ProduçÃo de um pôster exploratório do tecido epitelial glandular colaborando para o processo ensino-aprendizagem



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PRODUÇÃO DE UM PÔSTER EXPLORATÓRIO DO TECIDO EPITELIAL GLANDULAR COLABORANDO PARA O PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM

Victor Egypto Pereira (Bolsista)

Daniel Uchôa Araújo (Bolsista)

Gilmar Mamede de Carvalho (Bolsista)

Ana Maria Barros Chaves (Professor Orientador)

Andressa Feitosa Bezerra de Oliveira (Professor Colaborador)


INTRODUÇÃO

A Histologia é a disciplina que se dedica ao estudo morfofuncional dos tecidos do corpo humano ao nível da microscópica óptica. O estudo histológico é fundamental para entender a lógica do funcionamento dos órgãos e sistemas. (GARTNER; HIATT, 1999; ROSS; PAWLINA, 2008). Dentre os vários tecidos do corpo humano, destaca-se o tecido epitelial, que reveste as superfícies corporais e constitui as glândulas. Estas, por sua vez, “se originam das células epiteliais que abandonam a superfície, de onde se desenvolvem e penetram no tecido conjuntivo subjacente, formando uma lâmina basal em torno de si mesmas”. (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2008). Entretanto, dentro da Histologia, é o estudo do epitélio glandular o ponto de maior dificuldade encontrado pela maior parte dos estudantes da área de saúde que passam por essa ciência, devido aos complexos critérios de classificação e sua correspondente visualização na lâmina histológica.

Em um curso de Histologia, o método tradicional para aprender a reconhecer as estruturas microscópicas consiste em fornecer ao aluno microscópios com lâminas histológicas, porém tal aprendizado encontra um empecilho capaz de comprometê-lo: a visualização de imagens bidimensionais. E, com o Tecido Glandular, esse entrave torna-se ainda mais considerável, uma vez que tal tecido pode ser classificado: quanto a conexão com a superfície do epitélio (exócrino ou endócrino), tipo de ducto excretor (simples ou composto), a ramificação da porção secretora (ramificada ou não ramificada), o formato da porção secretora (alveolar, acinar ou tubular), critérios esses praticamente impossíveis de entender sem a imaginação de uma imagem tridimensional.

Dessa forma, a utilização de um roteiro que auxilie na capacidade do aluno de abstrair, de pensar e, também, interpretar as imagens histológicas proporciona que, dentro de um intervalo de tempo, ele possa raciocinar, fazendo uma relação entre o que é estudado na literatura indicada e sua observação no microscópio óptico. (OLIVEIRA; GOMES; BAMPI, 2011).



OBJETIVO

O presente trabalho teve como objetivo desenvolver um material didático-pedagógico ilustrado, no qual constariam esquemas e fotografias de lâminas do Tecido Epitelial Glandular, seguidas de legendas descritivas e explicativas, na forma de um pôster, para servir de ferramenta auxiliar para a compreensão do objeto de estudo da histologia, incluindo a sua linguagem. Vale ressaltar que esse instrumento não tem o propósito de substituir o trabalho realizado na aula prática, ou mesmo descartar a leitura complementar de livros textos.



METODOLOGIA

Para a elaboração desse painel, foi realizada uma revisão crítica da literatura em relação aos critérios utilizados para a classificação do Tecido Epitelial Glandular através da utilização de livros didáticos disponíveis e utilizados nos cursos de graduação, na área de saúde, da UFPB.

Inicialmente, realizou-se microfotografias de lâminas histológicas referentes ao Tecido Epitelial Glandular, oriundas do Departamento de Morfologia da Universidade Federal da Paraíba. Para isso, utilizou-se um fotomicroscópio óptico de luz transmitida Leica DM 750 acoplada a uma microcâmera ICC50 da Leica, sendo, em seguida, analisadas com o auxílio do Software Módulo Leica LAS Interactive Measurement. As imagens foram capturadas em diferentes aumentos (10x, 20x e 40x), possibilitando a visualização do tecido em diferentes escalas de ampliação, após isso, adicionou-se para cada fotografia uma legenda com uma descrição detalhada e uma explanação. Posteriormente, reunimos todas imagens editadas num pôster que ficará exposto no laboratório de técnicas histológicas do Departamento de Morfologia.

RESULTADOS

Foram obtidas nove microfotografias de lâminas, referentes ao Tecido Epitelial Glandular coradas por Hematoxilina e Eosina. As imagens foram somadas às respectivas descrições e, posteriormente, foram agrupadas para compor o pôster.

A primeira imagem, uma lâmina corada por HE obtida com um aumento de 400x, mas que foi posteriormente recortada, provocando uma aproximação ainda maior, evidencia células caliciformes localizadas entre as células epiteliais de revestimento. Estão presentes no revestimento do intestino delgado, mas podemos encontrar também no trato respiratório. A forma dessas glândulas é semelhante a um cálice e, por ser composta por apenas uma célula epitelial secretora, é classificada como “glândula exócrina unicelular”. Não apresenta ducto, sua secreção é liberada diretamente na superfície do epitélio. Os núcleos das células localizam-se no polo basal da célula. (OLIVEIRA; GOMES; BAMPI, 2011, ; GARTNER; HIATT, 2007).

Na segunda microfotografia, obtida com um aumento de 200x, lâmina também corada em HE, se encontra glândulas classificadas como “tecido epitelial glandular exócrino tubular simples” observada no intestino delgado, mas que também pode estar presente no intestino grosso. Essas glândulas têm a forma de tubos únicos, por isso recebem a classificação de tubulosas simples. São constituídas por invaginações do epitélio de revestimento no tecido que sustenta a glândula. A luz de cada tubo abre-se na luz do órgão. Entre as células que formam o epitélio secretor da glândula, há muitas células caliciformes. Nas preparações histológicas, são observados tanto cortes transversais como oblíquos e longitudinais. O corte longitudinal é semelhante a um dedo de luva, enquanto o transversal apresenta-se circular. (OLIVEIRA; GOMES; BAMPI, 2011; GARTNER; HIATT, 2007).

A terceira imagem, mais uma lamina corada em HE, obtida com aumento de 200x, trata-se de uma glândula sudorípara classificada como “tecido epitelial glandular exócrino tubular simples enovelado” localizada no tecido conjuntivo abaixo do epitélio queratinizado da pele delgada ou espessa. Apresenta a forma de um tubo enovelado. Nos preparados histológicos, não se visualiza toda a sequência da glândula, uma vez que os cortes não acompanham todas as sinuosidades da estrutura. Observam-se, então, diversas secções do mesmo tubo. Cada corte transversal de um tubo glandular aparece com a parede formada por uma única camada de células epiteliais cúbicas, limitando um espaço interno (luz ou lúmen), onde a secreção de cada célula é lançada. Esse tubo desemboca na superfície epitelial queratinizada na qual lança seu produto de secreção. (OLIVEIRA; GOMES; BAMPI. 2011; GARTNER; HIATT, 2007).

A quarta imagem, também apresenta-se corada em HE, obtida com aumento de 200x, evidencia uma glândula sebácea classificada como “tecido epitelial glandular exócrino alveolar simples ramificado” observada na derme, no tecido conjuntivo que se localiza abaixo do epitélio queratinizado (epiderme) da pele delgada. É constituída por células claras bem delimitadas e cheias de inclusões lipídicas, apresentam um núcleo redondo e central. Conforme as células acumulam secreção, vão perdendo a delimitação e as organelas, inclusive o núcleo. Os alvéolos são delimitados por uma camada externa de células epiteliais achatadas que repousam sobre uma membrana basal. Seu ducto excretor desemboca geralmente em um folículo piloso. (OLIVEIRA; GOMES; BAMPI, 2011; GARTNER; HIATT, 2007).

A quinta microfotografia, lâmina corada em HE, obtida com aumento de 400x, representa a glândula salivar parótida, classificada como “tecido epitelial glandular exócrino acinar composto ramificado”. Possui unidades secretoras em forma de ácinos ou alvéolos, por isso ela é classificada como acinosa. Seus ductos são ramificados, por essa razão essa glândula é composta. Como existe mais de um ácino por ducto, é considerada ramificada. O parênquima dessa glândula também é dividido em lóbulos por septos de tecido conjuntivo. É constituída por células piramidais, que possuem um núcleo arredondado no terço basal da célula. As células são basófilas devido à grande quantidade de retículo endoplasmático rugoso. A secreção serosa é uma secreção fluída, rica em proteína, água e íons. A luz de uma porção secretora serosa é reduzida. (OLIVEIRA; GOMES; BAMPI, 2011; GARTNER; HIATT, 2007).

A sexta imagem, lâmina corada em HE, obtida com aumento de 400x, representa a glândula sublingual, classificada como “tecido epitelial glandular exócrino túbulo-acinar composto ramificado”. É constituída por um grande número de células piramidais que apresentam um núcleo achatado na região basal da célula. Devido a presença de muco no citoplasma, este apresenta-se muito claro quando corado pela técnica de HE. Essa secreção mucosa é rica em glicoproteína e apresenta um aspecto viscoso. Os limites celulares podem ser observados, assim como a luz da porção secretora, que realmente é ampla, quando comparada com a luz do ácino seroso. (OLIVEIRA; GOMES; BAMPI, 2011; GARTNER; HIATT, 2007).

A sétima imagem, lâmina corada em HE, obtida com aumento de 400x, representa a glândula salivar submandibular, classificada como “tecido epitelial glandular exócrino túbulo-acinar composto ramificado”. É formada por uma porção tubular ou acinar mucosa, ao redor da qual as células serosas se organizam em meia-lua. A secreção desse tipo de porção secretora é mucosa associada a pré-enzimas, sendo semiviscosa. (OLIVEIRA; GOMES; BAMPI, 2011; GARTNER; HIATT, 2007).

A oitava imagem, lâmina corada em HE, obtida com aumento de 200x, apresenta a glândula tireoide, diferentemente das anteriores, endócrina, classificada como “tecido epitelial glandular endócrino folicular ou vesicular”. As células secretoras formam a parede de estruturas esféricas, denominadas vesículas ou folículos, dentro das quais fica armazenada a secreção (coloide) produzida por essas células. A parede de cada vesícula é formada por uma única camada de células apoiadas em uma lâmina basal. Essa parede é geralmente formada por células cúbicas, porém podem estar presentes células pavimentosas e colunares. O coloide é formado principalmente por precursores dos hormônios que, quando necessário, são reabsorvidos pelas células secretoras, processado nos lisossomos e, então, transferido para a circulação sanguínea dos capilares fenestrados adjacentes. (OLIVEIRA; GOMES; BAMPI. 2011; GARTNER; HIATT, 2007).

A nona imagem, lâmina corada em HE, obtida com aumento de 400x, apresenta a glândula adrenal, também endócrina, classificada como “tecido epitelial glandular endócrino cordonal”. É formado por células secretoras cúbicas que se dispõem lado a lado formando cordões irregulares. O citoplasma dessas células é difícil de ser observado em preparações de rotina. Observa-se, porém, o alinhamento dos seus núcleos arredondados. Entre os cordões de células cúbicas, encontram-se capilares fenestrados, de modo que todas as células secretoras estejam em contato com capilares sanguíneos, permitindo, assim, ser classificada como endócrina. (OLIVEIRA; GOMES; BAMPI, 2011; GARTNER; HIATT, 2007).

CONCLUSÕES

Destarte, em meio a dificuldade encontrada pelos alunos no estudo, em particular, do Tecido Epitelial Glandular - somado ao restrito acesso à coleção de lâminas durante os horários das aulas práticas e à quantidade insuficiente de Atlas de Histologia disponíveis nas bibliotecas da Universidade para todos estudantes, de diversos cursos, que cursam essa disciplina - surgiu a ideia de disponibilizar um material didático-pedagógico ilustrado acerca do tema, que fosse acessível aos alunos e que pudesse assistir a construção e consolidação do aprendizado.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GARTNER, L. P.; HIATT, J. L. Atlas Colorido de Histologia, 4ª edição. Editora Guanabara Koogan, 2007.

GARTNER, L.P; HIATT, J.L. Tratado de histologia em cores. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.

JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia Básica, 11ª edição. Editora Guanabara Koogan, 2008.

OLIVEIRA, L. B. O.; GOMES, C. F.; BAMPI, V. F. Bases para Interpretação da Morfologia dos Tecidos, 1ª edição. 2011

ROSS, M. H.; PAWLINA, W. Histologia – Texto e Atlas: em correlação com a biologia celular e molecular, 5ª edição. Editora Guanabara Koogan, 2008.




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