Porto Alegre, 23 de junho de 2003



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Capítulo 18
CAVIDADE ORAL

1) HISTOLOGIA

Estende-se dos lábios até o istmo da orofaringe. É revestida por epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado, e dividida em:



  1. Vestíbulo

  2. Cavidade bucal propriamente dita


Vestíbulo: espaço situado entre os lábios e as bochechas, externamente, e os dentes e as gengivas, internamente. O ducto parotídico abre-se no vestíbulo, na altura do 2º molar superior.

Cavidade bucal: limitada pelos arcos alveolares, gengiva e dentes. O teto da boca é formado pelos palatos duro e mole. No palato duro, a mucosa oral paraqueratinizada repousa diretamente sobre o tecido ósseo; o palato mole possui mucosa oral não queratinizada, tem a parte central formada por músculo estriado esquelético e apresenta muitas glândulas salivares mucosas em sua submucosa; a úvula é o prolongamento que se estende do palato mole (posteriormente). O assoalho da cavidade bucal está amplamente ocupado pela língua.

As pequenas glândulas salivares ou bucais estão amplamente distribuídas nas paredes da cavidade oral. As glândulas salivares maiores estão situadas externamente à boca e compreendem as glândulas parótidas, submandibulares e sublinguais. A união das secreções destas glândulas forma a saliva. A média de secreção no adulto é de cerca de 1000 a 1500ml de saliva por dia. A saliva possui um pH de 6,0 a 7,4 e tem dois tipos de secreção:



  1. uma secreção serosa, contendo a enzima ptialina, que digere o amido

  2. uma secreção mucosa para lubrificação e limpeza.

  • Lábio


A superfície externa é recoberta por pele com muitos folículos pilosos, glândulas sebáceas e sudoríparas. Cada lábio é formado por um eixo de músculo estriado, o orbicular dos lábios, situado num tecido conjuntivo fibroelástico.

A zona de transição está presente na margem livre do lábio, entre a pele externa e a mucosa da cavidade bucal. A coloração avermelhada intensa é devida à intensa capilarização no tecido conjuntivo da derme, e a epiderme não é muito queratinizada, mostrando-se translúcida.

Pelo fato de não haverem glândulas sudoríparas e sebáceas nesta zona, os lábios devem ser periodicamente umedecidos com saliva, pois, se isto não for feito, aparecerão rachaduras nos lábios.



A superfície interna é revestida por uma mucosa, que consiste em epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado e de tecido conjuntivo da lâmina própria contendo glândulas mucosas, chamadas glândulas labiais.


  • Bochechas

Possuem musculatura esquelética, o músculo bucinador, recoberto externamente por pele e tecido conjuntivo subcutâneo e internamente pela mucosa oral.


  • Língua

Formada por uma massa de tecido muscular estriado, recoberto por uma mucosa cuja estrutura varia conforme a região estudada.

  • face inferior (ou ventral) da língua: mucosa apresenta-se lisa;

  • face superior (ou dorsal) apresenta aspecto irregular, devido à presença de pequenas saliências, as papilas linguais. Estas são classificadas em 3 tipos:




  1. Filiformes

  2. Fungiformes

  3. Circunvaladas

A face dorsal da língua é dividida em região anterior (ou parte oral) e posterior (ou parte faríngea) por um sulco em forma de V, o sulco terminal.


  • OS 2/3 ANTERIORES DA LÍNGUA

Apresentam apenas 2 tipos de papilas:

  • Filiformes: são cônicas, alongadas e não contém corpúsculos gustativos. São as papilas mais abundantes.




  • Fungiformes: apresentam uma base estreita e uma parte apical mais dilatada, assumindo a forma de um cogumelo. Podem apresentar corpúsculos gustativos. São menos numerosas e principalmente encontradas nos lados e na ponta da língua.




  • O 1/3 POSTERIOR DA LÍNGUA

Nesta zona, encontramos as papilas Circunvaladas. São em número de 8 a 12 papilas dispostas em V, formando o V lingual, e se situam numa fileira imediatamente antes do sulco terminal. Apresentam grande quantidade de botões gustativos na superfície epitelial lateral, isto é, na superfície voltada para o valo. Os botões gustativos são células sensoriais que transmitem as informações gustativas às terminações nervosas do glossofaríngeo e facial.

As glândulas que desembocam seu ducto no valo da papila são denominadas de Von Ebner .




  • Dente

Composto de um tecido conectivo especializado, a polpa, coberta por três outros tecidos calcificados: a dentina, o esmalte e o cemento.

Partes de um dente:



  • Coroa anatômica: parte de um dente coberta por esmalte, enquanto coroa clínica é a parte que se projeta no interior da cavidade oral.

  • Raiz: parte coberta por cemento, localizada no interior do alvéolo dentário.

  • Colo: região entre a coroa e a raiz..

- Polpa: formada, no jovem, por tecido conjuntivo do tipo mucoso e, no adulto, por tecido conjuntivo frouxo. As células predominantes são fibroblastos de forma estrelada. A polpa é um tecido que apresenta um rico suprimento vascular, linfático e nervoso. Divide-se em câmera pulpar, canal radicular e forame apical.


  • ESTRUTURAS ASSOCIADAS AOS DENTES:

  • Alvéolo: cavidade óssea onde o dente está suspenso

  • Ligamento periodontal: tecido conjuntivo denso que suspende o dente no alvéolo, fixando neste a raiz do dente.

  • Gengiva: tecido de sustentação. Apresenta uma mucosa constituída por epitélio estratificado plano e lâmina própria de tecido conjuntivo denso.


COMPONENTES MINERALIZADOS:

Dentina

Apresenta maior teor de sais de cálcio que o osso



Matriz – glicoproteína, colágeno tipo I e hidroxiapatita sintetizada por odontoblastos (superfície interna da dentina).

Odontoblasto - células com prolongamentos citoplasmáticos que penetram na dentina formando as fibras de Tomes. Cada prolongamento forma um canalículo na matriz da dentina (túbulos da dentina). O movimento de fluídos estimulam terminações nervosas nos canalículos.

Linhas de Owen – análogas às linhas de Retzius no esmalte.

Apresenta capacidade de auto-reparo (odontoblastos funcionais)


Esmalte

Estrutura mais rica em cálcio do corpo humano e também a mais dura.

97% de sais de cálcio

3% de material orgânico (glicoproteínas) e água

Produzido por ameloblastos (morrem antes do dente aflorar)

Formado por estruturas alongadas hexagonais, os prismas do esmalte.


Cemento

Semelhante em estrutura e composição ao osso

45-50% de hidroxiapatita

50-55% de material orgânico (colágeno tipo I e glicoproteínas) e água

Reveste a dentina da raiz

Auxilia na fixação do dente no osso mandibular/maxilar

É produzido por cementócitos continuamente para compensar o desgaste natural da coroa.
Curiosidades

Existem duas dentições que aparecem em diferentes épocas da vida. A primeira é a temporária, de dentes decíduos, e a Segunda é de dentes permanentes.

Os dentes decíduos, em número de 20 incluem, em cada arcada, quatro incisivos, dois caninos e quatro molares. Iniciam a erupção no sexto mês de vida e no final do segundo ano todos estão presentes.

Os dentes permanentes são 32 e compreendem quatro incisivos, dois caninos, quatro pré-molares e seis molares em cada arcada dentária. Iniciam a erupção no sexto ano de vida.
2) PATOLOGIAS ASSOCIADAS


  • Cáries dentárias: consistem na destruição da estrutura calcificada do dente. A superfície do esmalte torna-se erodida por microorganismos anaeróbios, Gram +, que fermentam a sacarose na superfície do dente para a manutenção de seu metabolismo, produzindo ácidos orgânicos. Esses microorganismos são representados basicamente pelo Streptococcus mutans e por lactobacilos. A trama orgânica do esmalte é destruída e, assim, o esmalte é descalcificado. Quantidades adequadas de saliva e de suas enzimas mucolíticas, acompanhadas de boa higienie dental, podem reduzir a incidência de cáries.

ESÔFAGO


1) HISTOLOGIA

É um tubo muscular relativamente reto, com cerca de 25 cm de comprimento, que se estende da faringe ao estômago . Sua parede é formada por:



  • TÚNICA MUCOSA:

  • Epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado. Este epitélio protege e resiste ao desgaste e à ruptura durante a passagem dos alimentos ásperos, semi-sólidos.

  • Lâmina própria de tecido conjuntivo frouxo. A lâmina própria da região próxima ao estômago apresenta as glândulas cárdicas esofágicas, que secretam muco.

  • Muscular da Mucosa contendo fibras musculares lisas longitudinais.

No esôfago vazio, a mucosa é evertida em pregas longitudinais, que se desfazem durante a passagem do bolo alimentar.


  • TÚNICA SUBMUCOSA:

  • Tecido conjuntivo frouxo com vasos e nervos

  • Plexo nervoso de Meissner, que controlo a atividade das glândulas e o fluxo sangüíneo local.

  • Glândulas esofágicas, que são glândulas túbulo-alveolares compostas, distribuídas em todo o seu comprimento.




  • TÚNICA MUSCULAR:

  • 1/3 superior do esôfago, o músculo é esquelético

  • 1/3 médio do esôfago, há uma mistura de músculo liso e músculo esqulético

  • 1/3 inferior do esôfago, encontramos músculo liso e o Plexo mioentérico (Auerbach).

Essa musculatura é evidenciada em duas camadas:

1º) Circular interna



2º) Longitudinal externa

O Plexo mioentérico ou de Auerbach, formado por nervos autônomos, situa-se entre as camadas circular e longitudinal e controla as atividades musculares.


  • TÚNICA ADVENTÍCIA:

  • Tecido conjuntivo frouxo



2) PATOLOGIAS RELACIONADAS




  • Doença do Refluxo Gastroesofágico: O refluxo gastroesofágico, retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, ocorre normalmente em humanos. Quando passa a gerar sintomas ou determinar lesões estruturais, caracteriza-se a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), conceituada como afecção crônica decorrente do fluxo retrógrado de parte do conteúdo gastroduodenal para o esôfago, acarretando um espectro variável de sintomas, esofagianos ou extraesofagianos, associados ou não a lesões teciduais. É de origem multifatorial, mas o mecanismo mais comum no desencadeamento de eventos de refluxo é o relaxamento transitório espontâneo e inadequado do esfincter inferior do esôfago. As manifestações típicas da DRGE são pirose e regurgitação. Pirose é dor torácica, em queimação, de localização retroesternal, que pode irradiar-se para a garganta.



  • Acalasia da extremidade inferior do esôfago: Neste distúrbio, não ocorrem ondas peristálticas normais nos dois terços inferiores do esôfago, o que provoca um espasmo ou deficiência no relaxamento do músculo, na extremidade inferior do esôfago. Como resultado, o paciente sente progressiva dificuldade em deglutir (disfagia). Eventualmente, ocorre o regurgitamento da comida que resta no esôfago e que não penetrou no estômago. O exame histológico pós-morte revela uma perda das células ganglionares no plexo mioentérico de Auerbach. A causa desta perda é desconhecida.


  • Doença maligna do Esôfago: O câncer de esôfago é o terceiro em freqüência entre os tumores do aparelho digestivo, e geralmente se origina como um tumor das células do revestimento da mucosa. O curso clínico é acompanhado por uma progressiva dificuldade na deglutição de alimentos sólidos e, posteriormente, de líquidos. A detecção precoce do câncer de esôfago torna-se muito difícil, pois essa doença não apresenta sintomas específicos. Alguns deles são dificuldade ou dor ao engolir, dor retroesternal, dor torácica, sensação de obstrução à passagem do alimento, náuseas, vômitos e perda do apetite. Está associada a extrema perda de peso. O câncer de esôfago é mais incidente a partir dos 40 anos e está associado ao alto consumo de bebidas alcóolicas e de produtos derivados do tabaco (tabagismo).








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