foi acrescido de uma abordagem mais psíquica, valorizando o vínculo mãe/filho e criança/família como medida de promoção da saúde mental e prevenção precoce de distúrbios psíquico/afetivos.

2.1 - CRESCIMENTO:
O processo biológico do crescimento: fundamentos de importância para a prática clínica
De um modo geral, considera-se o crescimento como aumento do tamanho corporal e, portanto, ele cessa com o término do aumento em altura (crescimento linear). De um modo mais amplo, pode-se dizer que o crescimento do ser humano é um processo dinâmico e contínuo que ocorre desde a concepção até o final da vida, considerando-se os fenômenos de substituição e regeneração de tecidos e órgãos. É considerado como um dos melhores indicadores de saúde da criança, em razão de sua estreita dependência de fatores ambientais, tais como alimentação, ocorrência de doenças, cuidados gerais e de higiene, condições de habitação e saneamento básico, acesso aos serviços de saúde, refletindo assim, as condições de vida da criança, no passado e no presente.
O planejamento familiar, a realização de uma adequada assistência pré-natal, ao parto e ao puerpério, as medidas de promoção, proteção e recuperação da saúde nos primeiros anos de vida são condições cruciais para que o crescimento infantil se processe de forma adequada.


2.1.1 -Fatores que influenciam o crescimento
O crescimento é um processo biológico, de multiplicação e aumento do tamanho celular, expresso pelo aumento do tamanho corporal.

Todo indivíduo nasce com um potencial genético de crescimento, que poderá ou não ser atingido, dependendo das condições de vida a que esteja submetido desde a concepção até a idade adulta. Portanto, pudesse dizer que o crescimento sofre influências de fatores intrínsecos (genéticos, metabólicos e malformações, muitas vezes correlacionados, ou seja, podem ser geneticamente determinadas) e de fatores extrínsecos, dentre os quais se destacam a alimentação, a saúde, a higiene, a habitação e os cuidados gerais com a criança.

Como conseqüência, as condições em que ocorre o crescimento, em cada momento da vida da criança, incluindo o período intra-uterino, determina as suas possibilidades de atingir ou não seu potencial máximo de crescimento, dotado por sua carga genética.

Com relação ao crescimento linear (estatura), pode-se dizer que a altura final do indivíduo é o resultado da interação entre sua carga genética e os fatores do meio ambiente que permitirão a maior ou menor expressão do seu potencial genético.

Nas crianças menores de cinco anos, a influência dos fatores ambientais é muito mais importante do que a dos fatores genéticos para expressão de seu potencial de crescimento. Os fatores genéticos apresentam a sua influência marcada na criança maior, no adolescente e no jovem.
2.1.2 - A herança genética
A herança genética é a propriedade dos seres vivos de transmitirem suas características aos descendentes.

Do ponto de vista do crescimento, a herança genética recebida do pai e da mãe estabelece um potencial ou alvo que pode ser atingido.

Poucas funções biológicas dependem tanto do potencial genético como o crescimento. No entanto, a qualquer momento, desde a concepção e especialmente nas crianças pequenas, fatores ambientais podem perturbar o ritmo e a qualidade deste processo. O alcance dessa meta biológica depende, na verdade, das condições do ambiente onde se dá o crescimento da criança sendo sua influência marcante.

Existem grandes variações individuais no potencial de crescimento dado pela herança genética. Observa-se, por exemplo, que a variação de altura da população adulta, saudável, do sexo masculino é cerca de 20 cm, enquanto que esta mesma variação entre irmãos é de 16 cm e entre gêmeos homozigóticos é de 1,6 cm.

A análise do banco de dados da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN, 1989), referente à uma amostra de jovens de 20 anos, saudáveis e de classe média alta, todos com uma grande probabilidade de terem atingido seu alvo genético de crescimento, mostra uma taxa de variação nas suas alturas, com os mais baixinhos, podendo apresentar médias em torno de 1,64 cm, enquanto os mais altos poderão ter 1,90 cm ou mais.

2.1.3 -Influência do fator genético no crescimento
A variabilidade genética normal é sempre levada em consideração, quando se realizam diagnósticos de déficit” de crescimento. A influência do fator genético no crescimento pode ser demonstrada através de vários exemplos:
• No crescimento linear
O coeficiente de correlação entre as medidas de altura dos pais e a altura/comprimento dos filhos em diferentes idades: ao nascer esse coeficiente é de 0,2, porque o crescimento do recém-nascido reflete mais as condições intra-uterinas do que o genótipo fetal. Esse coeficiente se eleva rapidamente, de modo que aos 18 meses chega a 0,5, que é aproximadamente o valor que terá na idade adulta. Dos 2 aos 3 anos até a adolescência a correlação da altura pais/criança pode ser usada para predizer padrões para a altura de crianças, em relação a altura de seus pais 1.

Os coeficientes de correlação entre as medidas de estatura de uma criança em sucessivas idades e sua própria altura na idade adulta: essa correlação do comprimento ao nascer com a altura na idade adulta é de 0,3, elevando-se rapidamente de modo que dos 2 aos 3 anos seu valor é de 0,8. A implicação prática dessa relação é que a altura na idade adulta pode ser estimada preditivamente a partir da altura dos 2 aos 3 anos com um erro aproximado de até 8 cm. Na puberdade, essa correlação diminui porque algumas crianças maturam mais cedo e outras mais tarde, mas se a idade óssea for tomada em consideração é possível fazer a predicção.

O baixo coeficiente de correlação observado nos primeiros anos de vida reflete, possivelmente, a grande influência que o ambiente exerce nessa fase do crescimento, minimizando a correlação com o potencial genético. À medida que a criança fica mais velha, atenua-se a influência do ambiente, ganhando importância os fatores genéticos.


  • Na velocidade do crescimento das diferentes partes do corpo

As diversas partes do corpo apresentam diferentes ritmos de crescimento. Assim, é que a cabeça no feto aos 2 meses de vida intra-uterina representa, proporcionalmente, 50% do corpo; no recém-nascido representa 25% e na idade adulta 10%.





A menarca, que expressa o crescimento do tipo reprodutivo, surge na fase de declínio do pico de crescimento da puberdade. A influência do fator genético na idade da menarca pode ser exemplificada na observação de que, no oeste europeu, irmãs gêmeas homozigóticas atingem a menarca em média com dois meses de diferença, enquanto gêmeas heterozigóticas apresentam uma diferença média de 12 meses no aparecimento do primeiro ciclo menstrual.

Existem também diferenças de crescimento de outros tecidos e partes do corpo, como, por exemplo, o sistema linfóide (timo, nódulos linfáticos e massa linfática intestinal) e o crescimento do tecido ósseo (crescimento linear) (Ref. 29). Isso é muito importante porque é no período de maior velocidade de crescimento, quando os órgãos e tecidos estão se formando, que o organismo está mais exposto ás agressões externo, onde as lesões são mais extensas e mais graves. Exemplo típico são as lesões do tubo neural que ocorrem nas quatro primeiras semanas de vida e que dão origem às malformações do sistema nervoso, das quais a mais grave é a chamada espinha bífida.





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