O uso do cinema no ensino de graduação: a representação do passado em filmes documentais e ficcionais



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Ensinar com pesquisa 2010

Projeto: “O uso do cinema no ensino de graduação: a representação do passado em filmes documentais e ficcionais”

Bolsista: Cynthia Liz Yosimoto
Filme

Eles não usam black-tie (Leon Hirszman)

Gênero: Drama

Ano: 1981
País: BR
Cidade: Rio de Janeiro
Estado: RJ
Resumo geral:
Sequência 01 a 12: A gravidez de Maria e a construção da greve

Tião e Maria são um casal apaixonado de namorados e trabalham na mesma fábrica. A moça conta ao rapaz que está grávida, portanto, mesmo que de supetão, decidem noivar para casar o quanto antes. Otávio, pai de Tião, trabalha na mesma fábrica, é líder sindical e possui histórico de luta operária. Há uma greve por aumentos salariais sendo construída que vira motivo de discórdia entre pai e filho, já que este último não crê em solidariedade de classe e pensa ter sido a atuação política de seu pai o grande motivo do sofrimento e da miséria da família. Iniciam-se demissões de trabalhadores, intensificando as tensões. Jurandir, o pai de Maria é assassinado em um assalto, voltando do trabalho. Pouco tempo depois, recebe-se o anúncio: segunda-feira, greve geral.


Sequência 13 a 16: Greve, piquetes e a traição declarada de Tião

Otávio e Bráulio discutem com seus companheiros grevistas: queriam esperar a iniciativa de toda a categoria antes de fazer a greve; não foi o que aconteceu – concentram-se aqui os debates no meio sindical do final dos anos 70. Maria e Tião discutem, pois a primeira quer participar do piquete, enquanto o rapaz tenta proibi-la em vão. Chegada a segunda-feira, os trabalhadores protestam em frente à fábrica, a polícia os repreende violentamente. Tião incentiva que as pessoas furem a greve e o faz junto àquelas, enquanto assiste Otávio ser preso. Em seguida, Maria foge dos policiais, leva um soco no estômago e sangra. Vai à casa de Tião recolher-se, o qual recebe um aviso e vai procurá-la no hospital – depois de apanhar de grevistas na saída da fábrica.


Sequência 17 a 21: Assassinato de Bráulio e a partida de Tião

Ao chegar a sua casa, Tião vai ver Maria, que o rejeita dando-lhe uma enorme lição de moral; termina o relacionamento. Otávio é solto e chega a casa momentos depois, conversa com Tião e o expulsa de sua casa – “esta não é, nunca foi, e nunca vai ser a casa de um fura-greve”. Romana conversa com o filho: vai para Diadema morar com um amigo. O piquete continua, em meio a uma confusão de operários, Bráulio é assassinado. Há então um cortejo fúnebre em formato de passeata.



Personagens:
Otávio: chefe da família, líder sindical, prioriza a solidariedade de classe e a luta operária por direitos. Junto com o personagem Bráulio são protótipos do sindicalista comunista, que não aceita posições radicais e precipitadas (como por exemplo, de Sartini). Ênfase no acúmulo de consciência e na unidade da categoria.

Bráulio: líder sindical, consciente, companheiro de Otávio. Vive tentando acalmar os ânimos entre os operários, a fim de tentar uma luta conjunta estratégica e efetiva. É assassinado e vira mártir da greve e dos trabalhadores da fábrica.


Sartini, o “Italiano”: protótipo do militante anarco-petista, conforme a ótica do diretor (Hirszman era do PCB).

Tião: individualista, diz o tempo todo que vai se virar sozinho e surpreender a todos; conservador, machista, pensa que pode ordenar o que Maria deve fazer. Preocupa-se, fica em conflito durante a construção da greve, mas quando esta estoura, mostra sua verdadeira faceta.


Maria: operária, moça simples, seu pai é bêbado, sua mãe é velha e adoentada, possui um irmãozinho de criação. É independente, pró-ativa, consciente, apóia a luta dos trabalhadores. Possui pensamentos modernos, considera a possibilidade de aborto, o casamento sem obrigação, a autonomia de suas opiniões e posições, bem como ser mãe solteira, ao decepcionar-se com Tião.
Romana: mãe de Tião, dona de casa, mulher forte e espirituosa. Teme que o marido vá preso novamente, também às conseqüências da repressão policial. No entanto, não questiona o marido em seus ímpetos, só pede que não se arrisque demais. Ao despedir-se de Tião resume seu posicionamento, quando diz “é melhor passar fome entre os amigos, do que passar fome entre os estranhos”. Mesmo que pareça discordar das posições de Tião mantém-se como a mãe possuidora de amor incondicional pelo filho, o qual lhe parece mais ingênuo e inexperiente do que propriamente alguém desprezível.
Jesuíno: operário oportunista, individualista, egoísta, traidor, aproveita a situação de greve para beneficiar-se a partir da denúncia de nomes de líderes sindicais, tentando com isso alcançar cargos melhores – embora nunca consiga nada. Faz jogo duplo.
Chiquinho: irmão mais novo de Tião, admira Otávio, almeja trabalhar na fábrica e participar da realidade de seu pai.
Jurandir: pai de Maria, homem muito pobre, bêbado e desempregado. Parece não suportar sua realidade, motivo pelo qual vive entorpecido. Tenta ficar sóbrio, ao arrumar um emprego pede parte do salário adiantado e se embebeda, morrendo em seguida em um assalto. Seu inconformismo resulta na própria autodestruição, ao invés de tentar lutar contra os fatores que lhe proporcionam aquela vida. Seria um lumpem?

Documentos, fatos ou frases históricas representados no filme:
- na sequência 13 (01:10:32), Otávio faz referência as greves do ABC: “(...) mas que piquete rapaz, que piquete, cê ta pensando que um piquetezinho desse teu vai paralisar uma categoria inteira? Ta pensando o que Sartini, que nós tamo em São Bernardo, é? Nós não temo organização pra isso ainda não rapaz (...)”

Observações:

- na sequência 1, o casal volta do cinema, Maria come um milho. Passam numa loja de compactos, observam os discos e os preços, mas não compram nada. Observam vitrines e logo pegam o ônibus. Têm dinheiro para ir ao cinema, mas não para desfrutar das modas da juventude da época. Ao chegarem a seu bairro há um contraste com o cenário dos arredores do cinema, dois homens estão sendo revistados e agredidos pela polícia, enquanto o dono do bar tenta aliviar a situação de um deles, que é músico. O outro vai preso.

- na sequência 2, Tião mesmo fala a Chiquinho que “fábrica não dá sustento pra ninguém”, admitindo a realidade contra a qual ele tenta se posicionar ao longo do filme – como se o fato de ir contra a greve, fosse influenciar no salário ou na sua condição de operário. Na mesma sequência, chega Otávio. Fala sobre os donos da fábrica “eu acho graça nesses caras, eles contrariam a lei numa porção de coisas, mas na hora de pagar o aumento eles querem se apoiar na lei”, posição muito comum à classe média e aos homens de posse brasileiros, o personagem dialoga diretamente com o tempo de veiculação do filme.

- Tião pensa que vai dar boa vida à Maria, condições boas para o nascimento da criança, mas não tem recursos para tal. Diz, na sequência 5, que vai pegar dinheiro emprestado. Vive dizendo que vai se arranjar na vida, e coisas do gênero. Entretanto, as perspectivas não parecem favoráveis. Parece acreditar na crença liberal de que a riqueza é uma possibilidade para todos, enquanto o diretor responde a isso com a fala de Romana, na sequência 18, que diz “é melhor passar fome entre os amigos, do que passar fome entre os estranhos”. Ou seja, a convicção de que o sistema é desigual e sempre será.

- na sequência 6, a fala de Sartini faz denúncias: “o que interessa pra nós é que os preços vão subindo, o salário verdadeiro diminuído, o trabalhador ta na miséria”; “ta todo mundo na pior, comida na mesa que é bom não tem, a inflação comendo”.

- na sequência 7, Otávio diz a Tião que acha que o fato de ter vivido com seus padrinhos quando era mais novo virou sua cabeça, diz “quem muda de casa, muda as idéias”. A fala do personagem parece partir do princípio marxista de que o homem é produto do meio em que vive.

- nas sequências 1, 7, 15, 16 e 20 mostra-se a repressão policial truculenta; batem nas pessoas, matam um garoto, batem em grevistas, em mulheres, matam Bráulio. Na sequência 7, ao matarem um garoto menor de idade que fugia, mostra-se o mal estar dos que presenciaram o episódio. Há um diálogo direto com a repressão da ditadura militar.

- na sequência 8, a fala de Jesuíno exprime as idéias individualistas pelas quais este personagem e o de Tião se seduzem: “(...) a vida não é assim como a gente quer não, é a nossa chance companheiro, é preciso levar vantagem em tudo. Com um jeitinho aqui, outro ali, pronto: você ta com escritório, secretária, e ninguém vai te perguntar como você conseguiu. Você pode matar, roubar, que ninguém vai te perguntar, e tu ainda diz ‘aproveitei a chance, companheiro’. E uns ai chegaram até a presidente”. Ao mesmo tempo, o diretor utiliza esse diálogo para uma provocação direta aos desprovidos de solidariedade de classe, pois além de colocar em evidência o discurso individualista, aproveita para envenená-lo (em negrito).

- na sequência 9, Otávio e Tião discutem e brigam defendendo suas posições. Contrapõem-se as crenças de coletividade do pai com os princípios individualistas do filho. Há também no discurso de Otávio o destaque para os efeitos de domesticação e falta de esperança da juventude que cresceu durante ditadura, em relação às possibilidades de mudanças sociais. Em seguida à briga, mostra-se uma imagem panorâmica do bairro pobre em que moram, ao som de música dramática – sugerindo talvez a urgência por mudanças, pela luta coletiva.

- o calendário da cozinha da casa de Otávio traz ao espectador a noção de tempo, de distribuição dos fatos ao longo dos dias.

- há também a questão do sectarismo da esquerda no momento de tomar as decisões. Os operários discutem a todo o tempo qual rumo seguir, parte quer esperar uma decisão da categoria, a outra quer radicalizar e fazer a greve à força – prevalecendo a decisão desta.

- na sequência 17, fala-se sobre a prisão de Otávio no DOPS, então Romana diz “no DOPS... vai ver que já morreram ele de pancada”; fazendo uma denúncia clara da arbitrariedade e da quase inexistência de direitos dos presos da ditadura.

- na sequência 20, Bráulio é assassinado, logo em seguida mostra-se Tião sentado no ônibus, tranqüilo indo embora. Contrapõe-se a morte de Bráulio em nome da luta operária, sua entrega pessoal a uma causa coletiva, à atitude individualista de Tião, que prefere se retirar, deixar de contribuir, mesmo sabendo que a condição de seus colegas não mudará. O filme, no entanto, não chega a torná-lo um “vilão”. Aponta-se o seu equívoco político, porém a atitude de Romana, ao final, revela a dignidade que ainda lhe resta.

- na sequência 21, Otávio e Romana estão sentados à mesa escolhendo feijão, ela pega três porções, e na quarta, desiste; por saber que não sobrará para os outros dias. É a situação da família que em nome de seus princípios políticos, mesmo já ganhando pouco, enfrenta o desemprego se necessário. Entreolham-se com tristeza e cumplicidade. Enfatiza-se a dignidade operária – seria interessante uma comparação com a peça de 1959 do Teatro de Arena, um grande sucesso.

















Sugestões para sala de aula:

Sequência 9:

Jantar na casa de Otávio. Romana vem em direção à mesa, a câmera parte da tigela de sopa em close e vai se distanciando até abrir na família – passa por Terezinha, namorada de Chiquinho na ponta direita, este de costas, Otávio de frente pra câmera e Tião na ponta esquerda da mesa –, todos sentados esperando o jantar. Faz-se então um plano de conjunto (Romana em pé entre Otávio e a menina), enquanto Romana serve a todos:


Otávio: Humm, outra vez sopa.

Romana: Ah, e olhe lá... (risos)

Terezinha: Eu não vou querer não Dona Romana.

Romana: Que não vai querer, menina? Deixa de besteira, onde comem quatro, comem cinco Terezinha: A minha mãe disse pra eu não abusar da senhora.

Romana: Ah, diz pra sua mãe deixar de ser besta (risos). Com aquele barrigão, coitada, cuidando de tudo...vai, vai jantar vai. Parece um [carniço] de magra, e ainda fica ai sem comer.

Otávio: Mas viu Romana, despediram oito lá na fábrica.

Romana: Por causa de que?

Otávio: Eram os mais combatidos, escolherem a dedo, os melhores de cada sessão.

Romana: Vê se te cuida viu, Otávio.

Otávio: Não, pra cima de mim eles não vêm não, te garanto. Eles sabem que eu tenho o apoio da turma.
A câmera foca Tião em plano médio.
Tião: Sei não hein pai, achava bom o senhor tomar cuidado.

Otávio: Eu sei o que faço.

Tião: É, se o senhor perder esse emprego não vai ser fácil arrumar um outro, né?

Otávio: Ah vai com calma né, Tião. Eu também não sou nenhum bagaço.

Tião: Não, só to falando pro senhor tomar cuidado. Ainda mais agora, não vai ser fácil pra mim, sozinho, sustentar duas famílias.
A câmera gira de Tião para Otávio, em plano médio.
Otávio: E quem ta falando nisso? Olha, de minha profissão eu entendo. Eu sou um bom operário. Por isso que, apesar da minha exposição, eu sempre tive emprego. Eu só não trabalhei quando eu tava na cadeia. Minha capacidade todo mundo reconhece.
Faz-se um contra-plano em Tião em plano médio.
Tião: Eu não to falando da sua capacidade, pai.
Volta-se a Otávio.
Otávio: Tião, você ta se borrando de medo. Esse seu casamento às pressas, e eu não vou perguntar porque que você resolveu assim tão de repente, ta deixando você mais medroso ainda. Mas não precisa se preocupar não. Eu to aqui, e você não vai ter de cuidar de duas famílias. Cuide da sua... se conseguir.
Mostra-se Romana em primeiro plano.
Romana: Calma, chega Otávio.
A câmera vai abrindo o ângulo na diagonal, até enquadrar Romana, Otávio, Tião e a menina.
Otávio: Eu não to nervoso, não. Mas é que eu fico chateado de ver um moço desse né, com a vida pela frente, mas tendo medo da própria sombra ô. Olhando pra ponta do pé. Ah, levanta a cabeça moço! Os tempos já são outros, você cresceu na ditadura, tá certo. Mas pára e pensa, pô!

Romana: Chega, Otávio! Vamos comer em paz.

Otávio: Eu to falando, justamente, pra gente fazer tudo em paz. Os tempos são outros. Mais ânimo, pombas! Os trabalhadores tão ai se organizando (olha para a esposa). Que? Tá difícil, mas tão, e tão sim. (Enquadra-se Otávio e Tião em plano médio) Não é hora de pensar em perder ou não perder emprego. É hora de batalhar! Vai lá Tião, aparece nas reunião, na assembléia do sindicato, coloca tuas opinião! Vive mais com teus companheiro! Olha, você acaba perdendo essa... essa agonia, que a gente vê ai no teus olho.

Tião: Ah, que agonia o que pô. Ah, me deixa, nem sei porque eu falei.

Otávio: Falou porque tem medo que eu vá em cana! Que eu perca o emprego e atrapalhe a tua vida, teu casamento. Por isso, falou.

Tião: Não é nada disso, pô!
A câmera volta-se à família do ponto de vista de Tião.
Romana: Ih, meu Deus. Lá vem você de novo, Otávio... não vai começar tudo outra vez, Otávio. Eu sei o que eu passei, eu não to ai pra começar de novo.
Otávio: Mas que de novo, Romana? (Do enquadramento anterior, a câmera vai fechando o ângulo em Otávio, fazendo um plano médio) Ah eu sei, porra. Quinze anos de ditadura é fogo... marca a gente. Mas as coisas mudam! E você pensa sempre, como se nada mudasse! Pra você parece que não existe água corrente, é sempre poça d’água. Precisa enxergar a água correndo.
Faz-se um plano de conjunto, de frente para Tião.
Tião: Água correndo, poça d’água. Fala que nem louco pai, porra! Desde que eu me conheço por gente que eu ouço esse papinho e nós na mesma merda. E eu que não sei enxergar direito? O senhor vê o que o senhor quer ver. No dia que você enxergar mesmo a verdade das coisas, senhor vai querer dar um tiro na cabeça. Porque o senhor é honesto e vai perceber o mal que o senhor fez pra nós todos aqui nessa casa com essa alegria ai de “precisa organizar”, “e a classe operária”, “e não sei que lá de histórico”. Sempre na merda! Na cadeia, meio morto de porrada. Dando um duro naquela bosta daquela fábrica sem nenhum futuro, senão morrer em cima daquele [torno].

Otávio: Você ta mal hein, Tião.

Tião: Mal uma porra (se levanta irritado, empurrando a cadeira). Mal uma porra, ta sabendo? Eu to melhor que o senhor. Eu vejo a bosta que a gente ta. Mas o senhor diz que ela é bosta corrente, que passa. Ó! (Faz sinal com os braços, sai batendo a porta)
Romana em primeiro plano.
Romana: Precisa reforçar essa porta. Senão ela não agüenta.
Comentário/justificativa: através da contraposição das posições políticas dos dois personagens, dialoga-se com a juventude dos anos 1980, “domesticada” pela ditadura e sem esperança na coletividade.

Sequência 17:

Tião vem subindo a ladeira de sua rua (todo machucado das pancadas que tomou dos grevistas) e entra em casa, chamando por Maria – de fundo toca-se o instrumental de “Nóis não usa bleque tais”. Em outro plano, abre a porta da casa em plano médio (pára a música).


Terezinha: Nossa, o que aconteceu com você?

Tião: Cadê a Maria?

Terezinha: Tá descansando no quarto da sua mãe, ela também se machucou, viu.
Vai andando (volta a música), a câmera o acompanha em movimento dinâmico pelo corredor, abre a porta. Em plano geral vê Maria e Silene dormindo. Faz-se um contraplano mostrando em primeiro plano seu rosto com expressão de aflição. Tião aproxima-se, em plano americano, da cama. Maria percebe e se senta, encostando-se à cabeceira.
Maria: Cê ta ai é? (Silene acorda)

Tião: Que que aconteceu, Maria? Han, ele ta perguntando que que aconteceu (olha pra Silene, que se levanta).

Silene: Deixa eu ir embora, eu não tenho estômago, não.

Tião: Olha aqui ô menina, vai-te a merda vai. Não te mete não que tu não sabe de nada.

Maria: Olha cara, eu to na tua casa porque a tua mãe aceitou. (Close no rosto de Maria) Agora não fala assim com a Silene não, ta me ouvindo?
Em plano americano, mostra-se Tião à frente e Silene atrás, perto da porta.
Tião: Não, perai, perai. Perai, vamo tê calma?! Vamo tê calma todo mundo, tá? Desculpa Silene.

Silene: To lá dentro, Maria. (Retira-se do quarto)
Tião aproxima-se de Maria, senta-se na beira da cama, em ângulo superior, do ponto de vista dela.
Tião: O que aconteceu, meu anjo?
Maria afasta-se, encostando-se à cabeceira da cama, em primeiro plano.
Maria: Tira a mão de mim. Anjo o caralho! Arrebentada, fodida, levando murro na barriga, isso é que eu sou! Não tenho nada de anjo, não.

Tião: O que que te aconteceu, Maria?

Maria: O que aconteceu pra todo mundo. Você é um grande filho da puta, Tião. Tava um massacre na porta daquela fábrica. Nós somo merda pra eles! E tu lá dentro, de bom moço, vendo teu pai levando cacetada, sem sangue pra reclamar, pra reagir porra!
Rosto de Tião em primeiro plano e voz de Maria em over.
Maria: Eu não queria que tu fosse herói, queria que tu fosse gente.
Volta-se ao rosto de Maria em primeiro plano.
Maria: Qual é teu ideal na vida, hein? É uma mulherzinha fazendo comidinha gostosa? É um filinho estudando num coleginho legal, tudo limpo? Eu também quero o limpo e gostoso, eu também quero uma vida descente, mas não a esse preço!
Volta-se ao rosto de Tião em primeiro plano, com expressão de contrariado e a voz de Maria em over.
Maria: eles tão fodendo a gente e tu ajudando a foder. Que vergonha, Tião, que vergonha... (Maria sentada, recostada na cabeceira da cama de frente pra câmera e Tião de costas, em plano americano) Vai ter embora, teu filho quase não existe mais por causa de porrada da polícia viu, garoto besta! O médico disse que não foi nada demais, só sangrou, não mexeu com o feto. Se esse filho nascer, ele vai ser só neto do Otávio, eu vou ter vergonha de dizer que ele é filho do Tião.

Tião: Ta nervosa, menina. Tudo isso é nervo. Ta meia maluca ai como todo mundo. (A câmera vai fechando o ângulo no rosto de Maria) Não é nada disso. Cês não vêem direito. Cês se entregam, porra. Fazem besteira. Quem leva vantagem é quem percebe a merda que é isso ai e sabe se virar.

Maria: Vai embora, Tião. Olha, sem mais nada, ta? Sem noivado, sem casamento, sem porcaria nenhuma. Que você fizesse besteira tudo bem, eu tava até sabendo. Mas teu estômago, agüentar tudo aquilo de cabeça baixa... Tião, você ficou sendo merda, percebeu?
Em plano americano, Tião levanta-se da cama e dá um soco no guarda-roupa. Volta-se a Maria em plano médio.
Maria: Bate, bate em mim também! Bate no teu pai, na tua mãe, nos teus companheiros. Em nós você quer bater, deles você aceita gorjeta! (Tião dá um tapa no rosto de Maria) Bate mais, bate mais! Fizeram escola esses filhos da puta!
A câmera volta-se a Tião em plano americano, encostado no armário, e a voz de Maria em over.
Maria: Tira mais sangue!

Tião: Eu? Eu é que tiro sangue?
Ouve-se um falatório na sala e Tião sai do quarto.
Comentário/justificativa: nesta sequência, há um diálogo com a posição individualista dos conservadores, tanto em relação à omissão pessoal em relação à desigualdade social, quanto à conivência com a violência da repressão militar.
Sequências:
01 – (00:01:02) Abertura: Casal voltando do cinema

02 – (00:04:56) Notícia: Maria está grávida, planos de noivar

03 – (00:15:49) Casa e família de Maria

04 – (00:21:55) Construção da greve

05 – (00:28:04) Casal passeia e conversa sobre a criança

06 – (00:32:00) Discussões sobre os rumos da greve e a reconciliação de Maria com o pai

07 – (00:35:29) Tentativa de convencimento: Otávio conversa com Tião

08 – (00:40:07) Fábrica: traições e demissões

09 – (00:45:52) Posicionamentos divergentes: pai e filho se desentendem

10 – (00:51:12) Mais demissões

11 – (00:55:23) Reconciliação de Otávio e Tião/Jurandir morre em assalto

12 – (01:03:34) Velório e anúncio de greve geral

13 – (01:10:32) Discussão entre os líderes sindicais sobre a decisão de greve

14 – (01:15:20) Segunda-feira: momentos antes do confronto

15 – (01:22:46) Piquete: prisão de Otávio

16 – (01:26:50) Maria apanha, vai para a casa de Tião

17 – (01:34:53) Tião chega em casa: fim do relacionamento com Maria

18 – (01:44:07) Otávio chega em casa: expulsão de Tião de casa

19 – (01:47:54) Piquete continua: assassinato de Bráulio

20 – (01:50:50) Velório

21 – (01:57:10) Passeata em cortejo fúnebre.

FORTUNA CRÍTICA


Filme baseado na peça de teatro: Guarnieri, Gianfrancesco. Eles não usam black-tie. In Guarnieri, Gianfrancesco. Melhor teatro: Gianfrancesco Guarnieri. São Paulo : Global, 2001. p. 19-87. (Melhor Teatro). Notas: 3 atos; 10 personagens. TP G916g G (LS)

Críticas de jornais
Avellar, José Carlos. A razão e o sentimento. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 6, 27 out. 1981. Pasta 36 doc.23
________________. Gota d'água. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 5, 2 out. 1981. Pasta 36 doc.18. (LS)
________________. O agente como gente. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 1, 5 set. 1981. Pasta 36 doc.11. (LS)
________________. O chão da palavra: Cinema e literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. 440 p. Acesso: F61:8*A968c. (CB)
Bitarelli, Rogério. O cotidiano e a história. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 6, 20 set. 1981. Pasta 36 doc.7. (LS)
Beuttenmuller, Alberto. Guarnieri, de Tião a Otávio. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 1, 5 set. 1981. Pasta 36 doc.11. (LS)
Canby, Vicent. Black-tie, extremamente bom. O Estado de São Paulo, São Paulo, p. 38, 12 jun. 1983. Pasta 68 doc.28. (LS)
Castro Filho, Albino. Eles não usam black-tie recebe aplausos e elogios no 49º Festival de Veneza. O Estado de S. Paulo, São Paulo, p. 22, 8 set. 1981. Pasta 63 doc.28. (LS)
_________________. Filme de Hirszman ocupa o segundo lugar na lista dos melhores em Veneza. O Estado de S. Paulo, São Paulo, p. 26, 10 set. 1981. Pasta 63 doc.29. (LS)
_________________. Hirszman, um Leão de Ouro e mais quatro prêmios. O Estado de S. Paulo, São Paulo, p. 20, 12 set. 1981. Pasta 64 doc.27. (LS)
_________________. Hoje, em Veneza, o filme brasileiro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, p. 28, 6 set. 1981. Pasta 63 doc.27. (LS)
Coelho, Lauro Machado. Denso, humano, banal: um belo filme. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 20, 2 out. 1981. Pasta 36 doc.19. (LS)
Del Picchia, Pedro. Viva Guarnica. Folha de S. Paulo, São Paulo, p. 24, 31 out. 1981. Pasta 36 doc.25. (LS)
Enout, João Evangelista, dom. Black-tie e a encíclica. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 9, 16 out. 1981. Pasta 36 doc.21. (LS)
Ewald Filho, Rubens. Algumas restrições a Black-tie. O Estado de S. Paulo, São Paulo, p. 31, 20 out. 1981. Pasta 36 doc.22. (LS)
Febrot, Luiz Israel. Eles não usam black-tie. O Estado de S. Paulo. Cultura, São Paulo, p. 15, 21 fev. 1982. Pasta 56 doc.20 (LS)
Fortes, Paulo A. Dor e esperança no ABC paulista. Jornal do Brasil, caderno B, p.5, 19/02/1988.
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Labaki, Amir. Hirszman trancende política com emoção. Folha de São Paulo, Ilustrada, p. A-30, 19/02/1988.
Lopes, Maria da Glória. Guarnieri, coerente e mais seguro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, p. 19, 16 set. 1981. Pasta 59 doc.35. (LS)
Macksen, Luis. Black-tie com cheiro de café. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 1, 5 set. 1981. Pasta 36 doc.11. (LS)
Marques, Clovis. Consciência e infortúnio no ABC, SP. Revista do Domingo, Rio de Janeiro, v.6, n.269, p. 5, jun. 1981. (LS)
_____________. Da experiência de Hirszman no ABC ao aplauso no Festival de Veneza. Jornal do Brasil. Caderno B, Rio de Janeiro, p. 9, set. 1981. Pasta 63 doc.31. (LS)
_____________. Veneza dá quatro prêmios a Eles não usam black-tie. Jornal do Brasil. Caderno B, Rio de Janeiro, p. 1, 12 set. 1981. Pasta 63 doc.30. (LS)
MARQUES, Fernando. “Eles não usam Black-tie” faz 40 anos. O Estado de São Paulo, Cultura, p. D6, 21/02/98.
Merten, Luiz Carlos. Hirszman revela o ABC da greve. O Estado de São Paulo, Caderno 2, p. D21, 08/11/1996.

Pereira, Edmar. Crise premiada. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 19, 28 set. 1981. Pasta 36 doc.17. (LS)


­­­­­­____________. Convencional, mas direto ao coração do público. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 7, 12 set. 1981. Pasta 36 doc.12. (LS)
____________. Guarnieri conta seus 25 anos de luta. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 6, 26 set. 1981. Pasta 60 doc.2. (LS)
Ramos, Luciano. Filme de Hirszman já faz parte da história. Folha de S. Paulo, São Paulo, p. 35, 2 out. 1981. Pasta 36 doc.20. (LS)
Schild, Susana. Eles não usam black-tie. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 1, 5 set. 1981. Pasta 36 doc.11. (LS)
____________. Fernanda Montenegro. Jornal do Brasil. Caderno B, Rio de Janeiro, p. 8, 15 set. 1981. Pasta 59 doc.4. (LS)

Referências sem autor
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Guarnieri. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 19, 14 set. 1981. Pasta 59 doc.34. (LS)
Filme rodado na Lapa fez sucesso no Festival de Veneza. Jornal da Lapa, São Paulo, p. 10, 12 set. 1981. Pasta 36 doc.13. (LS)
Hirszman, o grande vencedor em Veneza. Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 set. 1981. Pasta 36 doc.14. (LS)
Um Leão de Ouro para o Brasil. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 7, 12 set. 1981. Pasta 36 doc.12. (LS)
Black-tie em Veneza. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 17, 16 jun. 1981. Pasta 36 doc.10. (LS)
Black-tie: para encerrar com chave de ouro. Correio Braziliense, p. 28, 19/02/1988.
Pronta a adaptação de Black-tie para cinema. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 12 jun. 1981. Pasta 36 doc.9. (LS)
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