Paulo ganem souto



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DOENÇAS RELACIONADAS AO TABAGISMO

• Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC): caracteriza-se por limitação ao fluxo aéreo, parcialmente irreversível, usualmente progressiva e associada a resposta inflamatória do pulmão a partículas ou gases nocivos. Em 2000, era a quarta causa mais comum de morte no mundo. O tabagismo é o fator de risco mais importante.

• Câncer de pulmão: é o câncer maligno com maior taxa de óbitos no Brasil e no mundo. O fumo é responsável por quase 95% dos casos. Fumantes têm risco cerca de 20 vezes maior de morrer por esta neoplasia que não fumantes. As chances de ter câncer de pulmão diminuem ao parar de fumar e se igualam aos de que nunca fumaram após 15 a 20 anos de abstinência.

• Doenças intersticiais pulmonares: grupo de doenças caracterizadas por dispnéia, tosse seca, infiltrados intersticiais difusos, padrão restritivo da função pulmonar e alteração da troca gasosa; algumas delas são relacionadas ao tabagismo.

• Doenças pulmonares ocupacionais e ambientais: o fumo potencializa as alterações inflamatórias dessas enfermidades, especialmente aquelas relacionadas à exposição a poeiras minerais.

• Doenças cardiovasculares: o tabaco acelera o processo de envelhecimento dos vasos arteriais determinando o aparecimento da aterosclerose precoce e tem efeito vasoconstrictor devido à nicotina. O tabagismo aumenta a pressão arterial, predispõe para acidente vascular cerebral, ataque isquêmico transitório, angina do peito, infarto do miocárdio, morte súbita. Junto à hipertensão arterial sistêmica e alteração do colesterol, o tabagismo é um fator de risco prevenível para doença coronariana.

• Doenças vasculares arteriais periféricas: maior risco de doença oclusiva aortoilíaca, doenças oclusivas das artérias carótidas extracranianas, lesão arteriolar da retina, tromboembolismo venoso, que engloba trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolia pulmonar, e tromboangeíte obliterante, que pode levar à amputação do membro acometido. Na mulher, a associação do fumo com uso de anticoncepcional oral, ou terapia de reposição hormonal, ou estado de gravidez/puerpério aumenta consideravelmente os riscos para TVP.

• Doenças neurológicas: maior risco de demência e doença de Alzheimer.

• Câncer de cabeça e pescoço: neoplasisas malignas do trato aerodigestivo superior. Tem como fatores de risco o tabagismo, carências nutricionais e má-higiene oral. O fumo através de cachimbos e charutos é mais cancerígeno pelo maior contato com a cavidade oral.

• Câncer de esôfago: tem o álcool e o fumo como fatores de risco mais importantes. É altamente agressivo e letal.

• Câncer de bexiga: maior incidência em homens devido à exposição aos fatores de risco. Um terço dos casos é atribuído ao tabagismo.

• Outros tipos de câncer: bexiga, rim, colo de útero, medula óssea.

• Doenças dermatológicas: envelhecimento precoce da pele, provocando rugas; dermatite atópica e psoríase.

• Doenças bucais: câncer bucal, doença periodontal como gengivite e periodontite crônica, fissuras labiopalatais em fetos, cáries, hiperqueratose nicotínica, dificuldade de reintegração óssea em caso de implantes dentários.

• Osteoporose: contribui para seu desenvolvimento, aumentando o risco de fratura no idoso, principalmente mulheres.

• Impotência sexual masculina e diminuição do índice de fertilidade da mulher

• Catarata

DOENÇAS TABACO-RELACIONADAS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES FUMANTES

• Associação entre cigarros e comportamentos de risco como brigas, sexo sem proteção, uso de álcool e de maconha.

• Distúrbios pulmonares, como tuberculose, tosse persistente, crises graves e freqüentes de alergias respiratórias (rinites, rinossinusites e asma), infecções de repetição, incluindo amidalites, otites, resfriado comum, gripes, bronquite e pneumonias.

• Sintomas clínicos como pele enrugada e atrofiada, irritação freqüente dos olhos, dentes amarelados, cáries freqüentes, doenças periodontais, mau hálito, perda de olfato e paladar, odinofagia recidivante, fraco desempenho esportivo e escolar, falta de disposição geral, insônia, depressão, roncos e apnéia do sono.


TABAGISMO / CONTINUAÇÃO



ABORDAGEM DO PACIENTE ATRAVÉS DO MÉTODO PAAPA

• Valorizar atitude saudável do paciente;

• Estimular outros hábitos de vida saudáveis;

• Investigar contato com tabagistas e alertar sobre os riscos do tabagismo passivo;

• Informar sobre os malefícios do cigarro;

• Seguir a realização da anamnese conforme o caso.

• Apenas motivar o fumante a pensar a parar de fumar já é uma grande conquista;

• Seguir a realização da anamnese conforme o caso.



TABAGISMO / FLUXOGRAMA

Não

  • Destacar a informação no prontuário;

  • Realizar abordagem cognitivo-comportamental, que tem duração de 3 a 5 minutos, através dos 5 procedimentos a seguir - PAAPA.

Questionar a todo paciente em consulta clínica história de tabagismo, perguntando inicialmente: VOCÊ FUMA?

Perguntar

1 - Há quanto tempo você fuma?

2 - Quantos cigarros você fuma por dia?

3 - Quanto tempo, após acordar, você fuma o primeiro cigarro?

4 - Você está interessado em parar de fumar?

5 - Você já tentou parar de fumar antes? Em caso afirmativo, o que aconteceu?



Avaliar

• Grau de dependência à nicotina (teste de Fagerstrom; se consumo acima de 20 cigarros ao dia ou se acende primeiro cigarro menos de 30 min após acordar);

• Motivação para parar de fumar;

• Presença de sintomas ou doenças relacionadas ao tabagismo;

• Histórico familiar relacionado ao fumo, como doença coronariana, DPOC, câncer;

• Co-morbidades como doenças psiquiátricas - depressão, uso de drogas, esquizofrenia e outras psicoses - encaminhar estes casos para acompanhamento especializado.



Aconselhar

• Abandonar o tabagismo;• Alertar sobre importância de cessar tabagismo e risco para saúde e/ou tratamento de doenças já instaladas, sem agressividade;

• Alertar sobre possibilidade da síndrome da abstinência e fissura ao parar de fumar e sobre a duração e intensidade destes sintomas;

• Adaptar à fase do paciente - tentar fazer mudar de fase

• Orientar que paciente analise e entenda os motivos que o levam a fumar para poder lidar com os mesmos.

PACIENTE PRONTO PARA PARAR DE FUMAR?

Sim

Sim

Não



Preparar
• Marcar a data de parada;

• Criar estratégias para resistir à vontade de fumar, como ter algo à mão para substituir ritual do cigarro, pensar nos efeitos positivos ao ato de fumar, alertar que fatores estressantes não cessarão com uso do cigarro;

• Estimular hábitos saudáveis;

• Solicitar suporte social de familiares, amigos, colegas de trabalho;

• Informar sobre métodos de cessação do tabagismo:

– parada abrupta: melhor resultado, limitada pela síndrome da abstinência;

– parada gradual por redução progressiva do número de cigarros fumados ao dia: deve durar menos que 2 semanas até parada total;

– parada gradual por adiamento da hora de fumar o primeiro cigarro do dia: deve durar menos que 2 semanas até parada total, risco do paciente fumar continuamente pequena quantidade de cigarros ou retornar ao padrão anterior;

• Escolha do método de cessação pelo paciente com apoio do médico;

• Identificar necessidade de tratamento medicamentoso *.



• Existem dois grupos de medicamentos conforme mecanismo de ação: os nicotínicos (terapia de reposição nicotínica) e os não nicotínicos (antidepressivos).

• Tem a finalidade de reduzir os sintomas da síndrome de abstinência da nicotina.

• Indicado para facilitar a abordagem cognitivo- comportamental segundo um dos critérios:
1 - fumantes de 10 ou mais cigarros ao dia;

2 - consumo menor, porém com sintomas da abstinência;

3 - fumar o primeiro cigarro antes de 30 minutos ao acordar;

4 - fumantes com escore no teste de Fagerström a partir de 5;

5 - insucesso com metodologia comportamental devido a sintomas de abstinência;

6 - desde que não haja contra-indicação na escolha do medicamento, deve-se levar em conta o desejo do paciente em usá-lo, o que pode aumentar a adesão ao tratamento.



• Parabenizar pela conquista e motivar.

• Questionar sobre benefícios alcançados, adver-sidades e estratégias.

• Orientar para não acender ou tragar um cigarro pelo risco de voltar a fumar até em quantidade superior à anterior.



• Aceitar sem criticar, apoiar o paciente.

• Fazer as seguintes perguntas:

1 - O que aconteceu?

2 - O que estava fazendo nessa hora?

3 - Como se sentiu ao fumar seu primeiro cigarro?

4 - Você já pensou em nova data para parar de fumar?

• Estimular tentar de novo.

• Identificar situações de risco, como café, bebidas alcoólicas, estados emocionais, convívio com fumantes, e criar estratégias para enfrentá-las, se possível evitando-as, principalmente nas primeiras semanas. como substituir café por água ou suco, evitar conviver com fumantes.

• Avaliar tratamento medicamentoso.

Acompanhar

• Retorno 1a, 2a, 4a semana após data de parada; em seguida, consultas mensais até completar 3 meses de abstinência, seguindo-se de consulta ao 6o mês e em 1 ano.



PACIENTE MANTÉM-SE ABSTINENTE?

* VER TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

EM ANEXO TERAPÊUTICO



TABAGISMO / FLUXOGRAMA - CONTINUAÇÃO

Sim

Sim

Não


DROGAS ILÍCITAS / FLUXOGRAMA



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