Prato limpo, consciência limpa



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PRATO LIMPO, CONSCIÊNCIA LIMPA”:

Um projeto contra o desperdício implementado na Cantina do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa em 2013
Renata Soares Pinto1 Felipe Fochat Silva Melo² Suzana Santos Campos³

Cláudia Marques dos Santos Cordovil4 Elisângela Aparecida de Oliveira5
  1. OBJETIVOS


O objetivo do projeto “Prato Limpo, Consciência Limpa!” foi reduzir o desperdício de alimentos, resto ingestão, na Cantina do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa (UL-ISA) por meio da avaliação, classificação de resto ingestão e implementação de uma campanha de Educação Ambiental.

  1. METODOLOGIA


O presente trabalho constituiu-se de três partes, sendo a primeira uma pesquisa bibliográfica, a segunda a coleta dos dados e a última a análise e discussão dos dados.

P
ara melhor entender a metodologia dessa pesquisa faz-se necessário contextualizar o ambiente em que ela se desenvolveu conforme as ações praticadas no estudo. A figura 1 mostra o fluxograma do processo de alimentação e destinação dos resíduos da Cantina UL-ISA com a intervenção do projeto ”Prato Limpo, Consciência Limpa!”

Figura 1- Fluxograma dos processos de distribuição e consumo de alimentos pelos usuários da cantina.

Fonte: Dados do projeto “Prato Limpo, Consciência Limpa!” Soares e Melo 2013.


O projeto influenciou positivamente nas etapas: “menu” (carne, pescado e ovolactovegetariano1), “praça de alimentação”, “separação ou não dos resíduos inorgânicos” e “retirada dos resíduos orgânicos e inorgânicos” mostradas na figura 1.

Após o almoço os usuários colocavam a bandeja em uma esteira mecânica que era conduzida para dentro da cozinha, onde eram retirados os resíduos orgânicos e inorgânicos e dispostos todos em um único saco por uma funcionária da cantina. Durante a realização do projeto foram separados os resíduos orgânicos e os resíduos inorgânicos, sendo esses, pesados e anotados em uma planilha diariamente para posterior tabulação e análise dos dados.

Os restos ingestão provinham dos menus que eram servidos na cantina: (carne, pescado e ovolactovegatariano¹), acompanhado de sopa e pão. Vale ressaltar que eram descontados do peso final o saco (onde eram separados os restos de comida) e restos não comestíveis como por exemplo ossos e cascas de legumes. Depois de pesados os resíduos orgânicos, os mesmos eram descartados em locais próprios denominados Eco-pontos.
Para avaliar o desperdício foi utilizado o Índice de Restos (IR), que pode determinar se a quantidade total de restos ingestão é ótima, boa, ruim ou inaceitável. Segundo Aragão (2005), se o IR estiver entre 0,0% a 3,0%, é considerado ótimo, de 3,1% a 7,5%, bom , para valores entre 7,6% a 10,0% é ruim e inaceitável para valores maiores que 10%.

O IR pode ser calculado por (TEIXEIRA, 2010, p. 200):




sendo:


P.R o Peso da Refeição Rejeitada;

P.R.D o Peso da Refeição Distribuída; e

NºR.D a Quantidade ou número de refeições Distribuídas no dia.
A quantificação per capita do resto ingestão é utilizada para identificar a média de restos deixados em cada prato e pode ser obtida por meio da equação:



Com a quantificação do resto ingestão foi possível calcular o número de pessoas que poderiam ser alimentadas com o resto acumulado durante o período de coleta de dados.

Nos primeiros 10 dias do projeto foram realizadas pesagens do resto ingestão. Visto que, o desperdício era significativo, nos 10 dias seguintes foi organizada a campanha de Educação Ambiental (EA). Dessa forma, no 20 dia de projeto, a Campanha de EA foi implementada concomitantemente com as novas pesagens totalizando 16 dias.

A campanha de Educação Ambiental teve como objetivo minimizar os impactos causados pelo desperdício. Foram utilizados cartazes, informativos, frases educativas e divulgação na rede social facebook, visando à redução do resto ingestão.

Posteriormente os dados obtidos foram tabulados e analisados no software Microsoft Excel®.


  1. RESULTADOS OBTIDOS

A primeira fase consistiu em pesar o resto ingestão. Neste período foi possível analisar o índice de resto ingestão e o per capta, para assim avaliar se haveria a necessidade de campanhas contra o desperdício.



Tabela 1 – Fase um do projeto, sem a implantação do projeto de Educação Ambiental.

DIAS

Nº REFEIÇÕES SERVIDAS.

RESTO INGESTÃO TOTAL(g)

() BAND.

ÍNDICE DE RESTO(%)

PER CAPTA (g)


18/03/2013

301

18650

838

7,39

61,96

19/03/2013

361

18950

838

6,26

52,49

20/03/2013

331

27150

838

9,79

82,02

21/03/2013

370

20550

838

6,63

55,54

22/03/2013

260

17780

838

8,16

68,38

25/03/2013

331

12610

838

4,55

38,10

26/03/2013

326

27200

838

9,96

83,44

27/03/2013

250

24630

838

11,76

98,52

28/03/2013

48

6940

838

17,25

144,58

05/04/2013

293

23420

838

9,54

79,93

X

287,1

19788

838

9,13

76,50

S

92,62

6402

0

3,37

29,77

Fonte: Dados do projeto “Prato Limpo, Consciência Limpa!” Soares e Melo (2013).

Vale ressaltar que a média da refeição utilizada no IR apresentou os seguintes resultados: menu principal = 458,00 g S= 8,64 g, as sopas = 330,00 g S=36,51 g e os pães = 50,0 g S=0,0 g. A soma de tais médias resulta no resultado apresentado na Tabela 1, que é de 838 g por refeição.

Levando em consideração o índice relevante de resto ingestão apresentado durante a pesagem, o Projeto deu início à Campanha de Educação Ambiental na Cantina.

A pesagem do resto ingestão continuou sendo feita desde o primeiro dia de implementação da Campanha, com duração de 16 dias, tendo como objetivo analisar se a campanha de EA estava surtindo efeito na redução de resto ingestão pelos usuários. Apresenta-se a seguir os resultados obtidos na segunda fase. O índice de resto ingestão e o per capta foram utilizados para analisar se ocorreu uma redução no IR.

Após serem colocados informativos de formato e tamanho A4 em cima do suporte de pão, conforme a Figura 2, dizendo: ”Sabia que? O pão que não comes vai para o lixo!”, a média de resto ingestão de pão por dia apresentou os seguintes resultados significativos, como mostra a Figura 3.

A Figura 2 apresenta duas fotos contendo três informativos, que foram utilizados na campanha de Educação Ambiental.



group 11

Figura 2- Cartazes da campanha educativa



Fonte: Dados do projeto “Prato Limpo, Consciência Limpa!” Soares e Melo 2013.
A figura abaixo mostra que o RI pão depois da campanha passou de 926,00 g com desvio 260,00 g, para 416,00 g com desvio de 266,00 g, significando uma média de diminuição de 55,00%, ou seja, deixaram de serem jogados no lixo, em média, 10 pães por dia. É importante ressaltar que o resto ingestão do pão foi utilizado no IR total do Projeto.

Figura 3- Média do RI pão antes e depois da campanha de EA.



Fonte: Dados do projeto “Prato Limpo, Consciência Limpa!” Soares e Melo 2013.
Por meio dos resultados citados acima, pode-se afirmar que os informativos ajudaram a reduzir tal desperdício.

Na Tabela 2 são apresentados os resultados do IR da segunda fase do projeto. Através dessa tabela foi possível comparar os resultados do antes e o depois da implementação de Educação Ambiental.


Tabela 2 – Fase dois do projeto, com a implantação da Educação Ambiental.

DIAS

Nº REFEIÇÕES SERVIDAS.

RESTO INGESTÃO TOTAL(g)



() BAND.

ÍNDICE

DE RESTO (%)

PERCAPTA

(g)

15/04/2013

330

17940

838

6,49

54,36

16/04/2013

307

19110

838

7,43

62,25

17/04/2013

335

19650

838

7,00

58,66

18/04/2013

302

13950

838

5,51

46,19

19/04/2013

252

22000

838

10,42

87,30

06/05/2013

312

20950

838

8,01

67,15

09/05/2013

291

17450

838

7,16

59,97

10/05/2013

246

18000

838

8,73

73,17

13/05/2013

259

15000

838

6,91

57,92

17/05/2013

272

13150

838

5,77

48,35

20/05/2013

329

17200

838

6,24

52,28

03/06/2013

224

17750

838

9,46

79,24

04/06/2013

197

14750

838

8,93

74,87

05/06/2013

235

17950

838

9,11

76,38

06/06/2013

219

12850

838

7,00

58,68

07/06/2013

168

13100

838

9,31

77,98

(X)

267,38

16925

838

7,72

64,67

(S)

50,66

2842

0

1,41

12,21

Fonte: Dados do projeto “Prato Limpo, Consciência Limpa!” Soares e Melo 2013.

Comparando os resultados expostos na Tabela 1 com os apresentados na Tabela 2, ou seja, antes e após a implementação da campanha de EA, é possível verificar que 56,25% dos valores do IR eram considerados BONS, com valores de 3,1% a 7,5%, após a campanha, sendo que na primeira fase apenas 40,0% dos IR estavam nesta margem.

Foi verificado também que 37,5% dos valores de IR se encontravam na classificação de IR considerados RUINS, após a campanha, e que na fase um este percentual era de 40,0%.

Quando comparado o IR considerado INACEITÁVEL, acima de 10,0%, o percentual encontrado na primeira fase foi de 14,51 %, sendo esse valor maior que o obtido na fase dois, 6,25%.

Mediante tais comparações é possível verificar-se que após a campanha de Educação Ambiental os valores do IR tenderam a se concentrar no IR considerado BOM, devido a sensibilização os dados mostraram menor índice de variância entre os valores de resto ingestão.

Mesmo que a diferença das médias expostas na Tabela 1 e Tabela 2 não tenha apresentado diferença significativa, o resultado indica que o objetivo do projeto foi alcançado, pois a média de IR antes da EA apresentou 9,13%, enquanto a média do durante a campanha apresentou em média 7,72%.

Os valores per capta de resto ingestão foi diminuído, passando de 76,50 g para 64,67 g por prato. Esses resultados mostram que houve uma pequena redução do desperdício.

Com base nos 26 dias de pesagem os dados da pesquisa detectou que, foram desperdiçados um total de 468,68 Kg de alimentos. Sabendo que a média da refeição pronta (excluídos sobremesa e bebida) é de 838,00 g, os 466,68 quilos de resto ingestão poderiam alimentar 559 pessoas, ou seja, daria para servir gratuitamente 25 refeições diárias durante a realização do projeto.

Vale ressaltar que o custo para a implantação do projeto “Prato Limpo, Consciência Limpa!” foi de € 12,00, ou seja, de R$ 40,00.



  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Mediante os resultados encontrados, ainda que baixos, foi possível observar por meio da classificação e análise do IR e o resto ingestão per capta que a partir da implementação da EA este projeto alcançou o objetivo de reduzir o índice de resto ingestão. Acredita-se que o projeto “Prato Limpo, Consciência Limpa!” poderia ter apresentado melhores resultados se houvesse diminuído a quantidade média de refeição servida nos menus.

O projeto realizado foi de extrema importância para a UL-ISA, pois forneceu dados sobre o quanto de resíduos orgânicos eram desperdiçados, facilitando o desenvolvimento de novas pesquisas no setor.

Espera-se que o projeto tenha ao menos conscientizado os usuários acerca da problemática do desperdício que ocorre na cantina. Almeja-se que esse não seja apenas um projeto, mas sim que as ações de EA continuem sendo implementadas pela Instituição.

Somente através da continuidade do projeto, será possível reduzir de forma significativa o IR, tendo em vista que a EA deve ser um processo constante e permanente na construção de valores sociais e ambientais. O presente estudo colaborou com as metas a serem alcançadas na Legislação Portuguesa PERSU e propostas apresentadas no parlamento Europeu que institui a redução de resíduos alimentares. Acredita-se que cada pequena e pontual iniciativa, como essa, pode ser o primeiro passo para se alcançar metas mundiais.



  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAGÃO, M. F. J. Controle da aceitação de refeições em uma Unidade de Alimentação Institucional da cidade de Fortaleza-CE. 2005. 78p. Monografia (Especialização em Gestão de Qualidade em Serviços de Alimentação) - Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2005.

DIAS, G. F. Educação ambiental: princípios e práticas. 6. ed. Revista Ampliada. São Paulo: Gaia Ed., 2000.



SOARES, R.P.; MELO, F.F.S. “Prato Limpo, Consciência Limpa”: Um projeto contra o desperdício implementado na Cantina do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa em 2013.2014 . 56p. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Tecnologia em Gestão Ambiental)- Universidade Federal de Viçosa Florestal, 2014.
TEIXEIRA, S. M. F.; OLIVEIRA, Z. M. C.; REGO, J. C.; BISCONTINI, T. M. B. Administração aplicada às unidades de alimentação e nutrição. São Paulo: Atheneu, p. 219, 1990.
TUA SAUDE. Ovolactovegetarianismo. Disponível em: http:Acesso em: 04 Ago. 2014.
UNIÃO EUROPÉIA. Resolução do Parlamento Europeu, n° C 227 E de 19 de janeiro de 2012. Lex: jornal oficial da união europeia, v. 56 p.50. estratégias para melhorar a eficiência da cadeia alimentar na UE (2011/2175).

1¹ Ovolactovegetariano é uma dieta restritiva na qual o indivíduo opta por excluir carne, peixes e derivados, mas permite comer ovos, vegetais, derivados do leite, bem como queijos e iorgutes (TUA SAÚDE).


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