Palavras de agradecimento do servo


O mundo de todos os santos



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O mundo de todos os santos

Recebido por Jacob Lorber, em 01 de novembro de 1840



1 – Está aí um homem muito insinuante, que prefere tudo o que é grande ao que é pequeno, por ser mais agradável do que útil. Gosta de estar com os poderosos pela sua honra, para que depois possa falar a todos que visitou fulano de tal poderosíssimo, e este ou aquele senhor o elogiou e o convidou a visitá-lo com mais frequência (o que ele fará somente pela aparência, não considerando a amizade). Também gosta de estar na companhia de mulheres, cortejando a todas. Aprecia ainda as antigas amizades, se estas forem de homens agradáveis e influentes. Mas também não despreza os mais pobres, contanto que tenham um nome importante. Mais que tudo, prefere novos conhecimentos com mulheres emergentes que o buscam para subir.
2 – Ele também é um amigo dos letrados e também admira os artistas famosos, mas sempre mais pela sua honra do que pela honra dos outros, e assim consegue ser conhecido como um homem inteligente e boa praça.
3 – Assim este coitado é capaz de, para agradar alguém, ferir seus pés de tanto correr, mas sempre visando lucros para si mesmo. É ele mesmo o seu próprio melhor amigo, desconsiderando todos os outros.
4 – Este pobre coitado - que assim mesmo possui um coração bastante bondoso e prestativo e lá no seu interior já tem certa atração pela Minha Misericórdia que está se deitando sobre vós - também tem um desejo bem secreto pelo Meu Reino. Está lentamente procurando o bem e a verdade, para observá-los bem dentro de seu coração, o que Me levou a olhá-lo com Meu Amor, e se ele assim o desejar, ajudá-lo a sair de seu labirinto. Bem, a este homem Eu falo:
5 – Que ele comece a deixar de fazer as visitas sociais o quanto antes e que em vez delas comece a Me visitar, a Mim, seu Pai, com mais frequência. Isto lhe será muito mais útil, aqui na Terra e eternamente, do que milhares de visitas que fez para os homens, sem proveito algum.
6 – Pois com suas inúmeras visitas (por muitos já consideradas desagradáveis e enfadonhas e, aos visitados tantas vezes, insignificantes) não está conseguindo absolutamente nenhuma vantagem. Riem dele pelas costas, porém o elogiam falsamente, quando presente. Ele não enxerga isto, mas Eu sim.
7 – Mas para que ele saiba que ainda é muito tolo, Eu faço questão que ele conheça o que os seus “amigos” pensam dele, como compensação do seu esforço de tantos anos. O que é que eles dizem? Nada mais que ele é um pobre coitado, totalmente sem conhecimento e bem tolo. E o comparam a uma mula que sempre está disposta a carregar pesos enormes por um bocado de palha ruim.
8 – Por um prêmio tão ínfimo, este homem está sempre ávido em correr de casa em casa, permitindo que o açoitem espiritualmente. Pobre coitado!
9 – Eu não desejo mencionar todas as coisas desagradáveis que já lhe aconteceram. Isto só se destina a mostrar que, se ele tivesse Me escutado, não precisaria passar por tantas humilhações. Se ele tivesse escutado os conselhos de seus poucos amigos verdadeiros - estes mesmos que também são Meus amigos... Se tivesse se sentado junto ao poço de Jacó, para deste beber a água da vida... E se, em silêncio e calma, lá tivesse Me feito uma visita...
10 – Mas isto lhe causaria melancolia. Mas como é que ele não fica melancólico com a sua correria de uma mulher para a outra, e assim desperdiçando seu amor ou mesmo o afogando na lama mortal de sua tolice?
11 – Ele que Me responda: “Porque ainda não te casaste com alguma jovem?”; pois sei que já cortejaste muitas, enganaste algumas com promessas de casamento e desgraçaste algumas tolinhas que creram em ti. Que desculpas podes apresentar, para que elas te purifiquem ante Meus Olhos e para que Minha Divindade não te amaldiçoe?
12 – Não respondas, por favor, pois cada resposta te condenaria! E se Me disseres: “Eu ainda não encontrei a certa, aquela que não tenha nenhuma falha”. Eu responderei: Cala-te falso juiz! Por que procuras tanto os gravetos nos olhos das jovens e não olhas as toras que estão nos teus. Sim, as múltiplas toras! Tu temes ser por elas enganado. Por que não temes por elas terem sido por ti enganadas e se tornado infelizes? Afasta-te de Mim, tu, egoísta pleno de amor próprio! Pois todas as meninas se originam, igualzinho a ti, do Meu Amor. Por que elas então não eram bastante boas para ti? Eu te digo: elas todas, mesmo extremamente fracas, eram muitíssimas melhores que tu.
13 – Não digas nada, silencia-te no mais profundo arrependimento, para que tuas palavras não te condenem. E se disseres: “Minhas posses são muito poucas, e assim eu não conseguiria sustentar uma mulher e filhos.”, Eu então te responderei: Escuta bem, se tu consideraste tuas posses e achaste que elas eram poucas demais, por que não consideraste também tuas aptidões e tuas exageradas exigências e também não consideraste teus desejos sexuais extremante exagerados? Pois com olhos invejosos observas a felicidade sensual dos grandes, poderosos e ricos do mundo. Desejas te igualar a eles, mas tu jamais desejaste uma esposa, mas sim amores libertinos.
14 – Vê, ainda há jovens pobres, mas direitas, que tu bem conheces. Por que não te casas com uma delas? Tu dirias: “Por causa da pobreza de ambos”. Eu, porém, afirmo que se tu fosses rico, tu olharias com o mesmo olhar de desprezo uma rica princesa, tal como estás a olhar a jovem pobre. Mas todas são Minhas filhas.
15 – Para que vejas que tudo isto é a mais pura verdade, Eu vou demonstrar-te tuas mais ocultas fantasias, onde tu te encontravas nas mais diversas situações “brilhantes” da vida mundana, quando tinhas alcançado algum clima, quando começavas a te apoderar de todas as jovens ao teu alcance. Sim, muitas vezes nestes teus sonhos, incógnito retornavas para pedir a mão de alguma jovem que já tinha te desprezado. Como ela no sonho te desprezava novamente, adoravas imaginar que a insultavas e que a tratavas como os sultões tratam suas mulheres. Então sentias prazer (em teu sonho) ao vê-la chorar e humilhar-se ante ti. Aí te sentias como um poderoso rei!
16 – Vê, estes pensamentos são o espelho da alma e mostram a direção em que vão os desejos e a tendência de seu amor. Não são nada mais que o mais puro amor próprio e amor ao poder, que são uma verdadeira maldição. Por isto não respondas, para que não te envolvas e te condenes em tudo com tuas desculpas esfarrapadas.
17 – Ou então dirás: “Eu não posso casar com uma jovem do povo, pois eu sou uma pessoa educada, um funcionário do rei e do imperador e tenho amigos influentes. O que é que estes diriam?!” Eu, porém, digo: Na cidade não existe nenhuma jovem que não seja boa demais para ti. Sei que tu explodirias de tanto ódio, se alguém além de Mim dissesse essa verdade para ti. Pois vê, se há uma prostituta, ela o é somente por misericórdia dupla; primeiro por miséria espiritual e em segundo pela miséria material. Há o estômago com suas exigências, além da satisfação de sua sensualidade natural, a qual foi prematuramente excitada por cortejadores iguais a tu. Na sua fraqueza, ela acreditou nas palavras doces e envolventes que saiam da boca de uma hiena, de um cortador semelhante a ti, que muitas vezes já cravava suas facas venenosas de sensualidade em meninas de doze anos, presas fáceis nas suas inocências. Terias prazer em prevenir a jovem, para mais tarde poder dizer: “Esta será uma daquelas, pois agora já permite que eu faça tudo com ela.”
18 – Tu, que perverteste sua natureza desta maneira, como pensas que podes Me dizer: “Eu não suporto mulheres assim.”?
19 – Então, por favor, nada respondas, para que tuas palavras não se tornem uma pedra que te será pendurada ao pescoço e te afogues no fundo do mar.
20 – Se disseres: “Uma pobre não está a minha altura.”, Eu digo: Tu que não estás a altura de nenhuma! Pois as pobres são Minhas filhas. Ai daqueles que as enganam ou desprezam! O coração destes se tornará tão duro quanto uma pedra, para que não seja mais enternecido pelo carinhoso olhar de uma destas jovens pobres, e seu nome tão importante seja enterrado com ele.
21 – Mas aquele que se casar com uma jovem pobre por amor, este Me possui como sogro e também recebe Minha Bênção. É muito melhor quando os pobres se casam do que os ricos. Pois os pobres, quando na miséria, pensam em Mim, seu Pai, e sempre procuram ajuda Comigo. Enquanto que os ricos quase não sabem Meu nome. Quando estão com problemas, eles se desprezam e muitas vezes se suicidam. Olha, por isso não respondas, para que tuas tolas desculpas não te condenem.
22 – Mas se disseres: “Experiências más me fizeram desconsiderar o casamento. O que eu tenho observado me faz perder qualquer vontade de casar. Tenho medo do casamento”. Eu falo: Amaldiçoado aquele que assim se desculpar, pois este se declara abertamente como um grande desprezador do sexo feminino. E sua consciência clama: “Como sabes quão pouco valor tens e como sempre foste infiel nas atividades de tua vida, então a vida livre de solteiro te é muito mais agradável do que um casamento abençoado, único fato que poderia colocar um pouco de ordem em tua vida devassa”.
23 – Pois se tu pensasses como um verdadeiro cristão, dirias: “Senhor, eu sou um grande pecador aos teus olhos; tem piedade de mim, eu, um grande egoísta. Pois no meu desconhecimento eu pequei muito, tanto contra ti como contra todos os teus filhos fracos. No entanto me tornei muito mais fraco que todos os teus filhos e também mais fraco que todos aqueles que desprezei por sua fraqueza, e tudo isto por causa de minha enorme tolice egocêntrica.

24 – Eu te peço encarecidamente que tu me olhes novamente com Tua Visão espiritual, verdadeira e correta. Permite que eu ache de novo aquilo que desprezei pelo meu coração maldoso e errado. Já que não sou um ser que se deixa levar pelo espírito e sim sempre pela carne, permite que eu possa novamente reconhecer nas mulheres o seu verdadeiro eu, o seu valor espiritual, e que eu não permaneça cego como até hoje, só dando valor às riquezas e às belezas das mulheres jovens. Isto eu seguia fielmente no meu egoísmo, pois era um completo asno.


25 – Senhor, como eu reconheço este meu enorme erro, por favor, compadece-Te de mim, pobre e ignorante pecador, e permite que eu Te reencontre, pois bem sabes que sou da carne e não do espírito. Por favor Senhor, permite que eu encontre em mim uma matéria (carne) a Ti agradável, para que seja purificado e, se assim for a Tua Vontade, um dia renascer em espírito”.
26 – Vê, Meu filho, esta desculpa é bem melhor que qualquer outra, e somente nela está a Vida (não a morte).
27 – Eu não tenho a intenção de te obrigar a casar com estes Meus argumentos, enquanto tiveres razões mais fortes para ficar solteiro, desde que por puro amor por Mim; quero dizer, se tiveres condições morais de te retirar totalmente deste teu mundo tão altamente social. Eu espero ter te convencido a te arrepender realmente e a finalmente reconhecer como estavas errado em negar toda tua culpa, no entanto culpando os outros pelos teus erros. Pensa bem se isto em algum momento poderia ser por Mim permitido...
28 – Por isto Eu te mostro, por meio deste Meu pobre servo, o que é necessário para que entendas o que é certo e o que é errado, pois nem ele sabe isto com exatidão. E tudo o que ele sabe ele recebe de Mim como um gesto misericordioso (que ele não merece) em favor dos outros, não em seu favor (*). Isto tudo acontece, para que todos vós sejais julgados na vossa carne, para que ninguém caia no julgamento eterno do espírito.

(*) Aqui devemos observar que Jacob Lorber está levando uma reprimenda igual às que Paulo recebia com bastante frequência (as quais ele chamava de “sua flecha na carne), para que não se elevasse acima das grandes revelações recebidas. Nos profetas falsos podemos observar justamente o contrário neste assunto. Suas “profecias” frequentemente estão plenas de autoadoração, cheias de orgulho e bem calculadas pelo “bem-amado” e “escolhido” instrumento de Deus. A reprodução das reprimendas que Jacob Lorber recebeu nos deve servir como prova de sua autenticidade e de sua verdadeira humildade.


29 – Pois todo aquele que deseja ser aceito em Meu Reino Novo deve ser julgado em primeiro lugar (ser colocado na ordem correta), para que se purifique de todo o lodo que possivelmente acumulou pelas suas contínuas tolices. Tu, no entanto, és totalmente tolo e sem rumo. Por isto existe em ti muito a ser julgado, antes que teu nome possa ser incluído no grande Livro da Vida. Observa, pois, com todas as forças de teu coração, estas palavras a ti dadas. Estas são palavras novas da Vida, da Luz, da Verdade e principalmente do Amor.
30 – Se quiseres viver, então casa-te com uma jovem correta e bondosa, que Eu te abençoarei com a Minha paz. E assim tu fazes um sacrifício, para compensar um pouco os tantos sacrifícios que jovens fizeram por ti e que tu enganaste tão horrivelmente. Não temas ser enganado, mas sim teme muito que tu não enganes mais ninguém ou a ti mesmo. E não contes demais com tuas vantagens, mas considera as vantagens que podes oferecer aos outros, àqueles que você gostaria de fraternalmente ter perto de ti. Só então caminharás bem, bem pouco e temporariamente, mas logo o farás eternamente.
31 – Por acaso pensas que ainda conseguirás viver por mais cinquenta anos? Ou por acaso não achas que cada segundo de tua vida está em Minhas Mãos, e que Eu posso encurtar ou alongar a vida de cada um de acordo com seu comportamento obediente ou não, pois somente Eu vejo quando a fruta está madura de um jeito ou de outro?
32 – Por isso pensa bem, o que é melhor: deste jeito, ou se tu, livremente e por puro amor por Mim, desejar abster-te de tudo o que é material. Vê, isto também podes fazer. Mas pensa bem, pois com meio termo Eu não Me satisfaço, isto não é o bastante para Mim. Não penses que com meio termo poderás salvar um pouco de tua liberdade mundana.
33 – Pois vê, na tua imaginária liberdade, não passas de um escravo da carne, dos desejos, e de tuas paixões mundanas, juntamente com as pessoas com as quais gostas de conversar assuntos escandalosos ou tolos, achando muita graça nos mesmos.
34 – Mas sim todos teus desejos, todos teus escravos rudes e especialmente toda tua carne devem se ajoelhar ante tua vontade. E tu terás que te livrar de todas as tuas tendências más e materialistas de um todo e terás que te entregar aos Meus Braços. Ouve bem, Eu digo: imediatamente! Pois de agora em diante, cada momento de vacilação te seria extremamente prejudicial.
35 – Julgas, na tua fraqueza, o que é que é mais fácil e saudável? Eu não desejo dar-te nenhum conselho mais, mas te digo: o prêmio corresponde à obediência.
36 – Faze, pois, o que mais queres! Para Mim tudo é igual, assim ou de outra forma. Mas ficar como estás agora..., isto não é nada bom!
37 – Vê, tu também passaste o dia todo ocioso. Vai, pois, à Minha Vinha e trabalha nas últimas horas do dia. Eu te pagarei o salário justo. Amém. Eu, o eterno Amor e Verdade. Amém.
38 – Este adendo, como todos os adendos, deve ser incluído no item “Apêndices” e deve ser lido numa reunião especial para aquele ao qual é dirigido, isto para que ele não se envergonhe, mas sim se alegre, se de fato desejar ser o sétimo discípulo. Ele saberá disto no momento em que Eu pronunciar seu nome.
39 – Mas como ele acostuma usar estas mensagens para se glorificar e orgulhar, querendo ser mais que os irmãos, então ele deverá tomar conhecimento de quão longe ainda está de Meu Reino e quão inútil é sua situação para ser Meu discípulo.
40 – Pois aquele do qual muito exijo, a este Eu também darei muito, contanto que ele siga livremente a Minha Vontade. E já lhe dei muito de fato, pois muito lhe revelei. Da mesma maneira, um construtor não faz alicerce grande para colocar ali uma casinha minúscula, pois o alicerce corresponde ao tamanho do edifício a ser construído. E se mesmo um construtor mundano já toma tais precauções, imagina quanto Eu, mestre de todos os construtores e o construtor do universo, não sou capaz de fazer.
41 – Por isto que o mencionado não deve envergonhar-se, mas sim, muito ao contrário, ficar extremamente feliz e alegre. Pois Eu não dou Minhas Dádivas em vão! Mas cada um deve ser revelado seus pecados, antes de mais nada, perante o mundo. E na sua humildade, deve louvar o Meu Nome, se desejar ser por Mim abençoado e louvado.
42 – Muito pouco é o que Eu vos exijo, mas o prêmio que recebereis é infinito. Portanto alegrai-vos por Eu exigir isso de vós, pois Meu Reino não terá fim, pois é eterno. Amém. Isso falo Eu, vosso Pai e Senhor. Amém.

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Oração de agradecimento do servo
43 – E eu, inútil pecador e o mais ínfimo servo de Tua Seara, atrevo-me a falar o seguinte:
44 – Honra, louvor e gratidão para Ti, Divino e Santo Pai, dados por nossos corações tão fracos. Purificamos a todos com o poder e a força de Teu infinito Amor e com Tua Misericórdia, para que nós possamos agradecer-Te e louvar-Te com mais dignidade e propriedade, a Ti, nosso Pai. Pois pouco conseguimos fazer para Te louvar, envoltos nas trevas da noite de nossos pecados.
45 – Graça e louvor Te sejam dados Pai, pelo maravilhoso presente deste irmão que acabas de nos dar em Teu Santo Nome! Que Teu Nome seja louvado por tão maravilhosa dádiva! Honra a Ti, Pai, ao Filho e ao Espírito Santo em Ti e de Ti. Amém.

Uma mentira?

Recebido por Jacob Lorber, em 08 de novembro de 1840


1 – Hoje o Senhor deu este ensinamento a seu servo Jacó Lorber com o título acima.
2 – Vos surpreenderá com certeza o título que este ensinamento apresenta, e imaginareis se Eu teria condições de vos mentir. Naturalmente não é assim. Não é mentira tudo aquilo que parece como tal, como também não é verdade tudo que parece verdadeiro. Para que entendais isto, vou vos contar uma pequena história.
3 – Uma vez uma pessoa contou a seus amigos que tinha se deparado com um dragão neste país e o descreveu com extrema exatidão. Um dos amigos ficou tão impressionado com o que ouvia, que decidiu ir ao local mencionado, para ver pessoalmente o tal dragão.
4 – Ao chegar ao local descrito pelo amigo, o viajante nada encontrou que combinasse com a história do amigo, nem o nome era o mesmo. Ao perguntar aos habitantes, estes tudo negaram.
5 – Ele então retornou para casa e foi tirar satisfação com o amigo: “Que amigo és tu que assim mentes, colocando-me numa situação cômica e ridícula?”; ao que o outro respondeu: “Eu vi exatamente o que vos contei. Ao perguntar aos habitantes pelo nome do lugar, eles me disseram o nome que falei na história”.
6 – Ele então exortou o amigo a levá-lo ao lugar onde a mentira tinha se originado. O “mentiroso” então levou seu amigo a um lugar que era parecido com o qual ele tinha visitado. Mas ao perguntarem pelo nome do local, este não tinha nada a ver com o nome procurado, e também ninguém jamais tinha ouvido falar do tal dragão.
7 – Após terdes ouvido, isto qual é vossa opinião? O amigo mentiu para o outro ou não? Sim, ele mentiu, digo Eu, e foi uma mentira bem grande; no entanto, ele falou absolutamente a verdade.
8 – Então questionais como um mesmo assunto pode ser verdade e mentira? Uma mente humana não conseguirá tirar nenhuma conclusão neste caso, pois o preto é preto e o branco é branco. Mas para Mim não é assim! Pois algo olhado com olhos espirituais pode ser preto ou branco no mesmo momento e no mesmo lugar. E poderemos provar que o assim chamado “mentiroso” falou a verdade.
9 – Pois o homem, quando descansava sob a sombra fresca de uma árvore, adormeceu e sonhou de uma forma tão viva e parecendo verdadeira, que ele considerou o sonho realidade e não teve dúvidas em narrar o que tinha sonhado como se fosse um acontecimento real. Ele então não mentiu em seu coração.
10 – Pois ele acordou sob a mesma árvore sob a qual dormiu por várias horas. No sonho ele acordou após poucos instantes, saiu a caminhar pela região e então tudo o que tinha contado lhe aconteceu. Após certo tempo, ele resolveu voltar à árvore anterior, deitou-se novamente e acordou logo a seguir (isto tudo ele sonhou). De fato ele tinha dormido por várias horas e sonhado tudo, mas não se deu conta disto e firmemente acreditou ter passado realmente pelas peripécias contadas.

11 – Naturalmente para uma mente material isto que ele contou (sonhou) é uma mentira bem deslavada, pois em todo país não existe nenhuma região como a por ele descrita e muito menos um dragão. Mas não é preciso que algo que não exista na natureza não exista no mundo espiritual.


12 – É sempre assim que acontece com uma visão espiritual. Descrevei um ou outro objeto a um cego. Será que o que dizeis é uma mentira para o cego, pois que ele não consegue ver o objeto que estais a descrever? Da mesma maneira muitas coisas podem existir e estar presentes em verdade, mesmo que não sejam encontrados em lugar algum. Junto ao mundo material (natural) existe um mundo espiritual muitíssimo maior que o primeiro. Quem, por exemplo, afirmaria que o inferno é uma mentira, pois ele é composto de mentiras em sua totalidade? Ou quem afirmaria que não existe o paraíso, pois este não se mostra aos olhos do pesquisador?
13 – É assim que o “ser”, o “não ser” e o “ser mesmo” não são absolutamente nenhuma mentira. Pois um ser natural não é um ser espiritual, como o espiritual não é material. Mas mesmo assim o espiritual é condicionado ao material e vice-versa.
14 – Um exemplo vos servirá de esclarecimento: Observai uma maçã enquanto ainda estiver na árvore e direis com toda a certeza que esta maçã se originou e cresceu nesta árvore, mas também deveis dizer que toda esta árvore vem de uma maçã. E logo vereis uma maçã se originando de uma árvore e uma árvore se originando de uma maçã.
15 – Perguntai a vós mesmos o que é de fato o fruto e o que é o produtor do fruto? Se disserdes que é a maçã, o fruto, então Eu digo: “O que é então a árvore da qual a maçã se origina? Então direis: “Pois bem, então a árvore é o fruto”, e Eu retruco: “Mas então o que é a maçã que vem da árvore?”
16 – Vede, aqui também cada afirmação pode ser tanto mentira como verdade ao mesmo tempo, pois a maçã é tanto fruto como o é a árvore, como também é criadora da macieira.
17 – Mas quando dizemos: Só uma coisa pode ser verdade, Eu vos digo: Está correto, a verdade é única. Mas é tolice dos homens, quando na sua pequenez de julgamento, afirmar categoricamente que isto ou aquilo é “o primeiro”, pois deste exemplo podereis concluir que tanto um como o outro poderá ser “o primeiro”.
18 – Pois se um cientista qualquer afirmasse que Deus criou a árvore em primeiro lugar, viria outro que afirmaria: “Se Deus criou a árvore em primeiro lugar, por que então Ele colocou na maçã a semente? Se esta fosse plantada, faria nascer uma árvore que daria muitos frutos, iguais aos quais ela se originou? Disto pode-se concluir que Deus não criou a árvore em primeiro lugar, mas sim uma maçã. Vede, assim estes dois cientistas se encontrariam num círculo vicioso, sem jamais descobrir o começo e o fim. Se um outro cientista afirmasse frente a uma roda dentada: “Este dente aqui se encaixa em todos os dentes da outra roda”, um outro retrucaria: “Mas caro amigo, estás cego, porque não enxergas que os dentes da outra roda são os que se encaixam neste dente.”. Qual dos dois estaria certo?
19 – Eu digo: Cada um tem razão e cada um fala a verdade; ou então: Um mente tanto como o outro. A mentira aqui só se concretiza pelo caráter unilateral com que o problema está sendo observado, enquanto que uma verdade se opõe à outra. E o tamanho da mentira corresponde ao grau em que a verdade se impõe. De fato, uma afirmação é tão verdadeira quanto a que é contestada.

20 – A verdade única é a seguinte: Tudo existe e se origina no outro e um existe para o outro. Eu, porém, sou a eterna origem de todo ser e organizei tudo de tal maneira, que o natural existe e se origina no espiritual, entretanto o espiritual se molda de novo e ao contrário no material, no contínuo e inalterado círculo que é a natureza.


21 – Disto podeis concluir que o espiritual continuamente interfere na natureza, enquanto que a natureza também interfere no espiritual. Pois no momento em que um espírito se liberta, ele ama, pensa e atua na esfera a ele determinada. Esta atuação de um espírito, no momento em que a mesma acontece, não pode passar despercebida como se nenhuma atividade tivesse acontecido. É de se questionar como é que a atuação e a influência deste espírito livre se tornam visíveis.
22 – Eu vos digo: Olhai os objetos, tais como eles são, como eles se originam e como existem. Então tereis que dizer a vós mesmos que cada uma destas aparições tem que ter um motivo para ser originada e para existir, mas onde está o motivo? Certamente não na matéria, mas sim na atividade do espírito, e esta atividade é um ato que acontece no íntimo, no interior.
23 – Mas quando um construtor qualquer faz uma casa, ele certamente não a constrói por causa da mesma; mas com a casa ele persegue um motivo, o qual deve satisfazer todas as intenções. Já que um construtor realiza isto, e mesmo como um mero mortal deseja por sua obra na eternidade, imaginai quanto mais um espírito livre não dará à sua atividade todas as características de seu amor e de seu ser.
24 – E novamente está claro ante vossos olhos que a matéria é somente um meio pelo qual um objetivo espiritual existirá de fato, de acordo com a intenção de seu criador espiritual.
25 – E se observardes isto com bastante atenção, deverá ficar bem claro como um existe para o outro e como cada um interfere e se imiscui no outro. E disto tudo ainda compreendereis muito bem o que de fato é a mentira e a verdade. E reconhecereis que para o puro (que conhece o espiritual) tudo é verdadeiro e puro, mas para o cego espiritual toda a verdade é mentira. Esta é a razão por que em Mim, o eterno criador de toda existência, não pode haver nenhuma mentira; sim, sua existência é totalmente impossível na Minha presença.
26 – A existência de algo é totalmente impossível para um cego, pois ele não pode se convencer da existência verdadeira do mesmo. Se ele crer que isto é assim, então ele tem a verdade; se, porém, ele não crer, então sua incredulidade é a mentira em si, na qual sua cegueira o mantém aprisionado.
27 – A crença é a pomada curadora para os olhos do cego. Se desejar usá-la na inocência de seu coração, em pouco tempo terá de volta a luz de seus olhos e assim poderá ver todas as coisas como elas de fato são. Então aquilo que lhe foi dito é também para ele verdade, pois crê que é assim.
28 – Cada um então, mais cedo ou mais tarde, encontrará em espírito tudo tal qual ele acreditou. Pois como a luz mostra as cores dos objetos iluminados, a crença é a luz do espírito. Por isto o homem verá tudo em concordância com sua luz. Como ela é, assim ele verá.
29 – Mas da macieira não aparecerá nenhuma outra maçã, além da que foi nela depositada; como tampouco da maçã não se originará nenhuma outra árvore diferente da que foi determinada em sua semente. E assim o homem é o fruto de sua própria crença, e a fé em si é fruto do amor do homem. Como alguém acredita, assim ele olhará; da maneira como amar, assim ele viverá.
30 – Porém aquele que acreditar em Minhas Palavras, este Me acolheu em seu interior, caso acredite firmemente que sou Eu quem está dizendo tudo isto. E como bem no fundo de seu ser cada pessoa é o seu próprio amor, então Eu - se ele Me acolher na fé de seu amor - Me tornarei seu amor, tal como ele será o Meu. E então nos tornaremos unos, como a macieira e a maça são no fundo unos, e nos entrelaçaremos como os dentes da roda de um relógio, e tudo isto resultará uma verdade.
31 – Pois aquele que Me acolheu pela fé em seu amor, este acolheu em si a eterna verdade e se tornará ele próprio a verdade eterna. E como Eu sou o eterno Amor, então Eu sou, como a eterna verdade, propriedade do homem que Me transformou em seu amor.
32 – Então o homem se igualará a uma árvore nobre que absorveu em si tudo que vem do alto, para que isto se transforme em sua característica particular. Como consequência, produzirá frutos nobres e deliciosos, nos quais esta característica, apesar da total independência dos frutos, jamais desaparecerá. Pois da mesma maneira que vós podeis recuperar na semente de uma árvore sua pureza e nobreza (pois estas características sempre lá se encontram, apesar da independência da semente), assim acontece com o homem por Mim purificado e enobrecido. Apesar de Me acolher e de sua consequente purificação, ele sempre permanecerá um ser livre e independente.
33 – Vede, este ensinamento que vos dou é de extrema importância, e sem ele dificilmente conseguireis chegar a uma fé interna firme e sincera. Vosso amor seria um eterno círculo e sempre retornaria para si mesmo. Mas no momento em que tomais conhecimento que com vossa unificação a Meu Amor sereis acolhidos na esfera de Minha eterna atuação, então podeis concluir que nesta esfera onde Eu estou eternamente presente pouco espaço sobra para mentiras se ocultarem. Pois aquele que se afasta da Luz, este só será iluminado em um lado e descobrirá a sombra que se estende no lado oposto, que é uma miragem trevosa de sua independência; mas aquele que se situar no centro da chama luminosa de Meu Amor, será possível que nele exista alguma sombra?
34 – Por isso, por meio de vossa fé, transformai-Me em vosso Amor pelo amor que por Mim tendes, para que Minha Luz vos envolva. Assim vós vos envolvereis na Luz que vem de Mim. Isso, falo Eu, o eterno Amor e Verdade. Amém.


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