Orientações Gerais



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Comunicação Científica


GEOMETRIA ANALÍTICA E REGISTROS DE REPRESENTAÇÃO SEMIÓTICA: CONVERSÃO ENTRE OS REGISTROS LÍNGUA NATURAL E ALGÉBRICO
GT 02 – Educação Matemática no Ensino Médio e Ensino Superior
Joseide Justin Dallemole, Doutoranda do PPGECIM- ULBRA- Canoas-RS, jjdallemole@yahoo.com.br

Claudia Lisete Oliveira Groenwald, ULBRA-Canoas-RS, claudiag@ulbra.br
Resumo: Este artigo apresenta o cenário virtual implementado no sistema Sistema Integrado de Ensino e Apendizagem (SIENA) e os resultados respectivos ao conceito de Conversão da Representação Língua Natural para a Representação Algébrica e da Representação Algébrica para a Língua Natural da Circunferência, o qual é um recorte da pesquisa com o conteúdo de Geometria Analítica fundamentada na teoria de Duval sobre os Registros de Representação Semiótica. A pesquisa visou investigar as dificuldades de alunos de Licenciatura em Matemática na conversão dos Registros de Representação Semiótica em conteúdos de Geometria Analítica, e as possíveis contribuições do sistema SIENA para a identificação destas possíveis dificuldades e na recuperação individualizada destes conteúdos. Adotou-se a metodologia qualitativa, com ênfase no método de estudo de caso. Abrangeu dez alunos do curso de Licenciatura em Matemática, da Universidade Luterana do Brasil/Canoas-RS. Contatou-se que os alunos possuem dificuldades na conversão entre estes registros devendo-se valorizar mais esta abordagem no processo de ensino e aprendizagem.
Palavras-chave: Registros de Representação Semiótica; Geometria Analítica; Sistema Integrado de Ensino e Aprendizagem (SIENA); Ensino e Aprendizagem.

Introdução
Esta investigação faz parte do convênio de pesquisa, firmado desde 2005, entre o grupo de Tecnologias Educativas da Universidade de La Laguna (ULL) em Tenerife, Espanha, juntamente com o grupo de Estudos Curriculares de Educação Matemática (GECEM), da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). A pesquisa que está sendo realizada por estes grupos tem como título: Inovando o Currículo de Matemática através da Incorporação das Novas Tecnologias, e como um dos resultados, está o desenvolvimento do Sistema Integrado de Ensino e Aprendizagem (SIENA), o qual é um sistema inteligente para apoiar o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem, e permite estudo, avaliação e recuperação de conteúdos de uma disciplina qualquer, aliando a tecnologia, enquanto recurso pedagógico, à este processo.

Neste artigo apresenta-se o cenário virtual implementado no sistema SIENA e os resultados respectivos ao conceito Conversão da Representação Língua Natural para a Representação Algébrica e da Representação Algébrica para a Língua Natural da Circunferência, o qual é parte da pesquisa fundamentada na teoria de Duval, sobre os Registros de Representação Semiótica. Esta pesquisa foi realizada com dez alunos do curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Luterana do Brasil, visando investigar as dificuldades destes na conversão entre diferentes Registros de Representação Semiótica em conceitos de Geometria Analítica, e investigar as possíveis contribuições do sistema SIENA na recuperação individualizada de tais conceitos.


Sistema Informático SIENA
O SIENA é um sistema inteligente para apoio ao desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem de um conteúdo qualquer (MORENO ET AL., 2007). O SIENA foi desenvolvido a partir de uma variação dos tradicionais mapas conceituais (NOVAK e GOWIN, 1988), sendo o mapa conceitual utilizado no SIENA denominado de Grafo Instrucional Conceitual Pedagógico - PCIG (Pedagogical Concept Instructional Graph), que permite a planificação do ensino e da aprendizagem de um tema específico. O PCIG não ordena os conceitos segundo relações arbitrárias, estes são colocados de acordo com a ordem lógica em que devem ser apresentados ao aluno. Portanto, o PCIG deve ser desenvolvido segundo relações do tipo “o conceito A deve ser ensinado antes do conceito B”, começando pelos nodos1 dos conceitos prévios, seguindo para os conceitos fundamentais, até atingir os nodos objetivos.

O sistema é composto por um PCIG ligado a um teste adaptativo que gera o mapa individualizado das dificuldades do estudante, e ligado ao grafo está a sequência didática para cada conceito avaliado, conforme a figura 1.



Figura 1: Esquema do sistema SIENA.


Para cada conceito do PCIG devem ser cadastradas perguntas, que irão compor o banco de questões dos testes adaptativos de cada nodo, com o objetivo de avaliar o grau de conhecimento que o aluno possui de cada um destes conceitos. As perguntas são de múltipla escolha, classificadas em fáceis, médias e difíceis, sendo necessário definir, para cada pergunta: o grau de sua relação com o conceito; o grau de sua dificuldade; a resposta verdadeira; a possibilidade de responder a pergunta considerando exclusivamente sorte ou azar; a estimativa do conhecimento prévio que o aluno tem sobre esse conceito; tempo de resposta (em segundos) para o aluno responder à pergunta. O teste adaptativo estima o grau de conhecimento do aluno para cada conceito, de acordo com as respostas do estudante. Para isso o teste adaptativo vai lançando perguntas aleatórias ao aluno, com um nível de dificuldade de acordo com as respostas do estudante ao teste. Se o aluno vai contestando corretamente, o sistema vai aumentando o grau de dificuldade das perguntas, e ao contrário, se a partir de um determinado momento o aluno não responde corretamente, o sistema diminui o nível de dificuldade da pergunta seguinte. O sistema dispõe de um mecanismo de parada, quando já não pode obter uma maior estimativa sobre ao grau de conhecimento de um conceito, ou quando não existam mais perguntas. A ferramenta informática parte dos conceitos prévios, definidos no PCIG, e começa a avaliar os conceitos, progredindo sempre que o aluno consegue uma nota superior ao estipulado, pelo professor, no teste.

O sistema possui dois bancos de dados. As figuras 2 e 3 apresentam respectivamente o primeiro e segundo banco de dados fornecidos pelo SIENA.



Figura 2: Exemplo de um banco de dados fornecido pelo SIENA de um nodo do PCIG.



Figura3: Exemplo do banco de dados de um teste adaptativo de um nodo do PCIG.


O sistema possui duas opções de uso: a primeira serve para o aluno estudar os conteúdos dos nodos do PCIG, que estão ligados a uma sequência didática que possibilita este estudo, e realizar o teste, para informar quais são seus conhecimentos sobre determinados conteúdos; a segunda opção oportuniza, ao aluno, realizar o teste e estudar os nodos nos quais apresentou dificuldades, sendo possível uma recuperação individualizada dos conteúdos nos quais não conseguiu superar a média estipulada como necessária para avançar no PCIG.
Problema de Investigação

No ensino e aprendizagem de Geometria Analítica, de acordo com Silva (2006), constata-se que muitos alunos apresentam dificuldades ao lidar com as diversas representações gráficas e algébricas de curvas planas. Duval (apud Silva 2006), afirma que a razão das dificuldades identificadas por diferentes pesquisas relacionadas às tarefas de leitura e interpretação de representações gráficas, está no fato do aluno desconhecer a correspondência semiótica entre o registro das representações gráficas e da escrita algébrica. A preocupação com tais dificuldades mencionadas associada à formação de professores de Matemática, leva ao interesse em investigar quais as dificuldades que alunos de Licenciatura em Matemática apresentam em relação à conversão entre os Registros de Representação Semiótica no conteúdo de Geometria Analítica, e as possíveis contribuições do sistema inteligente SIENA para a identificação destas possíveis dificuldades e na recuperação individualizada destes conteúdos.



Objetivos

O objetivo geral da pesquisa foi: investigar quais as possíveis dificuldades que um grupo de alunos de Licenciatura em Matemática apresentam em relação à conversão entre os Registros de Representação Semiótica no conteúdo de Geometria Analítica (Reta e Circunferência), e as possíveis contribuições do sistema inteligente SIENA para a identificação das dificuldades individuais e recuperação dos conceitos nos quais estes alunos apresentaram dificuldades.

Este artigo é um recorte desta pesquisa, apresentando a implementação do cenário virtual no SIENA e os resultados referentes ao conceito Conversão da Representação Língua Natural para a Representação Algébrica e da Representação Algébrica para a Língua Natural da Circunferência. Os objetivos específicos relativos a este conceito são: desenvolver um grafo para implementação no sistema SIENA, com conteúdos de Geometria Analítica relacionando com os Registros de Representação Semiótica; investigar questões e atividades didáticas relacionadas a conversão entre os registros língua natural e a representação algébrica da Circunferência, em livros do Ensino Médio; desenvolver o banco de questões para os testes adaptativos e implementar no sistema SIENA; desenvolver uma sequência didática com os conceitos de Circunferência e a conversão entre os registros língua natural e representação algébrica e implementar no SIENA para que cada aluno realizasse a recuperação, conforme as dificuldades que viesse a apresentar; implementar2 uma experiência no sistema SIENA.
Pressupostos Teóricos

A teoria de Raymond Duval (2004) sobre Registros de Representações Semióticas - definida por ele como “produções constituídas pelo emprego de signos pertencentes a um sistema de representação, os quais têm suas dificuldades próprias de significado e de funcionamento.” (Duval, 1993 apud DAMM, 2002, p.143) - tem se mostrado, de acordo com Machado (2003), um importante instrumento de pesquisas concernentes à aquisição de conhecimentos matemáticos e à organização de situações de aprendizagem desses conhecimentos.

Especificamente na Matemática Duval (2004) afirma que ela permite uma grande variedade de representações: sistemas de numeração, figuras geométricas, escritas algébricas e formais, representações gráficas e língua natural. Segundo Duval (2003), existem quatro tipo diferentes de representações semióticas, representadas na figura 4.





Representação Discursiva

Representação não-discursiva

REGISTROS MULTIFUNCIONAIS: Os tratamentos não são algoritmizáveis.

Língua Natural

Associações verbais (conceituais).

Forma racional: argumentação a partir de observações, de crenças...; dedução válida a partir de definições ou uso de teoremas.


Figuras geométricas planas ou em perspectiva.

Apreensão operatória e não somente perspectiva;

Construção com instrumentos.


REGISTROS MONOFUNCIONAIS: Os tratamentos são principalmente algoritmos.

Sistemas de escritas: numéricas (binárias, decimal, fracionária...); algébricas; simbólicas (línguas formais).

Cálculo


Gráficos cartesianos.

Mudanças de sistema de coordenadas;

Interpolação, extrapolação.


Figura 4: Quadro da classificação dos diferentes registros mobilizáveis no funcionamento matemático.

Duval (2003, p.14)


Conforme Damm (2002), toda a comunicação estabelecida na Matemática é com base em representações. Os objetos estudados são conceitos, propriedades, estruturas, relações que podem expressar diferentes formas de representações semióticas. Damm (2002), salienta ainda, que a Matemática trabalha com objetos abstratos, ou seja, não são objetos diretamente perceptíveis ou observáveis, necessitando para sua apreensão o uso de representações por meio de símbolos, signos, códigos, tabelas, gráficos, algoritmos, desenhos, pois permitem a comunicação entre os sujeitos e as atividades cognitivas do pensamento matemático. No entanto, para compreensão da Matemática é fundamental que o aluno faça a distinção entre o objeto matemático e sua representação.

A formação de uma representação de um registro de acordo com Damm (2002) pode ser comparada à realização de uma tarefa de descrição. Para a autora, é necessária uma seleção de características e de dados do conteúdo a ser representado, e depende de regras que asseguram seu reconhecimento e possibilidade de utilização para tratamento.

Segundo D’Amore (2005) a construção de conceitos matemáticos depende muito da capacidade de utilizar vários registros de representação semiótica de tais conceitos, representando-os em um dado registro, tratando tais representações no interior de um mesmo registro e fazendo a conversão de um registro para outro.

Os tratamentos para Duval (2003) são transformações de representações dentro de um mesmo registro: por exemplo, efetuar um cálculo ficando estritamente no mesmo sistema de escrita ou de representação dos números; resolver uma equação ou um sistema da equações; completar uma figura segundo critérios de conexidade e de simetria.

Já as conversões de representações são segundo Duval (2003, p.16) “transformações de representações que consistem em mudar de registro conservando os mesmos objetos denotados: por exemplo, passar da escrita algébrica de uma equação à sua representação gráfica”. Para Duval (2003) é necessário distinguir o tratamento da conversão, e se esta consiste em uma simples mudança de registros ou em uma mobilização em paralelo de dois registros diferentes.

Um dos problemas do ensino da Matemática é que na maioria das vezes, conforme Damm (2002), leva-se em consideração apenas as atividades cognitivas de formação de representações e os tratamentos necessários a cada uma, mas no entanto o que garante a apreensão conceitual do objeto matemático é a coordenação, pelo aluno, entre vários registros de representação. Em palavras semelhantes Duval (2003) afirma que há uma variedade de registros de representação de um mesmo objeto matemático, e a articulação desses registros é fundamental para a compreensão deste, embora várias abordagens didáticas não levem em conta esse fato.


Metodologia da Investigação

Adotou-se como metodologia de pesquisa a abordagem qualitativa com um enfoque no método de um estudo de caso. Desta forma, a investigação para o conceito Conversão da Representação Língua Natural para a Representação Algébrica e da Representação Algébrica para a Língua Natural da Circunferência foi desenvolvida nas seguintes etapas: desenvolvimento do referencial teórico sobre Registros de Representação Semiótica com os conteúdos de Geometria Analítica; período de estudos na ULL para familiarização com o ambiente virtual SIENA; construção do cenário virtual de investigação, o qual teve as seguintes ações: desenvolvimento do PCIG contendo o nodo Conversão da Representação Língua Natural para a Representação Algébrica e da Representação Algébrica para a Língua Natural da Circunferência, desenvolvimento do banco de questões após a investigação de atividades em livros didáticos de Matemática do Ensino Médio, desenvolvimento da sequência didática de acordo com o tema proposto; realização da experiência com 10 alunos do curso de licenciatura em Matemática da Universidade Luterana do Brasil –ULBRA, campus Canoas, utilizando o Sistema SIENA; análise dos resultados a partir dos dados colhidos durante a experiência.

Os instrumentos de coleta de dados para foram: um questionário sobre as informações gerais para determinar o perfil dos estudantes participantes do experimento, os bancos de dados do SIENA, e os registros escritos da resolução das questões pelos alunos.
O Cenário Virtual de Investigação

Para a implementação da experiência no SIENA construiu-se inicialmente um esquema, conforme figura 5, com os conceitos prévios, básicos, intermediários e conceitos avançados, com simulações que poderiam ser construídas com o auxílio dos softwares winplot e flash, sobre os conteúdos de Reta e Circunferência, para as questões e atividades didáticas.



Figura 5: Esquema com conceitos de reta e circunferência.


A seguir, desenvolveu-se o PCIG, conforme figura 6, dos nodos com os objetos matemáticos, Reta e Circunferência, fundamentado nos conceitos apresentados na figura 5 e nos Registros de Representação Semiótica. Os testes adaptativos, realizados pelos alunos, alunos iniciam com as conversões entre os registros de língua natural e algébrico, sendo que cada nodo, seguindo a indicação das setas, é predecessor do nodo acima.

Figura 6: PCIG com reta e circunferência.


Neste artigo relata-se a organização do cenário virtual desenvolvido para o nodo Conversão da Representação Língua Natural para a Representação Algébrica e da Representação Algébrica para a Língua Natural da Circunferência. O banco de questões para o desenvolvimento dos testes adaptativos deste nodo foi desenvolvido com 30 questões, sendo 15 em um sentido da conversão e 15 no sentido oposto, divididas em 10 fáceis, 10 médias e 10 difíceis. A figura 7 apresenta dois exemplos de questões deste nodo.

Figura 7: Exemplos de questões do nodo Conversão da Representação Língua Natural para a Representação Algébrica e da Representação Algébrica para a Língua Natural da Circunferência.


As atividades didáticas da sequência didática deste nodo foram desenvolvidas com o auxílio dos softwares: power point, JClic, flash, e foram disponibilizados sites que abordam o conteúdo estudado, para possível consulta pelos alunos. No design do cenário da página inicial da sequência didática, estão documentos digitais, em que há links de acesso às atividades didáticas que contêm: o histórico e aplicações da Geometria Analítica; apresentação em power point, salvas em html, com um resumo ilustrado do conteúdo de Circunferência; atividades interativas como frases com lacunas para preencher, quizes e atividades com simulações; e hiperlinks dos sites. A figura 8 apresenta o design do cenário da sequência didática do nodo em questão.

Figura 8: Cenário da sequência didática do nodo Conversão da Rep. Lígua Natural para Algébrica e da Rep. Algébrica para a Língua Natural da Circunferência.


A figura 9 apresenta um exemplo de uma questão de um problema que contém uma simulação de engrenagens, desenvolvido com o software flash.

Figura 9: Problema desenvolvido com o software flash



Resultados

O desempenho dos alunos foi analisado através dos dois bancos de dados, gerado pelo SIENA, para cada teste realizado pelos alunos, como mostrado anteriormente nas figuras 2 e 3. As notas estão compreendidas no intervalo [0,1 e 1), sendo que foi estabelecido o índice 0,6 para o desempenho considerado satisfatório para cada nodo.

De modo geral, as dificuldades apresentadas neste nodo, sobretudo no primeiro teste, estavam relacionadas com o desconhecimento de termos como “...lugar geométrico dos pontos equidistantes...” e “ ...o conjunto de pontos equidistantes...”, pois alguns alunos expressaram tal dúvida, dificuldades de interpretação e na escrita algébrica em questões que apresentavam parâmetros, cuja a variação provoca uma translação no gráfico da circunferência. Ainda, foi possível perceber que houve muitos erros nos tratamentos relativos a passar a equação da forma geral para a reduzida, erros em calcular os quadrados dos binômios, erros de multiplicação. Também, outros erros bem frequentes como, o de não elevar o raio ao quadrado na formação da equação reduzida, trocar a abscissa pela ordenada na equação reduzida e ainda, no cálculo para encontrar o raio da circunferência com base em dois pontos (centro e outro ponto da circunferência), como aconteceu com o aluno 8, que tomou o ponto do centro da circunferência errado, apresentado pela figura 10.


Figura 10: Registro 3 do aluno 8.


Este recorte ilustra bem o uso do registro gráfico, como registro intermediário, na tentativa de visualizar a posição da circunferência de acordo com o centro dado, neste caso, com a equação dada, conforme aparece, o objetivo era somente encontrar o raio. A dificuldade, neste caso, foi igualar o raio ao quadrado a oito e encontrá-lo.

Na tabela 1 apresenta-se um esboço do rendimento dos alunos, onde neste nodo aponta, de modo geral, uma dificuldade mediana pelos mesmos.

Tabela 1

Desempenho dos alunos no nodo Conversão da Língua Natural < -- > Representação Algébrica da Circunferência



Conforme a tabela 1, os oito alunos que realizaram o primeiro teste, apresentaram dificuldades neste nodo e um desempenho muito inferior ao índice 0,6, considerado como satisfatório. Após estudos de recuperação, propostos na sequência didática deste nodo, os alunos obtiveram resultados satisfatórios.

Salienta-se que foi proposto aos alunos questões que envolvem dois registros de natureza distintas, sendo a língua natural um registro multifuncional e o registro algébrico um registro monofuncional, o que conforme Duval (2003), torna a conversão entre eles mais complexa.

O sentido da conversão na qual os alunos tiveram maior dificuldade, julgando proporcionalmente o número de questões apresentadas pelo sistema durante os testes, ficaram por conta do sentido da Conversão da Representação Linguagem Natural para Algébrica da circunferência. Assim, pode-se dizer que o processo de ensino e aprendizagem requer que se valorize mais este tipo de abordagem.


Referências

DAMM, Regina Flemming. Registros de Representação. In: MACHADO, Silvia Dias Alcântara et al. Educação Matemática: uma introdução. 2.ed. São Paulo: EDUC, 2002, p. 135-153.


D’AMORE, Bruno. Epistemologia e didática da Matemática. 1. ed. São Paulo: Escrituras Editora, 2005, 123p.
DUVAL, Raymond. Registros de Representações Semióticas e Funcionamento Cognitivo da Compreensão em Matemática. In: MACHADO, Silvia Dias Alcântara (Org.). Aprendizagem em Matemática: Registros de Representação Semiótica. Campinas, SP: Papirus, 2003, p.11-33.
DUVAL, Raymond. Semiosis y Pensamiento Humano: Registros Semióticos y Aprendizajes Intelectuales. Universidade Del Valle: PeterLang, 2004.
NOVAK, Josephd; GOWIN, D. Bob. Aprendiendo a aprender. Barcelona: Ediciones Martínez Roca S.A, 1988.
MORENO, Lorenzo R. et al. Hacia um Sistema Inteligente basado em Mapas Conceptuales Evolucionados para la Automación de un Aprendizaje Significativ. Aplicación a La Enseñanza Universitaria de la Jerarquía de Memoria. XIII Jornadas de Enseñanza Universitaria de La Informática. Teruell, Espanha, julho de 2007.
SILVA, Carlos Roberto da. Explorando Equações Cartesianas e Paramétricas em um Ambiente Informático. São Paulo: PUC, 2006. (Dissertação de Mestrado em Educação Matemática).

1 São os títulos dos conceitos que fazem parte do grafo PCIG.

2 Implementar está sendo utilizado, nessa investigação, no sentido de desenvolver, aplicar e avaliar.

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