Palavras de agradecimento do servo


Recebido por Jacob Lorber, em 30 de maio de 1847



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Recebido por Jacob Lorber, em 30 de maio de 1847



Então Ele lhes disse: “Vós sois pessoas que vos colocais como justos frente aos homens. Deus, porém, conhece vossos corações! Pois o que é visto como grande para os humanos, para Deus é um horror”. Lucas 16-15
1 – Com estes textos certamente muitos poderosos e humildes já se escandalizaram, pois naturalmente ele se refere a pessoas e não a objetos ou animais. E com certeza este texto deve ser um horror para os homens de alta linhagem e de poder no mundo material; estas palavras lhe soam pior que uma música bem desafinada.
2 – Mas, a despeito disto, esta afirmativa não pode ser anulada e declarada sem valor. Este texto é uma pedra que os construtores comuns desprezam, ou contra a qual eles se atiram com violência e com isto se ferem horrivelmente, ou ainda pior, esta pedra cai sobre eles e os destrói.
3 – Em muitos países − como França, Espanha, Países Baixos e outros − esta pedra já caiu na cabeça (tanto material como espiritualmente) de construtores que se imaginavam superiores e poderosos e os destruiu terrivelmente junto à sua ilusão de superioridade.

Diablos autem nom impace suam habet réquiem (o diabo não tem paz, nem no descanso). É por isto que estas pessoas não ficam mais espertas com estas provações e experiências. São iguais aos pardais que se sentam no mesmo galho onde um caçador os dizimou pela metade a poucos minutos passados.
4 – Sim, Eu valeria muito mais junto aos poderosos, se Eu não tivesse dito o texto acima. Mas como Eu o falei, sabendo bem que os poderosos do mundo não o apreciariam, Eu os incomodo. Como consequência, afirmam que tenho pouca moral e habilidade política, pelas quais permitem a Divindade somente por causa do povo. E a esta Divindade oferecem cerimônias divinas, cheias de ouro e esplendor. E por causa deste povo e desta “gentalha” muitas vezes organizam festividades, para angariar dinheiro para si. Mas o seu coração está tão afastado de Mim, como uma estrela polar no mais longínquo canto do Universo.
5 – Por isto Eu sempre lhes digo: Ai de vós, fariseus orgulhosos, vós que mamastes moscas, mas engolis camelos, a vós esta pedra vos acertará com força tríplice. Ai de vós, vós desconfiados, poderosos, que vos considerais superiores e poderosos e aprisionais com vossa violência o espírito e a carne dos pobres e pequenos. A vós esta pedra vos alcançará com uma força dez vezes maior e vos esmigalhará, como a tormenta esmigalha uma ervilha sem valor.

6 – Aguarda, tu fariseu, que te imaginas poderoso pelo teu dinheiro e que copulas nos prazeres do mundo, tu que bates em teus servos até os matar, só porque eles se reconhecem como seres humanos! Teu julgamento será derramado sobre ti qual ferro incandescente. Veremos se serás capaz de Me responder uma só pergunta entre mil.


7 – Mas aqueles que devem ser poderosos no mundo por causa do povo, tais como imperadores, reis, príncipes, duques e outros governantes, a estes este teste não atinge, se eles não o desprezarem. Mas se o desprezarem, então o texto também lhes servirá, mesmo que tenham sido ungidos por Mim como Meus governantes.
8 – Porém todos aqueles que se consideram poderosos e que não foram ungidos nem material nem espiritualmente, os que são ricos em dinheiro e propriedades, ou ricos em sabedoria mundana, ou em outras habilidades que lhes trazem dinheiro ou outras regalias e honrarias, como todo tipo de doutores, professores, poetas, atores, músicos e pintores de renome, se forem invejosos e caluniadores em toda sua canalhice, estes tolos quanto mais se acharem poderosos e superiores e quanto mais desprezarem seus irmãos, quanto mais destruirão a si e a seus próximos; um verdadeiro horror para Mim, o Senhor.
9 – Toda perfeição só vem de Mim e deve ser considerada como uma dádiva de Meu Espírito. Quem a utilizar como um bem e como um proveito para seus irmãos (próximos), os que não usarem esta habilidade para conseguir bens materiais e honrarias mundanas, para este a perfeição será uma verdadeira bênção temporal e eterna. Mas aquele que usar esta dádiva para proveito próprio, este está pecando contra o Espírito Santo e é de fato um horror para Mim, Eu, que lhe dei tal dádiva.
10 – Soberanos e governantes devem fazer o máximo para serem homens que se orientam de acordo com o Meu Coração, em Espírito e Verdade. Os ricos devem ser verdadeiros administradores para os pobres. Os doutores (estudiosos) devem apegar-se à Minha Dádiva. Os artistas devem Me honrar em suas obras. E todos os mestres da Terra devem Me reconhecer como o único Mestre em todos os assuntos, então eles estarão em Minha Ordem.
O poder do fraco

Recebido por Jacob Lorber, em 31 de maio de 1847



Uma pequena estória como exemplo:
1 – Havia uma viúva cujos três maridos vieram a morrer em poucos anos. Ao ficar viúva pela terceira vez, ela, muito triste, começou a cogitar se deveria tomar mais um marido. Alguém a cortejaria pela quarta vez.?
2 – Ela ficou meditando sobre o assunto por sete dias. No oitavo dia o seu coração venceu a mente e ela concluiu: “Se eu me casasse com um quarto marido, tenho a certeza de que este morreria em curto período, pois eu tenho muitos atrativos apaixonantes, e estes matam os meus homens. Por isto prefiro ficar viúva até o fim de meus dias, e nenhum homem deverá morrer pelos meus atrativos. Assim será e nenhum homem sofrerá por mim. Eu não presto para eles”.
3 – No nono dia, porém, apareceu um pretendente e a pediu em casamento. A viúva observou sua resolução e disse ao pretendente: “Amigo, o que tu desejas de mim? Será que eu também devo te causar a morte? Não ouviste que, em curto espaço de tempo, os três de quem fui esposa morreram? Pois eles não conseguiam se opor aos meus atrativos, apesar de serem homens bem fortes e saudáveis? Tu, porém, és fraco e me desejas para esposa. Não cairás como vítima de meus atrativos já nos primeiros dias?”
4 – Mas o fracote lhe respondeu com palavras cuidadosas: “Bela mulher! Eu conheço muito bem o destino dos três homens de quem foste esposa e de quem és viúva. Veja porém, eu não sou como teus três maridos foram. Teus atrativos não me afetarão, pois eu me conheço, tão bem como tu te conheces. O que levou teus três homens para a morte, me levará para a vida. E tu não deves ser responsabilizada se eu morrer ao teu lado. Mas eu te digo: Vê, levarei teu corpo à sepultura, e não tu o meu. Trata de experimentar e vais te convencer que eu, “ o fracote”, sou muito mais forte que teus três primeiros maridos que agora estão na sepultura e que morreram por causa de teus atrativos.”
5 – Ao ouvir isto do fracote, a viúva se escandalizou em seu coração e disse a este pretendente: “Tudo bem, já que és um inimigo de tua vida, toma minha mão e morre. Eu sou tua mulher, tua morte”.
6 – O homem tomou a mão da viúva e a apertou contra seu peito e disse “Decerto que a morte está em ti, teu sangue é veneno, peste é teu hálito e tua carne é como a da serpente. Mas mesmo assim não me darás a morte”.
7 – Quando passou um ano de casada, a mulher foi abençoada com sua primeira gravidez e muito se surpreendeu que o marido fracote tivesse conseguido onde os três fortões tinham falhado, pois sempre morriam na tentativa.
8 – No segundo ano, mais uma gravidez, outras no terceiro e no quarto. A mulher se admirava do vigor de seu marido, mas em curto tempo ela adoeceu e veio a morrer.
9 – Quando iam enterrar a mulher, o marido se opôs. Mandou abrir o caixão e colocou sua mão sobre o coração da mulher; este começou a palpitar, e em poucos instantes a mulher reviveu.
10 – E o homem fracote assim falou para a mulher revivida: “Vês agora quanta força existe num homem fraco? Ele não morreu e não morrerá eternamente, mas ele ainda consegue ressuscitar aquela que já era morta, com sua mão e seu coração”.
11 – A mulher saiu da sepultura, pulou, dançou de alegria em volta de seu homem com poderes tão maravilhosos e disse: “Quem és tu, que consegues fazer algo que ninguém conseguiu antes?”
12 – O homem respondeu: “Eu sou o Alpha e o Omega, a quem tu o Mundo, por tanto tempo desprezaste”. Mas justamente Aquele de quem tão pouco esperavas, foi justamente Ele que te deu o que tanta falta sentias, aquilo que os outros, que tinham teu coração e aos quais causaste a morte, não conseguiam te dar. Tu, que foste ressuscitada, que estás novamente viva e que não mais morrerás, de Mim procriaste frutos vivos; então que revivam aqueles que por ti morreram. Que assim seja!”
13 – Esta pequena história só deverá ser revelada e explicada com mais clareza mais tarde. Amém.

O artístico relógio da torre

Recebido por Jacob Lorber, em 04 de junho de 1847



1 – Numa torre bem alta, numa cidade, o príncipe mandou instalar um relógio luxuoso. Como a torre tinha oito faces, ele mandou colocar um mostrador em cada uma, para que qualquer um conseguisse ver a hora exata, não importando lugar onde se encontrava.
2 – Junto ao horário exato, segundos. Inclusive o relógio também informava a data, a fase da lua, à posição de outros planetas, a duração do dia desde o nascer ao por do sol e as quatro estações do ano. Mas claro que todas estas informações estavam em mostradores colocados abaixo do relógio, que só indicava a hora.
3 – Ao lado destes mostradores, este relógio também possuía um carrilhão que marcava os quartos de hora e hora completa, e tudo isto era comandado por um único mecanismo. Para encurtar a historia, este relógio procurava inutilmente um igual a ele em todo o mundo.
4 – Mas o ponto que realmente o tornava extraordinário não era todos os serviços que ele prestava, nem o seu valor artístico, mas sim que tudo era originado por um único mecanismo perfeito. Isto era o maravilhoso neste relógio.
5 – Quando um estranho chegava à cidade, o relógio era a primeira coisa que lhe chamava a atenção. O estranho sempre perguntava quantas cordas, pêndulos ou pesos este relógio possuía. Quando lhe era dito: “Só um.”, ele respondia: “É impossível! Tantas informações em um só mecanismo? Não, não, isto é totalmente impossível!”
6 – Mais um estranho chegava, olhava o relógio, o admirava e era surpreendido quando lhe eram ditos todos os serviços que o relógio realizava. Ele opinava que cada mostrador deveria ter seu próprio mecanismo, e que a torre deveria estar entupida de diversos relógios. Mas quando lhe era informado só existir um único mecanismo, ele ficava furioso e achava que estava sendo gozado. Ele então se afastava e não perguntava mais sobre o relógio.
7 – E mais um estranho chegava e perguntava pelo mestre que tinha construído tal relógio. Quando lhe respondiam: “O mestre desse relógio era um cidadão bem simples, nós não sabemos nem mesmo se ele sabia ler e escrever”.
8 – Esta resposta correta levava o estranho a ficar furioso e logo se afastava, pois ele não tinha vindo para ser considerado um idiota, ao suporem que ele acreditaria em tal tolice.
9 – E muitos vieram e muitos perguntaram, mas quando queriam dar-lhes explicações mais claras eles diziam raivosos: “Até termos visto isto com nossos próprios olhos, não podemos acreditar no que dizeis”.
10 – Vede, eles iam sendo levados à torre. E quando viam as inúmeras rodas, engrenagens, alavancas, cilindros, ganchos e milhares de mecanismos e conexões, eles ficavam malucos e gritavam: “Quem consegue entender e ver esta obra? Nenhum ser humano pode ter feito isto! Para realizar tudo isto, centenas de anos são necessários!”. E estes estranhos se afastavam totalmente furiosos.
11 – Só poucos insistiam que a obra lhes fosse explicada, mas, com exceção de pouquíssimos, não consideravam o estado daquele “Mestre-Universal” como um motivo de escândalo.
12 – O que nos ensina esta parábola? Qual é seu significado íntimo? Pensai bem sobre isto e procurai as verdades nela contida, até encontrardes a grande verdade. Amém.

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Um noturno

Recebido por Jacob Lorber, em 05 de junho de 1847



1 – Vê, muitos poetas mundanos escrevem “noturnos” e não têm nenhum motivo para isto. Então Eu vou escrever um “noturno”, pois tenho muitos motivos para isto.
2 – O que é em verdade um “noturno”? É uma peça noturna, ou uma peça que só se apresenta de noite. Uma peça como esta não é difícil de fazer ou de apresentar, pois em toda a Terra reina a noite mais profunda, e tudo que nela acontece é um verdadeiro “noturno”.
3 – Se eu chegar aos homens pelo espírito de Meu Amor, este Me levando em si, ele sempre chega ao mais noturno dos homens. Existem alguns que têm fé, mas eles não vivificam esta fé pelas suas obras e têm pouca ou quase nenhuma confiança nesta sua fé solitária por Mim. Esta é a razão de existir tanto “noturno”.
4 – Outros não acreditam em nada, fazem tudo que têm vontade e colocam toda confiança na prata, ouro e ações bancárias. Isto de longe é mais “noturno”.
5 – Outros têm fé, são cheios de boa vontade e anseiam trabalhar. Têm muito amor e confiança, mas só enquanto seu corpo estiver cheio de saúde. No momento em que Eu visito a sua carne, aí o “noturno” toma conta deles totalmente. A fé ainda continua por certo tempo, mas o amor e a confiança que têm por Mim, estes vão acabar de imediato e se transformarão no mais “lindo” noturno. Eles começam a se lamentar e em seus corações, confiam tanto quanto confiam num médico que, invés de alegrar-se em curar seus pacientes, alegra-se em mandá-los para o outro lado. Tenho certeza de que isso é um noturno totalmente verdadeiro.
6 – Existem outras pessoas que falam entusiasmadas sobre Mim e na confiança que têm em Mim, quando o vinho ou a cerveja os entusiasma para isto. Mas quando este espírito desaparece, aí Eu Me torno um chefe seco de seus corações, então seu entusiasmo não é mais do que uma fala que prega amor em todos os lados, mas a confiança deixa de ter a firmeza de um diamante. Isto por acaso não é um noturno?
7 – E quando Minha palavra é tratada com tanta rispidez e com tanta secura, como são as areias do deserto do Saara, na África, mas ao seu lado existe uma coisa tão tola como desprezar uma fonte de águas curativas, isto é um verdadeiro “noturno”; quando consideramos o lixo como um ouro e o mais puro e verdadeiro ouro, um simples objeto. Sim, isto é um verdadeiro solo de noturno.
8 – Quando as pessoas vão à casa de oração por hábito ou por política e lá ou dormem, ou observam e criticam seus pares, jogam olhares cheios de desejo às garotas e estas aos barbados, nem se lembram que Minhas casas são casas de oração e não de desfiles de moda, nem são hotéis, nem motéis. Não acham que isto é, mais uma vez, um real noturno?
9 – E o noturno com excelência acontece quando a igreja se diz cristã, cobra somas enormes para realizar ou ofertar serviços e cerimônias e leva à execução aqueles que por ventura não conseguem pagar. Isto acontece frequentemente, quando um irmão morre, lhe é ofertado o chamado serviço caridoso (como, por exemplo, o enterro e as orações) e logo se descobre que o morto não tinha dinheiro e seus herdeiros (que não sabiam de sua situação financeira) não queriam enterrá-lo como indigente ou suicida. Então o servidor da igreja chega e lhes apresenta a conta, tal qual um açougueiro no fim do ano apresenta a conta a uma família que serviu durante o ano todo. Não vos parece isto um pavoroso noturno?
10 – E o que é isto, quando os poderosos afastam a luz de seus irmãos, usando todo tipo de violência? Isto é com certeza um noturno especialmente violento.
11 – Noturno sobre noturno em todos os cantos da Terra. Noturno na religião, noturno na ciência, noturno na fé, noturno no amor por Mim e ao próximo, noturno em toda a atividade e no lazer, noturno no comércio, na amizade, na fidelidade, no cumprir das promessas, noturno na perseverança para o bem e o verdadeiro. E muitos, muitos outros noturnos mais!
12 – Por isto recebem os humanos a mesma quantidade de noturnos, vindos de Mim. Suas orações são para Mim noturnas, e Eu não as ouço. A grande miséria universal, noturna, Eu não a reconheço. Seus lamentos e aflições noturnos, Eu não os vejo. Epidemias, fome e pestes noturnas, Eu não quero tomar conta de tudo isto. A perspectiva de uma vida eterna no Meu reino – um noturno muito poderoso que é acompanhado de choro e ranger de dentes – Eu nem Me importo com isto. E há mais noturnos originados na Minha dor.
13 – Noturno, noturno... Prestai atenção para que nenhum noturno penetre em vossa comunidade (congregação), pois então Eu precisaria contra atacá-lo com outro noturno. Observai isto com todo o vosso coração. Amém.

Mundo, templos e serviços religiosos

Recebido por Jacob Lorber, em 05 de junho de 1847



1 – Vamos nós também fazer alguns “aforismos”, mas naturalmente de uma forma bem extraordinária. Escreve, pois:
2 – As casas se estendem, as cidades florescem, e estradas de ferro - acarretando espíritos libertos das amarras das águas (vapor) - transportam lastros e cargas enormes, como se tivessem asas ao vento.
3 – Para que isto seja possível, os corações - que são a única morada do Senhor - estão sendo terrivelmente destruídos. Ninguém quer se dar ao trabalho de colaborar com um único tijolo para a construção da única “Cidade de Deus”. Esta colaboração, que tão pouco esforço exige, consiste em obras cristãs de amor ao próximo e em manter em boas condições os caminhos que Eu construí. Esta conservação dos caminhos é para evitar que os caminhantes que os trilham não sejam engolidos pela lama do mundo que se instala onde muito se circula.
4 – As indústrias são devidamente construídas e exploradas, para matar mais depressa o espírito e, se possível, destruir a semente já bem enfraquecida da vida eterna. Do contrário, nada se ouve. Não existem fábricas onde se manufaturam produtos de amor cristão, de humildade, de mansidão, produtos que levam à vida..; não, somente há produtos do inferno, da morte de Satã.
5 – Artistas, cientistas e pesquisadores viajam tanto pelo mar como por terra. Eles viajam aos montes, de todas as maneiras e para todos os lados. Qual será a razão de todo este esforço? Isto não é difícil de adivinhar. O que rima com “Welt”? (welt = mundo em alemão). Vede, sim, é “Geld” (geld = dinheiro em alemão). Sim, o dinheiro, este maldito é que move todos os sábios, pesquisadores e artistas por terra e mar. E nenhum deles viaja a Terra por fins mais elevados: amor a Mim e amor ao próximo.
6 – A honra mundana, pela qual antigamente se realizavam ações até bem raras, também está à beira da morte. Isto não é de se lamentar, pois ela muitas vezes fazia com que irmão combatesse irmão, e incontáveis “Cains” mataram “Abéis”. Mas esta mola-mestra para ações horripilantes já está quase que completamente destruída. O dinheiro ocupa hoje o lugar da honra; quem possuir o dinheiro, a este tudo é permitido, até a vida eterna. Mas tal deve ser provado, o que só é possível a poucos e impossível a muitos.
7 – Ornamentados estão os templos e igrejas romanas com terras e cúpulas. O seu interior é uma exuberância de ouro, prata e pedras preciosas. Das torres, os sinos soam a cada hora, ou em ocasiões determinadas ou mesmo extraordinárias, nas semanas, nos dias e nos anos. No interior ressoam os órgãos e às vezes clarins, trombetas e flautas. Cantores competem entre si para ver quem consegue emitir o som mais longo ou forte, prejudicando seus pulmões e cordas vocais. E as multidões se acotovelam no seu interior, quando missas acontecem em “Minha honra”. Todos aviados em vestes douradas, após terem sido muito bem pagos, usam vinhos caros, defumadores e outros itens variados, para ofertar-Me o “Sacrifício”. Estas missas são para os romanos o mais maravilhoso, o mais digno, o mais honroso e único serviço do Meu agrado que podem Me prestar, e quanto mais caro e pomposo, tanto melhor.

8 – Pobre gente, pobre hábito, pobre tempo. Onde se encontra escrito: “Devei ter casas de oração com torres ornamentadas com ouro, prata e pedras preciosas, e usar o badalo dos sinos caríssimos, a sonoridade dos órgãos, trombetas e clarins, tambores e flautas e outros tipos de barulhos, para Me honrar.” ? Terrível tolice querer Me honrar assim e, pior ainda, por dinheiro.


9 – Está muito pior do que quando o profeta Isaias disse: “Este povo me honra com os lábios, seu coração está muito longe de Mim”. Mas isto ainda seria bom, se fosse possível dizer somente isto sobre o povo romano. Mas hoje devemos dizer: “Este povo Me honra em igrejas fechadas por muros e terras, por meio de badaladas e sons com órgãos e todo tipo de flautas, com o tocar de campainhas e outros sons estranhos, com bolsinhas e cordões, com incenso e velas ardentes, com vestes douradas por dinheiro, ouro e prata, por vinhos e carnes em todos os sentidos.” Com os lábios, pouco louvor se dá. Para isto existem sinos e outros instrumentos. Para que cansar os lábios? Só se faz de conta e se acrescenta um pouquinho de latim.
10 – De coração nem se fala mais, nem se pergunta se está perto ou longe de Mim. Pois este não Me conhece, jamais Me conheceu. Ou será que muros e torres, sinos e órgãos, bolsinhas e cordões, ídolos dourados ou qualquer tipo de talhas, velas e candelabros, lâmpadas, altares, pias de água benta, vestes douradas e todo tipo de instrumentos “bentos” possuem um coração?
11 – Ó tempos, hábitos e pessoas! Onde conseguistes chegar, vós loucos, vós cegos, vós coitados, vós mortos em todos os sentidos? Por acaso é isto que é orar a Deus em espírito e verdade? Despertai, não torneis tudo pior do que faziam os mais horríveis pagãos da antiguidade!
12 – Quem se atreve a dizer: “Eu conheço o Deus todo poderoso, a santa Trindade, o Eternamente Fiel”, e Ele só quer ser louvado em latim e pelo dinheiro!” ? Isto é verdadeiramente o cúmulo da mentira!!
13 – Aquele que Me conhecer em seu coração como Deus e Pai, este só Me louvará em seu coração com amor, assim Me louvará em “Espírito” e “Verdade”. Pois Eu, como Pai e Deus, sem Meu Santíssimo Espírito, só moro no coração daquele que Me conhece pelo que Eu sempre fui em toda a eternidade e como tal Eu Me apresentei, quando caminhei pela Terra.
14 – Se esta é a única e eterna verdade, o que será o resto, todas as torres e templos, igrejas, sinos, órgãos e flautas, tambores, trombetas e timbales, missário, incenso e defumadores, sininhos e campainhas, bolsinhas e cordões e todo resto de lixo idólatra?
15 – Tenho certeza que cada um de vós achará a resposta facilmente. Bem, nada mais sobre toda esta parafernália das trevas e da eterna morte. Amém.

Um líder popular falso

Recebido por Jacob Lorber, em 07 de junho de 1847



1 – Vê, Meu servo amado, é assim que a Terra recompensa aqueles que colocam o evangelho na matéria e procuram sua salvação na mesma, e quando obtêm esta salvação fictícia, a expõem aos seus próximos sob fardos enormes, os quais eles colocam sobre seus próprios ombros somente se deste gesto advirem honrarias ou lucros materiais muito significativos, ou se estes fardos lhe forem impostos tal à cangalha aos bois, por um juízo superior.
2 – O que foi deste aqui [o Pai se refere a Daniel O’Connell, um líder católico irlandês (1775 – 1847), que pregava violentamente a separação da Irlanda católica da Inglaterra protestante], cujo nome é pronunciado com mais respeito que o Meu na Terra? O que foi de toda esta sua glória mundana, pela qual tão avidamente trabalhou, e de suas grandes riquezas, as quais conseguiu ampliar feito um Salomão? O que lhe resta agora de suas falas arrogantes, de seus discursos ultramodernos, de seu espírito temeroso de jesuíta, do qual sempre foi constituído?
3 – Nada além das honrarias materiais, que são a publicação de seu nome e seus feitos, jamais até o momento em que os leitores se cansam. Quando o assunto não dá mais nenhum proveito aos jornalistas, ele ainda poderá acontecer em várias biografias lidas por muito poucos, em pequenos lugares altos nos livros de história; e algum escultor pagão fará seu busto ou estátua, por um alto preço, enquanto seu coração se torna pó em algum recipiente em Roma e o resto de seu corpo é incinerado na Irlanda! (segundo as últimas determinações de O’Connell).
4 – O mais extraordinário que ainda lhe poderá acontecer é que seja considerado santo por Roma, seu nome acontecer em alguma liturgia irlandesa, e sobre a mais inútil forma seja exclamado pela boca dos cegos: “Santo O’Connell, rogai por nos”.
5 – É o máximo que poderá lhe acontecer como prêmio da Terra, nada além! Mas o que acontecerá com estes grandes espíritos jesuítas do mundo no verdadeiro e vivo mundo dos espíritos é bem possível concluir a qualquer ser que tenha um pouquinho de luz.
6 – Eu vou mostrar isto com um exemplo bem simples. Este homem fez tudo para separar a Irlanda de seus governantes legítimos da Inglaterra, para então dominá-la com a lei dos jesuítas. Pergunto portanto: Quanta vida existe para um espírito no despotismo?
7 – Este homem era muito rico em dinheiro e em propriedades, porém nada fez durante o período da fome e da miséria, nada do que Eu determinei ao discípulo rico. O que foi que Eu disse aos apóstolos naquela época, quando o rico se afastou chorando, pois Eu tinha ordenado a distribuição de seus bens entre os pobres e lhe ofereci um tesouro celestial com este gesto? Tenho certeza de que a parábola do camelo e do buraco da agulha te é bem conhecida.
8 – O homem (O’Connell) só procurava a glória mundana, a que lhe foi outorgada em grande quantidade. Como fica, porém, esta glória frente a Mim?
9 – Nas escrituras consta: “Aquele que deseja ser o primeiro, que seja o último e um servo para todos.” Era este homem assim? O mesmo que, com sua sabedoria e esperteza, tentou destruir o parlamento inglês como se esmaga uma mosca? Aquele que a todo instante se gabava que com um só gesto seu milhões estariam dispostos a dar suas vidas por ele? Tenho certeza que isto mostra o grau de humildade que ele possuía, sem a qual ninguém obtém a vida eterna.
10 – Se este homem não possuísse a luz, não seria tão grave. Mas ele possuía a luz e virou seu rosto para as trevas, voluntariamente, somente para fortificar sua fama mundana. Pergunto: “Quanto de vida eterna aparece aqui?”
11 – Correto, muitas coisas são possíveis no Meu reino, que seriam completamente impossíveis entre vós. Mas o que Eu afirmei sobre o camelo e a agulha, fica dito por toda a eternidade, e um camelo com certeza passará muito mais facilmente por uma agulha, do que um advogado brilhante como este entrará no reino dos céus.
12 – Eu não impus que este homem fosse um perdido, só pelo que Eu disse. Mas tu e teus seguidores e irmãos devem saber que tudo aquilo que Eu falei vale para a eternidade. Minha palavra é eternamente uma, seu efeito é independente do homem que não a segue, apesar de conhecê-la. Este homem estará se colocando, a si mesmo, no julgamento.
13 – Se este homem tivesse tido amor por Deus e pelo próximo, obediência e humildade em relação aos seus governantes mundanos legítimos, não importa se eles foram bons ou maus, se tivesse predicado tudo isto e se, principalmente, tivesse levado o povo a confiar em Mim, lhe tivesse mostrado como se apossar da cruz, carregá-la e Me seguir para ganhar a vida eterna, ai sim seu nome estaria escrito com letras douradas no livro da vida. Como está agora, seu nome encontrar-se-á, de vez em quando, escrito em preto e branco em algum artigo do mundo material; mas no livro da vida, há pouquíssimo sobre ele.
14 – Sobre os “impostos da independência” e os altos banquetes que aconteciam nas reuniões não existe nada escrito na Bíblia, a não ser as comilanças dos glutões ricos, mas as consequências no Além foram horríveis. Esta é a razão que morrem tantos de fome. Devem morrer de fome tantos glutões e seus “apóstolos da liberdade” quantos comeram demais nestes encontros mundanos. O castigo vem a galope. Este irlandês, porém, foi um dos mais terríveis, e com isto a vara poderosa não podia deixar de entrar em ação.
15 – Eu, porém, atuo sempre da mesma maneira. Quando Eu pareço estar o mais longe possível, aí Eu Me encontro bem pertinho, premiando ou castigando. E quando alguém se sentir bem seguro de si mesmo, ele deve orar por Mim, para Eu o premiar ou castigar.
16 – Ai daquele que tem, como acontece com este homem, mas se cala frente à miséria de seu próximo e se afasta do mesmo, tanto fisicamente como espiritualmente! De Mim ele não conseguirá fugir; nós nos chocaremos no lugar certo.
17 – E isto seja dito eternamente: Neste “choque” Eu não Me machucarei, mas ele será totalmente destruído; pois tudo que é duro, grande e pesado terá que sofrer algo duro, grande e pesado, agora e na eternidade. Amém.
18 – Isto digo Eu, Aquele que tem em sua Mão direita tanto a espada quanto o prêmio. Amém.
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