Palavras de agradecimento do servo



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Posição frente à igreja

Recebido por Jacob Lorber, em 12 de julho de 1847



Senhor e Pai amado, criador dos espíritos e do mundo natural! Vê, se não podemos confiar nas igrejas para iniciar o nosso conhecimento espiritual e aprender as palavras do Evangelho, o que delas só podemos esperar, os anjos certamente não virão do céu para ensaiar o catecismo com as crianças, ou ensinar Teu Evangelho aos povos selvagens... Eu acho que uma igreja material é importante para os primeiros conhecimentos, tal como é importante uma igreja interna para o desenvolvimento do espírito para a vida eterna. O que é que está certo? Diz-nos algo, bondoso Pai, se isto for Tua Vontade santa. Amém.
1 – Esta pergunta é boa e bem importante para os tempos atuais. Mas a resposta já vos foi dada de certa forma, especialmente o que cada um deve tomar de ensinamentos da igreja (o caminho para o renascimento), em “A Terra e a Lua” e em muitas referências nas “Dádivas do Céu”. Nestas regras de comportamento encontra-se o necessário e o melhor. O que for menos ou mais não está em Minha Ordem.
2 – Mas se por acaso alguém ainda não souber o que deve fazer, que leia o Evangelho e lá encontrará o que é necessário para sua salvação.
3 – Vede, isto também Me perguntaram os apóstolos e discípulos, quando os adverti a respeito dos fariseus, escribas e sacerdotes. Eles disseram: “Senhor o que é que devemos fazer? Moises, a quem Deus ordenou sob muitos atos milagrosos, praticamente iniciou este ato de ordenar um sacerdote pela vontade divina, e até hoje ele acontece, ainda que com pouco valor interior. Por que desejas destruir o que Tu praticamente criaste?”
4 – Ao ver o desespero dos discípulos, Eu lhes disse: “Em verdade, os seus sacerdotes estão sentados na cadeira de Moises, como também os escribas, levitais e os severos fariseus, pois são da tribo de Levi. O que eles vos ensinam das Escrituras, guardai bem e obedecei. Mas não sejais os seus atos nem as suas interpretações individuais. Pois estes não são de Deus, mas sim uma obra do orgulho do homem que se opõe à vontade de Deus, pois estes descendentes de Moises só desejam realizar alguma coisa à margem da Vontade de Deus”.
5 – Observai também: O que Eu disse aos apóstolos e discípulos naquela época referente aos sacerdotes e escribas, Eu vos digo hoje com referência à igreja mundana da atualidade.
6 – Segui seu ensinamento enquanto estes forem Minha Palavra, a humildade e o amor. Mas seus atos e interpretações não sigais quando estes forem contrários a Minha Palavra e só tiverem em mente a satisfação dos privilégios mundanos dos sacerdotes. Não permitais que eles vos levem a caminhos errados.
7 – É verdade que a casca da árvore é morta e quanto mais externa mais morta. E ninguém consegue extrair desta casca algum alimento. Mas se arrancássemos esta casca da árvore, especialmente no inverno, a árvore sofreria grandes danos ou até morreria. Esta é a posição da igreja material mundana com relação à interna espiritual.
8 – Jamais será possível obter-se a vida eterna desta igreja mundana, nem o reino de Deus, que de fato é interior, a vida espiritual. Mas esta igreja externa serve de proteção para a interna, e isto fui Eu que determinei. A igreja espiritual é facilmente encontrada, procurada ou desejada com afinco.
9 – Não importa em que igreja mundana a pessoa se encontra, conquanto que nela seja apregoado Meu Nome e Minha Palavra. Pois não é necessário que se saiba toda a Bíblia de cor, para que Eu e Meu Reino sejam encontrados. São só necessários alguns textos e viver de acordo com eles.
10 – Quem assim fizer, logo o reino de Deus a ele se mostrará e lhe ensinará o que é o Evangelho de fato, especialmente no que diz: Ó tu, fiel servo, tu que sempre Me foste fiel nas pequenas coisas, agora serás colocado acima de muitas coisas e assuntos grandes.
11 – Mas aquele que se encontrar numa destas igrejas mundanas, lá escutar Meu Nome e Minha Palavra e achar que são mortos e falsos, pois lá acontecem muitas mentiras e fraudes, que não os observe. Que “jogue fora a criança com a água do banho” e que amaldiçoe a árvore cuja casca é morta como aquela pessoa que enterrou sua moeda e será julgada de acordo.
12 – Mas se alguém já estiver possuído da igreja espiritual, não lhe será considerado pecado se frequentar casas de orações ou igrejas mundanas. Pois é muito melhor estar num destes lugares, do que em botecos, bares e bordéis. Ele não deverá se escandalizar com os ornamentos idólatras, mas sim Me pedir para que Eu ilumine este local trevoso. Assim, em espírito, terá um eterno lucro.
13 – Isto fala o Senhor das igrejas espirituais e mundanas! Amém. Amém. Amém.

Uma escalada abençoada

Recebido por Jacob Lorber, em 15 de julho de 1847


1 – Escalar montanhas é muito bom, mas não em qualquer época do ano. Se alguém o desejar em Meu Nome e lá orar muito e Me louvar com todo seu coração, Eu assim o abençoarei e cuidarei para que esteja acompanhado somente por espíritos puros, com os quais sua alma, seu corpo e especialmente e seu espírito serão triplamente fortificados e muito felizes.
2 – Mas deve ser numa época certa, como já foi mencionado (primavera/outono europeu - primeira metade de maio até segunda metade de junho e primeira metade de setembro até segunda metade de outubro). Nestas épocas os espíritos puros habitam em Meu Nome.
3 – Mas em épocas outras diferentes das mencionadas, no inverno ou no verão, não é bom subir as montanhas. Em primeiro lugar porque nestes momentos as montanhas estão habitadas por espíritos impuros e maldosos, cujo maior prazer é prejudicar ao montanhista; em segundo lugar porque elas não estão com Minha Bênção e são verdadeiras madrastas para os visitantes e montanhistas.
5 – Mas se um filho Meu, cheio de fé e confiança, tiver que subir uma montanha, que o faça à noite, só desça após o por do sol (isto em épocas não abençoadas) e não se apresse em subir ou descer. Que pare várias vezes no caminho para uma oração, e nada de ruim acontecerá, mesmo que escale a montanha no verão ou inverno. Os que melhor estão são as pessoas que moram definitivamente nas montanhas.
6 – Mas os habitantes de vilas e cidades das planícies não devem subir as montanhas, a não ser nas duas épocas mencionadas. Se houver absoluta necessidade de ir em outra ocasião, então devem orar muito e manter uma dieta adequada (só alimentos leves e em pouca quantidade). Não sendo assim, o mínimo que pode acontecer será uma doença física que a cada quarto de ano reaparecerá e dará muito trabalho à carne.
7 – Fortes reumatismos, artrite, gota, dor de dente e garganta, não muito raramente febre nervosa são as consequências mais comuns de uma subida às montanhas fora de época. Nas mulheres poderá causar inflamação pulmonar, pneumonia e hemorragia. Que tanto a alma ou o espírito obtém nenhuma vantagem, isto já se subentende.
8 – Mas qualquer pessoa pode escalar montanhas pequenas ou montes, sem nenhum prejuízo o ano todo. Mas não é para se passar muito dos seiscentos metros, pois o que está acima já pertence ao mundo das montanhas e está totalmente sem Minha influência direta, a não ser na época determinada.
9 – Aqui estão as regras de como e quando as montanhas devem ser escaladas, para se obter resultados positivos. Mas se alguém, apesar disto, insistir em escalar uma montanha fora da época abençoada, então é de sua responsabilidade os prejuízos que lhe advirão.
10 – Mas como já foi dito, pessoas que habitualmente andam nas montanhas nada sofrerão, especialmente se caminham em Meu Nome. Mas se são puros naturalistas (só acreditam na natureza e não têm fé em Deus), então eles se assemelham aos espíritos das montanhas. Iguais se juntam com prazer para prejudicar um ao outro, e estes andarilhos ficam com cabelos brancos ou carecas em idade bem jovem.

11 – Mas como agora as pessoas andam sós e independentes de todas as sabedorias dos antigos, elas não sabem nada sobre a velha organização das ceias e fazem o que bem desejam, como e quando lhes parece melhor. Ninguém mais Me pergunta pela época ideal, Minha época, mas sim só importa o que querem e desejam Ninguém mais Me pergunta se é do Meu agrado; todos só pensam em seu próprio agrado.


12 – E por isto a cada ano aumentam os males, e médicos não sabem como curá-los.
13 – Fazei, pois, o que desejardes, mas não Me esqueçais nem a minha ocasião.
14 – Eu jamais proíbo de subir montanhas, mesmo em épocas inapropriadas. Se fordes, isto não será um pecado. Mas pensai bem, porque vós não podereis alterar Minha Ordem e Minha época.
15 – Agora sabeis o suficiente e podeis fazer o que vossa consciência vos mandar. Mas se por acaso vosso corpo se tornar um “saco de pancadas”, não Me culpeis. Eu não Me preocuparei com isto. Amém.
Isto fala Quem tem tudo em Sua mais perfeita Ordem. Amém.


A competição – um exemplo da vida mundana

Recebido por Jacob Lorber, em 18 de julho de 1847



1 – A tal chamada companhia de equitação artística vai apresentar nesta cidade um espetáculo, uma corrida de cavalos na esplanada municipal. Cada cavaleiro deve correr a pista elétrica três vezes no menor tempo, e o ganhador receberá uma bandeirola como prêmio e nada mais, a não ser seu cachê normal. Isto diz o panfleto.
2 – Este assunto fútil e para Mim tão desagradável nos apresenta o retrato certeiro do que a humanidade fez nestes dias.
3 – A área de ação das pessoas atuais pode se comparar a esta pista de corrida, onde cada um corre até se matar, mas sem avançar um só milímetro. Pois do seu ponto de partida (da morte), lá ele para na chegada, às vezes por toda eternidade.
4 – As três voltas correspondem à tripla corrida. A primeira é durante a juventude, onde a pessoa se farta de sexo, comilança, bebidas, modas, festas e jogatina. Isto ela faz com toda a leviandade característica de sua idade. Após esta, chega a segunda volta, o chamado ciclo do homem. Este ciclo consta de mentira e fraude, inveja e usura, orgulho, amor próprio, soberba, descrença, falta de honra e finalmente absoluta falta de fé em Deus e muito mais.
5 – Logo a seguir vem o terceiro páreo, se este tal homem mundano e competitivo não tiver se matado nos dois ciclos anteriores. Este terceiro páreo é o chamado “crises de velhice do corpo” e mais ainda da alma. Só se difere dos anteriores pela menor velocidade, pelo “tempo moderato”. Também corresponde ao velho provérbio. “O que se acostuma quando jovem, o velho continua a fazer”.
6 – Assim, um páreo é idêntico ao outro. O homem que tenha corrido tal pista não muda e até na velhice não consegue nenhum avanço ou melhora; é o mesmo desastrado de sua juventude.
7 – O prêmio desta competição mundana de hoje, uma bandeirola sem valor algum, é o mesmo prêmio do homem competitivo. A diferença é que o competidor de hoje a recebe, mas deve devolvê-la ao circulo ao qual pertence, para uma futura premiação idêntica. O que compete ao mundo na vida terrena será coberto com a mesma bandeira, mas só como “faz de conta”, pois no enterro esta também lhe será retirada (com diferentes graus de honraria) e será guardada. Será para muitos o sinal de vitória e o “outdoor” para mostrar suas muitas habilidades e vitórias, mas na verdade é um demonstrativo que a morte venceu, não que a morte foi vencida. Prêmio triste para tanto esforço e tanto trabalho neste e para este mundo.
8 – Para finalizar, nada mais além do “cachê ordinário”. Este tal de cachê comum ou ordinário nada mais é para eles, competidores mundanos, que o tão conhecido sepulcro (jazigo), o deterioramento no lugar da plena ressurreição, a morte absolutamente comum ou também o inferno.
9 – “Vede, eis que aqui estamos com nossas “competições mundanas” e “competições equestres artísticas” e o tal “cachê habitual ou ordinário”, todos juntos no atual retrato das produções culturais e competitivas tão comuns no mundo material. Observai as atividades deles a uma certa distância e estareis vendo o mundo, ou melhor dito, tereis a visão do verdadeiro inferno.
10 – Só existe uma diferença ainda a ser observada: esta “companhia equestre artística” está lutando pela sua sobrevivência com suas apresentações arriscadas, nada mais além. Mas isto não acontece com frequência com os “competidores mundanos”, pois muitas vezes já não têm mais problemas de sobrevivência. Eles lutam somente por aquilo que pertence à morte eterna, pois nada sabem sobre a Vida e consequentemente não lutam por ela. E quando alguma vez são alertados sobre ela, não acreditam e lutam sua vida toda por um prêmio fútil e um cachê ordinário.
11 – Tende, pois, cautela ante estas “artes mundanas” que vos oferecem um prêmio tão ínfimo, às vezes por toda a eternidade. Isto Eu vos digo, o Todo Poderoso. Amém.


Cura do cego de Betsebá – Marcos 8-22-26

Recebido por Jacob Lorber, em 20 de julho de 1847


1 – Eu sei muito bem o quanto esta cura do cego de Betsebá, que parece ser demorada e complicada, escandaliza a muitos e ainda escandalizará a muitos no futuro. Eu até acho bom que assim seja, porém Eu conheço o motivo pelo qual e para quem foi a mensagem de Minha atuação. O mundo ainda muito se escandalizará com Minhas ações, até que encontre o seu fim.
2 – Betsebá aqui representa o mundo material, para o qual só um estava cego. Mas justamente esta cegueira para o mundo foi o móvel daquele cego, ao pedir aos de boa visão que o levassem ao Meu encontro, para que Eu o curasse de sua cegueira mundana e lhe reativasse a luz do mundo.
3 – Como vindo a Mim, devido a seu total livre arbítrio, cada um consegue o que deseja - veneno ou bálsamo, tal como se encontra na Terra - este também pôde receber o que tanto queria. No começo, ele desejava a luz ao mundo, por isto Eu o levei a um lugar à parte. Cuspi em seus olhos, para demonstrar o Meu total desprezo ao Mundo e a sua luz. Mas também no mundo ele se encontrava em Minhas Mãos poderosas, mesmo que não sentisse este fato, e compartilhava da Minha Misericórdia e Graça das duas maneiras: ou para o céu, ou, como ele desejava, só mesmo para o mundo.
4 – Esta foi à razão por que Eu não permiti que este cego se tornasse completamente vidente de imediato, mas sim via alguma coisa. E o cego mundano olhou para o mundo e falou: “Eu vejo as pessoas caminharem como árvores”.
5 – Esta declaração é um testemunho de como os seres humanos parecem de acordo com sua natureza interna e o que eles são como consequência disto: eles se parecem a arvores que caminham e não possuem mais vida, pois suas raízes não se encontram mais no solo para receber o alimento, mas sim se encontram soltas no ar, pois foram arrancadas do solo de Meu Amor e de Minha Verdade pelos furações de suas paixões desenfreadas e pelo seu materialismo.
6 – Quando este cego mundano deu este testemunho do verdadeiro reconhecimento do mundo na Minha presença e na presença de Meus irmãos, quando se deu conta do que era de fato o mundo e sua luz, Eu então, com Minha verdadeira Misericórdia, coloquei Minhas Mãos novamente sobre sua cabeça. Assim fiz para que ele visse aquilo que enxergou como que através de um véu, na sua real claridade e exatidão. Não cuspi em seus olhos novamente, para mostrar a todos que um olhar correto ao mundo Me é agradável e que daí em diante este mundo não poderá atrelar em sua rede de intrigas alguém que tem um olhar correto, não mais poderá, portanto, levá-lo à eterna destruição.
7 – Com este puro gesto de misericórdia, a aposição das mãos sem antes ter cuspido, foi que o cego começou a ver com clareza e em sua totalidade. Mas quando ele estava totalmente curado, Eu lhe disse: “Vai para tua casa”, e quis dizer: Vai para teu interior, para teu espírito da vida interior. Mas se ainda tiveres algo a fazer no mundo externo, não permitas que saibam que, por Minha Misericórdia, agora consegues vê-lo em sua luz infernal; isto para que ele, o mundo, te deixe em paz e não consiga te fazer nenhum mal.

E assim Eu disse a simpática proibição: “Não digas nada a ninguém, guarda o segredo contigo; pois o tempo da revelação de Meu Reino na Terra ainda não chegou, porque a Terra ainda é “mundo” e sempre permanecerá como tal”.


8 – Vê, pois, é assim que se deve entender este fato do Evangelho e não permitir nenhuma outra interpretação, somente a mais pura explicação divina: o cego é a alma dos homens, Betsebá é o seu corpo, sua casa é o espírito.
9 – Já que Eu te expliquei esta parábola tão importante, por favor, entende-a completamente, pois tu bem sabes que o puro conhecimento não ajuda a ninguém, mas a ação sim. Pois então continua a atuar de acordo com Meus ensinamentos e permanece longe de Betsebá; mas não permitas que ela se dê conta que a enxergas como realmente é e que a conheces bem, para que não sejas prejudicado, nem fisicamente é muito menos em espírito.

Isto te fala o verdadeiro oculista, eternamente.

Amém.

Passagem para o mundo espiritual

Recebido por Jacob Lorber, em 13 de agosto de 1847


Esta mensagem deu origem à “O bispo Martim” que foi ditado diariamente até seu fim, em 11 de outubro de 1848.
1 – Um bispo, muito orgulhoso e cônscio de sua dignidade e princípios eclesiásticos, estava doente pela ultima vez.
2 – Ele que aclamava as maravilhas dos céus nas mais brilhantes cores de sua imaginação de presbítero, ele que às vezes quase desmaiava ante a felicidade que apregoava existir no reino dos anjos (mas que concomitantemente não esquecia o inferno e o purgatório, mesmo sendo um ancião com mais de oitenta anos), não tinha nenhum desejo de iniciar-se nas delícias celestiais por ele tão declamadas. Para ele eram preferíveis mil anos de vida na Terra a um céu e todas suas maravilhas.
3 – Por isto nosso velho bispo adoentado tudo fazia para evitar sua passagem e para que ficasse bom de novo. Os melhores médicos tinham que fazer plantão junto ao seu leito em todas as igrejas da diocese. Missas deviam ser lidas invocando forças e todas as suas ovelhas eram incitadas a rezar por sua saúde e fazer promessas pela sua recuperação. Não se mediam esforços. Eram rezadas três missas pela manha e à tarde, com o santíssimo a descoberto. Além disto, três monges deviam rezar continuamente no breviário.
4 – Ele frequentemente exclamava: “Ó Senhor, tem piedade de mim. Santa Maria, mãe amada, me ajuda, tem piedade de minha dignidade episcopal e de minha graça de bispo que eu carrego em tua honra e na de teu filho. Não abandona este teu servo fiel; tu, única redentora de toda dor; tu, único esteio dos sofredores!”.
5 – Mas nada disto foi eficaz. Nosso homem caiu num sono profundo e não acordou mais no lado de cá.
6 – O que acontece aqui na Terra com os restos mortais de um bispo já sabeis de sobejo: cerimônias solenes e...; não precisamos perder tempo com isto. Porém vamos já para o mundo espiritual, observar o que nosso homem vai fazer lá.
7 – Vede, cá estamos, e lá está nosso homem ainda deitado no seu leito, pois enquanto ainda houver um átomo de calor no coração, o anjo não liberta a alma do corpo. Pois este calor é o espírito do nervo, que deve ser totalmente absorvido pela alma antes que a total libertação possa ser processada pelo anjo. Tudo deve seguir o caminho de Minha Ordem.
8 – Bem, a alma já se apoderou totalmente de tudo, e o anjo a liberta agora do corpo com a palavra “Hephata”, que quer dizer: “Abre-te alma, e tu, pó, volta ao teu lugar na tua podridão, e te liberta pelo reino dos vermes e da putrefação. Amém.
9 – Vede, nosso bispo se levanta em seus ornamentos episcopais, tal como se estivesse vivo na Terra, e abre os olhos. Olha a sua volta e não vê ninguém além dele, nem mesmo o anjo que o despertou. A região está envolta numa luz bem fraca, como no fim de um entardecer, e o solo coberto por musgos bem ralos.

10 – Nosso homem muito se surpreende com a situação e fala consigo mesmo: “O que é isto? Onde estou? Eu ainda estou vivo, ou já morri? Pois eu estava muito doente e é bem provável que me encontre entre os falecidos. Deus me livre, mas acho que assim é! Ó Santa Maria, São José, Santa Ana, vós, minhas três santas escoras, vinde, ó vinde e guiai-me a entrar no reino dos céus”.


11 – Ele permanece aguardando por certo tempo, olhando com cuidado a sua volta, procurando e esperando seus santos chegarem, mas eles não vêm.
12 – Ele repete seu chamado com mais força, aguarda, mas ninguém vem.
13 – Pela terceira vez é feita a chamada, e novamente ninguém vem.
14 – Isto motiva grande temor em nosso homem. Ele começa a se desesperar e a falar: “Pelo amor de Deus, Senhor, não me abandones” (isto era um hábito que ele tinha, não um verdadeiro pedido). “O que é isto? Chamei por três vezes inutilmente.
15 – Fui por acaso excluído? Isto não pode ser, pois não vejo o fogo nem o Deus-nos-acuda.” (eles nunca usavam a palavra diabo)
16 – Há há há (ele ri, tremendo), é em verdade horripilante! Tão só...! Ó Deus, se chegasse agora um deste Deus-nos-acuda, e eu aqui sem água benta consagrada três vezes, sem crucifixo..., que farei?
17 – E é conhecido que o Deus-nos-acuda tem uma grande preferência por bispos! Ó, ó, ó, (tremendo de medo) isto é uma história desesperante. Eu acho que vai se iniciar comigo o “chorar e ranger de dentes”.
18 – Vou tirar esta minha veste de bispo, pois assim poderei me esconder do Deus-nos-acuda. Mas se com isto o Deus-nos-acuda usasse mais violência comigo? Ai meu Deus, ai meu Deus, que coisa horrível é a morte!
19 – Se eu estivesse absolutamente bem morto, então eu não teria medo algum, mas isto de estar vivo após a morte é o “x” do problema. Ó Deus, não me abandones!
20 – Que será que aconteceria, se eu caminhasse em frente? Não, não, eu fico, pois o que aqui existe eu conheço pela pouca experiência. Mas o que aconteceria se eu desse somente um passo, ou para frente ou para trás? Só Deus sabe! Em nome de Deus e da Divina Virgem Maria aqui aguardarei e não me moverei nem por um milímetro, nem para a frente nem para trás.

Receita para dor de dente e da água para bochechar

Recebido por Jacob Lorber, em 1 de dezembro de 1847

1 – Escreve, pois, esta pequena receita para nossa irmã adoentada.
2 – Minha querida filhinha, tu de fato tens uma cruz com estes teus dentes fracos, mas tem paciência por mais um curto espaço de tempo, e tudo ficará melhor. Vê, já que te dei estas doenças que não põem toda a vida em perigo, ficarás livre daquelas que podem ser menos dolorosas, mas são muito mais perigosas para a vida de teu corpo.
3 – Toma o purgante por alguns dias e não comas por algum tempo nenhuma fruta, pois elas azedam e engrossam o teu sangue. Mantém teus pés sempre bem aquecidos, não comas alimento muito quente e evita as correntes de ar. Já que estás com várias enfermidades e dores, fica na cama até mais tarde, pois o suor matutino é bom para curar o reumatismo. Vê, cada vez mais estarás melhor e sadia para sempre.
4 – Não deves esfregar o dente doído nem com a língua e não deves chupar, pois isto irritará o nervo exposto, causando muita dor. Só assim a dor passará.
5 – Também deves proteger teus ouvidos no inverno, ou quando houver tempo úmido e com vento. Coloca um chumaço de algodão em cada um. Nestes chumaços de algodão faze um buraco e lá põe um pedacinho de cânfora. Isto, com Minha ajuda, te livrará do reumatismo.
6 – Tu deves arrancar as raízes estragadas dos teus dentes, e Eu te asseguro que sofrerás pouca dor. Assim serás liberta de teu sofrimento no futuro, mas só com a observância destas regras, já pouco sofrerás no futuro. Um pouco de dor não faz mal à alma.
7 – Quando tiveres dores fortes, coloca gengibre na tua nuca e nas plantas dos pés. E se houver alguém com força magnética, que coloque o dedo anular em água fresca e faça sete círculos atrás de cada orelha, e a dor logo desaparecerá.
8 – Principalmente deposita em Mim tua confiança viva, que logo estarás sem dor para sempre.
9 – Também não deves te zangar por assuntos insignificantes, e assim terás um sangue puro e limpo.
10 – Finalmente, uma receita de uma boa água para bochechar: Toma um punhado de folhas de sálvia e cozinha-as num quarto de litro de água. Quando a água estiver esverdeada, côa e deixa esfriar um pouco. Quando estiver morna, faça bochechos. Faça isto diariamente, que jamais terás dor de dente.
11 – Bem, agora tens um bom medicamento, não só para ti, mas também para teus irmãos e irmãs; mas lembra-te que isto terá resultados mais eficientes, se tua confiança em Mim se firmar mais. Isto Eu digo e dou, Eu, o melhor médico. Amém.



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