Palavras de agradecimento do servo



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Um convite paternal

Recebido por Jacob Lorber, em 14 de outubro de 1840

1 – Se for possível... Eu, porém, não intervirei no vosso livre arbítrio, nem ficarei zangado se não fizerdes o que vou pedir, pois, como vos tornastes Meus filhos e amigos, podereis realizar o Meu pedido até dentro de um ano, se assim vos parecer melhor. Mas se o realizardes, vós cinco devereis estar juntos, incluindo no grupo Meu Servo. Mas Eu ainda vos enviarei mais dois: um de imediato e o sétimo um pouco mais tarde, e ambos vos causarão, a vós e a Mim também, grandes alegrias.
2 – Tenho certeza que estareis a vos perguntar: O que é que o bondoso Pai deseja agora? Parece que vai ser algo bem extraordinário. Sim, Eu vos respondo: novamente será algo bem extraordinário que Eu desejo mostrar-vos, mas sem que pratiqueis pequeno sacrifício, não poderei mostrar-vos, pois vos falta a percepção necessária. Pois para alguns assuntos ainda precisais dos sentidos naturais, pois ainda não sois totalmente renascidos em espírito. Só assim podereis, às vezes, receber mais uma gota de Meu Amor Misericordioso. E é isso o que acontece nesse caso. Eu quero elevar-vos mais degrau, mas somente se desejardes e puderdes! Ninguém deve prejudicar a atenção devida aos seus por este favor. Ouvi, pois, o que Eu quero, se for possível.
3 – Não é Minha Vontade, mas somente o desejo de Meu Amor, que vós vos locomoveis até o sopé deste pequeno morro. Não o escaleis não, mas ide somente até o ponto em que o riacho se encontra.
4 – Ao chegar ao local determinado, observai atentamente tudo o que enxergardes. Em primeiro lugar, os morros que se encontram à vossa frente, suas elevações e seus vales, como são e que tipo de árvores lá existem, que tipo de arbustos, ervas e pastos estão cobrindo os terrenos, os solos, seus minerais e o que mais existe em seu interior. Tudo isto procurai descobrir por vós mesmos, ou então tratai de vos informar sobre isto com muito afinco.
5 – Especialmente deveis usar ao máximo vossos sentidos e intuições, pois este é o motivo principal da tarefa que vos estou pedindo. Por uma permissão especial Minha, conseguireis ampliar estes sentidos de uma maneira extraordinária e assim obtereis muito mais informações do que a leitura de vários livros vos daria.
6 – Por que Eu vos envio justamente àquele lugar, vos será esclarecido com grande clareza, mais tarde.
7 – Vede, se um poderoso do mundo vos pedisse um favor como esse ou outro qualquer, abandonaríeis tudo para satisfazer sua vontade. Claro que com isto obteríeis alguma gratificação econômica. Eu também vos recompensarei com gratificações de Meu Reino. Não será nenhum prejuízo para vós, nem no mundo nem na eternidade.
8 – Por isto deveis treinar um pouco no mundo, como se fosse a pré-escola da eternidade, preparando-vos para os Meus negócios. Pois se permanecerdes fiéis ao Meu Amor, em Meu reino vos aguardarão grandes negócios que tereis que comandar.

9 – Uma vez Eu disse aos Meus servos e discípulos: “Ide a todos os lugares do mundo e ensinai o Evangelho a todas as criaturas. E testemunhai, mesmo com vosso sangue e vossa vida! Pois aquele que procura e ama a vida, este a perderá, mas aquele que a despreza e odeia em Meu Nome, este a conservará, mesmo que morresse mil vezes. Não temais aqueles que só podem matar o corpo, mas não podem fazer mal algum à alma, mas temei sim aquele que pode matar a alma e o corpo por eternidades.”


10 – Não digo nada disso a vós, pois conheço muito bem vossa fraqueza. A vós Eu digo: “Por que permaneceis aqui o dia todo sem nada fazer? Não fostes chamados por ninguém? Pois ide vós também à Minha Vinha, e vos darei o que é de direito”. Vede, isso Eu digo a todos vós nessa conclusão! Ide, pois, se desejardes e puderdes, e tratai de fazer vossa tarefa! Eu logo estarei entre vós e farei a Minha!
11 – Mais uma vez atenção: “se for possível”. Amém. Eu falo isso, Eu, vosso Pai carinhoso. Amém. Amém. Amém.

Fata Morgana

Recebido por Jacob Lorber, em 18 de outubro de 1840 – manhã e tarde


1 – Prestai atenção! Dentre as muitas aparições sobre as quais ainda nenhum sábio mundano possui alguma explicação, encontram-se as chamadas miragens.
2 – Não somente estas miragens, mas inúmeras outras aparições na natureza são tão enigmáticas, que os estudiosos, mesmo que dedicassem a vida toda a estudá-las, chegariam ao fim sem nada saber.
3 – Que responderíeis a uma pessoa que procura os óculos que estão no seu rosto? Perguntaríeis: Amigo, que procuras? Se ele respondesse “Meus óculos”, certamente rindo lhe apontaríeis os mesmos em seu nariz. Mas se ele se zangasse, dizendo-vos que aquilo não era verdade, como chamaríeis esta pessoa tão fora do comum? Vós certamente chegaríeis à conclusão que esta pessoa deveria estar num manicômio.
4 – O que diríeis, porém, se Eu vos dissesse que tal manicômio nos poderia prover de um mestre para estes tais cientistas da natureza, que começam a alardear-se do domínio total do universo, só porque conseguiram calcular a trajetória de um sol central e a circunferência de um planeta, ou a razão de um eclipse solar ou lunar? Isto não passa de uma descoberta minúscula ante todo o universo. Eu vos digo que estes sábios deverão chegar à conclusão que uma criancinha no berço sabe muito mais que eles, e chegará o tempo em que humildemente a ela pedirão ajuda. Eu vos digo: Uma criancinha que balbuciando pede aos pais um pedaço de pão, com estas palavras balbuciantes expressa mais sabedoria que todos os “Platões, Pitágoras e Aristóteles” juntos.
5 – Bem, após termos feito um pequeno comentário sobre a insuficiência da sabedoria mundana, tentarei explicar-vos que Eu sempre posso aclarar até o mínimo de todos os fenômenos da chamada “fata morgana”.
6 – Vede, existem três tipos de aparições desta classe, que se diferenciam totalmente em sua origem, apesar de parecerem iguais entre si, quando são vistas.
7 – A primeira é a mais comum e é provocada por certas situações em que se encontra o ar espelhando certos objetos, às vezes exatamente como são, outras vezes invertidos, maiores ou menores, outras vezes bem claros ou então nebulosos. Isto acontece de uma forma bem natural, mas sempre com o barômetro bem baixo e quando existe uma absoluta calma do ar, pois o ar, ao alcançar certo peso específico, apresenta um espelho bem apurado, sobre o qual se deposita o éter, assim como o ar aquecido se comporta sobre uma superfície de água calma.
8 – Quando o ar alcança esta posição, então os objetos que se encontram debaixo dele se espelham no mesmo, como acontece com os objetos frente a um espelho comum. Seria o mesmo se colocássemos um espelho enorme acima da superfície da Terra. Se o ar está totalmente calmo, a figura espelhada é bem clara, mas se houver qualquer tipo de onda, o reflexo fica um pouco agitado. Quando acontece do ar fazer ondulações na direção da Terra, cada uma destas ondulações forma um espelho, como acontece, quando tendes várias bolas de vidro, onde cada uma reflete os objetos ao seu tamanho. Este é o motivo por que muitas vezes vemos o objeto multiplicado e em diversos tamanhos.
9 – Quando o ar se inclina em direção à Terra, o objeto refletivo diminui de tamanho; quando o espelho de ar se eleva, então o objeto é aumentado. Seria como se tivéssemos um espelho côncavo.
10 – Vede esta é a origem do primeiro tipo destas aparições.
11 – Esta calma do ar é espiritualmente causada por uma expectativa dos espíritos que pressentem que no lento elevar da crosta terrestre coisas extraordinárias acontecem no seu interior. Por isto estão bem quietos e aguardam o sinal de um anjo por Mim determinado, para jogar-se com muita força e violência e restaurar a ordem perturbada nos aposentos internos da Terra. Isto é, pois, tudo que o primeiro tipo desta visão nos apresenta, tanto material como espiritualmente.
12 – Que todos os objetos sempre se apresentam invertidos confirma que os anjos vêem os assuntos relativamente e que se conscientizam dos mesmos. Assim uma visão que se apresenta de pé é a razão ao pé da letra, enquanto que, se estiver invertida, é o sentido interno, espiritual.
13 – Esta aparição se iguala totalmente à segunda espécie, pela qual são apresentados objetos que se encontram bem distantes. Estes objetos podem ser montanhas, cidades, rios e mares que se nos apresentam em pé. Como acontece isto?
14 – Um exemplo explicará tudo a contento. Se acontecer uma miragem do tipo da primeira em um ponto bem afastado, e ao mesmo momento houvesse se formado um outro “espelho” muitas braças acima e outro em lugar bem mais abaixo, formando um ângulo com o segundo e não havendo nenhum objeto material se interpondo entre os mesmos, o que aconteceria? O primeiro objeto refletido será tomado pelo segundo espelho, e esta miragem então se refletirá até o terceiro espelho, onde vós a podereis ver em pé. Desta maneira objetos muito distantes poderão se refletir e serem vistos em locais onde jamais esperaríeis encontrá-los. Isto é mais ou menos o que vós fazeis com vossos telescópios.
15 – Nestas miragens às vezes os objetos podem aparecer invertidos, mas isto é muito raro. Isto aconteceria se uma posição da atmosfera bem elevada também ficasse sem movimento. Então poderíeis perceber no horizonte, ilhas vindas da África, por exemplo (claro que somente sob um ângulo certo, e não enxergaríeis mais nada se saísseis da posição, ou se fechásseis algo mais o ângulo. Esta aparição acontece da seguinte maneira:
16 – Se vós pudésseis imaginar um plano espelhado no ar que se encontra a muitas braças de altura, poderíeis ver uma cidade completa, mas só que ela se apresentaria do lado oposto, tal como acontece quando olhais no espelho.
17 – Quanto ao espiritual nesta segunda miragem ele tem o mesmo motivo que o primeiro caso. Só que, devido à altura em que se encontram, os espíritos estão a observar não as profundezas da Terra, mas sim locais na superfície, no interior de uma montanha ou mesmo uma ilha (que não passa de uma montanha aflorando no mar).
18 – Com relação a estes dois tipos de miragem alguns pesquisadores da natureza bem simples e humildes já tiveram uma ideia do que de fato acontece. Mas agora é a vez de vos apresentar o terceiro tipo de miragem. Este apresenta objetos, locais e situações que não existem no mundo material, muito menos na Terra.

19 – Aqui nem os pesquisadores humildes nem os arrogantes têm nenhuma ideia do que acontece. Eles simplesmente negam a existência destas miragens, pois esta é a maneira mais fácil de solver o problema.


20 – Como seria possível explicar algo que não existe? Eu vos digo que os pesquisadores nunca chegaram tão perto da verdade, como ao dizer isto. Com isto, pelo menos confessaram que não sabem nada, pois quando desejam emitir teorias mirabolantes, aí sim confirmam que sabem menos que nada. Quem nada diz, pois não sabe nada, não está mentindo, enquanto quem fala mesmo sem nada saber ou nada ver, este está mentindo e vai ser julgado de acordo com o tamanho de sua mentira.
21 – Eu, porém, afirmo que as aparições do terceiro tipo existem e que acontecem com mais frequência nas regiões ao sul, geralmente logo após o pôr do sol e de vez em quando antes do nascer do sol.
22 – Sei que estais bem surpresos, pois vos digo este segredo de um só golpe e assim resolvo todos os problemas. Vede, os homens já construíram telescópios superpotentes e com eles querem absorver de uma só vez todo o universo estrelado. Eu, porém, sempre lhes apresentei obstáculos, e eles tinham que reconhecer que Eu era bem superior a todos os seus instrumentos. Sim, sem o menor esforço criei mundos tão enormes e afastados, que eles jamais os conseguirão trazer a seus olhos curiosos, mesmo com telescópios superpotentes e enormes. Mas aquilo que Eu frequentemente nego aos sábios Eu dou com muita clareza aos pastores e andarilhos humildes.
23 – Isto também acontece com a terceira miragem. Nas regiões do Sul, quando o ar estiver no seu pico de quietude por motivos espirituais e físicos, e isto acima de enormes altiplanos de areia, onde não existe nem uma montanha ou outro objeto a interromper a calma, lá acontece que o espelho do ar se situa tão baixo sobre a superfície, que não chega a altura do peito do andarilho, e este deve se contentar em respirar o éter e não o ar atmosférico, o que o obriga a respirar bem rapidamente e em pouco tempo o joga ao chão quase desmaiado.
24 – Aí então acontece que o andarilho consegue ver coisas jamais por ele imaginadas neste espelho que está a sua frente. E que coisas ele vê? Vede, agora Eu darei o golpe! Eles não são nada mais que reflexos exatos de outros planetas, corpos estrelares, etc.; são cidades, vilas e paisagens de lá!
25 – Com certeza os cientistas farão grande escândalo e dirão: “Como é isto possível?” Bem, a única resposta é que eles devem permitir que Eu Me considere um ótico melhor que todos eles juntos.
26 – Eu também desejo lhes perguntar: Eles que Me apresentem a fórmula matemática com a qual Eu construí os olhos de uma águia, os quais são bem melhores do que todos os instrumentos óticos até agora conhecidos, pois das alturas ela consegue ver facilmente os ácaros que se encontram no corpo de um cadáver em alguma vala. Mas se eles não conseguem decifrar esta fórmula, nada sabem daquela onde um olho humano é capaz de ver com a mesma clareza tal miragem, pois para Mim não é nada criar na Terra um espelho da luz e refletir com exatidão regiões de outros planetas e corpos estelares.
27 – Que isto é possível vou mostrar-vos. Tomai uma casa que está situada numa planície ampla. Se vós vos afastais da mesma, cada vez mais a figura dela se vos apresentará num ângulo cada vez mais fechado, pois quanto mais distante do objeto, menor é a capacidade de vossos olhos de absorver os raios incidentes neles.
28 – Se vossos olhos não fossem convexos, mas sim lisos, poderíeis vos afastar o quanto quisésseis que a figura sempre teria o mesmo tamanho, pois alguns raios que são emitidos dos objetos são constantes e tão paralelos, que se refletiriam sempre da mesma maneira em vossos olhos.

Obs.: Esta convexidade dos olhos faz com que só possais absorver pequenas quantidades de raios. E como tudo é muito rápido, podeis ver grandes extensões, porém uma de cada vez.


29 – Isto acontece aqui. Este espelho atmosférico é liso, pode absorver todos os raios ao mesmo tempo e assim mostrar objetos que estão a enormes distâncias. Isto depende dos olhos do observador conseguir uma ampla superfície de visão. Ele então consegue ver objetos de outros planetas e galáxias, como por exemplo, florestas, cidades mirabolantes, palácios enormes, montanhas etc.; sim, às vezes até seres vivos.
30 – Vede, agora sabeis tudo sobre a tal “fata morgana”. Também aqui o motivo espiritual é igual aos anteriores. Nada mais resta a dizer, do que: deveis aquietar também a atmosfera de vossos desejos e ansiedades e então conseguireis ver muitas fatas morganas, bem mais interessantes e educativas do que as do andarilho cansado no deserto. Pois todo “olhar” é um intercâmbio de raios: os que emitis e os que vos chegam.
31 – Assim, aprontai-vos logo para conseguir observar os raios que são originados em Meu Sol, e então recebereis a fata morgana da vida eterna. Amém.
32 – Isto falo Eu, o grande mestre em todos os assuntos, que se chama Jesus – Jehová. Amém.
Maré cheia e maré vazante

Recebido por Jacob Lorber, em 24 de outubro de 1840

1 – Existem muitas especulações sobre a constante vazão ou cheia das águas do mar. Mas, como em todos ou outros assuntos, aqui também podemos dizer que só há hipóteses. É o mesmo que um cego a caminhar na planície, procurando a sua meta. Ele se dirige a várias direções, sem acertar o alvo de sua caminhada. Cada vez que parece estar no fim, vê que não é bem assim.
2 – Mas se por acaso um cego tivesse chegado sem querer ao local, isto de nada lhe adiantaria. Não reconheceria o lugar, pois não o vê e não o reconhece; nem mesmo sabe em que direção andou, mas só percebe que lá chegou sem saber como.
3 – E se ele informar sua aventura a outros cegos, a maioria deles muito mais cega que ele, estes começariam a se maravilhar pelo feito que ele realizou e o admirariam, e ele se encheria de orgulho e vaidade.
4 – Mas os que fossem um pouquinho menos cegos começariam a questionar e a duvidar da exatidão do resultado, pois o andarilho também é cego.

5 – Suponhamos que entre estes houvesse um com visão, este diria “Ouvi amigos, eu sou um que possui olhos sadios, eu enxergo bem, de perto ou de longe”. Os cegos então responderiam “Que importa se tu vês, pois nós somos todos cegos, nós não podemos acreditar no que tu dizes tanto quanto no que ele afirma. “Ele então diz: Mesmo que não vejais, eu vos posso demonstrar que enxergo perfeitamente da seguinte maneira: um de vós faça um movimento com a cabeça ou com a mão ou com o pé, eu então direi como vos movestes, e vereis que vejo. E os cegos então lhe diriam: “Se fores capaz disto, então nós acreditaríamos em ti: O vidente assim faria e ele então explicaria que o cego tinha andado para o lado oposto da meta verdadeira e jamais a conseguiria alcançar.


6 – Pois o que pensais que aconteceria então? Pensais que os cegos acreditariam nisto? Sim, vos afirmo que eles acreditariam, só enquanto pudessem tocar com suas mãos para confirmar. Mas com o cego protestando em altos brados sobre a exatidão de sua teoria, alguns tornariam a acreditar nas suas palavras, porém outros teriam uma fé bastante oscilante, feito as marés que sobem e descem. E estes diriam: “Nossos movimentos ele foi capaz de nos dizer com exatidão, mas quem nos assegura que ele nos informou corretamente sobre o resto, já que nós não conseguimos nos convencer da exatidão de suas palavras?”
7 – Com esse pequeno exemplo posso vos mostrar como é difícil ensinar aos cegos do mundo e também como é difícil para o mundo cego aceitar e entender a verdade que lhe é anunciada.
8 – Vós todos ainda sois crentes cegos, e Eu sou o único que vê. Se Eu vos explico assuntos e vos mostro como foi errado o resultado do cego supostamente sábio, podeis ter certeza que Eu sempre vos digo a mais completa e absoluta verdade. E junto com Minha revelação vos dou uma pomada óptica, com a qual vós começareis a receber de volta a vossa visão, mas para isto deveis usar a pomada corretamente e vos situar mais na maré vazante que na maré cheia.
9 – Pois a maré cheia é o símbolo do orgulho, enquanto que a vazante é o da humildade. Em outras palavras: a maré cheia é o símbolo do excesso da riqueza e da inquietude que dela se origina; a maré vazante é o símbolo do recolhimento, da calma e da pobreza.
10 – Para o navegante, a maré cheia é bem mais útil do que a vazante, quando algum vento o encalha num banco de areia. Mas esta utilidade é uma utilidade relativa. O barco é elevado de fato pela maré e levado adiante, mas não existem rochas e recifes antes ou logo após o banco de areia? E se o barco que não tivesse sido encalhado num macio banco de areia pela baixa-mar e na tormenta a seguir fosse jogado sobre os recifes ou rochas agudas, destruindo-se completamente? É por isto que deveis escolher como exemplo de vida a maré vazante.
11 – Após esta explicação, vou lançar Minha flecha e com certeza acertarei o alvo, não algo numa direção oposta.
12 – Se vós perguntardes a um maquinista-relojoeiro: “Dize-me, porque esse prego se encontra na máquina de teu relógio?” Será que o maquinista saberá o porquê da existência daquele prego naquele lugar? Sim, Eu vos digo, ele com certeza o saberá, pois senão não seria mestre de máquinas e a obra não seria obra sua. Mas como Eu sou o Grande Mestre de todos os assuntos por toda a eternidade, acreditais, pois, em Mim, e Eu conheço muito bem tanto a maré cheia como a vazante.
13 – Sei que estais a pensar: “Bem que eu gostaria de saber o que é a maré cheia e a vazante...”. Eu, porém, vos digo: “Tende mais um pouco de paciência, e tudo chegará na hora certa. Não fazeis vós também um pouco de suspense, quando ides dar algo para vossos filhos? Bem, como vou dar-vos algo de grande importância, tenho o direito de criar um pouco de suspense, para aguçar vosso interesse...
14 – Vede bem, tudo o que tem qualquer tipo de vida tem que respirar. Se a respiração parou, então todos os espíritos da vida abandonaram a matéria. Esta então volta ao estado de inércia, falece, se decompõe e chega ao estado da morte. Se vós observardes qualquer tipo de ânimo em um ser vivo, vereis que deve estar respirando, pois se isto parar, por experiência de vida sabeis que aconteceu a morte material. Sim, com o último suspiro acaba a vida material na Terra para todo o ser vivo.
15 – Então o que é de fato a respiração e para que ela existe? Vede, cada ser forma uma polaridade negativa ou positiva. Mas toda polaridade precisa da sua oposta e nada pode sobreviver sem que exista um polo negativo ou positivo, para balancear a sua polaridade. Isto é o que significa toda a vida natural, este equilíbrio entre o negativo e o positivo. Vossas vidas mesmas compõem-se deste polo negativo, pronto para receber o positivo.

16 – Mas como é possível que isto aconteça? Pelo motivo que o polo negativo sempre é estimulado pela respiração. Esta estimulação causa uma contínua necessidade de receber o polo positivo.


17 – Tomai, por exemplo, uma máquina elétrica. Ela pode permanecer por anos num local, e vós só vereis dela sua forma eterna. Mas se alguém alterar a placa da máquina, então a eletricidade negativa é acionada e imediatamente consumida.

18 – Mas com esta autoconsumação, ela começa a sentir falta de uma nova fonte alimentar. O que pode acontecer então? Mesmo que já esteja bem claro ante vós, Eu vou dar-vos a resposta pela Minha Ordem. É o seguinte o que deve e vai acontecer: Como a fome não consegue se satisfazer, o polo que está se autoconsumindo não pode satisfazer a si mesmo, como se quisésseis encher vosso estômago vazio com o conteúdo de outro estômago vazio. Então direis: “Senhor, com este alimento negativo nada podemos fazer, nós precisamos de alimento positivo”.


19 – Vede, é isto que aconteceu aqui também. A eletricidade positiva é a saturação da negativa. Se esta saturação aconteceu, então aparecerá no condutor o êxito de ter sido alimentado.
20 – E é a respiração que coloca em movimento vossa máquina elétrica da vida, que existe na polaridade negativa e se torna faminta pela polaridade positiva. Pois com cada inspiração acontece uma constante fricção, a polaridade negativa é estimulada e com o tempo ela começa a sentir fome. Com cada inspiração esta fome é mitigada. O nitrogênio (que apresenta o polo negativo) se apodera com grande avidez do oxigênio (polaridade positiva). Se a respiração para, então a polaridade negativa começa a se autoconsumir, o que tem por consequência o fim da vida natural.
21 – Imaginai, pois, que cada ser é um “mundo” ou melhor uma “Terra” diminuta. Como este mundo possui uma vida central, pela mesma ele fica com a sua vida vegetativa enquanto durar a respiração. Isto não acontece só com a Terra, mas sim com todos os corpos do Universo. Certamente não considerastes que a Terra é um animal; mas sim, ela é um ser vivo e por isto ela respira em períodos determinados.
22 – Pois a maré cheia e a vazante não são nada mais que a consequência da respiração da Terra.
Explicação espiritual das marés

Recebido por Jacob Lorber, em 24 de outubro de 1840 – continuação

1 – Mas o que motiva esta inspiração e expiração da Terra? O mesmo motivo que faz os animais respirarem: a contínua necessidade de um alimento fresco, quando o alimento anterior já tiver sido digerido e com isto se tornado negativo.
2 – Durante a digestão os órgãos se aproximam e aí se inicia novamente o processo da fixação. Logo a seguir, acontece uma nova alimentação, e com isto as partes se separam novamente. Então aí está o fenômeno: pela necessidade de alimentos, a baixa-mar; pela satisfação desta necessidade, a preamar.

3 – Vós certamente direis: “Se for assim, deveríamos sentir a mesma respiração na terra firme, nas montanhas.” Eu, porém, vos digo que não é deste modo. Será que vossa cabeça, vossas mãos e pés por acaso se estendem (aumentam de volume) quando respirais? Vós então direis que não, pois estes membros ficam quietos. Pois Eu vos digo que desta maneira a terra firme também fica quieta.


4 – Para que consigais entender estes fenômenos mais razoavelmente, entrai, pois, numa banheira e podereis ver que a água nela contida se eleva quando inspirais e cai quando expirais. Ao observar isto, creio que não tereis dúvidas sobre Minha explicação.
5 – Mas se alguém vos disser: “A Lua é a razão das marés”, então perguntai: como é possível que a Lua, quando se encontra no lado oposto, consegue exercer a força da atração num corpo na sua perpendicular?
6 – Quem quiser ou puder afirmar isto, este seria pior que o cego que deseja explicar as cores para os outros cegos. Seria como afirmar que a água se eleva e depois cai, porque a várias braças há uma maçã pendurada num cordão, a qual um garoto empurra, fazendo-a oscilar. Seria melhor que observasse sua própria barriga e então lhe ficaria clara a movimentação das águas relacionada com sua respiração.
7 – Bem, com isto creio que expliquei a contento estes movimentos. Mas observai bem: isto tudo não é nada mais que um fenômeno exterior e não é o mesmo quando observado pelos olhos espirituais. Aqui o polo positivo corresponde ao espiritual, enquanto que o polo negativo é o natural (material). E o polo positivo também é substância, enquanto que o polo negativo é o vaso que a contém. O positivo é o interior, o negativo o exterior. O positivo é igual ao amor e a sabedoria, e o negativo é igual à misericórdia e clemência.
8 – Se não existisse o negativo, o amor e a sabedoria não poderiam se manifestar, a não ser a si mesmos. Por isto seres se formaram por Minha Misericórdia, e estes seres são a própria misericórdia, e esta misericórdia é o vaso receptor de Minha clemência. E assim tudo existe, sobrevive, vive e prolifera como Misericórdia de Meu Amor.
9 – Se desejardes saber o que é a polaridade positiva que a tudo alimenta, Eu vos digo: Ela é Meu Amor.

10 – A Misericórdia que vem deste Amor criou seres que contêm o Meu Amor. Eles são o receptáculo do Amor que vem de Mim. E o Amor alimenta os seres continuamente. E constrói, seguindo o caminho da Ordem Eterna, um ser após o outro, um ser por um outro, um ser originado em outro. E assim constrói uma escada de vidas, cada vez mais perfeitas, para que o Amor consiga se manifestar cada vez melhor e em maior escala na sua Misericórdia infinita. E esta ao mesmo tempo consegue se observar cada vez melhor e assim se tornar cada vez mais viva.


11 – Tudo está assim organizado e tudo acontece de tal maneira de acordo com a Minha Ordem Eterna, a fim de que a morte seja destruída e todo o infinito se torne o mais perfeito teor da abundância da vida que vem de Mim e está em Mim.
12 – Isto que Eu vos manifestei estudai bem em vossos corações, meditai sobre cada palavra dita, pois Eu já vós revelei tantas coisas grandiosas, mas ainda não vos tinha revelado tão profundamente o plano de Meu Amor e Sabedoria eternos, como o fiz agora.
13 – Mais uma vez vos peço: Observai bem o que aqui foi dito. No começo Eu fiz com que ficásseis curiosos, Eu sabia o porquê. Eu vos tinha ocultado um enorme tesouro e é por isso que Eu hesitei um pouco em vos apresentar este tesouro importante e sagrado. Creio que assim vossa alegria é bem maior. Mas também foi útil para fazer com que sentísseis a grandiosidade dessa revelação e que Eu sou vosso único e amado Pai e criador. Amém. Isso falo Eu, vosso Pai. Amém.

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