“Não fui eu quem comeu a maçã!”



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Curso

Introdução a Neuroanatomia Descritiva e Funcional
Prof. Dr. Norberto. C. Coimbra & Profa. Dra. Silvia H. Cardoso

Instituto Edumed para Educação em Medicina e Saúde

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e UNICAMP

CULPA:

Uma abordagem Neuroanatômica e Funcional
Sonia Maria Coutinho Orquiza

Londrina – Paraná – Brasil

2003

Não fui eu quem comeu a maçã!”


Não fui eu quem cometeu o pecado original!”


ISTO É JUSTO OU INJUSTO?


Perdão,

o silêncio no cérebro

dói.
E não sei porque

estou triste!
(João Carlos Orquiza)

Dedicatória
À Profa. Dra. Silvia H. Cardoso e ao Prof. Dr. Norberto. C. Coimbra!
Não há aqui qualquer interesse em “fazer média”.

Há, sim, um profundo respeito e sincero agradecimento por seu trabalho,

especificamente relacionado ao

Curso de Neuroanatomia Descritiva e Funcional,

e também o trabalho da luta por conhecimentos

e sua difusão,

a qualquer preço e espaço.

Agradecimentos
À Espécie Humana

que nos dá a honra de ocuparmos este espaço e este tempo

histórico.
E ao meu marido, João Carlos Orquiza,

que, curioso e companheiro solidário a desafios,

acompanhou o Curso,

estimulou avanços e,

participou ativamente da evolução do tema proposto

para conclusão de curso.



SUMÁRIO


JUSTIFICATIVA 01




INTRODUÇÃO 02




1 – O INÍCIO DA CULPA: “A CONSTRUÇÃO DO CÉREBRO” 04




2 – CONCEITUANDO CULPA 06




3 – OS CIRCUITOS NEURAIS DO MEDO – uma base

          1. para o aprendizado da culpa 07

4 – SEM MEMÓRIA NÃO HÁ CULPA 09




5 – A CONSCIÊNCIA DA CULPA 11



CONCLUSÃO 13




REFERÊNCIAS SOBRE CITAÇÕES 14




JUSTIFICATIVA

“CULPA”.
Para minha surpresa, o tema proposto para conclusão do Curso de Neuroanatomia Descritiva e Funcional, além de motivador e instigante, desafia as fronteiras e limites do já conhecido.


“Quebra-se cabeça”. Busca-se literatura e mais literatura e mais literatura, neste vasto e inesgotável mar virtual que é a web. Cada “fio de linha” puxado, traz outro, outro e mais outro. Tornando-se um emaranhado, uma teia insidiosa.
O tempo necessário para construir hipóteses, imaginar caminhos, buscar literatura, trabalhá-la e arrancar de todos estes dados um simples texto é maior do que o disponibilizado.
Em verdade, não sei se o tempo é limitado para a proposta, ou se a proposta é muito abrangente para o tempo ofertado.
Áreas de meu lobo pré-frontal, respaldadas no sistema límbico, raciocinaram e decidiram usar uma estratégia eficaz: apresentar literaturas na íntegra, na expectativa de “costurar” um raciocínio inicial e trabalhá-lo para conseguir chegar a conclusões desejadas.
Abusando do tema “culpa”, peço licença, compreensão e, talvez, desculpas por decidir por este caminho.
Porém acredito, sinceramente, ser eficaz.

INTRODUÇÃO

“CULPA” não existe originalmente!


É resultado de uma “evolução adaptativa social da espécie humana”, só possível, por existirem estruturas neuroanatômicas e funcionais de suporte em organismos desta espécie.
A ESPÉCIE HUMANA se exilou de seu rumo “natural” no Planeta Terra, infringindo, há milhares de anos, leis ecológicas (“cadeia alimentar”) que controlam o limite da quantidade de seres de cada espécie em uma determinada área, necessárias para um equilíbrio entre as inúmeras espécies ou “homeostase planetária”.
Com a evolução adaptativa surge o neocórtex e conseqüentemente surge também disponibilidade criativa para deixar sua condição “natural e obrigatória” de vida em pequenos bandos caçadores e coletores, o que limitava o número de seres da espécie, em virtude das adversidades desta condição.
A “descoberta” da agricultura e pastoreio (resultado da evolução do neocórtex?), há milhares de anos, favoreceu o crescimento populacional desenfreado da espécie humana (mais de seis bilhões de seres, hoje).
Antes da agricultura e pastoreio, seres humanos viviam em pequenos bandos. Sobreviviam caçando suas presas e coletando frutos e plantas nativas, ao mesmo tempo em que fugiam de seus predadores naturais, ou lutavam com eles. Não havia necessidade de “criação” de regras morais e éticas, pois, em pequenos bandos, a homeostase do grupo é resultado de ações simples e diretas. Todos se conhecem e hierarquias naturais proporcionam este equilíbrio.
Todas as espécies que habitam o planeta terra, de um vírus ao Homo Sapiens, são “obrigadas” a obedecer regras da “cadeia alimentar“, a qual favorece o equilíbrio em números de habitantes por área ocupada. Se determinada espécie encontra alimento em abundância, favorecendo seu crescimento populacional, imediatamente seu predador natural cuida de eliminar o excesso, restabelecendo assim o número de seres adequado por área ocupada.
A “descoberta” da agricultura e pastoreio favoreceu o fim da limitação de alimento, e a conseqüente quebra da regra ecológica citada. Aliado a agricultura e ao pastoreio surge também o aprimoramento e uso eficaz de ferramentas mortais contra seus predadores, direcionando a espécie Homo sapiens a um crescimento populacional “não natural”, desequilibrado ecologicamente.
Nessas eras, a espécie Homo sapiens, favorecida pela evolução do neocórtex e sem qualquer “consciência” ou conhecimento do que faziam, proporcionaram o verdadeiro “PECADO ORIGINAL”: um aumento populacional desenfreado, em um brevíssimo espaço de tempo histórico, quando comparado com o tempo necessário para chegar a 2003 anos atrás.
2003 anos atrás, já havia aproximadamente 300.000 seres da espécie humana, vivendo em pequenos bandos, espalhados por áreas do planeta terra.
Os mamíferos surgiram a 60 milhões de anos.
Os primatas, a 3 ou 5 milhões de anos.
E em apenas 2003 anos o número de seres da espécie humana já ultrapassou 6 bilhões (não caça, nem coleta; vai a hipermercados...).
Com o aumento populacional brevíssimo dessa espécie, como impor limites de sobrevivência mútua que passam aos milhares um ao lado do outro, sem ao menos se conhecerem?
Surgiram condições para sua própria destruição, uma vez que ações simples e diretas de hierarquia como aquelas que existem em pequenos bandos foram abolidas.

Como evitar o incesto? Como evitar agressões e assassinatos gratuitos? Quem já teve oportunidade de caminhar por ruas centrais da cidade de São Paulo próximo de 18:00 horas, em final de expediente de trabalho?


A resultante entre bilhões de seres humanos que surgiram em um ínfimo espaço de tempo exigiu uma rápida e inevitável adaptação evolutiva para promover convivência mínima.
Favoreceu um “ajuste emocional”.
Para Damásio “as regiões pré-frontais paralímbicas e os córtices orbitofrontais são áreas encarregadas de corrigir as respostas emocionais e modificar o comportamento de acordo com o meio ambiente”.
Para Eric Berne “estas citadas áreas encefálicas seriam encarregadas de transformar as emoções naturais do ser humano em falsas emoções substitutivas sobre a pressão dos mandamentos e argumentos familiares e sócio-culturais e tomada de decisão, o cérebro moral”.
Comportamentos e sentimentos de culpa são aprendidos. São conceitos éticos e morais necessários para o equilíbrio populacional da espécie humana, após o “PECADO ORIGINAL”. São necessários para a adaptação evolutiva em um novo contexto.

Segundo Green, “na perspectiva darwinista, o homem está próximo de seus ancestrais símios e partilha com os chipanzés 99% de sua carga genética. Este 1% de genes que os diferenciam, esta pequena diferença quantitativa no plano biológico, pode traduzir-se em mudanças qualitativas fundamentais e é nesta diferença que encontramos as condições biológicas de sua hominização.

Ainda segundo Green, “trabalhos etológicos mostram que entre os macacos há sistemas de comunicação mas nenhuma estrutura de linguagem, hierarquizada. Que as habilidades que desenvolvem não são transmitidas. Que manipulam objetos mas são incapazes de confeccionar instrumentos e que estes rudimentos nunca são conservados. Que há condutas ritualizadas mas nunca cerimoniais e rituais. Que há limitações para o acasalamento consangüíneo, mas nunca proibições. Que não há culpa que acompanhe suas ações agressivas ou “transgressivas”. Que há percepção mas não reconhecimento de si próprio”.

(Grifos meus).



1 – O INÍCIO DA CULPA: “A CONSTRUÇÃO DO CÉREBRO”

Em 1 quilo e 500 gramas de cérebro, a massa encefálica de um adulto, 100 bilhões de células nervosas estão em atividade. Cada uma liga-se a milhares de outras em mais de 100 trilhões de conexões. A trama é precisa e delicada. Graças a ela, o homem pensa, raciocina, lembra. Enxerga, ouve, aprende. Emociona-se. Essa teia, porém, não vem pronta e acabada. Os 400 gramas de massa cinzenta de um recém-nascido guardam os neurônios de toda uma vida. As conexões, entretanto, ainda não estão totalmente desenvolvidas. E elas não são etéreas, imateriais. A diferença de peso entre o cérebro de um adulto e o de um bebê vem exatamente desse fato. As fibras nervosas capazes de ativar o cérebro têm de ser construídas, e o são pelas exigências, pelos desafios e estímulos a que uma criança é submetida, a maior parte entre o nascimento e os 4 anos de idade.” (4)
As células nervosas são minúsculas, no início da formação do cérebro. O neurônio só se concretiza quando alcança seu destino, quando se liga a outro neurônio e dessa forma sua função se estabelece.
“No sexto mês de vida intra-uterina, o bebê já possui todos os neurônios. A partir desse momento até os seis primeiros anos de vida, ocorrerá um processo chamado organização celular cerebral, em que os neurônios se agrupam de acordo com suas diferentes funções e estabelecem contatos sinápticos, possibilitando a passagem dos impulsos nervosos entre si.” (4)
“Esse processo depende estritamente da interação com o meio ambiente. Os estímulos recebidos pela criança são processados pelo sistema nervoso central e ajudam no estabelecimento de sinapses e na organização dos neurônios. A capacidade de reformulação desta estrutura cerebral é chamada de plasticidade. A plasticidade cerebral é máxima até os sete anos e, após essa idade, começa a declinar lentamente, mas persiste até a fase adulta.” (5) (Grifo meu).
O máximo que os determinantes genéticos fazem com o cérebro é dotá-lo da capacidade de sustentar a vida. Ninguém precisa aprender a manter a própria temperatura corporal ou pressão arterial. Também não se precisa ensinar um recém nascido a respirar, fazer bater o coração, recuar ante um beliscão ou sugar o leite materno. Essas capacidades, que os neurologistas chamam de reflexas, são inatas (...)” (4).
O cérebro é praticamente uma massa cinzenta, no início, sem as experiências que o fazem aprender.
“Nos bebês, o cérebro é um órgão de grande plasticidade. Seus dois hemisférios – o esquerdo e o direito – ainda não se especializaram. Isso só acontecerá entre os 5 e os 10 anos de idade. Mais ainda, dentro de cada hemisfério, no nível do córtex cerebral, não se plugaram as terminações nervosas responsáveis por dons elementares, como a fala, a visão, o tato, ou tão refinadas quanto o raciocínio matemático, o pensamento lógico ou musical. A prova? Se todas as funções cerebrais estivessem predeterminadas pelo nascimento, as crianças vítimas de uma lesão no lado esquerdo do cérebro, o responsável pela linguagem, jamais deveriam recuperar o dom da fala. Não é isso o que se observa. Os adultos, não. Sofrem seqüelas graves.” (4)
Nas crianças, as conexões entre os neurônios estão em constante formação e o período destas conexões tem prazo definido e curta duração. Vai do nascimento até poucos anos de vida, dependendo da função cerebral de que se trate. Neurobiologistas denominam a isto de “janelas de oportunidades”. Ou seja, as conexões neuronais têm períodos definidos para acontecer. O período da fala se encerra por volta dos 10 anos de vida.

”O tempo é essencial. Não se pode ultrapassar a idade de maturação cerebral, afirma o neuropediatra Mauro Muszkatm professor da Universidade Federal de São Paulo. Imagens tomográficas de cérebros de crianças desde o nascimento até os 12 meses de vida mostram esse esforço emocionante que as crianças fazem para amadurecer. Desde o nascimento, a massa encefálica vai acelerando seu nível metabólico e intensifica-se a atividade mental.” (4)


“Ao nascer, um bebê é capaz de ouvir e identificar as nuances entre fonemas de todas as línguas. Entre o sétimo e o décimo mês de vida, porém, os sons articulados pela criança já correspondem a fonemas da língua materna. Com 1 ano de vida, a criança perdeu muito a capacidade de identificar sons diferentes dos de sua língua nativa", diz o neurologista Luiz Celso Vilanova. Os bebês ficam como que surdos para sons ausentes de sua língua familiar. Na medida em que os circuitos neurais vão-se ligando, para, por exemplo, a língua portuguesa, a criança tem menos facilidade de identificar fonemas característicos de outras línguas.” (4)
“Os circuitos do Sistema Límbico, área do cérebro responsável pelo controle das emoções, estão em rede desde antes do nascimento e constituem uma das últimas janelas a se fechar - o que acontece na puberdade.” (4) (Grifos meus).
Daniel Goleman, autor do livro A Inteligência Emocional, diz que “(...) Muitas lembranças emocionais fortes datam dos primeiros anos de vida, na relação entre a criança e aqueles que cuidam dela. (...) Durante esse primeiro período de vida, outras estruturas cerebrais, em particular o hipocampo, que é crucial para as lembranças narrativas, e o neocórtex, sede do pensamento racional, ainda não se desenvolveram inteiramente. Na memória, a amígdala e o hipocampo trabalham juntos, cada um armazena e conserva independentemente sua informação. Enquanto o hipocampo retém a informação, a amígdala determina se ela tem valência emocional. Mas a amígdala que amadurece muito rápido no cérebro infantil, está muito mais próxima da forma completa no nascimento.” (6)
“O psiquiatra americano Daniel Stern diz que o cérebro usa as mesmas vias tanto para gerar como para perceber uma emoção.” (4)
E ainda Goleman, “diz que entre os 10 e 18 meses de vida, células do lobo frontal do cérebro, região responsável pelo planejamento e inibição, conectam-se aos circuitos da emoção. A teoria é de que, diante de experiências como o abraço do pai ou o beijo da mãe em resposta ao medo ou à dor, se estimulam vias neurais capazes de conferir à emoção doses de razão.” (4) (Grifos meus).
“Após dois anos, se ligam os circuitos da compreensão chamada de intelectual das frases. A criança começa a trabalhar os sentidos das palavras, a verbalizar raciocínios.” (4)
Nestes três parágrafos acima, parece estar o começo da compreensão das estruturas neuronais base para oferecer suporte a formação do que denominamos culpa.
Sugere-se que a conexão de células dos lobos frontais do cérebro, entre 10 e 18 meses de vida, com os circuitos da emoção e memória (hipocampos e complexo amigdalóide) e o amadurecimento da ligação dos circuitos da compreensão de frases após dois anos (verbalização de raciocínios e conseqüente verbalização interna) proporcionem o estabelecimento neuronal para desenvolvimento do aprendizado da culpa.

2 – CONCEITUANDO CULPA
De acordo com Oxford Learner’s Pocket Dictionary, a definição de culpa, originalmente em inglês é: Guilt – Feeling of chaim for having done wrong. Tradução: Culpa - Sentimento de vergonha por ter errado (10).

“Das representações do próprio corpo derivam também as representações de corpos alheios, ou a empatia, a capacidade de se colocar no lugar de alguém. E, segundo Damásio, daí surge o comportamento ético, que garante sobrevivência com bem-estar a todo o grupo.” (12)

Para Flávio Gikovate, “o mamífero homem tem múltiplos desejos.  O principal freio à realização de alguns deles é o medo, exatamente como ocorre nas outras espécies.  Trata-se de uma defesa que faz parte do instinto de autoconservação, processo inato cuja finalidade é afastar o animal dos perigos reais.  Assim, quando um cachorro está com fome, o desejo o impulsionará na direção de algum alimento.  Se, no entanto, uma onça estiver por perto, ele fugirá, pois o medo é maior do que o desejo de comer, maior do que a fome.  Um homem sem recursos pretende assaltar um transeunte.  Nota, porém, que um carro da polícia se aproxima.  Tenderá, então, a desistir do roubo para evitar ser preso.  Nos seres humanos, o receio da represália (ou da punição divina) às vezes constitui a única barreira entre fazer e deixar de fazer.

      A razão... poderá introduzir freios mais elaborados, modificando o jeito de ser e de agir.  Esses freios não existem em todas as pessoas.  ... vamos ao primeiro degrau desse processo mais sofisticado de limitação da conduta.  Ele não se alicerça no medo.  Relaciona-se à vergonha.  Ao agir de forma censurável (por exemplo, ao roubar, chantagear, desejar uma relação sexual proibida), a pessoa teme que alguém a surpreenda.  Tal sentimento não está só ligado ao receio de represálias, mas também à possibilidade de ser desprezada ou ridicularizada pelos demais.  Nesse caso, a punição não é a prisão ou a violência; é a humilhação.

      Quando nos sentimos envergonhados, reagimos a um acontecimento externo que irá nos prejudicar.  A represália não é física e, sim, moral.  A gente não apanha; enfrenta um sorriso de desprezo, capaz de gerar um sofrimento maior do que uma surra. Evidentemente é necessária a intermediação da razão para que esse processo, ligado à vaidade e à preocupação com a nossa imagem, possa se transformar em um poderoso freio.  Nada semelhante ocorre com outros animais.  O cachorro não sente vergonha se for pego fazendo xixi no tapete da sala.  Apenas tem medo de ser castigado. 

      A reação psíquica mais sofisticada não é a vergonha; é a culpa.  Muitas pessoas usam essa palavra, mas desconhecem seu verdadeiro significado.  Acredito que a maioria dos seres humanos nunca  experimente tal sentimento.  Trata-se de uma operação elaborada que pressupõe a capacidade de se colocar no lugar do outro.  Os egoístas, por exemplo, não pensam nessa possibilidade e, conseqüentemente, não sentem culpa.  Nada impede, porém, que usem a expressão: Estou arrependido pelo que aconteceu. Não basta dizer. É preciso agir de acordo. Devemos nos guiar mais pelas ações do que pelas palavras das pessoas.

      Quando me coloco no lugar do outro e percebo que ele está sofrendo, sinto pena.  Se concluir que foi meu comportamento a causar uma dor indevida, a pena se transforma numa tristeza profunda.  A essa emoção chamamos de culpa.  Ela é nosso maior freio, um freio interno poderosíssimo, que torna o errar realmente humano.  Imagine a cena.  Um rapaz se prepara para dar um soco.  No momento de agir, pensa na situação inversa: vê o golpe atingindo o seu próprio rosto e experimenta a mesma dor que ia provocar.  Sofre e, ao sofrer, o braço se paralisa... Vivenciar o papel da vítima freia a ação violenta.” (11)

“Lesões cerebrais, como no caso dos pacientes com dano na área pré-frontal... impedem a capacidade de sentir vergonha ou culpa.” (12)

Assim, culpa, nesse trabalho é o processo de colocar-se no lugar do outro e sentir a sua dor causada por mim. Por isso tenho medo de sentir culpa, pois fico muito, muito triste, tanto que dói.

3 - OS CIRCUITOS NEURAIS DO MEDO – uma base para o aprendizado da culpa

“O medo origina-se do contato do organismo com dois tipos de sinais de perigo: os inatos e os aprendidos. Os inatos dizem respeito àquelas situações que, ao longo da evolução filogenética, foram selecionadas como fontes de ameaça à sobrevivência da espécie. A presença de um gato, ou apenas o seu odor, é sinal de perigo para ratos que jamais tiveram contato prévio com felinos. O mesmo ocorre em macacos diante de cobras e em bebês humanos expostos a ruídos intensos ou postos em lugares altos.

Outros estímulos podem passar a sinalizar perigo através de um processo de aprendizagem chamado condicionamento clássico de medo. Isso acontece quando estímulos em geral inofensivos são associados a estímulos aversivos, em especial os que deflagram dor. Um animal, por exemplo, passará a expressar medo diante de um som que tenha sido previamente associado à aplicação de choques elétricos. De modo semelhante, crianças podem ficar amedrontadas na presença de alguém ou algo que anteriormente causou dor ou extremo desconforto a elas. Finalmente, novos medos podem ser adquiridos, ao longo da história particular de cada um, através de certas relações sociais que também envolvem aprendizagem do tipo associativa.

Sabe-se hoje que as relações entre o cérebro e o comportamento seguem um caminho de duas mãos: não só o cérebro altera o comportamento, mas este também altera o cérebro. Isso só é possível graças à enorme plasticidade dos neurônios.

Embora os estímulos ambientais que geram medo em humanos, macacos, ratos ou aves possam ser fisicamente diferentes, eles são funcionalmente equivalentes, pois representam fontes de perigo ou ameaça à integridade do organismo, e as estruturas cerebrais que ativam são as mesmas em todos os mamíferos. Tal circuito cerebral é composto principalmente por amígdala, hipotálamo e matéria cinzenta periaquedutal. A estimulação elétrica ou química dessas áreas induz padrões de comportamento defensivo (típicos de cada espécie) em animais e manifestações comportamentais e subjetivas de medo e ansiedade em humanos.

O caminho neural do medo começa nos órgãos dos sentidos, que captam os estímulos ambientais de perigo e os transmitem ao tálamo, estrutura cerebral que atua como uma agência de correio. Sem saber o conteúdo, o tálamo posta a mensagem e a envia a dois endereços: a amígdala e as áreas sensoriais do córtex. É a amígdala, estrutura em forma de amêndoa situada no interior dos lobos temporais, que processa e comanda as reações fisiológicas e comportamentais de medo. Se as sinapses formam uma orquestra, a amígdala é a maestrina que rege a maneira como reagimos aos sinais de perigo que aparecem no ambiente.

A mensagem vinda do tálamo atinge os núcleos laterais da amígdala (sua porta de entrada) e é detectada. A amígdala faz, então, uma leitura tosca, mas essencial à sobrevivência: você está em perigo!

Em seguida, organiza uma série de respostas fisiológicas e comportamentais para a defesa do organismo, disparando, através de seu núcleo central (a porta de saída), uma ordem de comando para duas outras estruturas do cérebro, a matéria cinzenta periaquedutal e o hipotálamo.

A primeira delas, situada às margens do aqueduto que liga o terceiro ao quarto ventrículo cerebral, dispara as reações comportamentais imediatas e típicas de defesa - de uma simples inibição até padrões de fuga ou luta. Essa matéria cinzenta parece ainda estar envolvida no controle das respostas coordenadas dos músculos do rosto, que formam a expressão facial de medo. O hipotálamo, pequena estrutura situada logo abaixo ao tálamo, também tem extrema importância nas reações de medo. Sua porção lateral, em particular, envia impulsos nervosos, através da medula espinhal, para as glândulas supra-renais, que então liberam adrenalina, fazendo todo o corpo trabalhar em ritmo mais acelerado.

Tudo isso ocorre em milionésimos de segundo. Alguns pesquisadores acreditam que o cérebro detecta certos sinais de perigo e organiza os padrões de fuga/luta antes que tenhamos a consciência plena do estímulo causador do medo... uma pessoa que, ao caminhar em uma mata onde pode haver cobras, depara-se subitamente com um objeto fino e recurvo, como uma serpente. Imediatamente, diante do sinal de perigo potencial, são disparadas as respostas fisiológicas e comportamentais (corporais e faciais) típicas do medo.

Alguns milésimos de segundo depois, porém, a pessoa pode perceber que não se trata de uma serpente, mas de um galho seco retorcido. Esse tipo de análise mais refinada, feita pelas áreas sensoriais do córtex cerebral, percorre o seguinte trajeto: os impulsos nervosos que levam o sinal de perigo chegam ao tálamo, passam pelo córtex cerebral e, de lá, são repassados à amígdala. Por percorrer um trajeto um pouco mais longo, a informação de que não se trata de uma serpente demora mais para chegar à amígdala do que o sinal básico de perigo, vindo diretamente do tálamo.

O balanço entre essas duas informações - uma tosca e extremamente rápida e a outra refinada e mais lenta - representa uma clara vantagem evolutiva (já que ajuda a escapar de possíveis ameaças à integridade física). É muito mais vantajosa uma reação pronta de defesa a um galho que lembra uma cobra do que um atraso de alguns milésimos de segundo na decisão de fuga ou luta diante de uma cobra real.

Assim, a função do córtex nesse processo seria a de inibir a reação inadequada, o que sugere que as reações emocionais ligadas ao medo independem dos processos ligados à atividade consciente. Ou seja, o reconhecimento do sinal de perigo e a reação imediata parecem não envolver o pensamento consciente, enquanto a inibição destas respostas depende de processos cognitivos." (13)

Repensando Mello Cruz, sugere-se que pensamentos (conexões entre fibras de associação, baseados na linguagem verbal interna, dirigida pelas projeções ao córtex préfrontal), memórias de imagens, sons, odores, sensibilidade tátil entre outras possam emitir sinais internos para o complexo amigdalóide via tálamo, criando reconhecimento e manifestações de sinais de perigo. Viabilizando, dessa forma, possíveis caminhos neurais para culpa.


“... Cada vez que um determinado impulso sensorial particular passa através de uma seqüência de sinapses, essas sinapses tornam-se mais capazes de transmitir o mesmo impulso da próxima vez, processo este conhecido como facilitação. Após o impulso sensorial ter passado através da sinapse um grande número de vezes, as sinapses tornam-se tão facilitadas que os impulsos gerados dentro do próprio encéfalo também podem causar transmissão de impulsos através da mesma seqüência de sinapses, mesmo sem a entrada de estímulo sensorial. Isto dá a pessoa a sensação de experimentar a situação original, embora, na realidade, se trate apenas da memória daquela sensação”. (7)

4 – SEM MEMÓRIA NÃO HÁ CULPA

“Considerando-se o conteúdo que revelam, há basicamente dois grandes tipos de memórias: as declarativas ou explícitas, que são aquelas que nós humanos podemos relatar e reconhecemos como memórias, e as memórias de procedimentos ou implícitas, que muitos denominam também hábitos, e que adquirimos e evocamos de maneira mais ou menos automática. A memória de um texto, de um fato, de um evento, de muitos fatos, do rosto de um ser querido, de toda a medicina são memórias declarativas. A memória de como se faz para caminhar, para nadar, ou para reconhecer, por exemplo, que, nas listas telefônicas, as iniciais costumam estar à direita, são memórias implícitas.


Na memória declarativa participam várias regiões corticais (pré-frontal, entorrinal, parietal etc.) e, fundamentalmente, o hipocampo, uma região cortical filogeneticamente antiga localizada no lobo temporal. As memórias implícitas ou hábitos envolvem em diversos casos algumas dessas áreas, mas dependem fundamentalmente de circuitos subcorticais (núcleo caudato, pallidum) ou cerebelares.
Do ponto de vista da função, há um tipo de memória que é crucial tanto no momento da aquisição como no momento da evocação de toda e qualquer memória, declarativa ou não: a “memória de trabalho”. Operacionalmente, representa aquilo que a memória RAM representa nos computadores: mantém a informação “viva” durante segundos ou poucos minutos, enquanto ela está sendo percebida ou processada. Essa forma de memória é sustentada pela atividade elétrica de neurônios do córtex pré-frontal (a área do lobo frontal anterior ao córtex motor). Esses neurônios interagem com outros, através do córtex entorrinal, inclusive do hipocampo e do córtex entorrinal, durante a percepção, aquisição o ou evocação. Através dessa interação determinam, por exemplo, se uma dada informação é nova e convém guardá-la, ou se já existe e deve ser evocada. A atividade desses neurônios é regulada por vias dopaminérgicas e outras, tanto no nível do córtex pré-frontal como no hipocampo e do córtex entorrinal. A memória de trabalho dura segundos e não deixa traços: depende exclusivamente da atividade neuronal on line. As memórias que deixam traços denominam-se “memória de curta duração” e “memória de longa duração”. A de longa duração é aquela que dura muitas horas, dias ou anos. Não se forma instantaneamente: o processo de formação ou consolidação dessa memória requer uma seqüência de passos moleculares que dura várias horas, durante as quais é suscetível a numerosas influências. A memória de curta duração é o processo ou conjunto de processos que mantém a memória funcionando durante essas horas em que a de longa duração não adquiriu sua forma definitiva.
A construção da memória de longa duração - o hipocampo é a estrutura central da formação de memórias declarativas. Dentro do hipocampo, a região-chave é sua porção mais medial, denominada subárea CA1. Essa região não funciona isoladamente; é parte de um circuito que envolve o neocórtex temporal vizinho (córtex entorrinal), e mais duas subáreas hipocampais: o gyrus dentatus e a subárea CA3. CA1 projeta-se, por sua vez, basicamente ao córtex entorrinal, formando assim um circuito reverberante funcionalmente ativo. Por sua vez, o córtex entorrinal recebe fibras de, e emite fibras a: 1) vários núcleos da amígdala e do septum, que registram a cor emocional das memórias e regulam a função hipocampal; 2) o córtex pré-frontal anterolateral, que é essencial para a memória de trabalho (aquela que mantém a informação on line enquanto está sendo processada); 3) o córtex parietal associativo; 4) a maior parte do córtex sensorial. Assim, CA1 está interligado a todas as regiões do cérebro que registram qualquer tipo de experiência, às que determinam se essas experiências são novas ou não, e às que lhes dão um tom emocional. O hipocampo, a amígdala e o córtex entorrinal, pré-frontal e parietal, recebem também terminações de vias nervosas vinculadas com o “afeto”, os estados de consciência - maior ou menor grau de “alerta” - e ao registro de, e resposta a, estímulos que podem produzir “ansiedade” ou que o corpo considera que lhe causam “estresse”. Essas são a via dopaminérgica, a via noradrenérgica, a via serotoninérgica, e as vias colinérgicas. Seus nomes derivam dos neurotransmissores que liberam sobre seus sítios de projeção: dopamina, noradrenalina, serotonina e acetilcolina. Os sítios de origem dessas grandes vias moduladoras estão em regiões filogeneticamente antigas do tronco cerebral ou mesencéfalo. São ativadas pelas experiências mais diversas, dependendo do nível de alerta, ansiedade, emoção ou afeto das mesmas. Em todos os casos, essas vias agem sobre suas estruturas-alvo através de receptores específicos: no caso de seu efeito regulador da memória, sobre os receptores D1, beta, 5HT1A e m1, respectivamente.
A memória de curta duração - durante anos houve dúvidas acerca de se o(s) sistema(s) de memória de curta duração, que mantém a função mnemônica em operação enquanto CA1 e suas conexões vão formando cada memória de longa duração, são independentes desse último processo, ou apenas uma etapa do mesmo. Em suma, questiona-se se as memórias de curta e longa duração são etapas de um mesmo fenômeno ou, pelo contrário, são eventos paralelos, embora vinculados. O problema central nos estudos sobre memória foi formulado pela primeira vez pelo psicólogo e filósofo norte-americano William James (1842-1910) em 1890. A solução dessa questão depende de um experimento que mostre a possibilidade de obter memória de longa duração na ausência de memória de curta duração, para a mesma experiência no mesmo animal, ou de outro experimento que prove que isso é impossível. Durante décadas, a falta de drogas adequadas para realizar esses experimentos não permitiu sua realização. De posse de muitas drogas de ação molecular conhecida, conseqüência dos estudos sobre a bioquímica da memória em CA1, foi possível realizar experimentos mostrando que a segunda possibilidade é a verdadeira: a memória de curta duração abrange processos independentes e paralelos aos da formação da “memória de longa duração”, porém vinculados à última. Ao todo, o autor e seus colaboradores descreveram em 1998 mais de 10 tratamentos diferentes que, quando ministrados em CA1, no córtex entorrinal ou em outras regiões do córtex, cancelam completamente a “memória de curta duração” sem afetar a de longa duração, no mesmo animal, e para a mesma experiência. Esses achados têm implicações clínicas importantes. Em muitos casos de demência, no delírio, em alguns quadros de tumores ou lesões do lobo temporal e em vários casos de depressão, há falhas seletivas de um ou outro tipo de memória. O paciente não lembra como chegou ao consultório hoje, mas sim como chegou ontem, ou outros fatos ou eventos do dia anterior ou de horas atrás. Ou, pelo contrário, o paciente é capaz de guardar informação durante vários minutos ou umas poucas horas mas depois não lembra do acontecido.”(14)
A literatura apresentada acima tem dois objetivos: abordar as bases neurais e funcionais da memória e suas classificações e, repetindo o título deste ítem, concluir que sem todos os três tipos de memória (“trabalho”, “curta duração” e “longa duração”) não haveria estruturas neurais para a culpa.

5 – CONSCIÊNCIA DA CULPA

Culpa é uma manifestação moral empática, resultado de aprendizagem/memória, que caracteriza e distingue a espécie humana de qualquer outra espécie conhecida no planeta terra.


Existem locais para a culpa, ou consciência da culpa?
Damásio afirma: “... é com ceticismo que encaro a presunção da ciência relativamente à sua objetividade e seu caráter definitivo. Tenho dificuldade em aceitar que os resultados científicos, principalmente em neurobiologia, sejam mais do que aproximações provisórias para serem saboreadas por uns tempos e abandonadas logo que surjam melhores explicações.” (8)
A literatura consultada sugere prudência ao denominar especificamente “locais”. Haverá uma visão sempre parcial e limitada, seguindo este raciocínio. Menor margem de erro teremos se, acompanhando a experiência de Damásio, indicarmos locais que, se danificados, a culpa ou a consciência da culpa não ocorre.
Damásio, baseado em levantamento de condições neurológicas em que limitações de raciocínio/tomada de decisão e de emoções/sentimentos ocorrem, sugere o seguinte: “... existe uma região do cérebro humano, constituída pelos córtices pré-frontais ventromedianos, cuja danificação compromete de maneira consistente, de uma forma tão depurada quanto é provável poder encontrar-se, tanto o raciocínio e tomada de decisão como as emoções e sentimentos, em especial no domínio pessoal e social. Poder-se-ia dizer, metaforicamente, que a razão e a emoção se cruzam nos córtices pré-frontais ventromedianos e também na amígdala”. (8) (Grifo meu).
Sobre consciência, “... Em termos muito simplificados, o problema é o seguinte: um ser humano vê um cafezinho em frente dele, sabe que isto é um cafezinho, tem consciência também que ele é um ser humano que está olhando um cafezinho; um gorila vê uma banana, sabe que isto é uma banana, mas não tem consciência que ele é um gorila que está olhando uma banana. O ser humano tem consciência; sabe que ele é uma pessoa, um self (um eu) no ato de conhecer alguma coisa. O gorila não possui consciência; não sabe que ele é um gorila, um animal, no ato de conhecer alguma coisa.” (9)
“O ser humano coloca essas coisas no contexto do seu passado, do seu presente e do seu futuro antecipado. Tudo isto constitui o seu eu autobiográfico. O gorila vive num presente mais ou menos perpétuo; o seu passado é primitivo e muito limitado, e ele não tem um conceito do futuro nem um eu autobiográfico. Para utilizar a terminologia de Damásio, o gorila tem core consciousnes (consciência núcleo), mas não possui extended consciousnes (consciência extensiva). O extended consciousness do homem permite que ele possa ter uma consciência moral e um sentimento de culpa, e exercer criatividade artística, e fazer estudos científicos.” (9)

CONCLUSÃO

A culpa parece existir na espécie “Homo Sapiens”, primeiro como resultado da diferença a seu favor de 1% de genes, que pode ter possibilitado a evolução e conseqüente desenvolvimento funcional do neocórtex (fala, linguagem-verbal, linguagem-verbal interna, pensamentos, sentimentos e suas conexões funcionais com estruturas já adquiridas durante a evolução filogenética, emoções e estruturas inatas próprias para o favorecimento da homeostasia basal).


Segundo, a “descoberta” da agricultura e pastoreio (genuínas atividades da espécie “Homo Sapiens”) e a quebra da lei ecológica/biológica (“cadeia alimentar”), que regula o limite de tamanho populacional de todas as espécies do “Planeta Terra”, gerando um crescimento desproporcional e incontrolável de indivíduos da espécie em um ínfimo espaço de tempo histórico.
Terceiro, a necessária e rápida adaptação da espécie “Homo Sapiens” a esta nova condição de bilhões de seres, favoreceu o desenvolvimento de sistemas neuronais, especialmente o sistema de culpa, fundamentais para manter o equilíbrio entre os indivíduos e a não autodestruição.

REFERÊNCIAS SOBRE CITAÇÕES



  1. “Neuroanatomía Funcional Con Especial Enfoque a La CPF”, Fabio Sergio Celnikier, Médico, Psiquiatra, Master em Psiconeuroimunoendocrinologia. Médico egresado de la Universidad de Buenos Aires. Especialista en Psiquiatría. Título expedido por el  Ministerio de Salud y Acción Social de la República Argentina. Master en PNIE, egresado de la Universidad Favaloro. Maestría Clase "A" según CONEAU

  2. Psiquiatra e Psicanalista, Médico Assistente Comissionado do Instituto de Psiquiatria do HC – FMUSP, Supervisor de Psiquiatras-Residentes e Membro da Escola Brasileira de Psicanálise, Seção São Paulo.

  3. Green, A. Corpo e Mente:uma fronteira móvel. São Paulo, Casa do Psicólogo,1985.

  4. Matéria publicada na Revista Veja (Editora Abril) - 20 de março de 1996 – Projeto Criança, Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, http://www.brasil.terravista.pt/Ipanema/2172/cerebro.htm

  5. Olivier, C.E. Puericultura: preparando o futuro para seu filho. http://www.docsystems.med.br, Médico especialista em Pediatria pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

  6. (Site Canal Saúde: http://www.escelsanet.com.br/sitesaude/artigos_cadastrados/artigo.asp?art=583 – A Importância das emoções na infãncia – Profa. Dra. Kathy Amorim - Psicóloga e psicoterapeuta, Professora do departamento de psicologia da UFES)

  7. (Revista eletrônica do Departamento de Química – UFSC, Neuroquímica: a química do cérebro. http://qmc.ufsc.br/qmcweb/artigos/neuroquimica.html)

  8. DAMÁSIO, António R. O Erro de Descartes: Emoção, Razão e o Cérebro Humano, 1996. 330p.

  9. Djalma, V. S. e Chapman, A.H. THE FEELING OF WHAT HAPPENS: BODY AND EMOTION IN THE MAKING OF CONSCIOUSNESS. ANTONIO R. DAMASIO. UM VOLUME (16x24 CM) COM 385 PÁGINAS. ISBN 0-15-100369-6. NEW YORK, 1999: HARTCOUT BRACE AND COMPANY (15 EAST 26TH STREET, NEW YORK NY 10010 USA). Associação Arquivos de Neuro-Psiquiatria – Análise de Livros. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2001000500038&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

10. Oxford Learner’s Pocket Dictionary, Oxford University Press, 1992.

11. Flávio Gikovate é médico psiquiatra, diretor do Instituto de Psicoterapia de São Paulo e autor de vários livros, entre eles Ser Livre e Homem, o Sexo Frágil?



12. Antonio Damasio. Looking for Spinoza - Joy, Sorrow, and the Feeling Brain (Procurando Spinoza: alegria, tristeza e o cérebro que sente). 2003. 355 págs.

  1. CIÊNCIA HOJE - vol. 29 - nº 174. Antonio Pedro de Mello Cruz. Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília. J. Landeira-Fernandez, Departamento de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Psicologia, Universidade Estácio de Sá.

  2. CIÊNCIA HOJE • v o l . 25 • n º 148. Iván Izquierdo. Departamento de Bioquímica, Instituto de Ciências Básicas da Saúde, Universidade Federal do Rio Grande do Sul





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