Palavras de agradecimento do servo



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Preguiçosos

Recebido por Jacob Lorber, em 08 de junho de 1847


1 – Quem é preguiçoso, colherá os frutos que lhe são de direito, colherá algo como o prêmio daquele que enterrou o seu talento.
2 – Todos aqueles que não observam a Palavra da Vida do começo até o fim são preguiçosos; sim, são aqueles que não desejam encontrar em si mesmo o poço de Jacó com a água verdadeira para o batismo espiritual, para o renascimento do espírito e para a vida eterna.
3 – Aquele que deseja angariar bens terrenos e é bem ativo a este respeito, este é o maior preguiçoso no Meu Reino. E se conhecesse de cor, palavra por palavra, toda a Escritura Sagrada, isto até que não lhe seria mal, mesmo se o fizesse porque o mundo considera tal sujeito “elegante” e “honroso”, o qual assim obtém algumas utilidades mundanas. Mas ele observa Minha Palavra somente até que ela lhe seja útil para seus desejos mundanos, e o que não o é ele simples e frequentemente ignora com a desculpa: “O Senhor certamente não quis dizer isto! E se Ele de fato falou isto, decerto não conhecia as pessoas, ou não podia prever como seria a situação na Terra”.
4 – Eu, o Senhor, respondo a isto: Para ti, tu, preguiçoso materialista de Meu Reino, Eu quis dizer exatamente o que tu achas que Eu não queria dizer! Tu, horrível preguiçoso, te pareces exatamente com aquele tolo que construiu sua casa sobre a areia, e quando chegou a tormenta e a chuva forte bateu na mesma, esta caiu e não deixou nem rastros, e não existe um só indicio do lugar onde ela se encontrava. É assim será com tua curta vida material em relação à eternidade: nem um indício de sua existência, pois na Terra tu eras (para Mim) um terrível preguiçoso e tolo leviano e construíste a Casa de Tua Vida na areia, ao invés de na rocha firme.
5 – Existem inúmeras pessoas trabalhadoras para assuntos mundanos. Buscam o que devem fazer e como devem administrar seus bens, como trabalhar tudo para receber juros e como colocar seus dinheiros de forma a estarem seguros, mas dando-lhes lucros; e eles até rezam para Mim, a fim de que Eu abençoe copiosamente suas iniciativas e atividades, para ficarem cada vez mais ricos. Para conseguir isto, eles praticam um pouquinho de caridade, mas tudo isto não os desata de sua preguiça espiritual.
6 – Eles permanecem e de fato são duplamente preguiçosos, porque ainda assim querem obter Minha Bênção, para que ela lhes proporcione mais e mais lucros, o que triplamente mata seus espíritos, sendo a primeira morte ainda neste lado. Pois seus sentidos são o mundo, todo o resto que eles representam é mentira. Eles não vivem segundo a Palavra, o que significaria para eles a vida eterna. Mas mesmo quando algumas vezes seguem certos trechos da Palavra, mesmo isto fazem somente pela felicidade terrena, e como consequência seus espíritos já morrem completamente neste mundo. Mas se o espírito já está morto no e para o mundo, ele já é eternamente morto para o Céu.
7 – Bem, estes honrados e aplicados trabalhadores do Mundo, são, no entanto, os maiores preguiçosos para o reino do céu. Lá serão expulsos para as mais longínquas regiões trevosas, lá, onde estão depositados talentos a favor do mundo, desfalcando o Reino do Céu.
8 – Porém ainda existem outros preguiçosos, aqueles que nada fazem nem para o mundo e muito menos para o Espírito. Estes são os assim chamados “vagabundos e canalhas”, “indolentes e desleixados”. Este tipo de preguiçosos do ponto de vista espiritual, ainda que inúteis para o Reino do Céu, estão bem melhor que os primeiros. Pois o mundo em geral há muito não lhes é importante, e o que ainda lhes possa ser importante lhes será tomado facilmente pela pobreza que eles próprios se causarão.
9 – Em segundo lugar, muitos destes “vagabundos” possuem um coração de ouro e, se tivessem os meios, eles tornariam todo o mundo feliz (segundo suas crenças). A pobreza que logo advirá os tornará aquelas pessoas raras que mui facilmente se voltam para Mim, pois o “mundo” jamais foi um imã para seus corações.
10 – Em terceiro lugar estes “indolentes” são grandes amigos da felicidade e da amizade, além do que são muito “mão-abertas”. Se a pobreza que vem a seguir lhes curar da tolice mundana que ainda existe em seus corações, ao sentirem a maldade das pessoas materialistas, se afastarão do mundo cheio de amarguras e voltarão seus corações para Mim. Eu vos digo, eles comerão a Minha Mesa, para que se realize o que os fariseus diziam de Mim: “Vede, este diz ser o Messias. Ele anda com pecadores, aduaneiros (cobradores de impostos), prostitutas e adúlteros e é Ele mesmo um profanador do Sabat!”.
11 – Mas isto não Me atinge em nada, e Eu faço o que bem entendo e falo sempre aos Meus servidores. Já que os convidados não querem vir, então que permaneçam fora por toda a eternidade. Vós, porém, ide às ruas e vielas, aos muros e praças, e trazei cá para dentro todos que encontrardes, toda a “canalhice”! Dos convidados que não querem vir nenhum degustará o Meu Alimento Vivo, a não ser que se encontre no meio dos pobretões e vagabundos, lá fora, nas ruas, vielas e muros.
12 – Tu, figueira podre, que nada carregaste a não ser galhos (obras para o mundo) - e quando Eu cheguei a ti, cheio de fome, não tinhas uma só fruta do Puro Amor para Me satisfazer - sê amaldiçoada. Que ninguém jamais possa comer um único fruto teu no Reino da Vida.
13 – Semelhantes a esta figueira são todos aqueles preguiçosos sobre os quais falamos aqui em primeiro lugar. Assim cada um destes preguiçosos levará sua vida eterna espiritual, e sua sorte será igual a da figueira, enquanto permanecer nesta sua preguiça espiritual.
14 – Uma terceira categoria de preguiçosos para Meu Reino é a dos muitos cientistas mundanos, aqueles que se aprofundam em todo tipo de ciência, não pela evolução cientifica, mas sim para obter um simples ganha-pão. Estes se parecem às virgens tolas que só foram comprar o óleo para sua lamparina quando o noivo já se aproximava da casa, ou àquela que pedia óleo em todas as portas.

15 – Vós dizeis: “Enquanto vivermos aqui, devemos fazer o que o mundo exige de nós, para que ganhemos o pão nosso. Quando estivermos do outro lado, se de fato houver um outro lado, faremos o que é do lado de lá”. Mas Eu, o Senhor Jesus, vos digo: “Aí já será tarde demais, pois quem aqui não pedir, bater à porta e procurar, a este nada se abrirá no lado de lá, a não ser portais das trevas”.


16 – O que for o amor de cada um, isto será o seu verdadeiro “do lado de lá”.
17 – Isto fala aquele que colocou o julgamento - tanto para a vida como para a morte - em Sua Palavra, por toda a eternidade. Amém.

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Da santidade do casamento

Recebido por Jacob Lorber, em 10 de junho de 1847


Fala Ele: Foi por causa da dureza de vosso coração que Moises tolerou o repúdio às mulheres, mas no começo não era assim. Ora, vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimonio falso, e esposa uma outra comete adultério. E aquele que esposa uma mulher rejeitada, também comete adultério. Seus discípulos disseram-lhe: “Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar!”. Respondeu Ele: “Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. Pois há eunucos que o são desde o ventre de suas mães; há eunucos tornados assim pelas mãos dos homens, e há eunucos que a si mesmo se fizeram eunucos por amor ao Reino dos Céus. Quem puder compreender que compreenda”. Mateus 19-8-12.

1 – Neste trecho do Evangelho será tratado especialmente o adultério e tudo aquilo que pode ser considerado como tal; isto quando as regras do casamento tenham sido claramente pré-estabelecidas, pois sem esta regulamentação e o conhecimento da mesma, o adultério não existe e deixa de ser um pecado.


2 – Aquele que for totalmente incapaz para o casamento por algum dos motivos expostos em Mateus cap. 19 versículo 12, este também será incapaz de praticar o adultério, pois é completamente incapaz de procriar. Mas aquele que é capaz de procriar, não importa se é solteiro ou casado, será um adúltero se tiver relações sexuais com uma mulher casada, não importa se ela convive com seu marido ou se está separada do mesmo.
3 – Isto também vale para uma mulher, tanto solteira como casada, ao ter um caso com um homem casado. Exceção se faz se a mulher deste for comprovadamente infértil. Neste caso o homem - com o consentimento de sua esposa legal - pode se relacionar sexualmente com outra.
4 – A mulher casada, no entanto, comete adultério toda vez que tiver um caso amoroso com outro homem, a não ser que o marido tenha um dos impedimentos mencionados no Evangelho e a mulher não os conhecesse antes de se realizar o casamento; ou ainda, se o homem tiver se castrado após o casamento sem o conhecimento e aprovação da mulher. Mas se isto acontecer de forma violenta ou por outros, não importa as razões para isto, a mulher se tornará adultera se ela - sem o conhecimento, consentimento e vontade do infeliz homem - procurar um outro companheiro para ter relações sexuais. Mas se o marido desejar e exigir isto, a esposa não cometerá adultério se tiver relações sexuais com um homem solteiro ou viúvo puro. Se, porém, este homem fosse casado, aí sim, ela estaria cometendo adultério.
5 – Mas se a mulher no caso acima (impedimento previsto no Evangelho ou castração involuntária do marido) tivesse relações sexuais só para satisfazer seu desejo carnal, não importa com quem, ela além de cometer adultério também cometeria o pecado da prostituição e da impudicícia. Seria por isto submetida a três castigos na época de Moises e seria castigada pelo fogo.
6 – Se um solteiro praticar a impudicícia com uma solteira e ambos evitarem a consumação de uma fecundação, estarão cometendo o crime de assassinato infantil, e os seus descendentes apresentarão o castigo a eles destinados. Se por acaso tiverem um filho no futuro, o homem deverá prover a este filho três quartos das necessidades do mesmo. Deverá fazer de tudo para casar-se com a mãe da criança, ou, se isto for impossível, tentar de tudo para que ela consiga um marido. E ele (o pai) não deverá se casar antes que ela (a mãe) tenha se casado. Mas se ele então abandonar a garota e se casar com outra, ele terá que se livrar deste ato de adultério, mas será no inferno.
7 – Se um solteiro ou um viúvo prometer amor a uma garota, mas a seguir se casar com outra mulher, isto também é adultério; a não ser que a garota o tenha abandonado, então ela é que estaria cometendo adultério, pois tinha assegurado seu amor ao homem.
8 – Aqueles, porém que vivem no assim chamado celibato livre às escondidas (casados com relações livres não consentidas pelo cônjuge) e não são castros, mas mantêm relações sexuais com mulheres e garotas, estes são os maiores adúlteros, pois eles estão a quebrar seus juramentos. Pois cada vez que se quebra um juramento ou promessa, se comete um adultério; a não ser que isto tenha sido feito à força, então não tem valor algum (casamento obrigado, em geral arranjado pelos pais). Este julgamento forçado só terá valor se o homem ou a mulher o aceitarem mais tarde, espontaneamente, ou se uma lei mundana o exigir para o bem geral.
9 – A alguns é preciso um castigo físico, para se convencer que não é mais possível o ato de procriar.
10 – Mas, dirá alguém: “Uma pessoa sadia jamais entenderá por que os homens devem ser tão tolhidos justamente neste assunto, o qual contraria o clamor da Natureza! Para urinar e defecar não existe lei nenhuma, e estas também são atividades desagradáveis que a natureza impõe. Só para este ato, o de copular, uma imposição da natureza, há tantas regras e leis capazes de nos levar à loucura”.
11 – Eu, porém, vos respondo: Justo neste ponto é que as palavras do Evangelho se aplicam: “Quem desejar compreender que compreenda!”.
12 – Não é por acaso o homem o ponto culminante de toda a Criação? Se isto é a incontestável verdade, como que sua geração poderá ser realizada por um ato totalmente indiferente e comum?

13 – A geração dos animais está em julgamento e não pode acontecer a não ser na mais severa ordem. A geração do humano, porém, é totalmente livre. Nela deverá ser colocada a primeira semente de liberdade no embrião, do qual nascerá um homem livre. Como será possível conseguir este fim tão divino, se neste primeiro e tão importante ato, o qual representa o mais elevado, for com ele permitido praticar todo tipo de imoralidade? No urinar ou defecar nada é criado, mas no ato da procriação estamos tratando da gênese do mais elevado ponto de toda a Criação.


14 – É a maravilha de todas as maravilhas! Trata-se do Homem Livre, que é destinado a ser eternamente um Deus, para morar com o Deus e realizar as obras de Deus.
15 – Um ato tão importante e de tanta grandeza deveria ser realizado sem nenhuma ordem, sem nenhuma regra? Ó tu, mente humana tão pequena e curta, tu, que te denominas sadia e, no entanto, estás coberta de chagas e tumores!
16 – O casamento é a primeira ordem na qual o homem deve ser criado, se quiser se habilitar a entrar numa ordem mais elevada e evoluída. O casamento é a união livre de dois corações, duas almas, dois espíritos, da qual se originará a grande união Comigo e em Mim, como fim de toda a Criação e Ser.
17 – Como e quando isto será alcançado, se o primeiro ato da criação - a colocação da semente - não for realizado num casamento bem estruturado e organizado, com a procriação desejada e bem organizada?
18 – Bem, entenda quem puder entender! Na luxúria, impudicícia e prostituição da carne, no maior dos adultérios, no “pecado do pecado”, muito mais dificilmente poderá ser criado um fruto para Deus! Pois Eu, Deus, o Senhor, sou a mais perfeita Ordem de todas as ordens, e não posso permitir que o homem, sendo o fim de Minha Criação, seja procriado como sapo no brejo.
19 – Entenda isto quem puder entender! Amém.
Nota: O Pai não toca na questão do contrato em papel feito pelos homens, mas sim em “união livre de dois corações, duas almas, dois espíritos”. Duas pessoas vivendo maritalmente, tendo assim ambas acordado voluntariamente, são casadas perante Deus, independente de existir contrato de casamento assinado ou não, especialmente se o laço de união entre ambas é mantido apertado pelo amor. Cada vez que se quebra um acordo, juramento ou promessa feito espontaneamente com o cônjuge (companheiro(a) sexual casado no papel ou não), há traição, comete-se um adultério.

Se foi rompido um acordo, juramento ou promessa de casamento formalizado em papel ou apenas em uma união matrimonial voluntária, ambos estão livres para refazerem suas vidas, caso para nenhum dos dois haja dúvida quanto ao rompimento definitivo e irrevogável.

A relação sexual plena entre casais solteiros deve ser norteada pelo amor, não apenas pela lascívia (satisfação do desejo carnal), muito menos pela impudicícia (experimentos e práticas sexuais exagerados) ou prostituição (sexo visando lucros ou vantagens pessoais). O ideal é que a relação sexual seja evitada e só ocorra quando ambos estiverem comprometidos por uma união matrimonial já consumada ou por consumar-se em breve. Importante também é se prevenir e programar toda gravidez.

Queixas tolas

Recebido por Jacob Lorber, em 14 de junho de 1847



1 – Algumas pessoa se queixam e dizem: “Senhor, nós oramos para Ti, Te pedimos coisas que achamos boas e certas, e Tu te comportas como alguém que tem problemas auditivos ou que é surdo! Tu deixas que tudo aconteça ao léu e parece que não Te importas nem um pouco por nós. E tudo fica no velho “dolce far niente”. Os anos passam, e as estações dos anos, tudo na mais completa ordem. Cada ano produz seus velhos frutos, às vezes com fartura, outras vezes com escassez, e os homens continuam a ser os mesmos pecadores. Os grandes e poderosos praticam a guerra, e os pequenos têm atritos toda a vez que acham por bem. E cada um luta para obter as maiores vantagens possíveis em todas as oportunidades.
2 – Em vez da Luz que nos prometestes, só aumentam as trevas (em assuntos espirituais) por todos os lados. Cada vez mais se constroem templos para idolatria e as imagens têm cada vez mais importância. Elas já conseguiram Te expulsar quase que totalmente. E vão Te expulsar cada vez mais, e colocarão no Teu lugar os ateus ou os mais absurdos supersticiosos, afastando totalmente Teus verdadeiros seguidores.
3 – Vê, Senhor, isto tudo Tu observas com olhar indiferente, e parece que nem Te importas. Ó Senhor, que poderá resultar disto? Estamos caminhando para o abismo, se Tu não tomares mais conta de nós, o que parece acontecer até hoje em dia”.
4 – A estas queixas Eu dou a seguinte resposta: Tens razão se estás a considerar o assunto somente no seu exterior. Mas no intimo, em relação ao Espírito e à Verdade, tudo é muito diferente. As pessoas oram e pedem com os lábios, por e para de tudo um pouco, pelo que lhes parece bem e correto, porém seus corações não estão Comigo, mas somente com aquilo pelo que oram e pedem. Esta é a razão por que não lhes dou o que Me pedem nem aquilo pelo que oram, para que não se afastem mais de Meu Coração.
5 – Assim, exteriormente, tudo permanece como antes e segue seu caminho na sua justa ordem. Como reagiria a humanidade, se Eu fizesse modificações violentas na forma externa da Criação? Se Eu, por exemplo, acabasse com todas as frutas conhecidas e colocasse outras novas, totalmente desconhecidas em seu lugar? Quem se atreveria a comer destas frutas novas e desconhecidas? Quantos morreriam de susto, temor ou desgosto, e quantos de fome?
6 – Que horror seria para os sentimentos fracos das pessoas, se Eu fosse um “renovador”, um “inovador”, se aparecesse com uma novidade a cada dia na Minha Criação? Por motivo de vossa fragilidade, tudo deve permanecer como era na antiguidade. Se um pequeno cometa já assusta as multidões, e se a escuridão os atemoriza, que faríeis se de repente vísseis seis luas ou três sois? Como já foi dito, eis a razão pela qual tudo deve permanecer como é.
7 – Que as pessoas são como sempre foram, isto também é verdade. Mas não é melhor que as pessoas sejam como sempre foram no exterior, do que se estivessem sempre a se revoltar e dispostas a arrancar as cabeças daqueles que não seguissem os ideais de tais “progressistas”!? Já existiram tais pessoas e tais tempos, mas quem os congratula? Quem gosta da inquisição da Espanha e da revolução francesa?

8 – Que a Luz Espiritual não está tão fartamente presente, isto se deve a cada pessoa individualmente. Pois o espírito acontece em cada pessoa no seu intimo, não para o publico no seu exterior, como acontece com a luz natural do Sol. Individualmente e no intimo ela - a Luz - se apresenta para cada um e aumenta lentamente para aquele que a procura com afinco. Em todos e para multidões ela jamais poderá acontecer, pois ela deve ser procurada e encontrada individualmente e no intimo.


9 – Que são construídos templos idólatras e que em vez de diminuírem eles aumentam cada vez mais, isto Eu sei muito bem. Eu também sei que na plantação de trigo existem mais ervas daninhas que trigo. Mas isto já foi predito no Meu Evangelho, de que o inimigo semearia mais ervas do que trigo, mas lá também consta o que aconteceu, acontece e acontecerá com estas plantações.
10 – E tu, filho do homem, podes concluir como a queixa que apresentas é leviana, inconsequente e infundada, e a partir da qual desejas exigir que Eu preste contas. Eu estou sempre disposto a vos prestar contas pela Minha administração doméstica, e vós não conseguireis responder uma única das centenas que vos apresento. Mas como seria se Eu vos pedisse contas da vossa administração doméstica? Conseguiríeis Me apresentar contas satisfatórias? Eu duvido muito.
11 – Por isto não vos queixeis nem vos lamenteis sobre Minha administração doméstica, pois esta acontece na maior Ordem. Mas em vez disto, vivei segundo Meus Ensinamentos, que logo descobrireis a Minha Ordem verdadeira e certa e alcançareis assim a vida eterna. Amém.
Um passeio nas montanhas

Recebido por Jacob Lorber, em 18 de junho de 1847


1 – Um amigo da Criação peregrinava por muitos vales lindos e lá desfrutava de belas visões e grandes alegrias. Os mais bonitos, na sua opinião, eram os cortados por riachos ou os que possuíam lagos, bem como aqueles rodeados por montanhas altas. Grandes planícies ou locais que existiam cidades grandes não atraiam nosso viajante.
2 – Por isto que ele desejava subir em uma ou outra montanha e de seus cumes ter uma visão diferente e exuberante da paisagem, porém ele jamais conseguia achar a coragem suficiente para tal empreendimento. Sempre achava que não teria “pernas” suficientes para a escalada, ou que o tempo não estava firme, ou então que o guia não era suficientemente competente, ou que a escalada era difícil demais, ou que a mata era densa demais (matas estas que geralmente já começavam ao pé da montanha e às vezes se estendiam até 5.600 pés de altitude), e muitos outros obstáculos similares.
3 – Porém um dia, ao chegar a uma localidade muito bonita que ficava no sopé de um monte bem alto e extremamente belo, sentiu um enorme desejo de escalar o mesmo com guias confiáveis e experientes e assim ver, após suas muitas viagens, a paisagem do alto, coisa que montanhistas declaravam ser um dos pontos máximos de suas vidas.
4 – Bem, tomou a decisão e começou os preparativos, pois não mais desejava desistir do intento. “Bem, lá vamos nós.”; disse o viajante. “Monte, em pouquíssimo tempo colocarei meus pés no teu topo, e eles te dominarão apesar de minha fraqueza. Um mortal te conquistará, a ti, que existes altaneiro pela eternidade; estenderá olhares desde ti, e usufruirá uma vista negada desde sempre.”
5 – Os guias estavam prontos e equipados com todo o necessário. O viajante se entregou aos seus orientadores, e corajosamente todos iniciaram a subida. A primeira hora foi muito agradável, pois havia muita distração: uma cabana, gado com seus pastores, um riacho, um pasto cheio de flores, etc. Mas logo a mata começou a se transformar. A princípio era bem rala, mas quanto mais subiam, mais densa ficava. O caminho se tornava cada vez mais íngreme e agressivo, muitas vezes impraticável, porque se mostrava totalmente obstruído por trepadeiras espinhentas.
6 – Depois de três horas no meio da mata, o viajante desgastado começou a perguntar quanto tempo mais demorariam a sair da mata. “Ainda algumas horas”. O viajante zangado respondeu: “Isto é horrível! Se na verdade ainda tivermos que aguentar esta mata por um par de horas, eu prefiro desistir, retornar, e no vale jurar que jamais tornarei a escalar montanha alguma”.
7 – Mas o guia respondeu. “Não facas isto, amigo! Estamos mais perto da meta que desejavas alcançar, do que imaginas. Por isto seria muito decepcionante desistir agora. Vamos em frente com afinco, que logo alcançaremos trechos livres de árvores, onde poderemos observar maravilhas da natureza a cada paço.”.
8 – Estas palavras agradaram o viajante, e todos recomeçaram a subida. A mata ficava menos densa, as árvores menores e mais retorcidas. Logo começavam a aparecer prados, rochas brilhantes ao Sol, troncos de árvores apodrecidos. Por fim a mata foi vencida, e o grupo decidiu descansar e comer num lindo prado, antes de iniciar a subida para o cume.

9 – Após meia hora, ao tentar recomeçar a subida, de repente começou a ventar com forca e o cume ficou envolto por nuvens negras. Os guias começaram a demonstrar preocupação e o viajante excomungava a sua ideia de desejar subir a montanha, pois a bonita paisagem que se lhe apresentava não bastava o trabalho e esforço gasto. Mas como o vento ficava cada vez mais forte e a névoa descia cada vez mais densa, o grupo decidiu voltar o mais depressa possível para o vale, para se abrigar da tormenta que se aproximava.


10 – A passos rápidos desceram a montanha e alcançaram o vale em metade do tempo gasto para subir. Mas ao chegarem ao vilarejo, outro vento começou e todos os cumes se lhes apresentaram limpos e belos ao brilho do Sol.
11 – O viajante se arrependeu por ter se amedrontado com uma pequena mudança do tempo e decidiu que numa próxima vez seria mais tenaz e inteligente.
12 – Um ancião que tinha escutado as palavras do viajante antes de iniciar a subida, palavras cheias de orgulho e altivez em relação à montanha, lhe disse: “Se desejas escalar uma montanha, deves te tornar bem pequenino e não altaneiro, pois vê, cada montanha é pura e santificada. É por isto ela quer ser escalada com humildade e não orgulhosamente. Ai daquele que a escalar cheio de orgulho, este sofrerá uma terrível queda e sua carne ficará nas pontas agudas das rochas”.
13 – “Mas se desejares ser um verdadeiro montanhista, não permitas que as alturas te assustem, mas sobe-as cheio de humildade, pedindo licença e proteção. Só assim poderás pressentir como é maravilhoso Aquele que criou tudo isto com as palavras “Assim seja”. Os vales que tu tanto visitaste também são do Todo-poderoso, mas nos vales a amplidão é limitada e estreita, mas nas montanhas é livre e infinita. O vale é como um homem comum que não conhece nada além das suas necessidades naturais. As montanhas, no entanto, são como um sábio que eleva sua cabeça e seu coração acima de todas as necessidades naturais e dirige seu olhar para aqueles monumentos divinos, Daquele que preenche seu coração de respeito, mas ao qual também chama de “meu querido Pai”, com toda cáudice de seu coração filial”.
14 – “Vê meu amigo, assim deves viajar e assim deves subir as montanhas. E só assim tuas viagens e escaladas serão uma bênção e uma alegria para o teu coração e trarão um grande lucro para tua vida. Pois todos nós somos viajantes e andamos desde o berço até o sepulcro, muitas vezes em caminhos bem difíceis. Às vezes ele é íngreme e rude, ou até feito de gelo derrapante. A maioria dos viajantes da vida se parece contigo e prefere ficar segura nos vales de seu ser-animal; não se anima a escalar uma montanha, nem que seja para ter a esperança de se tornar um verdadeiro ser humano. Mas não é assim que deve ser”.



15 – “Nós certamente devemos habitar os vales da humildade, mas não devemos nos esquecer de escalar as montanhas do livre conhecimento de Deus e do verdadeiro Homem. Isto o Pai mesmo nos ordenou”.
16 – Após esta lição, o nosso viajante seguiu o seu caminho, reconheceu a verdade nas palavras do sábio ancião, as seguiu e encontrou a Vida.
17 – Se desejais encontrá-la também, segui o exemplo. Amém.


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