Pontifícia universidade católica do paraná



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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ
MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO


Disciplina: Ética – 4ª sessão: 11 de Setembro de 2000

Professores: Francisco G. Heidmann, PhD e

Dr. Hermílio Santos

Aluno: Luiz Carlos de Almeida Oliveira




Tema: Crítica ao Egoísmo ético e afirmação da ética na definição das regras do jogo econômico (Gianetti, cao. 4)



Introdução
A análise da ética sob a perspectiva do egoísmo ético, tendo uma forte referência na fábula das abelhas ou vícios privados benefícios públicos, do médico Holandês Bernard de Mandeville.
A essência da fábula atribui o sucesso da colméia aos vícios das abelhas, ou como comenta: “sons dissonantes produzem, unidos, um harmonioso acorde”.
Contrapondo à proposta do Egoísmo Ético, surge a questão do mínimo legal, propondo uma visão diferenciada da ética na definição das regras do jogo econômico e no respeito a elas. Alguns questionamentos também são oferecidos à esta questão, em especial: não estarão os agentes responsáveis pelo estabelecimento e cumprimento deste mínimo legal operando segundo a proposta do Egoísmo Ético ?

A Ética como filtro





  • Controle e não controle sobre as funções vitais;

  • Controle e não controle sobre os processos mentais;

  • A Ética como filtro;

  • O conceito do desejado e desejável;


O Valor moral da riqueza (segundo Adam Smith)





  • Os indivíduos desejam ardentemente melhorar sua condição de vida material;

  • Este é o desejado para a grande maioria da humanidade;

  • Abordagem diferente das pregadas pelos “Moralistas Clássicos”;

  • A Teoria dos Sentimentos morais reconhece de forma diferenciada;

.... Merecer, conquistar e usufruir o respeito e a admiração da humanidade são os grandes objetivos da ambição e da emulação. Dois caminhos distintos se apresentam diante de nós, os dois igualmente levando à consecução deste objetivo tão desejado: um deles, pelo estudo da sabedoria e pela prática da virtude, o outro, pela aquisição de riqueza e poder....”



O Egoísmo Ético





  • Egoísmo Ético, estabelece:

é apenas necessário que cada indivíduo haja de forma egoísta para que o bem de todos seja atingido”


  • É uma abordagem sem precedentes na filosofia antiga ou mediaval.




  • Origem associada à Obra do Dr. Bernard Mandeville, 1714, entitulada: A fábula das abelhas ou vícios privados benefícios públicos.




  • A lógica da fábula é que o sucesso da colméia vem dos vícios dos seus componentes. Quando, por obra de Júpiter, acabaram-se os vícios, a colméia entro em um período de decadência.




  • Na sua forma original, a colméia era formada por dois grupos: os canalhas assumidos e os canalhas dissimulados;




  • Estabelece três aspectos relevantes: O papel da lei e da justiça, o rigorismo ético e a alquimia divina, esta última como a responsável pela transformação do vício individual no benefício coletivo.



O Mínimo legal


  • Afirmar que a virtude pura não funciona na economia, o que é verdadeiro, de forma alguma significa dizer que o puro vício funciona, o que também é falso, basta lembrar personagens históricos como Hitler, Stalin, Nero e Genghis Khans.




  • Para o funcionamento das economias se faz necessário o estabelecimento de um mínimo legal, uma infra-estrutura ética que ancore a ordem social e a economia.




  • A essência deste mínimo legal estaria no estabelecimento do limite entre o lícito e o não lícito.




  • A inexistência deste mínimo legal daria validade à busca dos resultados que não foram plantados.




  • Estado é visto como agente operante deste mínimo legal, sobre ele é posta uma questão: o Estado fraco e inoperante ou o Estado forte e voraz minam a confiança do setor produtivo no mínimo legal do mercado.




  • Assim, na essência, este mínimo legal consiste numa proteção pelo governo, ao mesmo tempo também uma proteção contra o governo.




  • Finalizando é posta uma questão: Quem guarda os guardiões ? Com a máscara do mínimo legal pode ser praticado o egoísmo ético pelos ocupantes dos cargos dos setores públicos.


Conclusões
A essência do tema está na questão do Egoísmo Ético. É uma abordagem que tem uma boa dose de realidade, porém em determinados momentos caminha por extremos que a compromete. Apresentando algo em comum à Racionalidade Instrumental de Maquiavel, segundo a qual “O Homem busca o êxito sem se importar com os valores éticos”.
Considerando a natureza humana, as questões discutidas podem ser extrapoladas para uma abordagem mais ampla, que não só a ligada à geração de riquezas e ao jogo econômico.
Novamente podemos ver a ética numa perspectiva pendular, porém com mais uma dimensão. Como já discutimos, temos visões pendulares, que levam ao movimento, a partir da questão do indivíduo X comunidade, ou a partir dos extremos causados pelo hiato decorrente do neolítico moral. Agora podemos analisar também a partir de um movimento pendular entre os extremos do vício e da virtude.
Considerando esta proposta pendular, será que não deve fazer parte da virtude a convivência com os vícios ? Não será a dita “alquimia divina” o fiel da balança entre a virtude o vício ? E o que será esta alquimia divina ? não poderá ser mais forte e virtuosa do que o estabelecido no mínimo legal ? quem estabelece o mínimo legal ? não parece uma proposta meio platônica ?
Ademais, a crítica à proposta do egoísmo ético não pode ser feita somente pela via dos efeitos da suposta atuação dos “canalhas assumidos”. Fazê-lo desta forma seria como atuar no grupo dos “canalhas dissimulados”, com um discurso de negação do próprio aspecto estruturante do discurso. (no sentido de manipular para tirar proveito)
Diversas são as abordagens que definem que o homem procura, em primeiro lugar, o seu próprio bem. Tudo o que faz é na busca deste bem. É puro egoísmo.
Diversas também são as abordagens que tratam da existência de uma força maior, de Deus, ou outra denominação. Ele criou o Homem, o bem o mal e dotou o homem da capacidade de decisão. Tendo criado o bem e o mal e tendo dado capacidade de decisão ao homem, podemos questionar se transitar pelo bem e mal, ou pelo vício e virtude, não faz parte da natureza humana, do aprendizado, da vivência. Será que alguém, ou alguma instituição, pode “regular” este trânsito ? ao fazê-lo não estariam desrespeitando a própria natureza humana ? será que a citada “alquimia divina” não é mesmo “divina” ?
Um “case”: Santo Agostinho (354 – 430) teve uma vida meio “irregular” e “converteu-se”. Passou a estudar, e questionar, as razões da existência do bem e do mal. Não seria um bom “case” para o estudo dos “vícios privados, benefícios públicos” ? não foi o contato com o vício que o despertou, possibilitando-o deixar para a humanidade um importante legado ? (com uma ajuda da tal “alquimia divina”).
Finalizando, podemos concluir que a ética não pode ser estudada desassociada da espiritualidade da Humanidade. Santo Agostinho e São Tomas de Aquino procuraram cristianizar Platão e Aristóteles, respectivamente. Esta reflexão merece continuidade, mas com o cuidado minimizar os efeitos de algumas “lentes” introduzidas pela própria Igreja ao longo do tempo. Quer dizer: precisamos dar uma perspectiva espiritual à questão da ética, não seguindo, necessariamente, só as referências deixadas pela Igreja Católica.


Bibliografia
Gianetti, Eduarda da Fonseca, Vícios Privados, Benefícios Públicos. São Paulo: Cia das Letras, 1993.
Site: www.consciencia.org, biografia de Santo Agostinho (354-430), análise da obra de Santo Agostinho: a vontade e a felicidade residem em Deus, biografia de São Tomas de Aquino (1227-1274), biografia de Maquiavel (1469-1527) e biografia de Spinoza (1632-1667).




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