O último Trem de Hiroshima



Baixar 1.04 Mb.
Página17/19
Encontro02.07.2019
Tamanho1.04 Mb.
1   ...   11   12   13   14   15   16   17   18   19

O reitor Susumu Tsuno estava morto.

A senhora Tsuno estava morta.

Os filhos da família Tsuno estavam mortos.

A mãe da pequena Eiko foi levada à noite até um hospital, gritando obscenidades. Ela vomitou algo negro, estremeceu e tentou respirar. Vomitou novamente, e também morreu.


MENOS DE DOIS ANOS DEPOIS de Hiroshima, Minami retornou à Coreia e em 1950 foi surpreendida pela invasão da Coreia do Sul por parte da Coreia do Norte. "Se o general MacArthur não tivesse chegado a Inchon nos últimos minutos de 15 de setembro, eu teria

sido queimada ou morrido de fome, como tantos outros", Minami afirmou, mais de meio século depois. "Meus filhos e eu não teríamos conhecido a felicidade de que desfrutamos não fosse por ele."

Minami escapou com um buraco de bala que a atravessou completamente — entrou acima de seu ombro direito e saiu abaixo da clavícula. Após um período como refugiada em seu próprio país, com a situação se tornando mais difícil que no tempo de guerra no Japão,

ela conseguiu ir para a Alemanha e, por fim, para a Universidade de Nova York, onde, com auxílio de uma recomendação do doutor Fujii de Hiroshima, foi empregada pela Enfermaria de Nova York, na rua 14. Lá, trocou de nome novamente: de minami para Nancy.

Ele adotou o sobrenome Cantwell quando se casou com Larry Cantwell.

Parecia quase inevitável que estivesse presa no trânsito do lado de fora do túnel Lincoln naquela manhã excepcionalmente bela de 11 de setembro de 2001. Teve uma vista privilegiada das torres enquanto caíam numa coluna com força total de 1,6 quiloton. Oito anos mais tarde, Nancy Cantwell afirmou a um grupo de jovens estudantes: "Não temos escolha a não ser nascer neste mundo. A tecnologia está tornando o mundo cada vez menor e mais interconectado, quer gostemos disso ou não. Minha avó sempre me dizia: “Uma mão lava a outra”. Quaisquer que sejam os líderes das maiores nações no futuro, os países grandes devem ajudar os pequenos a se desenvolver e viver na felicidade".

Seu apelo soava incrivelmente como Nyokodo e Omoiyari.

"Este é o meu desejo", ela disse. "Esta é a minha prece."

Que não mais existam túmulos de vaga-lumes azuis.

Que nunca mais voltem as chuvas negras.

Que nenhum ente querido tenha de saber novamente o que significa fazer mil tsurus de papel.
A VINTE ANDARES DE ALTURA, na torre sobrevivente do número 1 da Liberty Plaza, na "Sala das Famílias" do World Trade Center, um pai enlutado deixou um exemplar da Constituição japonesa sublinhando o parágrafo que Gen Pés Descalços apreciara. Sobre ela, deixou mil tsurus de papel. Assim, declarou seu desejo de "um mundo sereno, sem guerras nem armas".

Os pássaros de papel sob os quais estava a Constituição (e aos quais um laço tinha sido amarrado, com as palavras "Volte a Hiroshima") foram enviados à Sala das Famílias para o amigo de Masahiro Sasaki, Tsugio Ito. Tsugio teve algum consolo ao saber que seu irmão Hiroshi morreu acompanhado e confortado por sua família, e lamentou que seu filho morresse sozinho e sem deixar rastro quando a fuselagem do voo 175, que se desintegrava, atravessou seu escritório na Torre Sul.


Pág.m 352

No dia em que Masahiro foi a Nova York com seu amigo Tsugio Ito e visitou a Sala das Famílias, ele apresentado aos sobreviventes do 11 de Setembro como uma vítima de Hiroshima.

"Sou um sobrevivente, não uma vítima", Masahiro disse, seriamente. E descobriu que muitas das famílias do 11 de Setembro, anos depois da queda das torres, ainda queriam vingança.

"Mais de cinco décadas atrás", Masahiro explicou, "eu pensava como vocês pensam hoje. A diferença é que eu tive meio século para meditar sobre isso. Durante os primeiros dez anos, mais ou menos, o sentimento das famílias nos três ground zeros deve ter tido mais ou menos o mesmo teor. Mas a pergunta importante é: o que pode ser feito pelo futuro?".

Masahiro lembrou do que um cientista disse a um teólogo certa vez: "Nós somos a soma do que lembramos". E o teólogo respondeu: "Não, nós somos como lembramos".

"Todo o sofrimento do passado não significa nada agora", Masahiro disse, "se não tirarmos lições a partir das quais possamos construir um mundo melhor para a criança de amanhã".

"A grande pergunta", Masahiro disse novamente, "é: o que podemos fazer pelo futuro?".

Ele não acreditava que a grande pergunta exigisse respostas que fizessem tremer a terra, entregue com a força de tiros de espingarda de grande amplitude. Uma maneira diferente de pensar necessitava apenas ser exteriorizada para o mundo como alfinetadas individuais, e ser pouco mais que uma esperança microscópica de, em algum lugar, alcançar uma pessoa que possa se tornar importante na história ("Devo aconselhar meu comandante a atacar ou a conversar? A largar ou a segurar por mais um tempo?").

"Eu acho que Omoiyari é a melhor maneira de começar", Masahiro Sasaki disse. "A pior maneira de começar é nos chamarmos de vítimas. Para dizer 'vítima' é preciso haver um vitimizador, e o vitimizador leva a culpa; e assim começa o ciclo de culpa. Por exemplo, se dissermos 'vítima de Hiroshima', a próxima frase que aparecer vai envolver Pearl Harbor e a cadeia de culpa fica presa em acontecimentos do passado. Assim, somos completamente desviados da ideia de que a guerra em si é a Pandora da humanidade, e que as armas nucleares são algo que surgiu da caixa de Pandora."

Se a vitimização e a culpa se tornam a lição ("Seu país me feriu! Você me feriu primeiro!"), então nos tornamos prisioneiros dos anos 1930 e 1940, ficamos para sempre presos ao nosso passado. Masahiro queria seguir adiante com o Omoiyari presente em seus pensamentos e ações.

"Pensem primeiro nos outros", Masahiro disse a seus ouvintes na América, onde um princípio similar já estava ficando conhecido pela expressão "a corrente do bem". O lema essencial passava por "assim como a ti mesmo" (ou Nyokodo) até versões pré-bíblicas da Regra de Ouro.

"Sadako entendeu esse lema mais pessoalmente e mais intensamente do que a maioria das pessoas jamais conseguirá entender", Masahiro disse. "E ela tinha apenas tempo suficiente para começar a ensinar o que a maioria de nós tão facilmente esqueceu."

Alguns sobreviventes do 11 de Setembro e suas famílias saíram do encontro com Masahiro com sua maneira de pensar transformada. Não muitos; porque as feridas ainda eram recentes para que a maioria fosse tocada por palavras. Apenas alguns foram tocados — só uns poucos, na verdade. Mas estes poucos já poderiam ser o suficiente.

Nesse mesmo ano, Masahiro também falou sobre a palavra Omoiyari, em Viena.

No fim de sua palestra, um garoto levantou a mão e perguntou: "Senhor Sasaki, que país lançou a bomba atômica?".

Ele não estava esperando uma pergunta tão simples que pudesse ser respondida com só uma palavra. Masahiro respondeu: "Faz mais de sessenta anos que as bombas foram lançadas. Deus nos fez a todos iguais. Então eu esqueci quem lançou a bomba".

A platéia, incluindo um policial que estava perto, continuava olhando-o com uma perplexidade silenciosa. O garoto, que parecia ter aproximadamente 11 anos de idade, assentiu com a cabeça e fez um sinal de positivo a Masahiro.

Aos adultos na plateia, Masahiro explicou: "O que estou tentando dizer é que não importa quem lançou a bomba. Não é uma questão relevante. Nunca deveria ser, em nenhum país. É uma questão para toda a humanidade. A coisa importante é que eu e Sadako conhecíamos o sentimento de Omoiyari — e se esse princípio for ser seguido e passado adiante por apenas alguns de vocês presentes aqui nesta sala, hoje, com o tempo os perigos deste mundo poderão diminuir. Vocês precisam superar a tristeza e sair dela passando adiante esta simples filosofia para a nova geração. Este é o meu desejo".

E então, olhando para o garoto que fizera a pergunta, ele disse: "Crianças! Ensinem seus pais".

APÊNDICE: AS PESSOAS

DR. TATSUICHIRO AKIZUKI: Médico do complexo hospitalar de Urakami (Negasaki).
DR. LUIS ALVAREZ: Físico nuclear americano. Estava presente na ilha de Tinian quando uma onda acidental de nêutrons comprometeu os componentes de urânio da bomba e, por conseguinte, o rendimento máximo da arma. Para assegurar que a bomba funcionaria, Alvarez colocou todo o suprimento mundial de polônio no sistema. Assim como o amigo Harold Urey, Alvarez (que possuía uma fé inabalável no pensamento civilizado) acreditava que a bomba atômica daria à humanidade uma visão do abismo, pondo um fim em todas as guerras.
KORECHIKA ANAMI: Ministro da Guerra japonês. Autodenominado poeta-guerreiro, se recusava a aceitar a existência da bomba atômica e que ela pudesse sinalizar a derrota do Japão. Sabia de um complô para manter o imperador sob isolamento militar se ele declarasse a rendição — mas manteve segredo até o final.
NENKAI AOYAMA: Convocado de 17 anos cuja casa estava mais perto do que qualquer outra da Cúpula de Hiroshima e do hipocentro.

Sobreviveu aos ataques somente porque sua mãe o mandou mais cedo para o trabalho.


ARAI: Professora em Hiroshima exposta à radiação a dois quilômetros do hipocentro. O clarão da bomba, queimando através de uma folha de papel que Arai segurava, gravou para sempre a caligrafia de uma aluna em seu rosto.
GENERAL SEIZO ARISUE: Uma das primeiras pessoas enviadas pelo Palácio Imperial, junto com o físico nuclear Yoshio Nishina, para examinar os danos a Hiroshima e determinar se eram ou não resultado de uma bomba atômica, como alegava o presidente Truman.

FRED ASHWORTH: Comandante da marinha americana a bordo do Bock's Car durante a missão de Nagasaki. O piloto Charles Sweeney estava no comando do avião; Ashworth era responsável por todas as decisões relacionadas à bomba.


LAVRENTI GERIA: Comissário de Segurança do Estado russo no comando dos programas nucleares de Moscou.
FRED BOCK: Piloto do avião de instrumentos científicos Great Artiste — e não do Bock's Car, como a história erroneamente registrou —durante a missão de Nagasaki.
NANCY [MINAMI) CANTWELL: Enfermeira coreana e amiga por toda a vida do doutor Minoru Fujii. Juntando-se a ele na operação de resgate de Hiroshima, testemunhou os últimos andarilhos-formiga e o "túmulo dos vaga-lumes azuis de fogo". Nascida Namsun Koh, foi rebatizada como Minami quando se mudou para Hiroshima.
THITARO DOI: Assistente do mestre fabricante de pipas Shigeyoshi Morimoto, Doi se tornaria um sobrevivente dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki.
TAMOTSU EGUCHI: Estudante do primeiro ano do secundário abrigado dos efeitos imediatos da radiação dentro das ruínas de sua escola, a um raio de apenas 850 metros (10 quadras) do hipocentro de Nagasaki.

DOUTOR MINORU FUJJI: Depois de testemunhar a explosão que começou em um subúrbio de Hiroshima, o doutor Fujii organizou uma equipe de resgate e de tratamento e transformou uma escola destruída num hospital de campanha do exército.


SENHOR FUJJI: Estudante de teologia (apesar do nome, nenhum parentesco com o doutor Fujii) que viajou de Nagasaki a Hiroshima à procura de sua namorada.
EMIKO FUKAHORI: Garota de 7 anos que correu para se esconder em

um túnel quando os aviões se aproximavam. Ela e a amiga Sumi-chan tornaram-se os únicos membros de seu grupo a sobreviver. Emiko viu a família inteira morrer ou ser convertida em "pessoas--jacaré" a seiscentos metros do hipocentro de Nagasaki.


CLARENCE GRAHAM: Prisioneiro de guerra americano no Campo 17 de trabalhos forçados, localizado na fronteira exterior da zona de efeitos da explosão de Nagasaki, 63 quilômetros a nordeste do hipocentro, na província de Fukuoka.
DR. MICHIHIKO HACHIYA: "Andarilho-formiga" sobrevivente de Hiroshima. Curado das feridas quase fatais por colegas do Hospital de Comunicações, ele recobrou a força necessária para tratar e documentar os primeiros casos de envenenamento por radiação.
AVERELL HARRIMAN: Embaixador americano na Rússia durante a época do pronunciamento de Truman sobre a existência e o uso da bomba atômica.
SHUNROKU HATA: Marechal de campo do exército japonês. Sobreviveu ao bombardeio de Hiroshima enquanto esperava a chegada do prefeito Nishioka de encontros com os mais importantes físicos nucleares japoneses. Em Tóquio, como testemunha da bomba, Hata argumentou que a nação poderia absorver os ataques atômicos e sobreviver a eles. O imperador não concordou e acabou refém em prisão domiciliar, numa ação que teve o apoio de Hata.

MICHIE HATTORI: Estudante de 15 anos que sobreviveu à explosão de Nagasaki num túnel, à mesma distância que Emiko Fukahori.


DR. HINDI: Amigo e colega do doutor Hachiya. Juntos, eles saíram do Hospital de Comunicações para conduzir uma exploração científica a respeito das condições da natureza de Hiroshima.
KENSHI HIRATA: Exposto aos efeitos explosivos da bomba de Hiroshima a uma distância de três quilômetros, Kenshi sofreu uma exposição secundária à radiação quando entrou na vizinhança do hipocentro procurando por sua mulher. Em 8 de agosto de 1945, deixou os subúrbios de Hiroshima a bordo de um trem levando os ossos de sua mulher. Setsuko à casa de seus pais, o que causou grande horror em todos.
MASUJI IBUSE: Poeta que registrou o incidente da "louca íris" após o bombardeio de Hiroshima.
HIROSHI ITO: Estudante exemplar de 12 anos. Um dos dois sobreviventes de sua escola no centro de Hiroshima.
KAZUSHIGE ITO: Sobrinho de Hiroshi Ito. Nascido numa família que experimentou tanto a sobrevivência quanto a morte em Hiroshima, posteriormente Kazushige acabou se transformando numa das vítimas dos ataques ao World Trade Center, em Nova York. O pai de Kazushige e seu amigo Masahiro Sasaki coordenaram o envio de milhares de pássaros de papel feitos por crianças de Hiroshima às crianças de Nova York depois do 11 de Setembro, como uma mensagem de esperança e cura.
AKIRA IWANAGA: Engenheiro naval que sobreviveu à bomba de Hiroshima a uma distância de 3,2 quilômetros. junto com outros funcionários importantes da Mitsubishi e do exército, foi levado para o sul, na direção de Nagasaki, a bordo de um dos dois trens que ainda podiam deixar Hiroshima.

HAJIME IWANAGA [sem relação aparente com Akira]: Morador de Nagasaki

de 14 anos que estava sendo "instruído" na fábrica de torpedos Mitsubishi. De baixa estatura para sua idade, estava em treinamento no programa de minissubmarinos Kaiten e provavelmente seria mandado para a missão submarina 1-58 seguinte, em setembro ou outubro de 1945. Como estava debaixo d'água quando ocorreu a explosão, tornou-se um dos poucos sobreviventes nas proximidades do hipocentro de Nagasaki.
MISAKO KATINI: Garota de 16 anos que testemunhou os "cavalos de fogo" de Hiroshima. Ao escapar do inferno, Misako e seu pai fugiram para Nagasaki, onde supostamente estariam em segurança.
SUMIKO KIRIHARA: Vizinha de 14 anos do doutor Hachiya, exposta à

radiação dentro de sua casa localizada num raio de pouco mais de 1,8 quilômetro do hipocentro. Ela viu as trombas d'água e as espirais de fogo de Hiroshima.


ISAO KITA: Principal meteorologista militar de Hiroshima do escritório de previsão do tempo. Kita foi exposto na encosta de uma pequena montanha a uma distância de 3,7 quilômetros do hipocentro. Tinha uma vista privilegiada da explosão, de onde registrou as primeiras observações científicas.
CADETE KOMATSU: Piloto que foi exposto à chuva de partículas, radioativamente intensa e oleosa. Depois, junto com os amigos Tomimura e Umeda, roubou um hidroavião da marinha japonesa e voou diretamente até a base do cogumelo atômico sobre Nagasaki.
MASAO KOMATSU: Aprendiz de fabricante de pipas na loja do senhor Morimoto, em Hiroshima, contratado pela Mitsubishi para fazer projetos de desenho e engenharia de pipas de reconhecimento para o exército. Depois de sobreviver em Hiroshima, decidiu ir para sua casa em Nagasaki.

RYUTA KONDO: Órfão de 5 anos em Hiroshima, adotado não oficialmente pela família de Keiji "Gen" Nakazawa. Morava no mesmo bairro que o doutor Hachiya.

DR. KOYAMA: Médico no Hospital de Comunicações de Hiroshima. De início, considerou a doença da radiação a prova de um ataque de armas biológicas pós-nuclear, e isolou os pacientes.
DR. KUTSIIDE: Amigo do doutor Hachiya, trabalhava com ele no Hospital de Comunicações de Hiroshima.
GEMERAIL DOUGLAS MacARTHUR: Coordenou os planos da invasão final e ocupação do território japonês. Tornou-se o idealizador da Constituição pós-guerra do Japão e o principal antagonista dos que pretendiam estudar ou escrever sobre os efeitos das bombas atômicas, especialmente em Nagasaki. Também reconheceu que uma eventual paz com o Japão dependia de que o imperador — uma figura religiosa — não fosse levado a julgamento público e executado por um tribunal ad hoc americano.
GEORGE MARQUART: Piloto do Necessary Evil durante a missão de Hiroshima. Piloto de um avião de reconhecimento meteorológico durante a missão de Nagasaki.
SACHIKO MASAKI: Garota de 14 anos, trabalhadora da fábrica de torpedos Mitsubishi em Nagasaki. Foi encasulada contra o choque por equipamento pesado e protegida pela sombra do mesmo equipa mento contra a onda de raios gama. Sachiko sobreviveu estando aproximadamente à mesma distância que Hajime Iwanaga.
JOSÉ MATSOU: Sobrevivente mais próxima à bomba de Nagasaki. Foi exposta à radiação num dos túneis do prefeito Nishioka, a uma distância de 185 metros do hipocentro.
TOSHIHIKO MATSUDA: O "garoto das bolinhas de gude" de Hiroshima. Exposto a seiscentos metros, sua sombra foi gravada no muro de um jardim.
SATOKO MATSUMOTO: Jovem garota de Hiroshima cujos pais fugiram para o rio com as famílias Kirihara e Sasaki. Na primeira noite depois da bomba, a vizinha de Satoko transformou uma chuva de estrelas cadentes numa revelação de arrepiar.

SUMAKO MATSUYANAGI: Exposta perto da fronteira do Ground Zero de Hiroshima (cerca de 1,5 quilômetro), a senhora Matsuyanagi foi arremessada, sem ferimentos, até a casa de um casal de idosos. Seus dois filhos tinham sido expostos na escola, que estava muito mais perto do hipocentro. Apesar de não terem sido machucados à primeira vista, com o tempo começaram a sofrer os efeitos da exposição imediata à radiação.


PADRE MATTIAS: Padre católico exposto em Hiroshima, a 1,3 quilômetro. Juntou-se ao doutor Hachiya e aos "andarilhos-formiga" vagamente consciente de que tinha abandonado três crianças feridas à mercê de um destino terrível.
MARCUS MCDILDA: Piloto americano capturado que, sob tortura, concordou em contar todas as informações que tinha sobre a bomba de urânio. Sem saber absolutamente nada, improvisou um projeto com certeira intuição matemática, desenhando um sistema que parecia assustadoramente similiar ao das "duas massas que se chocam" desenvolvido pelos físicos japoneses.
YASAKU MIKAMI: Um dos três bombeiros a ter sobrevivido a Hiroshima, Mikami foi exposto num túnel a uma distância de 1,9 quilômetro.
ICHIRO MIYATO: Operador de radar que localizou o Bock's Car e o Great Artiste durante a abordagem final a Nagasaki.
HIROSHI MORI: Estudante do quinto ano que contou à mãe, Yoshiko, a sua premonição de que Hiroshima estava prestes a ser destruída.
SHIGEYOSHI MORIMOTO: Mestre fabricante de pipas, recrutado para fazer papagaios militares. Foi encasulado contra o choque em Hiroshima sob o escudo denso e de vários andares da mansão de um primo, no mesmo bairro de Setsuko, mulher de Kenshi Hirata. As casas de Morimoto e de Hirata estavam a aproximadamente quatrocentos metros do hipocentro. Como Kenshi Hirata, Morimoto deixou Hiroshima num trem rumo a Nagasaki. Sua segunda exposição ocorreu num raio relativamente mais seguro, de 2,4 quilômetros.

DR. PAUL [TAKASHI] NAGAI: Paciente de câncer terminal em seu próprio hospital na época do bombardeio de Nagasaki. Após receber uma dose quase letal de radiação, seu câncer entrou em remissão temporária, e, apesar de ainda gravemente afetado, viveu tempo suficiente para se tornar um dos observadores mais poéticos e espirituais dos efeitos da bomba na mente e alma humanas. Nagai se tornou um dos principais conselheiros espirituais em Urakami e na Nagasaki pós-apocalipse.


A FAMÍLIA NAGAI: Midori (mulher de Paul, morta instantaneamente sob a bomba de Nagasaki); Kayano e Makoto (os filhos dos Nagai, ambos expostos à chuva negra); e, mais tarde, o filho de Makoto, Tokusaburo, que legou os ensinamentos de seu avô ao século XXI.
HIROKO NAKAMOTO: Adolescente sobrevivente da bomba de Hiroshima que descobriu, nos dias finais da guerra, que o racionamento de comida chegara a uma severidade tamanha que ela não foi capaz de manter seus dois camundongos de estimação vivos.
KEIJI "GEN" NAKAZAWA: Garoto de Hiroshima que se transformou num dos pioneiros do desenvolvimento das novelas gráficas no Japão. Mais conhecido por seus livros sobre Gen Pés Descalços, ele sobreviveu e atingiu a maioridade nas ruínas da cidade, não muito longe do doutor Hachiya e do Hospital de Comunicações.
DR. YOSHIO NISHINA: Físico nuclear e diretor (com Ryokishi Sagane) dos programas de armas nucleares na época da guerra no Japão, que incluíam projetos de núcleo de bombas e planos para as primeiras armas de feixe de partículas (quatro décadas antes do seu desenvolvimento no restante do mundo, em 1945). No final da guerra, Nishina e vários colegas eram alvos de captura dos russos e de "captura ou neutralização" dos americanos, para evitar seu sequestro por parte dos russos.
TAKEJIRO NISHIOKA: Prefeito que chegou a Hiroshima e vivenciou a bomba atômica logo após um encontro com o doutor Nishina e outros importantes cientistas atômicos em Tóquio. Depois de testemunhar a explosão, fugiu para o sul para retirar sua família de Nagasaki, cidade que, tinha certeza, seria o próximo alvo.

EIZO NOMURA: Sobrevivente mais próximo à bomba de Hiroshima a chegar ao Hospital de Comunicações. Ele foi exposto a aproximadamente cem metros, no porão do Sindicato de Racionamento.


DR. RYOKICHI SACANE: Físico nuclear japonês e colega do doutor Nishina.
FUJIKO SASAKI: Mulher de Shigeo Sasaki.
MASAHIRO SASAKI: O filho dos Sasaki, tinha 5 anos no dia da queda da bomba. Ao crescer, propagou a mensagem de sua irmã de que a esperança para a civilização pode estar em algo não muito complexo, que é "sempre pensar nos outros primeiro".

SADAKO SASAKI: Irmã de Masahiro, de 2 anos. Dez anos mais tarde, enquanto vivia sob os efeitos colaterais da chuva negra, fez um pássaro de papel e escreveu nas asas: "Um dia você vai levar a paz voando ao redor do mundo".


SUMO SASAKI: Vizinho e amigo íntimo do doutor Hachiya, sobreviveu num subúrbio distante de Hiroshima enquanto cumpria incumbências num dos escritórios do prefeito Nishioka. Depois de entrar no Ground Zero de Hiroshima e descobrir que todos seus familiares, com exceção de sua mãe, tinham sido milagrosamente salvos, se ofereceu como voluntário para levar comida e suprimentos ao Hospital de Comunicações.
KUNIYOSH1 SATO: Sobrevivente de Hiroshima que dividiu assento com Kenshi Hirata a bordo do último trem de Hiroshima a Nagasaki.
SHIGERU SHIMOYAMA: Soldado do exército japonês exposto em Hiroshima a quinhentos metros do hipocentro num depósito do exército ao norte do castelo. "Crucificado pela bomba", mais tarde ele veria um "cavalo pálido".

SHODA SHINOE: Adolescente particularmente poética, ficou sob os cuidados do doutor Hachiya.


DR. MASAO SHIOTSUKI: Colega do doutor Hachiya, trabalhava no Hospital Naval de Omura, perto de Nagasaki.
CHARLES SWEENEY: Piloto do avião de observação científica Great Artiste (que levava Luis Alvarez) durante a missão de Hiroshima. Sweeney pilotou o Bock's Car na missão de Nagasaki. Piloto do Straight Flush quando uma bomba de plutônio sem núcleo foi lançada, horas antes do amanhecer de 15 de agosto de 1945.
DR. EIZO TOMA: Aluno do físico Yoshio Nishina.
AKIKO TAKAKURA: Bancária em Hiroshima, exposta com sua amiga Asami a um raio de 250 metros, dentro da couraça protetora de aço, concreto e granito do Banco Sumitomo.
NOBUO TETSUTANI: Exposto a um quilômetro do hipocentro de Hiroshima, Nobuo foi protegido por uma sombra enquanto seu filho, Shin — que andava de triciclo com o melhor amigo —, recebeu toda a fúria do clarão. Como não queria que as crianças fossem cremadas e espalhadas anonimamente pelas piras funerárias do exército, Nobuo enterrou Shin e Kimi, com seus triciclos, sob as ruínas da casa, onde eles permaneceram de mãos dadas por quarenta anos.



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   11   12   13   14   15   16   17   18   19


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande