Palavras de agradecimento do servo


Uma Palavra sobre um pedido



Baixar 2.41 Mb.
Página3/56
Encontro11.06.2018
Tamanho2.41 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   56

Uma Palavra sobre um pedido

Recebido por Jacob Lorber, em 28 de julho de 1840

Senhor eu te agradeço humildemente pela Espanha. Posso continuar a orar pela mesma? E eu estava certo em ter orado pela mesma?
1 – Por acaso não dizes: “Se a arte começa a brigar pelo pão, ela é de pouco valia”, e ainda: “Não se dá à arte o pão, só após ela ter encontrado a sua verdade”?
2 – Como achas que seja Meu serviço no momento em que Meus servos começam a brigar por assuntos mundanos, por pão, ouro e poder na Terra?
3 – Não existe nenhum país como o que tu mencionaste (Espanha) que tenha promovido a prostituição de tal porte, tanto física como espiritual, e que tenha queimado e assassinado Meus filhinhos em todos os tempos. Se pudesses contar, como Eu contei, quantas jovens inocentes foram violentadas e logo depois enterradas vivas ou emparedadas por hordas de falsos monges, quantos rapazes foram sacrificados por rituais impudicos e sodômicos, quantos milhares e milhares de ações inimagináveis de violência, mentiras e terror foram acobertadas pelas assim ditas razões religiosas e espirituais, para conseguir se obter uma mísera vantagem temporária, como se amaldiçoava publicamente a Minha Palavra escrita (Bíblia), pois ela não combinava com todo horror que lá se praticava em Meu Nome..., então tu claramente verias pelo que Meu trabalho lutou.
4 – E já que cada operário deve receber pelo seu trabalho, Eu dei a estes operários o seu salário há tempos já merecido.
5 – Que tenhas orado de vez em quando foi muito bom. Faze sempre o mesmo, mas com continuidade. Tu obterás muitas vantagens, se praticares em meu Grande Amor. Mas sempre tem em mente que Meus julgamentos sempre são corretos e que só se abatem sobre os que há muito o merecem.
6 – Se Huss (um reformador tcheco) não tivesse sido tão teimoso e tivesse seguido Meus conselhos - como fez Nicolau Copérnico, um matemático muito inteligente no estudo da Minha Criação - ele não teria sido morto na fogueira. Pois Eu falo: “Deveis sempre enganar Satã com a esperteza de vossa mansidão”. Amém. Eu, o juiz correto. Amém.
Um Evangelho de uma fonte de água

Recebido por Jacob Lorber, em 30 de julho de 1840




Lorber e três escreventes estão na nascente de uma fonte nas cercanias de Graz, onde o Senhor fala pela fonte:

1 – Antes que eu (a fonte) vos mostre minha essência, é necessário que vós saibais de onde e como eu me origino.


2 – A mais de 4.000 braças de profundidade, em direção ao nascente do sol, existe, entre várias montanhas, uma larga e grande abertura criada pelo fogo divino. Lá nesta abertura juntam-se todas as águas que foram captadas do ar pelas montanhas. Como este grande buraco está sempre cheio de água, com o peso das montanhas (que são em grande quantidade), as águas subterrâneas emergem nesta abertura que estás vendo neste momento e também afloram ainda em outras várias aberturas maiores ou menores. Vede, eu sou levada da superfície às profundezas da Terra e não sou jogada sobre a mesma direto da atmosfera, como muitos de vós acreditais. Isto acontece porque a base desta minha morada subterrânea é composta de rochas duras e impermeáveis, nas quais eu me encontro como que descansando num caldeirão.
3 – Mas neste caldeirão existem três veios do tamanho de um braço de um homem, os quais se alastram embaixo destas montanhas, a três milhas de profundidade, em direção norte. E lá se encontra um caldeirão cheio de água, muito maior, o qual também foi criado pelo fogo divino no momento da criação desta cadeia de montanhas. Este fogo divino é o mais puro amor do Pai.
4 – Este fogo permaneceu queimando no interior desta abertura por muitas e muitas centenas de anos. E quando a água avançou pelas brechas criadas por este fogo, eu quase fui destruída e vaporizada. E minha força em descanso (pressão da vaporização) foi ativada pelo fogo e eu precisei auxiliar no transporte da água para a superfície. Mas as brechas ficaram maiores, e a água conseguiu ocupar espaços cada vez maiores e pôde assim acalmar o fogo que chamava pelo Amor do Pai. Mas como o fogo ainda representava uma grande parte da ira divina, começou a se apagar lentamente, e isto ainda durou mais de duzentos anos.
5 – Mas finalmente, quando pela Vontade do Senhor as montanhas adquiriram o tamanho, formato, altura, largura e peso desejados, o grande Amor enviou um pequeno anjo e apagou totalmente o fogo.
6 – Ninguém se atreva a duvidar da existência destes pequenos anjos que dominam tudo pela Vontade do Pai. Pois sob o amoroso poder do Eterno existem hordas e mais hordas destes pequeninos auxiliares, cujo maior prazer é satisfazer os desejos do Amor do Senhor, em todos os lugares e ocasiões, e o Pai alegremente lhes permite atuar.

7 – Para que vós me enxergueis desta maneira, eu me esguio por pequenas veias e por mais de cem braças, até o lugar que chego à superfície e me apresento a todos. E se não houvesse um espírito pleno de boa vontade a me acompanhar na minha viagem, se ele não limpasse os caminhos que devo seguir, desde há muito tais caminhos já teriam sido destruídos ou obstruídos pela minha grande falta de jeito. Mas este espírito que me foi designado mantém estes caminhos limpos e desobstruídos por milhares de anos, numa ordem bonita e suave. Daí muitos vêm me visitar pela minha beleza, pureza, meu alegre frescor e limpidez. Eles também devem se lembrar (se tiverem um mínimo de fé em Deus) que a introspecção pura e luminosa só acontece no silêncio e na calma da solidão, o que junto a mim podem encontrar.


8 – No passado moravam nesta vizinhança várias pessoas piedosas, em cujas mentes Deus era o mais puro amor, e que atuavam neste amor divino. Estas pessoas vinham, diariamente a este lugar com seus corações cheios de fé e amor. E quando tinham ofertado o seu dia ao Senhor e se encontravam em oração, meditação e humildade, sempre aparecia na direção do monumento (que infelizmente foi destruído faz pouco tempo) este meu espírito guia. Ele ensinava estas pessoas piedosas sobre o amor divino, sabedoria, obediência e humildade, também sobre o grande Amor de Deus e muitos segredos e maravilhas da natureza.
9 – Estas pessoas conversavam por horas com este espírito. Ele só se afastava, se uma tarefa urgente o chamava. Vós deveríeis ter estado aqui e visto meu espelho d’água, então teríeis visto que ante Deus tudo é alegria, tanto em dar como em receber. Eu vos afirmo, mas, por favor, não acheis graça, que eu pulava feito uma bailarina na minha pequena bacia, e as pessoas riam e aplaudiam.
10 – Mas as pessoas que agora aqui moram, muito mais materialistas que as pedras envelhecidas que me rodeiam, não mais podem assistir este espetáculo alegre e natural. Pois aquele que não vivificou a vida do seu espírito pela influência dos espíritos divinos, pela humildade e obediência, este só tem uma vida material e só é entretido pelos espíritos da matéria, que chegam a ele através da alimentação e bebida. Uma pessoa igual a esta, que eventualmente volta à matéria, não consegue ver, ouvir ou sentir nada com sua mente material a não ser matéria, matéria e matéria.
11 – Bem diferente acontece com uma pessoa espiritualizada que é humilde e obediente. Esta não vê somente a matéria, mas sim vê na mesma o seu bem conhecido espírito vivo e sábio; vê na natureza não apenas a matéria mais grosseira, mas sim muitos espíritos da natureza, de onde obterá grandes conhecimentos.
12 – Enquanto estiveres a olhar meu espelho d’água, podereis descobrir um sem fim de movimentos em minha superfície, mas especialmente um bem organizado movimento circular que se origina de meu interior; pode haver um outro desorganizado, sem forma regular, que não é constante e que irá perturbar minha superfície por motivos externos.
13 – Se vós não estivésseis tão mergulhados na matéria, veríeis no primeiro movimento não só uma agitação ordenada material, mas descobriríeis mensagens maravilhosas escritas pela mão de Deus. Já que não sois videntes, farei um pequeno resumo deste ABC espiritual e seu significado mais profundo.

14 – Este movimento circular se forma de uma pequena bolha material-espiritual que vem de meu interior, pela qual (não vos surpreendais com o que vou dizer agora) é libertado um espírito amansado que se libertou da matéria morta. Não fiqueis surpresos, mas uma vez vosso espírito (a alma) se libertou da mesma maneira da matéria, e mesmo em vós (que sois uma outra classe de matéria, mas sois matéria) um dia deverá fazer o mesmo: do intimo da matéria para o exterior, para vossa superfície, e que lá se revelará num movimento circular semelhante, em volta de vosso ser, que como já disse é matéria, para colocar o mesmo em atividade ordenada, como acontece com minha superfície. Que meu exemplo vos sirva, para que reconheçais que esta vida espiritual divina fica cada vez mais linda e pura, quanto mais vos afastais das atrações malignas do mundo.


15 – Esta pequena lição que aqui obtivestes é o que eu posso vos informar nesse momento. Mas no momento em que começardes a observar estes movimentos circulares regulares em vossa superfície, cheios de vida e felicidade, tal como estais a ver em meus espelhos d’água, então voltai para cá, para que aprendais mais e mais sobre o Amor e o poder divino que vos estarão sendo revelados na minha superfície. Amém.

A vida de uma árvore

Recebido por Jacob Lorber, em 06 de agosto de 1840



Na floresta Freiberg, em São Leotando, perto de Graz, composta de pinheiros, foi revelado a Jacob Lorber:
1 – Aqui nessa floresta em que vós vos encontrais e no seu interior, no qual desejais adentrar, já existiram outras florestas por dez vezes, e cada uma sempre composta com o mesmo tipo de árvore, cada qual combinando com a natureza do solo local, pois nenhuma outra árvore diferente conseguiria se desenvolver aqui.
2 – Pois vede, cada árvore está em seu lugar e espalha suas raízes no solo, raízes grandes e pequenas raízes chamadas capilares, que se distribuem no solo poroso do local. A cada árvore é dada uma alma vegetativa, ou - como compreendeis mais facilmente - cada árvore possui um espírito mudo; ou seja, em cada árvore habita um espírito silencioso.
3 – Este espírito é dotado por uma inteligência bem simples. Com este meio que Eu lhe outorguei, ele reconhece na natureza o alimento a ela destinado e cria mais raízes. Nestas ele também habita confortavelmente e com muitos braços, segundo Minha vontade. Com estes milhares de braços, ele suga a seiva e a leva até a copa, para todos os seus galhinhos.
4 – Porém aqueles sucos que ele debaixo do solo reconhece como sendo úteis para sua natureza, ele os segrega nos galhos, direcionando-os às diferentes partes. Os mais espessos vão para o tronco, e mesmo lá os mais impuros são depositados na crosta, que é um vestido ou a pele da árvore.
5 – Os mais fluidos são utilizados para a criação dos galhos. No local onde emerge um galho, podereis ver uma massa bem mais compacta e que vai até o centro do tronco. Isto acontece devido à simples inteligência do espírito da árvore, que tomou os canudos dos galhos, cerca de dez vezes mais finos que os do tronco. Por estes tubinhos tão finos, somente sucos bem mais fluidos podem passar, os quais são muito mais substanciais.
6 – Quando observais os galhos, podeis observar uma grande quantidade de raminhos emergindo deles. Ali também acontece o mesmo, como foi entre os galhos e o tronco. A seiva nos ramos é então novamente dez vezes mais forte, do que a que vai do tronco aos galhos.
7 – Destes ramos, seguindo uma ordem severa, ficam abertos vários tubinhos dos quais se originam as folhas ou agulhas, de acordo com o tipo de árvore. A seiva aí é novamente dez vezes mais fina. Quando esta folha adquirir o seu tamanho original, então estes canais que vêm dos ramos serão obstruídos lentamente, deixando somente um aberto, para que a folha seja alimentada.
8 – Finalmente este único canal será fechado. E como esta folha não tem mais alimento, ela cai seca e morta da árvore.
9 – Na parte mais externa dos ramos encontram-se milhares de minúsculos órgãos que possuem uma vida animal. Quando os sucos chegam a este ponto, lá acontece formalmente uma luta, uma guerra, pois o espírito, na sua impureza, quer abandonar a prisão (a árvore), quer se libertar e abandonar a matéria da árvore. Mas nesta ocasião os canais se estreitam de tal maneira, que impossibilitam sua passagem.
10 – Já que com isto, na sua curta inteligência, o espírito se dá conta de sua prisão, ele lentamente abandona seu desejo de fugir e se refugia na humildade, e assim todo o seu ser começa a se transformar em amor.
11 – Quando tal acontece, estes órgãos estreitos começam a amolecer e se estender por causa do calor do amor, e o espírito fica etéreo e realmente vivo.
12 – Após isto acontecer, ele - com sua inteligência bem mais evoluída - pensa na bondade do amor, se coloca na parte mais externa destes órgãos e se transforma em fruto da árvore. Após ter se tornado este minúsculo fruto, invisível aos vossos olhos físicos, Eu permito que uma pequena centelha seja insuflada no mesmo pelo Meu Amor misericordioso e pelo calor do Sol.
13 – Ele se apodera avidamente desta minúscula centelha e a envolve numa pequena bolsa. Quando este casamento de espíritos da natureza se realiza, então a flor, o órgão da procriação, é criada. Logo a seguir, o fruto correspondente à arvore será levado ao amadurecimento pelo aumento gradativo do calor do amor da centelha.
14 – Às vezes acontece que este local onde acaba o canal é esquecido pelo espírito, devido a sua falta de atenção. Então esta pequena centelha foge, após um certo tempo de espera, de volta para sua origem. Daí os órgãos a fecham e não dão mais alimento a esta base do fruto, o qual logo murcha, morre e cai da árvore.
15 – No fruto perfeito, esta pequena centelha de amor é envolta numa bolsinha e colocada bem no centro da semente, onde permanecerá protegida. E como é uma centelha que se origina no Meu Amor misericordioso, ela assim contém - como a sua origem primária que sou Eu - a vida e o infinito, desde o mais minúsculo átomo ao maior do universo.
16 – Vede, aqui, pois, tendes uma árvore, ou quantas vós desejais em todo o seu ser. Agora tenho que vos mostrar a sua criação e o seu fim.
17 – A criação de uma árvore é bem simples: uma destas sementinhas cai ou é colocada no solo. Quando se encontra no solo, ele chama um destes espíritos primitivos (da natureza), para que entre nele e com isto este espírito recebe o primeiro hálito de vida e a inteligência mais ínfima de todos os seres. Como este está muito zangado, deseja apoderar-se e matar aquela centelha divina que se encontra na semente, mas a centelha sempre foge com sua aproximação. Por isto este espírito procura no solo seus semelhantes e aumenta cada vez mais, o que podeis observar facilmente no crescimento das árvores. O crescimento de uma árvore se deve a esta perseguição assassina de um espírito ou de uma legião de espíritos.
18 – A centelha foge deste espírito cada vez mais para cima. No seu ódio, milhões e milhões de espíritos (atraídos pela centelha) se endurecem e tornam a ser uma matéria morta e silenciosa, o que podeis observar na madeira e na crosta da árvore. Com esta longa perseguição, estes espíritos começam a ficar humildes, conseguem se unificar com a centelha e assim obtém sua liberdade.
19 – Um espírito como aquele que, com amor e humildade, conseguiu unir-se a esta centelha viva, se torna etéreo e livre com o amadurecimento do fruto e entra numa inteligência mais elevada, de acordo com Minha Ordem eterna. Assim, sobe a escada, podendo até alcançar o estado humano (ao ser consumido).
20 – Quando, por meio desta árvore, for libertada uma boa quantidade deste tipo de espíritos primitivos e quando estes espíritos libertos de vários tipos de árvores se unirem em amor, de tal maneira que eles representem um espírito mais evoluído, eles então serão transferidos para o reino animal e assim elevados ao segundo degrau evolutivo.
21 – Se estes espíritos do mundo animal novamente se unirem por amor, este novo espírito poderá galgar mais um degrau e tornar-se um espírito bem primário (seria a alma) de um humano, do qual poderá se libertar e se afastar, para observar e ver, com todo o amor, sua Fonte Original: Eu. Um espírito deste tipo sempre será influenciado pela matéria, e somente com a nova ira dos espíritos deste humano, onde nenhum amor consegue dar frutos, um caminho longo e similar ao anterior será reiniciado.
22 – Uma árvore que acaba desta maneira, pois entregou seus elementos espirituais para um degrau superior, morre, seca e apodrece; ou - o que é muito melhor para ela - é queimada como madeira.
23 – Vede, este é o segredo da criação, crescimento e fim dos vegetais.
24 – Mas, como Eu disse no começo aqui, essa floresta é a décima que cresce neste local. Vou dizer-vos o seguinte: tantas vezes também esse solo esteve coberto de água, cem anos por vez, para acalmar o fogo satânico do inferno que aqui reinava. Por isto, se escavásseis só algumas braças, encontraríeis árvores bem conservadas, fósseis em camadas de 10, 100, 200 a mais braças de profundidade.
25 – Vede, tudo isto Eu faço por causa de um único anjo orgulhoso (Lúcifer). Eu vos digo: Jamais existiria uma Terra, um Sol, ou alguma outra matéria, se este anjo singular tivesse permanecido humilde. Somente por amor Eu, o Eterno Amor, preenchi o infinito com sóis e mundos, para poder salvar até o último átomo deste anjo caído.
26 – Pensai bem o que Eu fiz por vossa causa, o que ainda faço e farei por toda a eternidade. Amém.

Eu, o Eterno Amor. Amém.



Evangelho da videira

Recebido por Jacob Lorber, em 09 de agosto de 1840



Numa vinha situada na vizinhança do mosteiro das carmelitas.
1 – No local em que vos encontrais havia, há algumas centenas de anos, uma densa floresta com vegetação rasteira. E há dois mil anos atrás as ondas batiam no sopé das pequenas montanhas e preenchiam os baixios.
2 – Esta elevação que se sobrepõe ao vale e onde desde muito tempo vinhas são plantadas foi criada da mesma maneira que as grandes montanhas: pela explosão de fogo do interior da Terra. Mas a sua superfície é composta por detritos de montanhas que os depositavam no baixio e também por aluviões.
3 – De acordo com Minha Ordem, sempre um degrau mais nobre da vegetação afasta um menos nobre, às vezes pela influência da atmosfera e especialmente pelos homens. Em qualquer lugar onde tenha havido uma floresta virgem com toda sua vegetação rasteira, lá o solo é enriquecido e fértil, pois esta vegetação anterior foi abandonada pelos espíritos que evoluíram e, como consequência, apodreceu e fertilizou assim o solo com seus elementos mais nobres. Nestes locais, os homens, sob Minha orientação, plantam vegetais mais nobres, e assim as inteligências apodrecidas e decaídas encontram um novo caminho para sua evolução.
4 – A vinha é um vegetal nobre e só o foi após o dilúvio misericordioso (na época de Noé), pois então Eu a modifiquei e a abençoei. Isto porque, quando foi criada, originária da vontade de Meu Inimigo, ela derrubou Adão, que vagava no mundo embevecido por suas tentações e totalmente afastado de Mim em seu coração, motivo pelo qual voltou para sua casa levando os frutos venenosos com os quais se embriagou.
5 – Devido a esta volta (motivada pela queda que a vinha lhe ocasionou), Eu, após o dilúvio, retirei o veneno de seus frutos e a abençoei quatro vezes. E também abençoei a água vinte e nove vezes. Com esta quádrupla bênção, a vinha pertence às mais nobres espécies vegetais.
6 – Porém antes de vos poder dizer algo nobre sobre sua composição interna, o mais profundo de sua fruta, tenho que vos explicar tudo sobre o que chamais de “composição botânica”.
7 – Em cada um de seus frutos encontrareis uma ou mais sementes de formato de coração. A partir deste formato de coração, quanto mais ou menos parecido com o mesmo, podereis deduzir a pureza e nobreza do fruto. Quanto mais parecido, mais nobre. Isto também acontece com o reino animal: quanto mais parecido ao vosso coração, tanto mais evoluído é o animal; assim também acontece com as sementes dos frutos do reino vegetal. Os espíritos unidos destes tipos de vegetais nobres podem pular etapas no reino animal e algumas vezes conseguem até alcançar o reino humano. E, além disto, eles têm a graça de alimentar a alma dos elementos aos quais servem de alimento durante sua jornada evolutiva.
8 – Frutos, cereais e outros frutos e vegetais mais nobres servem somente para o alimento do corpo, mas o fruto da vinha, quando usado em quantidades adequadas, serve para o prazer e alimento da alma.
9 – Vede, a semente da uva está situada no centro do fruto, como criança no ventre materno, e ela amadurece junto com a fruta. Então acontece que, pela medula da videira, sobe um suco etéreo como fogo. Quando observardes a videira, vereis que ela está cheia de ramificações. Em cada uma destas ramificações, o canudo que leva este suco fica cada vez mais fino e leve. É quando chega ao local onde se estabelece o início da divisão em tantas partes quantas sementes encontrardes na uva, pois cada uma delas está ligada a um destes canudos.
10 – Mas não é só a semente que é crida por este suco de fogo e também não somente o elemento oleoso que se encontra no interior da semente. Dentro deste elemento oleoso encontra-se ainda um saquinho muito tenro e frágil, que é mui pequenino e ocupa somente dez milésimos deste órgão oleaginoso. Esta bolsinha é, pois, preenchida pelo suco ardente da misericórdia.
11 – Após acontecer isto, é fechada totalmente. Em volta da mesma formam-se canais secundários que a envolvem totalmente e lhe dão um gosto adocicado, pois está plena de Meu Amor misericordioso, ainda que tudo tenha se originado de plantas não-nobres.
12 – Ao término desta segunda etapa, então este casulo e seu invólucro serão novamente fechados. Aí é que se forma a semente dura, o que acontece da seguinte maneira: como o casulo está cheio do suco, este destrói as paredes do mesmo no local onde ele está mais fraco (onde foi amarrado) e corre, cheio de amor e felicidade, a juntar-se ao fruto oleoso, que é sua vida e seu altar.
13 – Quando este núcleo tiver adquirido uma certa solidez, ainda está fluindo suco para ligar-se ao mesmo. Mas este suco só encontra seus semelhantes e não mais encontra o calor do amor misericordioso, então novamente ele explode o casulo e começa a envolver o núcleo como um lagarto.
14 – Mas ao mesmo tempo, por canais maiores que se originam diretamente da videira, se forma uma bolsa maior, e tudo isto acontece pela inteligência simples dos espíritos desta planta.
15 – Quando esta bolsa adquirir uma determinada solidez, a bolsinha oleosa explode e se veste para o interior desta nova bolsa. Como esta está com um líquido mais seco e áspero, o que é necessário para que a bolsa consiga a solidez exigida pela natureza, ela se encontra, pois, com dois tipos de fluidos: um doce e oleoso, outro seco é áspero. Esta é a razão por que uma uva não madura tem um gosto bem ácido e com cica.
16 – Com o tempo o ácido e seco vai sendo derrotado pelo doce e gostoso, sendo gradualmente deslocado para a parte externa da bolsa. Isto vos sirva de exemplo, pois em primeiro lugar a vida evolutiva é conservada na total liberdade e depois, lentamente se torna um núcleo no centro de tudo. E o que não é bom, o que não foi evoluído, também começa a melhorar. No fim, também faz parte indispensável da fruta nobre e espiritual.
17 – Quando observardes a vinha, vereis nela folhas, galhos e também muitos braços. Podereis descobrir nesta planta muito mais características animais do que em qualquer outra.
18 – Estes braços se formam da mesma maneira que a uva, mas eles ainda possuem muita pouca bondade e pouco amor em seus espíritos, como consequência, muito pouca vida para tornar-se fruta. Quando se dão conta disto, e quando alcançam o tamanho devido, eles, na sua pouca inteligência, acham que a centelha da vida fugiu. Então começam a se estender, até tocarem em algo. Eles acham que é a vida e rapidamente se enroscam nela, para que não fuja de novo. Não se dão conta que, ao invés de vida, abraçaram a morte e lentamente vão a encontro da mesma.
19 – Isto vos sirva de alerta, pois aquele que deixar de lado o seu interior, pensando encontrar a vida no amplo universo, este homem estendeu seus braços e seus olhares para a morte, enquanto que Eu constantemente vos ensino que o mundo é cada vez mais belo e cada vez mais iluminado, quanto mais vós vos afastais do mesmo. Vós podereis concluir isto quando observardes um local à distância. Uma montanha distante vos parece algo lindo e digno de admiração, mas o que vos parecerá quando chegardes à mesma e verdes que ela nada mais vos dá além da visão linda de uma outra montanha distante?
20 – Vede, é por isto que quanto mais vos retraís do mundo e bem vos afastais do mesmo, mais ele vos parecerá bonito e mais evoluído. Só então aquele que observa Minhas obras terá prazer.
21 – A vida existente no interior é a morte do exterior. Quem anseia pela vida e a alcança, a este tudo se ilumina e se torna vivo. Pois quem possui a vida, este vivifica com seu hálito tudo que o rodeia, e ao vivo, a morte deve entregar seus prisioneiros.
22 – Mas aquele que procura no exterior, seja o que for, este procura a morte. Ela logo alcança o primeiro que apresenta o que nele se aloja; para um é isto, ao outro aquilo, mas tudo não passa da mera morte. Esta pessoa destrói sua vida, fica cada vez mais fraca e no fim morre totalmente. Como consequência, tudo é morto para ele, nada mais é considerado vivo. Esta é a razão por que tantas pessoas me perdem de seus corações, como algo que não existe e que jamais existiu, a Mim, que sou o Princípio e o mais elevado Criador da Vida.
23 – Vede, Eu já vos tinha mencionado algo sobre o evangelho das plantas, e aqui está um pequeno evangelho da vinha. Vamos, então, continuar com esta mesma vinha.
24 – Como já vos contei na criação e crescimento de uma árvore, aqui encontramos uma busca bem maior: a centelha misericordiosa que se encontra encerrada no núcleo da semente. E quando estes espíritos primários da natureza pressentem a presença desta centelha no casulo central da vinha, todos correm para juntar-se à mesma. Quando a centelha se elevou a uma certa altura, rápida feito um relâmpago, ela se apodera destes espíritos primários dos casulos secundários, mas estes não se dão conta disto e continuam a perseguir a centelha sem saber para onde esta vai. Mas a certa altura se encontram em algum lugar, explodem em sua potencialidade e iniciam o talo de uma folha.
25 – Após procurarem a centelha da vida neste talo, eles começam a interrogar sua inteligência simples e assim se estendem para todos os lados, à procura do objeto de seu amor. É assim que se forma a folha com suas nervuras.
26 – Nada, além de sua esperança errada, faz com que eles corram em todas as direções. E quando a centelha descobre que já existe suficiente massa na folha, ela fecha os casulos, só deixando aberto o meio. Isto alimenta a folha até seu fim, quando a pequena centelha novamente foge e o processo se reinicia.
27 – Cada membro de uma vinha é assim formado.
28 – A formação das folhas serve para que a centelha possa prosseguir seu desenvolvimento numa agradável proteção e também para extrair da luz que ali se de seu núcleo. Lá há a seiva etérea do sol misericordioso, que ela tanto precisa e que é de fato a bênção quádrupla já mencionada.
29 – Esta bênção é que será o espírito do vinho, quando a uva madura for espremida. Mas isto não acontece antes que o suco tenha expulsado de si todas as impurezas. Só então o espírito aparece no vinho.
30 – Aqui podeis ver um parâmetro de como a matéria só consegue se tornar pura e limpa, após ter feito um grande esforço para livrar-se de todos os parasitas (claro que só consegue com a Minha poderosa ajuda). Só então a uva (que aqui é o símbolo da matéria) se tornará pura e transparente no tonel ou garrafão.
31 – Com uma retirada similar, do mundo para o vaso da humildade, também vossa matéria será purificada pela influência do espírito cada vez mais ativo. Nesta humildade acontece a mesma fermentação que acontece nos tonéis de vinho, onde todas as impurezas mortas do mundo são devolvidas ao mesmo. A vida, unificada com a sua matéria santificada, se torna igual a um bom vinho no vaso da humildade eternamente cheia de poder e força.
32 – Isto é o que podeis aguentar de informação sobre a vinha. Muito ainda existe oculto, mas ainda não estais preparados para absorver. Mais tarde conseguireis entender e então vos será dito pelo Meu servo (Jacob Lorber) ou na vossa voz interna, se estiverdes atentos para ouvi-la. Amém.



1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   56


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal