Objetivo: aumentar a adesão ao tratamento de hipertensão arterial



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL

FUNDAÇÃO OSVALDO CRUZ CERRADO DO PANTANAL

PÓS GRADUAÇÃO EM ATENÇÃO BÁSICA E SAÚDE DA FAMÍLIA

TATIANA DA SILVA SANTOS

Fatores que dificultam a adesão ao tratamento da hipertensão arterial dos usuários da ESF Dr. Breno de Medeiros Guimarães – Corumbá/MS

Corumbá, MS

2011

TATIANA DA SILVA SANTOS



Fatores que dificultam a adesão ao tratamento da hipertensão arterial dos usuários da ESF Dr. Breno de Medeiros Guimarães – Corumbá/MS

Trabalho de Conclusão de Curso com finalidade de aprovação e obtenção de certificação de Especialista em Saúde da Família.

Corumbá - MS

2011


AGRADECIMENTO
Ao meu orientador que me auxiliou em todas as etapas deste trabalho.

Aos meus colegas que me incentivaram.

Ao meu esposo pela paciência nas horas dedicadas ao estudo.

Aos meus familiares pelo apoio e carinho.

RESUMO

Este trabalho demonstra a necessidade de elaborar novas estratégias de ação para redução da morbidade das doenças hipertensivas relacionando os fatores que dificultam a adesão ao tratamento da hipertensão arterial dos usuários da estratégia de saúde da família Dr. Breno de Medeiros Guimarães – Corumbá/MS cadastrados no programa de controle de hipertensão e diabetes. A partir da análise do conhecimento relativo ao programa de controle da hipertensão e diabetes foi proposto estratégias de atuação para melhor tratamento aos hipertensos, baseado na realidade do Brasil. Considerando que as doenças crônicas tem destaque entre as principais causas de morte, é fundamental que sejam definidas ações para adoção de um estilo de vida saudável.



ABSTRACT
This work demonstrates the need for additional action strategies for reducing the morbidity of hypertensive disease factors relating to the adherence to hypertension treatment strategy for users of family health Dr. Breno de Medeiros Guimarães - Corumbá / MS enrolled in program control of hypertension and diabetes. From the analysis of knowledge concerning the program to control hypertension and diabetes has been proposed action strategies for better treatment of hypertension, based on the fact that chronic Brasil. Whereas the chronic disease is prominent among the leading causes of death, it is essential that actions are set to adopt a healthy lifestyle.

SUMÁRIO




  1. INTRODUÇÃO ----------------------------------------------------------------------------------8

  2. JUSTIFICATIVA-------------------------------------------------------------------------------10

  3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ---------------------------------------------------------------13

3.1 DEFINIÇÃO DE HIPERTENSÃO------------------------------------------------------13

3.2 EPIDEMIOLOGIA DA HIPERTENSÃO ----------------------------------------------15

3.3 HIPERTENSÃO PRIMÁRIA -----------------------------------------------------------17

3.4 FISIOPATOLOGIA-----------------------------------------------------------------------17

3.5 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS --------------------------------------------------------18

3.6 DIAGNÓSTICO----------------------------------------------------------------------------19

3.7 TRATAMENTO----------------------------------------------------------------------------19

3.8 EDUCAÇÃO EM SAÚDE----------------------------------------------------------------19

3.9 QUALIDADE DE VIDA------------------------------------------------------------------25


  1. OBJETIVO--------------------------------------------------------------------------------­­­­­-------26

    1. OBJETIVO GERAL-----------------------------------------------------------------------26

    2. OBJETIVO ESPECÍFICO-----------------------------------------------------------------26

  2. METODOLOGIA-------------------------------------------------------------------------------27

  3. DISCUSSÃO E RESULTADOS--------------------------------------------------------------28

  4. CONCLUSÃO-----------------------------------------------------------------------------------31

  5. REFERÊNCIAS---------------------------------------------------------------------------------32

APÊNDICE------------------------------------------------------------------------------------------33

ANEXO-----------------------------------------------------------------------------------------------35




  1. INTRODUÇÃO

O processo de transição epidemiológica resultante da redução das mortes por doenças classificadas como infecciosas conduziu do perfil do quadro de saúde em que predominam as doenças Cardiovasculares.

Atualmente, as doenças crônicas vêm ocupando um lugar de destaque no mundo moderno devido a diversos fatores, dentre estes a adoção de estilos de vida pouco saudáveis por parte da população. A Hipertensão Arterial, doença crônica de cunho cardiovascular, destaca-se acentuadamente neste grupo de doenças, tornando-se um importante fator de risco para alterações vasculares como Acidente Vascular Cerebral, Infarto Agudo do Miocárdio e outras.

De acordo com dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde (Caderno de Hipertensão Arterial da Atenção Básica, 2010), no Brasil são cerca de 17 milhões de portadores de Hipertensão Arterial, traduzindo-se em 35% da população brasileira, cuja faixa etária situa-se entre 40 anos e mais. Diante deste fato, a Hipertensão Arterial devido a crescente morbimortalidade representativa, é considerada por muitos estudiosos como um grave problema de Saúde Pública, não existindo idade para seu início.

Apesar de ser mais freqüente, de acordo com Santos, Rosa, Oliveira et al (2009), em indivíduos maiores de 50 anos de idade, conforme estudos realizados. O envelhecimento populacional está sendo cada vez mais observado, sendo este fator contribuinte para o aumento na prevalência da taxa de Hipertensão Arterial, em consequência das alterações fisiológicas inerente ao próprio processo de envelhecimento (mudanças nas estruturas arteriais, aumento da resistência vascular).

O fato de a Hipertensão Arterial produzir graves complicações sejam elas temporárias ou permanentes, quando não controlada adequadamente gera um ônus financeiro acentuado à sociedade, reproduzindo-se pelas altas taxas de valores dispensados pela Previdência Social, internações e adoção de procedimentos de alta complexidade.

A Hipertensão ocorre quando os níveis de pressão arterial encontram-se acima de valores considerados normais (valores de referência) para a população como um todo. Estes valores são estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e adotados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, formando desta forma, um consenso e padrão. Estes descrevem que o valor padrão de pressão arterial pode ser diferenciado de pessoa para pessoa, apesar de ser considerado 120X80 mmHg o valor ideal e valores superiores a 140X90 mmHg, alteração de pressão.

Uma de suas principais características é sua assintomatologia, dificultando com isso seu diagnóstico e tornando seu tratamento negligenciado. Soma-se a isto a baixa adesão dos pacientes ao tratamento implementado. Estas características determinam um baixo controle da Hipertensão Arterial a níveis considerados como normais no Brasil e no mundo.

A hipertensão arterial é um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por acidente vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, em combinação com o Diabetes Mellitus, 50% dos casos de insuficiência renal terminal (Ministério da Saúde, 2006).

Atualmente, tem sido possível a adoção de algumas estratégias de controle efetivo para redução de fatores de risco com reflexos positivos na morbi-mortalidade para Doenças cardiovasculares.

Levando-se em conta todos estes fatores que se encontram intimamente relacionados, é de fundamental importância e urgência a adoção de modelos estratégicos de saúde que contribuam para a redução dos níveis pressóricos, sejam elas implementadas em nível individual ou coletivo, objetivando acima de tudo melhorar a qualidade da atenção e o alcance do controle pressórico.

Este desafio é, sobretudo, da Atenção Básica que tem um papel primordial na execução do controle da Hipertensão Arterial e constitui como principal cenário de atuação as Estratégias de Saúde da Família que trabalha com uma equipe interdisciplinar, cuja principal função é formar vínculo com a comunidade e clientela adstrita, não deixando de considerar os diversos fatores que interferem diretamente no processo saúde – doença da população (diversidade racial, cultural, religiosa e social).


  1. JUSTIFICATIVA

A importância de se falar sobre a Hipertensão Arterial, está no risco desta ser o principal fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por Acidente vascular Cerebral (AVC), 25% das mortes por Doença Arterial Coronariana (DAC) e, em combinação com o Diabetes, 50% dos casos de Insuficiência Renal Terminal, conforme dados retirados do Caderno de Atenção Básica da Hipertensão Arterial (2010).

A fim de ampliar a justificativa para elaboração deste trabalho, segue abaixo uma tabela, onde contém as principais causas de mortalidade e suas associações de janeiro a abril de 2011 na população da ESF Dr. Breno de Medeiros:



Tabela 1. causas de mortalidade e suas associações de janeiro a abril de 2011 na população da ESF Dr. Breno de Medeiros:


Causa principal

Causa associada

idade

Septicemia/abdômen aberto

Abdômen aberto

18 dias

Cardiopatia hipertensiva

Hipertensão arterial e diabetes mellitus

44 anos

Complicações diabetes

Necrose de perna

53 anos

Hipertensão

Pneumonia

70 anos

Infarto Agudo do Miocárdio

Diabetes Mellitus

69 anos

Parada cardiorrespiratória

Insuficiência pulmonar/mal de Parkinson

79 anos

Assistolia

Infarto agudo miocárdio/ hemorragia digestiva

61 anos

Morte súbita

Senilidade

69 anos

Cirrose Hepática

Pnemopatia

55 anos

Natimorto

Anoxia intrauterina/doença hipertensiva gravídica




Ca de pênis

Síndrome consumptiva/ falência múltipla de órgãos/ insuficiência respiratória aguda

56 anos

Ca de endométrio

Obstrução intestinal laparotomia exploradora/ insuficiência respiratória aguda

55 anos

Acidente de trânsito

Trauma de tórax fechado/ choque hemorrágico

61 anos

Aborto: insuficiência placentária

Anoxia fetal

22 a 27 anos

DPOC

Pneumonia bacteriana/ insuficiência respiratória

72 anos

Parada cardio-respiratória

Choque elétrico

28 anos
Fonte: Sistema de Informação Municipal, 2010

Verifica-se que, a Cardiopatia Hipertensiva como principal causa de mortalidade entre os usuários cadastrados na unidade de saúde enfatizada neste estudo, associada à Hipertensão Arterial com destaque na causa básica. Esta realidade é semelhante à maioria dos municípios brasileiros.

O gráfico abaixo apresenta as causas de morbidade de janeiro a abril de 2011, para a população coberta pela Estratégia de Saúde da Família (ESF), Dr. Breno de Medeiros, equipe 12:

Gráfico 1. Morbidade de janeiro a abril de 2011 população da ESF Dr. Breno de Medeiros:

Fonte: Sistema de Informação, Prefeitura Municipal de Corumbá, 2011.

Conforme análise do gráfico acima é possível observar que a principal causa de morbidade está relacionada à Hipertensão Arterial, mostrando a crescente necessidade do planejamento e execução de ações estratégicas que visam, prioritariamente, a redução de complicações ocasionadas por esta doença.

No entanto, apesar de estar inserido no contexto das equipes de saúde da família o tratamento à Hipertensão Arterial, conforme preconiza o Ministério da Saúde, por meio de protocolos de Atenção Básica há uma significativa relação das doenças hipertensivas com a não adesão ao tratamento, motivando o objeto deste estudo (Saúde, 2010).




  1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA



    1. Definição de Hipertensão

Conforme dados do Ministério da Saúde (2006), no Brasil havia cerca de 17 milhões de portadores de hipertensão arterial, sendo que 35% da população de tem 40 anos e mais. Esse quantitativo tem crescido a cada ano e tem apresentado cada vez mais precocemente em crianças e adolescentes, já que se estima que cerca de 4% desta faixa etária são portadores de hipertensão. A carga de doenças representada pela morbimortalidade devida à doença é muito alta e por tudo isso a Hipertensão Arterial é um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo.

Conforme classificação do Ministério da Saúde (2006), o critério atual de diagnóstico de hipertensão arterial (PA 140/90 mmHg), a prevalência na população urbana adulta brasileira varia de 22,3% a 43,9%, variando de município para município.

A Hipertensão Arterial em muitos casos apresenta-se assintomática, dificultando o diagnóstico e tratamento, além da baixa adesão ao tratamento prescrito pelo médico, são fatores que tem relação ao controle baixo da HAS aos níveis considerados normais em todo mundo a despeito dos diversos protocolos e recomendações existentes e maiores acessos a medicamentos (SAÚDE, 2006).

As modificações de estilo de vida são de fundamental importância no processo terapêutico e na prevenção da hipertensão. As mudanças incluem uma alimentação adequada, sobretudo quanto ao consumo de sal, controle do peso, prática de atividade física, tabagismo e uso excessivo de álcool são fatores de risco que devem ser adequadamente abordados e controlados, sem o que, mesmo doses progressivas de medicamentos não resultarão alcançar os níveis recomendados de pressão arterial (SAÚDE, 2006).

Apesar dessas evidências, hoje, incontestáveis, esses fatores relacionados a hábitos e estilos de vida continuam a crescer na sociedade levando a um aumento contínuo da incidência e prevalência da HAS, assim como do seu controle inadequado. A despeito da importância da abordagem individual, cada vez mais se comprova a necessidade da abordagem coletiva para se obtiver resultados mais consistentes e duradouros dos fatores que levam a hipertensão arterial (SAÚDE, 2006).

Evidências suficientes demonstram que estratégias que visem modificações de estilo de vida são mais eficazes quando aplicadas a um número maior de pessoas geneticamente predispostas e a uma comunidade (SAÚDE, 2006).

A exposição coletiva ao risco e como consequência da estratégia, a redução dessa exposição, tem um efeito multiplicador quando alcançada por medidas populacionais de maior amplitude (SAÚDE, 2006).

Obviamente, estratégias de saúde pública são necessárias para a abordagem desses fatores relativos a hábitos e estilos de vida que reduzirão o risco de exposição, trazendo benefícios individuais e coletivos para a prevenção da HAS e redução da carga de doenças devida às doenças cardiovasculares em geral (SAÚDE, 2006).

Levando-se em conta todos esses fatores intimamente relacionados, é de fundamental importância à implementação de modelos de atenção à saúde que incorporem estratégias diversas-individuais e coletivas a fim de melhorar a qualidade da atenção e alcançar o controle adequado dos níveis pressóricos (SAÚDE, 2006).

Este desafio é, sobretudo, da Atenção Básica, notadamente da Saúde da Família, espaço prioritário e privilegiado de atenção á saúde que atua com equipe multiprofissional e cujo processo de trabalho pressupõe vinculo com a comunidade e a clientela adstrita, levando em conta diversidade racial, cultural, religiosa e os fatores sociais envolvidos (SAÚDE, 2010).

Na série dos Cadernos de Atenção Básica, este dedicado a Hipertensão Arterial Sistêmica atualiza conhecimentos e estratégias e visa melhorar a capacidade da atenção básica para a abordagem integral desse agravo, baseia-se nas evidências científicas atuais e são economicamente sustentáveis para a grande maioria da população brasileira dependente do Sistema Público de Saúde. Tem como grande desafio reduzir a carga dessa doença e reduzir o impacto social e econômico decorrentes do seu contínuo crescimento (SAÚDE, 2010).

“É uma doença crônica, não transmissível, de natureza multifatorial, assintomática (na grande maioria dos casos) que compromete fundamentalmente o equilíbrio dos mecanismos vasodilatadores e vasoconstritores, levando a um aumento da tensão sanguínea nos vasos, capaz de comprometer a irrigação tecidual e provocar danos aos órgãos por eles irrigados.” (SAÚDE, 2010).

De acordo com Brunner (2002), hipertensão é definida como uma pressão arterial sistólica superior a 140 mm Hg e uma pressão diastólica maior que 90 mm Hg durante um período sustentado. A classificação de hipertensão tem relação direta entre o fator de risco de morbidade e mortalidade a partida da hipertensão e o nível de pressões arteriais sistólicas e diastólica. Assim, quanto maior for à pressão, quer diastólica, quer sistólica, maior será o risco.

A hipertensão é definida em três estágios (estágio 1, 2 e 3), sendo dentro da faixa de normotensa, os três níveis de pressão – ótima, normal e normal-alta – foram especificados para indicar que quanto menor for a pressão arterial, menor será o risco. Assim, após duas ou mais mensurações da pressão arterial, obtidas em dois profissionais de saúde, depois de uma avaliação inicial pode ser diagnosticada a hipertensão (BRUNNER, 2002).



    1. Epidemiologia da hipertensão

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo. Ela é um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por acidente vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, em combinação com o diabete, 50% dos casos de insuficiência renal terminal. Com o critério atual de diagnóstico de hipertensão arterial (PA 140/90 mmHg), a prevalência na população urbana adulta brasileira varia de 22,3% a 43,9%, dependendo da cidade onde o estudo foi conduzido. A principal relevância da identificação e controle da HAS reside na redução das suas complicações, tais como:

• Doença cerebrovascular

• Doença arterial coronariana

• Insuficiência cardíaca

• Doença renal crônica

• Doença arterial periférica

Segundo a V Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, de 2006, utilizando-se o critério atual para diagnóstico de hipertensão arterial (140x90 mmHg), as taxas de prevalência na população urbana adulta brasileira em estudos selecionados variam de 22,3% a 44% (Souza e cols, 2007). Em uma prevalência de hipertensão arterial de 41,4% da população estudada, 51,8% são homens e 33,1% mulheres. As alterações próprias do envelhecimento tornam o indivíduo mais propenso ao desenvolvimento de HAS, sendo essa a principal doença crônica nessa população (SOUZA, 2007).

Na população idosa a prevalência é em torno de 48,6% na faixa etária de 60 a 69 anos, e de 62,3% nos maiores de 70 anos, mostrando, nessa faixa etária, um maior número de hipertensos (SOUZA, 2007).

Ao analisarmos a formação escolar, 36,4% dos pacientes hipertensos apresentaram formação escolar de 1º grau. A análise dos resultados do nosso trabalho permite observar que a prevalência da hipertensão foi significativamente menor naqueles com maior escolaridade (SOUZA, 2007).

Evidências epidemiológicas demonstram uma forte associação entre o consumo de álcool e a prevalência de HA, independentemente de sexo, idade, atividade física, IMC, tabagismo e ingesta de sódio, e dependente da quantidade de álcool ingerido e do tempo de exposição (SOUZA, 2007).

As populações que apresentavam hábito de etilismo diário ou semanal estatisticamente tendem a apresentar maior incidência de pressão arterial elevada, apresentando hipertensão em 33,2% dos que bebem esporadicamente e 42% dos que não fazem uso de bebidas alcoólicas apresentam alteração na pressão arterial; já naqueles que fazem uso desse tipo de bebida pelo menos uma vez na semana, a prevalência da hipertensão arterial sobe para 47, 2% e 63,2% nos que fazem uso diário de bebidas alcoólicas. Os estudos epidemiológicos são consistentes quanto à elevação das pressões arteriais sistólicas (PAS) e diastólica (PAD) quando os indivíduos ingerem três ou mais drinques (30 g de álcool) por dia, sendo a elevação maior para a pressão arterial sistólica (SOUZA, 2007).


    1. Hipertensão primária

Para Brunner (2002), a hipertensão primária significa que o motivo de elevação na pressão arterial não pôde ser identificado, no entanto quando a hipertensão é relacionada a uma causa específica como estreitamento das artérias renais, doença parenquimatosa renal, determinados medicamentos na gestação e coartação da aorta é chamada hipertensão secundária.

Em um estudo realizado de 1991 a 1994 um total de 32% das pessoas portadoras de pressão superior de 140/90 mm Hg não apresentavam sintomas relacionadas ao aumento da pressão arterial.

Frequentemente a hipertensão está relacionada a fatores de risco para a cardiopatia arteriosclerótica, como a dislipidemia e a diabetes melito. No caso do fumo, há uma relação direta com o aumento do risco de mortalidade por cardiopatia e/ou distúrbios (BRUNNER, 2002).

A elevação constante de pressão arterial lesiona, geralmente, os vasos sanguíneos por todo o corpo, principalmente os órgão-alvo, como coração, rins, cérebro e olhos. Portanto, as consequências usuais da pressão prolongada e descontrolada são o infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, acidentes vasculares cerebrais e comprometimento visual. Além disso, ocorre um aumento do ventrículo esquerdo à medida que há esforço para bombear o sangue contra a pressão elevada (chamada hipertrofia ventricular esquerda) (BRUNNER, 2002).



    1. Fisiopatologia

Para Brunner (2002), a hipertensão é considerada multifatorial, sendo um sinal, mais provável que possua muitas causas, assim como a febre. Para que ocorra hipertensão deve haver uma alteração da resistência vascular periférica ou do débito cardíaco, como um problema com os sistemas de controle que monitorizam ou regulam a pressão. Além de mutações de genes isolados, foram identificados para alguns tipos raros de hipertensão ou, ainda associação aos conceitos:

  • Atividade aumentada do sistema nervoso simpático ligado à disfunção do sistema nervoso autônomo;

  • Reabsorção renal de sódio, cloreto, água aumentada ligada a uma variação genética nas vias pelas quais os rins manuseia o sódio;

  • Atividade aumentada do sistema renina-angiotensina-aldosterona, resultando em expansão do volume do líquido extracelular e resistência vascular sistêmica aumentada;

  • Vasodilatação diminuída das arteríolas ligadas a disfunção do endotélio vascular;

  • Resistência à ação da insulina, que pode ser um fator comum ligado a hipertensão, diabetes melito tipo 2, hipertriglicerideomia, obesidade e intolerância a glicose.



    1. Manifestações Clínicas

A maioria dos hipertensos é assintomática e permanecem assim durante muito tempo. No entanto, quando os sinais e sintomas específicos aparecem, revelam lesões vasculares, com manifestações específicas relacionadas aos órgãos irrigados pelos vasos afetados (BRUNNER, 2002).

Em grande parte dos casos, observam-se alterações na retina, como hemorragia, exsudato, estreitamento arteriolar, manchas algodoadas e, no caso da hipertensão grave, pode apresentar edema do disco óptico, conhecido como papiledema (BRUNNER, 2002).

Outra comum consequência à hipertensão é a doença da artéria coronária com angina e/ou infarto do miocárdio. Em resposta a sobrecarga do ventrículo esquerdo gera a hipertrofia ventricular esquerda, já que à medida que este contrai contra a pressão sistêmica elevada há um aumento do músculo. Quando ocorre um comprometimento cardíaco grande leva a insuficiência cardíaca (BRUNNER, 2002).

No caso da lesão ocorrer nos rins pode levar ao aumento dos níveis de creatinina e uréia, manifestando-se com noctúria. Já quando há comprometimento vascular cerebral pode ocorrer acidente vascular cerebral (AVC) ou ataque isquêmico transitório (AIT), apresentando alterações de visão, fala, tonteira, fraqueza, queda súbita ou paralisia temporária em um lado (hemiplegia). Os infartos cerebrais contribuem com cerca de 80% dos AVC e AIT em hipertensos (BRUNNER, 2002).



    1. Diagnóstico

É necessário o histórico e exame físico completo, examinando as retinas e realizar exames laboratoriais para avaliação de órgãos-alvo, incluindo a análise da urina, bioquímica sanguínea (sódio, potássio, creatinina, glicemia de jejum e lipoproteína de alta densidade e colesterol total), além do eletrocardiograma com 12 derivações, ecocardiografia, para lesões de ventrículo. No caso de avaliação de alterações renais, além da bioquímica, verificar presença também de proteína, dentre outros e exames de urina, realizar coleta de urina 24 horas (BRUNNER, 2002).

    1. Tratamento

Tem como objetivo evitar a morte e as complicações ao manter a pressão arterial abaixo de 140/90 mm Hg (BRUNNER, 2002).

    1. Educação em saúde

É a transmissão de informações, habilidades e atitudes que resultarão num ambiente necessário para conseguir o desejado sucesso do tratameto. As metas de um programa educacional são aumentar a saúde, a longevidade e a qualidade de vida dos pacientes e não para satisfazer o orgulho e a vaidade dos educadores (FERNANDES, 1994).

De adordo com Fernandez & Regules (1994) o conceito de promoção da saúde “aponta para uma visão holística do processo saúde-doença e da forma de intervir nesse processo”. Assim, a abordagem multiprofissional do indivíduo envia a essa visão própria do ser, reconhecendo que o indivíduo é físico e também psíquico, por isso, necessita de informações complementares dos profissionais de saúde sobre o controle, a prevenção e as complicações da doença. Além disso, compartilhar a responsabilidade da transmissão das informações entre vários profissionais, contribuiu para o maior sucesso, principalmente quando a equipe trabalha de forma integrada.

Para trabalhar promoção à saúde em uma visão holística podem ser utilizadas algumas técnicas que abordam de forma mais objetiva a experiência de saúde e do adoecer. Uma delas é a fala, por meio do qual o indivíduo expressa o seu mal- estar (FERNANDES, 1994).

Podemos utilizar várias técnicas ao mesmo tempo, ou apenas uma, mas o profissional da saúde deve usar uma linguagem compreensível e simples, adequada à realidade e que tenha como ponto fundamental o indivíduo, buscando conhecer suas necessidades em relação à doença. Essa linguagem possibilita ao profissional exercer uma prática educativa a realizar intervenções pertinentes ao diagnóstico (FERNANDES, 1994).

De forma complementar, Stoz & Valla (1994) sugerem que esse profissional deve atuar como agente facilitador e mobilizador, para melhorar as condições de vida das pessoas e evitar o aparecimento da doença. O entendimento, pelo indivíduo, do sistema interativo na prática educativa, as interfaces estabelecidas entre esta e o profissional de saúde, que se associam ao conceito de estilo de vida (STOZ, 1994).

Nutbeam (1996) utiliza essa expressão para designar “a maneira geral de viver, baseada na interação entre as condições de vida, num sentido mais completo, e nos modelo individuais de conduta, determinadas por fatores socioculturais e características pessoais”.

Há necessidade de saber mais sobre a experiência individual do indivíduo, o ambiente físico social, a influência da cultura na definição da doença e as atitudes para com ela. Os estilos de vida não correspondem somente a alguns comportamentos, como o exercício físico, a dieta ou a ausência de consumo de substâncias prejudiciais, mas também a outras atitudes e práticas, como a tolerância, a solidariedade, o respeito pelas diferenças e os direitos humanos e a participação que ocorrem na vida coletiva (NUTBEAM, 1996).

Quando se faz referência ao processo educativo para o controle da hipertensão e do diabetes, falam-se da importância de se adotarem estratégias cujas ações devem ter caráter participativo tanto do indivíduo quanto de sua família. Sabe-se que as ações educativas influenciam o estilo de vida, melhoram a relação profissional- indivíduo e os ambientes social e físico. Além disso, a educação em saúde, como uma prática social, baseada no diálogo, ou seja, na troca de conhecimentos, favorece a compreensão dessa relação no processo saúde-doença e, respectivamente, o intercâmbio entre o saber científico e o popular (NUTBEAM, 1996).

Para Toledo, 2007, as dificuldades na geração de conhecimentos que explicassem o surgimento de problemas de saúde coletivos como doenças cardiovasculares e o câncer contribuíram para fortalecer, na década de 60, os questionamentos quanto ao modelo biomédico. Foi a partir de então que houve uma valorização do conhecimento das ciências sociais enquanto referencial teórico-metodológico para análise e reflexão das práticas de saúde. (TOLEDO, 2007)

Assim, a vivência dos processos de adoecimento/ fortalecimento é influenciada pela inserção social (formas de vida, trabalho e saúde) e pela subjetividade (percepções, crenças, valores) dos grupos sociais. (TOLEDO, 2007)

Objetivando uma reorganização da atenção básica foi implantado um modelo de estratégia de saúde da família com necessidade de reorientação das práticas de saúde e renovação dos vínculos de compromisso e responsabilidade entre serviços de saúde a população. (TOLEDO, 2007)

A vivência dos processos de adoecimento ou fortalecimento é influenciada pela inserção social (formas de vida, trabalho e saúde) e pela subjetividade (percepções, crenças, valores) dos grupos sociais. (TOLEDO, 2007)

Uma concepção de educação que instrumentalize os grupos e classes sociais a compreender as raízes da desigualdade na produção da saúde-doença pode ser encontrada nas formulações de Paulo Freire. Segundo o autor, é necessário que o educador tenha disponibilidade para o diálogo, estabelecendo uma posição democrática entre educandos e educadores. Os sujeitos do diálogo devem conservar e manter a sua identidade possibilitando que cresçam conjuntamente. O diálogo favorece o ato de ensinar, complementando-se no ato de aprender, e ambos somente se tornam verdadeiramente possíveis quando o pensamento crítico e inquieto do educador não freia a capacidade do educando de também pensar criticamente. (TOLEDO, 2007)

Considerando que o processo educativo é um processo político, cujos métodos e técnicas devem favorecer a desalienação, a transformação e a emancipação dos sujeitos envolvidos, a educação em saúde não deve ser exclusivamente informativa, todavia levar os usuários a refletirem sobre as bases sociais de sua vida, passando a perceber a saúde não mais como uma concessão, e sim, como um direito social. (TOLEDO, 2007)

A implementação no Brasil, do Sistema único de Saúde (SUS), com a necessária revisão do modelo assistencial, provavelmente influenciou os profissionais de saúde a buscarem metodologias mais pertinentes às suas realidades locais (TOLEDO, 2007).

O PSF propõe que as equipes realizem regularmente atividades educativas, visto que o programa constitui-se num modelo pautado no desenvolvimento de ações preventivas e de promoção à saúde dos indivíduos, famílias e comunidades. A promoção da saúde é definida como o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo (TOLEDO, 2007).

Dessa forma, a promoção da saúde visa colaborar para reduzir as desigualdades existentes em relação aos direitos de saúde, facilitando oportunidades e recursos para que os sujeitos atinjam seu completo potencial de saúde. A unidirecionalidade dos técnicos de saúde presente nos processos educativos é limitante e negligencia esse conceito (TOLEDO, 2007).

O usuário deve ser reconhecido como sujeito portador de um saber sobre o processo saúde-doença-cuidado, capaz de estabelecer uma interlocução dialógica com o serviço de saúde e de desenvolver uma análise crítica sobre a realidade e o aperfeiçoamento das estratégias de luta e enfrentamento. O conceito referente ao enfrentamento sugere a possibilidade de se promover saúde, ao se estimular a reflexão sobre a mudança da “leitura de mundo” que os sujeitos trazem e ao enfrentamento propriamente dito de situações estressantes, geradas pelo agravo de saúde, de forma mais saudável possível (TOLEDO, 2007).

Os trabalhos científicos ainda se reportam ao modelo preventivo, também chamado educação em saúde tradicional ou velha saúde pública, tendo enfoque centrado na prevenção de doenças. A visão curativa ainda predomina entre os profissionais de saúde, em que a assistência à saúde é fortemente ancorada no atendimento queixa-conduta. Além disso, é permeada por prescrições multifatoriais, as quais, não sendo cumpridas, acabam na avaliação subjetiva do profissional de saúde, por classificar o usuário como “não cooperativo” ou “não aderenteao regime terapêutico” (TOLEDO, 2007).

A interação profissional de saúde e usuário se dá em nível desigual, pelo fato do profissional se considerar detentor do poder, carreando em seu discurso a idéia de que a doença se deve principalmente ao descuido do usuário com sua própria saúde, incutindo na “vítima” o sentimento de culpa por seu estado de saúde (TOLEDO, 2007).

Apesar disso, há educadores em saúde que tentam superar os conflitos decorrentes da intersecção entre novas teorias e antigas práticas. Neste processo de promoção à saúde considera-se imprescindível que os profissionais de saúde incorporem (ampliando e entendendo) o real significado do tema da promoção à saúde. Para tal devem se capacitar para intervir e auxiliar a compreender a realidade de saúde da população, estimulando sua participação e autonomia e buscando ações intersetoriais para atuar nos diversos fatores que interferem na saúde, como a educação, a habitação, o emprego, a renda entre outros (TOLEDO, 2007).

A incorporação de novos conceitos, pelos profissionais de saúde, a respeito da compreensão ampliada do processo saúde-doença, a humanização das práticas, a busca da qualidade da assistência e de sua resolutividade, possibilitam o investimento no modelo dialógico de educação em saúde, acreditando-se ser este o modelo mais pertinente para a efetivação de mudanças paradigmáticas, incentivando a autonomia de escolha dos sujeitos, reconhecendo-os como portadores de um saber que, embora diverso do saber técnico-científico não deve ser deslegitimado pelos serviços (TOLEDO, 2007).

A educação em saúde consiste em um dos principais elementos da promoção da saúde e, portanto, para mudança de hábitos dos indivíduos portadores de hipertensão é fundamental que seja introduzido novos conceitos sobre o processo saúde-doença, facilitando o entendimento das reais causas e determinantes da doença, bem como a adequação dos serviços de saúde às necessidades do indivíduo (TOLEDO, 2007).

Portanto, é necessário conhecer o perfil dos portadores de hipertensão, os quais são destinados às ações de saúde, inclusive suas crenças, hábitos e as condições em que vivem, com objetivo de envolver e não a imposição das orientações. É fundamental a participação da comunidade para assegurar a sustentabilidade e a efetividade das ações. (TOLEDO, 2007)



    1. Qualidade de vida

Para Stoz, 1994, o conceito qualidade de vida (QV) é um termo utilizado em duas vertentes:

  • Na linguagem cotidiana, por pessoas da população em geral, jornalistas, políticas, profissionais de diversas áreas e gestores ligados às políticas públicas;

  • No contexto da pesquisa científica, em diferentes campos do saber, como economia, sociologia, educação, medicina, enfermagem, psicologia e demais especialidades de saúde;

Na área da saúde, o interesse pelo conceito QV é relativamente recente e decorre, em parte dos novos paradigmas que tem influenciado as políticas e as práticas do setor do setor nas últimas décadas. Os determinantes e condicionantes do processo saúde-doença são multifatoriais e complexos (STOZ, 1994).

De acordo com Chaves (2006), a educação em saúde é uma estratégia de baixo custo e que tem contribuído significativamente para a prevenção e controle de doenças nos últimos 20 anos. Sua finalidade de estimular mudanças de comportamento através de fornecimento de informações é utilizada para o combate a hipertensão arterial.

Uma das características da maioria dos processos educativos relacionados à hipertensão arterial, é que, havendo uma equipe multiprofissional atuante, as abordagens diferem, assim como a linguagem. Em relação a ações formais de tratamento e acompanhamento para pacientes portadores de hipertensão arterial, têm-se conhecimento do Programa de Assistência ao Hipertenso e Diabético do Ministério da Saúde, no qual estão incluídas ações multidisciplinares, dentre elas as que são realizadas pelo enfermeiro, por meio da consulta de enfermagem. Este profissional além de integrar programas desta natureza pode vir a planejar e desenvolver atividades dirigidas ao indivíduo com hipertensão arterial em outros âmbitos, como na rede hospitalar, no atendimento domiciliário, e em universidades, tanto na área do ensino como no campo da pesquisa (CHAVES, 2006).

Além disso, o exercício, juntamente com a dieta e o tratamento farmacológico, tem sido considerado como uma das três principais abordagens no tratamento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes melito (DM). A atividade física regular é recomendada para tratamento, em razão de seus vários efeitos benéficos sobre o risco cardiovascular, controle metabólico e prevenção das complicações crônicas das doenças. Além disso, o baixo custo, a natureza não-farmacológica e os benefícios psicossociais de uma vida menos sedentária aumentam ainda mais o apelo da terapêutica através do exercício físico regular (IRIGOYEN, 2003).




  1. OBJETIVO

4.1 OBJETIVO GERAL

  • Identificar os fatores dificultadores de adesão dos pacientes hipertensos ao tratamento prescrito de Hipertensão Arterial.

4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Descrever os aspectos sócio-demográficos que dificultam a adesão dos hipertensos ao tratamento de Hipertensão arterial atendidos na UBSF Dr. Breno de Medeiros;

  • Enumerar as causas de morbi-mortalidade associadas à Hipertensão Arterial na Unidade de saúde ESF Dr. Breno de Medeiros;

  • Conhecer as estratégias implementadas pela equipe de saúde da Unidade Dr. Breno de Medeiros que visam à adesão do paciente hipertenso ao tratamento.



  1. METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo (MEDRONHO, et al 2009) realizado com base nos dados informados pela equipe da ESF Dr. Breno de Medeiros, no município de Corumbá, MS e aplicação de questionário.

Incluíram-se neste estudo as informações coletadas pela equipe de saúde através de reuniões no período de Setembro a Outubro de 2011 e aplicação de questionário aos hipertensos que compareceram ao serviço no período de 01 a 31 de Outubro de 2011.

Dos 500 usuários cadastrados com diagnóstico de hipertensão, foram considerados objetos desse estudo 60 registros de atendimentos já que os demais não foram encontrados. As variáveis deste estudo foram: Sexo, faixa etária, idade, conhecimento quanto às ações realizadas, diagnóstico da doença, participação nas atividades de grupo, internação.

Foi utilizado para coleta de dados instrumento (apêndice A) construído para fins de pesquisa, elaborado com base em informações relativas à adesão ao tratamento não-medicamentoso (grupos), equipe de saúde da família e informações do Sistema de Informação da Atenção Básica .

O sigilo quanto à identidade dos usuários do serviço foi um compromisso da pesquisadora e das instituições que representa, para tanto foi preenchido o TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (anexo).


  1. RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com a análise dos usuários da Estratégia de Saúde da Família Dr. Breno de Medeiros, podemos observar que 3,28% do total de pacientes entrevistados com diagnóstico de hipertensão e/ou diabetes afirmam não serem hipertensos ou diabéticos.

Nas mulheres estas informações se dão na faixa etária de 36 a 40 anos, enquanto que na população masculina ocorre na faixa de 46 a 50 anos.

Gráfico 2. Percentil do conhecimento quanto ao diagnóstico por faixa etária e sexo:

Além disso, quando analisamos dentre os hipertensos e diabéticos informações quanto ao conhecimento do Programa de Controle de Hipertensão e Diabetes entre os cadastrados no programa, verifica-se que 86,67% destes, informa que conhecem o programa.

O não conhecimento do programa é maior nas mulheres de 56 a 60 anos de idade, considerando que as mulheres são a maioria dos hipertensos cadastrados no programa.

Gráfico 3. Percentil de hipertensos cadastrados que conhecem o programa Hiperdia por faixa etária e sexo:

Quanto a informações de atividades em grupos realizadas pela equipe de saúde da família no bairro o percentual diminui em relação aos demais dados analisados, já que cerca de 80% dos entrevistados relatar ter conhecimento da existência das atividades coletivas. O sexo masculino, de um modo geral, demonstra apresentar maior quantitativo quanto ao conhecimento de grupos, distribuídos na faixa etária de 41 a 45 anos e 51 a 75 anos.



Gráfico 4. Percentil de hipertensos cadastrados que tem conhecimento das ativadades em grupo na unidade de saúde Dr. Breno de Medeiros por faixa etária e sexo:




  1. CONCLUSÃO

No presente estudo a principal causa de não adesão ao tratamento de hipertensão arterial sistêmica está relacionado à participação dos grupos de educação em saúde, considerando que a maioria dos usuários com diagnósticos de hipertensão e diabetes cadastrados na Unidade de Saúde Dr. Breno de Medeiros, informa ter conhecimento do programa.

No entanto, é necessário considerar que é um número considerável o não conhecimento quanto ao diagnóstico, sendo estes pacientes diagnosticados com doenças crônicas, podendo tal fato causar o abandono do tratamento pela não aceitação do diagnóstico.

Outro fator relevante está relacionado aos hábitos de vida da população residente na área coberta pela Estratégia de Saúde da Família Dr. Breno de Medeiros, equipe 12, sendo que a principal causa de morbimortalidade está relacionada às doenças hipertensivas e cardiovasculares.

Assim, podemos concluir que é necessário não apenas divulgar o programa, mas elaborar estratégias de planejamento estratégico para a aceitação do diagnóstico e, consequentemente a adesão ao tratamento. As estratégias de atendimento em grupo devem apresentar atrações para a participação da população cadastrada, pois neste estudo foi possível perceber que apenas o conhecimento do programa de controle não vincula a participação da comunidade nas atividades da equipe.

Assim, a principal proposta é discutir com a equipe de saúde da família da ESF Dr. Breno de Medeiros novas estratégicas para adesão ao tratamento e participação nos grupos, tais como informação quanto ao diagnóstico, conceito de doenças crônicas, participação da família no tratamento do hipertenso e diabético, dentre outras.

Portanto, o plano de ação proposto incluir elaborar cartilha de orientação para prevenção de doenças hipertensivas e diabéticas, criar um mecanismo de referência e contra-referência para o tratamento coletivo, elaborar projeto de caminhada, elaborar projeto das áreas comunitárias.



REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Prevenção clínica de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Caderno da Atenção Básica da Hipertensão Arterial. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

CHAVES. E.S.; LUCIO, I. M. L.; ARAÚJO, T. L.; DAMASCENO, M. M. C. Eficácia de programas de educação em saúde para portadores de hipertensão arterial. Revista Brasileira de Enfermagem, 2006. jul-ago; 59(4): 543-7.

IRIGOEN, M. C., De ANGELIS, K. SCHAAN, B. D. FIORINO, P. MICHELINI, L. C. Exercício físico no diabetes melito associado à hipertensão arterial sistêmica. Revista Brasileira de Hipertensão. São Paulo, 2003, p 109-116.

JESUS, E. dos S.; AUGUSTO. M. A. de O.; GUSMÃO, J.; MION, D. JR.; ORTEGA, K.; PIERINS, A. M. G.; Perfil de um grupo de hipertensos: aspectos biossociais, conhecimentos e adesão ao tratamento. Revista Acta Paul enfermagem, 2008. P (59-65).

MEDRONHO R. A., Werneck G. L., Perez M. A. Distribuição das doenças no espaço e no tempo. In: Medronho, R. A., Werneck, G. L., Perez MA editores. Epidemiologia. 2ª ed. São Paulo: Atheneu; p. 83-102, 2009.

SOUZA, A. R.de S.; COSTA, A.; NAKAMURA, D.; MOCHETI, L. N.; FILHO, P. R. S.; OVANDO, L. A. Um estudo sobre Hipertensão Arterial Sistêmica na cidade de Campo Grande, MS. Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2007. P 441-446, Disponível em . Acesso em: 28 mar. 2010

TOLEDO, M. M.; RODRIGUES, S. de C.; CHIESA, A. M.; Educação em Saúde no enfrentamento da hipertensão arterial: uma nova ótica para um velho problema. Contexto Enfermagem. Florianópolis, 2007. Abr-Jun 233-238.


APÊNDICE

QUESTIONÁRIO



  • Você é hipertenso ou diabético?

SIM ( ) NÃO ( ) Não sei ( )

  • Tem conhecimento do programa HIPERDIA (Que faz o acompanhamento de pacientes hipertensos e diabéticos)?

SIM ( ) NÃO ( ) Não sei ( )

  • Sabe quais as atividades que estão disponíveis para paciente hipertenso e diabético?

SIM ( ) NÃO ( ) Não sei ( )

  • Cite quais atividades existe na sua unidade para o tratamento de hipertensão e diabétes:

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  • Qual o tratamento deve ser oferecido para Hipertensão e Diabetes?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  • Na sua Unidade de Saúde/Comunidade/bairro há grupos de hipertensos e diabéticos?

SIM ( ) NÃO ( ) Não sei ( )

  • Se há, onde acontece, você participa?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  • Você já esteve internado no último ano? Qual o motivo?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO

1. Dados de identificação do paciente

Nome: ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­____________________________________Gênero: F ( ) M ( )

Identidade nº______________________

Endereço______________________________nº____Bairro____________Telefone___________________

Cidade:__________________CEP______Data de Nascimento____/____/____Natural de ________________

2. Dados sobre o projeto

Titulo do Projeto:

Professora responsável:

Acadêmico responsável:



3. Registro das explicações aos participantes

O projeto tem como objetivo analisar a adesão ao tratamento de hipertensão para os hipertensos cadastrados na UBSF Dr. Breno de Medeiros

Para isso, o senhor (a) será submetido ao seguinte procedimento:

Responder a um questionário com questões abertas e fechadas a respeito do conhecimento sobre o tratemento de hipertensão na UBSF Dr. Breno de Medeiros.

O senhor (a) terá acesso, a qualquer tempo, as informações sobre os procedimentos e benefícios relacionados ao projeto, incluvise para esclarecer eventuais dúvidas e terá liberdade de retirar o seu consentimento a qualquer momento e por isso deixar de participar do projeto.

Esclarecendo ainda que, a pesquisa não oferece risco à integridade física e/ou moral, sua identificação será resguardada e os dados coletados serão mantidos em sigilo, designando-se apenas para fins de pesquisa.

Lembrando que ao final do projeto, ficará disponível uma cópia dos resultados na Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá, à qual o senhor (a) poderá ter acesso a qualquer momento.

4. Consentimento pós esclarecido

Declaro que, após convenientemente esclarecido pelo responsável do projeto e ter entendido o que me foi explicado, consinto em participar do projeto.

Corumbá, ____________de_________________ de 2011.

____________________________________



Ass.do sujeito do projeto

CONTATOS

Nome completo, endereço, telefone.






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