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Rev Bras Cardiol Invasiva.

2012;20(1):53-7




Rev Bras Cardiol Invasiva. Osugue et al. 53

2012;20(1):53-7 Registro CENIC: ICP em Lesões Tipo C
Artigo Original

Resultados Hospitalares das Intervenções Coronárias

Percutâneas em Lesões Tipo C: Registro CENIC

Raphael Kazuo Osugue, Vinicius Esteves, Arthur Pipolo, Daniel Silva Ramos, Cristiano Abdel Massih, Ulises A. Solorzono, Galo A. Maldonado, César Augusto Esteves

RESUMO
Introdução: Lesões coronárias tipo C representam um cenário angiográfico complexo embora bastante comum na prática clínica diária da intervenção coronária percutânea (ICP). Nosso objetivo foi apresentar os resultados da prática clínica nacional das ICPs realizadas em pacientes com lesões tipo C. Métodos: Estudo retrospectivo, com informações obtidas a partir dos dados inseridos no registro eletrônico da Central Nacional de Intervenções Cardiovasculares (CENIC) da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), e que agrega informações sobre procedimentos das ICPs reu- nidos em um banco de dados dedicado, com preenchimento voluntário por médicos associados de várias instituições bra- sileiras. Resultados: Entre janeiro de 2010 e dezembro de

2011, foram incluídos 1.693 pacientes com lesões tipo C devidamente cadastrados na CENIC. Predominaram pacientes do sexo masculino (68%), com média de idade de 63 ± 26,3 anos, 40,9% eram diabéticos e 45,4% apresentaram quadros clínicos instáveis. Sucesso do procedimento foi alcançado em

95,6% dos casos, a mortalidade foi de 2,1%, infarto agudo do miocárdio ocorreu em 5% e revascularização da lesão-alvo ocorreu em 0,5% dos pacientes na fase hospitalar. Conclusões: As ICPs em lesões tipo C do registro CENIC apresentaram altas taxas de sucesso e baixas taxas de complicação, numa amostra da população relativamente selecionada. A antiga classificação morfológica das lesões, ainda adotada no regis- tro, o estratifica adequadamente os resultados da ICP na era contemporânea. A atualização da ficha de coleta dos dados e medidas que intensifiquem o controle de qualidade do registro o urgentes e necessárias.
DESCRITORES: Angioplastia. Stents. Doença das coronárias. Sistema de Registros.

ABSTRACT
In-Hospital Outcomes of Percutaneous Coronary

Interventions in Type C Lesions: CENIC Registry
Background: Type C coronary lesions represent a complex angiographic scenario, although it is a rather common one in the daily clinical practice of percutaneous coronary inter- vention (PCI). Our objective was to report the national clinical practice outcomes of PCIs performed in patients with type C lesions. Methods: Retrospective study, with information obtained from the electronic database of the National Center of Cardiovascular Interventions (Central Nacional de Interven- ções Cardiovasculares CENIC) of Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI) which gathers information on PCI procedures in a dedicated database, entered by volunteer physicians members of different Brazilian institutions. Results: Between January 2010 and December 2011

1,693 patients with type C lesions were registered in CENIC. Most patients were male (68%), with mean age of 63 ± 26.3 years, 40.9% were diabetic and 45.4% had acute coronary syndromes. Procedure success was achieved in 95.6% of the cases, mortality was 2.1%, acute myocardial infarction was observed in 5% and target-lesion revascularization in 0.5% of the patients during hospitalization. Conclusions: PCIs in type C lesions had high success and low complication rates in a selected population group of the CENIC registry. The former morphological classification of the lesions, still adopted in the registry, does not properly stratify the outcomes of PCI currently. Updating the data collection form and measures to improve the quality control of the registry are urgently needed.

DESCRIPTORS: Angioplasty. Stents. Coronary disease. Registries.



Hospital Beneficência Portuguesa de o Paulo o Paulo, SP, Brasil. Correspondência: Raphael Kazuo Osugue. Rua Maestro Cardim, 769 Bela Vista o Paulo, SP, Brasil CEP 01323-900

E-mail: rosugue@yahoo.com.br

Recebido em: 3/1/2012 Aceito em: 13/3/012

A
doença arterial coronária apresenta aspecto morfo- lógico bastante heterogêneo e lesões anatomicamente mais complexas continuam sendo um desafio para

a intervenção coronária percutânea. Na era pré-stent, a discrepância nos resultados dos procedimentos dessas lesões em relação às lesões menos complexas era maior, com menores taxas de sucesso e maior número de complicações.1 Em 1988 foi criada a classificação das lesões coronárias de acordo com sua gravidade, esti- mando as taxas de sucesso e de complicações durante





a intervenção coronária percutânea por balão.2 Com o advento dos stents houve maior previsibilidade dos resultados na fase imediata após o procedimento, com menores taxas de oclusão aguda,3-7 em especial em lesões anatomicamente mais complexas. Em decorrência dos melhores resultados obtidos e das novas técnicas incorporadas, houve a necessidade de reformulação dessa classificação e novas definições surgiram, reflexo da experiência adquirida nos procedimentos de mais alta complexidade.8
O objetivo deste estudo foi analisar o perfil e os resultados hospitalares contemporâneos dos pacientes submetidos a intervenção coronária percutânea de le- sões tipo C, registradas no banco de dados da Central Nacional de Interveões Cardiovasculares (CENIC), entre os anos de 2010 e 2011.
TODOS
Estudo retrospectivo, com informações obtidas a partir dos dados inseridos no registro eletrônico CENIC, criado em 1991 pela Sociedade Brasileira de Hemodi- nâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), e que agrega informações sobre procedimentos de intervenção coronária percutânea reunidas em um banco de dados dedicado, com preenchimento voluntário por médicos associados de várias instituições brasileiras.
Para este estudo foram incluídos todos os proce- dimentos registrados no período compreendido entre janeiro de 2010 e dezembro de 2011, que envolveram no filtro de pesquisa do registro as lesões coronárias tipo C. A definição de lesão tipo C foi estabelecida em diretriz americana, e contempla lesões de alto risco de complicações com pelo menos uma das seguintes características: comprimento da lesão > 20 mm, tortuo- sidade excessiva do segmento proximal, segmento-alvo com angulação extrema (> 90 graus), oclusão crônica (> 3 meses), impossibilidade de proteger ramo lateral maior, e enxertos venosos degenerados. Os dados coletados e utilizados neste estudo o relaciona- dos a características clínicas, angiográficas e dos procedimentos, incluindo as complicações da fase hospitalar. As definições de sucesso ou insucesso do procedimento e de complicações da fase hospitalar (óbito, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, revascularização da lesão-alvo)o as ha- bitualmente empregadas quando do preenchimento das fichas relativas a cada procedimento no banco de dados da CENIC.

dos pacientes estão listadas na Tabela 1. Predomina- ram pacientes do sexo masculino (68%), com média de idade de 63 ± 26,3 anos. Observou-se também alta complexidade clínica, com incidência elevada de pacientes com diabetes (40,9%), infarto agudo do miocárdio prévio (20,9%), e procedimentos de revascularização, cirúrgicos (16,3%) ou percutâneos (18,4%), prévios.
Quanto ao quadro clínico que motivou a inter- venção, 54,6% dos pacientes apresentaram quadros estáveis, sendo 34,7% portadores de angina estável e

19,9%, assintomáticos. No cenário das síndromes co- ronárias agudas, infarto agudo do miocárdio com su- pradesnivelamento do segmento ST ocorreu em 16,4% e síndrome coronária aguda sem supradesnivelamento do segmento ST, em 29% dos pacientes. Neste último subgrupo, a estratificação de risco pelo escore TIMI evidenciou que a maioria dos pacientes (57,3%) foi classificada como de alto risco, 24,5% apresentavam risco moderado e 18,2%, baixo risco.
Nos pacientes com infarto agudo do miocárdio e elevação do segmento ST, 77,1% encontravam-se em Killip I, 11,8% em Killip II e 4,5% em Killip III, e 6,6% apresentaram choque cardiogênico. Angioplastia pri- mária foi realizada em 69,1% dos pacientes, com



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