Os efeitos do e-commerce na produtividade das firmas comerciais no Brasil



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Os efeitos do e-commerce na produtividade das firmas comerciais no Brasil


  1. Introdução

Nos últimos anos, a difusão do uso da internet contribuiu de forma decisiva para mudanças organizacionais das firmas brasileiras, especialmente no que se refere aos aspectos relativos às transações comerciais entre empresas, que passaram a adotar de forma mais intensa o comércio eletrônico. Esse é utilizado como estratégia para aumentar a produtividade das firmas – tanto por meio da diferenciação de seus serviços quanto pela redução dos custos.


Conforme Sapprasert (2006), o setor de serviços – do qual o comércio é um subsetor - é tipicamente interativo, o desenvolvimento dessa atividade envolve o estabelecimento de um grande fluxo de informações entre ofertantes de serviços e seus clientes. Nesse aspecto, a eficiência na transferência de informações por meio de ferramentas de tecnologia da informação e de redes de comunicação virtuais contribuiu para a criação de canais de comunicação entre esses agentes, reduzindo os custos transacionais das operações de serviços, aumentando os rendimentos do setor e a qualidade dos serviços oferecidos.
O presente estudo procurar desenvolver uma pioneira avaliação dos efeitos do e-commerce na economia brasileira. Mais especificamente, analisar-se-á os impactos da adoção dessa forma de inovação na produtividade do trabalho nos setores de atacado e varejo. O estudo utiliza uma metodologia econométrica que procurar contemplar os possíveis impactos de endogeneidade e viés de seleção. Ou seja, procura controlar o possível viés causado pelo fato de que a escolha das firmas adotarem ou não o que o e-commerce pode ser influenciado pela sua própria produtividade. A pesquisa utiliza microdados da Pesquisa Anual de Comércio 2007, do IBGE. A metodologia foi utilizada por Bertschek, Fryges e Kaiser (2004) para avaliar o impacto de comércio eletrônico entre firmas (business-to-business) na produtividade de empresas alemãs.
Além desta introdução, o artigo está organizado da seguinte forma. A seção 2 traz o referencial teórico, dividido em duas subseções. A primeira apresenta os estudos referentes ao impacto das TICs na produtividade das firmas. A segunda apresenta as especificidades da produtividade no setor de serviços. A seção 3 apresenta uma análise descritiva da amostra de empresas comerciais investigadas. A seção 4 traz o modelo econométrico que avalia o impacto do comércio eletrônico na produtividade do trabalho das firmas comerciais no Brasil. A seção 4 contém as conclusões e considerações finais do texto.


  1. Referencial teórico


2.1 TICs e produtividade
Em Mendonça, Freitas e Souza (2008), as firmas brasileiras do setor manufatureiro que adotam tecnologias da informação especialmente em sistemas de gerenciamento possuem trabalhadores aproximadamente 13% mais produtivos do que as firmas que não adotam esse tipo de tecnologia. Os pesquisadores, contudo, fazem ressalva de que as empresas que adotam esse tipo de tecnologia em larga escala e mais intensamente são aquelas que apresentam maior capacidade financeira, o que implica dizer que as firmas maiores são aquelas que mais se utilizam desse tipo de tecnologia e, conseqüentemente, o resultado dessa pesquisa é influenciado pelo tamanho da firma, sendo essa uma variável de controle para a estimação da produtividade do trabalho no modelo estimado.
Apesar de apontar a tendência ao aumento da produtividade do trabalho para as firmas brasileiras que adotam tecnologias de informação, esses autores ressaltam que os retornos do investimento nesse tipo de tecnologia para países desenvolvidos são maiores do que os observados para os países em desenvolvimento, o que pode indicar que os ganhos em termos de produtividade para o Brasil ainda que sejam positivos, são menores do que os observados para os países centrais.
Entretanto, comparativamente a outros países em desenvolvimento, a indústria brasileira apresenta resultados melhores em termos de produtividade com a adoção de TICs do que a indústria indiana, segundo estudo divulgado por Basant, Commander, Harrison e Menezes-Filho (2006). Para esses autores, a adoção das tecnologias de informação no Brasil é mais intensiva e os retornos maiores devido ao fato de que o emprego das TICs está associado ao maior grau de educação dos trabalhadores desse país. O grau de educação dos trabalhadores brasileiros está relacionado ao conhecimento de operação dessas ferramentas, permitindo reestruturações gerenciais das empresas com a redução das hierarquias dentro das firmas o que pode influenciar positivamente na agilidade da tomada de decisões e aumento da eficiência em processos gerenciais internos.
O aumento da produtividade associado à implantação de tecnologias de informação na indústria brasileira como mostra esses dois estudos pode ser uma valiosa fonte de conhecimento para traçar hipóteses quanto ao comportamento do setor de serviços. Ainda, pode-se salientar dos resultados apresentados que a adoção de TICs ocorre mais intensamente em firmas maiores e que os retornos desse investimento são maiores quando os trabalhadores têm mais conhecimento sobre o uso dessa tecnologia, elevando a eficiência de seu uso, o que se deve também observar para o setor de serviços.
Apesar de carência de estudos sobre o impacto das tecnologias de informação e comunicação, e especialmente sobre o comércio eletrônico, no Brasil, existem estudos no exterior que traçam relação entre a adoção do comércio eletrônico e o aumento da produtividade no setor de serviços. Para a Austrália, em Dunt e Harper (2002), já são apresentadas evidências de que existe uma relação positiva entre a produtividade no setor de serviços e o emprego das TICs na década de 1990.
Para Lucking-Reiley e Spulber (2001), as transações comerciais entre empresas – business-to-business - por meio do comércio eletrônico inovam justamente porque reduzem o custo dos contratos durante e após a operação, já que a transferência de dados ocorre por meio eletrônico reduzindo os dispêndios com pessoal de escritório para a realização de contratos de papel, processo que normalmente envolve erros. Antes da operação, a tecnologia de internet pode diminuir o custo da pesquisa por fornecedores ou compradores e tomada de preço e comparação de produtos.
A partir desse argumento, pode-se supor que a redução do custo do trabalho, em função da automatização das transações comerciais, reduz a participação do trabalho em termos de custo como fator de produção dessas firmas, aumentando a produtividade do trabalho nesses casos. Essa hipótese foi defendida tanto no trabalho de Bertschek, Fryges e Kayser (2004) quanto por Lucking-Reiley e Spulber (2001), que não rejeitam a hipótese de que a adoção do comércio eletrônico entre empresas afeta positivamente a produtividade do trabalho destas.
Os primeiros ainda defendem que a produtividade do trabalho e o comércio eletrônico são variáveis correlacionadas, posto que as firmas cujas produtividades são maiores têm maior probabilidade de se utilizarem de algum tipo de nova aplicação em tecnologia da informação (como o comércio eletrônico), elevando ainda mais seus níveis de produtividade do trabalho. Portanto, pode-se entender que essas variáveis se influenciam mutuamente.
Não se deve esquecer, entrementes, que o comércio eletrônico não afasta o risco de comportamentos oportunistas e, conseqüentemente, a elaboração de contratos pode constituir uma atividade complexa e que exige freqüentes reformulações. Desta forma, a utilização do comércio eletrônico pode não reduzir o custo de manutenção e cumprimento de contratos, inclusive no tange aos litígios. No entanto, o crescimento do comércio eletrônico contribui para a expansão de mercados geográficos o que reduz os custos na troca de fornecedores e clientes o que pode ser um fator para a redução dos comportamentos oportunistas e, conseqüentemente, redução dos custos de estabelecimento, manutenção e cumprimento de contratos (MADDEN e COBLE-NEAL, 2002).
Além do mais, existem outros efeitos indiretos e estratégicos decorrentes da adoção do comércio eletrônico. Segundo Sellers-Rubio e Mas-Ruiz (2005), um benefício indireto gerado por este tipo de comércio é a melhora da eficiência da organização interna das firmas e mudanças nos relacionamentos entre consumidores e produtores, enquanto um ganho em termos de estratégia deriva da rápida geração de informações, que facilitaria a criação de laços mais estreitos entre compradores e vendedores.
Para esses autores, a implantação dessas novas tecnologias não somente alteram a estrutura de produção das empresas como também influenciam no estilo de governança das mesmas, aumentando a eficiência da tomada de decisão pelas empresas. Com um comportamento mais competitivo, as firmas passam a desenvolver mais produtos e serviços, a executar mais operações em tempo real e gerenciar de forma mais eficiente sua estrutura de custo, promovendo o aumento da produtividade das firmas.
Ainda, pode-se afirmar que a influência do comércio eletrônico e da adoção de infra-estrutura de tecnologia da informação transcende o aumento da produtividade, já que modifica a estrutura do ambiente de competição entre as empresas e o comportamento social, modificando os hábitos de consumo na sociedade.
Não obstante, a adoção do comércio eletrônico entre empresas implica o aumento do custo destas empresas em virtude da implantação de novas tecnologias da informação para a criação de plataformas de comércio na internet. O investimento das empresas para a aquisição de hardware e na manutenção de um sistema de transferência de dados que permita às empresas estarem ativas no comércio eletrônico traduz-se no aumento dos custos fixos das firmas em termos de capital, elevando a participação desse fator de produção.
Sabendo-se que o investimento em tecnologias de informação pelas empresas acompanha o aumento do custo de produção destas em termos de capital, pode-se conjecturar que as empresas não adotam essas tecnologias somente porque têm como objetivo reduzir custos, estas também se valem do comércio eletrônico para diferenciar seus produtos a fim de elevar o preço de mercado destes, posto que em um mercado oligopolístico o objetivo das empresas é o de se tornarem fixadoras de preços, e ampliar sua parcela de mercado pela criação de demanda agregada.
Em Haugland, Myrtveit e Nygaard (2008), o aumento da produtividade para o setor hoteleiro em função da estratégia de venda orientada para o mercado deve-se à orientação dos competidores para os preços praticados pelos líderes de mercado, o que implica na utilização de uma estratégia interação conjunta entre os competidores que possuem conhecimento da tecnologia e das práticas de mercado empregadas pelas empresas líderes. Ao dotarem as mesmas práticas dos concorrentes que lideram o mercado, as empresas desse setor têm como objetivo aumentar sua participação no mercado.
Nessa análise, a decisão das firmas em adotarem o comércio eletrônico integra uma estratégia de interação conjunta entre as empresas cuja intenção não é apenas promover o aumento da produtividade, mas sim, elevar o comércio. Belleflamme (2001) defende que esse posicionamento das firmas pode ocasionar um fenômeno denominado ‘paradoxo produtivo’ em que o massivo crescimento do investimento em TI não leva o aumento geral da produtividade dos fatores de produção.
Esse autor traz evidências em seu estudo de que a maior parte das firmas adota tecnologias de informação com o intuito de diferenciarem seus produtos, sem considerarem se estes investimentos tornarão sua produção mais eficiente, ou seja, se estes reduzirão seus custos de produção.
Se a adoção de comércio eletrônico não visa à redução de custos primeiramente, pode-se afirmar, não obstante, que o contrário pode ocorrer. Conforme Wen (2004), a probabilidade de o comércio eletrônico ser adotado será maior na medida em que ocorrer redução do custo fixo para a criação e manutenção desse tipo comércio e aumento da eficiência da operação por unidade de comércio eletrônico.
A redução dos custos fixos para a implantação do comércio eletrônico deve-se ao desenvolvimento tecnológico do setor de tecnologia de informação e produção em larga escala a preços mais baixos dessas tecnologias empregadas na criação e manutenção desse tipo de comércio. O emprego do comércio eletrônico aumenta a eficiência das operações comerciais e a redução dos custos unitários das transações comerciais, o que pode provocar o aumento da produtividade dos setores que se utilizam dele, contrariando a proposta de Belleflamme (2001) e Casler e Gallatin (1997).
Mudanças constantes da estrutura de tecnologia da informação em decorrência dos avanços tecnológicos podem provocar flutuações no nível de produtividade e eficiência das operações de comércio eletrônico, posto que esse tipo de comércio promove o aumento da interdependência econômica entre os agentes que transacionam nesse ambiente e a troca constante da infraestrutura pode provocar perdas em termos de comércio e transferências de informação, reduzindo o nível de receita das empresas.
2.2 Produtividade no setor de serviços
A diminuição da produtividade dos fatores de produção para o setor de serviços após a Segunda Guerra Mundial já havia sido mensurada no trabalho de Casler e Gallatin (1997) por meio da matriz da matriz tecnológica insumo-produto. A partir desse método tornou-se possível estimar separadamente o efeito do trabalho e do capital na variação da produtividade para esse setor. Segundo os autores, para toda a economia, a produtividade dos fatores de produção para o período de 1963-72 teve um crescimento de 1,347% enquanto que para o período de 1973-82 o aumento foi de apenas 0,437%, indicando redução do ritmo de crescimento entre as duas fases estudadas.
Em termos dos fatores de produção, observa-se que a redução da contribuição no fator trabalho, que acompanhou a diminuição da produtividade dos fatores de produção entre os períodos estudados; para 1963-72, o crescimento da PTF causada pela diminuição na entrada de trabalho por unidade de produção foi de 1,203%, ao passo que para 1973-82, o crescimento da produtividade em função da redução do fator trabalho foi de 0,046%. Para o capital, o redução da participação desse fator de produção levou ao aumento progressivo da produtividade do trabalho nos dois períodos em função desse insumo, sendo, respectivamente, de 0,428% e 0,487%.
A análise do setor de serviços que apresentou comportamento semelhante ao da economia como um todo corrobora as hipóteses defendidas posteriormente por Belleflamme (2001). Segundo Casler e Gallatin (1997), no período de 1963-72 observa-se um decréscimo da produtividade em 0,048%, enquanto entre 1973 e 1982 ocorreu uma diminuição 0,122%, implicando em um crescimento da queda da produtividade do setor de serviços. A redução da produtividade dos fatores de produção foi acompanhada pela redução da participação do trabalho por unidade de produção, com um acréscimo de 0,121% na produtividade no primeiro período e de 0,057%, no segundo período; quanto ao capital, o decréscimo desse fator por unidade de produção levou a um aumento da produtividade em 0,031% entre 1963-72 e de 0,114% entre 1973-82.
Uma crítica de Sellers-Rubio e Mas-Ruiz (2005) ao fenômeno do “paradoxo produtivo” é que este se relaciona com aspectos organizacionais e de aprendizado produtivo das empresas, superando a mera análise do insumo-produto que normalmente se realiza no estudo desse indicador. Para esses estudiosos, o declínio da produtividade nas empresas que empregam tecnologias da informação esperando obter algum ganho produtivo deve-se ao fato de que as empresas que investem neste tipo de capital não têm pessoal treinado para fazerem uso adequado desse tipo de tecnologia, além de não promoverem uma reorganização de seus processos produtivos de forma a obterem vantagens com a utilização dessa estrutura.
Neste sentido, a análise da evolução da produtividade das firmas deve considerar a influência do progresso tecnológico (com a adoção de novas tecnologias de informação no processo produtivo), mas também a eficiência com que estas firmas operam. A falta de eficiência das firmas liga-se a dois dos fatores que Seller-Rubio e Mas-Ruiz (2005) sinalizaram como causas do paradoxo produtivo: má gestão de informação e tecnologia e defasagens devido à aprendizagem e adaptação.
Ainda, deve-se lembrar que a concepção de “paradoxo produtivo” só é válida em termos da produtividade dos fatores de produção, que corresponde à relação entre a totalidade produzida e a soma de todos os fatores de produção ponderados em termos de seus custos. Para essa situação, embora esse tipo de investimento possa de fato levar a uma redução do custo do trabalho em virtude da automação das transações comerciais, observa-se simultaneamente um aumento do custo do capital como fator de produção, impedindo o estabelecimento de uma correlação necessariamente positiva entre produtividade dos fatores de produção e trabalho.
O declínio nos indicadores de produtividade pode estar relacionado às mudanças no setor de serviços que não capturadas pelos indicadores oficiais de produtividade. Caso semelhante é estudado em Ratchford (2003) que analisa a queda do índice oficial que mede a produtividade do trabalho nos Estados Unidos (BLS) para o setor de lojas de varejo de alimentos.
A hipótese investigada pelo artigo é que mudanças na oferta dos serviços prestados pelas lojas de varejo de alimentação não estão inseridos no total da produção mensurada pelo índice de produtividade, ao passo que novas tecnologias informação foram incorporadas com o intuito de elevar o market share das empresas devido ao aumento de sua eficiência e, conseqüentemente, sua produção.
Conforme Ratchford (2003), se o total dos serviços oferecidos por este setor tivesse se mantido constante, teria sido observado aumento na produtividade do trabalho, especialmente pelo fato de que a adoção da tecnologia do scanner (que reduziria os custos de produção destes serviços atuando diretamente na diminuição dos custos de precificação dos produtos comercializados) que contribuiria para o crescimento desse indicador. Os resultados obtidos, contudo, são potencialmente enganosos, pois não capturam as mudanças na estrutura dos serviços ofertados.
Para Crespi, Criscuolo, Haskel e Hawkes (2006), a imprecisão na mensuração dos indicadores de produtividade para o setor de serviços decorre de três aspectos: a grande variedade de atividades mensuradas em diferentes unidades dificulta a padronização da medida empregada para calcular toda a produção e insumos empregados; a natureza da maior parte das atividades de serviços – que em sua maioria são classificadas como intermediárias à produção – é um fator que subdimensiona o cálculo da produção do setor de serviços em termos do PIB; além dessas questões, podemos destacar também as questões conceituais na definição do setor de serviços como sendo capaz de gerar trabalho produtivo e incorporar novas tecnologias.
O primeiro problema apontado pelos autores não parece, contudo, ser de grande gravidade desde que existam deflatores adequados para que a produção de serviços e os insumos empregados nesta possam ser convertidos em termos do volume de produção ou da receita e de custos. Os dois últimos problemas apresentados são mais pertinentes quando tratamos da imprecisão da mensuração da produtividade como causa para o declínio desse indicador.
As atividades de serviços são em sua grande maioria entendidas como atividades intermediárias a produção interna, sendo classificadas em sua grande maioria como insumos à produção (como no caso da atividade financeira) e não como produção final quando calculadas como percentual do PIB em termos do Valor Agregado Bruto. Comparativamente, portanto, às atividades de manufatura, o setor de serviços contribui menos com o PIB, já que a natureza da própria atividade não adiciona valor diretamente a esse indicador.
Desta forma, quando calculada a produtividade do trabalho do setor de serviços, subdimensionada em termos do Valor Agregado Bruto, necessariamente esta será inferior à produtividade do setor de manufatura, o que nos permite afirmar que a imprecisão na mensuração do indicador de produtividade do trabalho é problema eminentemente metodológico nestes termos.
As distorções do ponto vista metodológico quanto à mensuração da produtividade do trabalho, segundo Crespi, Criscuolo, Haskel e Hawkes (2006), podem estar associadas às dificuldades de conceituação do setor de serviços como uma atividade produtiva capaz de agregar valor à sua produção. A incorporação de tecnologia da informação ao setor de serviços se dá por meio do investimento em capital que deve ser capaz de diminuir o custo unitário do valor da atividade de serviço ou aumentar sua receita devido ao incremento no preço do serviço em virtude da criação de demanda. Entendo-se esse segmento da economia como incorporador de tecnologia, é possível prever o aumento da produtividade do trabalho, adequando a mensuração dos fatores de produção em termos de seus custos e a produção em termos da receita adicionada em virtude da mudança nas proporções desses fatores utilizados.


  1. Análise descritiva das empresas do estrato certo da PAC

A Pesquisa Anual de Comércio (PAC) 2007 tem dois modelos de questionários, um simplificado, para firmas com 19 ou menos pessoas ocupadas, e outro completo, para firmas com 20 ou mais pessoas ocupadas. Em 2007, havia 38.339 firmas que responderam o questionário completo, e essas foram objeto das estatísticas apresentadas nessa seção.


O rendimento médio bruto com a revenda de mercadorias por essas empresas nesse ano é de R$ 25.561,57 mil, e a mediana é de R$ 3.325,73 mil, indicando que a maior freqüência desta amostra é composta por pequenas empresas – que são aquelas cuja receita operacional bruta anual é superior a R$ 1.200 mil e iguais ou inferiores a R$ 10.500 mil – e não por médias empresas – que possuem receita operacional bruta anual ou anualizada superior a R$ 10.500 mil e inferior ou igual a R$ 60 milhões1.
As estatísticas apresentadas mostram que a maior freqüência de empresas está entre aquelas que não são exportadoras, o que pode estar relacionado com o fato de que estas empresas são de pequeno porte. A existência de uma quantidade de empresas não exportadoras contribui para reduzir a média da receita bruta advinda das exportações das empresas que para o ano de 2007, que foi de R$ 672,86 mil, representando 2,63% do faturamento médio das empresas do setor de comércio.
Na Tabela 1, apresentamos a média das receitas brutas das unidades do estado da matriz e daquelas fora do estado da matriz, indicando o percentual da receita bruta obtida em UF fora da UF da matriz. Por intermédio dos valores apresentados, pode-se inferir que a maior parte do faturamento das empresas do setor de comércio no Brasil é obtida pelas unidades localizadas no estado de origem dessas empresas.
A média receita bruta das unidades no estado da matriz é de R$ 18.672,00 mil, o que corresponde a 73% do faturamento médio das empresas de serviços anualmente, enquanto a receita bruta média obtida pelas unidades da empresa em estado diferente daquele da matriz é de R$ 6.931,00 mil, equivalente a 27% do faturamento médio das empresas.


Tabela 1. Média e Mediana da Receita Bruta das Empresas do Setor de Serviços no Brasil em 2007 (em R$ mil).

 

Receita Bruta das Unidades no Estado da Matriz

Receita Bruta das Unidades nos Estados Diferentes da Matriz

Receita Bruta

Valor em R$ (em mil)

Percentual (%)

Valor em R$ (em mil)

Percentual (%)

Valor em R$ (em mil)

Percentual (%)

Média

18.672,00

73,0

6.931,00

27,1

25.561,00

100,0

Mediana

3.206,00

 

0,00

 

3.325,00

 

Fonte: Elaboração própria, a partir de microdados da Pesquisa Anual do Comércio 2007 (IBGE).
A localização geográfica das empresas no território nacional é outro fator importante para a identificação dos mercados das firmas do setor de comércio no Brasil. Em média, cada empresa possui 2 unidades em seu estado de origem (estado no qual está sediada a matriz) e menos de 1 unidade em estados diferentes daquele em que está sediada a matriz. Pode-se ainda constatar que o maior número de empresas da população analisada tem apenas uma unidade em seu estado de origem, não apresentando filiais em outras localidades.
A média da idade das firmas brasileiras do setor de serviços é de 15,45 anos, sendo que existe um maior número de firmas cuja idade é de aproximadamente 14 anos. Se considerarmos a distribuição da idade média das firmas brasileiras normal, podemos ainda afirmar que 68,27% das empresas possuem idade média entre 5,31 e 25,59 anos. Desta forma, pode-se considerar que as empresas que atuam no setor de comércio no Brasil são longevas devido à média elevada da idade das firmas. Esses dados, contudo, podem esconder elevadas taxas de mortalidade entre as firmas mais jovens ou recém-criadas que ainda não conseguiram se consolidar no mercado.
Quanto aos profissionais empregados pelas empresas de serviços, o tempo de estudo médio desses indivíduos é de 9,58 anos, ou seja, a média de seus trabalhadores tem o ensino fundamental completo. Essa informação pode nos levar a considerar que o setor de comércio no Brasil conta com mão-de-obra pouco qualificada e especializada, esta característica pode ser um empecilho à adoção do comércio eletrônico, já que o gerenciamento das atividades de comércio eletrônico exige maior preparo dos trabalhadores em termos de conhecimento de ferramentas de informática.
A baixa qualificação da mão-de-obra pode ser expressa pela reduzida presença de profissionais capacitados em tecnologia da informação nessas empresas, que corresponde a 0,01% do total das pessoas empregadas pelo setor. Se a média do pessoal ocupado pelas empresas é de 76 pessoas, com a maior parte das empresas empregando cerca de 30 funcionários, pode-se afirmar que em média existe menos de uma pessoa empregada por empresa que seja um profissional de tecnologia da informação (TI).
A carência de profissionais de TI no setor de comércio brasileiro pode estar ligada ao fato de que a maior parte das empresas desse segmento é formada por pequenas empresas, conforme classificação do IBGE (uma empresa é categorizada como de pequeno porte quando tem entre 10 e 49 empregados). Esses profissionais provavelmente estão concentrados nas empresas de maior porte que dispõem de mais recursos para contratarem profissionais especializados em TI.
Das 38.339 empresas, apenas 888 adotam comércio eletrônico, o que corresponde a um percentual de 2,31% do total das firmas. Destas empresas, 855 são empresas de capital nacional (96,28%) e 833 não exportam (93,81%). Embora exista um alto percentual de empresas que não praticam comércio eletrônico no país, sendo a maior freqüência delas constituída por empresas nacionais e não-exportadoras, em termos relativos existem mais empresas multinacionais e exportadoras que praticam essa estratégia de comércio em detrimento daquelas.
Enquanto 10,06% das empresas multinacionais adotam essa prática de comercialização, apenas 2,30% das nacionais a escolheram. Quanto à categoria comércio internacional, as exportadoras também superam as não-exportadoras ao adotarem o comércio eletrônico; enquanto das primeiras, 7,79% também praticam comércio eletrônico, as empresas que não vendem no exterior contam com apenas 2,26% de suas firmas que também realizam o comércio eletrônico. Essas informações são apresentadas na Tabela 2, em que é apresentado o número de unidades das firmas categorizadas pela adoção do comércio eletrônico e divididas em termos da origem do capital e comércio internacional para o ano de 2007.
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