“O meu cartão de crédito é uma navalha”



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Encontro14.12.2017
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Meu cartão de crédito

O meu cartão de crédito é uma navalha”. Essa advertência aparece numa canção de Cazuza, nos anos oitenta. Mas será que essa plaquinha de plástico chamada cartão é mesmo uma faca no peito?


Vamos observar primeiro de onde vem e para que serve o cartão. Em princípio, ele existe para incrementar, dinamizar as vendas, tanto de serviços quanto de mercadorias. Com ele, o comerciante espera vender mais, já que o seu cliente não terá que tirar dinheiro do bolso, no mesmo instante da compra. Para aquele que vende, fica a certeza de receber com certeza o seu dinheiro, sem maiores demoras.
A história dos cartões começou no dia em que um capitalista de talento percebeu que poderia ganhar dinheiro oferecendo facilidades aos donos de restaurantes, boates, hotéis e lojas. Haveria uma forma de oferecer à clientela desses empresários um jeito simples de comprar sem dinheiro, e pagar depois.
Esse financista se ofereceu então para pagar, praticamente à vista, as compras que você fizesse nos estabelecimentos credenciados. O comerciante ou prestador de serviços receberia logo o dinheiro do negócio, e você teria um prazo para devolver ao financista o que ele tivesse pago em seu lugar. Para obter esse privilégio, você entregaria apenas uma taxa anual de administração.
Entretanto, para pagar as suas compras, e esperar para receber de você semanas depois, o financista teria que arranjar dinheiro. Ele foi então ao banco tirar dinheiro emprestado, com juros, para pagar ao comerciante a sua conta.
Mas de onde tirar o dinheiro para pagar os juros? Muito simples: cobrando do comerciante uma comissão. Afinal, o cartão facilitou as suas vendas, não foi? Com essa comissão, ele quita os juros. Com a taxa anual do assinante ele cobre as despesas de administração. Simples, não é mesmo?

Que é simples, até que é. Mas ao utilizar seu cartão você vai firmando vários contratos com a empresa administradora. Veja para quê:
I – Para realizar a compra, incluindo a consulta eletrônica, liberação, e também registro da transação nos computadores para posterior expedição de boleto.
II – Para pagamento da conta, pelo cartão ao fornecedor.
III – Para financiar aquela parte da fatura mensal que você deixou para o mês seguinte sem pagar.
IV - Para financiar o parcelamento do valor da compra (em dois, três, quatro pagamentos mensais) nos casos em que a loja não se dispõe a cobrir as despesas correspondentes, cobradas pelo cartão.
V - Para financiar aquele saque em dinheiro que você fez usando o cartão de crédito.
Se você pagar integralmente o valor da fatura mensal, é claro que gastará muito menos. Bastará quitar, uma vez por ano, a taxa de administração, e quitar a fatura inteira todo mês. Nesse caso, o cartão é um ótimo instrumento de facilidade para sua vida.
Onde está o perigo
Cuidado: no cartão de crédito, o juro nunca é pequeno. Além de servir para estimular os negócios, o cartão é uma modalidade fortíssima de especulação financeira.


Normalmente você, ao assumir um cartão de crédito, firma o propósito de quitar todo mês o valor total da fatura, ou seja, tudo o que veio no cartão para você pagar.

Todo o perigo está naquele mês em que as coisas apertam ou você compra um pouco mais, e vem a tentação de pagar uma parte e deixar “um pouco” para o mês seguinte. Você gastou R$1.000,00 e só dispõe R$800,00 no momento de quitar. Vai ficar devendo nada mais que duzentinhos. “O juro não vai dar muito, e, além disso, é só esta vez”.
O que vem depois pode ser um exemplo de como ele pode ser perigoso: você faltaram duzentos reais, você faz o propósito de gastar este mês somente o que normalmente gasta no cartão: R$800,00. Só que aí a coisa já pode começar a complicar: se todo mês você reserva oitocentos reais para o cartão, é bom lembrar que você só poderia gastar seiscentos agora, porque já deve duzentos reais e mais R$22,00 de juros (mais ou menos 11% ao mês).
E assim, se houver um descuido, você poderá se embaraçar, e acabará transformando em rotina esses “duzentinhos deixados pro mês que vem”.Tomando como base os valores deste nosso exemplo, no final do ano você ficará sem a cesta de Natal: R$264,00. E se todo mês, em vez de duzentos, você deixar 450 reais “pra pagar depois” isso lhe custará, ao fim de alguns meses, o dinheiro que iria servir para desfrutar uma semana de férias, com avião, hotel e água de coco, em Salvador.
Detalhes
Mas, afinal, o cartão é bom ou não é?

Depende: ele é ótimo para quem compra só o que pode pagar no mês. É como no cheque especial. Você tem sempre que se lembrar: aquele limite que lhe é oferecido tem dono, e esse dono não é você. Lembrar que, no final da festa, o preço de toda facilidade sai do seu bolso, e de mais ninguém.


Ligue o alarme quando ouvir frases como: “dinheiro fácil”; “dinheiro pra você fazer o que quiser”; “dinheiro para você realizar aquele sonho”; “dinheiro na hora”. Não é à toa que toda propaganda de banco traz sempre alguém tranqüilo, jantando em bons restaurantes, passeando na praia, comprando peças finas, brincando no jardim com a família, viajando pelo mundo.

Para lembrar sempre


  • Todo contrato, seja ou não de cartão de crédito, leia bem ainda de assinar. O que não entender, pergunte, exija explicações.

  • Guarde todos as faturas pagas e as cartas recebidas da administradora.

  • Você não tem que fazer nenhum seguro junto com o seu cartão.

  • Quando ligar para o seu cartão, anote e guarde o setor com o qual manteve contato, o horário, assim como o assunto, o nome da pessoa com quem falou, o resultado da conversa e também a data na qual você deve voltar a ligar. Guarde por escrito toda e qualquer promessa, e o nome de quem prometeu.

  • Em caso de roubo de seu cartão, comunique imediatamente à operadora. Fica um pouco mais complicado quando você possui vários cartões. Mas não aceite pagar nenhuma compra feita por estranhos com o seu cartão, mesmo antes do bloqueio, já que sempre se exige a assinatura – que deve ser a sua.

  • Quando a compra for parcelada no cartão, certifique-se na loja se não vai haver acréscimos para você. Se preferir, exija que isso seja explicado na nota ou cupom fiscal.


E quando se trata de cartão de crédito, é sempre bom lembrar: o que mais facilita a vida é fugir de facilidades.
Pesquisa e redação: José Joaquim Andrade Freitas – Assessoria Jurídica
Procon-Goiânia – F. (62) 212.15.45




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