O bahia e o enigma baiano



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O Bahia e o enigma baiano
Por J. C. Teixeira Gomes
Volto da Bahia ao Rio perplexo com a permanência do chamado "enigma baiano". Lembramse desta expressão, famosa entre políticos e economistas a partir da década de 40, mais ou menos? Ela se referia a coisas estranhas que somente acontecem na Bahia e dificilmente em outros lugares.
Era usada para lembrar que nosso Estado tinha todas as riquezas para fazer dele um campeão do progresso nacional, mas continuava sempre atrelado ao atraso e ao subdesenvolvimento. A estranheza com todo esse tipo de coisas encontrou sua melhor caracterização no grande líder Octávio Mangabeira, quando disse: "Pense um absurdo.
Na Bahia há um precedente".
Pois o grande absurdo baiano agora está na área do futebol. Mais precisamente, em torno do Esporte Clube Bahia, que nos últimos dez anos, aproximadamente, deixou de ser um campeão nos campos para ser um campeão dos absurdos, dominado por uma gente incompetente e desastrada, que fica guardando o lugar de Paulo Maracajá, até que ele deixe a sinecura no Tribunal de Contas e volte a querer dirigir o clube.
Ou vão me dizer que não é o absurdo dos absurdos, a coisa mais inconcebível que em qualquer época já aconteceu com um time baiano, essa designação de Paulo Carneiro para ser o diretor de futebol do Bahia? Vamos refrescar a cabeça dos desmemoriados.
Lembram-se do que Paulo Carneiro fazia com o Bahia quando, arrogante e prepotente como poucos dirigentes no futebol brasileiro, comandava com mão de ferro o Vitória? Esqueceramse de todos os golpes baixos que ele usou contra o Bahia para consolidar sua liderança, expulsando o próprio Maracajá do cenário esportivo, com ironias e ataques diários na mídia? Será que o ex-presidente Marcelo Guimarães já não se lembra dos sucessivos vexames que sofreu no Barradão, quando o Bahia ia jogar lá com o Vitória, e ele ficava acuado nos vestiários com toda a diretoria tricolor, sob os gritos vociferantes do Carneirão, que urrava, ameaçador, como um tigre (ou como um boi brabo), usando seus seguranças para intimidar? Será que o jovem Marcelo Filho, atual presidente, eleito ainda há pouco com o patrocínio do velho cacique Maracajá, não sabe que Paulo Carneiro vetava até o próprio nome do Bahia no placar do Barradão, substituindo-o por um humilhante "visitante", como se o Bahia pudesse ser um "time visitante" jogando em sua própria terra? Será que essa diretoria nova, que já começa tão mal, não percebe a extrema humilhação que representa convocar um ex-rubro negro banido do seu time, com o qual se atritou inclusive na Justiça, para dirigir um clube da envergadura do hoje desmoralizado tricolor, como se o Bahia já não tivesse nomes à altura das suas tradições administrativas? Nada tenho, pessoalmente, contra Paulo Carneiro, com o qual mantenho relações cordiais. Creio até que lhe ensinei um pouco de jornalismo, quando participamos, juntos, da agradável experiência do "Esporte Jornal", do nosso querido Luis Eugênio Tarquínio. Mas é afrontoso para o Bahia que um cargo da relevância da diretoria de futebol seja entregue precisamente a um ex-poderoso chefão do Vitória, que a torcida rubronegra quer hoje ver pelas costas, mal lembrado pelas suas bravatas e desmandos, que incluíram ofensas raciais a jogadores, como se o Bahia não tivesse quadros próprios ou competência para dirigir os seus próprios destinos.
A desmoralização progressiva do Bahia, que o levou às inconcebíveis desgraças da desastrosa gestão Barradas, começou com os 7 a 0 que sofreu do Cruzeiro, na Fonte Nova, na gestão de Marcelo Guimarães. A convocação de Paulo Carneiro mostra, agora, que seu filho, o jovem Marcelo, chega também sem planos ou projetos, mais uma vez instituindo a improvisação e o amadorismo que levaram o Bahia à degradação.
O velho esquema da dominação de Maracajá se restaura com roupagem nova, mas igualmente ineficiente, até que o soba, já cansado de guerra, mas sempre ambicioso, se sinta em condições de voltar.
O mais trágico é a acintosa incompetência do que deveria ser a oposição tricolor para resgatar o Bahia da prolongada agonia que vem sofrendo. Vou terminar, repetindo Mangabeira: pense em todos os absurdos. Na Bahia há precedentes, sem excluir o futebol. O Bahia é a prova.
Jornal A TARDE – 24/12/08


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