O parabadminton: consideraçÕes gerais



Baixar 15.51 Kb.
Encontro30.06.2019
Tamanho15.51 Kb.

O PARABADMINTON: CONSIDERAÇÕES GERAIS
Aline Miranda Strapasson
O Parabadminton (PBd) é um esporte adaptado para pessoas com deficiência que foi desenvolvido em meados dos anos 90, pela Associação Internacional de Badminton para deficientes (IBAD), com o intuito de oportunizar a prática pelas pessoas com as mais variadas deficiências. Atualmente existem 44 países, representantes dos 5 continentes, filiados à Federação Mundial de Badminton (BWF - Badminton World Federation).

As regras do PBd são as mesmas do Badminton convencional, regidas pela Federação Mundial de Badminton, que é responsável pelo desenvolvimento, regulamento e gestão de ambos.

As principais adaptações estão relacionadas: às categorias ou classes, nivelando os atletas de acordo com sua deficiência; à quadra (diminuição da área de jogo quando necessário, ou seja, no caso dos atletas que utilizam cadeira de rodas e dos atletas com comprometimento predominante dos membros inferiores); e equipamentos adicionais (cadeira de rodas específica para a modalidade, muletas e próteses).

O esporte oferece 6 categorias ou classes e os atletas participantes de competições, devido aos diferentes graus de comprometimento, precisam passar pelo processo de classificação funcional, sistema que tenta garantir o princípio de igualdade de condições de disputa. Desse modo os atletas competem dentro de suas classes, definidas de forma específica por modalidade.

Dentre as categorias, 2 são para usuários de cadeiras de rodas, decorrentes de: lesão medular, poliomielite, espinha bífida, paralisia cerebral, distrofia muscular, amputações, esclerose múltipla, entre outras; e 4 classes para pessoas que não necessitam do uso de cadeira de rodas, decorrentes de: amputações, paralisia cerebral, paralisia infantil, acidente vascular cerebral, malformações, lesões de plexo braquial, síndromes, nanismo, entre outras.

As classes para usuários de cadeira de rodas (UCR) são divididas em WH1 e WH2 (W de wheelchair); e as demais classes, para as pessoas que andam, são divididas em SL3, SL4, SU5 e SS6 (S de standing) (Figuras 1-4).












Figuras 1-4: Fotos de Edu Oliveira dos atletas e ex-técnica da Equipe de Parabadminton da cidade de Toledo-PR, nos Campeonatos Nacionais em Curitiba (2012/2013) e do atleta da SANKALP, Campinas-SP, no Campeonato Nacional em Brasília (2013).

Na classe WH1 participam UCR com equilíbrio corporal moderado ou ruim, e, na classe WH2 contemplam UCR com bom equilíbrio, ou seja, os UCR da categoria WH1 têm maiores comprometimentos que os da WH2. Nestas categorias, a quadra sofre redução de tamanho (4,72m x 3,05m), como ilustram as Figuras 5 e 6 (simples e dupla).






Figura 5: Quadra (área cinza) e área de saque (área preta) das categorias WH1 WH2 (simples).



Figura 6: Quadra (área cinza) e área de saque (área preta) das categorias WH1 WH2 (dupla).

Nas classes SL3 e SL4 participam atletas com comprometimento predominante dos membros inferiores. É importante frisar que na categoria SL3 existe adaptação da quadra (13,40m x 3,05m), pois os atletas apresentam maior comprometimento (Ver Figura 7).






Figura 7: Quadra (área cinza) e área de saque (área preta) da categoria SL3 (simples).

Na categoria SU5 participam atletas com comprometimento de membros superiores, e na classe SS6 atletas com baixa estatura (masculino até 1,45cm e feminino até 1,37cm).

O PBd, assim como o Badminton pode ser disputado nas categorias simples (individual), dupla (masculino/feminino) e dupla mista. A adaptação da quadra nos jogos de dupla permanecerá apenas nas categorias WH1 e WH2.

A Federação Mundial de Badminton (BWF) já promoveu 9 Campeonatos Mundiais de PBd e o Brasil participou das duas últimas edições, Guatemala 2011 (2 atletas, 3 técnicos e 1 acompanhante) e Alemanha 2013 (10 atletas, 3 técnicos e 2 acompanhantes) (Figuras 8-9).








Figuras 8-9: Delegações do Brasil nos Campeonatos Mundiais de Parabadminton da Guatemala 2011 e Alemanha 2013.

O primeiro Campeonato Brasileiro de PBd aconteceu entre os dias 5 e 6 de dezembro de 2009, no ginásio do Centro de Treinamento de Educação Física Especial (CETEFE), Brasília – DF, com apoio da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd) juntamente com Federação de Badminton de Brasília (FBB).

Atualmente 14 estados estão praticando o PBd, dentre eles: Brasília, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraíba, Santa Catarina, Goiás, Piauí, Amapá e Minas Gerais. O país conta com o apoio da CBBd e os estados com as suas federações.

É importante destacar que no Brasil foi incluída a classe S9 nos campeonatos nacionais, direcionada aos atletas com deficiência intelectual e, que existem competições internacionais do esporte para pessoas com deficiência auditiva.



Enfim, a BWF está trabalhando para inserir o Parabadminton nas Paralimpíadas e a expectativa está grande para 2020 no Japão.


Aline Miranda Strapasson,

Doutoranda do Curso de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Área de concentração: Atividade Física Adaptada.

Campinas – SP, 2014.




©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal