Playboy irresistível



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"Apenas um beijo, Tess..."

Tess sacudiu a cabeça negando, apesar de seu corpo tremer de desejo. Não havia nada que ela quisesse mais do que sentir os lábios de Piers sobre os seus, mais teve medo de que um beijo levasse a outro e depois outro... e só Deus sabia o que poderia acontecer depois. Piers era famoso por conquistar as mulheres e depois abandoná-las. E Tess não queria ser mais uma da lista!

Mas será que conseguiria resistir a tanta sedução?








Copyright © 1995 by Elizabeth Duke

Originalmente publicado em 1995 pela Silhouette Books, divisão da Harlequin Enterprises Limited.



Título original: To catch a playboy

Tradução: Cris Ritchie

Editor: Janice Florido

Chefe de Arte: Ana Suely Dobón

Paginador: Nair Fernandes da Silva

Todos os direitos reservados, inclusive o direito de reprodução total ou parcial,

sob qualquer forma.
Esta edição é publicada através de contrato com a

Harlequin Enterprises Limited, Toronto, Canadá.

Silhouette, Silhouette Desire e colofão são marcas registradas da

Harlequin Enterprises B.V.


Todos os personagens desta obra são fictícios.

Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.


EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.

Rua Paes Leme, 524 - 10° andar CEP: 05424-010 - São Paulo - Brasil

Copyright para a língua portuguesa: 1998 EDITORAS NOVA CULTURAL LTDA.

Fotocomposição: Editora Nova Cultural Ltda. Impressão e acabamento: Gráfica Círculo

ELIZABETH DUKE cresceu à sombra das montanhas, em Adelaide, sul da Austrália, mas vive em Melbourne desde que se casou com John, um longo tempo atrás. Foi bibliotecária durante muitos anos, mas hoje dedica apenas um dia por semana a esse trabalho, no setor de medicina da biblioteca. Assim, tem tempo para fazer o que mais gosta: escrever. Também gosta de fazer pesquisas para seus livros e de viajar com o marido pela Austrália e para o exterior. Tem dois filhos, já casados.

CAPÍTULO I
Delia e Julius Bronson, convidam Andrew Corstairs e acompanhante para juntar-se a eles, no Mistique, no Dia da Austrália, 26 de janeiro, a fim de assistir à regata e à queima de fogos.

Almoço e jantar serão servidos a bordo.

Embarque: 9:00h.

Desembarque: 00:00h.

Traje: informal.
Tess empertigou-se na cadeira, olhando, sem acreditar, para o convite que Andrew lhe entregara.

— Julius Bronson? — Seus olhos azuis brilharam. — O magnata da imprensa?

— Ah! Enfim, uma reação! — Andrew esfregou as mãos, satisfeito. — Você pensou que eu estava brincando quando disse que iríamos sair para um passeio de barco com um dos homens mais ricos e poderosos da Austrália, não foi?

— Hum... — Tess resmungou, ainda surpresa com aquele incrível golpe de sorte.

Um convite de Julius Bronson! Ali estava a oportunidade que ela tanto esperara. A chance de conhecer pessoalmente o esquivo magnata.

E pensar que quase jogara fora o convite, sem lê-lo... Afinal, Andrew esteve tão convencido, tão intolerável durante todo o jantar... Balançava o envelope de maneira provocadora, longe do alcance dela, impedindo-a de tocá-lo, irritando-a.

Essas brincadeiras sem graça o divertiam. Ela, porém, não estava nem um pouco disposta a aturá-las. Nem sequer queria ter ido àquele restaurante esnobe.

Como sempre, Andrew recusara sua sugestão de jantar num tranqüilo bistrô em North Sidnei, e insistira no que havia de mais luxuoso na cidade. Ele gostava de exibir-se. Ser visto em locais sofisticados lhe era importante. Assim como era importante saber escolher o vinho certo.

No momento em que se sentaram à mesa, Tess percebera que ele queria contar-lhe alguma coisa. Seus olhos brilhavam de excitamento.

— Que tal celebrar o Dia da Austrália no porto de Sidnei, num luxuoso e deslumbrante mega-iate? — ele perguntara.

A resposta fora cautelosa:

— De quem é o barco? — A maioria das amizades de Andrew parecia-lhe esnobe e superficial, pessoas interessadas apenas em ganhar dinheiro, fazer contatos importantes e freqüentar lugares aonde ia gente influente. — De um de seus amigos advogados? Ou um de seus poderosos clientes?

Sem dúvida alguém que pudesse ajudá-lo a subir na carreira. Andrew não desperdiçava seu tempo em vão. Era um jovem ambicioso, determinado a chegar ao topo do mundo das leis. Um empreendedor que gostava de se misturar a pessoas poderosas, principalmente se pudessem ajudá-lo a subir.

Não que Tess condenasse alguém por ser ambicioso. Também o era. Fora a dedicação de ambos às respectivas carreiras que, a princípio, os unira. Mas ultimamente ela começara a se perguntar se ambos ainda compartilhavam os mesmos objetivos...

A meta de Andrew era material: sucesso, dinheiro e poder. Quanto a ela, mais idealista, escolhera a medicina e tinha se especializado em doenças reumáticas para ajudar pessoas como sua mãe, que sofrera anos e anos com o mal. Agora, reumatologista competente, tinha seu próprio consultório no centro médico de North Sidnei.

Andrew, nos últimos tempos, vinha pensando apenas nos próprios interesses. Parecia não se importar com mais ninguém. Exceto com ela, talvez. Às vezes Tess se perguntava sobre quão profundos seriam os sentimentos dele, ou quanto seu status de médica especialista pesava naquele relacionamento. Andrew não se preocupava muito com seus clientes, não como pessoas. Só se preocupava em vencer e em obter sucesso. E vivia sonhando com fama e dinheiro.

— Nem amigo, nem colega — respondera ele, divertido com o mistério. — Não é todo dia que se recebe um convite de gente tão nobre.

— Nobres?

— Nosso anfitrião, querida, é um dos homens mais ricos e poderosos do país. Normalmente, só recebe a família e os amigos muito próximos, pois é uma pessoa reservada. Portanto, esteja certa de que estaremos em meio a um grupo muito seleto de convidados.

Tess, embora entediada, tentava mostrar-se interessada, para agradar a Andrew.

— Vamos, diga. Você está louco para me contar.

— Não me apresse. — Com um olhar malicioso, ele pegou o convite e começou a balançá-lo. — Quero estimular seu apetite, querida. Imagine champanhe e frutos do mar para o almoço no convés, três pratos no jantar, num dos salões mais suntuosos, e a oportunidade de estar na companhia de pessoas influentes... E, depois do jantar, voltar ao convés para assistir à queima de fogos sobre Darling Harbour...

Parou de falar e a fitou, em expectativa.

— Puro luxo — Tess concordou. Andrew estaria no seu ambiente.

— Eu gostaria muito que você fosse comigo. — O sorriso em seus olhos dizia que ele era sincero. Mas dizia também que, se preciso, embarcaria sozinho. — Você deve estar louca para saber de quem é o iate, não? Pois adivinhe.

— Detesto essas brincadeiras. Diga logo.

— Muito bem, aqui está. — Com um floreio, ele deixou o convite cair sobre a mesa. — Vá em frente, leia! — A reação de espanto de Tess o agradou. — Então, até você ficou impressionada com o nome de Julius Bronson, hein? — Sorriu maliciosamente. — Não é tão imune ao poder e ao dinheiro, como gosta de aparentar.

Ela umedeceu os lábios. Se negasse, Andrew provavelmente faria perguntas. E não poderia contar-lhe a verdade. Ainda não. O segredo que descobrira havia pouco tempo não poderia ser revelado a ninguém. Era um assunto muito delicado, íntimo. Apenas deu de ombros.

— Irá comigo? — Andrew perguntou, satisfeito, confiante de que havia vencido.

Por um lado, Tess gostaria de desapontá-lo, varrendo-lhe o sorriso malicioso do rosto. Mas, por outro, ardia de curiosidade. Por isso, aceitou o convite.

Julius Bronson... Um arrepio percorreu-lhe o corpo. Seu pai, ou melhor, o homem que poderia ser seu pai. O pai que ela nunca conhecera, cuja identidade sempre fora um mistério.

Desde que soubera o nome dele, jamais alimentara a esperança de aproximar-se. Julius Bronson não se misturava com pessoas comuns. Era extremamente ocupado, poderoso. Vivia cercado de assessores e funcionários que o protegiam de visitas indesejadas. Ela sabia que de nada adiantaria escrever-lhe, para fazer perguntas ou pedir um encontro. E se não fosse verdade? Precisaria vê-lo primeiro, procurar sinais de semelhança ou observar-lhe a reação quando mencionasse o nome de sua mãe. Então decidiria o que fazer ou dizer.

Tentou parecer natural quando perguntou a Andrew:

— Como conseguiu um convite de Julius Bronson? Conhece-o?

— Não. Um de meus clientes me arranjou o convite. — Deu de ombros, como se isso não tivesse sido difícil. — Eu lhe contei que cursei a faculdade de direito com Piers, filho de Julius Bronson?

— É mesmo? — Tess prendeu a respiração. Se aquilo fosse verdade, tinha um meio-irmão! Sentiu um nó na garganta. — Como é ele? — perguntou, tentando disfarçar a emoção. — Nunca vemos fotos de ambos nos jornais, não é?

— Julius Bronson é proprietário da maioria dos jornais e revistas do país. Pode evitar isso. Os concorrentes às vezes publicam instantâneos. Mas os Bronson nunca posam para fotos. Gostam de se preservar.

— Oh! — Tess exclamou, encorajando Andrew a contar mais alguma coisa.

— Não se lê muito sobre eles, mas ouvem-se algumas fofocas, de vez em quando. Sobre Piers, principalmente.

— Que tipo de fofoca?

Ele franziu a testa, intrigado. Tess não se interessava por boatos. Nem por outros homens.

— Mantenha distância de Piers Bronson — advertiu. — Ele não é seu tipo. É um playboy. Leva na brincadeira tudo o que faz. Brinca de ser advogado. Brinca com os negócios do pai e, acima de tudo, diverte-se com as mulheres.

Tess quase deu uma gargalhada. Andrew não faria tais recomendações se desconfiasse que ela e Piers eram irmãos.

Andrew franziu a testa mais ainda. Ficou espantado ao ver que ela não parecia reprovar essas atitudes.

— Ele não é filho legítimo de Julius Bronson — contou com uma ponta de ciúme e maldade. — Julius e a esposa não puderam ter filhos. Adotaram Piers e sua irmã, Phoebe, depois que os pais das crianças, amigos íntimos dos Bronson, morreram num acidente, fora do país. Piers tinha quatro anos e a irmã, três.

Tess fechou os olhos, desapontada. Não só por saber que não possuía meios-irmãos, mas também pela descoberta de que Julius Bronson e sua esposa jamais poderiam ter filhos. E se o problema fosse com Julius? Nesse caso, ele não poderia ser seu pai...

A voz de Andrew, mais aguda do que o normal, cortou seus pensamentos:

— Por que ficou tão desanimada de repente? Está sentindo pena porque Piers perdeu os pais tão cedo? Garanto que ele não precisa da sua piedade, nem da de ninguém. Como herdeiro de Julius Bronson, receberá tudo algum dia. Junto com Phoebe. Mas será Piers quem vai assumir o controle do império.

Ela levantou os olhos, recompondo-se.

— Bom para o moço — disse com desdém. E, como Andrew parecesse bastante confuso, pediu: — Podemos ir? Amanhã, meu dia começa cedo.

Andrew educadamente pagou a conta, e saíram. Tess esperava que ele não estivesse arrependido de tê-la convidado para o cruzeiro no Dia da Austrália. Certamente não sentira ciúme de Piers Bronson. Seria loucura imaginar que sim.

Se Andrew realmente a conhecesse, saberia que ela jamais se interessaria por um homem como Piers. Sempre desprezara gente assim. E, sabendo que o rapaz não era seu irmão, perdera todo o interesse. Rico, fútil, playboy... Era o último homem com o qual Andrew devia se preocupar.

O Dia da Austrália amanheceu ensolarado e claro, perfeito. Tess havia pensado muito em que roupa usar. Pela primeira vez, queria ser notada, chamar a atenção. Queria que Julius Bronson reparasse nela. Escolheu algo elegante e informal, mas chamativo.

Quando Andrew foi buscá-la, na modesta casa de North Sidnei, assobiou, espantado com a nova Tess.

Quando não vestia a roupa branca de médica, ela escolhia cores escuras, estampados discretos, modelos que não lhe revelavam as curvas femininas nem a altura. E sempre prendia os cabelos.

Naquela manhã, porém, usava um belíssimo conjunto azul-marinho e branco, com um top discreto. Um cinto trançado marcava-lhe a cintura, e a calça branca realçava as longas pernas. Os cabelos ruivos, soltos e escovados, mostravam toda a sua beleza.

— Você está deslumbrante!

Andrew a admirava como se nunca a tivesse visto. Como se, pensou ela, magoada, fosse um troféu a exibir. Perguntou-se, por um instante, se não teria cometido um grande erro. Só queria ser notada por Julius Bronson, não causar uma falsa impressão. Jamais explorara a própria beleza.

Agora, porém, era tarde para fazer qualquer coisa. Andrew já a conduzia para seu Volvo brilhante, caminhando a seu lado de maneira irritante. Tess tinha certeza de que ele não se afastaria um só instante, exibindo-a como uma espécie de prêmio.

Isso dificultaria um encontro a sós com Julius Bronson. Mas, ao menos, teria a chance de conhecê-lo, de observá-lo de perto. E ele teria a chance de vê-la.

Depois disso, tudo estaria nas mãos do destino.

A pulseira de ouro de Tess refletiu o brilho do sol quando a ajudaram a subir a bordo. Mas foi o reflexo dos cabelos ruivos, caindo até os ombros como uma cascata, que atraiu a atenção dos convidados. Ouviu-se um murmúrio quando ela graciosamente subiu os degraus que levavam ao convés.

Enquanto Andrew apresentava seu convite para um membro uniformizado da tripulação, uma moça de cabelos negros, com cerca de trinta anos, vestindo um sarongue estampado, aproximou-se.

— Sou Phoebe Bronson. Bem-vindos.

Phoebe, a filha adotiva de Julius Bronson! Tess sentiu uma ponta de tristeza ao pensar que a moça simpática e de lindos olhos brilhantes não era sua irmã. Sentiu o braço de Andrew enlaçando-a possessivamente pela cintura.

— Andrew Corstairs — disse num tom pomposo. — Fui colega de seu irmão Piers na faculdade. Quero que conheça uma grande amiga, a dra. Tess Keneally.

Tess sorriu para a jovem de olhos negros, mas teve vontade de censurar Andrew. O namorado sabia que ela não gostava de usar o título de médica socialmente. Tinha certeza de que ele só o havia mencionado para causar impacto.

— Não poderia haver um dia mais perfeito para uma regata! — exclamou Andrew. — Ideal para o Dia da Austrália!

Tess olhou ao redor, imaginando por que Julius Bronson não fora receber os convidados. Talvez algum de seus amigos o tivesse monopolizado. Havia um bom número de pessoas a bordo, e o espetacular iate era enorme, com três pavimentes.

— Sinto muito, mas meu pai não poderá estar conosco — disse Phoebe. — Foi levado às pressas para o hospital e teve que se submeter a uma cirurgia de urgência na vesícula. Minha mãe está com ele. Eu e Piers, portanto, somos os anfitriões... apesar de meu irmão estar atrasado, como sempre. Meu noivo Tom está por aí. — Olhou em volta. — Ah! Lá vem ele. Vou pedir que cuide de vocês e que mande alguém lhes servir champanhe.

Na primeira meia hora, Tess sentiu-se desapontada. Pessoas iam e vinham, copos borbulhavam com bebidas, bandejas de canapés circulavam. Andrew, em seu ambiente favorito, levava-a de um grupo a outro, e seu rosto se iluminava quando avistava algum conhecido.

Finalmente, ela se afastou para o parapeito. O namorado tentou arrastá-la para apresentá-la a mais alguém, mas Tess recusou.

— Vá você. Quero ficar aqui um pouco, assistindo à corrida de barcos.

— Bem, se é o que quer...

Com um suspiro, ela deu-lhe as costas e inclinou-se sobre a amurada, colocando sua taça de champanhe, quase vazia, de lado. Sentia-se deprimida. Mas que hora para Julius Bronson ter uma crise de vesícula! Claro que sentia pena dele, pois sabia quão dolorosa era a doença, mas... por que justamente naquele dia? Provavelmente, nunca teria outra chance de se aproximar dele. O que faria agora?

Assustou-se quando sentiu alguém tocar-lhe o braço. Virando a cabeça, deparou com os olhos mais escuros e maliciosos que já vira. Por algum motivo, seu coração disparou.

O homem à sua frente era alto, bronzeado, de traços marcantes e másculos. Tinha os cabelos negros, e uma mecha caída na testa tornava-o ainda mais atraente.

— Deixe-me adivinhar... — sussurrou ele, num tom macio e aveludado. — Você é uma artista de televisão.

Ela deu um sorriso e meneou a cabeça.

— Nunca estive na tevê.

Os lábios dele abriram-se num sorriso.

— Deixe-me tentar de novo. Estrela de cinema? Modelo fotográfico?

Tess deu um suspiro, sentindo-se vagamente desapontada. Por que aquele homem deslumbrante não era diferente dos que conhecia? Por que também ele achava que ela explorava miais a aparência do que a inteligência?

Será que o rapaz era sincero ou apenas dizia o que, julgava, toda mulher queria ouvir? As moças com as quais saía gostavam desse tipo de aproximação?

— Deixe-me adivinhar — devolveu ela, encarando-o. — Vendedor de carros usados?

Os olhos negros piscaram diante do sarcasmo. Então ele riu, um sorriso caloroso e verdadeiro.

— Eu me rendo. Devia ter percebido desde o início que você é muito mais do que um rosto bonito. Humor, inteligência, sagacidade. Bonita e inteligente. Vamos lá, diga-me: o que é, então? Uma brilhante neurocirurgia?

— Você está no caminho certo. Sou médica. Reumatologista.

— Médica? Uma especialista? — indagou ele, encarando-a com surpresa. — Não posso acreditar. Você é jovem demais.

— Tenho vinte e oito anos.

— Piers, meu velho! — soou a voz cortante de Andrew. — Você encontrou a minha Tess!

O nome Piers a assustou. Estivera falando com o filho adotivo de Julius Bronson!

— Olá, Andrew.

— Que bom vê-lo de novo! — mentiu. — Tess já se apresentou?

— Nós ainda não havíamos chegado aos nomes, mas já somos bons amigos. Não é... Tess?

— Somos? — ela perguntou secamente, notando que Piers provocava o ex-colega.

— Dra. Tess Keneally — Andrew sussurrou com seu modo seco, o rosto imperturbável. — Tess, acho que agora você sabe que esteve conversando com nosso anfitrião. — "O play-boy mulherengo", os olhos dele faziam questão de lembrar. Voltou-se para Piers: — Sinto muito sobre seu pai. Imagino que você estará à frente das empresas durante a convalescença. Se precisar de alguma coisa, de um conselho jurídico... — Franziu a testa, um tanto sem graça, pois percebeu o olhar distante de Piers. — Bem, não devemos prendê-lo. Com certeza você deseja circular entre os outros convidados...

Suas palavras perderam-se no ar, pois Piers dirigiu-se a Tess cavalheirescamente, segurando-lhe a mão e levando-a aos lábios. A pressão quente e sensual na pele feminina provocou nela um tremor inesperado.

— Precisa me falar mais sobre você, Tess... Mas depois — disse suavemente antes de perder-se no meio dos convidados.

Ela agarrou-se no parapeito, tentando recompor-se do impacto que aquela presença lhe causara. Nunca reagira assim diante de um homem desde que era uma adolescente! Isso só confirmava o que Andrew contara sobre Piers. Um mulherengo insinuante, desempenhando seu papel de rico, playboy, mimado até a medula.

Tess ficou contrariada. Galanteadores e sedutores sempre a repugnaram. Por que não retirar a mão em vez de docemente estendê-la, enquanto ele pressionava os lábios lascivos sobre sua pele? O pior era que ainda podia sentir-lhe o calor. Oh, ele devia estar rindo. Saíra todo satisfeito, sem dúvida, achando que fizera mais uma conquista.

— Mais sobre você? — a voz de Andrew soou, encolerizada. — O que estava dizendo a ele? Parece que se tornou íntima de Piers Bronson num curtíssimo espaço de tempo... Contou-lhe sobre mim? Que estamos praticamente noivos?

Tess ficou furiosa.

— Claro que não! Porque isso não é verdade! E pare de se comportar como se eu fosse sua propriedade! Não sou! E pare com essa cara de tristeza! — Amenizou o tom, escondendo a impaciência e uma pitada de culpa. — Não tivemos a oportunidade de dizer quase nada. Ele só estava provocando você, Andrew. Será que não percebeu?

— Você não devia tê-lo deixado beijar sua mão daquele jeito!

— Mas isso não significou nada! Foi só uma brincadeira inofensiva. Homens como ele são inconseqüentes. Flertam com qualquer uma.

Era isso que tinha sido: uma brincadeira. Piers Bronson era simplesmente um incorrigível sedutor, do tipo que não levava nem a vida, nem as mulheres a sério. Nunca tivera que levar nada a sério, para ser sincera, com o dinheiro e os privilégios que tinha. E quisera causar ciúme em Andrew por diversão, não porque estivesse interessado nela.

A lembrança daqueles lábios em sua pele, no entanto, ainda lhe provocava arrepios.

— Se você quer se divertir, divirta-se comigo — grunhiu Andrew.

Ela suspirou.

— Então pare de me repreender. Você não é nada divertido quando está de mau humor.

Na verdade, divertido era um adjetivo que ela jamais usaria para descrever Andrew. O namorado nunca tivera grande senso de humor. Podia ser agradável e gentil à sua maneira, e até uma boa companhia quando não tentava impressionar as pessoas. Era inteligente, brilhante, bonito, de físico invejável. Mas... divertido? Definitivamente não.

— Você está certa. — Andrew sorriu, olhando em volta para se certificar de que ninguém havia notado sua carranca. — Estão servindo o almoço. Veja aquelas lagostas, os camarões enormes! Vamos?

Tess descobriu, com o passar do dia, que estava começando a se divertir, apesar do desapontamento de não encontrar Julius Bronson. O movimento no porto, a exibição de mergulhadores, a corrida de barcos, a procissão das embarcações, o calor do sol e a brisa marinha eram muito agradáveis.

Surpreendentemente, viu-se em meio aos outros convidados. Achou a maioria interessante, autêntica, bom papo. Gostou em particular de Phoebe Bronson e de seu noivo, Tom Lloyd. Phoebe parecia muito sensata; não fora estragada pelo dinheiro do pai, nem pela posição dos Bronson, uma das famílias mais ricas e poderosas da Austrália.

Muito diferente de Piers, convencido e playboy.

Tess não entendia por que ainda pensava nele. O rapaz continuava circulando, espalhando seu charme aqui e ali, sorrindo maliciosamente, fazendo insinuações engraçadas, e isso lhe provocava sorrisos involuntários. Talvez isso se devesse ao fato de já considerá-lo uma espécie de irmão "postiço"...

Um certo alvoroço a dominou. Sua reação para com ele não fora nem um pouco fraterna. Longe disso.

Deu um suspiro impaciente. Como poderia ser fraternal com um homem a quem mal conhecia? Um estranho? Ainda que Julius Bronson admitisse ser seu pai, na certa se oporia veementemente a que sua família soubesse a respeito de Tess. Depois de guardar segredo por tanto tempo, dificilmente permitiria que o assunto viesse a público.

— Por que o suspiro? — indagou Andrew, preocupado. — Não está se aborrecendo, está?

— Oh, não. Estou me divertindo muito.

Era verdade. Sentia-se mais cheia de vida naquele momento do que durante toda a sua vida.

— Está querendo me dizer que gosta desse estilo sofisticado? — perguntou ele em tom cético. — Ou será que gostou... da companhia? — Seu olhar se dirigiu a Piers Bronson.

Tess fingiu não perceber a alusão.

— Você está sonhando — brincou, dando-lhe o braço. — Estou me divertindo por causa da companhia, sim. Mas da sua.

Mal acabou de falar, sentiu-se um tanto preocupada. Não sabia por que, mas as palavras haviam soado falsas a seus próprios ouvidos.




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