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Relação entre tempo de aleitamento materno e o desenvolvimento do sistema estomatognático


The relation of the time of breast feeding with the development of the stomatognatic system


Vivian Solano Ferreira*

Úrsula Freitas Beserra Pereira*

Soraya Abbes Clapes Margall**
* Fonoaudiólogas, formadas pelo Centro Universitário São Camilo (CUSC)

** Fonoaudióloga, Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM), Professora Titular do Centro Universitário São Camilo (CUSC)




Resumo

Adotamos o tema para mostrar a importância do aleitamento materno à Fonoaudiologia, pensando na prevenção, com orientação e intervenção com as mães. O objetivo do trabalho foi relacionar o tempo de aleitamento materno com o desenvolvimento do sistema estomatognático.

A pesquisa foi composta por 47 crianças, de 4 a 6 anos e foi realizada a partir de uma triagem fonoaudiológica individual padronizada com 41 itens para caracterizar as estruturas do sistema estomatognático e suas funções, e um questionário padronizado com 11 questões, respondido pelo responsável legal da criança, sem a presença das pesquisadoras, para determinar o tempo de aleitamento materno e os hábitos orais.

Diante da análise dos resultados da triagem e dos questionários, foi possível concluir que as estruturas e funções do sistema estomatognático apresentaram maior índice de alterações nas crianças amamentadas até 2 meses, com leve melhora nas crianças amamentadas entre 3 a 5 meses; nas crianças amamentadas entre 6 e 11 meses os índices de normalidade das estruturas e funções do sistema estomatognático aumentam consideravelmente, com mínimos índices de alterações. Já as crianças que foram amamentadas mais de 12 meses não apresentaram melhora significativa nas estruturas e funções do sistema estomatognático, em comparação com aquelas amamentadas entre 6 e 11 meses, o que mostra que o fato de ser amamentada por mais de 12 meses, não contribui significativamente para a melhora das estruturas e funções do sistema estomatognático.



Palavras-chave: Fonoaudiologia; Promoção à saúde; Aleitamento materno; Sistema Estomatognático.

Summary

We chose this subject to show the importance of breast-feeding to Speech Language and Hearing Sciences, keeping in mind prevention with orientation and intervention with the mothers. The objective of this paper was to relate the time of breast-feeding to the development of the stomatognathic system.

This research comprised 47 children from 4 to 6 years old. It was eífected through a standardized individual selection of 41 items to characterize the structure of the stomatognathic system and its functions and a standardized questionnaire with 11 questions. These were answered by the person legally responsible for the child, without the presence of researches, in order to determine the actual time of breast-feeding and oral habits of the child.

With the analysis of the results of the selection and questionnaires, it was possible to conclude that the structures and functions of the stomatognatic system showed a higher levei of alterations in children breast-fed up to two months, with slight improvement in children breast-fed up to 3 to 5 months. In children breast-fed up to 6 to 11 months, the levei of normality of the structures and functions of the stomatognatic system increased considerably with low leveis of alterations. Children breast-fed more than 12 months did not show signifícant improvement of the structures and functions of the stamatognatic system, as compared to those breast-fed until 6 to 11 months. This shows that the fact of being breast-fed for over 12 months does not guarantee adequate structures and functions of the stomatognatic system to the child.



Key-words: Phonoaudiology, Health Promotion, Breast-feeding; Stomatognatic System

Introdução

A amamentação no peito é a maneira mais adequada para oferecer os nutrientes necessários ao crescimento e desenvolvimento do recém-nascido. É sabido que a sucção, realizada nos primeiros meses de vida, faz com que as habilidades motoras orais se aprimorem.

Para JUNQUEIRA (1), o leite materno é de extrema importância para a nutrição e desenvolvimento do bebê, pois possui 160 substâncias que garantem esse desenvolvimento.

MORAES (2) diz que o leite materno oferece proteção contra infecções, alergias e reforça a eficiência das vacinas, gerando uma qualidade de vida melhor ao bebê e sua família.

Segundo LANA (3), o aleitamento materno está associado a um melhor desenvolvimento mental, comportamental, neuromotor e da linguagem.

Quando a criança é amamentada ao seio, as estruturas faciais têm um melhor desenvolvimento e a incidência de cáries é menor. Além dos nutrientes, o leite contém fatores antibacterianos, antivírus, antiinfecciosos, antiparasitários e propriedades imunológicas.

Ao sugar o seio, o bebê estabelece o padrão adequado de respiração nasal e estimula adequadamente os músculos envolvidos na deglutição e, posteriormente, na mastigação. Esta adequação leva ao crescimento ósseo e craniofacial, à adequação das funções e à funcionalidade dos órgãos fonoarticulatórios. A estimulação sensório motora oral realizada precocemente dará à criança subsídios de melhor adequação dos órgãos fonoarticulatórios, podendo assim desenvolver sua linguagem oral. (4)

O uso adequado do sistema estomatognático leva a criança ao sono, controla o tempo preciso da amamentação, levando a uma digestão perfeita; proporciona à língua postura e tônus ideais, facilitando a fala e a deglutição. (5)

A amamentação possibilita a adequada respiração nasal, que aquece e filtra o ar, adequa a posição da língua, estimula a tonicidade muscular, desenvolve a articulação têmporo-mandibular e determina o ritmo e a direção do crescimento mandibular.

Quando o aleitamento materno é inadequado ou inexistente, o bebê pode apresentar alteração de sucção, mastigação, e deglutição; problemas fonoarticulatórios, e de fala; distúrbios respiratórios, problemas ortodônticos, anteriorização do reflexo de náusea e posicionamento inadequado da língua.

Quanto mais prolongado o aleitamento no seio materno, menor a incidência de alterações no sistema estomatognático; até os 6 meses de vida o bebê não necessita de nenhuma outra fonte de alimentação. (6)

A partir de todas essas considerações, tivemos como objetivo no presente trabalho relacionar o tempo de aleitamento materno e o desenvolvimento das estruturas e das funções do sistema estomatognático, em crianças na faixa etária de 4 a 6 anos.


Metodologia

Com o objetivo de relacionar o tempo de aleitamento materno e o desenvolvimento das estruturas e das funções do sistema estomatognático, participaram desta pesquisa 47 crianças, com idades de 4 a 6 anos, sem qualquer tipo de deficiência ou distúrbio neurológico, segundo o prontuário fornecido pela escola que freqüentam. Todas as crianças freqüentavam uma escola de educação infantil, situada na cidade de Osasco, São Paulo.

A coleta de dados foi obtida através da aplicação de uma triagem fonoaudiológica padronizada, elaborada a partir das propostas de MARCHESAN (7). Essa triagem foi realizada individualmente em cada criança, pelas pesquisadoras, em uma sala vazia da escola. A triagem continha o nome e a idade da criança, e 41 itens, enfocando as estruturas do sistema estomatognático e suas funções, nos aspectos de: tônus, mobilidade e postura de língua; tônus, mobilidade e postura de lábios; modo e tipo respiratório; características de mordida, mastigação e deglutição; e características de fala.

O questionário foi composto por 11 questões sobre hábitos de aleitamento, e foi respondido pelo responsável legal da criança, sem a presença das pesquisadoras. Os pais tiveram uma semana para responder ao questionário e devolvê-lo às pesquisadoras.

Através deste questionário caracterizamos o tempo de aleitamento materno de cada criança. Assim, as crianças foram divididas em quatro (4) grupos, por tempo de aleitamento materno, a saber: até 2 meses (grupo com 16 crianças); de 3 a 5 meses (grupo com 9 crianças); de 6 a 11 meses (grupo com 13 crianças); e mais de 12 meses (grupo com 9 crianças).

Os resultados foram analisados e dispostos em tabelas para melhor visualização e apresentação dos resultados, para posterior discussão.




Resultados

Com o objetivo de relacionar o tempo de aleitamento materno com o desenvolvimento das estruturas e funções estomatognáticas, comparamos as faixas de tempo de aleitamento materno aos aspectos de: tônus, mobilidade e postura de língua; tônus, mobilidade e postura de lábios; modo e tipo respiratório; características de mordida, mastigação e deglutição; e características de fala.



   Assim, podemos observar que as estruturas e funções do sistema estomatognático apresentaram maiores índices de alterações nas crianças amamentadas até 2 meses (tônus de língua diminuído, mobilidade de língua alterada, postura de língua inadequada, tônus de bochechas diminuído, mobilidade de bochechas alterada, tônus de lábios diminuídos ou aumentados, mobilidade de lábios alterada, postura de lábios abertos, palato ogival, mordida alterada, modo respiratório oral, tipo respiratório misto, mastigação alterada, deglutição alterada e fala alterada). Houve leve melhora destes aspectos nas crianças amamentadas de 3 a 5 meses. Nas crianças amamentadas entre 6 e 11 meses os índices de normalidade das estruturas e funções do sistema estomatognático aumentam consideravelmente (tônus de língua normal, mobilidade de língua normal, postura de língua adequada, tônus de bochecha normal, mobilidade de bochecha normal, tônus de lábios normal, mobilidade de lábios normal, postura de lábios fechados, palato normal, mordida normal, modo respiratório nasal, tipo respiratório inferior, mastigação normal, deglutição normal, fala normal), com mínimos índices de alterações. Já as crianças que foram amamentadas mais de 12 meses não apresentaram melhora significativa nas estruturas e funções do sistema estomatognático, em comparação com aquelas amamentadas entre 6 e 11 meses.  

Tabela 1- Distribuição absoluta (N) e percentual (%) das crianças avaliadas quanto ao tempo de aleitamento materno e tônus, mobilidade e postura de língua.






LINGUA





TÔNUS


MOBILIDADE


POSTURA


TEMPO DE ALEITAMENTO


AUMENTADO


NORMAL


DIMINUIDO


ALTERADA


NORMAL


INADEQUADA


ADEQUADA




N

%

N

%

N

%

N

%

N

%

N

%

N

%

ATÉ 2 M.

0

0%

6

24%

10

45%

9

60%

7

22%

12

39%

4

25%

3 - 5 M

0

0%

3

12%

6

27%

5

33%

4

13%

7

23%

2

13%

6 - 11 M

0

0%

11

44%

2

9%

0

0%

13

41%

8

26%

5

31%

+ 12 M

0

0%

5

20%

4

18%

1

7%

8

25%

4

13%

5

31%

TOTAL

0

0%

25

100%

22

100%

15

100%

32

100%

31

100%

16

100%

Tabela 2- Distribuição absoluta (N) e percentual (%) das crianças avaliadas quanto ao tempo de aleitamento materno e tônus, mobilidade e postura de lábios.






LÁBIOS





TÔNUS


MOBILIDADE


POSTURA


TEMPO DE ALEITAMENTO


AUMENTADO


NORMAL


DIMINUIDO


ALTERADO


NORMAL


ABERTOS


FECHADSO




N

%

N

%

N

%

N

%

N

%

N

%

N

%

ATÉ 2 M.

2

100%

5

17%

9

56%

8

57%

8

24%

12

46%

4

19%

3 - 5 M

0

0%

4

14%

5

31%

4

29%

5

15%

7

27%

2

10%

6 - 11 M

0

0%

12

41%

1

6%

1

7%

12

36%

4

15%

9

43%

+ 12 M

0

0%

8

28%

1

6%

1

7%

8

24%

3

12%

6

29%

TOTAL

2

100%

29

100%

16

100%

14

100%

33

100%

26

100%

21

100%

Tabela 3- Distribuição absoluta (N) e percentual (%) das crianças avaliadas quanto ao tempo de aleitamento materno e modo e tipo respiratório.





MODO E TIPO RESPIRATÓRIO

TEMPO DE ALEITAMENTO


NASAL


ORAL


SUPERIOR


INFERIOR


MISTA




N

%

N

%

N

%

N

%

N

%

ATÉ 2 M.

4

20%

12

44%

2

20%

9

32%

5

56%

3 - 5 M

2

10%

7

26%

1

10%

6

21%

2

22%

6 - 11 M

9

45%

4

15%

3

30%

9

32%

1

11%

+ 12 M

5

25%

4

15%

4

40%

4

14%

1

11%

TOTAL

20

100%

27

100%

10

100%

28

100%

9

100%



Tabela 4- Distribuição absoluta (N) e percentual (%) das crianças avaliadas quanto ao tempo de aleitamento materno e características de mordida, mastigação e deglutição.






MORDIDA


MASTIGAÇÃO


DEGLUTIÇÃO


TEMPO DE ALEITAMENTO


ALTERADA


NORMAL


ALTERADA


NORMAL


ALTERADA


NORMAL




N

%

N

%

N

%

N

%

N

%

N

%

ATÉ 2 M.

9

53%

7

23%

8

50%

8

26%

9

41%

7

28%

3 - 5 M

3

18%

6

20%

4

25%

5

16%

5

23%

4

16%

6 - 11 M

3

18%

10

33%

3

19%

10

32%

4

18%

9

36%

+ 12 M

2

12%

7

23%

1

6%

8

26%

4

18%

5

20%

TOTAL

17

100%

30

100%

16

100%

31

100%

22

100%

25

100%



Tabela 5- Distribuição absoluta (N) e percentual (%) das crianças avaliadas quanto ao tempo de aleitamento materno e características de fala.





FALA


TEMPO DE ALEITAMENTO


ALTERADA


NORMAL




N

%

N

%

ATÉ 2 M.

8

38%

8

31%

3 - 5 M

7

33%

2

8%

6 - 11 M

4

19%

9

35%

+ 12 M

2

10%

7

27%

TOTAL

21

100%

26

100%


Discussão

Segundo os resultados obtidos na pesquisa foi possível observar que o maior índice de normalidade de tônus de língua foi encontrado nas crianças amamentadas no seio por um período superior a 6 meses, representando 44% do total de crianças com tônus normal; já as crianças amamentadas por até 2 meses apresentaram maior índice de diminuição de tônus de língua. As crianças que receberam aleitamento materno por mais de 6 meses apresentaram apenas 9% de diminuição de tônus de língua.

Esses dados concordam com CARVALHO (8) e CUNHA (9), que também mostram que crianças que foram amamentadas por um período curto têm maiores chances de ter alterações nas estruturas orais do que aquelas amamentadas por mais de 6 meses.
Analisando o tempo de aleitamento materno das crianças e a mobilidade de língua, foi possível observar que 60% das alterações de mobilidade de língua foram encontradas nas crianças amamentadas no seio apenas até 2 meses, sendo que o maior índice de normalidade de mobilidade de língua foi de 41%, na faixa de crianças amamentadas de 6 a 11 meses.
Relacionando postura de língua em repouso com o tempo de aleitamento materno, foi possível observar que 39% das crianças com postura de língua em repouso inadequada foram amamentadas pelo menor tempo e a maior porcentagem de adequação de postura de língua foi encontrada nas crianças amamentadas mais de 6 meses, com 31% para as amamentadas de 6 a 11 meses e 31% para as amamentadas por mais de 12 meses, perfazendo um total de 62% de crianças com postura de língua adequada quando amamentadas por mais tempo.
As crianças amamentadas por um período curto, de até 5 meses, foram as que mais apresentaram alteração de tônus, mobilidade e postura de língua. As crianças que mamaram por mais de 6 meses no seio tiveram maiores índices de normalidade quanto ao tônus, mobilidade e postura de língua.

Esses dados concordam com o que CARVALHO (8) e CUNHA (9) relatam que a amamentação no peito proporciona estímulos adequados para o crescimento e desenvolvimento das estruturas orais, prevenindo distúrbios miofuncionais e adequando a postura de língua.


Um dado interessante é que os índices de normalidade na faixa de crianças amamentadas por mais de 12 meses foram quase sempre menores que na faixa de 6 a 11 meses, portanto parece que o fato das crianças mamarem por mais de 12 meses, não garante melhora dos aspectos miofuncionais, parecendo que o ideal é as crianças serem amamentadas entre 6 e 11 meses. A literatura também relata o tempo ideal de amamentação exclusiva é até 6 meses. O achado de que não houve melhora das estruturas estomatognáticas nas crianças amamentadas por mais tempo (mais de 12 meses) não foi encontrado na literatura pesquisada.
O resultado da pesquisa sobre tônus de lábios mostrou que 100% das crianças que apresentaram tônus de lábios aumentados foram amamentadas apenas até os 2 meses, sendo estas as únicas da amostra total que apresentaram tônus de lábios aumentados. Já 56% das crianças que apresentaram o tônus dos lábios diminuído foram as que mamaram até 2 meses e 31% em crianças que mamaram por um período de 3 a 5 meses. O maior percentual de normalidade do tônus de lábios, 41%, foi encontrado nas crianças que mamaram no seio por um período de 6 a 11 meses, seguido de 28% nas crianças que mamaram por mais de 12 meses.
A pesquisa mostrou que 57% das crianças com mobilidade de lábios alterada foram as que mamaram apenas até 2 meses. A segunda maior incidência de crianças com alteração de mobilidade de lábios, 29%, foi nas que mamaram no seio de 3 a 5 meses. Já 60% das crianças com mobilidade de lábios normal foram aquelas que mamaram por um período de 6 a 11 meses (36%) e acima de 12 meses (24%).
Foi observado que o maior índice de normalidade de postura de lábios, que é fechado, aparece nas crianças que mamaram por um período maior de tempo (6 a 11 e de mais de 12 meses), num total de 72%. As crianças que possuem o maior percentual de postura inadequada de lábios, que é aberta, estão na faixa das crianças que foram amamentadas somente até 2 meses (46%). A postura inadequada de lábios apareceu em 27% das crianças que mamaram pelo período de 3 a 5 meses.

Os resultados mostram, claramente, que as alterações de lábios, ocorreram em maior número em crianças que foram amamentadas por um período curto, confirmando as informações de VAN DER LAAN (10) que diz que a mamada contribui com o vedamento labial e CUNHA (9) que diz que auxilia o crescimento e desenvolvimento das estruturas e funções estomatognáticas.


Concordamos, em parte, com os autores que relatam que quanto maior o tempo de aleitamento, melhor o desenvolvimento do sistema estomatognático. Durante o aleitamento no seio a criança realiza uma força maior do que se tivesse utilizando mamadeira e, assim, realiza o melhor exercício para o desenvolvimento do sistema estomatognático. Porém, novamente foi observado que na faixa de crianças que mamaram por mais de 12 meses não houve melhora em relação ao tônus, à mobilidade e à postura das estruturas estomatognáticas.
Ao analisarmos os achados referentes ao tempo de aleitamento materno e o modo respiratório apresentado pelas crianças, observamos que o maior índice de padrão de respiração de modo nasal foi encontrado nas crianças amamentadas no seio entre os 6 e 11 meses, podemos então comprovar que crianças amamentadas entre os 6 e 11 meses estão mais propícias a desenvolver a respiração nasal do que as crianças que apresentaram o desmame precoce, uma vez que a maior incidência de crianças com padrão de respiração nasal foi de crianças amamentadas entre os 6 e 11 meses. Concordamos, assim, com CARVALHO (8) que afirma que a amamentação possibilita a adequação da respiração, e com PANHOCA, PAFFARO & MELLO (12) que dizem que quando uma criança mama no peito realiza uma respiração pelo nariz, o que promove uma adequada respiração e formação da boca. VAN DER LAAN (10) complementa citando que durante a mamada o bebê não solta o seio materno, mantendo os lábios vedados, respirando somente pelo nariz.
Analisando o resultado da pesquisa no que se refere à mordida de cada criança avaliada, o maior índice de alterações de mordida foi encontrado nas crianças amamentadas no seio até os 2 meses (53%). Também pode-se observar que as crianças que apresentaram maior percentual de mordida normal foram as que receberam o aleitamento materno entre 6 e 11 meses (33%).

GOUVÊA (11) afirma que o ato de sucção da aréola e mamilo propicia um melhor desenvolvimento da cavidade oral, levando a uma melhor oclusão.

Segundo o presente estudo podemos observar que crianças desmamadas precocemente, apresentaram alteração de mordida, provavelmente pelo menor desenvolvimento da cavidade oral.
Quanto à mastigação das crianças avaliadas, podemos observar que o maior índice de padrão alterado de mastigação foi encontrado nas crianças amamentadas no seio até os 2 meses (50%), enquanto 25% das crianças com mastigação alterada foram amamentadas entre 3 e 5 meses. Também pode-se observar que as crianças que apresentaram maior percentual de normalidade de mastigação foram as que receberam o aleitamento materno entre os 6 e 11 meses.

CARVALHO (13) cita que a amamentação favorece o desenvolvimento do sistema estomatognático para que, posteriormente, a criança realize a mastigação de maneira efetiva.

Podemos concluir que o desmame precoce provoca alteração de mastigação, uma vez que durante a pesquisa pode-se observar que crianças amamentadas até os dois meses apresentaram maior índice de alteração de mastigação. Podemos também observar que as crianças que foram amamentadas por um maior período de tempo, apresentaram menores índices de alteração de mastigação, contrapondo-se ao desmame precoce.
Nos dados sobre deglutição encontrados na pesquisa pudemos observar que o maior índice de alteração de deglutição foi encontrado nas crianças amamentadas no seio até os 2 meses e o maior percentual de deglutição normal foram encontrados nas crianças amamentadas pelo período de 6 a 11 meses, representando 36%.

LINO (14) diz que a criança que não fez uso do aleitamento materno não terá a prática da deglutição correta, podendo ocorrer desvio de língua e deglutição atípica.

Nossos resultados concordam com a literatura, uma vez que a maioria das crianças que apresentaram alteração na deglutição foram amamentadas por um período de tempo muito curto, somente até os 2 meses de idade.
Podemos observar durante a pesquisa que o maior índice de alterações de fala apareceu nas crianças amamentadas no seio até os 2 meses (38%), seguido do grupo de crianças amamentadas entre 3 e 5 meses (33%). Também pode-se observar que as crianças que apresentaram maior percentual de fala sem alterações foram as que receberam o aleitamento materno por mais tempo (6 a 11 meses), representando 35% do total de crianças sem alterações de fala.

Nossos resultados concordam novamente com TANIGUTE (15), que diz que o movimento realizado pela mandíbula durante a sucção auxilia tanto no crescimento harmônico da face como no desenvolvimento dos órgãos fonoarticulatórios, responsáveis pela produção dos fonemas.



Conclusão

O presente trabalho teve por objetivo relacionar o tempo de aleitamento materno com o desenvolvimento do sistema estomatognático.

Pudemos observar que as crianças que sofreram o desmame precoce (até 2 meses de amamentação) possuem os maiores índices referentes a alterações dos aspectos miofuncionais, sejam eles referentes às estruturas do sistema estomatognático ou às funções estomatognáticas. Concluímos, assim, que o desmame precoce poderá acarretar alterações significativas no sistema estomatognático.

Após a realização da pesquisa pudemos observar que os índices de normalidade na faixa de crianças amamentadas por mais de 12 meses foram muito próximos aos da faixa de 6 a 11 meses. Portanto, parece que o fato das crianças receberem amamentação no seio por tempo mais prolongado, isto é, mais de 12 meses, não garantiu que elas apresentassem os aspectos estomatognáticos mais dentro da normalidade do que aquelas amamentadas entre 6 e 11 meses, o que pode determinar o tempo de amamentação entre 6 e 11 meses como o ideal para propiciar um bom desenvolvimento do sistema estomatognático.



Referências Bibliográficas

  1. JUNQUEIRA, P. Amamentação, Hábitos Orais e Mastigação: orientações, cuidados e dicas. Rio de Janeiro: Revinter, 1999.




  1. MORAES, E.M.F. In: O aleitamento materno e seus benefícios para a saúde bucal. http://www.ceaodontofono.com.br . 1996




  1. LANA, A.P.B. O livro de estímulo à amamentação: uma visão biológica, fisiológica e psicológica – comportamental da amamentação. São Paulo: Atheneu, 2001.




  1. NEIVA, F.C.B. Desmame Precoce: implicações para o desenvolvimento motor-oral. São Paulo:Jornal de Pediatria, 2003.




  1. MOLINA, O.F. Fisiologia Craniomandibular. São Paulo, Pancast, 1998.




  1. CANNONGIA, M.B; COHEN, F. F. RÉGNIER, G.M.C. Prevenindo os Distúrbios Oromiofuncionais. Rio de Janeiro: Rio Medi Livros, 1990.




  1. MARCHESAN, I.Q. Motricidade Oral: visão clinica do trabalho fonoaudiológico integrado com outras especialidades. São Paulo, Pancast, 1993.




  1. CARVALHO, G.D. A Síndrome do Respirador Bucal: como preveni-la. São Paulo: Pediatria Dia a Dia, 1999.




  1. CUNHA, V.L.O. Prevenindo problemas na fala pelo uso adequado das funções orais: manual de orientação. Carapicuíba: Pró fono, 2001.




  1. VAN DER LAAN, T. A importância da amamentação no desenvolvimento facial infantil. Rev Fono Atual, 1995.




  1. GOUVËA, L. C. Aleitamento Materno. In: Nóbrega FJ, Distúrbios da Nutrição, São Paulo: Revinter, 1998 p 15-31.




  1. PANHOCA, I.; PAFFARO, A.C.; MELLO, J.S. Chupeta e Mamadeira, um Tema da Fonoaudiologia. Rev Fono Atual, 1999.




  1. CARVALHO, G.D. O recém nascido não necessita de mamadeiras ou chupetas. Rev Secretários de Saúde. 1998




  1. LINO, A.P. Ortodontia Preventiva Básica. São Paulo:Artes Médicas, 1990.




  1. TANIGUTE, C.C. Desenvolvimento das Funções Estomatognáticas. In: MARCHESAN, I.Q. Fundamentos em Fonoaudiologia: Aspectos Clínicos da Motricidade Oral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,





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