Palanque Amotinado



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Encontro31.10.2017
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Palanque Amotinado
Falem o que quiser, pensem seja lá o que for deste editorial, é o que acredito e acho que qualquer um que tenha bom-senso há de concordar. Uma das coisas que a esquerda e todos aqueles que têm um pingo de realidade sempre atacaram foi a infidelidade das Forças Armadas do Brasil, da Argentina, do Uruguai e principalmente do Chile, porque tinha um histórico de obediência ao presidente, quebrado pelo carniceiro do Pinochet. É impossível desvincular forças militares, hierarquia e obediência, disciplina acima de tudo. Só é aceitável a desobediência quando a ordem do superior hierárquico é manifestamente ilegal. Salvo a partir das últimas eleições para prefeito e, depois, para presidente, ocasiões em que anulei meu voto, sempre votei no PT e acho, sinceramente, apesar de toda a decepção que tenho tido, que o governo trabalhista, que pode ser chamado, hoje, de social democrata, foi o menos pior que tivemos em mais de quinhentos anos de Brasil. No entanto, creio que o Lula deu uma tremenda de uma pisada na bola, deveria ser repreendido, inclusive, por seus assessores, ao impedir a prisão dos controladores de vôo que cruzaram os braços. É crime, é motim, é desobediência, é infração gravíssima dos regulamentos que eles aceitaram – e são regulamentos absolutamente legais – no momento em que optaram pela carreira. Ausência de punição por ordem MANIFESTAMENTE ILEGAL do primeiro mandatário da nação é permitir a quebra da hierarquia, num setor em que ela é a essência, abrindo um perigoso caminho até mesmo, numa situação extrema, para um golpe da direitona, mais uma vez, através dos militares ou de um impedimento. Mas não se regozijem as oposições, culpando exclusivamente o presidente. O Ministério Público Militar, independentemente da ordem do Lula, tem obrigação de determinar a imediata prisão dos amotinados. O comandante da Aeronáutica, idem; o Ministro da Defesa, também. Qualquer magistrado, da Justiça Militar ou não, tem o mesmo dever, por lei, de ordenar a prisão de todos os controladores militares que cruzaram os braços. Ainda bem que tudo foi retomado e a coisa voltou aos trilhos, inclusive com abertura de inquérito para apurar responsabilidades e punir cada um de acordo com sua participação. A história que corre por aí, da lei que regulamenta a greve dos servidores públicos, deve ser muito bem analisada e pensada pelo Legislativo e pelo Executivo e, ainda, pelo Judiciário que está analisando duas ações propostas por sindicatos sobre o direito de greve. É paradoxal, eu sei, mas existe algo chamado Isonomia Material, ou seja, a igualdade de direitos é concedida de acordo com situações efetivas, parece que surge alguma desigualdade, mas não é assim. Vocês conseguem imaginar uma greve nas Forças Armadas? Eu não, acho absurdo. E se a Guerra das Malvinas tivesse sido a Guerra da Questão do Iguaçu? E os batalhões de fronteiras? E as invasões de espaço aéreo ou mar território? E o caos aéreo, se os controladores forem civis? Em horas assim, acredito piamente no ditado “os incomodados que se retirem.” Não tá bom, vai procurar outro emprego. Fascista mesmo. Concordo que todos saiam e larguem a bomba na mão de um patrão que não lhes deu atenção, mas discordo, sinto muito, de motim. “Seja Herói, Seja Marginal.”
: media -> 2007




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