O hipnotismo



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O HIPNOTISMO

SIMEON EDMUNDS


0 HIPNOTISMO
0 poder psíquico da hipnose
2@ edição
Editorial Estampa
1995

FICHA TÉCNICA:


Título original: Pie Psychic Power ofHypnosis Tradução: José Alberto Mendes de Sousa

1? edição: Editorial Estampa, 1987 Composição: Canal Gráfico, Lda. Impressão e acabamento: Rolo & Filhos - Artes Gráficas, Lda. Depósito legal ri? 89528/95 ISBN 972-33-0177-6 Copyright: Simeon Ediriunds 1979


Editorial Estampa, Lda., 1987 para a língua portuguesa

INDICE
Capítulo 1 - Os *fen6menos mais elevados+ do


hipnotismo ............. ............................... 7 Capítulo II - Hipnotismo e hipnose ................. 12
0 estado hipnótico ............. ....................... 12 Métodos de indução ... ................................ 16 Alucinações e regressão ....................... ........ 18 Auto-hipnose ................. --- ....................... 20 Capítulo III - Fenômenos psàquicos e investigação
psíquica ....................... ............... ......... 22 Sociedade de Investigação Psíquica .... ------ --- ... 23 Terminologia.... .......................... ............ 25 Telepatia espontânea .......... ....................... 26 Clarividência pelo sonho ....................... ..... 27 Psicometria e escrita automática ............ ....... 29 Poderes mediúrilcos ........................... ...... 31 Investigação psIquica experimental ...... ........ 32 Capítulo IV - Origens do hipnotismo ...1 ........... 35
Sir William Barrett ... ............. ......... 40 Exteriorização da sensibilidade. . ................... 41 Capítulo V - Hipnose e paranormais ... ........... 43
0 dr. 13jorkhem ... ................... ................ 44 jarl Faliler ............ ........ ....... ........ 45 * *Menina B+ ............ .... ...... ................ 47 * Professor Vasilyev. ...... ........... ........ ...... 51 * dr. R@zl... ........... ..................... ........ 54 As experiências do dr. Eiseribud ................ .... 63 Capítulo VI - Pseudoclarividência e reencarnação. 66
Memórias psÁquicas e regresso total . @ .... ....... 67 *Bridey Murphy+ .......... ................. ........ 71

Capítulo VII - Hipnose e cura paranormal ..... ... 77 Hipnose e diagn6stico ........... ....... .......... 79 Edgar Cayce . ............................................ 80 Sugestibilidade . .................... ........... - ..... 81 Capítulo VIII - A posição actual: a perspectiva


para amanhã ......... ............................. .... 86 Estimulação emocional das técnicas ................. 89 *Flashes+ psíquicos , @ @ ................................ 90 Imprevisibilidade dos fenómenos psíquicos ........ 92

CAPITULO 1


OS *FENõMENOS MAIS ELEVADOS+
DO HIPNOTISMO
*Está a arder, acredite-me! Está a arder! +
As palavras são quase gritadas. Deitada, em êxtase, no sossego do consultório de um psicólogo, uma mulher começa a descrever um incêndio que se declarara a centenas de milhas de distância.
Um homem idoso vai dar um passeio ao campo e não regressa. São infrutíferos os esforços para o encontrar. Um hipnotizador entrega à sua assistente um cachecol pertencente ao homem desaparecido e ela afirma imediatamente que o seu dono morreu. Então, ela descreve o que aconteceu ao homem e onde o corpo poderá ser encontrado.
Uma jovem hipnotizada toca numa mancha de sangue do casaco que fora usado por um homem que se encontra morto. *Ele foi assassinado+, afirmou ela, descrevendo o crime e o aspecto do assassino.
Um rapaz hipnotizado fornece dados reveladores dos movimentos do seu próprio pai. Outro lê os títulos que um jornal iria publicar no dia seguinte.
Um homem queixa-se de uma dor que desorienta os médicos. Hipnotizado por um indivíduo que não tinha- quaisquer conhecimentos de medicina, faz um diagnóstico preciso e descreve o seu próprio tratamento. Recupera completamente.
Estas histórias não são extravagâncias de escritores imaginativos. Aconteceram na realidade, sendo confirmadas por homens de juízo critico e de incontestável idoneidade.
Foi o caso, por exemplo, do professor Pierrejanet,

o famoso psicólogo e neurologista francês que disse a uma assistente hipnotizada estar a fazê-la ir para o que ele chamou uma *excursão psíquica+ e que ela teria de sair *da sua mente+ e ver o que o amigo dele, o professor Charles Richet, estava a fazer.


0 laboratório de Richet situava-se em Paris, a cerca de cento e cinquenta milhas de Le Havre, onde Janet conduzia a sua experiência. De algum modo, o espírito de *Leonie+, a sua assistente, estabeleceu ligação à distância, porque, depois do grito excitado dela, *Está a arder!+, a jovem deu-lhe pormenorizada descrição de um incêndio que nesse dia danificou seriamente o laboratório de Richet.
Richet confirmou a verdade do segundo caso, relatado pelo seu colega Dr. Eugene Osty, durante muitos anos director do Instituto Metapsíquico Internacional em Paris.
Um homem de idade avançada, chamado Lerasle, foi passear ao campo e não voltou a casa. Quando, após duas semanas de buscas, não foram encontrados quaisquer vestigios dele,.um cachecol do homem desaparecido foi enviado ao Dr. Osty, para verificar se qualquer das suas assistentes poderia ajudar. Osty dá-c, a uma delas, Madame Morel, sem lhe dizer absolutamente nada acerca do caso.
A mulher hipnotizada descreveu minuciosamente o aspecto do velho, como este estava vestido, o local onde vivera e o caminho que tomara no dia em que desaparecera, acrescentando que o corpo dele se encontrava numa floresta, entre alguns arbustos espessos, perto de um regato. Ela afiançou que o homem se sentira doente, sentara-se a descansar e morrera’
Mais tarde foi efectuada uma busca baseada nesta informação e o corpo de Lerasle foi encontrado no sitio exacto descrito por Madame Morel. Quase todos os pormenores fornecidos por ela, no seu estado hipnótico, estavam correctos.

A jovem que tocou numa mancha de sangue e descreveu um assassino foi a seãora Reyes de Zierold, assistente do Dr. Gustav Pagenstecher do México. Um investigador, o Dr. Prince, entregou-lhe o casaco que um lavrador trazia vestido quando fora assassinado. Fez várias tentativas, mas a única impressão dela era a de um tecido espesso - até o seu dedo se deter na mancha de sangue. Foi então que ela imediatamente relatou as circunstâncias do crime.


Nem o Dr. Pagenstecher nem o Dr. Prince sabiam como o assassInio fora cometido, mas investigações subsequentes provaram que o relato da senhora era correcto.
Um famoso hipnotizador, Alexander Erskine, descreveu como, certa vez, hipnotizara o filho de um diplomata bastante conhecido. 0 rapaz relatou-lhe pormenorizadamente o que o pai, que se encontrava longe, estava a fazer naquele momento. 0 diplomata, que estivera numa situação deveras comprometedora, ficou tão embaraçado quando tomou conhecimento do que se passara na sua ausência, que obrigou Erskine a prometer nunca mais voltar a fazer novas experiências que o envolvessem.
0 assistente, que leu os títulos de um jornal do dia seguinte, foi hipnotizado e levou a cabo o seu feito na presença de várias autoridades médicas britânicas. Por razões profissionais, não será permitida presentemente a publicação dos seus nomes, mas os seus depoimentos foram gravados e serão, como se espera, eventualmente publicados.
0 homem *milagrosamente+ curado por um hipnotizador desconhecido e não qualificado, foi o americano Edgar Cayce, mais tarde tornado famoso como o *Inédico adormecido+. Nascido no ano de 1876 no Kentucky, com vinte e um anos perdeu completamente a voz, devido a um ataque grave de laringite.
Apesar de prolongado tratamento médico, ficou

incapacitado de falar, até que um vulgar hipnotizador de variedades tentou curá-lo. No entanto, este hipnotizador só conseguia que Cayce falasse enquanto estivesse em transe. Todas as tentativas levadas a efeito para uma cura permanente falharam.


Depois de o profissional ter deixado a zona, um hipnotizador amador local chamado Layne sugeriu que, se Cayce podia falar em transe, também seria capaz de descrever a natureza do seu problema e até de indicar o tratamento. Cayce concordou, Layne hipnotizou-o e perguntou-lhe por que razão ele perdera a voz e como poderia ficar permanentemente curado. Ficou espantado quando Cayce respondeu:
*Sim, podemos observar o corpo. No estado físico normal, é incapaz de falar, devido a uma paralisia parcial das cordas vocais, produzida por tensão nervosa. Trata-se de uma condição psicológica que provoca um efeito físico, o qual poderá ser removido, aumentando a circulação da parte afectada, por meio de sugestão, enquanto está no estado inconsciente.+
Layne deu as indicações necessárias, a garganta de Cayce mudou de cor e alguns minutos depois disse: *Agora, está tudo bem. A paralisia está removida. Faça-se de conta que a circulação regressa ao estado normal e, acima de tudo, que o corpo desperta.+ Layne assim fez e, desde então, Cayce foi capaz de falar tão bem como antes.
Layne e Cayce concluíram depois que poderiam ajudar outros doentes da mesma maneira e resolveram. dedicar as suas vidas a esse trabalho. Descobriram que, em transe hipnótico, Cayce podia diagnosticar doentes distantes e durante a sua vida fez mais de trinta mil *leituras+, como ele as denominava, muitas das quais a pedido de médicos. A maior parte delas, de acordo com as informações existentes, era impressionantemente exacta.
Os casos descritos em linhas gerais são meramente
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representativos dos inúmeros exemplos registados, os quais vulgarmente se conhecem como *fenómenos mais elevados+ do hipnotismo - assim chamados, porque parece estar envolvido qualquer factor sobrenormal ou *psíquico+ - diferentes dos fenômenos hipnóticos geralmente considerados normais hoje em dia.


Várias espécies de fenómenos *psíquicos+ - telepatia, por exemplo - ocorrem usualmente sem envolverem a hipnose. Tais ocorrências são_geralmente espontâneas, imprevisIveis e falíveis. E principalmente na tentativa de sujeitá-los a controlo, que os investigadores têm estado a voltar-se, cada vez mais, para o uso da hipnose.
Mas antes de se continuar na questão de produzir fenômenos sobrenormais ou de aumentar os poderes psíquicos através da hipnose, vamo-nos debruçar, com brevidade e antes de mais, sobre a própria hipnose - o que ela é e o que faz - e depois, sobre os fenómenos psíquicos e sobre a ciência do seu estudo: a investigação psíquica.
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CAPITULO 11


HIPNOTISMO E HIPNOSE
As velhas superstições custam a desaparecer. Para muitas pessoas, o hipnotismo é ainda uma espécie de estranha magia neg >ra: o hipnotizador, um sinistro Svengali que usa os poderes do mal para impor a sua vontade à vitima inocente. E para alguém que tenha assistido aos fenómenos >notáveis produzidos pelo hipnotismo ou que tenha lido os relatos verdadeiros da sua influência quase milagrosa, tanto para o bem, como para o mal, não será surpreendente que ainda se mantenha fiel a tais crenças.
A ciência avançada tem ido longe para dissipar estes conceitos errados; no entanto e embora a verdadeira natureza da hipnose não seja ainda compreendida e ainda estejamos mais na fase de descrição do que de explicação, é agora geralmente aceite que nada há de psíquico, de sobrenormal ou de oculto no hipnotismo em si.
0 Estado Hipnótico
Em sentido estrito, a palavra hipnotismo descreve o assunto de forma geral e a técnica de indução do estado de hipnose, embora *hipnose+ seja, muitas vezes e de maneira vaga, usada para ambos os fins. As palavras, do grego hypnos - sono, foram criadas pelo hipnotizador médico pioneiro, Dr. James Braid, como alternativas a *mesmerismo+ e a *magnetismo animal+, na crença errada de que a hipnose é uma forma de sono.
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E verdade que determinados estados . de hipnose têm uma semelhança su@erficiaI com o sono normal e que se dão frequentemente sugestões de sonolência quando se induz o estado hipnótico; porém, sob ougos aspectos, existe uma enorme diferença básica. A parte o facto óbvio de que uma pessoa adormecida não responde quando interpelada, ao passo que al- guém hipnotizado reage às sugestões do hipnotizador, esta diferença tem sido demonstrada por numerosos testes científicos e observações.


Por exemplo, os reflexos são vulgarmente inalterados pela hipnose (excepto quando as sugestões dadas são as de que aqueles mudarão), mas são diminuídos consideravelmente durante o sono. A resistência eléctrica do corpo não é também afectada pela hipnose, embora aumente mais de dez vezes durante o sono. Experiê ncias recentes de medição das *ondas cerebrais+ por meio do electroencefalógrafo demonstram a diferença de modo convincente.
0 estado de hipnose não é fácil de, descrever. A sua forma pode variar desde o estado de vigília obediente à inconsciência aparente e, em profundidade, des'de um estado de dissociação calma ao transe profundo do sonâmbulo. Foi definido como um estado no qual a mente é peculiarmente susceptível à sugestão, mas esta, embora verdadeira, desempenha apenas um papel da história. É absolutamente impossível descrever a hipnose com brevidade e muito menos defini-Ia em algumas palavras.
Talvez a melhor maneira de se ter uma impressão clara seja observar, resumidamente, alguns dos factos que dizem respeito à hipnose - a sua indução, os fenómenos, o potencial e as limitações - e considerar algumas das ideias erradas comuns relativas a ela.
Antigamente, a única experiência directa de hipnotismo colectivo era provavelmente através da observação ou da participação em representação teatral.
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Não obstante a publicidade e o exibicionismo associados a estes actos de variedades, eles foram, de facto, demonstrações perfeitamente genuínas. Os voluntários que beberam água e ficaram embriagados, suaram quando ganharam regatas imaginárias, comeram cebolas com prazer, julgando que eram frutos doces, etc., estavam realmente hipnotizados. Mesmo quando se recorreu a simples figurantes, estes eram, de facto, indivíduos facilmente hipnotizáveis.


A propósito, pode-se afirmar que o Acto de Hipnotismo de 1952 foi muitas vezes ilegalmente representado, excepto em circunstâncias especiais. Esta legislação foi oportuna, pois muitos voluntários sofriam as consequências de sugestões feitas de modo descuidado. julgo que o potencial de prejuízo no uso incorrecto do hipnotismo se tornará evidente ao longo deste livro.
Ao contrário do que as pessoas costumam pensar, uma pessoa não é facilmente- hipnotizável devido a *força de vontade+. Estabeleceu-se que as pessoas inteligentes e imaginativas são as mais fáceis de hipnotizar e que, longe de indicar uma *vontade fraca+ ou qualquer outro defeito, isso é uma indicação de normalidade. Os loucos e os indivíduos com perturba@ções mentais são os mais dificeis de hipnotizar.
A maior parte das pessoas podem ser hipnotizadas. E opinião geral que apenas cinco a dez por cento das pessoas não são virtualmente hipnotizáveis. Vinte e cinco por cento entram rapidamente em ligeiro transe, uma percentagem semelhante em profundo sonambulismo, enquanto as restantes atingem variados e intermédios graus de hipnose.
Algumas mergulham em transe profundo logo à primeira tentativa: noutras, o grau de hipnose é intensificado progressivamente após determinado número de sessões. É impossível dizer-se que uma pes-
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soa não pode ser hipnotizada: existe um caso nos registos de um médico que fez seiscentas tentativas com um paciente antes de ser bem sucedido.


As sensações e as reacções de uma,pessoa hipnotizada não são fáceis de descrever e as tentativas efectuadas não passam de generalidades; no entanto, falando em termos gerais, os vários graus da hipnose são caracterizados como segue:
Ligeira: Sensações de sonolência geral e de peso nos olhos e nas pernas, alto grau de relaxamento e de inibição de movimentos voluntários. São aceites simples sugestões - os olhos permanecem fechados, as pernas não podem mexer-se, etc.

0 paciente sente, muitas vezes, que poderia desobedecer às sugestões, se quisesse, mas não o faz.


Intermédia: Aumento da sonolência. São aceites sugestões de catálepsi'a - completa rigidez das pernas ou até de todo o corpo. Posições normalmente impossIveis de manter podem ser suportadas durante longos períodos sem desconforto. Mais tarde, a amnésia relativamente a acontecimentos que ocorrem durante a hipnose pode, muitas vezes, ser sugerida com êxito. As sensações

- dor, gosto, olfacto, etc., podem ser reduzidas. As sugestões pós-hipnóticas (as que são levadas a cabo depois da hipnose) são vulgarmente aceites.


Profunda: 0 estado de sonambulismo. A amnésia completa, após ter acabado a hipnose, ocorre mesmo quando não sugerida; são aceites e postas em prática sugestões altamente complexas e surge a comunicação estreita entre o hipnotizador e o paciente. Este é o estado em que os assistentes dos hipnotizadores de variedades apresentam os seus feitos espectaculares; em que podem ser induzidas alucinações vividas e bizarras dos sentidos, memõria realçada, etc., em que surgem, por vezes, os
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chamados *fenómenos mais elevados+ - clarividência itinerante, etc.


Métodos de Indução
A indução da hipnose é, em sentido amplo, um processo subjectivo efectuado pelo próprio paciente.

0 hipnotizador conduz basicamente este processo pelas linhas correctas, Assim, todos os métodos de hipnotização são planeados para concentrar a mente do paciente unicamente na ideia de entrar em hipnose.


Não é muito fácil responder à pergunta: *Quem pode hipnotizar?+
Tem-se dito, com alguma verdade, que todos nós podemos hipnotizar uma pessoa; quanto melhor for o hipnotizador, tanto maior será o número e a variedade das pessoas que ele pode influenciar. Pode suceder que uma pessoa completamente insensível a um hipnotizador reaja imediatamente às sugestões de outro.
As qualidades básicas de um bom hipnotizador são: a capacidade de inspirar confiança, uma atitude simpática e o equivalente ao bom comportamento de um médico à cabeceira do doente. Acima de tudo, naturalmente, estão a confiança em si próprio e um conhecimento só lido não só dos problemas técnicos do hipnotismo, mas também da psicologia humana. Há, também, como. qualquer hipnotizador competente e experiente poderá confirmar, outro factor intangível, uma sensação ou percepção quando se utiliza o método certo, uma comunicaçã o estabelecida que leva o paciente a tomar a direcção correcta.
Contrariamente também à opinião geral, o hipnotizador-actor não é, normalmente, um bom hipnotizador. 0 seu êxito deve-se a uma inteligente publicidade e à solidez da sua reputação; além disso, num grande grupo de pessoas, todas tensas de expectação,
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é certo que haverá um número razoável de individuos muito fáceis de hipnotizar.


Todos os métodos de hipnotização consistem primeiramente em fixar a atençao do paciente e depois em utilizar a sugestão para aumentar a sugestibilidade normal, Os métodos comuns não diferem muito em eficácia. 0 hipnotizador escolherá aquele que melhor se adapte à sua personalidade. Algumas vezes, um paciente será avesso a uma técnica determinada e o bom hipnotizador modificará os seus métodos sempre que for necessário.
Os mesmeristas dos tempos antigos, que acreditavam que certa espécie de fluido magnético passava deles para os seus pacientes, costumavam elaborar *passes+; algumas vezes, como o designavam, *em contacto+ e outras vezes junto do paciente, mas sem lhe tocarem. 0 efeito dos passes é considerado, hoje em dia, como inteiramente psicológico.
Um método comum é fazer o paciente olhar fixamente para um objecto brilhante, para uma luz ou para um pê ndulo oscilante. Aqui, o objectivo é fatigar os olhos, assim como assegurar a atenção, de forma a que as sugestões de sono sejam mais prontamente aceites. Algumas vezes, é utilizado um som monótono e repetitivo como o bater de um metrónomo, chegando a afirmar-se que este método é particularmente eficaz quando o ruído é sincronizado com uma luz cintilante.
No entanto, todos este meios são simplesmente ajudas e muitos hipnotizadores experimentados preferem prescindir destes utensílios ` 0 meu próprio método preferido, por exemplo, consiste em pedir ao paciente que se sente ou se deite confortavelmente e feche os olhos. Depois disso eu *falo+ com ele levando-o à hipnose. E raras vezes tenho necessidade de variar os meus métodos.
Fazer uma pessoa sair da hipnose não é difícil.
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Com um paciente inexperiente, costuma ser melhor fazê-lo progressivamente, como contar de dez até zero, sugerindo, entre cada dois números, que ele está gradualmente a acordar. Com um paciente experiente, eu simplesmente estalo os dedos e digo: *Acorda!+


Com uma pessoa profundamente hipnotizada, toda a sensação de sentimento pode ser afastada por sugestão de todo o seu corpo ou de qualquer parte dele. Este fen6meno fornece um teste útil para a profundidade do transe, sendo também, e naturalmente, a razão para o uso crescente da hipnose na cirurgia dentária. Antes da descoberta da hipnose pelo clorofórmio, a hipnose foi largamente utilizada como anestésico geral e muitas operações melindrosas foram levadas a efeito com a sua ajuda.
Uma pessoa profundamente hipnotizada pode tornar-se cataléptica, com as pernas fixas em qualquer posição sugerida. Uma prática-padrão do hipnotizador de music-ha11 era a de colocar a cabeça do paciente cataléptico numa cadeira e os pés noutra, ajoelhando ou ficando de pé sobre o seu corpo.

0 paciente não sentia quaisquer dores nem efeitos desagradáveis depois.


Alucinações e Regressão
A característica mais impressionante da hipnose é o modo de o paciente aceitar alucinações sugeridas. Digam-lhe que um enorme cão negro se encontra na sala e ele verá decerto um. Digam-lhe que uma cebola é uma maçã doce e aquela parecer-lhe-á ter realmente um doce sabor. Sugiram-lhe que está a tocar violino e ele executará os gestos respectivos, dizendo o nome da música que está a tocar. Com uma palavra, um simples cartão branco transforma-se num quadro maravilhoso e um vaso vazio fica cheio de flores docemente perfumadas.
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Ainda mais notáveis, são as alucinações negati .vas, aceites prontamente e de boa vontade. Uma pessoa parece ter deixado a sala, uma peça do mobiliário desmaterializa-se, já não se ouve qualquer voz, uma substância de cheiro penetrante perdeu o seu perfume: tudo, com a simples sugestão do hipnotizador.


Através das sugestões pós-hipnóticas - sugestões dadas durante a hipnose, levadas a cabo depois de o paciente acordar - todos estes fenômenos podem ser produzidos num tempo futuro, talvez horas, dias, meses ou mesmo anos. Embora os execute à letra, o paciente raramente se lembra das sugestões que lhe foram dadas. 0 valor deste processo na terapia hipnótica é evidente.
A uma pessoa hipnotizada pode-se fazer recordar experiências passadas, as quais, em consciência psicológica normal, esqueceu completamente. Alguns pacientes lembram-se simplesmente das experiências, outros parecem, na realidade, *revivê-las+ e mostrar todas as reacções e emoções evocadas originalmente. Por este último processo, conhecido por regressão da idade, pode-se fazer uma pessoa regressar progressivamente, talvez até à primeira infância.
Qualquer factor, sem ser a memória realçada, parece operar, na verdade, uma regressão da idade. Uma pessoa regressada à infância, por exemplo, reagirá de maneira infantil, responderá a testes de inteligência como uma criança da idade respectiva, manifestando reflexos fisiológicos apropriados.
A regressão da idade tem grande valor num ramo da psiquiatria conhecido por hipno-análise. Quando uma perturbação emocional passada é a causa de uma desordem psicológica, torna-se necessário fazer um paciente regressar e *reviver+ a experiência, libertar a emoção reprimida e, assim, dar-lhe alívio. Este processo, chamado ab-reacção ou catarse, é, muitas vezes, bastante dramático.
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Ocasionalmente, surge uma falsa regressão, quando o paci@nte>xzv+ve.&,uma experiencia imaginaria


ou Um pacientes *
bastante c cessário v ri que qualq 1 <



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