Países árabes: conjuntura atual e perspectivas



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“PAÍSES ÁRABES: CONJUNTURA ATUAL E PERSPECTIVAS”- 2011


A FORMAÇÃO DOS ATUAIS ESTADOS ÁRABES NO ORIENTE MÉDIO

IRAQUE

José Farhat
O Iraque deve seu nome à expressão árabe Iraq al-Arabi como era conhecida pelos muçulmanos que conquistaram a região no Século VII e cobre o território da antiga Mesopotâmia, as terras férteis entre os rios Tigre e Eufrates, onde nasceram as primeiras civilizações orientais às quais devemos a escrita.
Desde a conquista islâmica o Iraque passou a ter crescente importância religiosa e política e lá aconteceriam os conflitos resultantes dos problemas de sucessão do profeta Muhammad e a divisão do Islã nas suas duas correntes mais importantes: xiita e sunita. O primeiro Império Muçulmano, o dos Omíadas (661-750), sediado em Damasco, não conseguiu controlar totalmente a região e foi das turbulências e revoltas dela oriundas que acabaria nascendo o segundo Império Muçulmano, o dos Abássidas que reinaria em Bagdá até o ano de 1258. A Mesopotâmia viveria um segundo período de glória e Bagdá se tornaria a capital florescente do Império e a sede de uma grande cultura.
O Império Abássida acabaria minado por rivalidades econômicas e sociais e, ameaçado pelo Império Bizantino, perdeu o controle sobre o fluxo econômico vindo do Extremo Oriente e acabaria sendo presa fácil dos Turcos Seljúcidas que se apoderaram dos territórios sob seu domínio em 1055. O território do Iraque acabou dividido entre turcos e kurdos, até ser conquistado pelos mongóis (1258-1259), arruinado e dominado por diversas dinastias mongóis e turcomanas, arrasado por Timurlenk1 (1336-1405) em 1401 e facilmente anexado pelos turcomanos entre 1499 e 1508 para finalmente cair nas mãos dos sultões otomanos que incorporariam o território em 1638.
O Império Otomano e o Império Safávida2 da Pérsia, este xiita e aquele sunita, tornaram o território da Mesopotâmia palco de suas lutas pela conquista das terras e das mentes, numa peleja que perdura, através de seus sucessores, até o dia de hoje. O Iraque herdou dos dois impérios uma severa influência das duas correntes do Islã.
Nem por isto cessaram os distúrbios sempre reinantes no Iraque, entre nômades e sedentários, minorias kurdas e poder central, xiitas e sunitas, lutas intertribais, repercussões de lutas internas do Império Otomano, persistentes incursões persas e, a partir de 1790, invasões dos sauditas-wahhabitas que vinham combater o xiismo seguido por parte dos iraquianos. No Século XIX o decadente Império turco não teve como evitar as intromissões progressivas do Ocidente sobre seus limites territoriais.
Os turcos tentaram modernizar o Iraque com a introdução de estradas de ferro, tipografia, telégrafo, tráfego marítimo, escolas e correios, o que foi interrompido quando a Turquia entrou em guerra ao lado da Alemanha, em 1914 e os britânicos desembarcaram rapidamente no Iraque a partir de 1915 com forças imperiais vindas da Índia, abrindo uma frente militar e ocuparam Bagdá de 1917 em diante.
Na alvorada do século XX o território era palco de lutas entre dois impérios rivais: o otomano e o britânico. Com o fim do Império Otomano, em 1918, a Grã Bretanha passou a exercer um mandato sobre as províncias de Bagdá e Basrah, unindo-as sob o nome de Iraque e colocando-as sob a autoridade do Rei Faissal I ibn Hussein (1883-1933), em 1921.
Os iraquianos e os árabes em geral viram seus anseios de independência traídos tal como preconizados no Acordo Hussein – McMahon que estabelecia claramente os limites da Nação Árabe, em troca do apoio árabe aos aliados na guerra contra o Império Otomano. Vale a pena lembrar que enquanto prometiam independência aos árabes, ao mesmo tempo negociavam o Acordo Sykes – Picot com a França e outros aliados, dividindo as terras árabes e, ao mesmo tempo também, faziam a Declaração Balfour prometendo parte do território aos judeus sionistas.
Manipulando a Sociedade das Nações, a Grã Bretanha obteve um mandato desta para governar o Iraque que passou a valer em abril de 1920. A elite iraquiana, inspirada no movimento dos Jovens Turcos, já no mês seguinte, em 3 de maio de 1920, reagiu ao mandato e à ocupação britânica com uma insurreição que movimentou o povo iraquiano e se prolongou até abril de 1921. Esta insurreição contra os britânicos foi a primeira, mas não seria a única.

Recém nomeado Secretário de Estado das Colônias, Sir Winston Leonard Spencer Churchill (1874-1965) 3 convocou a Conferência do Cairo, em março de 1921, com o objetivo declarado de consultar especialistas em Oriente Médio4 e a intenção de cumprir com os planos imperiais de seu Primeiro Ministro, David Lloyd George (1863-1945) 5. As mais importantes decisões desta Conferência foram: oferecer o trono do Iraque ao Amir Faissal ibn Hussein e o Emirado da Transjordânia ao irmão deste, Amir Abdallah ibn Hussein, para fingir que estava o Império Britânico, com a criação de duas regiões hachemitas, cumprindo com as suas promessas de guerra de independência da Nação Árabe, feitas ao Sharif Hussein Ibn Ali, do Hijaz. É claro o cinismo: a Nação Árabe não era constituída apenas por estas duas regiões, pois faltou toda a Península Arábica, a Síria (que incluía o Líbano) e a Palestina propriamente dita (da qual se retirou a Transjordânia).

A Conferência do Cairo estabeleceu também as diretrizes políticas da Administração Britânica do Iraque e a distribuição das forças armadas britânicas no território iraquiano e a concentração da força aérea na base de Habbaniah.6

Churchill criaria grande controvérsia com suas políticas no Iraque. Estimou-se desde o início que um contingente de 25.000 britânicos e 80.000 indianos seria necessário para controlar o país, mas Churchill argumentou que apenas 4.000 britânicos e 10.000 indianos seriam suficientes desde que fosse usada a força aérea e, convencido Lloyd George, ele mandou a recém formada Royal Air Force (RAF) para o Iraque.



Um levante de mais de 100.000 membros de tribos armados estourou em 1920. Durante os meses seguintes a RAF de Churchill lançou 97 toneladas de bombas, matando 9.000 iraquianos. Com isto os britânicos esperavam terminar com a resistência árabe e kurda, mas o resultado foi o contrário e os levantes continuaram sendo um desafio para a governança britânica. Churchill sugeriu o uso de armas químicas “contra os árabes recalcitrantes” como os definiu. Ele diria mais: “Sou a favor do uso de gases venenosos contra estas tribos bárbaras para espalhar um terror vivo” no Iraque.
Na tentativa de acalmar os iraquianos, os britânicos nomearam um Conselho Árabe de Estado, a eles subordinado, que oficialmente designou a Faissal como rei do Iraque.
Uma assembléia constituinte ratificou em março de 1924 um tratado, assinado em outubro de 1922, definindo as relações do novo estado com a potência mandatária. O Estado iraquiano passou a ser constituído pelas províncias otomanas de Bagdá e Basrah (menos o Kuwait) e a província otomana de Mossul, no Kurdistão. Mossul ao norte e Basrah ao sul já eram reconhecidamente ricas em petróleo.
A formação do Iraque foi um montão de contradições.
As potências que ganharam a I Guerra Mundial haviam prometido a formação de um Estado e a independência para os kurdos. Estes, no entanto, tal os árabes, foram traídos e tiveram seu território dividido. A Turquia apesar de inimiga derrotada na guerra ficou com grande porção, o recém criado Iraque ficou com a região kurda de Mussol, o Irã incorporou seu quinhão, além de pequenas partes que ficaram com a Síria e as regiões trans-caucasianas. Os kurdos, fora a religião muçulmana e a riqueza em petróleo, pouco ou nada tinham em comum com as antigas províncias otomanas de Bagdá e Basrah e o Iraque passaria a ter neles, como era de se esperar, uma força de oposição permanente.
A subtração do Kuwait da província de Basrah foi resultado da decisão britânica de não deixar muito petróleo em mãos dos iraquianos e parcelar a região sob sua tutela, para melhor dominá-las. A Grã Bretanha deixava assim as sementes que causariam decênios depois duas das três guerras do Golfo.
Outro fator importante e perturbador é que o poder central do novo Reino se apoiava sobre os muçulmanos sunitas, cujo número era igual ao de xiitas vivendo dentro do Iraque. A população xiita crescia sem cessar e, ao aumentar em número de pessoas, sem acesso ao poder, empreenderiam movimentos de contestação que perduram até o tempo presente.
Com a preocupação de garantir para si a exploração dos recursos petrolíferos do país, a Grã Bretanha se empenhou em constituir um poder estatal iraquiano bem consolidado com o qual pudesse manter um relacionamento estável. Foi assim que em 1927 a exploração do petróleo foi confiada à Iraq Petroleum Company (IPC); em junho de 1930 um novo tratado anglo-iraquiano foi assinado dando ao Iraque uma independência nominal, enquanto era mantido o controle britânico previsto para durar no mínimo vinte e cinco anos.
Faissal morreria em 1933, amargurado após viver as traições da Grã Bretanha e de seus aliados, desde quando participou ao lado deles na guerra contra o Império Otomano, viu fracassadas as suas gestões junto a eles durante a realização do Tratado de Versalhes e na Liga das Nações, sua nomeação fracassada como Rei da Síria e, finalmente, seu assento sobre um trono iraquiano instável que desagradava ao povo e só servia aos interesses da Grã Bretanha.
A Grã Bretanha só fazia exacerbar os sentimentos nacionalistas no Iraque e teve que amargar, entre 1936 e 1941, nada menos que sete golpes de Estado.
Ghazi I ibn Faissal (1912-1939) sucedeu a seu pai e reinou de 1933 a 1939. Seu curto reinado presenciou divisões na sociedade iraquiana, especialmente entre as forças militares. O próprio Ghazi se envolveu nestes conflitos, insistindo com os militares para que derrubassem o governo civil. Era considerado um líder popular devido a seu posicionamento contra os britânicos. Por estes era considerado um indomável. Gostava de carros velozes e morreu num deles, contra uma árvore; nem o governo civil e nem tampouco os britânicos pensaram numa investigação.

Herdou o trono Faissal II ibn Ghazi (1935-1958), com apenas quatro anos sob a regência de seu tio Abd al-Ilah ibn Ali (1939-1958) 7. Este como Regente do Trono iraquiano governou o Iraque por 14 anos turbulentos, servindo ao trono com a mesma lealdade que dedicava à Grã Bretanha e aliados durante a II Guerra Mundial. Nada poderia ser mais agradável aos britânicos do que ter Abd al-Ilah por trás do trono e Nuri al-Said (1888-1958) na presidência do Conselho de Ministros, por oito vezes. Esta aliança com os britânicos enfurecia cada vez mais o povo iraquiano. De distúrbio em distúrbio, um levante sob a liderança de Rachid Ali al-Gaylani (1892-1965), um nacionalista pró Alemanha e Itália, de quem esperava apoio aos árabes quando vencessem a guerra, tomou o poder em 1941. O Rei Faissal II, o Regente o Primeiro Ministro Nuri al-Saïd e um séquito de leais apoiadores foram forçados a deixar o Iraque. A reação da Grã Bretanha não se fez esperar na campanha que se chamaria Guerra Anglo-iraquiana voltou a ocupar militarmente o Iraque e obrigaram o país a entrar na II Guerra Mundial, ao lado dos aliados. Com o Rei, Abd al-Ilah voltou ao Iraque, em companhia daqueles que os haviam seguido para o exílio. Em estreita colaboração com Nuri al-Saïd e com a intenção de acalmar os ânimos, Abd al-Ilah seguiu uma política nacionalista moderada, mantendo ao mesmo tempo fortes laços com a Grã Bretanha. Quando Faissal II atingiu a maioridade, em 23 de maio de 1953, o Regente deixou suas funções, mas continuou como principal assistente e companheiro do jovem Rei, até serem mortos durante a revolução de 1958.



Apesar de certas concessões feitas com relação ao tratado de 1930 Abd al-Ilah conseguiu, apoiado em al-Saïd, manter o país sob a dominação britânica. Esta situação, longe de aplacar as tensões, avivou-as mais ainda devido a problemas econômicos e sociais e pela Guerra Árabe-Israelense de 1948-1949. Algumas medidas econômicas (como a criação de um Conselho de Desenvolvimento em 1950) e políticos (projeto de federação dos países do Crescente Fértil: Iraque, Síria, Líbano, Jordânia e Palestina) não foram suficientes para dar prestígio aos donos do poder. O Partido Comunista iraquiano, criado em 1934, com grande penetração junto a kurdos e xiitas, encabeçava então os movimentos de protesto, principalmente as manifestações de novembro de 1952, em Bagdá. A adesão do Iraque ao Pacto de Bagdá (1955) 8, por pressão de Londres e Washington, o silêncio do poder iraquiano durante a crise do Suez9, a proclamação de uma federação dos dois reinos hachemitas, só resultaram em irritação dos sentimentos nacionalistas da população por unir dois estados dominados pela Grã Bretanha e suscitaram a hostilidade do Egito nasserista e da Liga Árabe.
Cinco meses após a proclamação da federação hachemita entre Iraque e Jordânia, dia 14 de julho de 1958, um golpe de Estado militar acabaria com a farra de subserviência aos desígnios britânicos. O Rei Faissal, o Herdeiro do Trono Abd al-Ilah e o Primeiro-Ministro al-Said foram executados pela multidão enfurecida.
O general Abd al-Karim Kassem (1914-1963), assume o poder e proclama a república. A contestação do novo regime, no entanto, veio conduzida pelos ideais do nacionalismo árabe do Partido Socialista Baath10 fundado por Michel Aflaq (1910-1989) 11 àquela altura favorável a uma aproximação com o regime egípcio de Gamal Abdel Nasser (1918-1970) 12 e que seduzia as elites militares sunitas. Kassem teve o mérito de assegurar a independência do país face à Grã Bretanha, retirando o Iraque da Federação Árabe, do Pacto de Bagdá e da zona sterling. Aproximou-se da União Soviética e preferiu se apoiar no Partido Comunista mais que nos nasseristas militantes do pan-arabismo. O coronel Abdul Salam Arif (1920-1966), veterano do movimento que derrubou a monarquia, uniu-se aos nasseristas, cujos partidos estavam na clandestinidade, se opôs violentamente aos comunistas em março de 1959, mas o levante foi esmagado. No entanto, acusados de haver fomentado os distúrbios entre kurdos e turcomanos em 1959, em Kirkuk, os comunistas foram reprimidos (o que custou no mínimo 5.000 comunistas mortos) e seu partido proibido no ano seguinte.
A opção autoritária do regime se acentuava, mas não impediu a insurreição kurda de se desenvolver, a partir de 1961, sob a direção de Mulla Mustafa al-Barzani (1903-1979) 13. O descontentamento popular também se acentuava.
Após a ruptura com os comunistas, o Iraque continuará sempre governado pela minoria sunita, o que desagrada a xiitas e kurdos.
Estas duas oposições ao poder central cresciam e enfraqueciam a república de Kassem e, na tentativa de recuperar prestigio, anunciou as reivindicações iraquianas sobre o Kuwait independente e rico em petróleo, desagradando assim ao Egito e à Grã Bretanha e causando a ruptura de ralações diplomáticas com o Líbano, a Jordânia e os Estados Unidos, terminando por isolar o Iraque. Em dezembro de 1961 o governo entra em conflito direto com a Iraq Petroleum Company (IPC) e nacionaliza parte da produção petrolífera.
Em 8 de fevereiro de 1963 um golpe de estado dirigido por militares encabeçados por Abdul Salam Arif (1921-1966), aos quais se juntaram partidários da união árabe nasserista e, sobretudo membros do Baath, depôs Kassem e o executaram, juntamente com todos os seus auxiliares. A constituição foi revogada e os baathistas lideraram uma repressão aos comunistas e, para esfriar os ânimos ocidentais contra o Iraque, renunciaram às pretensões iraquianas sobre o Kuwait e reconheceram a autonomia dos kurdos.
Como um acordo definitivo sobre a autonomia do Kurdistão não foi assinado, as hostilidades são retomadas, desta feita pelo Partido Democrático do Kurdistão de al-Barzani. Estas hostilidades se prolongariam com algumas interrupções até 1975.
Sob o domínio do Exército aliado ao Baath, o Iraque abre suas portas para o comércio com o exterior, melhora suas relações com a IPC e abranda suas relações externas e se posiciona a favor do golpe de estado baathista na Síria (1963), com a qual assinou um acordo militar, logo após o fracasso de uma tentativa de união entre Iraque, Egito e Síria.
Arif julgou o Baath incapaz de realizar as reformas que haviam sido combinadas e afastou este partido do governo, concentrando em suas mãos plenos poderes e, seguindo o modelo nasserista, fundou um partido único a União Socialista Árabe, interditou todos os demais partidos, assinou um cessar-fogo com os kurdos, promulgou uma constituição provisória, afirmou o caráter islâmico do regime, liberou prisioneiros políticos, criou uma companhia petrolífera nacional, nacionalizou parte da indústria, os bancos e as companhias de seguros e assinou um pacto militar com o Egito.
Nada do que fez Arif agradou a qualquer setor da sociedade iraquiana: os kurdos voltaram à luta pela falta de atendimento a suas reivindicações, a burguesia pelas nacionalizações e o discurso socialista incessante, os pró-nasseristas pela demissão de seis ministros seus. Os setores militares tentaram, mas fracassaram em um golpe militar em setembro de 1966.
No tempo de Arif ou qualquer outro antes ou depois dele até hoje o governante deve levar em conta que a política iraquiana é fundada sobre alianças tribais e sua recomposição permanente, sobre uma violência endêmica, um controle policial constante, o clientelismo e o terror, tem dificuldade em seguir um caminho estável.
Quatro dias após a morte de Arif, em acidente de helicóptero, seu irmão, o general Abdul Rahman Arif (1916-2007) substituiu-o na chefia do estado. Providenciou um novo cessar-fogo com os kurdos que pouco durou e teve que enfrentar a rebelião de parte das forças armadas, dos comunistas, baathistas e pró-nasseristas e, na ocasião da guerra Árabe-Israelense de 1967 o Iraque declarou guerra a Israel, rompeu relações diplomáticas com os Estados Unidos e cortou as exportações de petróleo para os países ocidentais que apoiaram o Estado Hebreu.
Não duraria muito e em 17 de julho de 1968 o Baath retomaria o poder e o general Ahmad Hassan al-Bakr al-Takriti (1914-1982), responsável pela organização militar do partido é nomeado presidente da república e seu primo Saddam Hussein Abd al-Majid Al-Takriti14 (1937-2006) o acompanhava de perto.
Em 22 de setembro de 1968 uma nova constituição provisória estabelece o socialismo como princípio diretor.
Os xiitas, mais uma vez distanciados do poder, se aproximaram do Irã no quadro de um partido de orientação religiosa: o Partido do Apelo Islâmico, enquanto as relações oficiais do Iraque com o Irã se degradavam, agravadas pelas pretensões do Imperador Muhammad Reza Shah Pahlavi (1919-1980) 15 sobre o Chatt al-Arab16 e o revide iraquiano expulsando residentes iranianos de seu território.
Com a adoção de um regime de orientação socializante, a oposição de direita foi duramente oprimida, enquanto se assinava um pacto nacional de cooperação com as forças progressistas, dois comunistas são nomeados para o ministério, a IPC foi nacionalizada e novos acordos foram assinados com a União Soviética, 17 foi dada uma ajuda aos palestinos e o Iraque entrou na quarta Guerra Árabe-Israelense de 1973, ao lado das forças egípcias.
O general al-Bakr começou a ficar cansado com a tutela de seu primo Saddam Hussein e com as oposições tanto externas quanto internas. Em 1975 ele teve problemas com a Turquia a respeito da divisão das águas dos rios Tigre e Eufrates, que nascem naquele país e falharam as tentativas de reaproximação com o PDK e os kurdos, agora divididos, com a criação do Partido Progressista Kurdo (PPK), reiniciaram as hostilidades. Apesar de deportações, destruição de aldeias, anistia aos kurdos refugiados no Irã, al-Bakr não conseguiu estabilizar o seu regime, igualmente enfraquecido pela contestação xiita inspirada na revolução iraniana. Para completar o quadro, as relações com a Síria estavam cada vez mais difíceis.
No entanto, Hussein descobriu que al-Bakr havia enviado uma carta secreta ao Presidente Hafiz Assad, da Síria, propondo uma união entre os dois países. Isto serviu de desculpa e Hussein obrigou al-Bakr a se demitir.
Saddam Hussein procurou evitar todo tipo de tramas que normalmente envolvem a política iraquiana e assumiu ao mesmo tempo: a presidência da república, o comando das forças armadas, a chefia do partido Baath e o patriarcado de sua tribo, a cujos membros confiou o Ministério da Defesa, o departamento militar do Partido, as indústrias bélicas, a polícia política e os serviços especiais.
Reprimindo ferozmente a oposição – com torturas e execuções sumárias, ao descobrir uma conspiração envolvendo pessoal de proa do Baath e das Forças Armadas não titubeou: foram sumariamente julgados e vinte e um dentre eles executados, além de outros, num total de 500, que desapareceram para sempre. Hussein desembaraçou-se dos sindicatos de trabalhadores, da milícia, uniões de estudantes e demitiu os chefes de governos locais e provinciais que considerados não muito leais a ele. Mostrando-se generoso para com os lugares sagrados do xiismo e o alto clero xiita, não deixou de mandar um recado terrível: mandou matar o mais influente entre eles, o Ayatollah Muhammad Baqir al-Sadr (1936-1980) 18 por se levantar com palavras e atos contra ele e o Baath e expulsou cerca de 30.000 xiitas para o Irã.
No entanto, restava-lhe a preocupação de eventual influência da revolução islâmica iraniana sobre a maioria.
Com um golpe no prego e outro na ferradura, Hussein fingiu uma abertura democrática de fachada emendando a Constituição, criando a Assembléia Nacional e organizando eleições legislativas bem controladas, ganhas pelo Baath e seus aliados da Frente Nacional Progressista (da qual foram eliminados os comunistas).
Aplacada a situação interna, não contente, Hussein se envolveria em suas guerras externas.
A I Guerra do Golfo (1980-1988) 19 entre o Iraque e o Irã foi iniciada, entre outros fatores, para acabar com a preocupação de Hussein da eventual influência da revolução islâmica iraniana sobre a maioria xiita; ao mesmo tempo, por sua vontade de recuperar importantes concessões feitas ao Irã pelos acordos de 1969 e 1975; para realizar o seu sonho de ocupar o Khuzistão iraniano de maioria étnica árabe; e, obviamente massagear o seu ego por tornar-se o senhor mundial do petróleo.
A guerra durou oito anos e arruinou totalmente a economia iraquiana, apesar dos importantes aportes financeiros advindos das potências ocidentais, encabeçadas pelos Estados Unidos20 e pelos países árabes do Golfo Arábico.
Durante a guerra os xiitas, os kurdos e os comunistas se alinharam com o Irã. Os xiitas foram ajudados pela Síria, aliada do Irã, que cortou parte da fonte de divisas do Iraque fechando o oleoduto de Kirkuk, os kurdos foram ajudados pela Turquia que acolheu cerca de 120.000 kurdos iraquianos. A repressão foi selvagem e implacável conduzida contra os xiitas pelo terror policial e contra os kurdos com até mesmo o uso de armas químicas e destruição de suas aldeias.
O regime de Hussein sofria com instabilidade política, ameaças de golpes e uma situação social extremamente tensa. Bagdá sofria de bombardeios freqüentes e até mesmo diários dependendo da fase da guerra e Basrah foi praticamente destruída pela artilharia.
Por outro lado, a guerra permitiu o restabelecimento de relações com potências européias e principalmente com os Estados Unidos e também com os países árabes, exceto a Síria. Para se vingar da Síria, o Iraque passou a ajudar o movimento dos Irmãos Muçulmanos deste país árabe e as milícias libanesas contrárias a Damasco.
Terminada a guerra, em 1988, o Iraque estava arruinado, endividado e extenuado e o custo da reconstrução foi avaliado em sessenta bilhões de dólares.
Hussein decidiu impressionar a todos, com a promessa de anistia, uma nova Constituição, a volta ao multipartidarismo e outros atrativos, na tentativa de agradar à audiência interna e internacional.
As eleições legislativas de abril de 1989, porém, como sempre extremamente controladas, reforçaram ainda mais a supremacia do Baath e dos sunitas, gerando desagrado a xiitas e kurdos.
A situação no âmbito regional não melhorou, pois as relações com a Turquia a respeito das águas dos rios que lá nasciam se degradavam cada vez mais, as relações com a Síria continuaram cortadas, o Egito levantou com veemência o problema dos maus tratos que estavam sendo dados aos operários egípcios21 trabalhando no Iraque, o Reino Unido e outros países ocidentais protestaram contra a execução de um jornalista britânico, os Estados Unidos não aprovaram a atitude do Iraque, tentando se colocar à frente dos países árabes num movimento antiisraelense. O Iraque, enquanto isto, não cessava de se armar.
A II Guerra do Golfo (1990-1991) 22 entre o Iraque e o Kuwait e, depois, uma coalizão de países liderados pelos Estados Unidos, incluindo até mesmo alguns árabes e islâmicos, teve como causa principal a invasão do território kuwaitiano pelas forças armadas iraquianas.
No dia 2 de agosto de 1990, esperando anular parte de sua dívida, se apoderar das enormes riquezas kuwaitianas de divisas, encontrar uma saída marítima em águas profundas no Golfo Arábico23 e duplicar as rendas do petróleo, o Iraque invadiu o Kuwait cujos territórios reivindicava desde a independência24.
Durante seis meses, até janeiro de 1991, Hussein recusou retirar suas tropas do Kuwait, conforme reclamava a comunidade internacional, apesar do embargo comercial, financeiro e militar, decretado pelas Nações Unidas. À exceção da Turquia, da Jordânia e dos Palestinos, o mundo árabe-islâmico que o apoiara contra o Irã desta vez retirou seu apoio.

Em janeiro-fevereiro de 1991, os Estados Unidos e soldados representando 30 nações lançaram a operação “Tempestade no Deserto”, partindo de território saudita, venceram as forças iraquianas, ocuparam parte do Iraque e colocaram o país sob tutela financeira internacional para garantir a indenização do Kuwait e os custos de sua libertação.


A derrota militar foi total e, enfraquecido, o Estado viu fugirem de suas mãos o controle das forças que formam a sociedade iraquiana: semanas depois as regiões xiitas do sul se levantam e massacram os representantes locais do Baath e suas famílias e destroem as representações do poder central. Partindo de Basrah a rebelião seguiu rumo ao norte até às regiões kurdas. Quinze das dezoito províncias iraquianas fogem ao controle central.
A repressão foi violenta tanto no norte quanto no sul causando a procura de refúgio por centenas de milhares de iraquianos: os xiitas no Irã e os kurdos na Turquia.
Mais uma vez Hussein usou seus métodos violentos para garantir obediência.
Não é segredo que os levantes de xiitas e kurdos foram incentivados pelos Estados Unidos que prometera apoio e não cumpriu a promessa e, em vez disto, pediu e obteve do Conselho de Segurança das Nações Unidas uma ordem de cessar a repressão e foi lançada uma operação aérea que acabou criando uma zona de exclusão aérea e a retirada das forças iraquianas.
Em 4 de junho de 1991 tropas estadunidenses apoiadas por efetivos britânicos, franceses e holandeses, socorrem os kurdos aos quais prometem autonomia e, no sul, criam uma nova zona de exclusão aérea na região xiita.
Governando um território reduzido, com o povo sofrendo as agruras da repressão e das privações por falta de alimentos e remédios, Hussein conseguiu conviver com o seu povo, posando de herói.
A III Guerra do Golfo (2003) entre o Iraque e uma aliança entre Estados Unidos e Grã Bretanha tem como ponto de partida o fato de o Iraque haver pedido o levantamento do embargo, pois havia sido desarmado sob supervisão da Comissão Especial das Nações Unidas (UNSCOM), mas o pedido foi recusado sob alegação de que restavam armas de destruição em massa em seu poder. Apesar do relatório final da Comissão das Nações Unidas para Monitoramento, Verificação e Inspeção (UNMOVIC) haver atestado que não havia mais armas de destruição em massa no Iraque, a despeito da argumentação estadunidense e britânica – que se revelaria mentirosa – e da recusa do Conselho de Segurança de dar ordens de atacar o Iraque, Estados Unidos e Grã Bretanha o fizeram, por conta própria.
O ataque resultou na total ocupação do Iraque. Um atoleiro para os Estados Unidos que lembra a Guerra do Vietnã.

1 Timurlenk, também conhecido como Timur, Tamerlande ou Turburlaine, conquistador turco muçulmano, mais lembrado pela barbaridade de suas conquistas, da Índia à Rússia e até o mar Mediterrâneo; mas também pelas realizações culturais de sua dinastia.

2 A dinastia persa safávida durou de 1502 a 1736 e foi responsável pelo estabelecimento do Islã xiita como religião de estado e a emergência da consciência nacional unificadora entre vários elementos étnicos e lingüísticos do país. Os safávidas descendem de Sheikh Safi Ul-Din (1253-1334) da região de Aradabil, chefe da ordem dos Safawiah que mudaram sua afiliação sunita por volta de 1399 para o xiismo.

3 Este o nome completo de Winston Churchill, homem político britânico que começou sua vida de político como deputado conservador em 1900 e se tornou Primeiro Ministro (1940-1945) foi um dos artesãos da vitória aliado sobre o Eixo na II Guerra Mundial e dos acertos do pós-guerra, voltou a ocupar a chefia do governo (1951-1955) quando finalmente perdeu as eleições e se aposentou; a grande maioria dos árabes tem por ele o mesmo desprezo que ele teve por eles.

4 Estes convocados eram, de fato, conhecedores do Oriente Médio, todos comprometidos com os objetivos imperiais do Império Britânico. Foram eles: Gertrude Margaret Lowthian Bell (1868-1926): arqueóloga, lingüista, historiadora, espiã, foi quem traçou os limites do Iraque como o conhecemos atualmente; General Sir Zachariah Percy Cox (1864-1937): oficial do Exército Imperial da Índia e Alto Comissário britânico no Oriente Médio, um dos criadores do atual Iraque; Thomas Edward Lawrence (1888-1939), o Lawrence da Arábia, autor de Os Sete Pilares da Sabedoria, militar, explorador, diplomata, escritor, arqueólogo e espião, acabou tendo um papel importante, como oficial britânico, durante a Revolta Árabe contra o Império Otomano; Sir Kinahan Cornwallis (1883-1959), administrador e diplomata, conselheiro do Rei Faissal I do Iraque e Embaixador britânico durante a Guerra Anglo-iraquiana; Sir Arnold Talbot Wilson (1884-1940), comissário civil britânico no Iraque durante e após a I Guerra Mundial, desde 1915, quando as forças imperiais vindas da Índia ocuparam o Iraque; Jaafar Pasha Al-Askari (1887-1936), oficial do Exército Otomano, foi feito prisioneiro pelos britânicos e, convertido à causa árabe, acabou servindo por duas vezes como Primeiro Ministro do Iraque; e, Sassoon Affendi Haskel (1860-1932), estadista e financista iraquiano, foi um dos arquitetos do Reino do Iraque.

5 David Lloyd George, Primeiro Ministro da Grã Bretanha teria papel determinante na recusa em ouvir o clamor das missões árabes, especialmente o então Príncipe Faissal, que visitavam o Palais de Versailles à procura de justiça para sua causa e recompensa para sua luta e sacrifício, ao lado dos aliados e principalmente da Grã Bretanha.

6 A bibliografia mais ampla e específica a respeito da Conferência do Cairo consiste em dois livros: Fromkin, David. A Peace to End All Peace. New York: H. Holt, 1989 e Klieman, Aaron S. Foundations of British Policy in the Arab World: The Cairo Conference of 1921. London: Johns Hopkins, 1970).

7 Abd al-Ilah era filho do Rei Ali ibn Hussein do Hijaz que foi expulso da Arábia pelos sauditas-wahhabitas, em mais uma traição dos britânicos para com o Sherif Hussein e seus descendentes e acompanhou seu pai para o Iraque em 1925.

8 O nome oficial é Organização do Pacto Central incluindo Turquia, e Iraque aos quais se juntariam o Irã, o Paquistão e a Grã Bretanha. Patrocinado por Washington, este seria um dentre outros pactos criados para prevenir contra uma eventual agressão da União Soviética. As pressões ocidentais para incluir a Jordânia, o Líbano e a Síria fracassaram devido a monstruosas demonstrações nacionalistas árabes.

9 Em 24 de outubro de 1956, reagindo à nacionalização do Canal de Suez, França, Grã Bretanha e Israel assinaram um tratado secreto para invadir o Egito e ocupar novamente a via marítima. Em um raro acordo dentro do Conselho de Segurança, Estados Unidos e União Soviética ordenaram o fim das hostilidades e a retirada dos invasores.

10 O nome oficial do Baath (em árabe: Renascimento) é Partido do Renascimento Árabe Socialista que nasceu em 1954, em Damasco, com o princípio básico de unidade e liberdade do da Nação Árabe, na totalidade de seu solo e em sua missão de derrotar o colonialismo e a promover o humanismo; e, para tanto, deveria ser nacionalista, populista, socialista e revolucionário.

11 Michel Aflaq nasceu em uma família grego-ortodoxa de Damasco e se formou pela Sorbonne, em Paris. Com o término do mandato francês, fundou com professores colegas seus o partido Baath. Foi Ministro da Educação e teve que deixar Damasco para Beirute, para evitar confronto com o regime militar. Acabou se refugiando no Brasil e, com o sucesso do golpe do Baath, no Iraque, foi para Bagdá onde permaneceu até 1970, deixando-o para se exilar em Beirute em protesto contra a falta de apoio do Iraque aos palestinos em sua luta contra o governo jordaniano (o Setembro Negro).

12 Gamal Abdel Nasser foi líder egípcio, militar, político, presidente do Egito e fundador da efêmera República Árabe Unida, unindo o Egito à Síria. O nasserismo é uma doutrina sócio-política baseada nas idéias e ações de Nasser; começou como nacionalismo pan-árabe, evoluiu para um socialismo árabe e depois para um socialismo árabe. A diferença do baathismo nasserismo é que este não tinha uma tese bem concebida por um ou mais ideólogos e sim emergiu de uma ideologia compreendendo respostas práticas a problemas que iam surgindo.

13 Mustafa Al-Barzani lutou durante 50 anos pelo estabelecimento do Kurdistão, independente da Síria, Turquia, Iraque, Irã e então repúblicas soviéticas trans-caucasianas. Foi o artífice da luta contra o Iraque.

14 Este é o nome completo de Saddam Hussein. O sobrenome al-Tikriti foi por ele omitido e proibiu a todos os iraquianos que os declarassem, porém pessoas de nomes de famílias tradicionalmente conhecidas simplesmente correram o risco de ignorar a orientação; os demais passaram a serem conhecidos pelo seu nome seguido pelo de seu pai e depois pelo de seu avô. A razão é simples: Hussein queria camuflar o grande número de parentes no governo. Uma de suas características e de todos os iraquianos é só confiar em membros de seus parentes tribais. Manter o sobrenome ajudaria inclusive a identificar o seu antecessor como Ahmad Hassan al-Bakr al-Tikriti, seu primo.

15 Também conhecido como o Xá do Irã.

16 Chatt al-Arab nasce da confluência dos rios Tigre e Eufrates e segue por 200 km até atingir o Golfo Arábico/Pérsico e abriga portos acessíveis a navios de longo curso; os portos de Basrah e al-Faw ficam do lado iraquiano e os de Khoramshar e Abadan do lado iraniano.

17 Os acordos soviético-iraquianos foram assinados em 1969 e 1972.

18 O clérigo xiita era pai de Muqtada al-Sadr, atual líder da milícia Jaysh al-Mahdi (em árabe: Exército do Mahdi), contestador da ocupação do Iraque pelos Estados Unidos e contrário à mansidão do governo iraquiano para com os ocupantes.

19 No entendimento estadunidense esta não foi uma “Guerra do Golfo” e sim entre Iraque e Irã sendo que as guerras do golfo são as outras duas contra o Iraque. Preferimos chamar a esta I Guerra do Golfo, pois de fato a foi, assim como as demais que se seguiram.

20 Os Estados Unidos não se contentaram apenas com ajuda financeira, pois também forneceram apoio militar e logístico na fase na qual o Irã estava ganhando a guerra e ameaçando ocupar parte do território iraquiano. Não faltaria ao Iraque o apoio tático e logístico da Marinhas dos Estados Unidos, concentrada no Golfo. Não se pode esquecer também que a origem das armas químicas e biológicas desenvolvidas pelo Iraque tem origem estadunidense.

21 Os trabalhadores egípcios eram essenciais para o Iraque, pois só com eles substituindo trabalhadores iraquianos era possível manter o nível pessoal nas forças armadas; o tratamento que era dado aos egípcios, no entanto, era péssimo.

22 A II Guerra do Golfo, em nosso entendimento começou com a invasão iraquiana do Kuwait (em 1990) e seguiria até o fim (em 1991) pelo ataque das forças de coalizão, lideradas pelos Estados Unidos. O entendimento estadunidense é que esta guerra se refere apenas à segunda parte.

23 O Iraque não tinha portos no Golfo Arábico já que seus portos na região eram em água doce, às margens do rio Shatt al-Arab: Basrah e al-Faw. Além destes dois o Iraque tem um porto marítimo: Um-Qasr.

24 A reivindicação iraquiana sobre o território kuwaitiano tem como argumento principal o fato de o Kuwait fazer parte da vilayet de Basrah durante o Império Otomano. O Império Britânico, ao assumir o mandato sobre o Iraque, preferiu deixar o Kuwait separado a fim de não concentrar em mãos iraquianas uma quantidade muito grande de reservas petrolíferas já que a vilayet de Mossul, ao norte, havia sido retirada do que seria o Kurdistão e anexada ao Iraque.






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