Origens da Teoria das Relações Humanas



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Origens da Teoria das Relações Humanas




  • A Teoria das Relações Humanas surgiu da necessidade de se corrigir a forte tendência à desumanização do trabalho surgida com os métodos rigorosos, científicos, precisos e mecanistas das teorias da Escola Clássica.

  • O desenvolvimento das Ciências Humanas, como a psicologia e sociologia, e as tentativas de aplica-las aos métodos de trabalho.


  • O trabalhador e respectivos sindicatos passaram a visualizar e a interpretar a Administração Cientifica como um meio sofisticado de exploração dos empregados a favor dos interesses patronais.

  • As conclusões da Experiência da Hawthorne, realizada por Elton Mayo.

A Experiência de Hawthorne

Em 1927, na fábrica da Western Electric Company, no bairro de Hawthorne, Mayo iniciou sua experiência que se tornaria famosa. Inicialmente, a finalidade seria determinar a relação entre a intensidade da luz e eficiência dos operários, medida por meio da produção. Logo se estendeu ao estudo da fadiga, dos acidentes no trabalho, da rotatividade do pessoal e efeito das condições físicas de trabalho sobre a produtividade do trabalhador.

A experiência foi realizada em quatro fases:

Primeira Fase: os operários foram divididos em dois grupos, um onde a luz permanecia constante e um segundo onde a luz seria variável. Notando a produtividade do segundo grupo notaram existir um fator que também determina a produção, o fator psicológico. Os pesquisadores trocavam as lâmpadas por outras de mesma voltagem e os trabalhadores produziam como se estivessem trabalhando com uma outra luminosidade, verificaram ter uma relação entre a produtividade e intensidade de luz na qual o operário achava estar trabalhando.

Segunda Fase: seis moças da área de montagem de reles, formaram o grupo de observação, e notando a produtividade mediram as diferenças que certas alterações do método de trabalho fariam.

Terceira Fase: assustados com a diferença entre as moças do grupo de observação e as outras os pesquisadores passaram a largar seu interesse inicial e se dedicar ao estudo das relações humanas no trabalho. Em 1928 iniciaram o Programa de Entrevistas onde conseguiram identificar a presença de uma organização informal entre os funcionarias.

Quarta Fase: verificou que os trabalhadores apresentavam uma certa uniformidade de sentimentos e solidariedade grupal, todos trabalhavam mais ou menos a uma velocidade constante para que os mais lentos não fossem prejudicados. Nessa etapa Mayo pode estudar as relações entre a organização informal e organização formal.

Das conclusões tiradas da experiência de Hawthorne surgiram os princípios básicos da Escola de Relações Humanas:




  1. Nível de Produção é Resultante da Integração Social

O que realmente influi no nível de produção não é a capacidade física e técnica do operário, como dizia a Escola Clássica, e sim o grau de integração social do elemento. Por mais bem preparado física e tecnicamente que o funcionário esteja ele não apresentará um bom nível de produção se não estiver socialmente integrado ao grupo.



  1. Comportamento Social dos Empregados

Mayo constatou que indivíduo sofre influência do grupo, que nem a própria cota de produção o funcionário escolhia individualmente, ele sofria pressão para que sua cota não baixasse e nem subisse muito da média dos outros. Se algum operário produzisse muito a mais que os outros, o grupo imporia punições sociais ou morais, no sentido de se ajustar aos padrões do grupo. Os trabalhadores não respeitam as tanto normas da Administração (às suas decisões, às suas normas, recompensas e punições) quanto as leis sociais impostas pelo grupo. É a teoria do controle social sobre o comportamento.


  1. As Recompensas e Sanções Sociais

Durante a experiência constatou-se que operários que produziam fora da média perdiam o respeito dos colegas, como uma forma de punição social. Notou-se que era preferível, entre os funcionários, deixar de ganhar dinheiro a perder as relações amistosas entre eles. Para os pensadores Clássicos a forma ideal de melhorar a produção eram as recompensa econômicas, enquanto para Escola de Relações humanas as pessoas são incentivadas pela necessidade de “reconhecimento”, de “aprovação social” e de “participação” nas atividades do grupo onde convivem.


  1. Grupos Informais

Os pesquisadores Humanos se concentravam nas relações informais existentes na empresa, e notaram que, muitas vezes, divergindo da estrutura definida pela empresa existem diversos grupos informais, que constituem a organização prática, real, da empresa. Também notaram que dentro desses grupos existiam regras de comportamento, formas de recompensas ou punições sociais, objetivos, escalas de valores, crenças e expectativas que cada indivíduo do grupo ia assimilando em seu dia a dia.

Por grupos informais entendemos um conjunto de indivíduos suficientemente pequeno, de forma que possam comunicar-se entre si direta e frequentemente.1


  1. As Relações Humanas

Cada integrante do grupo tem uma personalidade diferente e que influi no comportamento e atitude dos demais, ao mesmo tempo que a personalidade dos demais também influencia nos seus comportamentos e atitudes, isso acontece pela procura de ser melhor aceito dentro do grupo. O comportamento individual é muito influenciado pelo meio ambiente e pelas normas informais existentes no conjunto. Portanto, relações humanas são as ações e atitudes desenvolvidas pelos contatos entre pessoas e grupos.

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1 Vide Bresser Pereira. Duas Escolas em Confronto. Op. cit.

  1. A Importância do Conteúdo do Cargo

Os Clássicos diziam que a especialização do trabalho, ou seja uma pessoa fazer algo muito simples como apenas apertar um parafuso, seria um ótimo meio de aumentar a produção, mas a Escola de Relações Humanas notou que afetava negativamente a moral dos trabalhadores, reduzindo sua eficiência e satisfação. Até notaram que em um local de produção, onde método de produção em serie era usado, os operários trocavam de posição para variar e não ficar muito monótono.



  1. Ênfase nos Aspectos Emocionais

Os aspectos emocionais foram muito estudados por todos pensadores da Escola de Relações Humanas. Daí o fato de serem chamados por alguns autores de Sociólogos da Organização.

Principais diferenças entre as Teorias:


Teoria Clássica

Teoria das Relações Humanas

Trata a organização como máquina


Trata a organização como grupos de pessoas

Enfatiza as tarefas ou a tecnologia

Enfatiza as pessoas

Inspirada em sistemas de engenharia

Inspirada em sistemas de psicologia

Autoridade centralizada

Delegação de autoridade

Linhas claras de autoridade

Autonomia do empregado

Especialização e competência técnica

Confiança e abertura

Acentuada divisão do trabalho

Ênfase nas relações entre as pessoas

Confiança nas regras e nos regulamentos

Confiança nas pessoas

Clara separação entre linha e staff

Dinâmica grupal e interpessoal

Homo economicus

Homo social



O Homo Social
Ao fazer a critica implacavel do homo economicus como modelo de natureza humana, a Escola de Relações Humanas sugeriu para substituí-lo o modelo de homo social.

Três são as principais características desse modelo:



  1. o homem é apresentado como um ser cujo comportamento não pode ser reduzido a esquemas simples e mecanistas;

  2. o homem é, a um só tempo, condicionado pelo sistema social e pelas demandas de ordem biológica;

  3. em que pesem as diferenças individuais, todo homem possui necessidade de segurança, afeto, aprovação social, prestígio e auto-realização.


As Grandes Figuras da Escola de Relações Humanas
Mary Parker Follet, foi percursora da Escola de Relações Humanas e seus escritos são muito anteriores aos estudos Hawthorne, formulou três métodos para solução do conflito industrial:

  • o método da força;

  • o método da barganha;

  • o método da integração.

A autora dizia que, para a utilização do método da integração, muita imaginação e estudo aprofundado do problema se faziam necessários, advertindo que nem sempre a solução pelo método da integração era viável. Na verdade, a eficiência de qualquer dos três métodos dependerá em última instância, das relações de força entre os grupos em conflito.

Outros dois importantes autores foram Roethlisberger e Dickson pelas suas experiência, representada pela obra Management and the Worker.

Os resultados dessa pesquisa na “sala de equipamentos de PBX”, mostraram que:


  1. havia surgido um líder espontaneamente pelo consentimento ativo do pequeno grupo de trabalhadores;

  2. os incentivos financeiros tinham completam indiferença do grupo;

  3. os valores e costumes do grupo eram mais importantes aos indivíduos que o compunham que os benefícios pecuniários.

Havia, assim um código oficial de comportamento, exercendo poderes influencia sobre os integrantes do grupo e impondo-lhes regras que regulavam a produção a despeito das recompensas monetárias.

Um outro pensador que se colocava entre teóricos de Relações Humanas e os behavioristas, mas que também tratou dos problemas administrativos foi Chester Barnard. Assim, como outros autores de relações Humanas, deslocou a análise da organização formal para os grupos informais. Barnard, em sua obra As Funções do Executivo conceitua a organização informal deforma tão abrangente que acaba por confundi-la com qualquer sistema social não organizado.

Outras figuras de grande importância que não poderia deixar de ser mencionadas são Harold J. Leavit, Douglas McGregor, Irving KnickerBocker, Alex Bavelas e Elton Mayo, o grande nome da Teoria das Relações Humanas.


Referência Bibliográfica Consultada


  1. CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração I. 5. ed. Rio de Janeiro:

Campus, 1999.

  1. MOTTA, Fernando C. Pertes. Teoria Geral da Administração: uma introdução. 20. ed.

rev. e ampl. São Paulo: Pioneira, 1996, 212 p. .

  1. Teorias das Relações Humanas. ADM Brasil [on-line] www.admbrasil.com.br

18/10/2000

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL


Teoria das Relações Humanas

Carlos Felipe Rosa Feoli

0522/00-3

Introdução a Ciência Administrativa



ADM01185 B



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