Os acordos comerciais sob uma perspectiva de gênero


Os acordos comerciais como documento político e objeto de ação social



Baixar 290.36 Kb.
Página5/5
Encontro07.10.2019
Tamanho290.36 Kb.
1   2   3   4   5

2.2. Os acordos comerciais como documento político e objeto de ação social


As principais críticas dos movimentos feministas na América Latina às negociações dos acordos comerciais entre os diversos países vêm sendo, por um lado, a falta de transparência e participação popular – aspecto geral, que atinge a população como um todo – e, por outro, a falta de uma abordagem de gênero, que reconheça as desigualdades entre homens e mulheres e, de alguma maneira, contribuam para diminuí-las através de cláusulas ou considerações específicas.

O documento político produzido conjuntamente por GEM-WIDE-CISCSA (2001) reflete bem estes dois eixos de demanda. Com relação ao primeiro aspecto, as editoras do texto afirmam que “a globalização da economia e a concentração do poder econômico fazem com que para aqueles que não são especialistas, seja cada vez mais difícil identificar claramente os mecanismos do comércio internacional bem como os responsáveis por ele e os processos inerentes ao mesmo” (pg. 11). A questão apontada é estrutural e insere o movimento feminista em uma demanda mais ampla: princípios democráticos e transparentes, que dêem maior visibilidade às discussões internas de instâncias como a Organização Mundial do Comércio (OMC). O segundo aspecto refere-se especificamente à falta de uma perspectiva que enxergue as desigualdades internas entre grupos sociais e, nesse sentido, reproduza a estrutura social vigente: “cremos que a falta de um compromisso explícito com a defesa dos direitos das mulheres e seu empoderamento e a falta de vontade política para superar as relações desiguais de poder entre homens e mulheres debilita o potencial dos acordos comerciais” (pg.12).

No plano prático, a segunda crítica se desdobra numa série de recomendações, algumas destas destacadas por Cagatay (2002)30:


  • Incluir especialistas na temática de gênero nas equipes de negociação comercial. Garantir maior participação da mulher e adotar uma perspectiva de gênero na formulação de políticas comerciais.

  • Articulação do setor privado e sociedade civil para identificar aqueles setores que sofrem um maior impacto da liberalização comercial e formular medidas específicas para aliviar os efeitos negativos que as mulheres sofrem.

  • Reunir informação e estatísticas sobre os setores nos quais trabalham homens e mulheres e sobre os salários que recebem. Disponibilizar estes dados.

  • Desenvolver ferramentas específicas e indicadores para análise sistemática dos vínculos entre comércio e gênero.

Estas e outras recomendações analisadas pela autora indicam a crescente preocupação do movimento de mulheres em ter suas demandas discutidas e incorporadas em discussões que ocorrem a nível macro. Na realidade, esta linha de ação parte da constatação de que os acordos comerciais são instâncias de alto poder decisório e influência direta na vida cotidiana das populações. Ou seja, busca-se primeiramente através da introdução de alguma cláusula nos acordos que explicite o reconhecimento da temática de gênero e destaque a importância de uma atuação que não aprofunde os processos de exclusão social.

Dentro deste contexto, as resoluções sobre gênero no âmbito da União Européia31 podem ser utilizadas como referência, não por ser um modelo ideal, mas pelo estabelecimento de compromissos claros tornando-se um marco para negociações posteriores e para novos acordos. Evidentemente, este avanço europeu reflete uma discussão mais amadurecida e uma consciência coletiva acerca da necessidade de intervenção formal dos estados no sentido de assegurar uma igualdade de oportunidades para todos os cidadãos.

A estruturação dessa nova perspectiva parte da análise das origens, das fontes e dos mecanismos reprodutores das discriminações de gênero e suas conseqüências práticas já se refletem na promoção de políticas de fomento da igualdade entre homens e mulheres, particularmente no mundo do trabalho. Um exemplo claro vem sendo as chamadas ações afirmativas, que buscam corrigir tradicionais práticas discriminatórias através do estímulo à igualdade de tratamento, remuneração, ascensão de carreira, promoção e formação entre trabalhadores homens e mulheres. Como aponta Capellin (2000), muitas das ações afirmativas nas empresas no contexto da União Européia refletem o novo patamar do diálogo entre trabalhadores, sindicatos, Estado e empresários em favor da igualdade de fato.

A utilização dos acordos de livre comércio para dar visibilidade à temática da exclusão e legitimar ações que promovam uma maior equidade de gênero vem instaurando uma nova esfera de disputa política entre diferentes atores sociais. As possibilidades que se abrem do ponto de vista de novas institucionalidades e reversão deste debate em ações concretas são de largo alcance e podem vir a contribuir significativamente com mudanças de padrões e comportamentos sociais ainda vigentes em países como o Brasil, marcados por uma desigualdade de gênero que se reflete em indicadores básicos.

3. Considerações Finais

Como dito anteriormente, os trabalhos que analisam as relações entre comércio e gênero no Brasil são pouco numerosos. Uma parte é dedicada à proposição de medidas para redução da discriminação e, neste sentido, a parte analítica sobre os vínculos entre comércio e gênero – e, mais ainda, sobre o impacto dos acordos comerciais sobre as mulheres – é bastante exploratório. Outra parte dos artigos se dedica à evolução do mercado de trabalho, com ênfase nas questões de gênero, e abordam, então, o tema de comércio internacional para explicar a evolução do mercado de trabalho feminino nos anos 90.

Estes últimos trabalhos se deparam, no entanto, com uma dificuldade presente na análise dos impactos da abertura comercial e de todas as outras políticas e reformas conduzidas ao longo dos anos 90: a dificuldade de separar analiticamente os efeitos de todos estes fenômenos sobre o mercado de trabalho brasileiro.

Um programa de pesquisa nesta área deverá buscar responder as seguintes questões:



  1. Como as políticas comerciais tratam as questões de gênero? Elas contemplam as duas diferentes dimensões do trabalho feminino (reprodutivo e produtivo)? Quais são os efeitos destas políticas comerciais sobre os dois tipos de trabalho feminino?

  2. Quais são as características de determinado setor em termos de internacionalização (exportações, importações e até presença de investimento estrangeiro), emprego, tecnologia e quais são suas implicações para as relações de gênero?

  3. Como o comércio afeta os preços, a renda e o consumo? Este ponto é importante do ponto de vista sobretudo do bem-estar das mulheres enquanto consumidoras e chefes de família ou gestoras do lar. Em outras palavras, este aspecto é importante sobretudo do ponto de vista do trabalho reprodutivo.

  4. Como o comércio afeta outros aspectos relativos à qualidade de vida das mulheres, tais como meio ambiente, aspectos culturais, entre outros?

  5. Analisando-se no sentido inverso de causalidade, deve-se perguntar como as desigualdades de gênero afetam a performance comercial dos países? Diversos estudos mostram que economias agrícolas, por exemplo, onde as mulheres detêm as pequenas propriedades e praticam economias de quase subsistência, não somente os efeitos da abertura são reduzidos como também estas economias podem não ter condições de competir no mercado internacional. A discriminação da mulher em termos de capacitação e acesso à informação, identificada em diversos países (Cagatay, 2002), também podem comprometer a evolução da produtividade das economias.

Em termos de método, as pesquisas podem seguir duas direções. Em primeiro lugar, podem ser feitos trabalhos de campo, com entrevistas e questionários. Este tipo de trabalho contribui de forma sobretudo qualitativa, auxiliando na compreensão e mesmo na identificação de efeitos destes acordos. Também são fundamentais para compreender a percepção dos agentes sobre aquele fenômeno. Aqui a escolha dos entrevistados deve levar em conta as circunstâncias em que eles vivem/trabalham, principalmente se estão expostos aos efeitos da abertura comercial e da integração regional.

Em segundo lugar, podem ser feitos trabalhos empíricos, de caráter mais quantitativo, para medir os efeitos econômicos da integração regional sobre a vida das mulheres. Aqui, existem duas vertentes que são normalmente exploradas. A maioria dos trabalhos analisa informações estatísticas para tentar captar os efeitos dos acordos comerciais. A metodologia neste caso é relativamente simples – normalmente, são apresentados indicadores básicos porém muito informativos. Como as estatísticas referentes ao trabalho e à renda são de fácil acesso, os trabalhos tendem a se concentrar nestes aspectos. Uma sugestão de tema de pesquisa é o cálculo do conteúdo em trabalho feminino das exportações e importações segundo os parceiros comerciais a fim de examinar quais seriam os prováveis impactos em termos de geração/destruição de emprego feminino de cada um dos acordos. Este tema é compatível com a metodologia utilizada na análise dos impactos dos acordos de livre comércio no Chile desenvolvida por Frohmann e Romaguerra (1998) que prevêem possíveis efeitos de determinado acordo sobre cada setor da economia e, de acordo com a composição por sexo dos setores, as autoras fazem um diagnóstico da situação das mulheres.

Outro grupo de trabalhos vem usando metodologias mais sofisticadas – os modelos de equilíbrio geral computáveis (MEGC) – para examinar as repercussões em termos de Gênero das políticas comerciais. Estes modelos tentam reproduzir a economia como um todo e quando se concentram sobre determinado tema, tratam com maiores detalhes o bloco de variáveis concernidas.32 Estes modelos, no entanto, podem ser bastante simplificadores ao adotarem algumas hipóteses heróicas.33

Referências bibliográficas


ABRAMO, L. “Oportunidades e novas experiências de trabalho para a mulher no contexto da reestruturação produtiva e da integração regional”. In: A. Vogel e E. Nascimento (orgs) Mulher e Mercosul. Vol. II. Fortaleza, LACSO/BID/UNIFEM, 1999.

ARRIAGADA, I. “Realidades y mitos del trabajo urbano en América Latina”. Série Mujer e Desarrolo nº 21. Santiago del Chile, CEPAL, 1997.



Baumann, R., Rivero, J. e Zavattiero, Y. “As tarifas de importação no Plano Real”. Pesquisa e Planejamento Econômico, vol. 27, n. 3, dezembro, 1997.

Berlinski, J. (org.) Sobre el beneficio de la integración plena en el MERCOSUR. Red Mercosur, Ed. Siglo Vinteuno, Buenos Aires, 2001.

Bonnelli, R. e Fonseca, R. Ganhos de Produtividade e de Eficiência: Novos Resultados para a Economia Brasileira. Texto para Discussão no. 557, Rio de Janeiro : IPEA, 1998.

Bonnelli, R. e Rahn, L. Resenha dos estudos recentes sobre as relações comerciais brasileiras, Texto para Discussão 708, Rio de Janeiro : IPEA, 1999.

Bonnelli, R. The labor productivity in Brazil during the nineties. Texto para Discussão no. 906, Rio de Janeiro : IPEA, 2002.

BRUSCHINI, C. “Brasil: La calidad del empleo de las mujeres. Continuidades y cambios”. In Más y Mejores Empleos para las Mujeres? Santiago del Chile, Oficina Internacional del Trabalho (OIT), 2000.



Bruschini, C. “Gênero e Trabalho no Brasil: Novas conquistas ou persistência da discriminação? (Brasil 85-95)” In: M. I. Rocha (org.) Trabalho e Gênero - Mudanças, Permanências e Desafios. São Paulo, Editora 34, 2000.

CAGATAY, N. Genero, Pobreza y Comercio. Departamento de Economia, Utah University, mimeo, 2002.

CAPPELIN, P. “Ações afirmativas, gênero e mercado de trabalho: a responsabilidade social das empresas na União Européia”. In: M. I. Rocha (org.) Trabalho e Gênero - Mudanças, Permanências e Desafios. São Paulo, Editora 34, 2000.

Carvalho Jr., M. C. Alguns aspectos da reforma aduaneira recente. Texto para Discussão n. 74. Rio de Janeiro: Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior, novembro, 1992.

Castilho, M. “Mercosur: création ou détournement de commerce? ” Document de Travail 1998/no4, Paris : Centre d'Etudes sur les Spécialisations Economiques et Financières Internationales, 1998.

Castilho, M. Impactos de acordos comerciais sobre a economia brasileira: resenha dos trabalhos recentes. Rio de Janeiro : IPEA, mimeo, 2002.

Cepal. El Regionalismo Abierto en América Latina y el Caribe – La Integración Económica al Servicio de la Transformación Productiva con Equidad. Santiago do Chile: Nações Unidas; ou “O Regionalismo Aberto na América Latina e no Caribe: A Integração Econômica a Serviço da Transformação Produtiva com Equidad”. In: BIELSCHOWSKY, R. (org.). Cinquenta Anos de Pensamento na CEPAL.. Rio de Janeiro: Ed. Record, 2000.

CEPAL Panorama Social de América Latina 1998. Santiago: CEPAL, 1999.

COSTA, D. e NEVES, M. (orgs). A condição feminina nos países do Mercosul. Sistema Integrado de Indicadores de Gênero nas Áreas de Trabalho e Educação. Capítulos 1, 4 e 7. Rio de Janeiro, IBAM, 2002.

ESPINO, A. “La banca multilateral y la perspectiva de género en América Latina”. In Antología Latinoamericana y del Caribe. Mujer e Género Periodo 80-90. Vol. 11. Nicarágua, Editora UCA, 1999.



Fausto, A (org). Mulher e Mercosul. Fortaleza: FLACSO/BID/UNIFEM/UNESCO, 1999.

FONTANA, M. & WOOD, A. “ Modelling the effects of trade on womem, at work and at home.” World Development. Vol. 28. N. 7 July 2000.

FRADE, L. “Globalización Económica e Internacionalización del Estado: oportunidades y retos para las mujeres”. In Libre Comercio: promesas versus realidades. Salvador, Heinrich Böll, 2000.

FROHMANN, A. & ROMAGUERRA, P. “Los acuerdos de libre comercio y el trabajo de las mujeres: el caso de Chile. Revista da CEPAL, nº65, 1998.

GEM- WIDE- CISCSA- CIEDUR. Instrumentos para la equidad de género. UE- Mercosur- México. Bruges, Graphic Group Vanden Broele, 2001.

GEM- WIDE- CISCSA. Comercio Internacional y desigualdad de género – Un análisis de los acuerdos comerciales entre la Unión Europea y América Latina: El caso de México y del Mercosur. Bruges, Graphic Group Vanden Broele, 2001.

GIAMBIAGI, F. e MOREIRA, M. (org.) A economia braisleira nos anos 90. Rio de Janeiro : BNDES, 1999.

Gonçalves, R., Baumann, R., Prado, L. C. e Canuto, O. A Nova Economia Internacional – Uma Perspectiva Brasileira. Rio de Janeiro : Ed. Campus, 1998.

Haguenauer, L., Markwald, R. e Pouchet, H. Estimativas do valor de produção industrial e elaboração dos coeficientes de exportação e importação da indústria brasileira (1985-96). Texto para Discussão no. 563, Rio de Janeiro : IPEA, 1998.

Hirata, H. “Reestruturação produtiva, trabalho e relações de gênero”. In Revista Latino-americana del Estudios del trabajo, ano 4, nº 7, 1998.

Hirst, M. “Contexto e estratégia do programa de integração Argentina-Brasil”. Revista de Economia Política, vol. 8, n° 3, junho.

JOEKES, S. “The Demographics of Female Labour Suplí and Immiserisation in Developing Countries under Globalization”. In: IUSSP Committee on Gender and Population Seminar on Women in the Labour Market in Changing Economies: Demographic Issues. Roma, 1999.



Kume, H. e Piani, G. “A tarifa externa comum no Mercosul: avaliação e propostas de mudanças”. In: Chudnovsky e Fanelli (org.) El desafío de integrarse para crecer – balance y perspectives del Mercosur en su primera década. Buenos Aires: Siglo Veintiuno de Argentina Editores, 2001.

Kume, H., Piani, G. e Souza, C.F. A política brasileira de importação no período 1987-98: descrição e avaliação, IPEA, Rio de Janeiro : mimeo, 2000.

Laplane, M. e Sarti, F. Investimento Direto Estrangeiro e o Impacto na Balança Comercial nos Anos 90. Texto para Discussão no. 629, Brasília : IPEA, 1999.

LAVINAS, L. “Evolução do desemprego feminino nas áreas metropolitanas”. In: M. I. Rocha (org.) Trabalho e Gênero - Mudanças, Permanências e Desafios. São Paulo : Editora 34, 2000.



Lavinas, L. “Empregabilidade: Uma noção conjugada no feminino”. In O Trabalho das mulheres. São Paulo : SOFI, 1998.

Lisboa, M., Menezes-Filho, N. e Schor, A. Os efeitos da liberalização comercial sobre a produtividade: competição ou tecnologia? XXIV Encontro Nacional de Econometria, SBE, Nova Friburgo, 2002.

Maia, K. (2001a) Progresso tecnológico, qualificação da mão de obra e desemprego. Tese de doutorado, Departamento de Economia, Universidade de Brasília.

Maia, K. (2001b) O impacto do comércio internacional, da mudança tecnológica e da demanda final na estrutura de emprego, por nível de qualificação, no Brasil, 1985 – 1995. Apresentado no Encontro Nacional de Economia, 11 a 14 de dezembro, Salvador.

Moreira, M. e Correa, P. Abertura comercial e indústria : o que se pode esperar e o que vem se obtendo ? Texto para discussão, no. 49, Rio de Janeiro : BNDES, 1996.

MOREIRA, M. A indústria brasileira nos anos 90 - o que já se pode dizer ? in Giambiagi e Moreira, 1999.

NEVES, M. “Reestruturação produtiva, qualificação e relações de gênero”. In: M. I. Rocha (org.) Trabalho e Gênero - Mudanças, Permanências e Desafios. São Paulo, Editora 34, 2000.

OIT “Informe sobre el empleo en el mundo”. Genebra, OIT, 1999.



Oliveira Jr., M. A liberalização comercial brasileira e os coeficientes de importação — 1990/95. Texto para Discussão no. 703. Rio de Janeiro : IPEA, 2000.

Oliveira Jr., M. Abertura comercial e câmbio valorizado: um bom caminho para a reestruturação industrial e para uma melhor inserção do Brasil na economia mundial?, Instituto de Economia, UFRJ, mimeo, 2002.

PEY, C. “ El ALCA y su impacto posible en la vida de las mujeres”. In: El ALCA: propuesta y los impactos esperados.

PIANI, G., KUME, H. Fluxos bilaterais de comércio e blocos regionais: uma aplicação do modelo gravitacional. Pesquisa e Planejamento Econômico, vol. 30, no.3, 2000.

Pochamnn, M. A década dos mitos. São Paulo : Editora Contexto, 2001.

RANGEL, A. “Mudança tecnológica e gênero no Brasil. Primeiras reflexões”. Novos Estudos CEBRAP, nº35, março, 1993.

RANGEL, A. “América Latina, globalização, gênero e trabalho”. In Antologia Latinoamericana. Mulher e gênero período 80-90. Vol 11. Nicarágua, Ed, UCA, 1999.

REINECKE, G. & VALENZUELA, M.E. “La calidad del empleo: Un enfoque de género”. In Más y Mejores Empleos para las Mujeres? Santiago del Chile, Oficina Internacional del Trabalho (OIT), 2000.

RODRIK, D. What does the political economy literature on trade policy (not) tell us that we ought to know?. 1994 (NBER Working Paper, 4.870).

SEGUINO, S. “ Gender inequality and economic growth: a cross-country análisis”. World Development. Vol. 28. N. 7 July 2000.

SINGH, A. e ZAMMIT, A. “ International capital flows: identifying the gender dimension”. World Development. Vol. 28. N. 7 July 2000.

Soares, S., Santos Servo, L. e Arbache, J. O Que (não) Sabemos sobre a Relação entre Abertura Comercial e Mercado de Trabalho no Brasil. Texto para Discussão no. 843, Rio de Janeiro : IPEA, 2001.

Sorj, B. e Bruschini, C. Excluídas do progresso. Texto para discussão em internet (http://www.intelecto.net/cidadania/bila1.htm, extraído em 25/10/2002)

SPARR, P. Basic Building blocks for a gender & trade analysis. North-American gender and trade network, # 1 in NAGT-US Economc Literacy Series, 2002.

VALENZUELA, M. E. “La situación laboral y el acceso al empleo de las mujeres en el Cono Sur”. In Más y Mejores Empleos para las Mujeres? Santiago del Chile: Oficina Internacional del Trabalho (OIT), 2000.

VANDER, M. “Mujeres: Perdedoras de la liberalización del comercio”. In: Fundação Heinrich Böll (org.) Libre Comercio: promesas versus realidades. Salvador : Heinrich Böll, 2000.



VEIGA, P.M. (Org.) Cone Sul: a economia política da Integração. Rio de Janeiro: Funcex, 1991.

Yeats, A. “ Does Mercosur’s Trade Performance Raise Concerns about the effects of Regional Trade Arrengements? ”, World Bank Policy Research Working Paper 1729, Washington : World Bank, 1997.

Dep. Legal Nº 324.701

Archivo :02/03

1 Reproduzindo Kume et al (2000), que citam (Horta, Piani e Kume, 1991): “Os níveis tarifários a serem aplicados por categorias de produtos e os critérios usados para esta definição foram: a) alíquota de 0%, para produtos com clara vantagem comparativa (exportáveis), produtos com elevado custo de transporte internacional, bens sem produção nacional e "commodities" com pequeno valor adicionado; b) alíquota de 5%, para produtos que já possuíam este nível em 1990; c) alíquota de 10%, para produtos agrícolas e derivados; d) alíquotas de 10, 15 e 20%, para produtos que, em sua cadeia produtiva, utilizam insumos básicos com tarifa de 0%; e) alíquota de 20%, para o restante dos produtos. As exceções à regra geral foram estabelecidas sob as seguintes justificativas: produtos com tecnologia de ponta, como os de informática (alíquota de 35%) e os de química fina (30%); o grau elevado de encadeamento para trás, como no caso de automóveis, caminhões e motocicletas (35%); e produtos com baixa competitividade relativamente aos países asiáticos: eletro-eletrônica de consumo (30%).” (p. 5)

2 Estas tiveram que ser retiradas face à condenação da OMC às medidas. Elas foram substituídas pela re-elevação das tarifas e por medidas de incentivos à produção automobilística (Kume et al, 2000).

3 Daí o apelido de âncora verde...

4 A ALALC foi criada nos anos 60 com o objetivo de alcançar uma liberalização comercial profunda entre os países latino-americanos no prazo de 12 anos. os objetivos não foram atingidos grande parte devido às políticas protecionistas nacionais. Eram membros da ALALC – e se tornariam mais tarde, membros da ALADI : Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

5 Criada em 1980, ela difere da iniciativa anterior basicamente por funcionar como uma espécie de coordenadora de acordos bilaterais, o que concedeu maior flexibilidade ao processo de integração. Estes acordos estão ainda em vigor e observou-se nos anos 90, uma retomada do dinamismo intra-regional.

6 Para uma análise das origens e primeiros anos do Mercosul, ver Veiga (1991)

7 A aproximação entre Brasil e Argentina não é uma coincidência: na realidade, os regimes militares alimentavam de cada lado as ambições de liderança continental.

8 Uma opção “industrialista” teria como preocupação central a reestruturação do aparato produtivo e o avanço no processo de industrialização em direção de novas atividades com maior valor agregado (Veiga, 1991). Para o autor, a ênfase “comercialista” tem origem nas dificuldades das tentativas anteriores de integração na região.

9 G. Pianni realizou uma pesquisa sobre todos os conflitos entre os países do Mercosul nos anos 90 (artigo em elaboração, IPEA, 2001).

10 Ver Kume e Piani (2001) para uma discussão sobre as mudanças na TEC e as vantagens de manter-se uma união aduaneira.

11 Ver Berlinski (2001).

12 O crescimento do comércio intra-regional suscitou uma importante polêmica sobre os efeitos de criação e desvio de comércio engendrados pelo Mercosul (para este debate, ver: Yeats [1997], Castilho [1998] e Kume e Piani [2000]).

13 Ver CEPAL (1994).

14 O início das negociações Chile-EUA – oficialmente abertas em dezembro de 2000 – surpreendeu os governos do Mercosul.

15 Os grupos são os seguintes: acesso a mercados, investimentos, serviços, compras governamentais, solução de controvérsias, agricultura, direitos de propriedade intelectual, subsídios, antidumping e mesures compensatórias, política de concorrência.

16 Além de uma parte dos produtos agrícolas não serem contemplados, parte importante dos produtos cuja oferta européia é de liberalização imediata já desfrutam de tarifa nula. Além disto, não está ainda definido se nos benefícios do Sistema Geral de Preferências, concedido a todos os países em desenvolvimento, serão aplicados durante o período de transição.

17 Ver a divergência de resultados segundo as metodologias e algumas observações sobre as mesmas em Castilho (2002).

18 A teoria neoclássica admite a existência de custos de ajustamento, mas suportam que no longo prazo os benefícios superam fortemente os custos. Rodrik (1994) discute os benefícios da abertura para os países em desenvolvimento.

19 Ver Moreira (1999) para uma explicação mais longa destes aspectos.

20 Laplane e Sarti (1999) discutem os impactos dos investimentos diretos estrangeiros sobre a balança comercial.

21 Os coeficientes apresentados aqui são os de Haguenauer et allii. (1998), porém, outros cálculos podem ser encontrados em Mesquita e Correa (1996), Oliveira Jr. (2000).

22 O coeficiente de penetração das importações corresponde à razão entre importações e consumo aparente, que é igual à produção mais as importações deduzidas as exportações. Já o coeficiente de exportações corresponde ao peso destas na produção doméstica. Ambos são indicadores de abertura ou de grau de integração comercial da economia.

23 Vale assinalar que estes indicadores não levam em conta o uso de insumos importados. Quando estes são considerados, os coeficientes podem variar bastante. Para a economia como um todo, Oliveira Jr. (2000) aponta um aumento de 50% do coeficiente importado.

24 Ver Soares et allii (2000) para uma resenha sobre as relações entre abertura e mercado de trabalho no Brasil e em particular sobre a aplicabilidade ou não do teorema Hecksher-Ohlin à economia brasileira.

25 Tanto Bonnelli e Fonseca (1998) quanto Lisboa, Menezes-Filho e Schor (2002) sustentam que o aumento de produtividade é devido principalmente ao barateamento dos insumos resultante da abertura comercial.

26 Maia ainda isola o efeito do progresso técnico, além do crescimento da produtividade e o desempenho comercial.

27 Ver Castilho (2002) para este ponto.

28 Esta « classificação » é derivada de Sparr (2002).

29 Rangel (1993) já havia afirmado que, especialmente na indústria de transformação, os guetos ocupacionais femininos e masculinos teriam sido reforçados por razões relacionadas à qualificação.

30 Taller III prévio ao taller sobre Países Menos Desenvolvidos: Construir Capacidades para incluir o tema de gênero nas estratégias de desenvolvimento

31 Resolução sobre gênero (1995) e a Regulação sobre gênero (1998).

32 Fontana e Wood (2000), por exemplo, introduzem em um MEGC o tempo de ócio e de reprodução familiar, distinguindo o trabalho feminino do masculino.

33 Ver Castilho (2002), para um comentário sobre estes modelos, aplicados especificamente às temáticas de integração regional.





1   2   3   4   5


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal