O papel fisiológico do intestino grosso na absorçÃo de água, eletrólitos e outras substâncias



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O PAPEL FISIOLÓGICO DO INTESTINO GROSSO NA ABSORÇÃO DE ÁGUA, ELETRÓLITOS E OUTRAS SUBSTÂNCIAS
Micherlayne Even Oliveira Limeira(1), Rosália do Nascimento Silva(1), Temilce Simões de Assis(2), Rita de Cássia da Silveira e Sá(3), Rachel Linka Beniz Gouveia(3,4),

Centro de Ciências da Saúde/Departamento de Fisiologia e Patologia



RESUMO

O Sistema Digestório é um dos principais conteúdos abordados nos plantões de dúvidas. A falta de compreensão dos alunos sobre alguns aspectos primordiais referentes ao cólon resultou na escolha do tema abordado por este trabalho. Em vista disso, foi confeccionado um banner que demonstrava o papel do intestino grosso no processo absortivo de água e outros elementos para atuar como ferramenta facilitadora durante as atividades da monitoria. O intestino grosso é um órgão essencialmente de absorção onde é realizada a seleção do que deve ser aproveitado ou excretado pelas fezes. A mucosa do intestino grosso, como a do intestino delgado, tem uma capacidade elevada de absorver ativamente sódio, e a diferença de potencial elétrico gerado pela absorção do sódio promove absorção de cloreto. A absorção destes íons cria um gradiente osmótico através da mucosa do intestino grosso, o que por sua vez, leva à absorção de água. Alterações nessa absorção podem resultar em distúrbios como a diarreia. A explicação do tema mediante recurso visual torna-se mais eficiente, funcionando como um apoio para os plantões de dúvidas executados ao longo do período.



Palavras-chave: intestino grosso; absorção; Fisiologia.
(1) Monitor Voluntário, (2) Orientadora, (3) Professoras colaboradoras, (4) Coordenadora do Projeto
INTRODUÇÃO

A monitoria estabelecida no Departamento de Fisiologia e Patologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) trata-se de um serviço de apoio pedagógico oferecido aos alunos com o objetivo de aprofundar conteúdos, bem como auxiliar na solução das dificuldades apresentadas em relação à matéria trabalhada em sala de aula. Ela permite a diversificação e aperfeiçoamento das aulas práticas, possibilitando uma maior assimilação dos conteúdos teóricos debatidos em sala de aula.

Dentre os conteúdos abordados na disciplina de Fisiologia Humana pode-se destacar o Sistema Digestório como um dos principais conteúdos de abordagem nos plantões de dúvidas e as implicações de suas características anatomo-fisiológicas para a compreensão das etapas de condução dos nutrientes até as células. Tomou-se por base as questões mais frequentemente apresentadas pelos estudantes, assim como percepção dos monitores da compreensão limitada dos alunos sobre alguns aspectos primordiais referentes ao cólon para a escolha do tema abordado por este trabalho. Neste contexto, foi desenvolvida uma atividade didática, envolvendo o papel do intestino grosso no processo absortivo de água e outros elementos explicando como a alteração celular destas células intestinais modifica a fisiologia normal desse órgão. Em virtude das características peculiares da fisiologia do cólon e das necessidades de recursos pedagógicos para que se alcançasse a compreensão da teoria aplicada em sala de aula, foi confeccionado um banner que demonstrava o papel do intestino grosso no processo absortivo para atuar como ferramenta facilitadora durante as atividades da monitoria.
Digestão e absorção no trato gastrointestinal
O ser humano, assim como todos os seres heterotróficos, possui a necessidade de obtenção de alimentos para a nutrição orgânica e manutenção da vida. A partir da ingestão do alimento começa o processo da digestão, que se inicia na boca e continua no estômago e intestinos onde seus resíduos serão transformados em matéria fecal para excreção pelo reto. É durante a digestão que ocorre a absorção dos nutrientes que em seguida serão lançados à corrente sanguínea e distribuídos para todas as células. Sem a participação do trato gastrintestinal (TGI) não haveria como a nutrição do organismo humano ser alcançada de maneira natural, tornando-se explícita a importância do Sistema Digestório.

O intestino grosso é a porção final do trato gastrintestinal e está dividido em ceco, colo (ascendente, transverso, descendente e sigmoide) e reto (ver figura 1). Cerca de 1,5 L de quimo passam normalmente através da válvula ileocecal para o intestino grosso a cada dia e menos de 0,1 L de líquido são excretados nas fezes. Grande parte da absorção ocorre na metade proximal do cólon, o que confere a esta porção o nome de cólon absortivo, enquanto o cólon distal funciona principalmente no armazenamento das fezes até o momento propício para a sua excreção e, portanto, é denominado cólon de armazenamento.






Figura 1 - Anatomia do intestino grosso. FONTE: Silverthorn, 2010.
É sabido que nenhuma digestão significativa de moléculas orgânicas acontece no intestino grosso. No entanto, inúmeras bactérias que habitam o cólon degradam uma quantidade significativa de carboidratos complexos e proteínas não digeridas por meio da fermentação. As bactérias colônicas também produzem quantidades significativas de vitaminas absorvíveis, principalmente a vitamina K.

O intestino grosso é um órgão essencialmente de absorção, onde é realizada a seleção do que deve ser aproveitado ou excretado pelas fezes, o acúmulo excessivo do material fecal pode favorecer a absorção de substâncias prejudiciais ou mesmo tóxicas, como metais pesados, que adquirimos através da alimentação e que são enviados à circulação sanguínea provocando os mais diferentes distúrbios, inclusive comportamentais, como irritabilidade. Nos casos de constipação onde o movimento lento das fezes, contribui para que grandes quantidades de fezes ressecadas e endurecidas se acumulem no cólon descendente, há um grande risco de acontecer essa absorção.

A mucosa do intestino grosso, como a do intestino delgado, tem muitas criptas de Lieberkühn, no entanto, ao contrário do intestino delgado não há vilos. Elas consistem basicamente em células mucosas que secretam apenas muco. O muco no intestino grosso protege a parede intestinal contra escoriações, além de proporcionar um meio adesivo para o material fecal. Ademais, protege a parede intestinal da intensa atividade bacteriana que ocorre nas fezes e funciona como uma barreira aos ácidos formados nas fezes. Sempre que um segmento do intestino se torna intensamente irritado, a mucosa secreta quantidade de água e eletrólitos além do mucoso viscoso e alcalino normal. Isto serve para diluir os fatores irritantes e causar o movimento rápido das fezes em direção ao ânus. O resultado é a diarreia com perdas de grandes quantidades de água e eletrólitos. Além da função de conduzir e eliminar os resíduos alimentares não digeridos provenientes do intestino delgado, o cólon participa da manutenção da homeostase dos líquidos e eletrólitos. As células da mucosa colônica têm uma capacidade elevada de absorver ativamente sódio, e a diferença de potencial elétrico gerado pela absorção do sódio promove absorção de cloreto. A absorção destes íons cria um gradiente osmótico através da mucosa do intestino grosso, o que por sua vez, leva à absorção de água.

A diarreia é um exemplo de disfunção proveniente de alterações na absorção de líquidos pelo intestino. De acordo com a estrutura anatômica envolvida, a diarreia pode ser alta (quando atinge estômago e intestino delgado) ou baixa quando afeta o cólon, reto e ânus. A diarreia acontece como um mecanismo de defesa onde o intestino precisa eliminar substâncias nocivas ao organismo. Porém, com a requisição excessiva de água das células um de seus efeitos nocivos é a desidratação. Os efeitos sistêmicos da diarreia aguda são depleção de sódio e água, depleção de potássio provocando debilidade muscular transtornos no ritmo cardíaco, alteração do equilíbrio ácido-básico com diminuição do bicarbonato, acidose metabólica e diminuição da tensão arterial, taquicardia entre outros. Estes distúrbios são ocasionados pela incapacidade do cólon de armazenar o material fecal pelo tempo adequado afim de que haja a correta assimilação do conteúdo de água e eletrólitos pelos colonócitos, essa perda da função ocorre devido ao rápido trânsito intestinal estimulado pelos movimentos peristálticos e reflexos superexcitados (ver figura 2).

Os quadros de diarreia podem ter diferentes causas como a atividade de patógenos, doenças crônicas (doença de Crohn e as colites) deficiência enzimática (como a intolerância à lactose) e também pelo uso de medicamentos como antibióticos.


Semi-

pastoso

Pastoso

Semi-


líquido



O comprometimento da

motilidade causa maior

absorção, e as fezes duras no

cólon transversal

causam constipação

Líquido

Semi-

sólido


Válvula

ileocecal

O excesso de motilidade causa menor absorção e diarreia ou fezes moles

Sólido


Figura 2 - Esquema do processo absortivo no cólon e as características de cada segmento. FONTE: Guyton, 2006.

Quaisquer que sejam os distúrbios que comprometam a atividade fisiológica do cólon têm a capacidade de afetar todo o equilíbrio do organismo e consequentemente a qualidade de vida dos indivíduos afetados. As funções desempenhadas neste órgão complementam o processo da digestão desenvolvida pelo estômago e intestino delgado, portanto, ainda que não seja o principal local de absorção dos nutrientes, sua integridade garante ao organismo humano sua plena funcionalidade.


CONCLUSÃO

O tema discorre sobre a integração entre as partes do TGI e as suas funções. O intestino grosso tem, aparentemente, uma função menor, primordialmente excretória, entretanto a perda da sua funcionalidade é refletida em uma série de alterações que afetam o organismo como um todo. Constatou-se que a explicação do tema mediante recurso visual tornava a compreensão mais eficiente. As ilustrações serviam para auxiliar no entendimento das questões onde apenas a abordagem teórica não se apresentava suficiente, sendo, portanto um apoio para os plantões de dúvidas executados ao longo do período.



REFERÊNCIAS
GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica. 11ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

REIS, N. T.. Nutrição clínica – Sistema digestório. Rio de Janeiro: Rubio, 2003.

SILVERTHORN, D. U. Fisiologia Humana: Uma abordagem Integrada. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.

PÓVOA, H. O cérebro desconhecido: Como o sistema digestivo afeta nossas emoções, regula nossa imunidade e funciona como um órgão inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.




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