Poluentes orgânicos persistentes



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Poluentes orgânicos persistentes
Os poluentes orgânicos persistentes incluem inúmeras substâncias sintéticas pertencentes a vários grupos químicos.
Ao contrário do que acontece com a esmagadora maioria dos compostos orgânicos, os aromáticos – isto é, que contêm um ou mais anéis de benzeno –, tendem a ser muito estáveis. A molécula bifenil, precursora dos PCBs, é composta por dois destes anéis. Os hidrocarbonetos aromáticos podem tornar-se ainda mais estáveis quando um ou mais átomos de hidrogénio se encontram substituídos por halogéneos – flúor, cloro, bromo ou iodo. O cloro tem sido largamente usado desta forma, encontrando uma multitude de aplicações na agricultura – em biocidas – e na indústria – em solventes, agentes de limpeza, plásticos, etc.. Convém salientar que os doze POPs considerados prioritários pela Convenção de Estocolmo são todos eles aromáticos.
A estabilidade dos poluentes persistentes tem sido considerada desejável em certos casos e aplicações. Por exemplo, esta propriedade confere a vários PCBs a capacidade de retardarem ou impedirem a propagação do fogo; o DDT era comumente usado em parte porque o seu poder enquanto pesticida era duradouro. Porém, essa quase indelebelidade também significava que a concentração das substâncias no ambiente ia aumentando porque o ritmo a que eram libertadas era superior ao da sua degradação. E, assim, começaram a surgir problemas.
Solubilidade nos lípidos
Para além de altamente tóxicos e estáveis, os POPs caracterizam-se ainda pela capacidade de se acumularem nos tecidos biológicos, em particular os adiposos, que é proporcional à lipossolubilidade que apresentam – fenômeno a que se dá o nome de bioacumulação. Sendo hidrofóbicos, em ambientes aquáticos só se encontram dissolvidos em seres vivos ou em matéria orgânica, onde atingem concentrações muito maiores do que no meio envolvente – moléculas apolares como os POPs só se solubilizam em compostos com propriedades semelhantes.
A halogenação de um composto orgânico reduz a sua solubilidade em água e aumenta a lipoafinidade e, por conseguinte, a tendência para se bioacumular. Quando o grau de halogenação está próximo do máximo, no entanto, observa-se o efeito oposto: o grau de bioacumulação torna-se progressivamente menor. Pensa-se que tal é devido ao tamanho crescente das moléculas, que dificulta a passagem destas através das membranas celulares.
Em animais de níveis tróficos superiores, como águias ou lontras, os poluentes persistentes podem atingir concentrações milhares ou milhões de vezes superiores às que se verificam nos peixes de que se alimentam. A esta propriedade dá-se o nome de biomagnificação.
Pesticidas
Com a generalização da agricultura apareceram seres vivos oportunistas que destruíam colheitas ou as danificavam seriamente. Isto forçou o Homem a tomar medidas para proteger as culturas, começando, para o efeito, por utilizar métodos perfeitamente inofensivos como a monda. Devido ao aperfeiçoamento e desenvolvimento de técnicas e práticas agrícolas, à sua diversidade, e ao reduzido desenvolvimento da química, foi possível chegar ao século XIX sem a utilização de qualquer substância sintética – embora algumas das substâncias naturais empregues apresentassem elevada toxicidade humana, o que acabou por resultar no seu abandono gradual.
Uma nova era industrial surgiu no início do século XX e sobretudo após a II Guerra Mundial com a generalização da produção e uso de químicos sintéticos. Esta situação também se verificou no nosso país, nomeadamente quanto ao uso de pesticidas...
Os inimigos das culturas causam estragos de elevado valor destruindo ou danificando as suas colheitas. As quebras de produção aliadas à desvalorização dos produtos agrícolas nos mercados, resultante do mau aspecto dos mesmos quando afectados, representam um fator de marcada importância na economia da sua exploração agrícola. Ao seu alcance encontra um precioso meio – os pesticidas – para combater as pragas, as doenças e as infestantes que devastam as suas culturas, lia-se na Lista dos produtos fitofarmarcêuticos com venda autorizada de 1973, editada pela Direção Geral de Proteção de Culturas do Ministério da Agricultura. Toda esta pressão e publicidade fomentou fortemente a aplicação de pesticidas, levando à banalização da prática e à sua utilização por vezes sem qualquer tipo de restrições ou cuidados.
Produzidos especificamente pela sua toxicidade, é surpreendente que os efeitos dos pesticidas na saúde dos seres vivos sejam considerados não intencionais. Consoante o químicos, feitos crônicos potenciais incluem carcinomas, alterações genéticas e modificações do sistema imunitário e nervoso, entre outros. A curto prazo podem verificar-se problemas de pele e de olhos, tonturas, náuseas e cansaço.
Fonte

ESCOLA SUPERIOR DE BIOTECNOLOGIA PARA A DCA. Poluentes orgânicos persistentes. [S.l.: s.n].









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