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Fonte: Enfermagem no ciclo gravídico-puerperal. BARROS, Sonia Maria Oliveira de

Tabela de notas segundo informação da Dra. Virgínia Apgar.


Em relação ao RN que nasce com importante depressão respiratória, geralmente causada por asfixia antes do nascimento, necessitam de reanimação imediata, sem esperar pela determinação da nota do índice de Apgar de um minuto de vida.

Em situações em que o bebê está respirando, porém sem regularidade, a aspiração da boca e da orofaringe e a administração de oxigênio poderão constituir um tratamento suficiente para melhorar sua função respiratória. Às vezes a estimulação sensorial como fricção nas costas do RN, palmada na sola dos pés do bebê, ou dando-se várias vezes piparotes de com um dedo contra seus calcanhares, podem estimular a respiração (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Se essas medidas citadas não produzem um efeito ventilatório satisfatório, tornam-se necessárias a aspiração e a ventilação com pressão positiva com bolsa e máscara ou intubação traqueal, assim como administração de oxigênio.

Para a reanimação do RN é muito importante à equipe estar preparada para o atendimento. Deve-se dispor o tempo todo de pessoal e equipamento para o processo, para que o RN possa receber ajuda imediatamente, mesmo quando não se esperava nenhuma intercorrência.

Como primeira medida, o oxigênio administrado com uma máscara mantida perto da face do bebê aumentará a concentração de oxigênio que ele inspira durante as primeiras incursões respiratórias. Uma concentração de oxigênio no cérebro pode fazer melhorar os movimentos respiratórios. Caso o RN não apresentar melhora respiratória dentro de um ou dois minutos, ou se a inicia uma bradicardia, dentro de 15 a 30 segundos, em geral inicia-se outro tratamento para prevenir a progressão da asfixia (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Observações subsequentes devem ser realizadas no RN conforme classificação Apgar em todos os bebês cinco minutos após o nascimento sendo que no bebê que exige reanimação essa avaliação é absolutamente essencial. Se seu índice de Apgar não chegou a somatória 8 pontos em cinco minutos após o nascimento, deverá ser feita uma nova avaliação aos 10 minutos, e talvez mais frequentemente.

Também para um RN que recebeu um índice Apgar alto com um minuto de idade deverá ser feita uma segunda avaliação aos cinco minutos. Um bebê com índice alto a um minuto não costuma cair para outro mais baixo, porém também requer uma observação criteriosa, pois sua condição pode mudar rapidamente, especialmente se possui alguma substancia que produz obstrução na traqueia, ou se está sob a influência de medicamentos maternos.

A respeito do registro Ziegel e Cranley (1985, p. 397) esclarece:


“a importância de realizar um registro preciso da hora de cada índice Apgar atribuído a um bebê. A avaliação feita em momentos específicos garante uma observação regular do bebê durante o período inicial de sua vida e faz aumentar a probabilidade de identificar um bebê em perigo. Todos os outros comportamentos do bebê devem ser observados atentamente e registrados”.
Dentre as anotações importantes devemos estar atentos para o esforço respiratório, movimento do tórax, frequência respiratória, frequência cardíaca e cor representam observações valiosas e determinantes para a assistência ao RN. Uma observação continua e atenta no berçário é obrigatória para qualquer bebê que necessitou de reanimação ou que ficou exposto ao frio (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

3.4 Anormalidades e patologias respiratórias do Recém-nascido
Apesar de a sobrevida ter melhorado nos últimos anos, principalmente nos centros terciários, a prematuridade é a principal causa de morbidade e mortalidade neonatal, sendo responsável por 75% das mortes neonatais, ao passo que a morbidade está diretamente relacionada aos distúrbios respiratórios e às complicações infecciosas e neurológicas (RADES, 2004).

O mesmo autor observou que a Síndrome de Desconforto Respiratório (SDR) esteve associada à causa do parto, mas a Idade Gestacional (IG) também influenciou sua incidência. Nos prematuros com IG inferior a 30 semanas, chamou à atenção que todos os RN do grupo da hipertensão evoluíram com SDR. No grupo com IG entre 30 e 33 semanas, as maiores taxas de SDR estiveram presentes nos grupos ao redor de 40%.

O desconforto respiratório representado pela membrana hialina e a taquipnéia transitória é a patologia que mais frequentemente acomete os RN, especialmente quando a gestação é interrompida prematuramente, com idade gestacional inferior a 37 semanas (COSTA et al, 1994).

O RN apresenta alguns sons característicos que evidenciam as patologias respiratórias. A ausculta do tórax ajudará a avaliar o fluxo aéreo nos pulmões e detectar uma obstrução das vias aéreas. Devem-se auscultar os sons respiratórios em ambos os lados do tórax e de um modo sistemático. Os sons respiratórios são facilmente distorcidos em uma criança. Os estertores são sons crepitantes produzidos nos bronquíolos terminais e alvéolos quando o ar atravessa o líquido nessas regiões. Os roncos podem desaparecer por aspiração endotraqueal (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Outra anormalidade respiratória é retração torácica é um sinal importante que indica aumento do esforço respiratório. Quando a expansão pulmonar encontra resistência devido à obstrução das vias aéreas superiores, torna-se necessário o empreendimento de um esforço acima do normal. O esforço respiratório exige uma elevação da pressão negativa intratorácica. A flexibilidade da caixa torácica do RN tende a puxar suas partes moles, espaços intercostais, das áreas supra e infra-esternal, para dentro durante as inspiração, causando à inserção do diafragma (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Para estes autores e o Ministério da Saúde (1994) a retração torácica, pode variar de leve a acentuado afundamento dos espaços intercostais e/ou retração do apêndice xifoide a cada inspiração. Quando grave, o bebê pode apresentar respiração tipo gangorra, onde o abdome se eleva e o tórax se deprime na inspiração, o abdome se escava e o tórax se expande na expiração.

A retração torácica continua agrava ainda mais o quadro clínico do RN. O aumento do esforço respiratório e a pressão negativa obrigam a um consumo excessivo de energia e assim a um maior consumo de oxigênio. O aumento do grau de retração, entretanto, diminui a ventilação pulmonar eficaz e assim reduz a troca gasosa. A exaustão decorrente do esforço respiratório e consumo inadequado de oxigênio para os órgãos vitais podendo ocorrer lesões irreversíveis ou levar à morte (TAMEZ e SILVA, 2006).

Segundo Ziegel e Cranley (1985, p. 608) esclarece que “uma descrição minuciosa dos movimentos torácicos, como e onde o tórax se retrai, deve ser cuidadosamente anotada. Existe uma boa correlação entre o grau de retração e a gravidade da angústia respiratória”.

Quando a respiração do recém-nascido é difícil, pode ser visto um esforço mentoniano (esforço do queixo) durante a inspiração. Com um grau moderado de angústia respiratória, o queixo desce, porém os lábios se mantêm fechados. Quando o esforço é grave, a boca permanece entreabre à medida que o queixo desce durante as inspirações (TAMEZ e SILVA,2006).

Segundo Ziegel e Cranley (1985) e Tamez e Silva (2006) o batimento das aletas nasais na angústia respiratória o durante a inspiração funciona como um reflexo do bebê numa tentativa de ampliar a passagem de ar pelas narinas. Com frequência esses batimentos se alteram com um gemido expiratório. Embora esse movimento das asas do nariz não auxilie a respiração, constituem sinal de dificuldade respiratória.

O gemido expiratório constitui anormalidade e evidência de dificuldade respiratória grave, especialmente quando audível. Com frequência, o gemido respiratório é o primeiro sinal de dificuldade respiratória notada pelo enfermeiro. O gemido é um reflexo utilizado pelo bebê como mecanismo protetor para prolongar a fase final da expiração e melhorar a oxigenação pulmonar (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Na tentativa de melhorar a oxigenação, o recém-nascido aproxima as cordas vocais e provoca certa resistência expiratória atrás da glote parcialmente ocluída. Portanto o gemido constitui uma modificação da manobra Valsalva, onde existe um aumento da pressão intra-pleural durante a expiração, decorrente do fechamento da glote e da contração dos músculos abdominais (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Algumas vezes o RN pode apresentar na dificuldade respiratória prolongada uma elevação visível da musculatura abdominal e de outros músculos acessórios da respiração. Além desses sinais, o bebê pode se mostrar inquieto ou indiferente e apático (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1994).

De acordo com Ziegel; Cranley (1985), e Ministério da Saúde (1994), a cianose não apresenta um sinal objetivo do grau de insuficiência pulmonar. A cianose das mãos, pés e perioral podem estar presentes no RN ao nascimento, normalmente uma a duas horas após o parto, deve mostrar-se róseo. O RN apresenta cianose quando tiver uma saturação de 75 a 85%, correspondente a uma PaO2 entre 32 e 52 mmHg. A cianose pode ser central, hipoxemia, ou periférica, má perfusão das extremidades. A cianose periférica é habitual nas primeiras horas de vida, sobretudo em prematuros, e é frequentemente associada à hipotermia. A cianose generalizada pode ou não acompanhar a dificuldade respiratória. Quando presente, a enfermeira deve anotar as características como generalizada ou localizada e se aumenta com a atividade do choro. Uma coloração pálida ou acinzentada é indício de distúrbio grave respiratório.


a cor da pele e das mucosas não indica o nível de PO2 arterial. Quando se instala a cianose franca, a hipoxemia já está muito adiantada. Não é observada até que a Pressão Parcial de oxigênio (PO2) esteja tão baixa quando 42 mmHg ou menos (ZIEGEL e CRANLEY, 1985. P. 610).
O Ministério da Saúde (1994) descreve que a apnéia também é um sinal a ser observado no RN com dificuldade respiratória. Pode ter origem central ou periférica. A apnéia é usualmente definida como uma parada de 20 segundos ou mais na respiração, sendo associada a sintomas tais como bradicardia, cianose, hipotonia e acidose metabólica. Algumas crianças, sobretudo prematuros de muito baixo peso, podem já apresentar estes sintomas com paradas respiratórias bem mais curtas. E, dentre as patologias mais comuns encontradas no RN com dificuldades respiratórias destacam-se: taquipnéia transitória, doença mem­brana hialina, aspiração de mecônio e líquido amniótico, pneumome­diastino, pneumonia, pneumotórax.

Síndrome de angústia respiratória idiopática (SARI) ou doença da membrana hialina (DMH) é a causa mais importante de dificuldade respiratória no recém-nascido, ocorrendo principalmente em prematuros. Trata-se de enfermidade disseminada e a causa importante de morte no grupo dos recém-nascidos. O RN prematuro está mais propenso a desenvolver a MDH, porém quanto mais imaturo o bebê maior a incidência e a gravidade da patologia.

A doença da membra hialina surge em RNs que possuem deficiência no surfactante que recobre os alvéolos. O resultado dessa deficiência é a aeração precária, provocando um colabamento dos alvéolos no final de cada expiração, retendo pouco ou nenhum ar residual, e o bebê apresenta atelectasia generalizada.

A dificuldade respiratória tende a acentuar-se, pois como o colapso de vários alvéolos reduz a quantidade de tecido pulmonar capaz de expansão agravando o quadro. O bebê precisa despender grande esforço a cada respiração para tentar expandir os alvéolos colabados, e quando estes não conseguem ser abertos haverá ventilação somente de uma pequena porção dos pulmões (TAMEZ e SILVA, 2006).

Na taquipnéia transitória do recém-nascido (TTRN), o bebê a termo ou pré-termo apresenta inexplicavelmente uma frequência persistente elevada, cerca de 100 ou mais incursões respiratórias por minuto. A cianose não é comum, não se percebe gemido respiratório e a retração intercostal, é, em geral, mínima. Sugere-se que essa taquipnéia transitória resulte da absorção lenta do líquido pulmonar. A complacência do pulmão diminuirá face ao excesso de líquido e as respirações superficiais reduzirão o trabalho respiratório. A aspiração de líquido amniótico ou muco também foi considerado como fator causal (TAMEZ e SILVA, 2006).

É necessária a monitorização criteriosa da frequência respiratória e cardíaca. A alimentação por via oral pode precisar ser postergada até a melhora da taquipnéia a fim de evitar a aspiração.

Para estes autores a aspiração de líquido amniótico contendo mecônio é fator desencadeante de sofrimento respiratório. Após a aspiração de mecônio ocorre obstrução das pequenas passagens aéreas, surgindo áreas de atelectasia devido à obstrução e outras áreas de consolidação, e o bebê tornam-se susceptível à infecção pulmonar secundária.

Segundo Tamez e Silva (2006) aspiração de mecônio pode ocorrer em qualquer condição onde a hipóxia faça com que o feto elimine mecônio in útero. O bebê sofrendo de hipóxia está em risco de aspiração intra-uterina, ou na ocasião do parto. Os fatores associados à eliminação de mecônio pode ser o retardo no desenvolvimento fetal e a pós-maternidade, condições onde a hipóxia intra-uterina e a eliminação do mecônio podem ocorrer devido à insuficiência da função placentária.

O bebê cujo líquido amniótico apresenta-se tinto de mecônio e cuja pele está também recoberta por esse material precisa ser minuciosamente observado quanto ao aparecimento dos sinais de angústia respiratória. Os pulmões pode se mostrar limpos 24 a 48 horas após a aspiração, porém a aspiração pode ter sido suficientemente grave para causar enfermidade, e necessitar de assistência em longo prazo e, que com frequência, causa a morte (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

O pneumotórax é o resultado da hiperdistensão dos alvéolos e porção distal dos pulmões, levando a uma ventilação desigual e como consequência a ruptura dos alvéolos. Pode ser definido como a presença de ar no espaço pleural entre a pleura parietal e visceral. O ar sai dos alvéolos e segue pela árvore traqueobrônquica e toma diferentes caminhos, seguindo para o espaço pleural visceral e parietal, iniciando assim a patologia (TAMEZ e SILVA, 2006).

O pneumotórax pode ocorrer em todas as faixas etárias e na criança é mais frequente no período neonatal. O quadro clínico depende da intensidade do pneumotórax e pode variar desde pequenas alterações na ausculta pulmonar até o quadro dramático de pneumotórax hipertensivo que pode levar ao óbito.

O RN com pneumotórax pode ser assintomático ou apresentar, irritabilidade, agitação, letargia, taquipnéia e taquicardia, dispnéia, uso da musculatura acessória na respiração, gemido expiratório e batimento das aletas nasais. O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. Em casos cirúrgicos a toracocentese de emergência é o procedimento de escolha (TAMEZ e SILVA, 2006).

Em relação à patologia respiratória pneumomediastino habitualmente não causa problemas fisiológicos apreciáveis. O diagnostico é feito com radiografia de tórax onde poderá aparecer um halo paracardíaco e a presença de ar em volta do timo. Essa patologia é afecção em que raramente se torna necessário qualquer intervenção cirúrgica, por ser autolimitada e desaparecer espontaneamente, com a cura do processo pulmonar (TAMEZ e SILVA, 2006).

A pneumonia é uma infecção do trato respiratório inferior. Constituem uma das principais causas de morte no RN prematuro. Alguns fatores podem interferir na incidência e na evolução da doença, prematuridade, desordens anatômicas e metabólicas. No início da doença o RN pode apresentar de forma gradual, irritabilidade, congestão nasal, letargia, vômitos, tosse e febre. Episódios de taquipnéia, gemência, batimento das aletas nasais, retrações da parede torácica, cianose acompanhados de tosse podem estar presentes (TAMEZ e SILVA, 2006).



3.5 Sistematização da Assistência de Enfermagem
A essência da enfermagem é cuidar, e a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é a metodologia usada para planejar, executar e avaliar o cuidado, tratando-se de ferramenta fundamental do trabalho do enfermeiro (CHAVES, 2009).

A Lei do Exercício Profissional nº 7.498, de 25 de junho de 1986, aponta que o enfermeiro deve prestar cuidados de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos científicos adequados e capacidade de tomar decisões imediatas, assim como realizar a prescrição da assistência. Isto evidencia a importância da SAE - Sistematização da Assistência de Enfermagem em unidades maternas e perinatais, uma vez que é instrumento de tomada de decisão clínica.

Desde Florence Nightingale, a necessidade do conhecimento na tomada de decisões é reconhecida. Com o seu trabalho baseado em cálculos de morbimortalidade possibilitaram a ela decidir pela melhor forma de se prestar assistência, que refletiram significativamente na melhoria da qualidade do cuidado. Planejar as ações, determinar e gerenciar o cuidado, registrar tudo que foi planejado e realizado, avaliar essa aplicabilidade, permitindo gerar conhecimento a partir da prática, realizando assim o processo de enfermagem Friedlander (apud PASSOS e VOLPATO, 2009).

O problema crucial tem sido a expectativa dos enfermeiros no movimento de busca na construção e incorporação de teorias na prática profissional. A teoria de enfermagem é um instrumento de trabalho e, como tal, se articula com práxis, de modo a tornar mais próximo possível com a realidade assistencial. Indicam o modo de conceber enfermagem, saúde doença, sociedade e ser humano, conjunto de conceitos adotados e explorados como centrais para a profissão, seus paradigmas, os quais são referenciais para o desenvolvimento da prática profissional. À medida que a compreensão da realidade se torna mais explícita com a definição de determinados conceitos, as teorias transformam-se em instrumentos do processo de trabalho dos enfermeiros que os capacitam a intervir sobre a realidade e alcançar sua finalidade (LEOPARDI, 1999).

No processo de enfermagem a assistência é planejada para o individuo e não para a doença, alcançando as necessidades especificas do cuidado ao cliente. As ações de enfermagem são registradas de maneira objetiva e clara de forma que todas as pessoas envolvidas no tratamento do paciente possam ter acesso ao plano de assistência (PASSOS e VOLPATO, 2009).

A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é uma atividade inerente ao enfermeiro que por meio de método cientifico, realiza a identificação das ações de Assistência de Enfermagem, que possam contribuir para as formas de promoção, prevenção e recuperação em saúde do individuo, família e comunidade (PASSOS e VOLPATO, 2009).

O pensamento crítico é uma habilidade desejável nos enfermeiros que se deparam cada vez mais com o avanço tecnológico, com complexas questões éticas e legais e assistência a pacientes cada vez mais graves, que exige do mesmo habilidades de interpretação, análise e avaliação (CHAVES, 2009).

Várias são as nomenclaturas utilizadas para denominar a metodologia da assistência de enfermagem, sendo que todas elas levam ao uma assistência metodológica científica que conduz à Sistematização da Assistência de Enfermagem (CHAVES, 2009).

Nessa linha de pensamento ALFARO-LEFREVE (apud CHAVES, 2009) o processo de enfermagem é um método sistemático e dinâmico de prestação de cuidado humanizados e orientado para a manutenção dos melhores resultados.

O processo de enfermagem utiliza o método científico na resolução de problemas de enfermagem de forma lógica (CARRARO, 2001).

O desenvolvimento do julgamento clínico na enfermagem é um método científico, quando desenvolvida de forma adequada auxiliam na averiguação se um conjunto de fatos corresponde à realidade. As etapas do método científico são inter-relacionadas e abrange cinco fases: investigação, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação (CHAVES, 2009).

As 05 etapas do processo de enfermagem são entendidas como inter-relacionadas, interdependentes e recorrentes: Primeira etapa – Investigação (coleta de dados e ou histórico de enfermagem), coleta contínua, planejada e sistemática de informações de um indivíduo, família ou comunidade. Realizado com o auxílio de métodos e técnicas variadas para monitorar evidências de problemas de saúde e fatores de risco que possam contribuir para os problemas de saúde. Os dados subjetivos são coletados através das informações repassadas pelo cliente e ou família, enquanto que os dados objetivos são os que podem ser observados em outras fontes, como exames laboratoriais, ambos as fontes compõe um perfil do cliente. Permite termos uma noção sobre o estado geral de saúde e uma idéia geral dos seus aspectos físico, psicológico, sociocultural, espiritual, cognitivo e relativo ao nível e do seu estilo de vida (NANDA, 2010 e COFEN, 2009).

Segunda etapa – Diagnóstico de enfermagem é um processo de interpretação e agrupamento de dados coletados, que culmina com a tomada de decisão sobre os conceitos diagnósticos de enfermagem que representam, com mais exatidão, as respostas da pessoa, família ou coletividade humana em um dado momento do processo saúde e doença; e que constituem a base para a seleção das ações ou intervenções com as quais se objetiva alcançar os resultados esperados (CHAVES, 2009 e COFEN, 2009).

É um julgamento clínico sobre a resposta de um indivíduo, família ou comunidade a problemas de saúde reais ou potenciais, diagnósticos precisos e válidos determinam os resultados sensíveis da assistência de enfermagem (NANDA, 2010).

Duas proposições formam a base para o desenvolvimento de competências diagnósticas de enfermagem de acordo com Nanda (2010, p. 31) “diagnóstico na enfermagem exige competências nos domínios intelectual, interpessoal e técnico” e segundo a mesma autora “o diagnóstico em enfermagem requer o desenvolvimento de elementos pessoais fortes de tolerância à ambiguidade e uso da prática da reflexão”.

As competências intelectuais é um aspecto invisível da enfermagem muito importante para que alguém se torne diagnosticador. As habilidades intelectuais incluem conhecimento de diagnósticos de enfermagem e processos mentais para uso dos conhecimentos. O enfermeiro deve saber dos diagnósticos para saber das intervenções para o tratamento dos diagnósticos e dos processos diagnósticos empregados para a interpretação dos dados do paciente (NANDA, 2010).

Os enfermeiros precisam pressupor que não conhecem seus pacientes e a melhor maneira de fazê-los e através da escuta. Sem realizar uma escuta efetiva não conseguirão exatidão diagnóstica (NANDA, 2010).

Outra competência fundamental ao enfermeiro é a habilidade técnica de realizar um levantamento dos dados de enfermagem fidedignos, fundamental para os diagnósticos do uso de enfermagem (NANDA, 2010).

Terceira etapa - Planejamento de Enfermagem: etapa para se determinar prioridades imediatas, estabelecer resultados esperados, das ações ou intervenções de enfermagem que serão realizadas face às respostas da pessoa, família ou coletividade humana em um momento do processo saúde e doença, identificadas na etapa de Diagnóstico de Enfermagem, determinando as intervenções e a individualização do plano de cuidados (CHAVES, 2009 e COFEN, 2009).

Essas ações são documentadas como plano de cuidados. Esse processo depende das informações obtidas pelo cliente ou familiar, com o intuito de estimular o cliente a assumir a responsabilidade por sua própria assistência e possibilitar a obtenção dos resultados e objetivos planejados, um plano de cuidados eficaz demonstra a assistência individualizada ao cliente (COFEN, 2009 e NANDA, 2010).

Para assegurar que as ações do enfermeiro sejam enfocadas adequadamente é determinado às prioridades e metas da assistência ao cliente, direcionando o tratamento para a alta, uma atividade complexa e dinâmica (COFEN, 2009 e NANDA, 2010).

As intervenções de enfermagem são ações de cuidado ou prescrições de comportamentos, tratamentos, atividades que ajudam o cliente a alcançar os resultados mensuráveis baseadas nos diagnósticos de enfermagem do cliente.

Para NANDA (2010, p.03):

documentação da etapa de planejamento em um plano de cuidados escrito ou informatizado assegura a continuidade da assistência, facilita a comunicação, ajuda a determinar as necessidades dos enfermeiros de um setor ou de uma unidade, documenta o processo de enfermagem, funciona como instrumento de ensino e facilita a prestação da assistência interdisciplinar.


Quarta etapa – Implementação: colocar o planejamento de enfermagem em ação e verificar as intervenções iniciais está de acordo com o planejado. O enfermeiro precisa entender porque esta realizando determinadas intervenções bem como prever suas consequências. Além disso, ele precisa se certificar de que as intervenções são compatíveis com o plano de cuidados estabelecido. As intervenções devem ser executadas de forma apropriada e segura, avaliadas quanto à eficácia e eficiência e documentadas oportunamente, para que todos o profissionais de saúde possam ter acesso as informações e ações (CHAVES, 2009; COFEN, 2009 e NANDA, 2010).

Quinta etapa – Avaliação de Enfermagem: verifica-se o alcance dos resultados esperados e define-se a tomada de decisão quanto às alterações que necessitam ser feitas para determinadas intervenções de enfermagem alcancem o resultado esperado, e da necessidade de mudanças ou adaptações nas etapas do processo (NANDA, 2010; TANNURE e GONÇALVES, 2008).

Consiste em acompanhar o progresso do cliente, objetivando atingir os resultados esperados através do acompanhamento e monitorização criteriosa de suas respostas, bem como da acurácia da prescrição de enfermagem, que poderá ser modificada conforme a necessidade. O enfermeiro precisa saber identificar a necessidade de reordenar as prioridades da prescrição com o objetivo de adaptar-se às novas demandas de assistência (NANDA, 2010; TANNURE e GONÇALVES, 2008).

Quando um cliente é admitido no sistema de assistência à saúde, as etapas do processo são colocadas em prática. Embora essas etapas estejam descritas como atividades individualizadas, o processo de enfermagem é um método interativo de praticar enfermagem, no qual os componentes são reunidos em um ciclo contínuo de pensamento e ação (NANDA, 2010; TANNURE e GONÇALVES, 2008).

De acordo com COFEN (2009, p. 02):
o Processo de Enfermagem deve estar baseado num suporte teórico que oriente a coleta de dados, o estabelecimento de diagnósticos de enfermagem e o planejamento das ações ou intervenções de enfermagem; e que forneça a base para a avaliação dos resultados de enfermagem alcançados.
Em relação aos aspetos legais da aplicabilidade da SAE a Resolução do COFEN nº 358/2009 (2009, p. 01):

dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, e dá outras providências.

Além disso, COFEN (2009) cita no Artigo 2º que a implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem, deve ocorrer em toda instituição da saúde, pública e privada; Artigo 3º a Sistematização da Assistência de Enfermagem, deverá ser registrada no prontuário do paciente.

Ainda, faz-se necessário ressaltar que tais exigências levaram os enfermeiros a buscarem formas de documentar o processo de enfermagem no prontuário do paciente adaptando, simplificando ou excluindo etapas, que contradizem os aspectos que ressaltam um cuidado humanizado e individualizado compõem a equipe de enfermagem. Outras dificuldades têm permeado a implantação e implementação da SAE nas instituições de saúde como políticas institucionais; onde muitas vezes o objetivo do serviço pode estar voltado ao cumprimento de metas e não para a assistência de enfermagem propriamente dita; percebe- se também uma deficiência na formação do enfermeiro e dificuldades de articular a teoria à prática (ROSSI e CASAGRANDE, 2008).

Nesta linha de pensamento, Boaventura (apud CHAVES, 2009) escreve que as dificuldades de implementação da SAE podem estar relacionadas à falta de tempo do enfermeiro, à sobrecarga de trabalho e ao número insuficiente de profissionais nas instituições de saúde. Estudo realizado com 85 alunos de um curso de graduação em enfermagem demonstrou que, quando questionadas sobre a possibilidade da aplicação da SAE em todas as suas etapas, 13% dos alunos relataram que a falta de tempo e de preparo dos profissionais é um impedimento para a sua utilização.

Ainda, faz-se necessário ressaltar que todos os profissionais que atuam na equipe de enfermagem e participam da assistência por meio de suas competências que são específicas e, dessa forma, respeitando-se os aspectos legais, devem ser envolvidos no processo (CARRARO, 2001).

A definição de um instrumento de coleta de dados é determinada pela própria instituição no local de sua utilização pelas peculiaridades e particularidades de cada unidade a ser implementado.

No preenchimento do histórico de enfermagem, um roteiro que direcione como fazê-lo pode ser útil para o esclarecimento dos dados a serem investigados, faz-se necessário que a sua obtenção seja feita com instrumento isento de erros, permitindo uma fidedignidade de informações e diagnostico preciso. Afim de que todas as questões a serem investigadas sejam exploradas, os dados coletados definirão a identificação dos problemas de enfermagem e as conclusões sobre os diagnósticos de enfermagem.

O registro dos dados de enfermagem deve ser claro, completo e conciso, para tanto, o enfermeiro deve estar ciente de que são de sua inteira responsabilidade a observação e o registro adequado dos dados. Falhas na documentação acarretarão informações incompletas e erros nas ações de enfermagem (POTTER e PERRY, 2005).

O exame físico realizado pelo enfermeiro compreende na aplicação das técnicas propedêuticas de inspeção, palpação, percussão e ausculta, além da mensuração dos sinais vitais, perímetros, estatura e peso, com o objetivo de identificar sinais normais e anormais nos sistemas biológico (CHAVES, 2009).

Atualmente, organizações de enfermagem têm reforçado a necessidade de um padrão de terminologia em enfermagem para descrever, comparar, organizar e partilhar os cuidados de enfermagem.

Na década de 70 surge, nos Estados Unidos da América, a primeira classificação, que se demonstrou relevante para a prática de enfermagem, como o movimento de classificação dos diagnósticos de enfermagem, que se deu a partir da iniciativa do Grupo Norte-Americano de Classificação de Diagnósticos de Enfermagem (North American Nursing Diagnoses Association – NANDA), e, a partir de 2002, denominada de NANDAI.

De acordo com Chaves (2009, p. 65):

o sistema de classificação de Intervenções de Enfermagem (Nursing Interventions Classification – NIC) começou a ser desenvolvido em 1987 e continua em construção. A NIC é uma linguagem padronizada e abrangente dos tratamentos realizados pela enfermagem. Atualmente, a NIC apresenta 514 intervenções de enfermagem, que garantem um cuidado individualizado quando se seleciona aquela que é adequada para cada indivíduo, família ou comunidade. Cada uma das intervenções representa um tratamento, baseado na avaliação clínica, que uma enfermeira realiza para obter os melhores resultados.


O sistema de classificação de resultados de enfermagem (Nursing Outcomes Classification – NOC) também vem sendo desenvolvido desde 1991, por um grupo de pesquisadores também pertencentes ao grupo da NIC. A NOC é uma classificação padronizada de resultados do indivíduo família ou comunidade, influenciados e determinadas pela execução de intervenções de enfermagem. A NOC apresenta 330 resultados e cada um deles é composto por um conjunto de indicadores que descrevem estados relacionados ao resultado específico da assistência dispensada (CHAVES, 2009).

A Classificação Internacional da Prática de Enfermagem (CIPE®) é uma classificação dos fenômenos de enfermagem, ações e resultados, é um instrumento de informação que descreve a prática de enfermagem. A CIPE® oferece uma terminologia única para a prática de enfermagem, com vocabulários e classificações que podem ser cruzadas e mapeadas para possibilitar a comparação de dados de enfermagem, facilitando a comunicação entre os enfermeiros e outros profissionais de saúde (TANNURE e GONÇALVES, 2008).

A inclusão dos diagnósticos de enfermagem da Taxonomia da NANDA junto com a Classificação das Intervenções de Enfermagem e a Classificação dos resultados de Enfermagem nos registros de saúde proporciona um meio abrangente de resgate da contribuição singular da enfermagem. Em situações em que o registro for ao formato eletrônico permite quantificar a assistência enfermagem e analisar o custo-benefício dessa assistência. Teremos como benefícios uma comunicação mais efetiva da equipe de atendimento de saúde, uma padronização de descrever os conhecimentos e as habilidades essenciais à prática da enfermagem, elaboração de dados comuns e construção de conhecimentos científicos, não mais baseados em evidências (NANDA, 2010).

Segundo Bates et al apud NANDA (2010) a documentação e o registro de enfermagem na prática atual consiste em anotações narrativas longas, e na sua maioria em papel. Esse método apresenta muitas variações em relação à descrição dos achados e das ações dos enfermeiros, gerando desvantagens à capacidade de qualquer um para analisar o atendimento.

Para NANDA (2010, p. 53) “Anotações na forma narrativa são ambíguas e contêm redundâncias e várias nuanças no texto”. O autor referencia também que como são feitas manualmente, “com frequência são ilegíveis, mal interpretadas e, em geral, disponibilizadas apenas a uma pessoa por vez”. O resultado disso é a dificuldade de essas anotações serem utilizadas para avaliação diária do atendimento dado ao paciente e analisadas para pesquisas e apoio a decisões.

3.6 Instituição Hospitalar Pesquisada

Segundo GRASEL (2005) através do Estatuto diz que a Associação Hospitalar Lenoir Vargas Ferreira, é uma Associação civil, fundada em 26 de agosto de 1997. A Associação tem sede e foro na Cidade de Chapecó, Estado de Santa Catarina, na Rua Florianópolis, 1448-E, Bairro Esplanada.

O Hospital Regional Senador “Lenoir Vargas Ferreira” - Hospital Regional do Oeste - HRO, administrado Associação Hospitalar Lenoir Vargas Ferreira, está localizado no município de Chapecó à 670 Km de Florianópolis, atendendo 92 municípios da Região Oeste, 26 municípios do Paraná e Rio Grande do Sul num total de aproximadamente 1.000.000 habitantes. Sendo que a cidade de Chapecó é a mais representativa com 140.000 habitantes, e que pela localização geográfica usufrui da maioria dos serviços ofertados.

O HRO constitui missão de promover gratuitamente a assistência à saúde, dentro dos preceitos éticos e legais, visando sempre o benefício da Comunidade, em cada caso, estabelecendo regimento apropriado de acordo com as respectivas particularidades e natureza que permitam apoiar as políticas públicas, objetivando prestar serviços de excelência para a melhora na qualidade de vida do cidadão, visando à elevação do nível de saúde da população, através de atividades de fins não econômicos; promover o desenvolvimento de programas no âmbito nacional, estadual e municipal de interesse público voltada principalmente para os segmentos de saúde; apoiar o desenvolvimento de programação na área de saúde voltada à prestação de serviços essenciais à população de baixa renda e promover a integração com entidades afins, buscando permanente cooperação técnica para o alcance de objetivos comuns (GRASEL, 2005).

O Centro Obstétrico do HRO é referencia no município do oeste de SC. Inaugurada em 1997, possui 06 leitos/boxes de internação para atendimento as gestantes em trabalho de parto, 02 salas para atendimento perinatal, equipados com diversos materiais permanentes e de consumo. Há apoio diagnóstico-laboratorial, de imagem e terapêutico por 24 horas, por uma equipe interdisciplinar (obstetra, pediatra, enfermeiro, técnico de enfermagem). Há três turnos de trabalho (07h00 às 13h00; 13h00 às 19h00; 19h00 às 07h00) e quatro equipes de enfermagem, o que totaliza 04 enfermeiros, 09 técnicos de enfermagem, cuja carga de trabalho semanal é de 36 horas. Sendo que os pediatras e obstetras seguem escala de plantão.

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O presente estudo de caráter quantitativo, retrospectivo e documental, consiste em analisar se um hospital público do Oeste de Santa Catarina, registra o processo de enfermagem ao recém - nascido com morbidades respiratórias pautado na Resolução do COFEN N° 358/2009 e estimar comparativamente a relação da via de parto com as patologias respiratórias do RN registradas em prontuários perinatais.

Para Rodrigues (2007) a pesquisa descritiva é quando fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem interferência do pesquisador, se faz uso de técnicas padronizadas de coleta de dados (questionário e observação sistemática). Ainda ressalta que a pesquisa quantitativa traduz em números as opiniões e informações para serem classificadas e analisadas, utiliza-se técnicas estatísticas.

Segundo Silva (2009) o uso de documentos em pesquisa deve ser apreciado e valorizado. A riqueza de informações que deles podemos extrair e resgatar justifica o seu uso em várias áreas das Ciências Humanas e Sociais porque possibilita ampliar o entendimento de objetos cuja compreensão necessita de contextualização histórica e sociocultural.

A pesquisa foi realizada em uma instituição hospitalar pública, de médio porte, com abrangência regional, sendo referência no atendimento obstétrico e perinatal, que atende pacien­tes principalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e particulares no município de Chapecó, Santa Catarina, no período de janeiro a abril de 2011.

A amostra constituiu-se de todos os recém-nascidos atendidos no setor de obstetrícia independente a via de parto (vaginal ou abdominal) no período de janeiro à dezembro de 2010.

A pesquisa teve como critério de inclusão todos os prontuários perinatais de RN com morbidades respiratórias. As variáveis incluirão a incidência de desconforto respiratório. Serão considerados como desconforto respiratório os seguintes diagnósticos conforme Ministério da Saúde (1994), taquipnéia transitória, mem­brana hialina, aspiração de mecônio e líquido amniótico, pneumome­diastino, pneumonia, sendo cada uma dessas variáveis avaliada em reação ao tipo de parto (vaginal ou abdominal), idade gestacional calculada de acordo com a regra de Näegele, peso do RN ao nascer em gramas e índice de Apgar.

As variáveis estudadas em relação ao Processo de Enfermagem nessa unidade de atendimento perinatal, foram consideradas conforme resolução do COFEN nº 358/2009 que dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem. O processo organiza-se em cinco etapas inter-relacionadas (Coleta de dados de Enfermagem ou Histórico de Enfermagem, Diagnóstico de Enfermagem, Planejamento de Enfermagem, Implementação e Avaliação de Enfermagem).

Inicialmente foi solicitada autorização formal do Hospital Regional do Oeste em Santa Catarina por meio do termo de consentimento livre e esclarecido para a liberação da pesquisa (Apêndice A) e preenchimento do termo de coleta de dados em arquivos.

A coleta dos dados foi realizada após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva.

Os dados coletados durante a pesquisa serão registrados em formulário próprio (Anexo I), tabulados por meio de programas Microsoft Word e Excel, e serão apresentados em forma de gráficos. A discussão dos resultados será pautada na literatura revisada.

Os dados coletados são de responsabilidade dos pesquisadores, que manterão sigilo e privacidade acerca dos nomes e números dos prontuários pesquisados, os quais serão armazenados pelos pesquisadores por um período de cinco anos.

A qualquer momento a Instituição do campo de pesquisa pode solicitar a desistência da mesma, se assim o desejassem.

Os custos decorrentes da pesquisa foram absorvidos pelos pesquisadores.

O resultado da pesquisa será divulgado para a Secretaria Municipal de Saúde de Chapecó, Hospital Regional do Oeste e da Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva independente do resultado.




  1. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

O estudo realizado na instituição hospitalar Associação Lenoir Vargas Ferreira, referente ao período de janeiro a dezembro de 2010, envolveu a análise de 1.657 nascimentos, através da averiguação em prontuários, aonde foram apurados algumas características do recém- nascido patológico e da gestante.

Constatamos que no ano de 2010 a instituição pesquisada apresentou 1.926 nascimentos no período, destes, a instituição disponibilizou 1.657 prontuários, que representaram a amostra final, sendo todos estes atendimentos oriundos do Sistema Único de Saúde.

Conforme observa-se no gráfico n. 1, dos 1.657 nascimentos apurados em 2010, 1025 foram partos vaginais (62%), os demais 632 nascimentos (38%) foram partos abdominais.


Gráfico 01: Via de parto ao nascimento

Fonte: Os autores, 2011.
Considerando que a instituição pesquisa faz parte do programa de Hospital Amigo da Criança e também é referencia no atendimento de gestantes de Alto Risco para toda a região do oeste de Santa Catarina, confiamos que a instituição está dentro das exigências estabelecidas pela portaria ministerial, onde a existe uma cobrança para que o parto vaginal seja na totalidade de 70% dos nascimentos. Considerando a complexidade do serviço obstétrico a fim de atender as mulheres com segurança, em especial as gestantes de alto risco, acredita-se que os 38% dos partos abdominais (cesária) estejam relacionados a esse serviço de alta complexidade e recebe pacientes encaminhadas pelos municípios vizinhos. Por ser uma cirurgia, a cesariana somente é indicada para os casos que tragam risco para a mãe ou concepto. Quando realizada sem que exista uma indicação médica precisa, aumentam os riscos de complicações e de morte para a mulher e para o recém-nascido.

A orientação às instituições publicas e privadas é manter a taxa de partos abdominais inferior a 40% do total de nascimentos. Sabemos que no Sistema Único de saúde, os partos vaginais somam 74% dos nascimentos. O parto normal é o mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê, de acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).

O gráfico n. 02 ilustra o tempo transcorrido no processo parturitivo até a definição da via vaginal e abdominal.

Gráfico 02: Tempo de transcorrido entre o início do processo parturitivo até o nascimento.

Fonte: Os autores, 2011.
Percebeu-se que a via vaginal ficou com tempo médio de 03h40min e via abdominal ficou com tempo médio de 03h21min. Considerando a via vaginal em 350 nascimentos (34,1%) o tempo do processo parturitivo ficou com média de 01 hora após o início do trabalho de parto efetivo até o nascimento, sendo que o parto mais rápido foi de 03 minutos e o mais demorado foi de 23h45min.

O parto natural é recomendado pela Organização Mundial da Saúde, pois já foram comprovados seus inúmeros benefícios e a diminuição dos riscos maternos e neonatais. As atitudes dos profissionais envolvidos neste parto também são fundamentais, e devem respeitar o tempo, limites, desejos, anseios e expectativas de cada mulher, durante todo o acompanhamento do trabalho de parto e parto. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011).

Não é raro que os partos abdominais sejam agendados antes da mulher entrar em trabalho de parto, isso é justificável quando encontramos uma média de tempo percorrido entre o processo parturitivo e a indicação de parto abdominal inferior ao parto vaginal, sendo realizados em no máximo 03h21min após a admissão da gestante no setor de obstetrícia.

Em relação ao gráfico n. 03, podemos observar índice de Apgar do recém- nascido no primeiro e quinto minuto de vida independente a via de nascimento. Constatamos uma média de Apgar com 8 pontos no primeiro minuto e no quinto minuto 9 pontos.


Gráfico 03: Índice de Apgar

Fonte: Os autores, 2011

Quando comparamos o índice de Apgar com a via de parto (Gráfico n. 04), percebemos que nos 1025 nascimentos via vaginal o índice ficou entre 8,25 pontos no primeiro minuto e 9,12 pontos no quinto minuto de vida. Em se tratando da via abdominal os recém-nascidos apresentaram no primeiro minuto 8,27 pontos e quinto minuto 9,17 pontos. O que não difere o Apgar por via de nascimento.


Gráfico 04: Índice de Apgar relacionado com a via de parto

Fonte: Os autores, 2011.

Quando comparado o índice de Apgar com a idade gestacional do grupo pesquisado, o gráfico n. 05 expressa o Apgar por idade gestacional.



Gráfico 05: Índice de Apgar relacionado com idade gestacional

Fonte: Os autores, 2011.

As gestantes que deram a luz com idade gestacional inferior a 37 semanas de gestação, totalizaram 160 pacientes (9,6%), as quais apresentaram um índice de Apgar de 6,78 pontos no primeiro minuto e 7,96 pontos no quinto minuto de vida.

A idade gestacional de 37 a 41 semanas ficou com a melhor pontuação de Apgar, em média 8,42 pontos no primeiro minuto e no quinto minuto de vida, 9,27 pontos. Ziegel e Cranley (1985)e Ministério da saúde (2011) reforçam estes dados em que a pontuação maior acerca do Apgar esteja relacionado diretamente com a idade gestacional adequada para o nascimento e a maturidade fisiológica, em especial o sistema respiratório, fundamentais para manutenção da vida extrauterina.

O RN pode ser colocado em um dos três grandes grupos clínicos, de acordo com o índice de Apgar que recebe. Bebês vigorosos recebem índices de 7 a 10pontos. Esses bebês costumam chorar dentro de poucos segundos após o nascimento. Em geral não precisam de tratamento. Os bebês do grupo deprimido recebem índices 4, 5 ou 6 e podem exigir algumas medidas de reanimação para aprimorar sua condição. Apresentam uma boa frequência cardíaca e irritabilidade reflexa, porém não fazem um esforço respiratório satisfatório, sua cor é cianótica e seu tônus muscular poderá não ser bom. Os bebês enquadrados no grupo intensamente deprimido recebem índices de 0 a 3, necessitam de reanimação imediata (ZIEGEL e CRANLEY, 1985, TAMEZ e SILVA, 2006).

O estudo mostrou que quando comparado o peso de nascimento com o índice de Apagar, gráfico n. 06, temos como resultado 31 recém- nascidos (1,8%) com peso de 500 a 1500 gramas, apresentando uma media de pontuação no primeiro minuto de vida 4,61 pontos e no quinto minuto de 5,65 pontos, valores considerados inapropriados, onde terão que ser realizado medidas de reanimação para melhorar sua condição fisiológica. A melhor pontuação de Apgar foi observado no peso de nascimento entre 2500 a 3500 gramas, correspondendo a 1.182 nascimentos (71,3%), no primeiro minuto 8,41 pontos e quinto minuto de vida 9,26 pontos. Acreditamos que essa pontuação maior do índice de Apgar relacionada com o peso de nascimento, esteja ligada com a idade gestacional adequada ao nascimento e com melhores condições fisiológicas.

Gráfico 06: Índice de Apgar relacionado com peso de nascimento

Fonte: Os autores, 2011.
No que se refere à idade gestacional podemos observar no gráfico n. 07, baseado na regra de Nãengele, no momento do nascimento 1488 pacientes (90%) apresentaram idade de 37 a 41 semanas de gestação. Preocupa-nos é o numero de nascimentos prematuros, onde obtivemos 160 recém-nascidos (10%) com idade inferior a 37 semanas de gestação. Cumpre lembrar que a duração da gestação é de 280 dias, em média, isto é, 40 semanas de gestação, podendo ser considerado recém- nascido a termo aquele que nasce com 37ª a 41ª semana de gestação (Ministério da Saúde,2000). As características e a fisiologia dos neonatos, maturos e imaturos, nascidos com alterações do desenvolvimento intra-uterino é de responsabilidade dos profissionais determinar os detalhes da assistência que dispensará ao bebê através da avaliação das necessidades específicas dele (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

Às vezes a gravidez termina antes do termo; quando isso acontece após o feto haver atingido o período de viabilidade (por volta da vigésima sexta semana da gravidez), mas antes do término da trigésima sexta semana de gestação, o termo trabalho de parto prematuro é empregado. Do fim da trigésima sexta semana, até o termo, o feto e, consequentemente, o trabalho de parto podem ser considerados como a termo (ZIEGEL e CRANLEY,1985).



Gráfico 07: Idade gestacional de acordo com a regra de Nãengele

Fonte: Os autores, 2011.

Em relação ao peso ao nascimento podemos observar que 1182 recém-nascidos (71%), apresentaram peso de 2500 a 3500 gramas. Acima de 3500 gramas observamos 303 recém-nascidos (18%), e o mais preocupante 172 recém-nascidos (11%) com peso inferior a 2500 gramas. Lembramos que o peso isolado não tem valor para a obstetrícia, deve ser correlacionado com a idade gestacional, para poder determinar se esta adequado ao nascimento.



Gráfico 08: Peso do recém- nascido em gramas

Fonte: Os autores, 2011.
Quando comparamos a idade gestacional das pacientes estudadas com o peso ao nascimento, gráfico n. 09 observamos 1.135 casos (76,2%) com 37 a 41 semanas de gestação e peso fetal de 2500 a 3500 gramas ao nascimento. Com a mesma idade gestacional e peso superior a 3500 gramas temos 298 nascimentos (20%). Em relação a idade gestacional de 37 a 41 semanas de gestação e peso de nascimento inferior a 2.499 gramas temos 55 recém-nascidos (3.4%).

Preocupa-nos a idade gestacional inferior a 37 semanas e com peso de nascimento entre 500 a 2499 gramas, onde constatamos 116 nascimentos (72,5%). O peso em gramas do RN isolado não tem significado para a obstetrícia, precisa estar associado com a idade gestacional para definir se esta adequado ou não ao nascimento.

O peso médio de nascimento do bebê a termo é de 3.400 gramas. Existem amplas variações de peso em um RN a termo que devem ser consideradas. Um bebê a termo que nasce com peso igual ou inferior a 2.500gramas é considerado de baixo peso ao nascer. Um RN que apresentar ao nascimento um peso de 4080 gramas é considerado excessivo, podendo provocar distocia, aumentando o risco de dano para a mãe e bebê (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

Embora a maturação pulmonar seja vital à sobrevivência extra-uterina, a maturação dos outros sistemas também é de grande importância. Quanto mais tempo o bebê permanece no útero, maiores são as suas probabilidades de sobrevivência. Seu peso é geralmente inferior a 2.500g seu comprimento é menor do que 47cm, e a circunferência da sua cabeça frequentemente inferior a 33cm. Bebês com 24 a 30 semanas de gestação geralmente pesam entre 50 e 1.500g. Os moderadamente prematuros, com 31 a 36 semanas de idade gestacional, variam entre em termo de peso de 1.500g até mais de 2.500g e 3.250g (ZIEGEL e CRANLEY,1985).


Gráfico 09: Idade gestacional relacionado com peso de nascimento

Fonte: Os autores, 2011.

Em relação à idade das pacientes podemos observar no estudo que 728 gestantes (44%) possuem idade entre 18 a 25 anos, e 121 gestantes (7%) apresentavam idade acima de 36 anos. Outro fator preocupante é o grupo etário abaixo de 18 anos, correspondendo a 297 gestantes (18%). De acordo Ziegel;Cranley,1985, os dois extremos do ciclo reprodutivo apresentam maior risco de complicação, tanto médicas como sócio - psicológicas no que diz respeito a concepção. É considerado extremo da idade reprodutiva mulheres com idade inferior a 18anos e acima de 35 anos.

Frequentemente uma gravidez na adolescência significa uma interrupção nos estudos, oque pode alterar significativamente o futuro da adolescente. Devido sua imaturidade fisiológica, estado nutricional e relutância em procurar precocemente a assistência pré-natal, elas apresentam um maior risco de desenvolver toxemia , trabalho de parto prematuro, bebês de baixo peso e parto abdominal (ZIEGEL; CRANLEY,1985).

As mulheres gravidas com 35 anos ou mais são definidas como obstetricamente idosas, e apresentam um alto risco de complicação obstétrica, como placenta previa, descolamento placenta, toxemia e outras. Alterações genéticas como a trissomia do 21, síndrome de Down, sendo uma incidência de 1 em 100 , após a mãe atingir os 35 anos(ZIEGEL e CRANLEY,1985).



Gráfico 10: Idade da paciente

Fonte: Os autores, 2011.

O gráfico n.11 relaciona o números de aborto com a idade da paciente. Percebeu-se que o numero maior de abortos acontece em todo ciclo reprodutivo da mulher, no ano pesquisado identificamos 131 abortos (8%). No contexto da mortalidade materna, a incidência observada de óbitos por complicações de aborto oscila em torno de 12,5% do total dos óbitos, ocupando, em geral, o terceiro lugar entre suas causas, observado as amplas variações entre os estados brasileiros (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).

A discriminação e os agravos à saúde impostos às mulheres, por razões culturais, legais e religiosas que envolvem a questão do aborto, têm contribuído para a precariedade da assistência e aumento da mortalidade e morbidade por esta causa.

Gráfico 11: Aborto relacionado com idade da paciente

Fonte: Os autores, 2011.

Em relação ao numero de gestações anteriores podemos observar no gráfico n.12 que 798 pacientes (48%) estavam na primeira gravidez, com 1 a 2 gestações anteriores obtivemos 698 pacientes (42%), e acima de 03 gestações anteriores tivemos 158 pacientes (9%). Quando falamos em humanização da assistência de enfermagem no processo parturitivo é processo de enfermagem, devemos nos reportar aos demais componentes da família, para que realmente ocorra uma integração da assistência de forma sistêmica e humanizada nos cuidados de enfermagem.



Gráfico 12: numero de gestações anteriores

Fonte: Os autores, 2011.

Podemos observar neste gráfico n.13, que apenas 473 pacientes (29%) relata ter como matrimônio civil o casamento, 616 pacientes relatam ter uma união estável (37%), e 552 pacientes(33%) relatam estar solteiras. A sociedade moderna vive uma crise de valores éticos e morais sem precedentes. Essa é uma constatação que nada tem de original, pois todos a estão percebendo e vivenciando de alguma maneira. Entretanto, é importante compreender que, apesar de todas as situações aqui expostas, o objetivo não é o de condenar ou julgar a opção de civil de cada um, mas recordar que uma família estrutura faz a diferença na formação de um novo ser humano.



Gráfico 13: Estado civil

Fonte: Os autores, 2011.


Em relação às consultas realizadas no pré-natal podemos observar no gráfico n. 14 que 1.207 pacientes (73%) realizaram acima de 07 consultas durante a gravidez, enquanto que 391 pacientes(24%) realizaram apenas 4 a 6 consultas. Entretanto apesar de toda a informação e disponibilidade de Unidades Básicas de Saúde no município, ainda temos 14 pacientes que não realizaram nenhuma consulta de pre- natal no decorrer do período gravídico. A assistência pré-natal visa manter a integridade das condições de saúde materna e fetal. Para isso, é necessário que o início do pré-natal seja o mais precoce possível, de preferência antes da 12ª semana de gestação, a fim de identificar e prevenir intercorrências clínicas, cirúrgicas e obstétricas que possam trazer agravos à gestante ou ao feto.

Segundo o Ministério da Saúde (2001), o número de consultas pré-natais deve ser, no mínimo, 6 ,nas pacientes de alto risco, o intervalo das consultas deve ser avaliado individualmente e de acordo com a gravidade de sua doença, sendo o acompanhamento, algumas vezes feito com a paciente internada.



Gráfico 14: Numero de consultas no pré-natal

Fonte: Os autores, 2011.
O próximo gráfico n.15 demostra a relação das consultas realizadas no pré-natal e a escolaridade da paciente. Nota-se que as pacientes que tem a maior escolaridade 8 a 11 anos de estudos, 699 pacientes (42,1%) foram as que mais realizaram consultas pré-natais, acima de 07 consultas. Assim, estas mães dariam maior importância ao pré-natal e/ou teriam um acesso mais fácil ao acompanhamento de sua gestação.

Gráfico 15: Consulta pré-natal relacionado com escolaridade

Fonte: Os autores, 2011.
De acordo com nossa pesquisa podemos constatar no gráfico n. 16, que a escolaridade da população pesquisada em 955 pacientes (58%), estudaram entre 8 a 11 anos, apenas 165 pacientes (10%) estudaram mais de 12 anos, e o problemática maior são 51 pacientes (3%) que estão analfabetas ou estudaram apenas até a 3 anos, não o suficiente para alfabetização. Pode-se dizer que a baixa escolaridade materna é um fator importante que pode predispor ao aparecimento de situações potencialmente de risco para a mãe e o recém-nascido, pois está associada ao baixo peso ao nascer, à perimortalidade, neomortalidade e mortalidade infantil, assim como ao aumento do número de partos (TAMEZ e SILVA, 2006, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).


Gráfico 16: Alfabetização em anos concluídos

Fonte: Os autores, 2011.

O gráfico n. 17 mostra as profissões das pacientes pesquisadas. Temos 977 pacientes (59%) com profissão do lar, 87 pacientes (5,3%) trabalham como auxiliares de produção, 55 pacientes (3,3%) trabalham na agricultura e outras profissões em menor porcentagem.



Gráfico 17: Profissão

Fonte: Os autores, 2011.

Em relação às doenças respiratórias do nascimento, pode-se constatar conforme gráfico n. 18, que 33 recém-nascidos (20%) apresentaram Taquipnéia transitória ao nascimento, sendo que estes 10 nasceram por via vaginal (6,2%), e 23 recém-nascidos de via abdominal (14,2%). O desconforto respiratório representado pela membrana hialina e a taquipnéia transitória é a patologia que mais frequentemente acomete os recém- nascidos, especialmente quando a gestação é interrompida prematuramente, com idade gestacional inferior a 37 semanas (COSTA et al, 1994).

Quanto à Doença da Membrana Hialina, observamos que 10 recém- nascidos apresentaram, na sua totalidade eram nascimento por via abdominal e tinham idade gestacional inferior a 37 semanas de gestação. Os prematuros são especialmente suscetíveis à Síndrome da Angústia Respiratória (Doença da Membrana Hialina). Essa doença ocorre em bebês que não possuem quantidade adequada de surfactante para uma boa função pulmonar pós-natal. O surfactante pode ser deficiente ao nascimento devido à imaturidade extrema das células de revestimento alveolar ou por diminuição da produção (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

Em se tratando de aspiração de mecônio/líquido amniótico,22 recém- nascidos apresentaram, corresponde (13,6%) destes, 12 nascimentos foram de parto vaginal e 10 de abdominal. Observa-se que destes recém-nascidos que apresentaram aspiração de mecônio /liquido amniótico, 12 tinham idade gestacional superior a 42 semanas de gravidez, e 10 tinham idade gestacional de 37 a 41semanas. Segundo Tamez; Silva (2006) aspiração de mecônio pode ocorrer em qualquer condição onde a hipóxia faça com que o feto elimine mecônio in útero. O bebê sofrendo de hipóxia está em risco de aspiração intrauterina, ou na ocasião do parto. Os fatores associados à eliminação de mecônio pode ser o retardo no desenvolvimento fetal e a pós-maternidade, condições onde a hipóxia intrauterina e a eliminação do mecônio podem ocorrer devido à insuficiência da função placentária.

O estudo nos permitiu identificar 95 recém-nascidos (59%) apresentaram outras doenças que não respiratórias. A assistência deve basear-se num sistema que garanta cuidados contínuos da equipe de saúde proporcional ao nível de risco do neonato. A determinação do risco de cada paciente, em cada momento do processo assistencial, permite alocar recursos adequados às necessidades de forma eficiente.

Gráfico n 18: dificuldades respiratórias do recém-nascido

Fonte: Os autores, 2011.

Quanto ao encaminhamento do recém-nascido patológico para tratamento observou-se que 89 recém-nascidos (5%) foram internados na Unidade de Terapia Intensiva, 75 recém-nascidos (5%) internaram na Unidade de Cuidados Intermediários. Os demais recém-nascidos do estudo 1.483 foram encaminhados para o Alojamento Conjunto. Conforme gráfico abaixo:



Gráfico 19: Internação do recém-nascido patológico

Fonte: Os autores, 2011.
O estudo demostrou que em relação à Sistematização da assistência de enfermagem (SAE) que nos 1647 prontuários apurados, nenhum apresentava o processo de enfermagem descrito no atendimento ao recém-nascido com patologia respiratória. Acreditamos que a processo de enfermagem seja imprescindível no cuidado ao recém- nascido patológico, considerando que no ano pesquisado tivemos 161 nascimentos com alguma intercorrência, o olhar criterioso e minucioso do enfermeiro, o exame físico detalhado faz-se necessário para uma adequada assistência ao recém- nascido frágil e susceptível a doenças. O enfermeiro em geral tem a responsabilidade de realizar essas observações e anotações de forma científica. Neste aspecto, percebe-se a importância de uma assistência de enfermagem estruturada, sincronizada e atualizada, para dispor um atendimento seguro ao recém- nascido evitando agravos, o que exige da equipe inúmeras técnicas e procedimentos de reconhecida competência.

Em relação aos aspetos legais da aplicabilidade da SAE a Resolução do COFEN nº 358/2009 (2009, p.01), dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem. Notamos que apenas a o

A Sistematização da Assistência de Enfermagem é uma atividade inerente ao enfermeiro que por meio de método cientifico, realiza a identificação das ações de Assistência de Enfermagem, que possam contribuir para as formas de promoção, prevenção e recuperação em saúde do individuo, família e comunidade (PASSOS e VOLPATO, 2009).


  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao término da pesquisa foi possível identificar que a instituição hospitalar pesquisada não utiliza da sistematização da assistência de enfermagem para realizar os cuidados destinados aos recém-nascidos com patológicos respiratórios.


Em andamento.......

6 REFERÊNCIAS



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  1. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Políticas públicas de Saúde.


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