Objetivo geral


Atendimento ao Recém-nascido



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3.3 Atendimento ao Recém-nascido


A enfermeira que assiste o recém-nascido precisa ter o conhecimento das alterações, anormalidades e patologias peculiares ao período neonatal e das que surgem antes do nascimento ou na ocasião dele. Considerando o seu estreito e constante contato com o recém-nascido, o enfermeiro está capacitado a fazer observações valiosas sobre o funcionamento dos diversos sistemas orgânicos, dos desvios da normalidade e do aparecimento dos primeiros sinais e sintomas de enfermidade. Deve estar apto a reconhecer as manifestações mais precoces das anormalidades ou patologias e compreender seu significado. Esse início oportuno pode ser essencial à sobrevivência do RN (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

A dificuldade respiratória pode apresentar-se ao nascimento ou surgir após o estabelecimento das primeiras incursões respiratórias normais. A insuficiência respiratória pode estar relacionada com falência do sistema nervoso central ou pode decorrer do distúrbio no próprio aparelho respiratório, ou ambos, podem estar acometidos.

Condições que resultam em oxigenação inadequada do feto são capazes de gerar angústia respiratória após o parto, quer como uma dificuldade imediata ou tardiamente. A hipóxia é extremamente prejudicial ao feto e ao recém-nascido. A asfixia é uma das duas causas mais comum de morte neonatal. Algumas vezes o bebê que sobrevive a ela apresenta dano cerebral permanente (TAMEZ e SILVA, 2006).

Dentre as complicações que ocorrem antes do parto e também comumente após ele estão: enfermidade materna decorrente de toxemia gravídica, diabetes, patologia cardiorrespiratória, sangramento anterior ao parto, eritoblastose fetal, interferência na circulação do cordão umbilical, depressão do centro respiratório do bebê em virtude de analgesia ou anestesia materna, trabalho de parto prolongado, contrações intensas e prolongadas e traumatismo no momento do parto, resultando em hemorragia cerebral Problemas do bebê após o parto que podem determinar dificuldade respiratória são: imaturidade pulmonar, obstrução das vias aéreas, anomalias congênitas, infecção e doença hemolítica (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

Todos os bebês devem ser observados criteriosamente durante as primeiras horas de vida, porem alguns RN tem predisposição com uma possível insuficiência respiratória. Dentre esses incluem os bebês nascidos prematuramente, aqueles cujas mães apresentam complicações durante a gestação. Os recém-nascidos predispostos à insuficiência respiratória devem permanecer sob observação constante, para que as alterações importantes sejam precocemente detectadas (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

Para estes autores, compete ao enfermeiro:

observar cuidadosamente no tocante ao tipo de respiração, à frequência respiratória, à velocidade do pulso, à pressão sanguínea, à coloração da pele e à temperatura. A frequência com que os sinais vitais são registrados é determinada pela condição do bebê. Faz-se a primeira anotação no momento da admissão e a seguir a cada meia hora (ZIEGEL e CRANLEY, 1985, p. 607).
Imediatamente ao nascer o neonato precisa assumir as funções vitais para sua sobrevivência, até então realizadas pela placenta intra - útero. Com o nascimento dá - se um período critico de 24 horas, chamado de período de transição, que engloba a adaptação do neonato da vida intra - uterina para a vida extra-uterina (KENNER, 2001).

Para sobreviver o neonato precisa atravessar com sucesso o período de transição, que impõe alterações em todos os sistemas corporais do recém-nascido associado a uma ampla variedade de estímulos externos.

A respiração se instala dentro de um minuto após o nascimento na maioria dos bebês normais, muitos bebês realizam sua primeira incursão respiratória dentro de poucos segundos, e muitas vezes choram vigorosamente logo que acabam de nascer (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Um choro intenso ao nascimento evidencia que o sistema respiratório está funcionando bem. No entanto, alguns bebês apresentam um retardo no início da respiração, ou então fazem movimentos respiratórios inapropriados logo após o nascimento sendo necessário intervenção profissional imediata acerca das manobras de reanimação para prevenir a hipóxia que, se não for tratada, progride rapidamente e pode resultar em dano das células cerebrais ou em morte do bebê (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Durante a gestação as características respiratórias anatômicas e fisiológicas se desenvolvem progressivamente, preparando o feto para as modificações respiratórias abruptas do nascimento.

Kenner (2001) diz que entre as semanas 24 e 30 da gestação, os pneumócitos do tipo II(células alveolares) começam a secreção limitada de fosfolipídios, denominado de surfactante. O surfactante pulmonar tem a função primordial de diminuir a tensão superficial dos alvéolos pulmonares e evitar o colapso alveolar ao final da expiração.

A tensão superfície alveolar diminuída facilita as trocas gasosas, diminui as pressões de insuflação necessárias para a abertura das vias aéreas respiratórias, melhorando a complacência pulmonar e o esforço respiratório (KENNER, 2001).

Os pulmões do RN contem no seu interior liquido amniótico secretado pelos pulmões, cavidade amniótica e traquéia. A quantidade de liquido que cada pulmão tem ao nascimento é determinada pela capacidade residual funcional de cada neonato, que atinge comumente 30 a 25 ml/kg de peso corporal do RN. Para que o RN consiga respirar ao nascimento ela precisa substituir rapidamente o fluido pulmonar por oxigênio, isso acontecerá com as primeiras respirações (TAMEZ e SILVA, 2006).

Para Kenner (2001, p. 4):

“a remoção dos fluidos pulmonares, à medida que o tórax do RN se comprime no canal vaginal, a compressão força para fora cerca de 1/3 do liquido pulmonar através da boca e nariz. A circulação pulmonar e o sistema linfático absorvem os 2/3 restantes após o começo da respiração”.


Após o tórax do RN ter passado no canal vaginal uma retração elástica aspira em media 40 cc de ar para o interior dos pulmões para substituir o fluido pulmonar que foi expelido no decorrer da passagem no canal. A cada movimento respiratório a capacidade pulmonar residual aumenta, melhorando o fluxo respiratório.O tempo médio para limpar os pulmões em um RN a termo varia de 6 a 24 horas. “A remoção inadequada do fluido pulmonar pode causar taquipnéia transitória, um problema comum em neonatos” (KENNER, 2001, p. 4).

Para cuidar do recém-nascido, a enfermeira necessita estar atenta ao nascimento do bebê, das várias transformações adaptativas que ele necessariamente precisará sofrer para ajustar-se à vida extra - uterina e de suas necessidades durante o período de adaptação.

As características e a fisiologia dos neonatos, maturos e imaturos, nascidos com alterações do desenvolvimento intra - uterino é de responsabilidade dos profissionais determinar os detalhes da assistência que dispensará ao bebê através da avaliação das necessidades específicas dele (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

O período inicial de quatro semanas após o nascimento é geralmente conhecido como período neonatal, embora suas principais características pertençam às primeiras duas semanas de vida pós-natal. Durante esse período, o bebê faz as adaptações fisiológicas necessárias à transição da vida intra-uterina para a extra-uterina. As alterações mais drásticas ocorrem no momento do nascimento. O maior índice de mortalidade na infância ocorre durante o período neonatal. O índice de morbidez também é elevado, especialmente durante os primeiros dias de vida extra-uterina (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

A respeito do nascimento, o bebê sofre profundas alterações em seu meio ambiente. Em um meio uterino favorável, o feto dispõe de alimento, calor e proteção aos danos externos. Deve, imediatamente ao nascimento, começar a viver de forma independente e para isso precisa estabelecer a função respiratória e cardíaca (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

Muitas alterações adaptativas são necessárias à vida extra-uterina mas duas são consideradas fundamentais e vitais, do aparelho respiratório e sistema circulatório. Os riscos que o recém-nascido corre ao nascer durante a sua adaptação à vida extra-uterina podem ser antecipados e minimizados, se se deseja proporcionar-lhe as melhores possibilidades de vida. A assistência deve ser dirigida no sentido de propiciar-lhe as condições mais favoráveis possíveis ao funcionamento normal, com um mínimo esforço. Para a manutenção da vida, o aparelho respiratório deve funcionar imediatamente após o nascimento. A ventilação pulmonar deve ter início imediatamente após o nascimento, como também deverá ocorrer um rápido aumento na circulação pulmonar ( ZIEGEL e CRANLEY,1985).

Estes autores seguem afirmando que a maturação adequada dos pulmões é essencial á vida extra-uterina, de todos os órgãos do corpo, a fase de maturação dos pulmões é o mais crucial, a expansão pulmonar e troca gasosa só será efetiva se os pulmões estiverem maduros.

Em termos de formação os pulmões estão em continuo desenvolvimento durante a vida fetal e a infância. Primeiramente surgem os brônquios e condutos, sendo seguidos pelos espaços aéreos potenciais, que posteriormente se transformaram em alvéolos, surgem como pequenas protuberâncias que se destacam dos brônquios. Durante o desenvolvimento progressivo dos espaços aéreos, a porção vascular dos pulmões também se desenvolve, com um número cada vez maior de capilares estendendo-se para os espações aéreos e entrando em contado direto com eles (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Aproximadamente na 24ª semana de gestação, os espaços aéreos pulmonares, aparecem como sáculos. Com o desenvolvimento dos sáculos, ocorre um aumento de suas membranas sem aporte de vasos sanguíneos para as mesmas. Por volta da 26ª semana de gestação, vasos sanguíneos podem ser suficientes para manter a vida se o bebê nascer nesse período. Até então, os capilares pulmonares e a membrana sacular não estão suficientemente desenvolvidos para a troca gasosa. Até a 30ª semana, o pulmão do feto ainda é estruturalmente imaturo e existe pouco ou nenhuma reserva para a manutenção a vida extra-uterina. A partir da 30 e a 36ª semana, as reservas são melhores e o bebê será capaz de aumentar sua ventilação na vida extra uterina (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

O pulmão do feto produz cerca de 80 a 110 ml do fluido pulmonar, acham-se presentes nas vias aéreas e um feto a termo ao nascimento. Essa quantidade considerável de fluido pulmonar durante a última metade do desenvolvimento intra-uterino garante a expansão dos espaços aéreos. Parte desse fluido passa por um líquido amniótico e parte é engolida pelo bebê. Este fluido deve ser removido para permitir o movimento adequado de entrada e saída de ar dos pulmões no momento do nascimento (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Aproximadamente um terço do fluido pulmonar é extraída dos pulmões durante o nascimento por via vaginal, quando o tórax do bebê é comprimido na passagem pelo canal do parto. O fluido remanescente é levado para o interior dos pulmões na primeira respiração e depois integrado na corrente sanguínea pelos capilares e linfáticos pulmonares. Em um bebê a termo saudável, os pulmões podem estar limpos após umas poucas respirações ou, quando muito, uma hora após o nascimento (ZIEGEL e CRANLEY,1985).

Segundo estes autores, um bebê imaturo não possui linfáticos tão desenvolvidos quanto um RN a termo e, portanto, pode apresentar um ritmo de absorção do fluido pulmonar diminuído. Algumas vezes o processo do nascimento não comprime as paredes torácicas, e pouco ou nenhum fluido é extraído dos pulmões. Isso pode ocorrer na liberação do canal do parto de um bebê muito pequeno ou no parto cesáreo.

O surfactante pulmonar é um material tensoativo, que reveste normalmente os alvéolos. É um complexo de proteínas e lipídios, uma lipoproteína, do qual a lecitina, agente emulsificante natural muito importante é um componente tensoativo. Tem as propriedades de alterar a tensão superficial dos alvéolos, impedindo o colabamento no final do movimento expiratório. A tensão superficial entre duas superfícies úmidas quaisquer é normalmente grande e seria bastante alta entre as superfícies alveolares e úmidas sem a presença dessa substância redutora da tensão superficial. Entretanto para que a respiração do bebê seja efetiva ao nascimento os pulmões precisam de sacos aéreos desenvolvidos e também que o revestimento alveolar tensoativo tenha sido produzido. A partir da vigésima terceira semana de gravidez é produzida em quantidade crescente (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Devido à sua propriedade de reduzir a força coesiva entre as superfícies úmidas dos alvéolos, o surfactante pulmonar é necessário à manutenção da expansão pulmonar adequada. O resultado dessa tensão superficial aumentada é uma acentuada retração dos alvéolos em cada expiração. Tal retração reduz o ar residual comumente retido nos pulmões ao término da expiração. Como consequência a um esforço muito maior que o normal na próxima inspiração, a fim de preencher novamente os pulmões, e cada respiração pode requerer tanto esforço quanto o necessário para a primeira respiração da vida (ZIEGEL e CRANLEY,1985).


O surfactante pulmonar tem a função de estabilizar as respirações e de prevenir a atelectasia. Esse revestimento, que possui a propriedade de conseguir um tensão superficial muito baixa quando comprimento, previne o colapso total dos alvéolos em cada expiração. Algum ar residual fica, portanto, retido nos pulmões ao término de cada expiração, e estes não necessitam ser reabertos a cada nova respiração (ZIEGEL e CRANLEY, 1985, p. 467).
As respirações do bebê devem ser calmas e não acompanhadas por dispnéia nem cianose. A cor do RN ao nascer é um pouco cianótica, mas normalmente torna-se rosada em poucos minutos e assim permanece. A cianose das mãos e pés e a peitoral podem persistir por uma ou duas horas, mas, subsequentemente, essas partes do corpo também devem tornar-se rosadas. Uma circulação periférica lenta e uma temperatura corporal baixa podem ser responsabilizadas por essas áreas de cianose (KENNER, 2004).

A frequência respiratória média é de aproximadamente 40 respirações por minuto. A respiração do bebê normal é regular em ritmo e sem retração torácica, embora possa ocasionalmente, sem fugir a normalidade, apresentar curtos períodos de irregularidade no ritmo. Uma frequência respiratória superior a 60 ou inferior a 30 respirações por minuto deve ser avaliada criteriosamente, especialmente em presença de outras dificuldades Os movimentos respiratórios no RN são desempenhados pelo diafragma e pelos músculos abdominais, existe muito pouco movimento torácico (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Um recém-nascido pode ter muco no nariz, na boca e na orofaringe e pode expectorar ou vomitar conteúdos estomacais durante as primeiras horas de vida pós-natal. Esse muco ou fluido acarreta episódios de náuseas, o bebê pode necessitar de auxílio para desobstruir o trato respiratório. Normalmente o muco é retirado por sucção (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

O nariz RN é pequeno, raso e estreito, os orifícios da cavidade nasal são pequenos. A desobstrução das vias aéreas nasais é muito importante para o recém-nascido, pois ele normalmente respira pelo nariz. A respiração pela boca é muito difícil para um bebê e a obstrução nasal lhe causaria considerável desconforto (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

O bebê pré-termo apresenta uma série de problemas especiais devido à imaturidade de seus sistemas, porém a magnitude desses problemas dependerá do grau de prematuridade do bebê. A mortalidade neonatal aumenta progressivamente com o grau de prematuridade.

As características do bebê pré-termo depende do tempo de gestação. Pode-se prever que um bebê nascido antes do termo apresente imaturidade de todos os sistemas pulmonar, cardiovascular, gastrintestinal e renal. Vários problemas criados pela imaturidade podem estar interligados e exigem que o bebê receba cuidados especializados.

De acordo com Ziegel e Cranley (1985, p. 573):

o desenvolvimento dos pulmões, particularmente a produção adequada de surfactante, é o principal fator que influencia a sobrevivência de um prematuro após o nascimento. Sem a produção adequada e contínua de surfactante, causa comum de doença grave e morte do bebê pré-termo.


Embora a maturação pulmonar seja vital à sobrevivência extra - uterina, a maturação dos outros sistemas também é de grande importância. Quanto mais tempo o bebê permanece no útero, maiores são as suas probabilidades de sobrevivência. Seu peso é geralmente inferior a 2.500g seu comprimento é menor do que 47cm, e a circunferência da sua cabeça frequentemente inferior a 33cm. Bebês com 24 a 30 semanas de gestação geralmente pesam entre 50 e 1.500g. Os moderadamente prematuros, com 31 a 36 semanas de idade gestacional, variam entre em termo de peso de 1.500g até mais de 2.500g e 3.250g (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Em RN prematuros a uma maior tendência de angústia respiratória do que no bebê a termo, isso pode se manifestar por respirações rápidas, dispneia, crises de cianose e períodos de apnéia. Existe uma tendência à obstrução nasal devida ao muco e à presença de grandes adenoides, que ocupam a nasofaringe. O bebê pode se apresentar inativo, e seu choro é frequentemente fraco, lamuriento e monótono (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Os prematuros são especialmente suscetíveis à Síndrome da Angústia Respiratória, doença conhecida como a síndrome da Membrana Hialina. Essa doença ocorre em bebês que não possuem quantidade adequada de surfactante para uma boa função pulmonar pós-natal. O surfactante pode ser deficiente ao nascimento devido à imaturidade extrema das células de revestimento alveolar ou por diminuição da produção (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

Normalmente o RN a termo respira dentro de 20 segundos após o parto, estimulado pelo centro respiratório medular. O estimulo é desencadeado em especial pela asfixia respiratória do neonato, porem outros estímulos bioquímicos também entram em ação (sensoriais, térmicos e mecânicos) que estimulam o centro respiratório do RN e mantém a respiração (KENNER, 2001).

A asfixia é definida como uma combinação de hipoxemia, hipercapnia e acidose, proveem o estimulo mais forte para o primeiro movimento respiratório.

De acordo com Kenner (2001, p. 5):

“antes da primeira respiração o neonato tem uma saturação arterial de oxigênio de apenas 10 a 20%, refletindo hipoxemia; uma pressão arterial parcial de dióxido de carbono (PaCO2) de aproximadamente de 50 mmhg,refletindo hipercapnia; e um pH arterial de aproximadamente 7,28,refletindo em acidose”.

O estágio final do parto interrompe as trocas gasosas, mesmo um RN a termo e saudável apresenta certo grau de asfixia ao nascer. A asfixia estimula os quimiorreceptores nos corpos carotídeos e também na aorta. À medida que a estimulação aumenta, o diafragma é estímulo por impulsos eferentes, contraindo-o,estimulando o movimento respiratório (KENNER, 2001).

Existe também outros estímulos que ajudam a interromper a respiração incluem a oclusão do cordão umbilical, alterações térmicas, provocada por perda de calor corporal devido ao gasto energético, estímulos táteis e alterações ambientais como outras luz forte e barulho.

Ao nascimento uma quantidade de fluidos e muco, mecônio e vernix caseosa podem estar presentes na boca, nariz e faringe do RN, que deverá ser removido imediatamente para que o bebê não aspire esse material na primeira respiração (KENNER, 2001).

Alguns médicos utilizam uma seringa com bulbo de borracha para remover o excesso de muco da boca e do nariz logo que a cabeça fetal é expulsa, ou se utiliza a aspiração mecânica, com cateter descartável de Polivinil, onde a boca é aspirado primeiro, pois a estimulação do nariz pode fazer com que o bebê respire e aspire as secreções nela existentes. O cateter pode ser mais eficaz do que a seringa com bulbo, pois consegue penetrar mais profundamente na garganta. A aspiração inicial da boca com o bulbo da seringa pode induzir tosse e engasgo e facilitar os esforços do próprio bebê para eliminar fluidos e muco (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

De acordo com Ziegel e Cranley (1985, p. 389), “a aspiração deve ser feita com delicadeza para prevenir lesão das membranas mucosas e tudo deve ser breve, recomenda-se menos de um minuto”. Se a aspiração for demorada, a criança pode apresentar espasmo laríngeo durante a estimulação de sua faringe, provocando “também bradicardia e arritmias cardíacas graves, complicações essas que podem resultar do estímulo vagal e da falta de oxigênio suficiente”.

Às vezes faz-se também aspiração do conteúdo gástrico, porém essa em geral é adiada até se instalar a respiração de forma efetiva. A aspiração gástrica precoce também pode causar bradicardia e arritmia cardíaca (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

A avaliação do RN deve começar no momento do nascimento. Deve ser observado criteriosamente com relação ao momento do seu primeiro suspiro, seu primeiro choro e o início de uma respiração mantida, realizando um registro completo desses eventos. A enfermeira em geral tem a responsabilidade de realizar essas observações. Muitos bebês não dão o primeiro suspiro e começam a chorar dentro de segundos após o nascimento.

A maioria dos hospitais utiliza um sistema de classificação elaborado pela Dra. Virgínia Apgar em 1952, para fazer uma avaliação clínica das condições do bebê com um minuto após o nascimento, e novamente com 5 minutos.

Segundo Ziegel e Cranley (1985), Barros (2006), o método de Índices de Apgar cinco sinais vitais são averiguados, frequência cardíaca, esforço respiratório, tônus muscular, irritabilidade reflexa e cor, são observados com exatamente um minuto após a completa expulsão do bebê, independentemente da expulsão da placenta e quinto minuto de vida. Cada sinal é avaliado de acordo com o grau em que está presente e classificado com escore variando de zero a dois. Os cinco índices, cada qual atribuído a cada um dos cinco sinais, são somados para fazer um índice total, podendo variar de 0 a 10.

Um bebê em condições adequadas pode receber um índice máximo de 10, e um em condições precárias pode receber um índice total baixo, podendo chegar até 0 (zero).

Nem todos os sinais possuem a mesma importância e são inter-relacionados. A cor constitui o sinal menos importante o primeiro sinal a mudar, e o batimento cardíaco é o mais importante e o último a desaparecer. Quando todos os sinais estão ausentes, desaparecem na seguinte ordem: cor, respiração, tônus muscular, irritabilidade reflexa, batimento cardíaco (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

A atribuição do índice é feita pelos profissionais que se encontram na sala de parto que observa o bebê durante o primeiro minuto após o nascimento. Essa classificação não interfere com os outros cuidados e pode ser feita enquanto o bebê estiver recebendo outras atenções necessárias.

Verificou-se que a classificação é mais fácil quando se toma uma decisão rápida, nos primeiros 60 segundos após o nascimento do bebê. Por causa disso é importante registrar o momento exato do nascimento num relógio com ponteiro de segundos. O profissional que faz a classificação poderá achar útil realizar uma inspeção rápida do aspecto geral da criança e decidir em que ordem observar os sinais. Se o bebê chorou imediatamente após nascer, o observador poderá querer verificar primeiro a respiração e a cor. Se parece ligeiramente deprimido e os movimentos respiratórios estão ausentes nessa ocasião, os três últimos sinais a desaparecer, tônus muscular, irritabilidade reflexa e batimento cardíaco, podem ser verificados.

O esforço respiratório é o segundo sinal mais importante. O bebê vigoroso terá movimentos respiratórios bem estabelecidos dentro do primeiro minuto. Em geral chora com força ao nascer e mantém uma respiração efetiva. O bebê cuja respiração é superficial, lenta e irregular e cujo choro é fraco deve ser considerado como tendo alguma dificuldade. A apnéia exige tratamento imediato.

O tônus muscular é classificado de acordo com a quantidade de flexão das extremidades e com sua resistência à extensão. Um bebê a termo com excelente tônus muscular mantém os braços e as pernas flexionados, resiste aos esforços feitos para coloca-los em extensão e apresenta um bom movimento de todas as extremidades. Se o tônus muscular é moderado, o RN parece sonolento, não é ativo e não mantém flexionadas as extremidades. Um tônus muscular precário indica que o bebê possui um pH sanguíneo e tecidual baixo e que está asfixiado. Um bebê sem tônus se apresenta desfalecido e insensível (ZIEGEL e CRANLEY, 1985 e BARROS, 2006).

Com frequência o sinal de irritabilidade reflexa é testado com uma palmadinha na sola do pé do bebê. O bebê vigoroso responde a esse estímulo com um grito ou choro intenso. Se sua irritabilidade reflexa não é adequada, ele esboçará apenas uma careta e se estiver muito deprimido não responderá. A falta de resposta indica que o sistema nervoso está deprimido.

A cor é o sinal menos importante. A maioria dos RN, mesmo quando são vigorosos, não ficam completamente rosados no primeiro minuto. Todos os bebês apresentam alguma cianose ao nascer e em geral transcorrem de uma a três minutos, até mesmo no bebê sadio, antes de o corpo todo ficar rosado. Assim sendo, bebês vigorosos que recebem índice 2 para todos os outros sinais poderão ter um índice 1 para a cor, pois suas extremidades ainda podem estar azuladas um minuto após o nascimento. Por causa disso, até mesmo o bebê em excelentes condições costuma ter um índice inferior a 10 (ZIEGEL e CRANLEY, 1985).

O RN pode ser colocado em um dos três grandes grupos clínicos, de acordo com o índice de Apgar que recebe. Bebês vigorosos recebem índices de 7 a 10. Esses bebês costumam chorar dentro de poucos segundos após o nascimento. Em geral não precisam de tratamento. Os bebês do grupo deprimido recebem índices 4, 5 ou 6 e podem exigir algumas medidas de reanimação para aprimorar sua condição. Apresentam uma boa frequência cardíaca e irritabilidade reflexa, porém não fazem um esforço respiratório satisfatório, sua cor é cianótica e seu tônus muscular poderá não ser bom. Os bebês enquadrados no grupo intensamente deprimido recebem índices de 0 a 3, necessitam de reanimação imediata (ZIEGEL e CRANLEY, 1985; TAMEZ e SILVA, 2006).



PARÂMETROS DO BOLETIM DE APGAR

PARÂMETROS

VALOR 0

VALOR 1

VALOR 2

Frequência cardíaca

Ausente

< 100

> 100

Esforço respiratório

Ausente

Irregular

Choro forte

Tônus muscular

Flacidez

Alguma flexão

Flexão/movimentos ativos

Irritabilidade reflexa

Ausente

Algum movimento

/ careta


Hiperatividade/choro

/Tosse ou espirro



Cor

Cianose/palidez

Cianose de extremidades

Róseo



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