O câncer, em sua fase inicial, pode ser controlado ou curado



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Fonte: Inca (2008, p. 425)
A toxidade inespecífica, segundo o tempo de início e os sinais e sintomas observados, são:


Toxidade inespecífica

Início

Duração

Imediata

Horas

Náusea, vômitos, flebite, hiperuricemia e insuficiência renal

Precoce

Dias a semanas

Leucopenia, plaquetopenia, alopécia e diarréia

Retartada

Semanas a meses

Anemia, azoospermia, lesão celular hepática e fibrose pulmonar.

Tardia

Meses a anos

Esterilidade, atrofia de gônadas, tumores malignos secundários.

Fonte: Inca (2008, p. 425)
3.4.2 Efeitos adversos de acordo com os sistemas comprometidos


  1. Toxidade hematológica

A quimioterapia pode ser capaz de afetar a função medular com a redução da linhagens

celulares que constituem o sangue e levar o indivíduo a uma mielossupressão, ficando o tecido hematológico vulnerável no período do nadir (tempo transcorrido entre a aplicação da droga e a ocorrência do menor valor de contagem hematológica). Pode ocorrer: anemia; neutropenia; trombocitopenia.




  1. Toxidades cardíacas

A fibra é lesada pela ação de alguns quimioterápicos antineoplásicos, principalmente os

Antracíclicos, perdendo sua força contrátil normal, levando à cardiomegalia e conseqüente aumento da demanda de oxigênio. Podem ocorrer de forma aguda, durante ou horas após a administração dos antineoplásicos, ou crônica, durante o tratamento ou após semanas ou meses depois do término, sendo causada pelo efeito cumulativo dos antineoplásicos. Podem levar a insuficiência cardíaca e falência cardíaca.




  1. Toxidade pulmonar

É relativamente incomum, porém fatal. Pode instalar de forma aguda ou insidiosamente. A

fisiopatologia das lesões permanece desconhecida. Podem apresentar tosse não podutica, dispnéia, taquipnéia, expansão torácica incompleta, estertores pulmonares, fadiga.




  1. Toxidade neurológica

A toxidade neurológica com maior freqüência após o uso dos alcalóides da vinca e o uso

freqüente de asparaginase. Estes efeitos adversos geralmente são reversíveis e desaparecem após o término do tratamento uimioterápico. São eles: alterações mentais; ataxia cerebral; convulsões e neuropatia periféricas; perda dos reflexos tendinosos profundos; íleo paralítico e irritação meníngea; assim como perda auditiva causada por lesão no nervo vestibulococlear.




  1. Toxidade vesical e renal

A quimioterapia antineoplásica pode provocar lesões renais por efeitos diretos durante a excreção e o acúmulo dos produtos terminais depois da morte celular. Pode causar irritação química na mucosa vesical, expressa clinicamente por disúria, urgência urinária e algumas vezes por hematúria em graus variáveis.


  1. Toxidade gastrointestinais

São elas:

*Náuseas e vômito: efeito mais estressante referido pela maioria dos pacientes;

*mucosite: inflamação da mucosa em resposta a lesão da quimioterapia antineoplásica. Inicia-se com ressecamento da boca e evolui para eritema, dificuldade de deglutição, ulceração, podendo envolver todo o trato gastrointestinal (TGI) até a mucosa anal.

*diarréia: o TGI por ser formado por células de rápida divisão celular vulneráveis à ação da quimioterapia antineoplásica, sofre uma descamação de células da mucosa sem reposição adequada, levando a irritação, inflamação e alterações funcionais que ocasionam a diarréia.

*constipação: o grupo de alcalóides de vinca pode provocar a dimnuição da motilidade gastrointestinal, devido à sua ação sobe o sistema nervoso do aparelho digestivo, podendo inclusive levar ao quadro de íleo paralítico.

*anorexia: a ação da quimioterapia antineoplásica pode ocasionar a sensação de plenitude gástrica, alteração do paladar, percepção aumentada ou diminuída para doces, ácidos, salgados e amargos. Neste caso o paciente deve ser acompanhado de suporte nutricional.

*fadiga: pode ser em conseqüência d o tratamento ou anemia decorrente do mesmo, principalmente em pacientes com doença avançada.


  1. Toxidade dermatológica

Estão relacionadas à alta taxa de renovação celular. Podem aparecer: eritema; eritema de

extremidade; urticária; hiperpigmentação; fotossensibilidade; alterações nas unhas e alopecia. A hiperpigmentação pode estar relacionada à estimulação dos melanócitos e a um desvio na distribuição da melanina. A hiperpigmentação do trajeto venoso é comumente observada nos tratamentos envolvendo fluorouracil, mecloretamina e bleomicina. A fotossensibilidade é mais acentuada nos primeiros dias depois da quimioterapia. A intensa atividade de reprodução celular no folículo piloso é a principal característica das células responsáveis pela diferenciação e crescimento do cabelo. Esta também é a característica da quimioterapia antineoplásica, que, atuando nas fases de síntese do DNA e mitose, não são capazes de realizar a diferenciação entre as células normais e malignas. Atacam ambas causando a alopecia parcial ou total.




  1. Toxidade hepática

É um quadro de disfunção hepática freqüentemente reversível com a interrupção da terapia

com drogas citostáticas. É avaliada através dos testes de função hepática. Pode causar fibrose hepática, cirrose e elevação das enzimas hepáticas.




  1. Disfunção reprodutiva

A quimioterapia antineoplásica pode levar a alterações relacionadas à função testicular e

ovariana, consequentemente à fertilidade e à função sexual, cuja intensidade vai depender da dose, duração do tratamento, sexo e idade. No homem pode ocorrer oligoespermia ou azospermia temporária ou permanente e, na mulher, irregularidade no ciclo menstrual e amenorréia. É comum a diminuição da libido, que pode ser atribuída a vários fatores, tais como: auto-imagem comprometida, fadiga e ansiedade.


H. Disfunção metabólica

Algumas quimioterapias antineoplásicas são capazes de causar distúrbios metabólicos por gerarem danos diretos na atividade de reabsorção renal. Estes distúrbios metabólicos podem ser: hipocalemia, hipercalcemia, hipoglicemia, hiperglicemia, hiponatremia, hipomagnesia e hiperuricemia.


3.4.3 Complicações do tratamento quimioterápico
A. Síndrome da lise tumoral aguda

A sensibilidade dos tumores com tempos curtos de duplicação à quimioterapia

antineolásica os torna responsáveis por grandes mortes celulares e, consequentemente, pela

rápida liberação de grandes quantidades de conteúdo intracelular para a corrente sanguínea. O

rim, nem sempre consegue ter a capacidade de excretar essas substâncias, podendo provocar insuficiência renal aguda.
B. Anafilaxia

É decorrente da hipersensibilidade celular, ou seja, de uma reação imunológica ou alérgica

imediata à administração da droga (antígeno versus anticorpo). Pode manifestar-se com urticária, desconforto respiratório, broncoespasmo, hipotensão, rubor facial, edema palpebral, dor lombar e/ou torácica, tosse, podendo evoluir para edema de glote e choque anafilático.
C. Flebite

É importante lembrar que os pacientes oncológicos possuem características diferenciadas

quanto ao acesso venoso periférico, pois a maioria é portadora de rede venosa de pouca visibilidade, devido a múltiplas punções, trombocitopnias freqüentes, fragilidade capilar, e ação irritante e esclerosante das drogas: gradual obliteração e fibrose venosa. Geralmente, ocorre devido a administração rápida dos quimioterápicos (flebite química), em acessos venosos de pequeno calibre ou quando o dispositivo venoso não é compatível com o calibre do vaso (flebite traumática).
Quadro de classificação dos sinais e sintomas segundo sua graduação – INCA 2008


GRAU

CARACTERÍSTICAS

1

Eritema com ou sem dor

2

Dor com eritema ou edema

3

Dor com eritema ou edema, formação de faixa e cordão fibroso palpável

4

Dor com eritema ou edema, cordão venoso palpável com mais de 2,5 cm de comprimento e secreção purulenta

D. Extravasamento

É a infiltração de antineoplásicos intravenosos para os tecidos circunvizinhos, podendo

causar danos funcionais e estéticos ao paciente. Dentre as causas mais freqüentes, estão a

posição não confirmada ou incorreta do cateter venoso (deslocamento) e a ruptura do vaso. Os

quimioterápicos antineoplásicos podem ser subdivididos quanto ao seu potencial de lesão

tecidual:

*vesicantes: aqueles que, em contato com tecidos adjacentes ao vaso sanguíneo, levam à

irritação severa, com formação de vesículas e destruição tecidual. Caracterizam-se por dor,

hiperemia, edema, formação de vesículas e necrose. Exemplo: doxorrubicina, doxorrubicina lipossomal, epirrubicina entre outras.

*irritantes: quando extravasados causam irritação tecidual que não evolui para necrose. Caracterizam-se por hiperemia, dor, inflamação no local da punção e no trajeto venoso, queimação e edema local sem formação de vesículas. Exemplos: 5-fluorouracil, docetaxel, paclitaxel entre outros.
4. CUIDADOS PALIATIVOS
A Organização Mundial de Saúde (OMS) conceitua cuidados paliativos como uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias, que enfrentam problemas associados a doenças, que põem em risco a vida. Essa abordagem é feita através da prevenção e alívio do sofrimento, por meio de identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e outros problemas de ordem física, psicossocial e espiritual. A paliação está indicada a todos os pacientes com doenças crônico-degenerativas. As ações paliativas devem ser implementadas em todos os níveis de atenção à saúde, contribuindo para um melhor controle de sintomas e proporcionando aos pacientes uma sobrevida com qualidade. Cicely Saunders define cuidados paliativos como um conjunto de ações, que possibilite uma abordagem holística do paciente com doença incurável, desenvolvido por equipe interdisciplinar, combinando cuidado clínico, pesquisa e ensino para o efetivo controle de sintomas e controle da dor. Essas ações podem ser realizadas em hospital ou sob assistência domiciliar, proporcionando suporte aos familiares para os cuidados ao paciente durante o processo de adoecimento e morte, e apoio à família após o óbito.

A assistência paliativa é voltada ao controle de sintomas, sem função curativa, com vistas a preservar a qualidade de vida até o final. A vida dos pacientes com doença em estágio avançado pode ser melhorada de modo considerável com a implementação de uma quantidade pequena de recursos tecnológicos. Os cuidados visam à promoção de conforto e são basicamente voltados para higiene, alimentação, curativos e cuidados com ostomias, e atenção sobre analgesia, observando-se, portanto, as necessidades de diminuição de sofrimento e aumento de conforto. No entanto, apesar de cuidados relativamente simples, é importante observar que implica aos profissionais a aquisição de conhecimentos e habilidades técnicas, atendendo a critérios científicos. Sendo assim o investimento maior é com recursos humanos multiprofisionais.




Após esta leitura inicial, procure pesquisar sobre oncologia e responder as questões abaixo.



  1. Como acontece o desenvolvimento do câncer.

  2. Descreva os efeitos colaterais da quimioterapia e os cuidados de enfermagem resumidamente.

  3. Descreva as formas de radioterapia.

  4. Defina cuidados paliativos.

REFERÊNCIAS
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Coordenação de Atenção e Vigilância. A situação do câncer no Brasil. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Câncer, 2006.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Ações de enfermagem para o controle do câncer: uma proposta de integração ensino-serviço. 3. Ed. Rio de Janeiro: INCA, 2008. 488 p
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Estimativa 2010: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2009. 98 p.
4. BIFUCO, Vera Anita; FERNANDES, Hézio Jadir; BARBOZA, Alessandra Bigal. Câncer uma visão multiprofissional. Barueri: Minha editora, 2010.
5. BONASSA, EM, SANTANA, TR. Enfermagem em terapêutica oncológica. 3 ed. São Paulo: Atheneu, 2005.


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