Palavras de agradecimento do servo


Casa do caracol, espinho da roseira, casulo, ninho de pássaro



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Casa do caracol, espinho da roseira, casulo, ninho de pássaro

Perguntas na Luz espiritual

Recebido por Jacob Lorber , em 27 de março de 1841


Quatro irmãs fazem uma pergunta cada, pedindo que o servo Jacob Lorber as responda.
1 – O que significa a casa do caracol?

2 – O que significam os espinhos da roseira?

3 – O que nos ensina o casulo da borboleta?

4 – O que nos diz um ninho de uma ave?


1 – Essas quatro perguntas são comparáveis à ação de um homem que numa câmara cheia de tesouros pode escolher quatro peças do montante, ao seu bel-prazer. Como ele está totalmente deslumbrado com o brilho das peças do tesouro, ele começou a ficar inseguro e não mais sabe que peça apanhar. O tempo da doação do tesouro está por se esgotar, e o tolo indeciso, agora ainda mais confuso com os portões começando a se fechar, tem que pegar o que está mais próximo, para não sair da câmara de mãos vazias.
2 – Ao chegar do lado de fora, ele tira da bolsa o que pegou. Com grande surpresa e desilusão, o tolo constata que - invés de peças de ouro, prata ou pedras preciosas ou algo precioso - ele segura em suas mãos quatro esqueletos quase que totalmente podres.
3 – Vede Minhas filhas, numa câmara de tesouro como esta podeis entrar todos os dias e dela podeis tomar tudo o que desejardes. Mas o que acontece convosco que não estendeis vossas mãos para o ouro, prata, pedras preciosas ou outras preciosidades e só procurais pegar esqueletos podres?
4 – Hoje pegastes, em primeiro lugar, uma “casa de caracol”. O que é que fez a lesma viva, que a banistes de sua casa? Também tirastes o “espinho de uma rosa”. O que é que vos fez a roseira, que dela só pegastes justamente aquilo que é sem vida e estéril? Vós também trouxestes um “casulo”, quando deveríeis ter pego a lagarta viva em primeiro lugar. E finalmente chegastes com um “ninho de aves” completamente vazio e morto! Porque não pegastes o pássaro vivo, pois é um ser anímico, invés do ninho morto?
5 – Que faríeis e diríeis, se Eu revivesse estes quatro objetos mortos e deles se originassem “casas de caracóis” vivas, espinhos que frutificassem, casulos saltadores, e ninhos de aves voadores?
6 – Não vos pareceria isto com uma charrete que, em vez de ser puxada por dois cavalos vivos, estaria puxando dois cavalos mortos detrás de si? Ou se vísseis uma árvore que tivesse enterrado sua copa no solo e exposto suas raízes ao ar e, em vez de estar cheia de frutos, nela estariam pendurados os espinhos? Ou se vísseis um cozinheiro que, em vez de encher suas panelas com comida, as enchesse com brasas de carvão e no lugar do fogo colocasse todo tipo de coisas comestíveis? O que diríeis, se na construção de uma ponte os operários direcionassem as estacas para cima e colocassem as pranchas da ponte na água?
7 – Vede filhas, é assim, como todos estes exemplos errados que vos apresento, que acontece com os assuntos de vossas perguntas. Se Eu os vivificasse, não seriam em nada mais elucidativos para vossos corações que o carro, a árvore, o cozinheiro e a ponte que vos apresentei.
8 – Mas desde que trouxestes estas coisas para a luz do dia, Eu vou fazer algo delas, para vos mostrar por que não apanhastes nada melhor na vossa vez de escolher.
9 – Vede que “coisas raras” Eu vou fazer delas! Pode ser que estas coisas novas vos pareçam bem extraordinárias, mas considerai que neste vosso momento Eu não consegui produzir nada melhor para vos tornar mais religiosos.
10 – Da “casa do caracol”, de uma forma bem artificial, vos fiz um espelho muito engraçadinho. Neste espelhinho a irmã que está perguntando deveria se olhar diariamente. Daí ela tomará conhecimento que uma pessoa que somente se ocupa por coisas mundanas e materiais é semelhante a uma “casa de caracol”: vazia, pois seu habitante vivo ela o perdeu ou lhe foi arrancado. Este habitante vivo de alguma maneira pode ter se “encaixado” nas paredes duras e mortas da casa. Ou então, para que o entendais mais facilmente, digo que a lesma viva lentamente se transformou, ela mesma, na casa; mas como esta casa desta forma se tornou pesada e grande demais, ela não mais conseguiu se locomover para achar alimentos. Assim, até este pouquinho de vida que ainda existia murchou e se autodestruiu; quer dizer, encolheu, se decompondo até um pontinho que se colou à parede da casa, como uma vida totalmente acabada.
11 – Por isto, pequena inquisidora, apresentastes este objeto para ser apreciado. Tu estás muito ligada ao teu exterior e vê: ainda lhe dás bastante importância. Joga, pois, esta “casa de caracol” - que representa todo o exterior e o mundano - para bem longe de ti, o mais breve possível, para que não sofras o mesmo destino da lesma.
12 – Vede, esta é a obra artificial que Eu consegui obter desta “casa de caracol”. Observai vos todos nele (no espelho) e atuai de acordo com Meus ensinamentos e assim vivereis.
13 – O que vamos fazer dos “espinhos”? Algo pequeno não vos causaria nenhuma impressão. Vamos então aumentar este espinho e do resultado vamos fazer um para-raios que colocaremos sobre vossa casa. Lá, como já o fazia na roseira, ele sugará para si a eletricidade.
14 – Considera-te, tu, Minha filha, como esta casa, na qual existe um habitante vivo. Coloca nesta casa este para-raios construído de um metal de quatro componentes: o ouro da humildade, a prata da modéstia, o ferro da fidelidade e o chumbo da afeição. Então este para-raios te protegerá do raio satânico que incendiaria tua casa com todas as paixões malignas e em cujas chamas mortíferas desejarias te jogar, permitindo que se apossassem de ti.

15 – Foi por isto que Me deste o “espinho”, pois inconscientemente sentiste tal miséria em ti. Eu digo “inconscientemente” porque teu “habitante adormecido” (a centelha divina) levou o problema a tua boca.


16 – Mas o que fazer com o "casulo". Eu vos aviso de antemão que nada de raro poderá ser produzido. O melhor a fazer seria um pequeno caixão funerário. É isto que farei.
17 – Bem, qual o destino deste caixão? Nada mais que acolher um defunto. E o que acontece com ele e o morto? Serão enterrados no solo da decomposição.
18 – O que dirias tu, Minha pequena "perguntadora", se em vez de veres pessoas vestidas com roupas, as vires usando urnas funerárias como vestimenta? Certamente cairias por terra quase morta de medo, especialmente se este encontro acontecesse à noite. Mas Eu digo: Estas pessoas com caixões funerários poderiam, tal como a borboleta, sair do casulo e encontrar a vida eterna. Mas as "bonecas da moda da atualidade" (*) usam um caixão bem mais horrível, do qual muito dificilmente poderá sair uma borboleta brilhante para a vida eterna. Pois este caixão transforma o corpo em um sepulcro decomposto (fruto do orgulho, da vaidade, e da altivez) até o último átomo.
19 – Foi por isto que Me deste este "casulo", pois teu interior, do qual não tinhas a menor ideia, estava sofrendo sob tal pressão. Por isto, veste-te com a roupa da humildade, da mais profunda modéstia e de uma imensa disposição para receber tudo que é bom, amoroso e cheio de fé. Desta maneira, se elevará uma linda borboleta de teu "casulo".
20 – Ainda temos o "ninho". Considerai para que serve o ninho contra os ventos e intempéries, quando nele não se encontra mais nenhuma segurança, nenhuma proteção, nenhum calor e nenhum alimento? Vós direis: "Demais mais nada vale!". Eu digo: "Respondestes certo. Por isto não posso fazer nada mais deste ninho, da mesma maneira que não posso fazer nada por uma pessoa que expulsou de seu interior os "pássaros divinos" - que são a voz da consciência do ser humano - e que abandonou o "ninho do amor" que estava construído em seu coração.
21 – Este ninho será então entregue aos ventos maus. Se quiserdes saber como se chamam estes ventos, isto Eu posso dizer. O primeiro vento é a leviandade. O segundo chama-se “tibieza em relação a tudo que é bom, sério, verdadeiro e, consequentemente, bonito”. O terceiro vento é a preguiça, que se origina do anterior. Finalmente o quarto vento é “o afundar-se completamente em todos os prazeres materiais e, por fim, no total esquecimento de Deus”. Cuidai, portanto, para que vosso ninho não seja abandonado, pois senão vos tornareis um destes ninhos abandonados e sofrereis o mesmo destino deles sob os ventos.
22 – Por isto que Me apresentaste este quarto objeto morto. Seus pássaros divinos (os que ainda conseguem sobreviver no ninho) colocaram tal assunto em sua boca, como uma advertência.
23 – Vede, Minhas queridas filhos, sem querer, vós Me apresentastes vossas doenças. Daí Eu vos preparei os mais eficazes medicamentos. Usai-os seguindo os Meus conselhos. De uma maneira milagrosa, vivificareis vossas “casas de caracóis”. Do espinho morto e duro, fareis um objeto vivificador. Do casulo morto, surgirá uma nova maravilha. E o ninho abandonado se tornará a eterna casa do pássaro Fênix, que sempre renascerá e emergirá para a vida maravilhosa e poderosa. Amém.
24 – Atenção a Quem vos diz isto! É vosso verdadeiro Pai, Santo, Santo, Santo! Amém.
(*) Aqui existe um jogo de palavras, pois "casulo" em alemão é "puppe", que também significa boneca, e assim também são chamadas as pessoas levianas (a tradutora).

Sofrimento do Senhor, Jejum, Pobreza, Amor

Recebido por Jacob Lorber, em 09 de abril de 1841

Quatro perguntas na Luz do Espiritual
1 – Se assim perguntásseis, o faríeis corretamente, pois nestas perguntas encontra-se o que mais faz falta a todos os homens.
2 – Vós não Me apresentastes vosso pedido em forma de pergunta, mas mesmo assim vossas palavras são perguntas originárias de vossos corações, as quais vou responder agora. Porém a grande resposta só vos será dada, quando observardes as peculiaridades que existem em vós. A resposta peculiar é um guia, é um itinerário que vos mostrará como a vida humana deve ser composta, como a vida humana deve ser composta em espírito e verdade, cheia de amor e crença viva, para que por esta vida se consiga chegar à vida interna do espírito e, através dela, a Mim. Também chegarão à resposta não só desta pergunta, mas de todas as perguntas que estão infinitamente contidas nestas quatro.
3 – Pois, em verdade, se entendêsseis em vossos corações o segredo de Meu sacrifício, todos os anjos do céu viriam, cheios de humildade, aprender convosco. Após o fim do curso, retornariam extremamente enriquecidos em conhecimento.
4 – Se soubésseis jejuar corretamente em vossos corações, em verdade nunca mais perguntaríeis sobre o tema. Pois por este jejum verdadeiro Eu já Me teria tornado um Pai visível para vós, e então com um sopro Eu vos poderia dar muito mais do que comumente com mil palavras.
5 – Se entendêsseis em vossos corações o que é a verdadeira miséria em verdade, já neste momento seríeis muito mais ricos que alguns reis do céu. Pois existe na verdadeira pobreza um raro tesouro que não pode ser medido pelos meios terrenos. A verdadeira pobreza é aquela que é eternamente alimentada com Minhas Palavras. Já estais a ler que o Evangelho deve ser pregado aos pobres, pois a verdadeira pobreza é aquela que assola os “famintos” e “sedentos” que serão satisfeitos com Minhas Palavras.
6 – E finalmente, se entendêsseis o que é o verdadeiro Amor em vossos corações, em verdade teria então se completado em vós a grande exigência que fiz aos Meus apóstolos, quando lhes disse: “Sede perfeitos, como vosso Pai Divino o é”. Meus queridos filhos, o que achais desta Minha exigência? Pois esta exigência significa que deveis ser iguais a Mim em tudo e em todos os instantes. Se vos pudésseis ter a mínima ideia de Minha grandeza, de Meu poder e força e, acima de tudo, da Minha Perfeição, então poderíeis ter uma leve ideia do que significa Eu vos dizer que deveis também vos tornar tão perfeito como é vosso Pai Divino. Pois quando “o Filho” fez coerdeiros os seus amados - de tal maneira que ele, Filho, divida fraternalmente com todos a grande herança do Pai - isto quer dizer que deverão alcançar a mesma Força, o mesmo poder e a mesma virtude moral de Deus que está no Filho, que são do Pai e do Filho por toda eternidade.
7 – Antes que Eu vos dê mais explicações sobre este assunto, vamos voltar às peculiaridades das respostas de vossas quatro perguntas.

8 – Com respeito a Meu sofrimento, Eu sofri no corpo igual a qualquer outra pessoa e na exata ordem que se lê nos Evangelhos. Mas este sofrimento humano ainda continha um divino, então o sofrimento foi duplo: o externo (no corpo) e o interno (no espírito divino).


9 –Quanto ao sofrimento material, este já conheceis; mas sofrimento espiritual, este não tendes a mínima ideia. Para que possais ter um vislumbre do mesmo, imaginai o que significa quando o Deus Infinito, durante este período de sofrimento, se priva de sua infinita liberdade e se encolhe no coração de “seu Filho” sofredor.
10 – Meu corpo material dói até o ponto da morte, espremido por este sofrimento! A divindade, que se encontrava no coração, tinha que vencer a morte e o inferno desde esta sua minúscula posição, por meio deste sofrimento. Imaginai a Divindade como homem sofredor e colocada entre dois fogos: o do exterior (a morte e o inferno que Me espremiam com toda sua força e por tanto tempo, até Minha Vida Natural ser comprimida a um pontinho minúsculo bem no íntimo do coração) e o do interior (todo o poder e força infinitos da Divindade se opondo a isto e, graças ao Amor, permitindo que fosse comprimida a este pontinho).
11 – Bem, imaginai mais... Imaginai aquela mesma força e aquele mesmo poder que com um sopro pode destruir tudo que existe e tudo que é vida no infinito do universo - este mesmo poder e força que todo o infinito não consegue entender, este poder e força que com uma palavra criou o universo total e infinito, este mesmo poder e força na sua totalidade completa - permitindo que o comprimissem a um pontinho, compressão esta que significa a maior e mais completa humilhação que voluntariamente permiti que Me acontecesse, a Mim, a Divindade Livre.
12 – Se compreenderdes isto só um pouquinho em vossos corações, a luta inglória que Eu tive de Me submeter e vencer por causa do Amor Eterno, só assim podereis ter uma pequena visão do que quer dizer “o Meu sofrimento”.
13 – Este sofrimento durou até o momento em que Eu, na cruz, exclamei “Tudo está consumado! Em Tuas Mãos, Pai, Eu encomendo Meu Espírito”; ou então, com estas outras palavras: “Vê Pai, Teu Amor volta para Ti”. E com estas palavras todos os grilhões da morte e do inferno foram destruídos. O eterno poder se liberta com grande violência. A terra toda tremeu, tocada pela ira divina. Os sepulcros se abriram e libertaram os presos para a vida.
14 – E esta Onipotência se estendeu sobre toda a criação visível; naquele momento, ela encheu novamente o infinito. E todos os sóis e mundos, cheios de respeito, retraíram sua luz ante a enorme Onipotência de Deus, que novamente estava a agir. Para que nesta Sua Onipotência violenta a Divindade não destruísse toda a Criação, houve a intervenção do Amor (que novamente se tornou uno à Onipotência).
15 – Vede, pois, Meus amados filhos o que se deve entender com “Meu sofrimento”. Mas de fato ainda existem infinidades ocultas no mesmo. Podereis pesquisar por eternidades, e sempre faltará algo para elucidar. Pois o que acabei de vos dizer está para o todo, assim como um pontinho está para o infinito.
16 – Mas quando jejuardes, jejuai na verdadeira negação de vós mesmos e livremente, só por amor a Mim. Deveis renegar tudo o que o mundo vos oferece. Assim, com este jejum correto, chegareis ao “pão do céu”.
17 – Da mesma maneira que uma noiva tira todos as suas vestes para vestir a roupa de noiva no dia de seu casamento, lava seu corpo com perfumes antes de colocar a roupa enfeitada da cerimônia nupcial, se enfeita com flores e joias, tudo isto para que o noivo se alegre com ela ao levá-la para casa, assim deveis - com o jejum - retirar todas as vossas vestes da inocência e da humildade e vos enfeitar com todo tipo de flores e joias das obras de amor ao próximo.
18 – E quando o grande noivo chegar e vos encontrar tão bem arrumados e preparados, então também fará o mesmo que o noivo. Ele abrirá a porta de Seu tesouro e vos presenteará com os mais ricos e incalculáveis tesouros da vida eterna, consequência de Meu amargo sofrimento ou da redenção.
19 – E o mesmo que o jejum é a pobreza. Em verdade, quem não ficou pobre de tudo que é do “mundo”, este não entrará no Meu Reino. Ele terá que se libertar até do último centavo e devolvê-lo ao Dono. Vede, esta é, pois, a verdadeira pobreza em espírito e verdade.
20 – Mas se a pobreza for um ato voluntário, ela terá eões de vantagem sobre a pobreza imposta, e qualquer elucidação sobre o assunto é supérflua. Pois esta pobreza imposta só se igualará à voluntária, quando houver total entrega à Minha Vontade e ao Meu Amor.
21 – Agora estais a questionar: “Qual é a relação de uma noiva para com um noivo que ela não ama? Será que ela também se enfeitará toda para aquele momento em que o desprezado noivo chegará? Será que ela aguardará este momento com o coração cheio de expectativa feliz?” Eu vos digo: Qual nada! Pois ela amaldiçoará este momento. Ela não se lavará nem se perfumará; pelo contrário, se emporcalhará ao máximo, usará suas piores roupas, cobrirá sua cabeça com cinzas, pois pensa que se o tal noivo a vir assim, se escandalizará e a deixará em paz.
22 – E quando o noivo chegar e encontrar sua noiva desta maneira, Eu vos digo, ele não a tomará (se for igual a Mim), mas sim a deixará para aquele a quem ela entregou seu amor.
23 – Vede, pois, já que uma noiva só se enfeita para o noivo certo - aquele a quem ama - é bem fácil entender que sem amor por Mim não é possível pensar em jejum ou pobreza, e assim também não haverá um “enfeitar-se” para o casamento. Mas também é nada mais nem nada menos que a redenção da morte para a vida.
24 – É assim que deveis entender vossas perguntas. No Meu Sofrimento está o Amor! O jejum e a pobreza são o Sofrimento do Amor. E o Sofrimento do Amor é o adorno do mesmo, o qual também é a Salvação, a Redenção. Assim o Amor, o Sofrimento e a Salvação são todos uma única e mesma coisa.
25 – Pois então aquele que amar da maneira que vos foi mostrado, este se apoderou da Salvação e seu quinhão será idêntico ao Meu. Da mesma maneira que o noivo divide todos os seus bens com sua noiva, assim será na Minha Casa. Então sabereis o que significa: “Sede perfeitos como o vosso Pai no Céu o é”. Amém.

Isto falo Eu, o tal “Pai no Céu”. Amém.



Orar – o melhor meio de educação

Recebido por Jacob Lorber, em 18 de abril de 1841

1 – Meu querido filho que está preocupado com o sobrinho, devo dizer-te que o mesmo se encontra paralisado por um espírito preguiçoso, para toda e qualquer atividade produtiva. Por isto ele não será levado ao trabalho por qualquer tipo de imposição ou ameaça, mas só por muitas e sinceras orações. Só assim este espírito será afastado.
2 – Estes espíritos não são expulsos por orações longas e intermináveis, mas sim por orações feitas em Meu Nome, na fé e na confiança absoluta e viva, pois somente nestas orações todo e qualquer pedido será concedido.
3 – Quando a oração alcançou a fé justa, isto só Eu sei. O sucesso está ligado à força da fé espontânea. Quanto mais ela se ligar ao Meu Nome com toda sua força e sua firmeza, tanto mais próximo estará o sucesso, o qual se encontra sempre na total e inequívoca entrega, paciência e todo amor e mansidão.
4 – Mas quando esta fé alcançou o justo grau, isto somente Eu sei, como já disse. Por isto, em todos os pedidos a paciência deve estar sempre presente. Isto acontece para que cada um se autoexamine e descubra o quanto acredita em Meu Nome.
5 – A cada pedido deve seguir: "Senhor, não nos leves à tentação, mas livrai-nos do mal". Faze isto, Meu filho, que em pouco tempo teu sobrinho se recuperará e se tornará um espírito útil para Minha seara.
6 – Faze que ele ore junto contigo várias vezes e dize-lhe que ele tem que orar com frequência, se quiser vencer. Quanto mais difícil esta luta lhe parecer, tanto mais alegria lhe causará a vitória que ele conquistará em Meu nome. Este é o melhor e infalível meio.
7 – A propósito, todos os meios que usares em Meu Amor sempre serão úteis e levarão ao sucesso de etapa em etapa. Os humilhantes são os melhores, mas só devem ser aplicados quando um espírito revoltado se apresentar com bastante insistência. Pois os espíritos preguiçosos muitas vezes têm junto a si espíritos revoltados como fiéis companheiros. Mas digo mais uma vez: uma oração contínua e sincera é a melhor arma para qualquer situação.
8 – Olha bem, Meu querido filho, a construção dos corações de teus filhos, pois só isto é o que Me importa, nada além disto tem valor. E se teus filhos fossem mais sábios que Salomão em toda sua sabedoria, todo teu esforço se igualaria ao de um ourives cujas obras se tornaram cinzas.
9 – Ensina teus filhos a serem humildes e a confiarem em Meu Nome. Assim serás um bom obreiro de Minha vinha, e Meu pagamento te deixará satisfeito eternamente. Amém.
10 – Isto falo Eu, em cujo Nome se encontram ocultos todo o poder e toda a força. Amém.

Felicidade verdadeira

Recebido por Jacob Lorber, em 21 de abril de 1841

Aquele a quem é dada,

De Meu amor, a santa paz,

A quem o Pai uma nova vida

Deseja dar de Sua plenitude,

A quem o Pai adotou,

E quem chegou ao Seu Coração

Este em verdade nunca mais deve temer.

Se ele por Mim somente sente saudade

E se sente por Mim uma atração viva,

E se o mundo e o pecado dele fogem,

Então deste Eu já Me apoderei

Com todas as artimanhas de Meu Amor.

Sim, Eu o carrego nas Minhas Mãos,

Para completar a sua vida.


1 – Vê Meu querido filho soturno, Eu nada te desejo de mundanidades, mas o que de fato desejo Eu te dou neste momento. Eu sempre te dei e ainda tenho para te dar infinitas dádivas guardadas para ti, só é necessário que as desejes receber.
2 – Vê, Eu quero te dar tudo em excesso: "Prata, ouro e pedras preciosas de Meu coração. Prata Eu te dou por teus filhos, ouro pela tua esposa e pedras preciosas para te enfeitar, a ti, Meu filho querido.
3 – Mas tem fé bem forte em Meu nome. Constrói sobre ele como se fosse uma rocha de diamantes. E Me ama, a Mim, teu bondoso e santo Pai, acima de tudo e de todos. Em pouco tempo, conhecerás a força e o poder de Meu Nome - Jesus - em teu coração.
4 – Isto falo Eu, teu santo Pai. Amém.

Seres que vivem em clausuras religiosas e a verdadeira caridade

Recebido por Jacob Lorber, em 25 de abril de 1841


Pedido do servo: Senhor, Tu, nosso amado e santo Pai, poderias nos orientar sobre como devemos tratar os integrantes desta nova ordem religiosa - As Irmãs Cinzas de Caridade - para que também tenhamos uma resposta clara, caso nos questionem a respeito, pois não queremos dar um testemunho errado sobre as mesmas. Perdoa Pai nossa pergunta, nosso atrevimento em Te perguntar como se fosses uma pessoa comum como nós. Pois és o Pai, e nós somos teus filhos cheios de dúvidas e incertezas. Amém.
1 – Escreve, pois, na verdade, esta pergunta é completamente tola e infeliz. Como é possível que tu perguntes isto?
2 – Não leste ainda nenhum evangelho? Dize-Me em que ocasião Eu fundei ou apadrinhei alguma ordem, muito menos uma ordem feminina? Ou será que sonhos de pessoas de mente e visão fraca, ou atacadas alguma crise de saúde, também pertencem ao Evangelho?
3 – O que foi que Eu disse aos apóstolos? Que eles fossem todos irmãos no amor entre si, isto foi que Eu lhes disse! Como foi que eles chamaram as pessoas de acordo com Meus mandamentos? “Queridos irmãos, queridas irmãs”, etc. O que isto tem a ver com castas?
4 – Vós todos deveis pertencer a uma única ordem: a ordem do puro amor por Mim, como filhos de um único Pai e como redimidos por Minha encarnação como homem. Todos iguais! Todos, sem exceção! Todos em Deus, no Amor, no poder vivo de Minha Palavra e em Meu Nome, pois todos vós fostes eleitos Meus filhos, filhos em Meu Amor, Misericórdia e Graça, pelo único e absoluto Jesus Cristo!
5 – Mas se pessoas, algumas propositalmente, se afastam dos outros e desta forma fundam uma certa casta considerada por eles virtuosa, à qual só podem se unir pessoas escolhidas uma pequena minoria, o que de bom e proveitoso poderia advir disto para o povo, se não são todos como um só e iguais no todo?
6 – Nem todos terão que ser tecelões, ferreiros, pedreiros, etc. Deve existir uma diferença entre as profissões e, às vezes, na posição social; mas isto somente de forma extrema, jamais em relação ao íntimo da pessoa. Lá todos devem ser os mais carinhosos e misericordiosos irmãos e irmãs uns para os outros.
7 – Que valor tem uma caridade pagã? Ou será que só entendeis por caridade o cuidado com os doentes (*)?
8 – Eu vos digo: Aquele que não praticar a caridade livremente - como pleno confessor de Minha Palavra e de Meu Amor, fazendo-o com todas as suas forças e sem esperar nenhum pagamento - a este Eu considerarei igual a um animal que, de acordo com suas aptidões, deve sempre fazer o mesmo trabalho de manhã, de tarde e de noite, pois não consegue fazer de outra forma, como também não lhe é permitido pela Minha Ordem. Assim, as ações caridosas destas pessoas são quase nulas.
(*) O Pai refere-se às irmãs de caridade que eram enfermeiras nos hospitais – a tradutora.

9 – O homem livre deve atuar livremente e sem amarras na Minha Ordem infinitamente livre e no Meu Amor eternamente livre, se quiser que Eu considere seu trabalho e sua ação. Mas aquele que agir coagido pelos regulamentos de uma ordem religiosa e muitas vezes sob as leis ainda mais lastimáveis de uma clausura, este geralmente não passa de um perigoso homem forçado a trabalhar e que não se preocupa com o trabalho a ser realizado, mas sim com tostões que o mesmo lhe dará.


10 – Que isto te satisfaça, pois a pergunta foi bem infeliz. Por favor, Me poupa no futuro com tais perguntas, pois instituições faustosas e cheias de luxo Me são um verdadeiro horror. Mas aquele que aplicar a caridade que a faça sem alarde e não a apresente aos olhos do mundo.
11 – Isto falo Eu, Aquele que só olha as obras secretas. Amém. Amém. Amém.



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