Pastoral dos sacramentos



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PASTORAL DOS SACRAMENTOS
“Uma verdadeira pastoral é uma boa teologia, da mesma forma que uma autêntica teologia é uma boa pastoral”. Não existem “receituários” absolutos, definitivos para a pastoral sacramental. Existe, sim, um processo, uma caminhada.

  • Ponto de partida para uma pastoral sacramental realista.

  1. a clara consciência de que os sacramentos correspondem a diversas situações vitais (nascer, crescer, casar-se, assumir uma missão, doença...)

  2. se vivem a parti de atitudes diferentes (apreço ou desafeição...)

  3. se manifestam em formas sócio-culturais diversas.

  4. São apreciados pelos membros da comunidade crente de forma diferente de acordo com os tempos e lugares. (busca do batismo em diferentes idades, “filhos ilegítimos”, mães solteiras...)

Os sacramentos vivem o impacto de uma “situação plural e em mudança” do homem, da sociedade, da cultura, dos valores e referências da vida humana, das formas e mediações de convivência e expressão.

Os rituais da Igreja não aludem a estas “situações”, a não ser com leves indicações de tipo antropológico (ex. CAT – 1210)



  • A Igreja como centro de referência dos sacramentos.

Se os sacramentos são da Igreja, pela Igreja e para a Igreja, a pastoral sacramental não pode ser senão a manifestação e expressão de uma imagem de Igreja. Neles sempre se manifesta “a genuína natureza da verdadeira Igreja” (SC 2, cf. LG 8), mas segundo a forma como são preparados e celebrados, por eles se manifestará uma ou outra imagem de Igreja (Cenários de Igreja, cf. Comblin ou Agenor Brighenti).

  • Finalidade principal dos sacramentos.

  1. Culto a Deus;

  2. Santificação do homem;

  3. Edificação do Corpo de Cristo (SC 59)

Os Sacramentos e a Liturgia pertencem à essência ou à natureza da Igreja (SC 2)... A Igreja se expressa, cresce e se edifica como Corpo de Cristo de forma especial através da celebração dos sacramentos (SC 7). Que imagens de Igreja, a diversidade de pastorais sacramentais nos retratam?

  • A pastoral sacramental no marco de uma pastoral global

  • Três eixos da missão e da pastoral da Igreja: a Palavra, a Liturgia, a Caridade, que correspondem à função profética, sacerdotal e régia do próprio Cristo.

“A Sagrada Liturgia não esgota toda a ação da Igreja; ela tem de ser precedida pela evangelização, pela fé e pela conversão; pode então produzir os seus frutos na vida dos fiéis: a vida nova segundo o Espírito, o compromisso com a missão da Igreja e o serviço de sua unidade” (AT 1072).

“A liturgia é o lugar privilegiado da catequese do povo de Deus” e “toda catequese está intrinsecamente ligada à ação litúrgica e sacramental”(CAT 1074). “Administrar os sacramentos, sem um apoio sólido na catequese destes mesmos sacramentos e numa catequese global, acabaria por priva-los, em grande parte, de sua eficácia”(EN 47).



  • Três momentos constitutivos da pastoral sacramental.

  1. o momento antecedente ou o “antes” pastoral da preparação diferenciada com vistas à celebração e à renovação ou crescimento da vida cristã;

“Para que os homens possam chegar à liturgia, é necessário que antes sejam chamados à fé e à conversão... e, além disso, prepara-los para os sacramentos”(SC 9, cf. 59); e possam “aproximar-se da liturgia com reta intenção” (11), o que supõe uma “instrução litúrgica do povo”(19) de modo a “compreender facilmente os textos e ritos e participar plena e ativamente da celebração comunitária”(21)

  1. o momento da realização ou o “em” pastoral da mesma celebração, com sua especificidade sinal-simbólica e seu caráter mistagógico; o VAT II afirma que a liturgia é “fonte donde emana toda a força” da Igreja (10) e também a “primeira e necessária fonte da qual os fiéis haurem o espírito verdadeiramente cristão”(14). Quando se dá uma participação sincera, a liturgia alcança sua “plena eficácia pastoral”(49), pois, “embora seja principalmente culto da divina majestade, encerra também grande ensinamento ao povo fiel”(33). O “em” da própria celebração é, portanto, em si mesmo pastoral, à medida que nos faz participar do mistério e santifica nossa vida, à medida que nos transforma e nos educa, nos alimenta e nos faz crescer, precisamente através da palavra e do rito. É o que de forma mais direta se afirma dos sacramentos, que “não somente supõe a fé, mas por palavras e coisas também a alimentam, a fortalecem e a exprimem.Por essa razão, se chamam sacramentos da fé”(59).

  2. o momento conseqüente ou o “depois” pastoral da celebração, com seus compromissos pessoais e comunitários que se realizam pela continuação e pela constância. Os sacramentos conferem certamente a graça, mas também sua celebração prepara perfeitamente os fiéis para receberem o fruto da graça, para renderem culto a Deus na vida e para praticarem a caridade (59). Mais ainda, a graça pascal dos sacramentos leva a que “o uso honesto das coisas materiais possa ordenar-se à santificação do homem e ao louvor de Deus”(61). Para uma maior eficácia do “depois”, requer-se uma pastoral da continuidade e do seguimento que enlace os diversos espaços do itinerário sacramental e os encha de autenticidade de vida.

Estas três dimensões nos mostram o sacramento não só como ato celebrativo preciso, mas também como processo vital existencial, que em seu próprio dinamismo tende a transformar não em momento fugaz da vida, mas a vida inteira.

  • Pastoral Sacramental é ação da comunidade inteira, por meio de seus agentes, através de alguns meios e dispositivos concretos, adaptados a diversas situações vitais sacramentais e à atitude de fé da pessoa, para preparar, suscitar, autenticar e melhorar as disposições da mesma e das comunidade inteira, de maneira que o sacramento seja dignamente celebrado e, enquanto acontecimento celebrativo participado, expresse e realize tudo o que significa, para a renovação da vida pessoal e comunitária em coerência com o Evangelho e com o sacramento celebrado.

  • Estrutura pastoral cfe. Documentos: cinco eixos fundamentais: 1) A valorização da importância e do lugar da fé e da preparação da pessoa e da comunidade. 2) A necessidade de introduzir os que pedem os sacramentos na grandeza do mistério que se celebra, como ação gratuita da Trindade que continua salvando-nos por Cristo e no Espírito, através da mediação da Igreja. 3) A recuperação da dimensão eclesiológica e da primariedade da celebração comunitária. 4) O sentido mais dinâmico do sacramento que implica de maneira exigente, um “antes” e um “depois” para sua plenitude e sua frutuosidade. 5) A insistência no fato de que o sacramento é uma celebração que exige tanto a participação da pessoa quanto da comunidade celebrante.

  • Passos ou seqüência da pastoral sacramental:

  1. Acolhida pastoral, sem discriminação, àqueles que pedem o sacramento;

  2. Demora necessária ou espaço intermediário entre a petição e a celebração, de maneira que possa realizar-se a preparação requerida;

  3. Tempo de preparação diversificado, de acordo com as situações de fé, atitudes de vida e possibilidades reais;

  4. Distinção de etapas: “remota”, “próxima” e “imediata”. Elementos e seqüências que devem distinguir-se e ordenar-se em dinâmica unidade ou em itinerário ou processo catecumenal: * Petição ou pedido do sacramento e diálogo de acolhida; * Encontro ou encontros pessoais com os interessados; * Preparação próxima por um processo catequético mais ou menos longo, com reuniões em grupo ou comunitárias que consigam unir conteúdo e doutrina, revisão ou conversão de vida, experiência de fé e oração; * começo da preparação imediata, com uma petição formal do sacramento, que implique a aceitação de seu sentido e compromissos. Este deve ser expresso em uma celebração, revisão ou convivência; * Preparação imediata com uma iniciação mais experiencial aos símbolos e à participação ativa no sacramento ou “catequese mistagógica”. * Celebração do sacramento, com participação pessoal e comunitária, em verdadeiro acontecimento festivo. * Mediações de continuidade, para um acompanhamento aos que celebraram o sacramento, criando espaços de encontro, revisão e animação.

Cremos que é necessário sempre distinguir estas etapas e “seqüências”, para que a pastoral sacramental não caia nem na teoria nem no ritualismo, e para que adquira todo seu caráter e dinâmica catecumenal, que sempre permanece como o ideal ao qual devemos tender, tal como nos pede a Igreja também hoje.

  • Pastoral sacramental e diversidade de situações de fé.

A fé no sacramento é um elemento constitutivo da plena realização do próprio sacramento na vida pessoal. Desde o momento em que se constata e se aceita que nem todos os batizados são convertidos que crêem, que nem todos os que se dizem “crentes” tem a verdadeira fé, que nem todos os que tem esta fé “verdadeira” sentem necessidade de celebrar os sacramentos, que nem todos os que querem celebra-los estão em condições ideais de liberdade e de preparação..., torna-se inquietante (problemática) a celebração do sacramento... O quê e como fazer? É preciso evitar os extremos, como: dar os sacramentos indiscriminadamente, supondo que todos tem as disposições de fé; ou negar radicalmente os sacramentos, pressupondo que não há nenhuma atitude de fé. O discernimento prévio necessário é um direito e um dever dos pastores, uma garantia de verdade e identidade cristã, mas também um risco de subjetivismo, de autoritarismo e até de injustiça.

  • Questões importantes: Com que critérios e a partir de que posturas ou concepções discernimos a fé das pessoas? Como evitar a pretensão de medir sua interioridade sem apagar a pequena brasa religiosa ou crente? Não é possível ser juízes e pais aos mesmo tempo? Não seremos injustos com os mais pobres em palavras, indefesos de meios? Como podemos pedir aos outros a fé que não lhe damos?

  • Três situações fundamentais: a) a dos batizados crentes e praticantes; b) a dos batizados de fé imperfeita ou até insuficiente; c) dos batizados crentes.

O problema costuma colocar-se na situação intermediária de batizados com fé insuficiente e medíocre. Eles são a “maioria indiferente” ao corpo numérico da Igreja. Oferecemos-lhes sacramentos, mas na realidade, muitas vezes, só pedem ritos. Não lhes sobram os ritos, mas falta-lhes a fé. Tampouco lhes sobra a comunidade, mas não sentem nenhum interesse por ela. Seus vínculos de pertença, seus símbolos de religiosidade, seu ritmo de celebração, seu compromisso cristão... são distintos e não entram em consonância com os da minoria que crê. No entanto, pedem os sacramentos. Que pastoral oferecer-lhes? Uma pastoral de verdadeira evangelização – de chamado profético e interpelante, de anúncio do Kerigma, de conversão e de fé – não penas uma preparação protocolar ou quase de expediente, precipitada, nem de discurso ilustrativo racional, nem na exigência radical... Uma pastoral de encontro e de experiência do Deus vivo. Tal encontro supõe duração, dinamismo e integração dos diversos elementos de um catecumenato. Isto é teoricamente desejável, mas é praticamente realizável? Tudo depende da ordenação e da mentalização pastoral. E a questão da (des)unidade pastoral? Do pluralismo religioso? Das outras opções possíveis?

  • Condições para um bom desempenho na Pastoral Sacramental

  1. Objetivos: O principal objetivo é conseguir aquela preparação pessoal e comunitária suficiente para celebrar de forma digna, participada e frutuosa, o sacramento, de maneira que renove a vida pessoal e comunitária... Não pode haver verdadeira pastoral sacramental onde não há uma pastoral de evangelização precedente, nem uma pastoral comunitária conseqüente. Pretender sacramentalizar para converter, comporta normalmente uma instrumentalização do sacramento e uma insconstância na conversão... É preciso ter coragem de reformular o sistema. Se não se fizer isto, tememos que a pastoral sacramental possa converter-se em “castelo de ar”, em “trabalho de entretenimento”, em “fonte de frustração”.

  2. Dispositivos: Meios adequados, tanto pessoais, quanto materiais e formais.

  • Pessoais: agentes de pastoral, presbíteros e leigos, capazes de entender e de assumir esta pastoral, preparados para realizar seus objetivos e adaptar-se às pessoas, testemunhas fiéis do Deus vivo e da Igreja.

  • Materiais: lugar e tempo de encontro. Material de comunicação e transmissão... conteúdos catequéticos, meios áudio-visuais...

  • Formais: que tendem a articular e harmonizar a ação pastoral de tal forma que o que se oferece chegue a ser aceito, e o que se trabalha, edifique. Estes são: a preparação, a colaboração e a coordenação... a ordenação lógica e dinâmica do processo, de acordo com uma pedagogia adaptada à consecução do fim, que mostree o avanço, a progressividade e a meta... Dos dispositivos depende, em última analisa, a qualidade de oferta pastoral. Não é aquilo que exigimos ou pelo fruto que alcançamos que nos será pedido contas, mas por aquilo que oferecemos e pela verdade e pelo amor com que ministramos.

  1. Corretivos: uma pastoral sem correções corre o risco de degenerar impunemente, de absolutizar inocentemente, de impor-se irrealisticamente. Reuniões, revisões, avaliações, formação para renovar e atualizar, animar e coordenar a tarefa comum, isto para evitar uma adaptação subjetivista e uma interpretação parcial.

Conclusão: Avanços, depois do VAT II: discernimento da fé, diálogo e preparação evangelizadora ou catequética, maior autenticidade de atitudes, intervenção de diversos serviços e ministérios, recuperação da palavra em maior equilíbrio com o rito, celebração comunitária e melhor participação, união mais explícita do sacramento com a vida... Limitações: não integração na pastoral global, polarização abusiva em elementos pessoais (fé e compromisso) e comunitários, esquecimento de sua especificidade mistagógica, instrumentalização, falta de equilíbrio entre a “lei da exigência” e a “lei das misericórdia”, falta de coordenação pastoral, clericalismo e formalismo...

Opções em vista de um novo impulso: 1.Opção de misericórdia que cura; 2. Opção evangelizadora catecumenal; 3. Opção laical que prepare e responsabilize os leigos; 4. Opção familiar; 5. Opção litúrgica; 6. Opção de autenticidade; 7. Opção da continuidade.

Consciência moral, Pastoral Sacramental e celebração dos Sacramentos


A passagem de uma visão dos Sacramentos integrados nos tratados de moral e considerados como objeto de lei moral e de obrigatoriedade pessoal, para outra visão dos Sacramentos, considerados como centro da celebração litúrgica e como atos de participação pessoal, livre, consciente e responsável, trouxe consigo, para muitos, uma importante ruptura entre Moral e Sacramentos. Não se celebram os sacramentos por uma obrigação moral e a participação aos sacramentos nem sempre repercute na transformação da vida moral.

Grandes mudanças na consciência moral


    1. Secularismo: ruptura com o transcendente, que às vezes se manifesta num ateísmo prático, numa indiferença religiosa total, que faz a pessoa desligar-se de toda prática religiosa, de toda ação cultual e de toda celebração dos sacramentos.

    2. Subjetivismo: exaltação das decisões individuais, consideradas como critério e norma última de conduta moral... só se obedece à própria convicção subjetiva e ao gosto pessoal.

    3. Relativismo: dúvida sobre o válido permanente, sobre a verdade referente, sobre o imutável natural, e se chega a relativizar a própria Verdade, o Bem, a Salvação...

    4. Materialismo: avalia somente o material, o pragmático e utilitário ou produtivo. Avalia moralmente os atos pela sua eficácia material imediata. A partir desta atitude, não é fácil compreender o sentido de certos atos de culto, de alguns sacramentos, nos quais o que não conta o utilitário, mas o gratuito, não o material, mas o espiritual.

    5. Imediatismo: o desfrutar imediato da realidade, com seus muitos aspectos de atração, sem atender nem ao passado, nem ao futuro, arrastados pela dinâmica do fugaz e pela voracidade do que serve para um proveito ou satisfação momentânea, que foge de compromissos permanentes e do futuro.

As tendências subjetivistas, relativistas e utilitaristas, hoje amplamente difundidas apresentam-se não simplesmente como posições pragmáticas, como prática comum, mas como concepções consolidadas do ponto de vista teórico que reivindicam uma plena legitimidade cultural e social”. (João Paulo II)

Isto comporta mudanças e uma nova sensibilidade:

. Prefere-se crer mais na misericórdia e na bondade de Deus do que em sua justiça e verdade;

. Está-se mais disposto a seguir as normas de pertença a um grupo ou movimento do que as da grande instituição eclesial;

. Dá-se mais importância às grandes opções e atitudes do que a comportamentos e atos concretos;

. Exalta-se a bondade natural da sexualidade, acima de toda suspeita possível de risco sexual;

. Enaltecem-se a caridade e o amor sobre o preceito e a lei;

. Dá-se mais peso a justiça e a solidariedade acima dew qualquer prática religiosa e, inclusive, a nova religiosidade de nosso tempo;

. Prefere-se falar de ética mais do que de moral e contrapõe-se a ordem ética à moral cristã;

. A liberdade individual é considerada como critério máximo da vida; acima de toda outra lei;

. A verdade tende a confundir-se com o resultado estatístico ou com a decisão majoritária.


SACRAMENTOS – A mudança de consciência moral repercute, em geral no pedido, na participação e coerência com os sacramentos.
Batismo: A secularização levou não poucos cristãos a considerar o batismo como aquele rito sagrado que liberta das forças do mal e protege com as forças do bem. “Existem outras soluções para isto”. Por outro lado, a valorização da pessoa, a exaltação da liberdade, um acento positivo na intervenção e participação e responsabilidade pessoal, familiar e comunitária, também está dando lugar a uma mudança considerável no que diz respeito ao momento e às situações do pedido e da celebração do batismo.

O acentuado secularismo e personalismo de nossa época, unidos a uma crença na bondade de toda a criação, ao mesmo tempo que tem servido para libertar o batismo de alguns “exageros doutrinais e práticos”, estão conduzindo a uma pluralidade de situações batismais novas que exigem nova resposta litúrgica e pastoral... Pede-se o batismo a partir de diversas atitudes de fé e a partir de distintas situações matrimoniais e familiares.


Confirmação: Durante muito tempo foi considerada mais secundária que o batismo e não necessária para a salvação. O problema da confirmação é o problema da iniciação. O que a sociedade oferece e o que a Igreja oferece? Nossa sociedade oferece aprendizagem técnica, enquanto a Igreja oferece iniciação simbólica: nossa sociedade demanda saber produtivo e rentável, e a Igreja oferece saber de fé e experiência de Deus; nossa sociedade pede especialização parcializada, e a Igreja deseja conversão integral e transformação de todas as dimensões; nossa sociedade em mutação pede mobilidade e compromissos parciais, a Igreja exige estabilidade de pertença e compromisso definitivo; nossa sociedade oferece liberdade para desfrutar a vida sem restrições, e a Igreja exige renúncias ao que não está em consonância com o Evangelho (demônio – mundo – carne); nossa sociedade se inclina para o fragmentário, exato e imediato e aceita facilmente as mudanças de ideologia e liderança, e a Igreja pede um processo duradouro para uma fidelidade permanente a um único líder (Cristo) e a um único grupo de seguidores (a Igreja); nossa sociedade não apresenta modelos fixos e permanentes de iniciação, mas deixa a liberdade para o próprio “cocktail iniciático”, enquanto a Igreja tem um modelo referente e permanente de iniciação... Na verdade, a iniciação cristã se defronta hoje com grandes dificuldades para cumprir seus objetivos, devido não só à mentalidade e estilos de vida reinantes, mas também devido à crise das mesmas intuições clássicas pelas quais se realizava esta iniciação: família, paróquia, escola; e devido à carência de modelos iniciáticos, de valores de ideal, de referentes comunitários.

A confirmação parte de algumas atitudes morais que não se harmonizam com as exigências desta iniciação, defronta-se com obstáculos como a rejeição das normas de moralidade... Acontece, inclusive, que se esteja preparando e caminhando até a iniciação plena com seu ponto culminante na Eucaristia e não se participe da eucaristia dominical, nem se esteja disposto a faze-lo depois da confirmação, considerando que, sem isto, se pode igualmente ser cristão sincero...


Eucaristia: é, ao mesmo tempo, sacramento de iniciação, como ponto culminante do processo iniciático, é sacramento central da comunidade cristã, é “cume e fonte” de toda a vida cristã. A atitude materialista e consumista pode levar à “comercialização” das primeiras comunhões... O relativismo leva a rejeitar o “preceito” como algo já passado, fruto de outra mentalidade, de outra época.

A queda do “preceito dominical” não significa queda na qualidade de participação dos praticantes. Pelo contrário, a participação na eucaristia dominical chegou a ser um ato mais consciente, uma decisão mais livre, uma opção entre outras possíveis, um certo sacrifício em meio das comodidades... e isto faz com que tal participação tenha melhorado, tornando-se, na maioria dos casos, mais comunitária e festiva, mais ativa e comprometida.

Constata-se a passagem de uma mentalidade muito jansenista para outra mais laxista. Em outros tempos para poder comungar era necessário “passar pelo confessionário”, hoje se está mais consciente de que também pela eucaristia se perdoam tais pecados. Esta mudança encerra não poucos aspectos positivos, como: maior valorização da participação eucarística através da comunhão, a superação de atitudes rigoristas, a valorização do caráter reconciliador das eucaristia, uma maior clareza entre o pecado que exige e o que não exige a confissão, a não conexão necessária, em todos os casos, entre comunhão e celebração do sacramento da penitência. Mas também supõe aspectos negativos: uma certa leviandade ao aproximar-se da comunhão sem “examinar a própria consciência”(1Cor 11,27), uma deformação da própria consciência que interpreta com certo subjetivismo e relativismo a própria situação da vida, uma desafeição com respeito ao sacramento da penitência e, às vezes, até uma falsa concepção no tocante a Deus...
Penitência: é o sacramento que sofre uma maior desafeição e abandono por parte dos fiéis e, às vezes, por parte dos sacerdotes. Constata-se uma carência de uma catequese e pedagogia adequados para a educação do povo. A má compreensão e radicalismos em torno da confissão comunitária e a nostalgia e necessidade da confissão auricular e o desaparecimento de outras práticas penitenciais tradicionais (jejum, privações, quaresmas...) trouxe grande confusão...

A realidade desta grande mudança moral e celebrativa sacramental está reclamando da Igreja uma nova colocação em concepção (doutrina), proposição (pastoral – catequese) e celebração do sacramento (liturgia) que, partindo das novas sensibilidades e das novas formas de expressão reconciliadoras impulsione sua vivência e sua valorização... suscitar a união da penitência com as ações reconciliadoras da vida,... promover as diversas formas de solidariedade e de justiça como expressões de amor de Deus e aos irmãos.



Unção dos enfermos: pelo secularismo se chega à negação da vida como dom de Deus, verdadeiro e único Senhor da vida, pelo individualismo se chega à oposição a tudo o que supõe um freio ou limitação para a liberdade... pelo materialismo se desemboca na marginalização do improdutivo e custoso para a sociedade, pelo imediatismo do prazer da vida se busca o saudável e formoso, se diviniza a saúde, se demoniza a enfermidade.

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA


LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach


Perspectivas urbanas da pastoral sacramental. Pe. Joel Portella Amado

(pg. 201-208)


Questões para debate:

1.No contexto atual, o que entendemos por “cultura urbana”?

2. Em que consiste a insatisfação sacramental, tanto da parte de quem oferece e “administra” os sacramentos, como de quem os procura e recebe?

3. Analisem e explicitem o trajeto (itinerário) sacramental dos ambientes “pré-urbanos”: pessoa – Jesus Cristo – Igreja – Sacramentos (ritos), e da “cultura urbana”: pessoa – Jesus – instância vizibilizadora do sagrado – ritos.

4. Em que consiste a ambigüidade do retorno ao sagrado no contexto da cultura urbana?

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA


LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach


Perspectivas urbanas da pastoral sacramental. Pe. Joel Portella Amado

(pg. 208-217)


Questões para debate:

    1. Diante da insatisfação sacramental, em que consiste o “pacto da boa vizinhança” entre o que oferece e o que busca o sacramento?

    2. Analisem os dois níveis de ressignificação produzidos pelo descompasso sacramental da cultura urbana.

    3. Como podemos considerar e trabalhar o “significado” profundo do sacramento com as pessoas que só estão interessados no “significante”?

    4. Em que consiste a magia no mundo da religião, dos sacramentos e sacramentais?

    5. É preciso banir a magia da religião? Ou ela tem seu lado benéfico? De que forma? Não considera-la não é uma das razões da emigração de muitos católicos ?

    6. Como considerar e dar um direcionamento pastoral a força da dimensão mágica presente na vida dos fiéis?


ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA


LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach


Pobres Sacramentos. Juan Fernando Lopes

(pg. 24-35)



Questões para debate:

    1. Dentre as perguntas levantadas, qual delas expressa mais e melhor nossos questionamentos sobre os sacramentos? Porque?

    2. que outras perguntas nos surgem diante deste tema dos sacramentos? Seria bom formulá-las por escrito, para ver se ao longo dos temas vamos encontrando luzes que, pelo menos, as esclareçam um pouco.

    3. Que outros problemas estão presentes hoje (sobre este tema dos sacramentos) em nossa Igreja e comunidades?

    4. Em concreto, quais as maiores dificuldades que temos para a vivência dos sacramentos?


ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA


LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach



Encaminhamentos: SACRAMENTO DO BATISMO
LER:

    1. Ritual do Batismo de crianças.

      • Apresentação

      • Observações preliminares gerais.

      • Observações preliminares.

      • Os diversos ritos




    1. Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA)

      • Introdução ao RICA

      • Preparação: pré-catecumenato, catecumenato, tempo de purificação e iluminação, celebração.

      • Os ministérios e as funções.

      • O tempo e o lugar.




    1. O Batismo de crianças,Estudos da CNBB 81, São Paulo, 2001

    2. O itinerário da fé na “iniciação cristã de adultos”, Estudos da CNBB 82, Paulus, São Paulo, 2001.

    3. Batismo de crianças, Documentos da CNBB 12, Paulinas, São Paulo, 1984.


PESQUISA DE CAMPO:

    1. Participar, observar e analisar a preparação e a celebração de batizados de crianças e adultos. Fazer uma confrontação com o que nos apresenta o ritual.

    2. Quais são e de que forma são desenvolvidos os conteúdos e os aspectos evidenciados da preparação?

    3. Entrevistar pais, padrinhos e se possível alguém (adulto) que vai ser ou foi batizado, sobre as motivações que os levam a procurar o sacramento.

    4. Alguma filmagem de um batizado poderá ser oportuna.


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LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach



Encaminhamentos: SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO
LER:


  1. Ritual da Confirmação

      • Constituição Apostólica sobre o Sacramento da Confirmação

      • Introdução

      • Rito da Confirmação




  1. Orientações para a catequese da crisma, Estudos da CNBB 61, Paulinas, São Paulo, 1991.


PESQUISA DE CAMPO:

  1. Participar, observar e analisar um (ou mais) encontros (catequese) em preparação à crisma. Descrever a dinâmica, o envolvimento e a participação dos catequizandos. Analisar o conteúdo do encontro e o material utilizado na preparação para a crisma.

  2. Entrevistar alguns jovens (catequizandos) e a/o catequista.

  3. Se não for possível participar de uma celebração da crisma, uma filmagem poderá ser oportuna.



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LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach



Encaminhamentos:
LER:


  1. Missal Romano

      • Introdução Geral sobre o Missal Romano

      • Importância e dignidade da celebração eucarística.

      • Estrutura, elementos e partes da missa.

      • Funções e ministérios na missa.

      • Diversas formas de celebração da missa.

      • Disposição e ornamentação das Igrejas para a celebração da eucaristia.

      • Requisitos para a celebração da missa.

      • Familiarizar-se com todo o missal.




  1. Diretório para missas com grupos populares. Documentos da CNBB 11, Paulinas, São Paulo, 1977.

  2. BECKHÄUSER, Fr. Alberto, Instrução geral sobre o Missal Romano. Vozes, Petrópolis, 2004.

  3. BECKHÄUSER, Fr. Alberto, Novas mudanças na missa. Vozes, Petrópolis, 2003.


PESQUISA DE CAMPO:


  1. Participar e observar celebrações em contextos diferentes, analisando e descrevendo os principais elementos que as compõe: a assembléia, o presidente e a equipe de celebração, ritos, gestos, símbolos, espaço, ornamentação, comunicação, conteúdo, participação...

  2. Entrevistar algumas pessoas sobre as motivações que as levam a participar, o significado ou a importância da missa na vida delas. Colher algumas opiniões sobre celebrações.


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LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach



Encaminhamentos: SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

LER:


  1. Ritual da Penitência

      • Introdução Geral

      • Diversas formas de celebração – Ritos.




  1. Pastoral da Penitência, Documentos da CNBB 6, Paulinas, São Paulo, 1976.



PESQUISA DE CAMPO:


  1. Entrevistar um ou mais padres que atendem regularmente confissões num “Santuário Penitencial” (Ex. Igreja do Rosário, Igreja São Luis – Canoas, Igreja Santo Antônio do Partenon...). Perfil dos penitentes. O que buscam através do Sacramento...

  2. Entrevistar pessoas de diferentes idades sobre a necessidade e o sentido do sacramento em suas vidas...


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LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach



Encaminhamentos: SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO

LER:


  1. Ritual do Matrimônio

      • Importância e dignidade do Sacramento do Matrimônio.

      • Ofícios e ministérios.

      • Formas de celebração do Matrimônio.




  1. Orientações pastorais sobre o matrimônio, Documentos da CNBB 12, Paulinas, São Paulo, 1978.



PESQUISA DE CAMPO:


  1. Participar (se possível) de um curso de noivos. Analisar os conteúdos, a participação e a reação dos noivos. Entrevistar alguns sobre as motivações que os levam a buscar o sacramento. A concepção de casamento e família no mundo de hoje.

  2. Participar de uma ou mais cerimônias de casamento e fazer uma análise.

  3. Uma filmagem pode ser oportuna para um debate.


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LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach



Encaminhamentos: SACRAMENTO DA UNÇÃO DOS ENFERMOS
LER:


  1. Ritual da Unção dos enfermos e sua assistência pastoral.

      • Constituição Apostólica sobre o Sacramento da Unção dos enfermos.

      • Introdução.

      • Ritos.




  1. Pastoral da Unção dos Enfermos, Documentos da CNBB 14, Paulinas, São Paulo, 1979.



PESQUISA DE CAMPO:


  1. Visitar um Hospital e entrevistar um Capelão hospitalar, acompanhando-o na visita aos doentes e na administração do Sacramento.

  2. Acompanhar ministros ou membros da Pastoral da Saúde em visita aos doentes.


ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA


LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach



Encaminhamentos: SACRAMENTO DA ORDEM
LER:


  1. Ritual de Ordenação de Bispos, Presbíteros e Diáconos.

      • Constituição Apostólica

      • Introdução Geral.

      • Cap. I – Ordenação de um Bispo.

      • Cap. II – Ordenação de presbíteros

      • Cap. III – Ordenação de diáconos.



PESQUISA DE CAMPO:


  1. Participar, observar e analisar (se possível) a ordenação de Bispo, de presbítero ou de diácono.

  2. Entrevistar pessoas (leigos) sobre o sentido e a importância dos ministérios ordenados em suas vidas e na vida da Igreja e como vêem a relação entre os ministérios ordenados e os ministérios leigos.

  3. Alguma filmagem de ordenação pode ser oportuna para uma análise e debate.



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LITURGIA SACRAMENTAL

Professor: Frei Carlos R. Rockenbach



Encaminhamentos: PASTORAL DAS EXÉQUIAS
LER:


  1. Ritual das Exéquias.

      • Introdução

      • As diversas formas de celebração.



PESQUISA DE CAMPO:


  1. Visitar um dos cemitérios de Porto Alegre – observar diversos velórios e celebrações das exéquias.

  2. Entrevistar um ministro das exéquias e algumas pessoas sobre o sentido da morte e da celebração das exéquias..


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LITURGIA SACRAMENTAL

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Encaminhamentos: BÊNÇÃOS

LER:


  1. Ritual da Bênçãos.

      • Introdução Geral

      • Observações gerais

      • O conteúdo e os ritos das múltiplas bênçãos.




  1. Ritual de Bênçãos por Ministros Leigos

      • Introdução Geral

      • A introdução de cada bênção

      • Compare os dois rituais.



PESQUISA DE CAMPO:


  1. Participe, observe e analise uma celebração de bênção.

  2. Visite (se possível) uma casa de bênção (Pentecostal), observe e compare com as bênçãos católicas.

  3. Visite e entreviste uma benzedeira.

  4. Procure saber em todas as situações, as motivações que levam as pessoas buscar a bênção.



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