Palavras de agradecimento do servo



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Deus e o Mundo

Recebido por Jacob Lorber, em 10 de maio de 1841

João 6-7 – "O mundo não pode vos odiar, mas a Mim ele odeia, pois Eu testemunho contra ele que suas obras são más".
1 – Ouve tu, Meu querido filho, a quem Eu amo! Neste versículo de João, Meu discípulo querido, está uma grande verdade: Todos aqueles que não são do mundo não se encontram em boas graças com o mesmo, pois eles não encontram nada de agradável nas suas obras orgulhosas e más.
2 – A vós o mundo não odiará como odeia a Mim, quem sempre testemunhou contra suas obras. Mas sede felizes, quando o mundo vos despreza! Pois quem é desprezado por Minha causa, este pode estar certo que Eu não estou longe dele.
3 – Vede, o mundo se assemelha a um urubu, ou um cão trufeiro. Os dois animais descobrem vida onde ninguém pensa que existe. O cão persegue a caça e o urubu localiza um cadáver a quilômetros de distância.
4 – Os cães de caça trufeiros não procuram a planta, mas sim o assado que nela se esconde (eles recebem um pedaço assado de caça, como prêmio pelo seu trabalho). Eles escavam com afinco junto à planta, para que o assado não lhes escape. Mas se o esforço para achar as trufas não lhes dá o tal assado prometido, então os cães já nem as buscam mais, pois as plantas nada valem e se tornam um objeto desprezível!
5 – Vede, tais "carnívoros" de fato não são trufeiros, pois as plantas jamais foram o objeto que procuravam, mas sim o assado. Se um destes “carnívoros” vos desprezar e se afastar de vós, considera que Eu, o mais odiado pelo mundo, plantei em vós a "trufa do amor", mas não lá coloquei o churrasco do mundo. Por isto deixai estes "caçadores de churrasco" de lado e não os temais, pois eles não querem nada com a trufa, somente com a carne assada.
6 – Os urubus se reúnem, quando descobrem um cadáver. Vede, Eu sou um cadáver em decomposição para o mundo. Pois ele Me evita e Me odeia com mais força que a um cadáver. Existem muitas aves no mundo, mas muito poucos urubus. Mas não basta vos precipitardes sobre o "cadáver da vida" feito gralhas e urubus. Deveis vos tornar uma "águia", um “urubu-rei”, se desejardes receber vida de Deus. Vede, aquele que não é renascido, este não entrará para a vida. Para o mundo o cadáver tem um mau cheiro extremo, mas isto não acontece com o urubu, pois para ele é um manjar maravilhoso.
7 – O “cadáver” é o mais fiel espelho do mundo e mostra ao mesmo a sua verdadeira figura. E o mundo o odeia por isto, pois é um espelho de suas obras maldosas. Mas as "águias" não odeiam o claro brilho da podridão e do "cadáver".

8 – Como Eu sou um "cadáver decomposto" para o mundo, este também será no Além um "cadáver decomposto" para Mim e para todos os Meus anjos, eternamente.


9 – Em verdade, se vós desejardes viver, então deveis ser por Mim "decompostos", “levados ao apodrecimento”, e o mundo deverá vos evitar como evita a peste. Por causa de Meu Nome, ele deve colocar cordões de isolamento à vossa volta, para evitar vosso hálito. Se virdes isto acontecer, alegrai-vos, pois com certeza já fostes contagiados pela "peste da vida eterna". Se não fosse assim, o mundo reconheceria em vós um semelhante seu. Mas já que não sois como o mundo, mas sim vos tornastes Meus amados filhos, então cada vez tereis menos a ver com o mundo, e ele vos odiará cada vez mais.
10 – Se ele tivesse uma mínima ideia do que acontece lá, bem escondidinho dentro de vós, e ainda por cima causado por Mim, ele fugiria de vossa presença como se fosses a peste em pessoa.
11 – O mundo não vos odeia tanto por isto: ele não sabe de fato o que existe em vós. Mas a Mim ele odeia ao máximo, pois ele sabe muito bem o que existe em Mim. Eu sou o espelho cruel que lhe mostra exatamente sua imagem verdadeira: cruel e má.
12 – Vede, pois, o que Eu hoje trago para vós: um "cadáver" fedorento e odioso! E vos convido a comer junto com as águias e urubus-rei; sim, vós mesmos, vos convido a vos tornardes "cadáveres apodrecidos". Sim, Eu vos tornarei uma "peste" para o mundo e ante o mundo.
13 – Mas não vos importeis muito! Vede, Eu mesmo sou a maior e pior "peste" para o mundo. Não temais esta Minha "peste”, pois ela é a eterna vida. Sede alegres, porque fostes contagiados pela Minha “peste”. Nela vivereis a tenra vida de Meu Amor para sempre.
14 – Pois Eu sou o "cadáver” da vida e esta "peste" é Meu Amor eternamente. Amém. Isto falo Eu, a quem o mundo todo odeia, pois Eu testemunho contra ele (o mundo) eternamente. Amém.

Ouvi, olhai e aprendei

Recebido por Jacob Lorber, em 15 de maio de 1841


1 – Meus queridos filhos, se vós desejais Me seguir, então segui-Me totalmente.
2 – Não deveis ter vontade de excursionar nos “vales profundos, gargantas e abismos”, estes que com frequência estão cheios de animais nocivos, de ar impuro e não raramente cheios de sentimentos de ódio, de brigas, de roubalheira de todos os tipos, de maldições entre vizinhos; mas sim ide Comigo aos “montes e montanhas”. Lá sempre recebereis uma prédica da montanha, uma visão, uma transfiguração, um alimento de muito valor, uma purificação ou então uma vitória sobre uma tentação bem forte, um despertar da morte espiritual, e muitas outras coisas que ainda não posso vos dizer.
3 – Sim, levai para lá também vossas crianças e logo vereis nelas as bênçãos das montanhas. E quem estiver com o corpo enfraquecido, este não deve temer as montanhas abençoadas, pois seus cumes estão envoltos por fluidos dos espíritos da vida. Sim, tende certeza que nos cumes das montanhas e nas suas encostas há milhares destes espíritos que enfeitam felizes os cumes, sendo estes perfumados com as flores douradas do eterno amor.
4 – Examinai os habitantes atuais das montanhas e vede se eles não envergonham os mesquinhos moradores dos vales, dos vilarejos, das feiras e das cidades. A hospitalidade cristã só se encontra ainda sem adulteração entre os habitantes das montanhas. Uma coabitação pacifica não mora nas cidades das profundezas, dos vales e das gargantas. Só nas montanhas deveis procurá-la, lá ela está em casa. O mesmo acontece entre os animais, entre as plantas e, com muita frequência, também entre os homens.
5 – Se dois inimigos se encontram no cume de uma montanha, não raramente retornam de lá amigos.
6 – É só olhar os primeiros habitantes da Terra. Eles moravam nas alturas das montanhas do Monte Sinai. Eu dei a Moises as Santas Tábuas dos Mandamentos. Nestas tábuas gravei com sinais dourados os ensinamentos aos habitantes dos inúmeros vales (vales nos quais eles se encontravam enterrados). Não é necessário falar mais sobre estas montanhas sagradas, como também da escola dos visionários e dos profetas que falavam da eterna Palavra que Eu lhes dizia.
7 – Ide, pois, com mais frequência para as montanhas e lá permanecei cheios de alegria e paz. Lá obtereis sempre a santa bênção do divino Pai.
8 – O Kulm (uma montanha na proximidade de Graz, cidade onde morava Jacob Lorber), ao qual eu já me referi anteriormente e que Eu vos aconselho visitar, dará a todos aqueles que por Mim escalarem seu cume verdejante o mesmo que Pedro, Jacó e Meu amado João receberam no monte Tabor. Mas observai bem: Eu não digo “devei” nem “tende que”. Aquele que quiser e puder que Me siga, a Mim, Seu Mestre e Pai, e logo aprenderá por que Eu dei a prédica para o povo do topo de uma montanha (*). Não vos imponho um prazo, mas quanto antes fordes tanto melhor. Amém.
9 – Isto falo Eu, Pai plenamente santo e cheio de Amor por vós. Ouvi isto bem! Amém. Amém. Amém.

(*) aqui o Pai se refere ao “Sermão da Montanha” (a tradutora)



A montanha Kulm

Recebido por Jacob Lorber, em 22 de maio de 1841



O grupo de Jacob Lorber resolveu ir à montanha no dia 19 de maio, e o Senhor deu a seguinte mensagem para o grupo:
1 – Foi a primeira vez que decidistes ir a uma montanha em Meu Nome. Em primeiro lugar, ide sempre pelo caminho mais curto (o grupo tinha chegado lá após várias etapas e só alcançou a montanha às 7:30 da noite); em segundo lugar, preparai-vos para lá permanecer por no mínimo três horas.
2 – Pois para observar um milagre material, a mente deve ficar por um bom período em calma, fitando tudo e alimentando-se desta visão até a total satisfação, o que a levará a um estado parecido com a hipnose.
3 – Se neste momento vos dirigis a Mim cheios de amor espiritual e na mais sincera verdade, só então Eu posso conectar a visão interna da alma com a visão do espírito. Esta visão interna dupla então influencia a visão dos olhos materiais. Daí podereis ver coisas da natureza desde um ponto de vista totalmente novo e sob uma luz bem diferente, inclusive ver coisas espirituais misturadas às naturais.
4 – Quando tomais algum alimento para o estômago, então permaneceis em descanso por um certo período de tempo após a refeição, pois isto é necessário para a digestão. Por acaso achais que este descanso só serve para o estômago?
5 – Eu vos afirmo que precisais muito mais deste descanso, se o estômago de vosso espírito exagerou um pouco na comida. Pois se este descanso após a refeição espiritual não acontecer, então a digestão espiritual terá problemas. Toda refeição deve ser sempre digerida totalmente, antes que a matéria vital que dela se obtém comece a atuar e se eleve para alimentar uma vida superior.
6 – Pois cada alimento nutre em primeiro lugar as potências mais inferiores da vida. Após estas satisfeitas, o alimento será refinado, para servir a uma potência de vida mais elevada. Tal processo continua, até ser alcançada a mais elevada esfera da autoconsciência e finalmente chegar-se ao total conhecimento e autodescobrimento.
7 – Imaginai se, ao chegardes a um compartimento espiritual bem elevado, engolísseis todo o alimento desesperadamente e sem nenhuma consideração ou cuidado; se logo após esta rápida comilança, corrêsseis para outros lugares, como se fosseis ladrões... Daí questionais a vós mesmos: Onde fica a digestão e a elevação do alimento refinado?
8 – Por isto, digo novamente: Na próxima vez, organizai-vos de uma maneira melhor, e isto por causa de vossa fé tão fraca, pois sei que em cada um de vós existe um "Tomás". Enquanto não houver nada a ver ou a tocar, em verdade vós todos ainda sois "meio-crentes" e, consequentemente, só tendes meio amor e meia confiança. Mas se alguém colocar uma venda sobre vossos olhos ou então vos afastardes do local onde Eu vos preparei uma visão, então não sou Eu o culpado por não terdes visto ou sentido nada.

9 – Mas para que vós consigais chegar a uma visão interna pela Palavra, Eu, por Minha enorme Misericórdia e Meu infinito Amor, vos mostrarei no fim desta mensagem, o que deixastes de ver ou sentir na devida ordem. Mas antes disto vos deve ser explicada a natureza desta montanha, como também a vista que dela se vê e a formação atmosférica que a envolve.


10 – Com respeito à montanha em si, ela tem a mesma origem das outras que vos apresentei ano passado. As rochas têm a mesma formação de camadas de pedra, tal como as duas anteriores. Sua inclinação é de sudoeste para noroeste. Então a formação de cima das rochas veio da solidificação dos resíduos das contínuas ondas de enchentes do mar e se apoia na elevação que existe no fundo do mar.
11 – Tereis visto duas ramificações do Kulm - uma ao sul e a outra ao norte - acompanhados por um "muro" de pequenas elevações. As duas maiores têm a mesma origem da montanha, mas as menores são de aluviões. O mesmo acontece com as montanhas que ficam na proximidade: todas são originárias de aluviões, movimentações de rochas, acúmulos de areia que o mar deslocara.
12 – Vede, este é a origem primária destas montanhas. Podeis encontrar nelas pequenas formações de quartzo. Sua cor não é branca, mas sim avermelhada. Este quartzo não tem a mesma origem do quartzo branco do monte Lhor, mas se origina no período de Noé. Como já vos foi dito anteriormente, o dilúvio - que cobriu três quartos da Ásia, Europa e norte da África - foi precedido por uma violenta erupção de fogo (setenta e sete anos antes) na Europa e Ásia Oriental.
13 – Que se originaram grandes lagos subterrâneos nestas câmaras de quartzo nem é preciso dizer. Estes quartzos também ocorrem na superfície por meio de certas formações de lama, o que podeis observar na quantidade de pedrinhas cristalinas que existem nos rios.
14 – Tomai um destes pedregulhos redondos, pesai-o bem e medi-o também. Depois colocai o mesmo num poço ou num laguinho de vosso jardim e deixai-o lá por mais dois anos. Ao fim deste tempo pesai-o e medi-o novamente. Vereis que seu peso aumentou, como também seu tamanho. Se num período de tempo tão curto já houve uma diferença no quartzo, imaginai o que acontece nestas cavernas de água após milhares de anos atuando sobre as rochas.
15 – Quando então o fogo eclode de profundezas ainda maiores e na sua trajetória, rápida feito um relâmpago, destrói todos estes lagos subterrâneos mais a crosta terrestre de vários milhares de toesas, joga tudo vindo das profundezas às vezes sobre montanhas já formadas (como é o caso do Kulm) ou sobre vales. Assim torna a acontecer na próxima erupção e fica explicada a razão do subsolo tão irregular que aqui encontramos.
16 – Se tivésseis dado um pouco de atenção ao desenho dos vales, teríeis visto muito facilmente que eles se estendem em direção ao sudoeste, o que nada mais indica a direção das correntes de água que existiam aqui nos Alpes e nos Carpatos da Hungria, bem maiores que o mar Adriático de hoje.
17 – Estas águas começaram a se perder cada vez mais e geraram vários rios, tantos quantos vales existem aqui hoje. Com o passar do tempo, ficaram tão pequenos como os riachos e lagos esparsos dos vales, que hoje devem se unir em mais de mil afluentes para formar um rio importante.
18 – Da próxima vez que subirdes uma montanha qualquer, deveis despertar em vós mesmos a fantasia e comparar o passado com o que vedes no presente. Isto, claro, só pode ser feito se permitirdes despertar o sentimento, assim tereis o alicerce para abrirdes vossa verdadeira visão interna.
19 – Nela reconhecereis Minha Obra, admirareis Minha arte na construção e vos aproximareis de Mim em vossos sentimentos, cada vez mais alertas e despertos.
20 – Mas se nada mais tendes que fazer nestas alturas além de olhar embasbacados as rochas e madeiras cobertas por cal, seria bem melhor que ficásseis em casa, para não cansardes vossos olhos de tanto observar montes de pedras. Estes para muitos são a alegria dos olhos, especialmente se foram transformados em construções pomposas e cheias de "arte", ou nas coisas dos senhores da terra por Mim tão repugnados, pois estes - além de serem mundanos e preguiçosos - ainda acrescentaram para si dois predicados: o de vampiros e o de sanguessugas. Com eles os senhores se apoderam de tudo que seus posseiros têm: seu sangue, sua família e suas parcas posses.
21 – Todo monarca tem o direito de pedir impostos aos seus súditos, para poder governar, dar segurança, saúde, educação, etc. ao país que representa; mas é o cúmulo que um tal chamado "senhor da comarca" ainda venha extorquir mais dinheiro do pobre agricultor ou diarista. Eu vos digo: Para Mim isto é um verdadeiro horror! E se um destes donos da terra não se redimir com fartos benefícios para os seus dependentes, ele terá que pagar uma conta bem elevada e terá que prestar conta até do último centavo que usou. Ai dos que desperdiçaram esta renda em paixões mundanas! Em verdade Eu os enterrarei sob a argamassa de seus castelos! Eles lá permanecerão até que desapareça a última pedrinha que faça lembrar aquele local onde habitavam e prejudicavam os que lhes foram entregues por Mim para serem cuidados e protegidos.
22 – Vede, é por isto que deveis olhar estes últimos pedaços de castelos. Por fim, sentai-vos para descansar e digerir tudo o que vistes no cume da montanha. Pois se observastes as coisas segundo a ordem que Eu sugeri, tereis vos alimentado bem na Minha Mesa e podereis usufruir de uma digestão muito positiva.
23 – Se tiverdes binóculos convosco, usai-os segundo a ordem sugerida. E se começardes a observar as construções, então olhai as casas dos posseiros e as cabanas dos diaristas. Eu vos afirmo que olhar estas casas humildes será bem melhor para despertar com mais força vossa imaginação, do que uma cidade em ruínas, ou um castelo quase que totalmente caído, ou então um campanário insignificante junto a alguma igreja feita de pedras, telhas e argamassa!
24 – Não é cada planta e cada árvore um templo muito melhor e mais vivo - pelo qual se manifesta Meu Poder, Minha Força e Meu Amor com total exuberância - do que estes templos artificiais? Estou certo que elas possuem o Meu Espírito e é por isto que devem ser bem observadas como exemplo vivo de Meu Amor e Misericórdia, e só depois olhai para aqueles com elevados campanários.
25 – Pois nestes altos campanários Eu tenho que, de uma certa forma como prisioneiro do Tabernáculo, aguardar a hora de um sacerdote (motivado pela sua disciplina ou pelas moedas em sua bolsa) Me exibir - a Mim - ao pobre povo, que muitas nem tem fé. Pois assim sou exposto aos murmúrios, às ladainhas e às suas bênçãos dos sacerdotes, acompanhados por sons metálicos e o berreiro do coro, e depois tenho que deixar que Me encarcerem de novo.
26 – Que isto é a mais rude tolice, levando-os a futuros vícios de brilho e poder, já podeis ver sem binóculos, ao lerdes Meus Evangelhos e os primeiros encontros dos cristãos comandados por Meus Apóstolos e seus verdadeiros seguidores, persistindo assim por várias centenas de anos.
27 – Onde Eu Me envolvo com algo material, esta matéria se torna viva. Pois com a morte o Vivo, conquistador e vencedor da mesma, nada tem a haver. Quem Me procurar no pão, este creia que Eu coloquei o pão e o vinho como eterno monumento, para atestar Minha vinda a Terra como homem. Mas o pão e o vinho têm que ser o que eles realmente são; não devem ser endeusados, escondidos ou aprisionados no metal morto, mas sim devem ser aprisionados na fé e no verdadeiro amor.
28 – O pão também deve ser um pão de verdade, um pão que serve para satisfazer nossa fome; o vinho deve ser um vinho puro em si, para fortalecer a força da vida e acabar com a sede. Assim, a fé deve ser como o pão e o amor como o vinho.
29 – Mas a fé não é a que existe nestas igrejas de pedra, nem é como a tal hóstia. Esta contém somente o formato do pão, mas a sua potência vital é nula e o amor nem existe, pois o vinho nem é vinho, ou então é um vinho que, por razões financeiras, é aguado e fraco.
30 – Não são necessárias mais explicações, pois com as que foram dadas já podeis concluir se uma árvore cheia de flores não é mais útil para o espírito do que um templo com pouca fé e sem amor.
31 – Bem, agora já vos alertei sobre muitas coisas úteis para esta viajem e para as futuras. Então, como foi prometido, Eu vos mostrarei aquilo que deveríeis ter experimentado vós mesmos, se não estivésseis tão preocupados em retornar à vossa hospedaria.
32 – Se vos encontrais em qualquer lugar em Meu Nome, então estareis extremamente errados se vos preocupardes sobre algo, tal como a saúde do corpo ou outro tipo qualquer de perigo. Pois onde Eu sou vosso guia, estareis tão protegidos na mais tenebrosa noite, como em um dia claro e ensolarado. Tanto faz se estiverdes deitados, sentados, em pé, ou caminhando. Ou podeis provar que em alguma de vossas viagens em Meu Nome algum mal vos aconteceu, por mínimo que fosse?
33 – Que vos afastastes do caminho mais curto nesta viajem, não teve outro motivo que um "testemunho mundano" (*). Nisto podereis constatar que muitas vezes o homem escolhe o caminho mais longo não por má vontade, mas sim por seguir mapas pré-estabelecidos, tentando alcançar sua meta sem considerar que também para o espírito a linha reta é o caminho mais curto.
(*) talvez tenha sido um desvio para visitar uma igreja – a tradutora
34 – Pois Comigo não existem "cargos elevados" nem "igrejas de domingo"(*), em que deveis passar antes de aqui vir Me visitar. E na Minha imensa administração governamental, Eu sou a última e a primeira instância. Isto vós não vistes, só tivestes uma mínima intuição.
35 – No cume da montanha, onde se encontra uma humilde capelinha, vós sentistes uma brisa fresca que vinha da região do amanhecer. Nesta brisa Eu vos abençoei, vos coloquei num sentimento de felicidade e calma, e vos dei um tonificante para vossos membros cansados. Um certo sussurro que os cumes das árvores pequeninas causaram vos deu uma mensagem não desprezível, com a qual poderíeis ter dito: "Numa brisa sagrada que veio do amanhecer, o Senhor Me tocou".
36 – Se vós tivésseis permanecido lá após a sétima hora da tarde, se tivésseis dirigido vosso coração e vossos olhos para Mim, vós teríeis assistido a ressurreição dos mortos naquele pequeno cemitério da paróquia onde permanecestes. Eu permiti que Jacob Lorber, Meu servo, a visse por um minuto, mas lhe impus silêncio. O que ele viu ele poderá vos dizer mais tarde, se for esta sua vontade.
37 – Só nos resta explicar o nevoeiro que aconteceu ao anoitecer. O "anoitecer" é a esfera mundana dos homens. Quando o homem se aproxima do "amanhecer" e começa a esclarecer o mesmo cada vez mais, então é necessário ocultar o “anoitecer" deste viajante (em geral ainda muito ligado ao "anoitecer"). Só assim seus olhos não enxergam as tentações "noturnas", que poderão afastá-lo do "eterno amanhecer vital". Vede, esta foi a razão por que a noite foi tão nevoenta. Serviu também para vos ensinar que quando alguém se aproxima da "manhã" (pode até ser um pouco vacilante e ainda com pouca fé), este não mais deve dirigir seus olhares para o mundo ("anoitecer") cheio de névoas, mas sim para a "Manhã da Vida". Nada mais de mundanismo, mas sim tudo ao que é do Meu Amor e do Meu Espírito.
38 – No dia seguinte observastes tudo na maior claridade, não havia nenhuma névoa. Isto é para vos dizer que somente na calma, na celebração íntima, é que a "digestão" de Meu alimento sai da névoa e das trevas e é vista na claridade mais pura e brilhante. Assim, iniciastes uma manhã espiritual cheia de luz para uma vida nova.
39 – Guardai bem esta figura em vossos corações! Andai rápidos e em linha reta, mas não vos esqueçais da parada calma para a "digestão". Assim tereis dentro de vós a luz de uma "nova manhã", como também vosso "anoitecer" estará purificado e tão luminoso, como é vossa fé e vosso desprendimento da vida mundana.
40 – Transformai as montanhas em vossas amigas, e os vales servirão para observar a humildade. Fazei de Mim vosso guia pelos vales, para subirdes as montanhas da paz e da calma interior. Assim agora, sempre, por toda eternidade, reconhecereis que só Eu, vosso Pai, sou o verdadeiro caminho, a luz e a vida eterna. Amém.
41 – Isto falo Eu, o melhor dos guias. Amém.
(*) aqui existe um jogo de palavras: Sonnabendel Kirche = igreja de domingo, que no popular pode ser "Sinabel Kirchen" = vilarejo para o qual se desviaram antes de ir à montanha.


Almas do cemitério

Recebido por Jacob Lorber, em 25 de maio de 1841


Visão de Jacob Lorber, como complemento da mensagem anterior.
1 – No momento em que aparecia no céu a primeira estrela, enquanto iniciáveis a viajem de volta, quando conseguíeis ver o cemitério em cuja parte alta se encontra uma capela inacabada, neste instante a visão da alma do servo foi aberta por alguns minutos, para que ele pudesse ver lá onde os mortos de decompõem e os imortais começam a ressuscitar lentamente.
2 – Como foi que o servo viu esta aparição? Para que consigais ter uma ideia desta visão, imaginai um copo cheio de água, no qual estão algumas migalhas de açúcar. Vede que deste açúcar se elevam pequenas bolhas, as quais também levantam partículas de açúcar. Algumas partículas se diluem no caminho e deixam atrás de si uma cauda, como uma estrela cadente. As que não se diluem, logo que as bolhas chegam à superfície se separam das mesmas e caem para o fundo do copo novamente. Lá as partículas se diluem bem mais lentamente. Frequentemente se ligam a outras bolhas e iniciam com as mesmas novas "ressurreições".
3 – É assim que deveis imaginar as almas cujos corações estão muito ligados aos assuntos do mundo. Estas ainda se encontram fortemente unidas à Terra material e, com toda certeza, ao local onde seu corpo está em decomposição. Muitas lá ficam até que a última partícula do corpo se decomponha, flutuando sobre os sepulcros.
4 – Já que a alma, mesmo após a morte material, fica unida ao seu espírito livre - cujo corpo ela é de fato - então não se impõem nenhuma força sobre sua vontade livre, pois o livre arbítrio deve ser respeitado em todos os momentos. Só o que acontece é que ela recebe ensinamentos em períodos diversos, mas sempre pode fazer o que deseja, tal como lhe acontecia quando estava encarnada na Terra.
5 – O motivo principal de certas almas permanecerem nos cemitérios é o falso ensinamento da ressurreição da carne. Cada alma é continuamente alertada que o corpo falecido nada mais lhe deve importar, que dele nada mais se deve esperar por eternidades e que por isto o corpo não mais deve ter qualquer importância para a alma. Ela é ainda orientada que o corpo é como uma roupa imunda, totalmente rasgada e podre. Dele não se conseguirá jamais fazer um casaco novo.
6 – Estes ensinamentos servem a estas criaturas tanto quanto tentar convencer um monge de que consigo e desejo administrar Minha igreja sem nenhum clérigo mandante; ou convencê-lo que sua batina não é nada melhor que a jaqueta de um operário; ou fazê-lo entender que sua "relíquia" não tem em absoluto valor algum, que vale menos que um monte de esterco, pois este ainda serve para fertilizar o solo; ou fazê-lo aceitar que uma oração sincera, honesta e originada num coração que Me ama vale muitíssimo mais que dez mil daquelas muito bem pagas por crentes e lidas em altares considerados privilegiados.
7 – Ainda mais este tal monge vos trataria como os judeus Me trataram quando frente ao sacerdote Caifas. Consideraram-me um traidor do povo judaico e acharam que Eu estava atuando juntamente com o demônio. Isto também acontece aos professores enviados pelo Céu, ao tentarem converter tais almas e convencê-las que a carne de seu corpo não ressuscitará jamais, por toda eternidade.
8 – Se os recém-desencarnados ouvem tais ensinamentos, eles se escandalizam e ficam bastante tristes, porque no futuro não mais lhes será permitido retornar a seus corpos purificados. Esta é a razão por que também no mundo espiritual a melhor educação é a adquirida por experiência própria.
9 – Mas quando estas criaturas se dão conta que nada acontece com suas expectativas, ou por terem uma fé errada ou por terem recebido ensinamentos enganosos, então exigem que os professores sejam afastados e que elas sejam levadas diretamente para o "paraíso".
10 – De fato isto lhes é outorgado. Mas ao chegarem ao "paraíso", elas não o reconhecem como tal, pois difere totalmente daquele que lhes foi apresentado nos falsos ensinamentos.
11 – Pois lá encontram pessoas que trabalham como na Terra, e a razão disto é que a alegria no Céu não é nada mais do que praticar a uma caridade após outra, para contentamento próprio e dos irmãos. Quando os seres mundanos veem isto, começam a se queixar do "paraíso" dizendo:
12 – "Isto sim é um lindo paraíso, um lugar onde eu tenho que trabalhar de novo! Isto eu tive que fazer na Terra, para meu desespero e desgosto, e só o fiz por causa do "paraíso"! Mas agora que cheguei nele, eu deverei trabalhar como na Terra e ainda mais, por toda a eternidade... Acho que é muito mais inteligente eu voltar logo para a Terra. Aguardo no meu sepulcro pelo dia do Juízo final, pois está escrito, e a igreja católica romana assim me ensinou!".
13 – E logo estes seres retornam a Terra. Mas ao chegar ao seu local de origem, eles são interrogados pelos que lá se encontram sobre o que São Pedro lhes disse, se ele os recebeu bem, ou se tiveram de aguardar a vez numa fila de espera, até que São Pedro se dignasse a deixá-los entrar.
14 – Assim, permitem que lhes façam bastante perguntas, antes de se dignarem a responder, geralmente respostas bem malcriadas. Eles dizem, por exemplo: "O paraíso não é nada mais que um sítio"; ou então: "O paraíso não passa de uma economia de servos"; ou ainda: "A alegria celestial consta que devemos trabalhar como servos humildes", e muitas outras explicações semelhantes.
15 – Mas estas explicações, como é de se esperar, não recebem crédito dos que ainda não estiveram no tal "paraíso" e lá ainda desejam entrar.
16 – Aqueles que desejam isto, são levados pelos professores (espíritos protetores) e esclarecidos sobre a verdade do Céu. O Céu Verdadeiro lhes é mostrado, o céu que se origina neles próprios e que de jeito algum podem "entrar". Mas este céu se realiza por eles e será cada vez melhor, dependendo da vontade sincera de cada um. Quanto mais humildes e pequenos, maiores as oportunidades de servir ao próximo cada vez mais.
17 – Quando tal ensinamento cria raízes neles e começam a sentir com mais e mais força o desejo de servir ao outro e só lhe fazer o bem, então os professores os esclarecem e os descobrem de tal maneira, que eles conseguem se observar, enxergar totalmente e examinar sua decisão celestial com muita clareza.
18 – Se eles de fato confirmam seus desejos sinceros de buscar o céu interior, deixando para trás tudo o que aprenderam ou imaginaram do mundo, então estes desejos celestiais maravilhosamente se realizam em todas as direções e ali começa a se formar o caminho que os levará para o "Céu Verdadeiro".
19 – E cada céu pessoal se une ao céu onde moram os espíritos divinos, como o amor que se une a outro amor, da mesma maneira que uma verdadeira fé se une a um amor bom.
20 – Vede, o servo também viu algumas almas se elevarem em voos rápidos e logo a seguir caírem de volta. Este espetáculo era muito parecido com fogos de artifício, que também se elevam luminosos, mas lá no alto se apagam totalmente (ou só pela metade) e logo caem escuros no solo. Só que suas luzes não brilham tanto como os fogos de artifício, são como nuvenzinhas fracamente iluminadas pela Lua.
21 – Mas não acheis que o servo viu formas humanas, pois isto só é possível para os olhos do espírito. Ele só viu um jogo de subir e cair luminoso, vindo de alegres grupinhos de nuvens. E isto vós também teríeis visto, se tivésseis permanecido por mais tempo no topo da montanha.

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