O recém-nascido é pleno de potencialidades e vivencia desde sua vida intra-uterina uma série de transformações que são decisivas para o seu crescimento e desenvolvimento


Tecnologias do cuidado em enfermagem



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2.1. Tecnologias do cuidado em enfermagem
Atualmente, os hospitais têm se destacado por grandes avanços científicos, devido ao uso de técnicas e tecnologias cada vez mais sofisticadas. No entanto, apesar de todos os recursos tecnológicos e humanos ali existentes, estes ainda são insuficientes para resolver grande parte dos problemas de saúde das pessoas (SILVA; ALVIM; FIGUEIREDO, 2008).

Um dos problemas que justifica este paradoxo é a visão de que tecnologia se resume em máquinas modernas, dificultando a compreensão de que quando se fala em trabalho em saúde não se refere somente ao conjunto de máquinas usadas nas ações de intervenção sobre os pacientes (MERHY, 1998).

Quando o termo tecnologia em saúde é referido associa-se este às Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), atribuindo-o a máquinas e equipamentos. Este é um conceito reducionista e simplista, que por vezes, cria uma barreira entre o que é humano e o que é artificial (SÁ NETO; RODRIGUES, 2010).

Tecnologia é um conjunto de informações organizadas, provenientes de várias fontes, obtidas através de diferentes métodos, para a produção de bens e serviços. Inclui pessoas, como aquelas envolvidas na invenção, disseminação, aplicação e uso de tecnologia. Que são os pacientes, consumidores de serviços de saúde em geral, enfermeiras, médicos, técnicos, vendedores e pessoal de manutenção. Inclui os instrumentos como ferramentas e dispositivos, aparelhos e máquinas, desde termômetros até scaners de tomografia computadorizada. E inclui técnicas que se referem aos procedimentos que utilizam instrumentos para uso clínico, tais como punção venosa, cateterismo cardíaco e cirurgia (OLIVEIRA, 2002).

Ao olhar com atenção os processos de trabalhos realizados, é possível perceber a predominância das tecnologias duras, que são os instrumentos, máquinas, normas e estruturas organizacionais. Entretanto é preciso vislumbrar as tecnologias que vão além das várias ferramentas e máquinas que se usa.

O que permite dizer, que há uma tecnologia menos dura do que os aparelhos e as ferramentas de trabalho, e que está sempre presente nas atividades de saúde, que denominamos de leve-dura. É leve ao ser um saber que as pessoas adquiriram e está inscrita na sua forma de pensar os casos de saúde e na maneira de organizar uma atuação sobre eles, mas é dura na medida que é um saber-fazer bem estruturado, bem organizado, bem protocolado, normalizável e normalizado (MERHY, 2002).

E além destas duas situações tecnológicas, há uma terceira, que é denominada de leve. Qualquer abordagem assistencial de um trabalhador de saúde junto a um usuário-paciente se produz através de um trabalho vivo em ato, em um processo de relações, isto é, há um encontro entre duas pessoas, que atuam uma sobre a outra, e no qual opera um jogo de expectativas e produções, criando-se intersubjetivamente alguns momentos de falas, escutas e interpretações, no qual há a produção de uma acolhida ou não das intenções que estas pessoas colocam neste encontro; momentos de cumplicidades, nos quais há a produção de uma responsabilização em torno do problema que vai ser enfrentado; momentos de confiabilidade e esperança, nos quais se produzem relações de vínculo e aceitação (MERHY, 2002).

Entretanto, o que prevalece na saúde é o emprego de tecnologias duras, em detrimento de tecnologias leve-duras e leves. Não se pretende desvalorizar os avanços tecnológicos, mas não se pode reduzir os cuidados a instalação de aparelhos e observações fisiológicas (FRANCO; MAGALHÃES JÚNIOR, 2004).

Na atualidade a preocupação é que a tecnologia vem sendo utilizada em substituição a alguns cuidados antes realizados manualmente. O que nem sempre é salutar, especialmente no caso da enfermagem, pois essa substituição pode gerar um afastamento na relação entre enfermeiro e o cliente. A máquina traduz uma série de dados clínicos que, antes dos adventos tecnológicos só eram possíveis de serem verificados através do toque. Assim essa substituição pode estar redirecionando a enfermagem para realização de funções administrativas e burocráticas, redimensionando o espaço do cuidado com a incorporação das tecnologias de ponta (OLIVEIRA, 2002).

Um possível motivo que justifica o apego das enfermeiras à máquina pode ter origem na crença de que o profissional que domina a tecnologia ocupa uma posição privilegiada dentro de uma instituição hospitalar. Crença esta que confere status às unidades de terapia intensiva, em relação aos demais setores hospitalares, e aos profissionais que atuam nestes setores altamente supridos com tecnologia (OLIVEIRA, 2002).

Pode-se afirmar que os avanços tecnológicos incidem de for­ma importante na área da saúde, em particular na neona­tal, que demonstra uma diminuição do índice de morbi­mortalidade. Percebe-se que a complexidade das condutas terapêuticas e os procedimentos técnicos favorecem maior sobrevida aos recém-nascidos, em especial, aos pre­maturos internados em UTIN, antes, considerados inviáveis (OLIVEIRA et al., 2009).

Mas é comum nessas unidades, deparar-se com situações em que a tecnologia impera sobre as relações sociais, trazendo impessoalidade, frieza e desvalorização do cuidado. Assim, a dimensão da tecnologia, passa a ser representada como uma força desumanizante, que despersonaliza e objetifica as formas de cuidar, quando não é utilizada de modo adequado (SÁ NETO; RODRIGUES, 2010).

Apesar da notável relevância da UTIN para os recém-nascidos enfermos, há uma incoerência quando se percebe que uma unidade que deveria zelar pelo bem-estar do recém-nascido em todos os aspectos, é considerada um ambiente inóspito, onde acontecem barulhos, intensa luminosidade e desconforto para o recém-nascido (REICHERT; LINS; COLLET, 2007).

Diante desse contexto é primordial a ênfase nas ações preconizadas para a humanização no cuidado neonatal, voltadas para o respeito às individualidades, à garantia de tecnologia que permita a segurança do recém-nascido, o acolhimento ao recém-nascido e sua família, facilitando o vínculo afetivo entre a tríade pai-mãe e recém-nascido du­rante a sua permanência no hospital e após a alta (BRASIL, 2001).

A tecnologia, como fundamento do cuidado neonatal, requer um repensar de todas as formas de relacionamento entre recém-nascidos, profissionais e família, na adequação de sua utilização a diversos saberes, oferecendo cuidado individualizado, seguro, ético e humano. Desse modo, ao cuidarmos do recém-nascido, não devemos tratá-lo como objeto do nosso fazer, mas perceber que esse ser frágil e indefeso é uma pessoa, e como tal deve ser tratado com dignidade humana (SÁ NETO; RODRIGUES, 2010).

Assim, ao se refletir sobre o impacto da tecnologia no cuidado neonatal, devemos compreender que o que determina se uma tecnologia é boa ou ruim, se ela desumaniza, despersonaliza ou objetifica o cuidado, não é a tecnologia por si só, mas de que maneira é utilizada pelos profissionais, a sua intencionalidade e atitude face às possíveis complicações e prejuízos advindos do seu uso (SÁ NETO; RODRIGUES, 2010).

Nesse sentido, um entendimento amplo de tecnologia, permite que o en­fermeiro amplie sua maneira de cuidar, principalmente, no cenário hospitalar. Focalizando um olhar abrangente para além do corpo biológico adoecido do recém-nascido, é vê-lo também em suas dimensões, sendo o facilitador na promoção do bem-estar bio-psico-sócio-espiritual e emocional do recém-nascido e da sua família, ao conduzir melhores formas de en­frentamento do processo da hospitalização. O que vai ao encontro do proposto na Teoria de Enfermagem do Cuidado Humano Transpessoal da teórica Jean Watson.

Acredita-se que a tecnologia possa ser empregada de forma a aproximar a enfermeira do recém-nascido, humanizando e aliando tecnologia ao cuidado de enfermagem, o que será possível quando esta tecnologia for utilizada de forma crítica e racional (OLIVEIRA, 2002).

A tecnologia revela determinados saberes e maneiras de cuidar. Entretanto, torna-se necessário o aperfeiçoamento e a atualização dos profissionais de saúde para que possam aplicar o conhecimento de forma responsável e racional, desenvolvendo um senso crítico e reflexivo de suas ações. Além disso, há de se repensar novas maneiras de cuidar, utilizando a arte, a sensibilidade e a criatividade na adequação e humanização das tecnologias (SÁ NETO; RODRIGUES, 2010).

Dentro desta óptica, deve-se usar a tecnologia a favor da harmonização do recém-nascido, promovendo o seu bem-estar. Os recursos tecnológicos estão cada vez mais avançados, logo, deve-se valorizar a técnica, como uma aliada na tentativa de preservar a vida e o conforto do recém-nascido. O enfermeiro, no desempenho de seu papel, deve lembrar que a máquina não substitui a essência hu­mana (OLIVEIRA et al., 2009).

Cuidar de alguém é estar além da prestação de cuidados básicos, técnicas e procedimentos de enfermagem, é considerar todos os seus aspectos, tendo em vista os processos que o permeiam (SOUZA, 2002).

Diante desta complexa configuração tecnológica do trabalho em saúde, a noção de que uma conformação adequada da relação entre os três tipos de tecnologia, dura, leve-dura e leve, é a condição para que o serviço seja produtor de um cuidado que busca novos caminhos para uma assistência mais ética e humana, em que o recém-nascido internado em UTIN, seja visto como um fim e não como um meio.





  1. REFERENCIAL TEÓRICO - TEORIA DO CUIDADO HUMANO TRANSPESSOAL DE JEAN WATSON

A Teoria do Cuidado Humano Transpessoal foi desenvolvida entre 1975-1979, durante o tempo que a Drª. Jean Watson lecionava na Universidade de Colorado. A teoria emergiu de sua própria visão da enfermagem, associada às informações obtidas em seus estudos de doutorado em psicologia educacional clínica e social.

A tentativa inicial da teórica era focalizar a enfermagem como uma disciplina emergente e uma profissão distinta da área de saúde, com seus próprios valores, conhecimentos e práticas, com sua própria ética e missão na sociedade. O trabalho também foi influenciado por seu envolvimento com o currículo acadêmico de enfermagem e esforços para encontrar um método para enfermagem que transcendesse populações, especialidade, sub-especialidades e assim sucessivamente.

Jean Watson na sua teoria tentou explicitar os valores da enfermagem, os conhecimentos e as práticas do cuidado humano, buscando agregar os processos subjetivos do cuidado e a história de vida da pessoa cuidada, requerendo unicamente a arte de cuidar e uma metodologia chamada fatores de cuidado que complementaram a medicina convencional. Essa filosofia e teoria do cuidado humano transpessoal serviram para equacionar a orientação de cura da medicina, dando para enfermagem uma disciplina científica única e profissional.

Os principais elementos conceituais da teoria original são: os fatores de cuidado, que mais tarde evoluíram para processos de cuidados; relacionamento transpessoal; cuidados momentâneos e cuidados ocasionais. Atualmente outros aspectos da dinâmica da teoria estão emergindo, e incluem: visão expandida de si própria e da outra pessoa, unidade transpessoal de mente, corpo e espírito; cuidar-cuidado que é conscientização intencional para promover a cura e o restabelecimento; consciência sobre os cuidados servirem como energia dentro do ambiente humano e avançada modalidade para curar e restabelecimento através da arte da enfermagem, como um futuro modelo para práticas de enfermagem (TALENTO; JEAN, 2003).

No sistema de valores humanistas, Watson considera o ser humano como um ser único, indivisível, autônomo e com liberdade de escolha. O cuidado humano transpessoal de Jean Watson, incorpora dez fatores de cuidados (CHRISTOFFEL; SANTOS, 2003).

De acordo com Watson o trabalho original sobre os dez fatores de cuidado foi organizado em 1979, como método para prover um formato e foco para os fenômenos de enfermagem. Entretanto, Watson em uma análise posterior, evidenciou que enquanto fatores de cuidados ainda for a terminologia corrente para a essência da enfermagem, provendo uma estrutura para o trabalho inicial, o termo fator é muito estagnado para a atual sensibilidade. Por isso, atualmente Watson oferece outra concepção que está mais adequada para a própria evolução e futuras direções da teoria, que é o conceito de clinical caritas e caritas processes (TALENTO; JEAN, 2003).

Segundo Watson caritas vem da palavra grega que significa apreciar, prestar atenção e dar atenção especial. Se não há amor, nem atenção, nenhuma coisa poderá ser muito boa. A palavra também está relacionada com a palavra carative, original do livro da autora de 1979. No momento a autora faz uma nova conexão entre cuidar-cuidados e sem hesitação da palavra que refere caritas, significa amor, permitindo que o amor e cuidados venham juntos para uma nova forma de atenção transpessoal.

Para Watson Clinical Caritas e Caritas Processes é um modelo emergente do processo cuidativo transpessoal do cuidar-cuidado. Estas integradas e expandidas perspectivas são ambas pós-moderna e transcendem a indústria convencional dos modelos estáticos de enfermagem, evocando o passado e o futuro simultaneamente.

Tal maturidade e integração do passado com o presente e futuro, requer uma ampla transformação. Como publicamente e profissionalmente afirmamos estas posições teóricas, nossa ética, nossa prática, até mesmo nossa ciência, também localizamos nossa profissão e disciplina dentro de uma nova cosmologia. Tal pensamento pede um senso de reverência e respeito à vida e a todas as coisas vivas. É incorporar arte e ciência, como também redefini-las, reconhecendo uma convergência entre arte, ciência e espiritualidade (TALENTO; JEAN, 2003).

Nesta metodologia cada um é também perguntado, ou se não motivado, a examinar e explorar a relação crítica entre o pessoal e o profissional; para traduzir um único talento, interesses e valores dentro dos serviços humanos de cuidar-cuidado, para si próprio e para com os outros, e até mesmo para o próprio planeta terra (TALENTO; JEAN, 2003).

Os fatores cuidativos originais serviram como um guia, referido como a essência da enfermagem e apontou determinados aspectos que potencializaram o relacionamento e os processos curativos terapêuticos, afetando o cuidador e aquele que está sendo cuidado. Mais adiante, isso foi fundamentado pela teórica, como sendo filosofia, ciência, e arte de cuidar.

O termo cuidativo é a dimensão maior e mais profunda da enfermagem, vai além das mudanças de tempo, preparação, procedimentos e tarefas funcionais, especializadas e direcionadas em torno da doença e tecnologia de tratamento. Desta forma, a teoria de enfermagem transpessoal oferece outros caminhos que diferem, contudo, complementam o que conhecemos como enfermagem moderna, mais conhecido como modelo médico-enfermagem convencional (TALENTO; JEAN, 2003).

Os dez fatores cuidativos originais consistem em:


1. A formação de um sistema de valores humanísticos-altruístas;

2. A promoção da fé-esperança;

3. O cultivo da sensibilidade para si mesmo e para com os outros;

4. Desenvolvimento de uma relação de ajuda-confiança;

5. A promoção e a aceitação da expressão de sentimentos positivos e negativos;

6. A utilização do processo de cuidado criativo na resolução dos problemas;

7. O desenvolvimento do ensino e cuidado transpessoal;

8. A provisão de um ambiente de apoio integral;

9. Assistência voltada para a gratificação das necessidades humanas;

10. A permissão de forças existenciais-fenomenológicas.


Enquanto algumas das doutrinas básicas dos fatores cuidativos originais ainda seguram, e são usados como a base para alguns modelos de prática e pesquisa guiados pela teoria, a autora está propondo, como parte de sua própria evolução e evolução das idéias e a da própria teoria em si, transpor os fatores cuidativos dentro dos processos cuidativos clínicos.

Watson refere que como os fatores cuidativos evoluem dentro de uma perspectiva expansiva, e suas idéias e valores também evoluem, ela oferece agora as seguintes adaptações dos fatores cuidativos originais, dentro do processo de cuidados clínicos, sugerindo a abertura de outros caminhos que poderão ser considerados, que são (TALENTO; JEAN, 2003):




  1. Formação de sistema de valores humanístico-altruístico se torna: prática de bondade e amor ao próximo;

  2. Promoção da fé-esperança se torna: autêntica presença e sustentação do sistema de vida no mundo;

  3. O cultivo da sensibilidade para si mesmo e para com os outros, se torna: cultivo das próprias práticas espirituais e transpessoal da pessoa;

  4. Desenvolvimento de uma relação de ajuda-confiança se torna: desenvolver e sustentar uma relação de ajuda-confiança, autêntica e atenciosa;

  5. A promoção e a aceitação da expressão de sentimentos positivos e negativos se tornam: presente e encorajador ao sentimento negativo e positivo como sendo uma conexão com o nível mais profundo de espírito;

  6. Uso sistemático e criativo de resolução de problemas de processos curativos se torna: uso criativo de si próprio e de todos os caminhos do conhecimento como parte do processo de cura gerando a arte da prática de cuidados e cuidativos;

  7. Promoção transpessoal do ensino e aprendizagem se torna: parte da experiência do ensino-aprendizagem original que significa permanecer dentro de outras referências;

  8. Fornecer suporte, proteção, correções mentais, físicas, sociais e espirituais, se torna: criar um ambiente cuidativo em todos os níveis, bem como físico e não físico, mas que seja um ambiente de energia, consciência, beleza, conforto, dignidade e paz potencializada;

  9. Ajuda com satisfação de necessidades humanas, se torna: ajudando com necessidades básicas, com uma consciência atenciosa intencional, administrando essencialmente os cuidados humanos que alinham e potencializam mente-corpo-espírito;

  10. Conceder força, fenômeno espiritual e existencial, se torna: abrindo e prestando atenção as dimensões espiritual-misteriosas e existenciais da própria vida-morte da pessoa; cuidado da alma para o ego e um-porque-ser-cuidado.

O que difere no vigamento de Caritas Clínico é que uma dimensão decididamente espiritual e uma evocação pública de amor que se funde em um paradigma novo deste novo milênio. Tal perspectiva coloca a teoria num vigamento mais consistente propiciando sua evolução. Esta direção vai além de teoria e se torna um paradigma convergindo para o futuro da enfermagem.

Assim, Watson considera seu trabalho uma matriz filosófica para a enfermagem que está evoluindo, uma matriz de disciplina profissional, em lugar de uma teoria específica por si só. Essa teoria foi e está sendo usada, como um guia para currículos educacionais, modelos de práticas clínicas, métodos para pesquisa e investigação, como também direções administrativas.

Esta posição de trabalho com uma fundamentação moral explicita valor e objetos relacionados a uma posição específica de respeito ao ser humano como centro do processo, preocupação agora com uma moral e com a ontologia, ou seja, com a natureza do ser, da realidade, do ser enquanto ser. Tem também como um ponto de partida crítico para a existência da enfermagem, a missão do avanço adicional para humanização. Não obstante, o uso e a evolução são dependentes em práticas críticas, reflexivas que devem ser interrogadas continuamente e criticadas para permanecer dinâmica, flexível, e se auto-revisando (TALENTO; JEAN, 2003).

Este trabalho está de acordo com recentes relatórios de cuidado médico e saúde, reforma educacional profissional, que pedem a centralidade das relações atenciosa-curativas como a base fundamental para toda a saúde, educação profissional e reforma da prática.

A tarefa central da educação de profissões de saúde deve ser ajudar os docentes e discentes a aprender formar relações atenciosas, curativas com pacientes e com suas comunidades, e entre si, com conhecimento deles próprios, habilidades e valores necessários para relações efetiva. Esse desenvolvimento leva ao amadurecimento dos estudantes que passam a serem reflexivos, os profissionais passam a entenderem o paciente como uma pessoa, reconhecem e lidam com contribuições múltiplas a saúde e doença, e entendem a natureza essencial das relações de cura.




  1. MATERIAIS E MÉTODOS

A pesquisa pode ser definida como um procedimento reflexivo, sistemático, controlado e crítico que permite descobrir novos fatos ou dados, soluções ou leis, em qualquer área do conhecimento (RAMPAZZO, 1998).

Para se realizar uma pesquisa é preciso promover o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele. Em geral isso se faz a partir do estudo de um problema, que ao mesmo tempo desperta o interesse do pesquisador e limita sua atividade de pesquisa a uma determinada porção do saber, a qual ele se compromete a construir naquele momento. Trata-se, assim, de uma ocasião privilegiada, reunindo o pensamento e a ação de uma pessoa, ou de um grupo, no esforço de elaborar o conhecimento de aspectos da realidade que deverão servir para a composição de soluções propostas aos problemas (LUDKE; ANDRÉ, 2001).

Desta forma, a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas através do método científico. Método científico é o método mais elevado de obtenção de conhecimento e tem sido utilizado de maneira produtiva por pesquisadores que se dedicam ao estudo de uma ampla gama de problemas que interessam ao desenvolvimento de uma área da ciência (POLIT; HUNGLER, 2004).

O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos (GIL, 2007). Portanto, podemos referir que a pesquisa é a atividade básica da ciência no seu questionamento e construção da realidade, vinculando pensamento e ação, embora seja uma prática teórica.
4.1. Tipo de estudo e abordagem metodológica
A presente investigação trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa. Esse tipo de pesquisa tem como objetivos estudar as características de um grupo ou de um determinado fenômeno. Sendo que na pesquisa descritiva o pesquisador analisa, classifica e interpreta os dados sem interferir neles (GIL, 2007).

As pesquisas qualitativas abordam dados subjetivos os quais relacionam valores, crenças, atitudes e opiniões dos atores sociais. É o tipo de pesquisa que se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser mensurado (MINAYO, 2001). A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares e analisa a presença ou ausência de determinada característica, basicamente, busca entender um fenômeno específico em profundidade (MARCONI ; LAKATOS, 2008).

A pesquisa qualitativa é sensível ao contexto no qual ocorrem os eventos estudados, sendo um tipo de pesquisa caracterizada como compreensiva e holística (SILVA; SILVEIRA, 2006).

Os métodos de pesquisa qualitativa são entendidos como aqueles capazes de incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, às relações, e às estruturas sociais, sendo essas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua transformação, como construções humanas significativas. O significado é o conceito central para a análise sociológica (MINAYO, 2001).

A Fase exploratória da pesquisa compreende a etapa de escolha do tópico de investigação, de delimitação do problema, de definição do objeto e dos objetivos, de construção do marco teórico conceitual, dos instrumentos de coleta de dados e da exploração do campo. A Fase exploratória termina formalmente com a entrada em campo. Na realidade, as etapas se interpenetram e o esforço de delinear esse começo de caminho tem sua raiz na teoria e na prática (MINAYO, 2001).

O olhar sobre o Objeto está condicionado historicamente pela posição social do cientista e pelas correntes de pensamento em conflito na sociedade. Nada pode ser intelectualmente um problema, se não tiver sido, em primeira instância, um problema da vida prática. Isto quer dizer que a escolha de um tema não emerge espontaneamente, da mesma forma que o conhecimento não é espontâneo. Surge de interesses e circunstâncias socialmente condicionadas, frutos de determinada inserção no real, nele encontrando suas razões e seus objetivos (MINAYO, 2001).

No entanto, é necessário admitir que após uma classe ter descoberto algum fato histórico ou sociológico, todos os grupos, quaisquer sejam seus interesses, não só podem levar em consideração as descobertas como as incorporam ao seu sistema de interpretação do mundo. As correntes intelectuais diversas não se desenvolvem isoladamente, mas se afetam e se enriquecem mutuamente (MINAYO, 2001).

Esta concepção de pesquisa por se inserir numa corrente de pensamento acumulado nos remete ao caráter social da pesquisa, na qual o pesquisador está mergulhado naturalmente na corrente da vida em sociedade, com suas competições, interesses e ambições, ao lado da legítima busca do conhecimento científico. Conhecimento este comprometido, portanto com sua realidade histórica e não pairando acima dela como verdade absoluta. A construção da ciência é um fenômeno social por excelência (LUDKE; ANDRÉ, 2001).

A pesquisa, então, não se realiza numa estratosfera situada acima da esfera de atividades comuns e correntes do ser humano, sofrendo assim as injunções típicas dessas atividades. O que se quer é aproximar a pesquisa da vida diária, em qualquer âmbito de trabalho, tornando-a um instrumento de enriquecimento do seu trabalho (LUDKE; ANDRÉ, 2001).

É igualmente importante lembrar que, como atividade humana e social, a pesquisa traz consigo, inevitavelmente, a carga de valores, preferências, interesses e princípios que orientam o pesquisador. Claro está que o pesquisador, como membro de um determinado tempo e de uma específica sociedade, irá refletir em seu trabalho de pesquisa os valores, os princípios considerados importantes naquela sociedade, naquela época. Assim, a sua visão do mundo, os pontos de partida, os fundamentos para a compreensão e explicação desse mundo irão influenciar a maneira como ele propõe suas pesquisas ou, em outras palavras, os pressupostos que orientam seu pensamento vão também nortear sua abordagem de pesquisa (LUDKE; ANDRÉ, 2001).

Os fatos, os dados não se revelam gratuita e diretamente aos olhos do pesquisador. Nem este os enfrenta, desarmado de todos os seus princípios e pressuposições. Ao contrário, é a partir da interrogação que ele faz aos dados, baseada em tudo o que ele conhece do assunto – portanto, em toda a teoria acumulada a respeito – que se vai construir o conhecimento sobre o fato pesquisado (LUDKE; ANDRÉ, 2001).

O papel do pesquisador é justamente o de servir como veículo inteligente e ativo entre esse conhecimento acumulado na área e as novas evidências que serão estabelecidas a partir da pesquisa. É pelo seu trabalho como pesquisador que o conhecimento específico do assunto vai crescer, mas esse trabalho vem carregado e comprometido com todas as peculiaridades do pesquisador, inclusive e principalmente com as suas definições políticas (LUDKE; ANDRÉ, 2001).

Nesse movimento aparentemente linear de desenho das etapas da pesquisa é enfatizado, de um lado a necessidade, para fins de análise, de dar atenção a cada procedimento; e de outro, para a liberdade de reconhecer as diferentes técnicas e métodos como guias e prescindir deles quando se tornam obstáculos. É nessa interação que se torna possível realizar um trabalho científico criador (MINAYO, 2001).




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