Palavras de agradecimento do servo



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Jovens tolas

Recebido por Jacob Lorber, em 20 de junho de 1847



Senhor, veja estas duas irmãzinhas. Elas estão desejando receber umas palavrinhas Suas, para orientá-las em suas vidas. Por favor, peco-lhe, Santo Pai, que Se digne a satisfazer-lhes o pleito, se assim for Sua Santa Vontade. Amém.
1 – Bem, então escreve, já que tanto desejas escrever! Eu sei muito bem que as duas já desejam ouvir Minha Palavra faz bastante tempo, mas vê, este desejo ainda não se expressou vivamente em seus corações. Esta é a razão por que Eu evitei dar-lhes esta dádiva explicitamente, mas no íntimo as tenho orientado a cada instante e as faço renascer para a vida eterna em espírito e alma. Este trabalho cada uma delas dificulta com uma série de coisas mundanas, e assim Eu não posso aprofundar e apressar sua evolução, a não ser que prejudique seu livre arbítrio, o que jamais farei, apesar de muito desejar sua evolução.
2 – Sempre acontece uma outra coisa, e Eu me mantenho como o amigo que veio ajudar um necessitado que não fica a seu lado, mas constantemente sai da sala para realizar tarefas totalmente inúteis. Ele muito se alegra com a chagada do amigo, mas não permite um momento de sossego, para discutir o real problema.
3 – O amigo rico então se irrita e explica ao outro, com toda seriedade, que se ele deseja ser auxiliado, deve permanecer no local onde existe a verdadeira ajuda, não sair correndo para tarefas que nada de bom lhe darão.
4 – Isto é o que Eu desejo dizer para estas duas filhinhas, se ainda não se deram conta da situação. Eu creio que elas já sabem disto, mas que lhes seja um lembrete.
5 – Eu já dei a cada uma delas regras de comportamento, o que podem fazer e o que devem evitar. Mas vê, elas não as seguem em sua totalidade. Como posso dar-lhes um novo medicamento, se não usaram o primeiro totalmente?
6 – Elas devem deixar de fazer o que não Me causa prazer! Meus medicamentos não são como os dos médicos mundanos: quando um não ajuda, pode-se procurar outro melhor. Meus medicamentos devem ser usados de acordo com a ordem. Um segundo não curará, se o primeiro não tiver sido totalmente usado!
7 – Por isto dizei às duas: Lede as mensagens que já recebestes com muita atenção e observai bem o que nelas vos foi dito, que logo tereis um segundo medicamento.
8 – Uma delas que cuide de seu abdômen e estomago e que seja mais Maria do que Marta. E que nenhuma se enfeite demais para um casamento. Amém.

Confiança, coragem e paz

Recebido por Jacob Lorber, em 24 de junho de 1847



Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo dá.

Não se perturbe o vosso coração, nem se atemoriza. João 14-27
1 – Quem não entender este texto, ainda que ele seja muito claro, então o motivo é porque ele não conhece bem seu idioma e não sabe o que a paz é de fato.
2 – Quem achar que a paz é a calma, tanto no sentimento como no trato com outras pessoas, este é um tolo bem grande. Se, por exemplo, dois povos estão em guerra, quando resolverão fazer a paz? Certamente não antes que a coragem de um partido tenha vencido o outro; este partido vencido se submeterá ao vencedor, e então os dois partidos terão sossego e assim conseguirão a paz.
3 – Quando um fraco atravessar uma mata durante a noite, sentirá medo e inquietação e fará esta travessia com sua alma totalmente desassossegada. Mas se um gigante feito Golias atravessar a mata à noite, não só não terá medo, mas uma grande confiança lhe dará uma coragem absoluta, na qual poderá enfrentar vitoriosamente qualquer obstáculo inimigo. Esta coragem absoluta dá a seu caráter o sossego e o destemor, bem como paz a sua alma, não podendo ser tomada por nenhum inimigo.
4 – Se um pobre miserável for à casa de um rico senhor pedir a mão de uma de suas filhas, com certeza ele se aproximará da casa cheio de desconfiança e incerteza. Sua mente estará cheia de medo e sua alma temerosa,. Assim, quando chegar a ocasião, não conseguirá dizer uma única palavra, pelo grande desassossego de sua alma. Mas com que sentimentos diferentes se aproximará da casa um rico filho de um poderoso príncipe... Cheio de coragem e na certeza absoluta, ele entrará na casa sabendo bem que seu pedido não será recusado, pois são seus pares, seus iguais, e também devido a sua fortuna e poder.
5 – Com isto conclui-se que a paz nada mais é do que a total coragem da alma, da coragem deriva a confiança, a qual está consciente de suas capacidades e com as quais enfrentará vitoriosamente toda ou qualquer oposição que se lhe apresente. Aquele que faltar com estas capacidades positivas, a este também faltará confiança, e onde não houver confiança faltará a coragem e também não haverá paz.
6 – Então quando Eu digo no Evangelho: “Deixo-vos a paz. Minha paz vos dou”, isto significa: Minhas habilidades, Minha confiança total nas mesmas, e com isto Minha coragem Eu vos deixo e Eu vos dou. Naturalmente é uma coragem que o mundo não conhece, não possui e consequentemente não pode dar.
7 – O efeito desta coragem é que vossos corações não se tornam temerosos e inquietos, não importa que tipo de inimigos devam enfrentar. Creio que isto já basta.
8 – Procurai conseguir estas habilidades, das quais obtereis a verdadeira paz do Evangelho. Isto vos fala “o Herói da Eterna Paz”. Amém.


O caracol como exemplo

Recebido por Jacob Lorber, em 25 de junho de 1847



1 – O homem, como deve ser e como não deve ser, é igual ao caracol.
2 – O caracol, um mísero animal, é uma duplicação que existe em todas as estações do ano e, com exceção das regiões polares, é encontrado em todos os lugares da Terra, em diferentes tamanhos, aspectos e conformações. Ele bem de perto se apresenta aos homens, para ser observado e estudado, para que aqueles consigam aprender com ele como devem ser e também como não devem ser.
3 – Os humanos devem retirar seus olhos, tal como o caracol retira suas antenas do mundo. Devem interiorizar-se em si mesmos, quando aos seus olhos se apresentarem tentações irresistíveis que possam cegá-los. Mas eles não devem voltar seus olhos para o mundo externo, onde nada mais verão além do mundo material e todas as suas tentações, não tendo mais um único olhar para Mim.
4 – As pessoas devem possuir quatro olhos, como os caracóis. Dois seriam os grandes olhos da alma – a razão e o juízo - que estão dirigidos para cima, para Mim, Deus e Senhor. Somente os dois pequeninos olhos do corpo estão voltados para baixo, para o mundo. Mas também não devem voltar os olhos grandes para o mundo, como o fazem alguns caracóis, a fim de vistoriar suas muitas necessidades mundanas, usando os pequeninos para observar coisas tão importantes como o caminho - no caso do homem, o Caminho da Vida. Estou certo que isto acontece hoje em dia com muitas e muitas pessoas.
5 – Os homens devem, tal qual o fazem os caracóis, expor o seu interior o menos possível; somente fazer isto em casos extremos, para mostrar que não são corpos vazios. Devem se recolher ao interior, como o fazem os caracóis quando pressentem um perigo que vem do mundo. Por outro lado, os homens não devem expor seu interior por motivos sensuais, como o fazem os caracóis. Os homens não devem usar seus talentos espirituais para angariar privilégios mundanos!
6 – Mais uma vez os homens devem usar a paciência do caracol, para perseguir - com firmeza e persistência de caracol - sua meta. Devem meditar a cada instante que nenhuma árvore de bom porte pode ser derrubada com um só golpe. Mas o caminho espiritual eles não devem trilhar com a velocidade do caracol. E quando se trata de auxiliar ao sedento, ao sofredor e ao miserável, aí também não devem usar a infinita paciência dos caracóis, mas sim usar a velocidade do veado e dar pulos como o leão.
7 – Além disto, o homem deve construir sua casa como o faz o caracol, somente para satisfazer suas necessidades, o mais simples possível, tanto na construção como na decoração, pois senão o peso dos enfeites pode esmagar a vida espiritual interna! Mas, no entanto, os homens não devem se grudar (como o faz o caracol) na sua casa material, para que não morram quando ela lhes for arrancada (como acontece com o caracol), a fim de que sua alma continue a viver cada vez com mais forca e vigor.
8 – Os homens devem usar os fluidos - que jamais acabam - de seu sempre ativo amor, para se colarem (como o caracol o faz com sua gosma), podendo assim estar em qualquer lugar e de certa forma atrair para si tudo o que se tornará base para a sua vida. Mas os homens não devem, com suas palavras sujas e ofensivas, emporcalhar todo o caminho que percorrem (tal como o faz o caracol com seu suco, marcando e sujando toda a trilha em que desliza).
9 – Tais exemplos do caracol poderíamos ter ainda muitos, mas estes aqui apresentados devem ser suficientes para vós, se os desejardes observar para vossas vidas. Por isto, mais uma vez vos digo: Sede como os caracóis e também não sejais como os caracóis, assim vivereis e atuareis como pessoas corretas. Amém.

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Sobre a sabedoria e bondade Deus

Recebido por Jacob Lorber, em 01 de julho de 1847

1 – Era uma vez um proprietário que possuía um pomar bem grande, no qual cresciam muitas árvores frutíferas. Entre elas havia algumas nas quais os frutos amadureciam antes do tempo, enquanto em outras amadureciam um pouco mais tarde e em outras mais tarde ainda. Finalmente havia árvores cujos frutos cresciam muito tarde e estes deviam ficar armazenados por quase todo o inverno, para que pudessem se tornar comestíveis.
2 – Este dono de terras tinha muitos servidores e vários filhos. Ele tratava os filhos e os servidores igualmente e a todos enviava ao trabalho no pomar, para cuidar das árvores e observar o amadurecimento dos frutos; e sempre havia alguns prontos para serem colhidos.
3 – Os filhos e os servidores executaram exatamente os desejos do proprietário. E quando descobriram frutos maduros nas árvores que os amadureciam antes do tempo, voltaram alegres para contar ao dono da casa.
4 – Este então foi ao pomar, viu os frutos amadurecidos e ordenou aos servidores que os colhessem e dessem aos filhos, que aguardavam cheios de alegria.
5 – E os servidores seguiram as ordens do patrão. Mas quando as crianças começaram a comer aqueles frutos, fizeram caretas de desgosto e disseram: “Em verdade estas frutas têm um gosto ruim, e não vale a pena o trabalho. Estas frutas têm um aspecto bonito, mas são um engano”.
6 – Então o dono da casa disse: “Deixai, pois, de lado estas frutas e esperai mais alguns dias, até que o calor do sol as torne mais saborosas! Tenho certeza que tereis prazer em comê-las, pois desde tempos sabemos que os frutos temporões de nada servem”.
7 – Tanto os servidores como os filhos ficaram satisfeitos com as palavras do dono das terras e abandonaram o pomar. Após alguns dias, retornaram ao pomar, descobriram bastantes frutos bem amadurecidos e foram informar ao dono. Este logo foi ao pomar, examinou as frutas e disse: “Ide e trazei balaios de vários tamanhos, para que os frutos não sejam misturados. Colhei tudo que estiver bem maduro, para que possamos ter uma refeição de verdade”.

8 – Os servidores seguiram as instruções do dono da casa. Quando os frutos foram colocados na mesa grande da casa, o dono os abençoou. Filhos e servidores sentaram-se a mesma mesa, tomaram as frutas e as comeram com grande prazer. Todos ficaram satisfeitos.


9 – Quando acabaram de comer, eles agradeceram ao pai e disseram: “Pai, as frutas agora estão com um gosto muito melhor. Mas vê, olha a quantidade que tem; são tantas que no fim, devido a termos comido demais, elas perdem o gosto. Não seria melhor que as temporonas tivessem este mesmo bom sabor que estas tem? Seria de grande satisfação para todos”.
10 – Disse o Pai: “Tens razão, mas sabeis o que se deve fazer? Em primeiro lugar uma certa moderação, e em segundo lugar paciência. Jamais colher frutas antes que estas estejam completamente maduras, e neste caso somente o suficiente para satisfazer sua necessidade. Então, quando colhermos frutas novamente, vamos observar bem estas regras, e tudo nos dará uma grande satisfação”.
11 – Quando chegou a hora da segunda colheita, estas regras do dono do pomar foram observadas. Todas as frutas foram de sabor delicioso, tanto para os filhos como para os servidores. O mesmo aconteceu na terceira colheita.
12 – Mas quando a última colheita se aproximava, os filhos e servidores falaram ao Pai: “Vê, os dias estão esfriando e as últimas frutas estão fartas nas árvores e têm um lindo aspecto, mas tão logo a mordemos a cica se apresenta, repuxa nossas bocas e nos deixa completamente sem vontade de comer uma segunda fruta. Que devemos fazer neste caso” ?
13 – O dono da casa retrucou: “Bem, então o ciclo se fechou. Eu sei que esta última colheita não conseguirá chegar à maturidade nas árvores, pois a luz e o calor já diminuíram muito, as noites ficaram longas e os dias curtos e frios. Mas não vamos deixar estas frutas tardias nas árvores, para serem destruídas pelo rigor do inverno. Ide, trazei diversos potes para as diferentes frutas e colhei estas frutas tardias com muito cuidado. Vamos estocar estas frutas, que se tornarão melhores que todas as três colheitas anteriores, as que com o calor do verão já adquiriram a maturidade total nas árvores”.
14 – Os filhos e servidores assim fizeram. E tudo estava em ordem. Quando o inverno chegou, só encontrou ramagem nas árvores, mas nenhuma fruta para matar.
15 – Meditai em vossos corações sobre o sentido desta história e vereis na natureza o exemplo da organização divina.
16 – Mas não vos precipiteis em tirar conclusões. Não se corta uma árvore com um só golpe de machado. Meditai com calma e mais tarde vos darei mais explicações. Amém.

Deus acima de tudo

Recebido por Jacob Lorber, em 03 de julho de 1847.


Uma filha pede: “Ó! Tu Amado e Divino Senhor Jesus, meu Deus e Pai, como conseguirei amar-Te, a Ti, o mais puro e eterno Amor, acima de tudo e todos? Vê, por mais que eu me concentre, me policie, não consigo chegar a amar-Te mais que muitas coisas mundanas, coisas de meu agrado e que atraem meu coração sobremaneira. Eu sei que é um erro e que não está na Tua Ordem. Por isto Eu te imploro que me mostres o caminho certo, pela boca de teu servo. Perdoa este meu atrevimento. Tua vontade se faça.
1 – Minha querida filha! Se esta tua pergunta, tal como está escrita acima, tivesse se originado bem no teu coração, seria mais de Meu agrado, bem mais que teus pedidos pelo dia do santo de teu nome. Mas vê, aqui existe um pequeno problema.
2 – Eu sei que, se fosse uma coisa fácil, tu Me amarias com todo o teu coração e acima de tudo e de todos. Mas sei que aí está o “X” do problema: amar-Me não é tão fácil assim como tu o desejas pelo teu conforto.
3 – Amar-Me acima de tudo e de todos é uma tarefa de vida muito difícil, pois Eu não sou visível como um jovem bem vestido e também não sei cortejar-vos em momentos agradáveis, como manda o bom tom. Eu de fato sou um “grosso” para os preceitos mundanos. Jamais usarei o linguajar refinado e “bonito” que muitos usam no mundo, pois sei que esta maneira de falar não é nada boa para Meus filhos.
4 – Mas isto não é agradável para todos. E é esta a razão que muitas vezes as meninas do mundo mais se apaixonam com facilidade por jovens – especialmente se estes são bem educados e socialmente apresentáveis – do que Me amam, um filho rude de um carpinteiro e que trabalhou como tal até seus trinta anos, para conseguir o alimento necessário para si, seus irmãos e pais mundanos; que tinha as mãos calejadas do trabalho e que não possuía nem um traquejo social. Falava ao povo com seu coração, mas nunca com refinamento.
5 – Vê, como Eu era naquele tempo, ainda o sou hoje para o mundo impolido; mas sou reto, nunca falando inverdades, um inimigo de todo o fausto mundano que destrói o espírito. Eu não vejo nada mais do que o coração e suas obras.
6 – Observa bem, já que tu desejas saber como podes Me amar com todo o teu coração e acima de tudo e de todos, pergunta a teu coração se conseguirá enamorar-se ao ver um operário cansado e sujo do trabalho, com o rosto cheio de suor e com a barba sem fazer, com as mãos doídas e unhas sujas, com sua roupa grosseira; pergunta a teu coração se existe a possibilidade de amá-lo, pois este homem, se for ordeiro e bom, Me é muito mais próximo que outro polido e refinado.
7 – Se conseguires amar a este diarista, como Eu também fui na Minha passagem pela Terra, e amá-lo perante o mundo, sem nenhuma vergonha, então poderemos chegar a nos aproximar, tu e Eu, na mesma medida do que teu coração sente por Meu filho (se bem que não exijo que alguém realize isto de fato, mas sua humilde vontade de Me amar já Me basta).
8 – Quem quiser Me amar de fato deve começar a amar-Me como carpinteiro diarista, lentamente elevar-se ao Senhor, ao Pai e finalmente à Deus. Só então ele Me amará totalmente, acima de tudo e de todos. Mas atenção, sempre tem que começar pelo carpinteiro! Se não for assim, será muito difícil, ou mesmo não será.
9 – Grava bem estas palavras em teu coração, e tudo acontecerá muito facilmente. O caminho para o “carpinteiro” e “diarista” se tornará uma seara agradável para caminhar. Amém. Amém. Amém.
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Roma e a vinda do reino de Deus

Recebido por Jacob Lorber, em 08 de julho de 1847



Senhor, tu eterno condutor dos caminhos, pontes, atalhos e situações dos homens, o que nós, pobres seres humanos, podemos esperar de Roma nesta época, especialmente considerando a orientação do Papa Pio IX? Podemos esperar por um pouco mais de luz, ou tudo ficará mais trevoso? E o que poderíamos fazer pelo mundo no segundo caso? Por favor Senhor, dá-nos algumas orientações, se for de Tua Vontade. Amém.
1 – Partindo de Roma, jamais podeis esperar a luz, mesmo que o papa fosse Pedro ou então Paulo. Sabeis muito bem que a verdadeira Luz do Reino de Deus jamais é um sentimento que está no exterior, mas ela se encontra sim no mais intimo buraquinho do coração de cada pessoa. Esta luz é semelhante a um grãozinho de mostarda, é colocada na terra fértil, e deste interior começa a brotar um pequeno talo, depois umas folhas, troncos, galhos, e daí logo uma frondosa árvore onde os pássaros pousam para cantar ou fazer seus ninhos.
2 – O reino de Deus também chega como uma criança do ventre materno, do coração das pessoas e se estende a toda a pessoa, iluminando cada parte, por mais ínfima que seja, e se arraiga em todas as partes, tornando esta pessoa imortal e um ser totalmente novo e renascido.
3 – Esta Luz, este verdadeiro Reino de Deus, jamais poderá vir de Roma, mesmo que o papa fosse um anjo, mas sim de cada individuo, quando ele for instruído na palavra do Pai, batizado pelas ações e pela evolução forte e sincera do testemunho do Espírito Santo. Onde isto faltar, nem Roma ou Jerusalém, nem o batizado com a água, nem o bispo ou as Crismas, nada pode ser feito.
4 – O papa atual é de fato um homem do mundo muito bom. Ele se preocupa com o regime político e a parte material da igreja com bastante êxito e cuidado. Ele usa a igreja para fins políticos. Quando conseguir isto por completo, aí ele atuará como seus predecessores, lá de vez em quando semeará alguma coisa melhor. Mas seus seguidores destruirão tudo, como todos os outros fizeram.
5 – Pelo que o papa faz como ser humano, bem no recôndito de seu coração, sem expor ao mundo inteiro, por isto ele receberá o merecido premio. Mas na sua atuação como superior da igreja, no céu nada será reconhecido.

6 – O primeiro sinal da chegada do Reino de Deus é a humildade certa, nunca a ilusória, aquela anunciada aos quatro ventos, muito menos a curial ou pontificial daquele que se intitula “Servo dos Servos” e logo a seguir “Santo Pai”. Isto fere Minha Palavra e Lei, e com isto ele tem vontade de ser o regente de todos os regentes. Nisto todos os papas são iguais.


7 – Devido a isto, falta ao papa o sinal primário do reino de Deus, sem o qual ninguém jamais conseguirá chegar a Luz dos Céus. E lá onde o A falta completamente, de onde poderá aparecer o B e muito menos o C e D ? Isto é igual ao exemplo de uma mulher que deseja ficar grávida, mas, por exemplo, não aceita homem algum
8 – De onde não se pode aguardar jamais a Luz (pelas razões acima mencionadas), só se poderá aguardar trevas. E que ninguém se deixe enganar, por mais que aparente o contrário.
9 – Pois tudo que lá acontece é para o mundo exterior. O intimo é denominado “o segredo de todos os segredos” e praticamente não existe. E se existisse, ele ficaria praticamente sem efeito, como o germe deve sempre ficar eternamente um “segredo vital”, pois jamais poderá ser vivo, já que lhe foi cortado o meio pelo qual ele poderia integrar-se à vida.

10 – Onde Deus, que é a fonte de origem de toda a vida, for um “segredo”, o que será então a vida e sua luz?


11 – Deus é à base de tudo, a primeira condição de todo o ser, a luz principal de todas as luzes, e deve ser aceito e conhecido em primeiro lugar, como tudo o que vem Dele deve ser aceito e conhecido. Mas se Deus é um “segredo”, uma total e absoluta noite, o que podemos esperar de todo o resto? Onde a Luz já é a mais negra treva, o que podemos esperar da treva verdadeira?
12 – Eu acho que Eu represento nem que seja uma pequenina luz em vossas casas, da qual facilmente podereis concluir o que se pode esperar de Roma em todos os tempos, enquanto ela permanecer como sempre foi, é e será.
13 – Mas jamais acrediteis que a Luz ou a Noite dependem de Roma, mas sim tudo depende de Mim. Quando for a hora certa, a luz se fará e tudo será dia. Roma não conseguirá de jeito algum limitar o “grande dia espiritual”. Será como se alguém quisesse se opor ao nascer do Sol.
14 – Permanecei, pois, totalmente despreocupados! Quem andar no Dia e na Luz nada deve temer da noite e das trevas. Mas ai daqueles que caíram nas garras dos assaltantes. Amém.

Das cerimônias e mistérios da igreja

Recebido por Jacob Lorber, em 09 de julho de 1847



Senhor o que são de fato os “segredos” com os quais a nossa igreja romana está tão abarrotada e aos quais ela tanto cultua? Segredos estes que quase são os alicerces da mesma? Se for Tua Vontade, esclarece-nos. Amém.
1 – Mistérios não são nada mais que noite e trevas nestes assuntos que são considerados um segredo. Isto é o que também são os “segredos” da igreja: a total cegueira da alma e a completa morte do espírito.
2 – E digo mais: os “segredos” são uma grande maldade, já que as pessoas geralmente envolvem no “segredo” tudo aquilo que elas não se atrevem a apresentar à luz do dia, pois assim os outros assim podem ver a enganação e vingar-se dos enganadores – o que já acontece várias vezes. Cada enganação, porém, é um pecado bem grande e consequentemente uma grande maldade. Por isto cada “segredo” que não passa de uma enganação é uma cruel maldade.
3 – Mais ainda um “segredo” é um assassino e um matador, pois nada mata mais o espírito do que os “segredos”. Eles são assaltantes, assassinos e matadores espirituais, pois o homem tem coragem sobre todos os assuntos a não ser os “segredos”. Por isto a superstição era tão vasta na antiguidade, pois ninguém tinha coragem de olhar atrás da venda de Moises, para ver o que realmente existia atrás da mesma. Todos consideravam os “segredos” como absolutamente impenetráveis e lá ficavam sem se atrever a ir mais adiante, pois de fato não temiam somente o “segredo”, mas muito mais a sua revelação ou realização.
4 – Cada segredo cria um segredo novo, e este um terceiro, e assim continua até que tudo se torne um “segredo” da vida toda e da morte. Assim, para matar espiritualmente a humanidade só é necessário mergulhá-la em todo tipo de segredos, quanto piores e mais grosseiros tanto melhores e mais efetivos, e assim o inferno pode estar seguro de sua vitória.
5 – Mas é mais lucrativo sair para assaltar a noite, pois águas turvas são boas para pescar. É fácil levar os cegos, e os mortos podem ser carregados para onde desejamos. Além disso, eles creem que lá ainda existe coisa melhor e não se atrevem a mexer em nada. Vede, não existe coisa melhor do que criar muitos “segredos”, quanto maiores melhores, e assim um povo é destruído por milhares de anos e é manipulável em todos os sentidos.
6 – Se estes “segredos” forem manipulados por prestidigitadores espertos, acompanhados de grande pompa e cerimônias faustosas, com muita fumaça e histórias horripilantes, aí adquirem um “poder” ao qual ninguém se atreverá a opor.
7 – Sim, então as trevas e a tristeza serão tão imensas, que elas até conseguiriam prejudicar os escolhidos, se estes não fossem conduzidos e orientados pelo Meu auxílio e amor. Por isto a existência de tantos cristãos onde os “segredos” reinam, cristãos caminhando na maior escuridão quanto à vida após a morte. Pois nada sabem sobre isto. Acreditam enquanto tudo vai bem, como um jogador crê acertar a loteria, o que pode acontecer, mas com muito mais certeza nunca acontecerá.
8 – Quanto vale, porém, uma fé tão amaldiçoada? Eu vos digo: nem um tostão furado, nada, pois ela não consegue salvar absolutamente ninguém da morte. Esta é a razão por que estas pessoas de fé tão fraca desaparecem como se nunca tivessem existido e se tornam fantasmas e sombras do mundo espiritual, para as quais tudo é o fruto dos “segredos”.
9 – O que significa Deus, o que Eu, Jesus, significo? O que significa o Espírito Santo, o que significa a Trindade, a Santa Ceia, a Palavra de Deus, disto tudo eles conhecem tanto quanto a pedra na rua. Eles podem estar adorando a Deus, mas um Deus que não está em lugar algum e não poderá estar. Mas o Pai, aquele que deveria ser o melhor conhecido por todos e ser o grande educador que mais próximo está a todos, sem o qual ninguém conseguirá a vida eterna, é o que está mais afastado e é o mais misterioso ser que de fato jamais estará presente. Pergunto: Como poderemos esperar sentir amor por um Pai tão ausente e misterioso, este amor do qual tudo depende e que é o único que nos leva à vida eterna.
10 – De fato “segredos” poderão existir para leigos bem como para estudantes, enquanto estiverem na escola e precisarem aprender. Mas com pessoas verdadeiras não devem existir segredos. Pois vós agora sabeis que o verdadeiro Espírito de Deus, no momento em que estiver na pessoa, também penetra nas Minhas profundezas, como aconteceu com Meu Paulo, que aprendeu de Mim.
11 – Fora, então, com todos os “segredos”! Eles pertencem ao mundo das trevas.
12 – Que seja dia em vossos corações. É para isto que Eu deixo que tanta luz vos alcance, para que sejais eternamente libertos da prisão dos segredos. Amém.



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