Osugue et al



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TABELA 1

Características clínicas
Variáveis n = 1.693
Sexo masculino, % 68

Fatores de risco, %

Diabetes melito 40,9

Em uso de insulina 6,1

Hipertensão arterial sistêmica 81,9

Tabagismo 26,9

Dislipidemia 49,7

História familiar de DAC, % 19,5

IAM prévio, % 20,9

RM prévia, % 16,3

ICP prévia, % 18,4

Quadro clínico, %

Assintomático 19,9

Angina estável 34,7



As variáveis contínuas foram expressas em média e

desvio padrão e as categóricas, em números absolutos e porcentual.
RESULTADOS

Síndrome coronária aguda sem supradesnivelamento do segmento ST



Infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST

29
16,4




Neste estudo foram avaliados 1.693 pacientes incluí- dos no endereço eletrônico da CENIC (www.sbhci.org.br) no período previamente citado. As características clínicas
DAC = doença arterial coronária; IAM = infarto agudo do mio- cárdio; ICP = intervenção coronária percutânea; n = número de pacientes; RM = cirurgia de revascularização do miocárdio.



tempo porta-balão de 65 ± 110 minutos. Angioplastia eletiva nesse mesmo subgrupo ocorreu em 19,8% dos pacientes, com média de retardo para o procedimento de 16 ± 11 dias. Angioplastia de resgate foi realiza- da em 10,8% dos casos e angioplastia facilitada, em apenas 0,3% dos pacientes. A média de permanência hospitalar foi de 2,5 ± 5 dias.
A via de acesso femoral foi utilizada em 85,3% dos procedimentos e a via radial, nos demais pacientes (14,7%). As características angiográficas encontradas nessa população demonstram predomínio de pacientes com acometimento uniarterial (35,8%) e os vasos mais tratados foram as artérias coronária direita (33,2%) e descendente anterior (31,5%). Dentre os achados mor- fológicos das lesões tipo C, os mais frequentemente relatados foram calcificação e extensão > 20 mm, com incidência de 43,3% e 21,3%, respectivamente. A média do porcentual de estenose das lesões foi de

87,1 ± 13,2%.

TABELA 2

Características angiográficas e do procedimento
n = 1.693 pacientes/

Sucesso do procedimento foi alcançado em 95,6% dos pacientes. O insucesso decorreu de o se con- seguir ultrapassar a lesão em 1,9% dos pacientes, de ultrapassar mas o se conseguir dilatar a lesão em

1,6% dos casos, e pela ocorrência de oclusão aguda em 0,9% dos procedimentos.
Os resultados clínicos hospitalares estão listados na

Tabela 3. A mortalidade global foi de 2,1%, das quais

77,1% foram decorrentes de causas cardíacas. Infarto agudo do miocárdio ocorreu em 5% dos pacientes, dos quais 77,4% o apresentaram nova onda Q no eletrocardiograma pós-procedimento. o houve ne- nhum episódio de acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico relatado. Oclusão aguda ou subaguda do vaso-alvo tratado foi identificada em 26 (1,53%) pacientes, dos quais 18 (69,2%) foram mantidos em tratamento clínico sem intervenção mecânica, 7 (26,9%) retornaram à sala de hemodinâmica e foram submetidos a nova angioplastia, e 1 (3,85%) paciente foi encami- nhado para cirurgia de forma eletiva. As complicações vasculares maiores e menores foram registradas em 6 (0,4%) pacientes e 28 (1,7%) pacientes apresentaram nefropatia induzida por contraste.
DISCUSSÃO

Variáveis
Número de vasos acometidos, %

2.829 lesões

A classificação das lesões angiográficas foi estabe-



lecida em 1988 por um comitê envolvendo o American

College of Cardiology (ACC) e a American Heart Asso-

Uniarterial 35,8

Biarterial 25

Triarterial 12,2

TCE 2,5


Vasos tratados, %

ciation (AHA), e em seguida validada em uma série de estudos.2-9 Essa classificação teve o propósito de estratificar os cenários angiográficos de acordo com

TABELA 3

Resultados clínicos hospitalares

DA 31,5

CX 13,6

Variáveis n = 1.693

CD 33,2

TCE 1


Ponte de safena 8,4

Lesões calcificadas, % 43,3

Lesões > 20 mm, % 21,3

Lesões com trombo, % 12,2

Lesões oclusivas, % 23,8

Sucesso do procedimento, % 95,6

Mortalidade, n (%) Cardíaca

Não-cardíaca

Não informado

Infarto agudo do miocárdio, n (%) Com onda Q

Sem onda Q

Acidente vascular cerebral

(isquêmico/hemorrágico), n (%)

35 (2,1)


27 (77,1)

6 (17,1)


2 (5,7)

84 (5)


19 (22,6)

65 (77,4)

0


Causas de insucesso, %

Revascularização da lesão-alvo, n (%) 8 (0,5)



Não ultrapassou a lesão 1,9

Ultrapassou e não dilatou 1,6



Oclusão aguda 0,9

Complicações vasculares, n (%) Menores

Maiores

6 (0,4)


3 (0,2)

3 (0,2)



CD = coronária direita; CX = circunflexa; DA = descendente anterior; TCE = tronco de coronária esquerda.

Nefropatia induzida por contraste, n (%) 28 (1,7)


n = número de pacientes.



sua complexidade e, assim, estimar as possibilidades de sucesso e complicações das angioplastias.
Inicialmente propôs-se a divisão em lesões tipo A (baixa taxa de complicações e sucesso > 85%), tipo B (moderado risco de complicações e sucesso entre 60% e 85%) e tipo C (alto risco de complicações e sucesso

< 60%). Posteriormente, Ellis et al.1 recomendaram que as lesões tipo B deveriam ser subdivididas, conforme apresentassem um (lesão B1) ou mais (lesão B2) critérios de gravidade desse subgrupo.
Importante ressaltar que a primeira classificação foi baseada em resultados de procedimentos reali- zados em sua quase totalidade com cateteres-balão, com suas maiores taxas de insucesso e complicações. Com a evolução tecnológica do material utilizado nos procedimentos, além da expressiva colaboração da farmacologia adjunta, essa classificação necessita ser reavaliada.
Wilensky et al.10 analisaram 2.839 pacientes do National Heart, Lung, and Blood Institute Dynamic Registry, com lesões complexas, definidas como lesões com evidência de trombo, calcificação, bifurcações ou localizadas em óstio, e compararam seus resultados com 1.720 pacientes com lesões não-complexas. As lesões complexas foram associadas a maiores chances de dissecção, embolização distal, oclusão de ramo secundário e redução persistente do fluxo coronário. Pacientes com lesões complexas demonstraram menor sucesso do procedimento (93,8% vs. 97,3%; P < 0,001) e maiores taxas hospitalares (P < 0,001) de óbito (2% vs. 0,6%), óbito/infarto agudo do miocárdio (5,2% vs.

2,4%), e óbito/infarto do miocárdio/cirurgia de revas-

cularização (6,5% vs. 2,9%).
Em que pesem as principais limitações deste estu- do, que o a subnotificação dos casos, dado o caráter voluntário das contribuições, e as variáveis com dados incompletos (missing data), fica claro que a antiga classificação das lesões em tipos A, B1, B2 e C, ainda adotada no registro CENIC, o estratifica adequada- mente o sucesso a as complicações do procedimento na era contemporânea.
De fato, uma nova classificação das lesões proposta pela Society for Cardiac Angiography and Intervention (SCAI), versão simplificada da classificação das lesões de 1988 do ACC/AHA (Tabela 4), já demonstrou maior poder de discriminação para sucesso e complicações que a classificação de lesão do ACC/AHA.11 Essa classi- ficação requer somente duas discriminações (lesão C/ não-C e lesão ocluída/não-ocluída), que podem ser distinguidas de forma confiável e reprodutível por ope- radores experientes.
Assim, uma reformulação das variáveis e suas definições utilizadas na caracterização clínica e an- giográfica dos pacientes e da intervenção, a inclusão de todos os procedimentos realizados em um período

pré-especificado, a ampliação do número de instituões, que reflita de forma mais fidedigna a realidade nacional, e a adjudicação dos dados o medidas necessárias para a atualização do registro CENIC.
Mattos12, em editorial recente, sugeriu que medidas de revitalização devem ser aplicadas, com o objetivo de trazer maior robustez ao registro, com encontros perió- dicos dos centros participantes, no sentido de manter o grupo agregado, ativo e estimulado, com a adjudicação dos dados por meio de monitoramento independente e com a ampliação da coleta de dados compreendendo o acompanhamento tardio desses pacientes.


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