O olhar da enfermeira na terapia intensiva pediátrica e neonatal nos cuidados com as lesões cutâneas em recém nascidos



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O OLHAR DA ENFERMEIRA NA TERAPIA INTENSIVA PEDIÁTRICA E NEONATAL NOS CUIDADOS COM AS LESÕES CUTÂNEAS EM RECÉM NASCIDOS

Jane Pereira Moreira (1)

Juliana Tavares Gaia (2)
RESUMO
Neste trabalho veremos como é de grande importância o atendimento adequado por parte dos profissionais enfermeiros com os recém nascidos que ficam hospitalizados na UTI neonatal. Tem-se como objeto de estudo o problema causado pelos adesivos na pele de Recém Nascido e como objetivo identificar esses problemas e tentar diminuir significativamente essas lesões, mostrando à equipe de enfermagem (auxiliares e técnicos) a importância do cuidado no uso desses adesivos. Visa nos dar bases científicas para que possamos prestar uma melhor assistência aos Recém Nascidos principalmente os prematuros dentro das Unidades de Terapia Intensivas Neonatais, tentando minimizar as conseqüências dessas lesões na pele desses bebês. Trata-se de estudo quantitativo, com abordagem exploratória descritiva, realizado com 30 profissionais de enfermagem (auxiliares e técnicos), que atuam em uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal.. Vemos através dessa amostra que estes profissionais têm noção dos riscos que esses adesivos causam na pele dos bebês, porém o conhecimento desses fatores deve permitir ao enfermeiro elaborar intervenções adequadas para cada situação.

Palavras-chave: Enfermagem; lesões cutâneas, adesivos.


  1. Graduada em Enfermagem pela Universidade Gama Filho, Pós-graduada em PSF pela Faculdade de Medicina de Campos, Pós graduada em UTI Pediátrica e Neonatal pela Universidade Estácio de Sá Mestranda do curso da SOBRATI e Docente de Enfermagem na Universidade Salgado de Oliveira.

  2. Graduada em Enfermagem pela Universidade Gama Filho, Pós- graduada em PSF pela Faculdade de Medicina de Campos, Pós graduada em Paciente crítico pela Faculdade São Camilo, Pós graduada em Fordoc Pela Universidade Salgado de Oliveira, Mestranda do curso da SOBRATI e Docente de Enfermagem na Universidade Salgado de Oliveira.


INTRODUÇÃO

A pele é um órgão que atua como uma proteção entre o meio externo e o meio ambiente e oferece funções especiais para a sobrevivência do ser humano. Considerando a importância deste tegumento como uma barreira contra a infecção e sua contribuição no controle hídrico e de temperatura, a proteção e a preservação da pele dos recém nascidos são decisivas na sua boa evolução.

Em prematuros é freqüente observar o efeito traumático da remoção de adesivos, que inclui abrasão da pele, eritemas e ulcerações. Estes, por sua vez, causam a redução da função de barreira, o aumento da perda transepidérmica de água e aumento da permeabilidade da pele, dor e o expõe cada vez mais a riscos de infecções, reduzindo a função de barreira da pele.

Devemos estar reforçando junto à equipe de Enfermagem a importância com os cuidados na utilização destes materiais como: limitar o uso de adesivos na pele, usar estritamente o necessário; remover eletrodos somente na certeza de que estes não serão mais necessários; usar um produto que sirva de barreira entre a pele e o adesivo quando fixar, cânulas, cateteres ou coletores; usar cotonetes com água estéril na remoção desses adesivos. Entretanto nos meus últimos seis anos de Terapia Intensiva, pude observar que nem sempre existem por parte de nós Enfermeiros ou da equipe de enfermagem uma preocupação com a pele do Recém Nascido quanto às fixações, principalmente em relação às punções venosas, ficando sempre uma grande preocupação em não perder o acesso venoso que muitas vezes é precioso para aquele bebê, e em outras fixações como eletrodos e alguns adesivos utilizados para oclusão de curativos.



PROBLEMA DE PESQUISA
O nível de conhecimento da equipe de enfermagem em relação ao uso correto dos adesivos, na prevenção das lesões cutâneas em recém nascidos.

A partir dessas considerações, apresentamos os seguintes objetivos:


OBJETIVOS
Geral:
Identificar nas Unidades de Terapia Intensivas Neonatais a realização dos cuidados fundamentais com a pele dos prematuros em relação à fixação de adesivos.
Específicos:
Avaliar como é a realização desses cuidados dentro das Unidades de Terapia Intensiva Neonatal.

Investigar o nível de conhecimento da equipe de enfermagem acerca dos fatores de risco das lesões cutâneas provocadas por adesivos nos recém nascidos.




JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO ESTUDO
A importância desse estudo está em tentar, de forma bem clara e simples, através de uma avaliação junto à equipe de enfermagem, observar início e duração das lesões cutâneas, localização, evolução e distribuição dessas lesões, realização do exame de toda a pele, de uma maneira ordenada, descrevendo os achados cutâneos. Tentar diminuir ao máximo possível as lesões causadas a esses prematuros, ocasionadas por adesivos, visto que esses neonatos ficam muito mais expostos às infecções.

Buscaremos contribuir para o serviço de enfermagem em relação à assistência, e de forma adequada, dar orientações dos cuidados com a pele dos recém nascidos para a diminuição desses riscos possibilitando um melhor manejo no cuidado com a pele desse prematuro.

Tentaremos, junto à equipe de enfermagem, analisar os cuidados fundamentais com a pele do Recém Nascido através de uma atualização bibliográfica, revendo o manuseio com a pele na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, minimizando riscos de infecção. Mostrando assim a importância do cuidado na aplicação e remoção desses adesivos.
1 EPIDEMIOLOGIA DAS LESÕES
Cuidar da pele do Recém Nascido, em especial o prematuro, tem sido um desafio para a Enfermagem no qual se refere à manutenção de sua integridade. Este cuidar da pele do Recém Nascido implica refletir sobre como as ações de Enfermagem podem contribuir para o aparecimento de lesões que trazem para o prematuro complicações clínicas como o aumento do tempo de internação, de procedimentos considerados dolorosos e da utilização de toda tecnologia disponível, cabendo ao Enfermeiro neonatal a sistematização da assistência para minimizar o aparecimento dessas lesões e a condução destes cuidados.

Como as lesões de pele geralmente são decorrentes de procedimentos realizados pela equipe de Enfermagem, questionamos se a mesma reconhece a importância de manter a integridade cutânea do RN.

Recém Nascidos com peso de nascimento e idade gestacionais cada vez mais baixos estão sobrevivendo com uma freqüência cada vez maior, em razão aos avanços observados no manejo destes prematuros.

Foi observado em um trabalho realizado pela Drª Luciana Perrini “Pele do RN Prematuro” alguns dados epidemiológicos como: Oitenta por cento dos recém nascidos que nascem prematuramente desenvolvem alguma injúria na pele até o primeiro mês de vida. (PERRINI, 2006)

Aproximadamente 25% de todos os prematuros de baixo peso, terão ao menos um episódio de sepse até o 3º dia de vida, sendo a pele a principal porta de entrada.

Nos países em desenvolvimento a prevalência de sepse em recém nascidos prematuros é de 30 a 60% com uma mortalidade de 40 a 70%, sendo a septicemia a principal causa de mortalidade.

No mundo aproximadamente 350.000 prematuros morrem em função de sepse e meningite, sendo 50% dos óbitos na primeira semana de vida quando a função de barreira da epiderme está mais comprometida. (PERRINI, 2006)

2 CUIDADOS COM A PELE DO RECÉM NASCIDO

Nos cuidados de recém nascidos em Unidade de Terapia Intensiva torna-se um desafio manter a integridade da pele. É de fundamental importância o extremo cuidado com esta membrana, que representa, ao nascimento, cerca de treze por cento da superfície corporal, tendo em vista que vários procedimentos realizados na pele levam a quebra desta barreira.

Nos recém nascidos de termo, a epiderme e os anexos cutâneos apresentam desenvolvimento completo, não havendo diferença na absorção cutânea da criança ou do adulto.

Já os recém nascidos prematuros, principalmente os abaixo de 32 semanas, possuem pele imatura incapaz de exercer seu papel de barreira resultando em um aumento das perdas de água e calor, bem como, a absorção de toxinas do meio ambiente, comprometendo defesas antimicrobianas. Além disso, dispositivos de apoio à vida, coleta de sangue e aplicação de substâncias tópicas, proporcionam injúrias à pele imatura, permitindo que parte significativa da morbi-mortalidade desses recém nascidos possa ser atribuído a práticas inadequadas que provocam traumas ou alterações na função normal da pele.

Em se tratando de cuidados com a pele do Recém Nascido

Nascimento (2002, p165) Cita que:


“Por sua constituição, a pele do recém nascido, principalmente a dos prematuros, pode facilmente sofrer lesões. A pele lesionada contribui para aumentar a perda de água e calor, sendo mais um fator no desequilíbrio hidroeletrolítico e térmico. A pele lesionada propicia risco de infecções, e a barreira protetora, não estando intacta, transforma-se em porta de entrada para bactérias e fungos. Havendo também, nestas circunstâncias, aumento do consumo calórico devido ao empenho do organismo em reparar o tecido lesionado.”

A pele fornece ao corpo a proteção contra o ambiente externo, formando uma barreira química e mecânica para os tecidos subjacentes atuando também como órgão sensorial vital para a percepção de pressão, dor e temperatura.

Qualquer interrupção da continuidade da pele representa uma ferida, a solução de continuidade da estrutura anatômica ou função fisiológica do tecido resulta em um ferimento, daí a importância dos cuidados de Enfermagem quando da manipulação desses adesivos na pele dos recém nascidos, a fim de que possam ser evitadas tais complicações.

2.1 COMPOSIÇÃO DA PELE


Segundo a composição anatômica da pele

Nascimento (2002, p165) registra que:


“A pele é composta de duas partes principais: a epiderme e a derme.

Epiderme- É composta de epitélio pavimentoso estratificado e é a camada mais externa. Nesta camada ocorre o processo de queratinização, que se inicia ao redor da 17ª semana de gestação. A cor da pele é determinada pela presença de teor variável de um pigmento denominado melanina.

Derme: É a camada diretamente abaixo da epiderme e composta de tecido conjuntivo denso de disposição irregular. Sob a derme essa camada é profundamente infiltrada por tecido adiposo. Este tecido isola e protege os órgãos e tecidos internos, contêm vasos sanguíneos, terminações nervosas.

Durante o segundo trimestre da gestação, a pele fetal é muito fina, com pouca queratina e um epitélio pavimentoso estratificado subdesenvolvido, proporcionando um aumento da permeabilidade da pele.”

Portanto devido a pele do recém nascido ser menos corneificada, ser suave, macia, uniforme, lisa e aveludada e suas camadas ter uma espessura diminuída com retificação da epiderme, ele terá como resposta, menor coesão intercelular, uma imaturidade dos anexos cutâneos, uma deficiência na regulação térmica, precariedade da lubrificação cutânea, maior sensibilidade a irritantes químicos e maior permeabilidade tornando-se responsáveis pelos aparecimentos das erosões como resposta aos mínimos traumas.


    1. DEFESA ANTIMICROBIANA E PROTEÇÃO

Frente à defesa antimicrobiana e proteção da pele

Israel (2004, p 513) relata que:

“As infecções de pele e do tecido celular subcutâneo do recém nascido representam uma grande preocupação em ambiente hospitalar. A ocorrência deste tipo de infecção traduz o rompimento de uma das primeiras barreiras naturais antiinfecciosas, deixando o neonato vulnerável a infecções graves. Desta maneira, o reconhecimento e o tratamento precoce destas afecções merecem atenção especial.”


Recém nascidos prematuros apresentam alto risco de infecção devido à imaturidade desta barreira, desordens na imunorregulação da pele e decréscimo da função catiônica. Nos prematuros, as numerosas fibrilas, que conectam a epiderme com a derme, são mais escassas e largamente espaçadas. Por isso os prematuros ficam mais vulneráveis a bolhas e tendem à esfoliação da epiderme quando são removidos adesivos, uma vez que os adesivos podem estar mais firmemente aderidos à epiderme do que a própria epiderme à derme.

A superfície cutânea tem um ph ácido que confere qualidades bactericidas contra infecção. O ph da superfície cutânea de uma pessoa normal é inferior a cinco. A capacidade funcional da pele para firmar um manto ácido, ou com um ph cutâneo inferior a cinco também difere com a idade gestacional. No neonato a termo, o ph imediatamente após o nascimento é de 6.3, com um declínio para 4.9 em 4 dias, ao passo que no recém nascido prematuro o ph médio é de 6.7 ao nascer e de 5.0 somente no 8ª dia de vida.

Ainda em relação à defesa antimicrobiana, Oliveira (1998,p165) ressalta que:
“A capacidade de o paciente em Terapia Intensiva de lidar com o processo infeccioso é deficiente. Os mecanismos de defesa naturais estão comprometidos tanto pela doença de base quanto pelas intervenções médicas ou cirúrgicas. A pele é a primeira defesa contra infecções; ela funciona como barreira mecânica e contém secreções com ação antibacteriana (lisozimas).”

Por isso a importância de se ter o hábito da lavagem das mãos, antes e após quaisquer procedimentos executados nos recém nascidos para que se mantenha um controle das infecções, visto que a pele funciona como uma barreira mecânica, podemos evitar riscos maiores de complicações.

2.3 CIRCULAÇÃO NA PELE
Conforme a anatomia e fisiologia da circulação cutânea a pele é composta de duas camadas principais, a epiderme e o cório ou derme. A epiderme, ou porção externa, tem uma camada basal bem definida de células colunares próxima ao cório, aos quais se dirigem para baixo por entre as papilas do cório para formar os processos interpapilares.

Já o cório ou derme é a camada interna da pele logo abaixo da epiderme. É uma camada fibrosa, consistindo de fibras colágenas, elásticas e reticulares, e que contém folículos pilosos, glândulas sebáceas, vasos sanguíneos, linfáticos e terminações nervosas.

Podemos observar a importância da circulação sanguínea da pele no relato de Guyton (1981, p 193) que diz:
“A circulação através da pele desempenha duas funções principais: primeira, nutrição dos tecidos cutâneos e, segundo, condução de calor das estruturas internas do corpo para a pele, de forma que o calor possa ser removido do corpo.”
Para que seja, realizado essas duas funções, o aparelho circulatório da pele vai se caracterizar por dois tipos principais de vasos que são as artérias, capilares e as veias e as estruturas vasculares que estão relacionadas ao aquecimento da pele que consiste de um plexo venoso subcutâneo e contém grandes quantidades de sangue capaz de aquecer a superfície da pele.

A velocidade do fluxo sanguíneo através da pele está entre as mais variáveis de qualquer parte do corpo, pois o fluxo necessário para regular a temperatura corporal se modifica muito em resposta à taxa de atividade metabólica do corpo e à temperatura do meio ambiente. O fluxo sanguíneo necessário para a nutrição é pequeno, razão pela qual quase não desempenha nenhum papel no controle do fluxo sanguíneo na pele normal, mas nas temperaturas cutâneas, a quantidade de sangue que flui através dos vasos cutâneos para desempenhar a regulação térmica é de 10 vezes maior que as necessidades nutricionais dos tecidos.

Dessa forma entende-se a importância das orientações fornecidas pelo enfermeiro em relação aos cuidados quanto à integridade da pele do recém nascido.

2.4 CUIDADOS COM A PELE


A camada mais externa da pele consiste em um estrato córneo, camada bilaminar, que funciona como uma barreira epidêmica, composta por lipídios hidrofólicos, ácidos graxos, colesterol e ceramidas, firmemente aderidas entre si , que são cobertas por um envoltório celular cornificado rico em proteína e queratina. O estrato córneo é formado intra útero no 3º trimestre de gestação. Sendo assim, recém nascidos prematuros, principalmente os que nascem antes de 32 semanas de idade gestacional, possuem uma pele imatura que é ineficaz nas suas principais funções. (PERRINI, 2006)

03/05/2006

A imaturidade estrutural da pele destes prematuros faz com que o estrato córneo e a epiderme apresentem uma camada mais “fina”, com permeabilidade pouco desenvolvida, causando mais perda de água pelo insensível aumento da demanda calórica, perda de calor, comprometendo assim sua função de defesa contra microorganismos.

A maturação da pele do recém nascido prematuro normalmente acontece em 2 a 4 semanas, podendo no entanto, demorar até oito semanas nos grandes prematuros, pois o estrato córneo se desenvolve mais lentamente após o nascimento e quanto menor for a idade gestacional. (PERRINI, 2006)

De acordo com Waley & Wong (1997, p 207)
“A pele de recém nascidos prematuros é caracteristicamente imatura com relação aos recém nascidos a termo. Por causa da sua maior sensibilidade e fragilidade, não deve ser usado sabonete alcalino, que pode destruir a “cobertura ácida” da pele. A maior permeabilidade da pele facilita a absorção de ingredientes. Todos os produtos para apele (por exemplo, álcool ou iodo-povidona) devem ser usados com cuidado, e a pele deve ser lavada depois com água , pois tais substâncias podem causar irritação intensa e queimaduras químicas em recém nascidos de baixo peso.”

A pele de prematuros é menos espessa do que a de recém nascidos a termo e tem menos fibras elásticas; além disso, existe menor coesão entre as camadas mais finas da pele. Os adesivos usados após punção de calcanhar ou para fixar equipamentos ou infusões intravenosas podem escoriar a pele ou aderir à superfície cutânea tão intensamente a ponto de separar a pele das estruturas subcutâneas quando retiradas. O uso de barreiras cutâneas protege a pele saudável e ajuda na cicatrização da pele escoriada.

Durante a avaliação da pele de recém nascidos prematuros, as enfermeiras também devem ficar alerta para com sinais sutis que indicam deficiências de zinco, um problema algumas vezes observado em recém nascidas de mães com ingestão inadequada de zinco. A deficiência de zinco tem maior probabilidade de se mostrar em recém nascidos com sepse, naqueles com perdas nasogástricas ou naqueles que foram submetidos à cirurgia.

Dessa forma entende-se a importância das orientações fornecidas pelo enfermeiro em relação aos cuidados com o recém nascido, visto que esse profissional está presente desde o pré-natal até os cuidados na puericultura.

Para que isso ocorra de forma eficaz, se faz necessário o conhecimento das lesões mais prevalentes entre os recém nascidos. A utilização do diagnóstico de enfermagem é uma estratégia que permite a elaboração da sistematização dos cuidados, pois através da identificação dos fatores relacionados e das características definidores associadas aos problemas de pele e mucosas é possível se elaborar ações eficazes.

Devido a estas características e outras não mencionadas, nós equipe de enfermagem, podemos tomar alguns cuidados na prevenção das lesões cutâneas avaliando as características da pele do recém nascido, fazendo a identificação dos recém nascidos em risco de ruptura cutânea, avaliar substâncias que entram em contato com a pele dos bebês, utilizar a quantidade suficiente de adesivo ou fita para fixação de cateteres, usar de preferência adesivos transparentes para se ter uma melhor visualização do local da inserção evitando assim a grande manipulação desse adesivo, diminuindo o risco de se formar lesões cutâneas.

2.5 APLICAÇÃO E REMOÇÃO DE ADESIVOS
A pele de recém nascidos prematuros é caracteristicamente imatura com relação aos recém nascidos a termo. A maturidade da pele determina o grau de absorção percutânea. A pele do prematuro, principalmente a pele comprometida facilita a absorção de substâncias, que em outras situações não causaria toxicidade.

Os solventes usados para a remoção de esparadrapo devem ser evitados, pois eles tendem a ressecar a pele delicada. O álcool quando usado na pele pode causar necrose, pois é altamente absorvido e potencialmente tóxico. Podemos observar muitas vezes lesões que acontecem por retirada de adesivos para manter fixação de oxímetro, lesões por retirada de micropores para conter talas mantendo acesso de veno punções.

Nas Unidades de Terapia Intensiva neonatais vêm sendo utilizados alguns produtos para a remoção desses adesivos. Nos eletrodos cardiorrespiratórios de prematuros é utilizado um tipo de barreira cutânea feita de pectina e metilcelulose.

Produtos que combinam óleo mineral, cera mineral e cera artificial com petrolato. Produtos como hidrogel ou hidrocolóide, proporcionam uma camada epitelial que previne o trauma na pele frágil do prematuro, promovendo reepitelização e cicatrização da pele do prematuro.

Cremes transparentes permitem uma melhor visualização da ferida, são semipermeáveis, permitindo alguma passagem de água e oxigênio. Usar curativos elásticos transparentes para fixar e proteger os locais de inserção de acesso seja central ou periférico, bem como sobre lesões cutâneas abertas também estão sendo bastante utilizados. Deixar o curativo no local até que comece a se desprender, geralmente dentro de 5 a 7 dias.

Para remover uma barreira cutânea, lenta e suavemente remova-a da pele, mantendo-a numa mão e apoiando a pele por debaixo com a outra mão. Observando esses cuidados estaremos evitando que os prematuros fiquem vulneráveis a bolhas e tendem à esfoliação da epiderme quando da remoção dos adesivos, uma vez que esses adesivos podem estar mais firmemente aderidos a epiderme do que a própria epiderme à derme.


PERCURSO METODOLÓGICO
Trata-se de um estudo quantitativo, com abordagem descritiva exploratória, realizado em um Município do Estado do Rio de Janeiro, localizado na região Sudeste.

O cenário da pesquisa foi um Hospital do Município de Campos dos Goytacazes que possui uma UTI pediátrica e Neonatal com 12 leitos subdividindo-se da seguinte forma: 05 leitos UTI Neo, 06 leitos UTI Pediátrica e 01 leito de Isolamento.

Participou da pesquisa a equipe de enfermagem que é composta por técnicos e auxiliares que atuam diretamente no cuidado com pacientes internados.

Para a realização da pesquisa foi respeitada a Lei 196/96 do CNS (Conselho Nacional de Saúde), que fala sobre a importância de se esclarecer a equipe de enfermagem sobre a pesquisa a ser realizada.

Para proceder à coleta de dados foi utilizado um questionário semi estruturado, de perguntas abertas e fechadas com reunião de dados no controle de lesões cutâneas por fixação de adesivos de acordo com autor Amado L Cervo do livro Metodologia Científico que foi realizado ao longo do 2º semestre de 2006 com o objetivo de ver o papel da enfermagem quanto à prática nas punções venosas e fixações de adesivos.

3 ANÁLISE E DISCUSSÃO

A avaliação foi realizada com 30 (trinta) profissionais da equipe de enfermagem (auxiliares e técnicos) através de um questionário cujo objetivo foi observar a utilização das fixações por adesivos nos recém-nascidos em procedimentos de punções venosas.

O questionário contendo 5 (cinco) questões, sendo três objetivas, apresentou o seguinte resultado: Na questão em que foi questionado qual o procedimento de escolha para assepsia de área a ser puncionada ao se realizar uma punção venosa periférica, observou-se um percentual de 100% na escolha do álcool 70% (Gráfico 1);

Foi questionado também o tipo de adesivo que os profissionais utilizam para as fixações após punção venosa, o percentual foi de 94% de escolha para o micropore, 3% para o esparadrapo antialérgico e 3% para o bioclusive (Gráfico 2);




Foi realizada uma avaliação para saber qual o produto utilizado na retirada dos adesivos, 43% optaram pelo éter, 23% optaram pelo álcool 70%, 27 % optaram pela água estéril e 7% afirmaram não utilizar nenhum produto (Gráfico 3).

Quando a questão levantada foi sobre a conduta do profissional ao perceber lesão na pele do Recém Nascido, ao que 13 desses profissionais (auxiliares e técnicos) entenderam que, nesse caso, deve-se inicialmente comunicar ao enfermeiro de plantão para então proceder à utilização dos medicamentos necessários; 17 dos profissionais entrevistados procederiam imediatamente ao uso de medicamentos tais como hidratantes (dersane), manobras para diminuir a pressão na área afetada, troca de adesivo.

Em outra questão, os profissionais observam o que os adesivos podem provocar na pele do bebê e quais as providências que eles podem tomar. Vinte e dois entrevistados responderam que sempre observam a reação da pele do bebê ao uso dos adesivos e todos os entrevistados (30) recomendaram a troca por um tipo antialérgico.



CONCLUSÃO
Tem-se observado cada vez mais o nascimento de bebês prematuros; consequentemente a prematuridade tem sido responsável por um número significante de internações em Unidades de Terapia Intensiva Neonatais, trazendo grandes observações em relação as lesões de pele de recém nascido que acontece por fixação de adesivos representando uma grande preocupação em ambiente hospitalar. A ocorrência dessas lesões traduz o rompimento de uma das primeiras barreiras anti infecciosas deixando o neonato vulnerável a infecções.

A fixação desses adesivos na pele do recém nascido prematuro é passível de lesões devido à imaturidade estrutural, redução do tecido subcutâneo e a um estrato córneo e epiderme mais delgados, podendo então acarretar complicações como as infecções. Deve-se utilizar técnicas na retirada dos adesivos a fim de minimizar a dor, diminuindo também os riscos de infecções.

Pode-se também tentar estabelecer rotinas no intuito de acessar a maturidade cutânea determinando práticas de cuidados com a pele, chamando a atenção da necessidade de cuidados especiais com os prematuros.

A proteção e a preservação da pele desses recém nascidos são um importante passo para a saúde neonatal, ao permitir que essas crianças que vieram ao mundo prematuramente apresentem uma melhor qualidade de vida, com menos chance de desenvolver alterações conseqüentes a uma prática simples no manuseio com a pele.

Deve-se também fazer utilização de procedimentos médicos com o objetivo de manter a integridade da pele desses recém nascidos, para tanto, há uma necessidade de padronização nos cuidados de rotina em nossas Unidades de Terapia Intensivas, especialmente com relação a retirada dos adesivos para que se mantenha a proteção da pele do Recém nascido prematuro.

Foi observado através das respostas do questionário que a equipe de enfermagem entende que o melhor adesivo para a fixação de punções venosas seria o adesivo micropore por ser um dispositivo menos agressivo, hipoalergênico. Um outro tipo seria o dispositivo bioclusive, curativo de filme semipermeável, transparente, de fácil visualização do sítio de inserção das punções venosas seja ela periférica ou profunda e de maior durabilidade.

Concluí-se então, que os dois tipos de adesivos seriam os melhores a serem utilizados quando fosse colocado por um tempo grande, o que às vezes vemos que não ocorre. Nas punções venosas (periféricas ou profundas) o tempo de durabilidade por vezes é extensa, mas o uso desses adesivos principalmente o micropore em oclusão de curativos cirúrgicos não seria o mais indicado, pela necessidade da realização da troca diária, o que poderia, e vemos que acontece, acontecer as lesões, pois é um tipo de adesivo que não pode ser retirado com solvente, o máximo que podemos utilizar para minimizar a retirada seria a água destilada. Portanto devemos ter um pouco mais de cuidado na escolha dos adesivos que iremos utilizar.

THE LOOK OF THE NURSE IN THE INTENSIVE THERAPY NATIVE PEDIATRICS AND NEO IN THE CARES WITH THE CUTANEOUS INJURIES IN JUST BORN


ABSTRACT

In this work we will see as it is of great importance the attendance adjusted on the part of the professional nurses with just born who are hospitalized in the native neo UTI. It is had This study has as its target the problems caused by adhesives on the pest-borns’ skin and the identification of these problems as an attempt to make them decrease by showing the nursing staff (assistants and technicians) the importance of using those adhesives carefully. It still aims to give us a scientific basis so that we would be able to assist the just-born, mainly the premature ones in Neonatal Intensive Care Units, in a more efficient way, trying to minimize the consequences of the injuries on their skin. It is a quantitative analysis with a descriptive, exploratory approach, performed by 30 nursing professionals who work in a Neonatal and Pediatric Intensive Care Unit during the second semester in 2006. The analysis indicated that 100% of these professionals used 70% alcohol on asepsis of peripheral venous “punções”. In order to fix those “punções” 94% out of them chose micropore because it is “hipoalergênico”; 3% used “antialérgico” sticking-plaster and the other 3% preferred to use bioclusive, a semipermeable sterile adhesive made of a transparent polyurethame film through which the professionals can easily see the “sítio de insertion of the punção venous”. This sample also revealed that 13 out of the 30 nursing professionals interviewed, when asked about the lesions on the babies’ skin, reported the case to the supervisor nurse while 17 took their awn initiative in using maisturizers. We can clearly see that those professionals are aware of the risks involving the use of adhesives on just-borns’ skin, however this knowledge must gruide them

to act properly in each particular situation.
Key words: Nursing, skin lesions, adhesives.

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