Neuroanatomia funcional



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MACHADO, Angelo B. M. Anatomia macroscópica do tronco encefálico. In:_______ Neuroanatomia funcional. 2.ed. São Paulo: Atheneu, 2003. cap. IV p. 25-30

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C a p i t u I o 4

Anatomia macroscópica do tronco Encefálico

1.0- Generalidades

O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-se ventralmente ao cerebelo. Na sua constituição entram corpos de neurônios que se agrupam em núcleos e fibras nervosas, que se agrupam em feixes 'denominados tractos, fascícules ou lemniscos. Estes elementos da estrutura interna do tronco encefálico podem estar relacionados com relevos, ou depressões de sua superfície, os quais devem ser identificados pelo aluno nas peças anatômicas com o auxilio das figuras e das descrições apresentadas neste capitulo. O conhecimento dos principais acidentes da superfície do tronco encefálico, como alias de todo o sistema nervoso central, é muito importante para o estudo de sua estrutura e função. Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem ou emitem fibras nervosas que entram na constituição dos nervos cranianos. 12 pares de nervos cranianos? 10 fazem conexão no tronco encefálico. A identificação destes nervos e de sua emergência do tronco encefálico é um aspecto importante do estudo deste segmento do sistema nervoso central. Convém lembrar, entretanto, que nem sempre é possível observar todos os nervos cranianos nas peças anatômicas rotineiras, pois, frequentemente alguns são arrancados durante a retirada dos encéfalos.

O tronco encefálico se divide em bulbo, situado caudalmente; mesencéfalo, situado cranialmente; e ponte, situada entre ambos. A seguir será feito o estudo da morfologia externa de cada uma destas partes.

2.0 — Bulbo (fig. 4.1 e 4.2)

O bulbo raquídeo ou medula oblonga tem a forma de um tronco de cone, cuja extremidade menor se continua caudalmente com a medula espinhal. Como não existe uma linha de demarcação nítida entre medula e bulbo, considera-se que o limite entre eles está em um piano horizontal que passa imediatamente acima do filamento radicular mais cranial do 1.° nervo cervical, o que corresponde ao nível do forame magno do osso occipital. O limite superior do bulbo se faz em um sulco horizontal visível no contorno ventral do órgão, o sulco bulbo-pontino, que corresponde à margem inferior da ponte. A superfície do bulbo é percorrida longitudinalmente por sulcos ora mais, ora menos paralelos que se continuam com os sulcos da medula. Estes sulcos delimitam as áreas anterior (ventral), lateral e posterior (dorsal) do bulbo, que vistas pela superfície aparecem como uma continuação direta dos funículos da medula. A Fissura mediana anterior termina cranialmente em uma depressão denominada forame cego (fig. 4.1). De cada lado da fissura mediana anterior existe uma eminência alongada, a pirâmide, formada por um feixe compacto de fibras nervosas descendentes que ligam as áreas motoras do cérebro aos neurônios motores da medula e que será estudado com o nome de tracto côrtico-espinhal, ou tracto piramidal. Na parte caudal do bulbo, fibras deste tracto cruzam obliquoamente o plano mediano em feixes interdigitados que obliteram a fissura a medida anterior e constituem a decussação das pirâmides. (fig. 4.1). Entre os sulcos lateral anterior e lateral posterior temos a área lateral. 

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do bulbo, onde se observa uma eminência oval, a oliva (fig. 4.1.), formada por uma grande massa de substância cinzenta, o núcleo olivar inferior, situado logo abaixo da superfície. Ventralmente à oliva emergem do sulco lateral anterior os filamentos radiculares do nervo hipoglosso, XII par craniano. Do sulco lateral posterior emergem os filamentos radiculares que se unem para formar os nervos glossofaríngeo (IX par) e vago (X par), além dos filamentos que constituem a raiz craniana ou bulbar do nervo acessório [XI par), a qual se une com a raiz espinhal, proveniente da medula (fig. 4.1).

A metade caudal do bulbo ou porção fechada do bulbo é percorrida por um estreito canal (fig. 7.4) continuação direta do canal central da medula. Este canal se abre para formar o IV ventrículo, cujo assoaIho é em parte constituído pela metade rostral, ou porção aberta do bulbo (fig. 4.2). O sulco mediano posterior (fig. 4.2) termina a meia altura do bulbo em virtude do afastamento de seus lábios que contribuem para a formação dos limites laterais do IV ventrículo. Entre este sulco e o sulco lateral posterior esta situada a área posterior do bulbo, continuação do funículo posterior da medula e, como este, dividida em jasciculo grácil e fascículo cuneiforme pelo sulco intermédio posterior (fig. 4.2). Estes fascículos são constituídos por fibras nervosas ascendentes, proveni-1 entes da medula, que terminam em duas massas L de substância cinzenta, os núcleos grácil e cuneiforme, situados na parte mais cranial dos respectivos fascículos, onde determinam o aparecimento de duas eminências, o tubérculo do núcleo grácil, medialmente, e o tubérculo do núcleo cuneiforme, lateralmente (fig.4.2). Em virtude do aparecimento do IV ventrículo » os tubérculos do núcleo grácil e do núcleo cuneiforme' afastam-se lateralmente como os dois ramos de um V e gradualmente se continuam para cima com o pedúnculo cerebelar inferior (ou corpo restiforme). Este é formado por um grosso feixe de fibras que forma as bordas laterais da metade caudal do IV ventrículo, fletindo-se dorsalmente para penetrar no cerebelo (fig.4.2).

3.0 — Ponte (figs. 4.1 e 4.2)

Ponte é a parte do tronco encefálico interpostal entre o bulbo e o mesencéfalo. Está situada ventral-ï mente ao cerebelo e repousa sobre a parte basilar do.1 osso occipital e o dorso da sela túrcica do esfenóide Sua base, situada ventralmente, apresenta estriação transversal devido à presença de numerosos feixes de fibras transversais que a percorrem. Estas fibras convergem de cada lado para formar um volumoso feixe,

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o pedúnculo cerebelar médio (ou braço da ponte), que penetra no hemisfério cerebelar correspondente. Considera-se como limite entre a ponte e a abraço da ponte o ponto de emergência do nervo trigêmeo, V par craniano (fig. 4.1). Esta emergência se faz por duas raízes, uma maior, ou raiz sensitiva do nervo trigêmeo, e outra menor, ou raiz motora do nervo trigêmeo (fig.4.1). Percorrendo longitudinalmente a superfície ventral da ponte existe um sulco, o sulco basilar fig. 4.1), que geralmente aloja a artéria basilar (fig. 9.1).

A parte ventral da ponte é separada do bulbo pelo sulco bulbo-pontino, de onde emergem de cada lado a partir da linha mediana o VI, VII e VIII pares cranianos (fig. 4.1). O VI par, nervo aducente, emerge entre a ponte e a pirâmide do bulbo. O VIII par, nervo vestíbulo-coclear, emerge lateralmente próximo a um pequeno lóbulo do cerebelo, denominado floculo. O VII par, nervo facial, emerge medialmente ao VIII par, qual o qual mantém relações muito intimas. Entre os dois emerge o nervo intermédio, que é a raiz sensitiva do VII par, de identificação às vezes difícil nas peças de rotina.

A parte dorsal da ponte não apresenta linha de demarcação com a parte dorsal da porção aberta do bulbo, constituindo ambas o assoalho do IV ventrículo.

4.0 — Quarto ventrículo (figs. 4.2, 5.2, 7.7.)

4.1 — Situação e comunicações

A cavidade do rombencéfalo tem uma forma losângica e é denominada quarto ventrículo, situado entre o bulbo e a ponte ventralmente, e o cerebelo, dorsalmente (fig. 5.2). Continua-se causalmente com o canal central do bulbo e cranialmente com o aqueduto cerebral, cavidade do mesencéfalo, através da qual o IV ventrículo se comunica com o III ventrículo (fig. 7.4). A cavidade do IV ventrículo se prolonga de cada lado para formar os recessos laterais, situados na superfície dorsal do pedúnculo cerebelar inferior (fig.4.2). Estes recessos se comunicam de cada lado com o espaço subaracnóideo por meio das aberturas laterais do IV ventrículo (forames de Luschka). Há também uma abertura mediana do IV ventrículo (forame de Magendie), situado no meio da metade caudal do tecto do ventrículo. Por meio destas cavidades o liquido cérebro-espinhal, que enche a cavidade ventricular, passa para o espaço subaracnóideo (fig. 8.3).

4.2 — Assoalho do IV ventrículo (fig. 4.2)

0 assoalho do IV ventrículo, ou fossa romboide, tem forma losângica e é formado pela parte dorsal da ponte e da porção aberta do bulbo. Limita-se inferolateralmente pelos pedúnculos cerebelares inferiores e pelos tubérculos do núcleo grácil e do núcleo cunéiforme. Supero-lateralmente limita-se pelos pedúnculos cerebelares superiores, ou braços conjuntivos, compactos feixes de fibras nervosas que, saindo de cada hemisfério cerebelar, fletem-se cranialmente e convergem para penetrar no mesencéfalo (fig. 4.2). O assoalho do IV ventrículo é percorrido em toda sua extensão pelo sulco mediano, que se perde cranialmente no aqueduto cerebral e caudalmente no canal central do bulbo. De cada lado do sulco mediano há uma eminência, a eminência medial, limitada lateralmente pelo sulco limitante. Este sulco, já estudado a proposito da embriologia do sistema nervoso central, separa os núcleos motores derivados da lâmina alar e situados medialmente, dos núcleos sensitivos derivados da lâmina alar e situados lateralmente. De cada lado o sulco limitante se alarga para constituir duas depressões, a fóvea superior e a fóvea inferior, situadas respectivamente nas metades cranial e caudal da fossa romboide (fig. 4.2). Medialmente à fóvea superior a eminência medial dilata-se para constituir de cada lado uma elevação arredondada, o colículo facial, formado por fibras do nervo facial que neste nível contornam o núcleo do nervo abducente. Na parte caudal da eminência medial observa-se, de cada lado, uma pequena área triangular de vértice inferior, o trígono do nervo hipoglosso, correspondente ao núcleo do nervo hipoglosso. Lateralmente ao trígono do nervo hipoglosso e caudalmente à fóvea inferior, existe uma outra área triangular de coloração ligeiramente acinzentada, o trígono do nervo vago, que corresponde ao núcleo dorsal do vago (Nota : *) Lateralmente ao sulco limitante e estendendo-se de cada lado em direção aos recessos laterais há uma grande área triangular, a área vestibular, correspondendo aos núcleos vestibulares do nervo vestibulo-coclear. Cruzando transversalmente a área vestibular para se perderem no sulco mediano, frequentemente existem finas cordas de fibras nervosas que constituem as estrias medulares do IV ventrículo. Estendendo-se do fóvea superior em direção ao aqueduto cerebral, lateralmente à eminência medial, encontra-se o Locus-ceruleus, área de coloração ligeiramente escura, cuja função relaciona-se com o mecanismo do sono.

4.3 — Tecto do IV ventrículo (fig. 4.2)

A metade cranial do tecto do IV ventrículo é constituída por uma fina lâmina de substância branca, o

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Imagem 4.2

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véu medular superior, que se estende entre os dois pedúnculos cerebelares superiores (fig. 4.2). Na constituição da> metade caudal do tecto do IV ventrículo temos as seguintes formações (fig. 4.2) :

a) uma pequena parte da substância branca do nódulo do cerebelo

b) o véu medular inferior — formação bilateral constituída de fina lâmina branca presa medialmente às bordas laterais do nódulo do cerebelo .

c) tela corióide do IV ventrículo (fig. 4.2) — que une as duas formações anteriores às bordas da metade caudal do assoalho do IV ventrículo. (Nota :*)

A tela corióide é formada pela união do epitélio ependimário, que reveste internamente o ventrículo, com a pia-mater, que reforça externamente este epitélio ( Nota :**). A tela corióide emite projeções irregulares, e muito vascularizadas, que se invaginam na cavidade ventricular para formar o plexo corióide do IV ventrílo. A imaginação se dá ao longo de duas linhas verti- cais situadas próximo ao piano mediano que encontram perpendicularmente com uma linha horizontal, que se dirige, de cada lado, para os recessos laterais. Assim, o plexo corióide do IV ventrículo tem em conjunto a forma de um T, cujo braço vertical é duplo (fig 4.2).

Os plexos corióides produzem o liquido cérebro-espinhal se acumula na cavidade ventricular, passando ao espaço subaracnóideo através das aberturas I laterais e da abertura mediana do IV ventrículo; esta ultima, situada na parte caudal da tela corióide é de difícil visualização nas peças usuais. Através das aberturas laterais próximo do flóculo do cerebelo exterio- riza-se uma pequena porção do plexo corióide do IV ventrículo (fig. 4.1, 8.3).

5.0 — Mesencéfalo (figs. 4.1., 4.2 e 4.3)

5.1 — Limites e divisão

O mesencéfalo interpõe-se entre a ponte e o cérebro, do qual é separado por um piano que liga os corpos mamilares. pertencentes ao diencéfalo, à comissura posterior. É atravessado por um estreito canal, o aqueduto cerebral( fig.. 4.3, 7.4) que une o II ao IV ventrículo. A parte do mesencéfalo situada dorsalmente ao aqueduto é o tecto do mesencéfalo (fig. 4.3); ventralmente temos os dois pedúnculos cerebrais que, por sua vez, se dividem em uma parte dorsal, predominantemente celular, o tegmento e outra ventral, formada de fibras longitudinais, a base do pedúnculo (fig. 4.3). Em uma secção transversal do mesencéfalo vê-se que o tegmento é separado da base por uma área escura, a substância negra, formada por neurônios que contém melanina. Correspondendo a substancias negra na superfície do mesencéfalo existem dois sulcos longitudinais, um lateral, sulco lateral do mesencéfalo, e outro medial, sulco medial do pedúnculo cerebral. Estes sulcos marcam na superfície o limite entre base e tegmento do pedúnculo cerebral (fig. 4.3). Do sulco medial emerge o nervo oculomotor, III par craniano (fig. 4.1).

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5.2 — Tecto do mesencéfalo (fig 4.2)

Em vista dorsal o tecto do mesencéfalo apresenta quatro eminências arredondadas, os colículos superiores e inferiores (corpos quadrigêmeos), separados por dois sulcos perpendiculares em forma de uma cruz (fig. 4.2). Na parte anterior do ramo longitudinal da cruz aloja-se o corpo pineal, que, entretanto, pertence ao diencéfalo. Caudalmente a cada colículo inferior emerge o IV par craniano, nervo troclear, muito delgado e por isto mesmo facilmente arrancado com o manuseio das peças. 0 nervo troclear, único dos pares cranianos que emerge dorsalmente, contorna o mesencéfalo para surgir ventralmente entre a ponte e o mesencéfalo (figs. 4.2, 4.1). Cada colículo se liga a uma pequena eminência oval do diencéfalo, o corpo geniculado, através de um feixe superficial de fibras nervosas que constitui o seu braço. Assim, o colículo inferior se liga ao corpo geniculado medial pelo braço do colículo inferior e o colículo superior, ao me- nos aparentemente se liga ao corpo geniculado lateral pelo braço do colículo superior, o qual tem parte do seu trajeto escondido entre o pulvinar do tálamo e o corpo geniculado medial (fig. 4.2). 0 corpo geniculado lateral nem sempre é fácil de ser identificado nas peças; um bom método para encontrá-lo consiste em procurá-lo na extremidade do tracto óptico.

5.3 — Pedünculos cerebrais (fig. 4.1)

Vistos ventralmente os pedúnculos cerebrais aparecem como dois grandes feixes de fibras que surgem na borda superior da ponte e divergem cranialmente para penetrar profundamente no cérebro. Delimitam, assim, uma profunda depressão triangular, a fossa interpeduncular, limitada anteriormente por duas eminências pertencentes ao diencéfalo, os corpos mamilares. 0 fundo da fossa interpeduncular apresenta pequenos orifícios para a passagem de vasos e denomina-se substância perfurada posterior. Como já foi exposto, do sulco longitudinal situado na face medial do pedúnculo. sulco medial do pedúnculo, emerge de cada lado o nervo oculomotor (fig. 4.1).

MACHADO, Angelo B. M. Cerebelo: Anatomia macroscópica e divisões. In:_______ Neuroanatomia funcional. 2.ed. São Paulo: Atheneu, 2003. cap. V p. 31-35

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Cerebelo: Anatomia Macroscópica e Divisões

1.0— Generalidades

O cerebelo, órgão do sistema nervoso supra-segmentar, deriva da parte dorsal do metencéfalo e fica situado dorsalmente ao bulbo e à ponte, contribuindo para a formação do tecto do 4 ventrículo. Repousa sobre a fossa cerebelar do osso occipital e está separado do lobo occipital do cérebro por uma prega da dura-mâter denominada tenda do cerebelo. Liga-se à medula e ao bulbo pelo pedúnculo cerebelar inferior e à ponte e mesencéfalo pelos pedúnculos cerebelares médio e superior respectivamente. As funções do cerebelo, relacionadas com o equilíbrio e a coordenação dos movimentos serão estudadas no capitulo 21 juntamente com sua estrutura e suas conexões.

2.0— Alguns aspectos anatômicos (figs. 5.1, 5.2, 5.3) Anatômicamente distingue-se no cerebelo uma porção ímpar e mediana. o vermis, ligado a duas grandes massas laterais, os hemisférios cerebelares (figs. 5.1 e 5.3). O vermis é pouco separado dos hemisférios na face superior do cerebelo, o que não ocorre na face inferior, onde dois sulcos bem evidentes o separam das partes laterais. Fig. 5.1 — Vista súpero-dorsal do cerebelo.

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A superfície do cerebelo apresenta sulcos de direção predominantemente transversal , que delimitam lâminas finas denominadas folhas do cerebelo. Existem também sulcos mais pronunciados, as fissuras do cerebelo, que delimitam lóbulos, cada lóbulo podendo conter varias folhas. Esta disposição, visível na superfície do cerebelo (fig. 5.1) é especialmente evidente em secções do órgão, que dão também uma idéia de sua organização interna (fig. 5.2). Vê-se assim, que o cerebelo é constituído de um centro de substância branca, o corpo medular do cerebelo, de onde irradiam as lâminas brancas do cerebelo, revestidas externamente por uma fina camada de substância cinzenta, o córtex cerebelar. O corpo medular do cerebelo com as laminas brancas que dele irradiam, quando vistas em cortes sagitais, receberam o nome o nome de árvore da vida. No interior do corpo medular existem 4 pares de núcleos de substância cinzenta, que são os núcleos centrais do cerebelo: denteado, emboliforme, globoso e fastigial. Destes, pelo menos o núcleo denteado é facilmente identificável, mesmo macroscopicamente, em secções horizontais do cerebelo (fig. 21.4). Os núcleos centrais do cerebelo serão estudados no capitulo 21.

3.0— Lóbulos e fissuras A divisão do cerebelo em lóbulos não tem nenhum significado funcional e sua importância é apenas topográfica. A nomenclatura dos lóbulos e fissuras do cerebelo é bastante confusa, havendo considerável divergência entre os autores. Os lóbulos recebem denominações diferentes no vermis e nos hémisférios. A cada lóbulo do vermis correspondem dois nos hemisférios (figs. 5.1, 5.3), conforme está indicado no quadro 2 onde estão assinaladas também as fissuras que os separam.

O estudo dos lóbulos do cerebelo deve ser feito de preferência em peças em que o vermis é seccionado sagitalmente, o que permite uma identificação mais fácil das fissuras (fig. 5.2) (Nota*). Um bom sistema consiste em separar as fissuras com pedaços de cartolina. Algumas considerações poderão ser úteis para a identificação de certos lóbulos. A língua está quase sempre aderida ao véu medular superior. O fólium consiste apenas de uma folha do vermis. Para Fig. 5.2 — Secção sagital mediana do cerebelo.

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encontrá-lo pode-se acompanhar até ao vermis a fissura horizontal , sempre muito evidente, e o fólium estará adiante dela. Um lóbulo importante é o flóculo, situado logo abaixo do ponto em que o pedúnculo cerebelar médio penetra no cerebelo, próximo ao nervo vestibulo-coclear (fig. 4.1). Liga-se ao nódulo, lóbulo do vermis, pelo pedúnculo do flóculo. As tonsilas são bem evidentes na face inferior do cerebelo, projetando-se medialmente sobre a face dorsal do bulbo (fig. 4.1). Esta relação é importante, pois em certos casos de hipertensão craniana as tonsilas podem comprimir o bulbo com graves conseqüências. Isto acontece, por exemplo, como acidente das punções lombares, quando a retirada do líquor diminui subitamente a pressão no espaço subaracnóideo da medula. Neste caso, estando aumentada a pressão intra-craniana as tonsilas podem ser deslocadas caudalmente, penetrando no forame magno e comprimindo o bulbo.

4.0— Divisão ontogenética e filogenética do cerebelo A divisão puramente anatômica em vermis e hemisférios cerebelares é inadequada do ponto de vista funcional e clínico. Surgiram, pois, varias tentativas de se agrupar os lóbulos cerebelares em áreas maiores, lobos, que tivessem significação funcional mais evidente. A divisão proposta por Larsell baseia-se principalmente na ontogênese do cerebelo e leva em conta o fato de que a primeira fissura que aparece durante o desenvolvimento do órgão é a pôstero-lateral. Assim, ela divide o cerebelo em duas partes muito desiguais : o lobo flóculo-nodular, formado pelo fllóculo e pelo nódulo; e o corpo do cerebelo, formado por todo o resto do órgão. A seguir, aparece a fissura prima que divide o corpo do cerebelo em lobo anterior e lobo posterior (fig. 5.3). Temos a seguinte divisão :

Explicação do esquema contido na imagem: A divisão ontogenética se divide em lobo flóculo-nodular e corpo do cerebelo. Corpo do cerebelo se divide em lobo anterior e lobo posterior. De grande importância é a divisão filogenética do cerebelo, cuja compreensão exige o conhecimento de alguns aspectos da filogênese do órgão. Os estudos de anatomia comparada indicam a existência de três fases na filogênese do cerebelo, as quais podem ser correlacionadas com a complexidade de movimentos realizados pelo grupo de vertebrados característico de cada fase :

a) Primeira fase — a primeira fase da evolução do cerebelo surgiu com o aparecimento dos vertebrados mais primitivos, os ciclóstomos, como a lampreia. Estes animais são desprovidos de membros e têm movimentos ondulatórios muito simples, havendo, entretanto, necessidade de se manterem em equilíbrio no meio líquido. Para isso, o cerebelo recebe impulsos dos canais semicirculares (localizados na parte vestibular do ouvido interno), que informam sobre a posição do animal e permitem ao cerebelo coordenar a atividade muscular de modo a manter o animal em equilíbrio. O cerebelo surgido nesta fase se chama arquicerebelo, tem conexões vestibulares e é também denominado cerebelo vestibular.

b) Segunda fase — o cerebelo da segunda fase surgiu com os peixes. Estes já possuem membros (nadadeiras) e são capazes de realizar movimentos mais elaborados que os ciclóstomos. Neles surgiram, pela primeira vez, receptores especiais denominados fusos neuromusculares e órgãos neurotendíneos, que originam impulsos nervosos denominados proprioceptivos, os quais, após um trajeto pela medula espinhal e bulbo, chegam ao cerebelo, levando informações sobre o grau de contração dos músculos. Estas informações são importantes para a regulação do tônus muscular e da postura do animal. A parte do cerebelo que surgiu nesta fase, adicionando- se ao arquicerebelo é denominada paleocerebelo. O paleocerebelo é a divisão predominante do cerebelo nos tetrápodes. dos anfíbios aos mamíferos inferiores, que usam os membros principalmente para a marcha e não para a realização de movimentos finos ou assimétricos. O paleocerebelo tem conexões principalmente com a medula espinhal, sendo também denominado cerebelo espinhal.

c) Terceira fase — o cerebelo de 3.a fase surgiu com os mamíferos que desenvolveram a capacidade de utilizar os membros para movimentos delicados e assimétricos, os quais requerem uma coordenação nervosa muito elaborada. Concomitantemente houve grande desenvolvimento do cortex cerebral com o qual o cerebelo passou a manter amplas conexões. A parte do cerebelo que surgiu nesta 3.a fase de sua evolução adicionando-se ao arqui e paleocerebelo é denominada neocerebelo. O neocerebelo relaciona-se com o controle de movimentos finos e, em vista de suas conexões com o cortex cerebral, é denominado também cerebelo cortical.

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Aqui, temos um quadro com três colunas: Na coluna 1 (intitulada Vermis) temos, lingula, lóbulo central, cúlmen, Declive, foilum, Tuber, Pirâmide, úvula e nóbulo

Na coluna (hemisférios) temos: Asa do lóbulo central, parte anterior do lóbulo quadrangular, parte posterior do lóbulo semilunar, lóbulo biventre, tonsila, flóculo.

Na coluna fissuras temos: Pré central, pré culminar, prima, pós clival, horizontal, pré piramidal, pós-pirâmidal e póstero lateral.

Agora 5.3 — Esquema das divisões do cerebelo representado em um sô piano, mostrando também as fissuras e lábulos.

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Sabemos que no sistema nervoso as partes que sucessivamente vão surgindo durante a evolução continuam a existir nos animais mais avançados, onde, de um modo geral, mantém as mesmas conexões e funções que tinham nos ancestrais. Assim, o cerebelo do homem é formado de três partes, arqui, péleo e neocerebelo, que têm aproximadamente as mesmas conexões e funções que vimos durante o estudo da filogênese do órgão. O arquicerebelo corresponde ao lobo flóculo-nodular, o paleocerebelo ao lobo anterior mais a pirâmide e a úvula, enquanto o neocerebelo corresponde a todo o resto do lobo posterior (fig. 5.3). Deste modo, a maior parte do neocerebelo se localiza nos hemisférios, enquanto o paleocerebelo é predominantemente vermiano. Como será visto no capitulo XXI, a divisão filogenética do cerebelo é importante para a compreensão das conexões, funções e lesões do órgão. Convém entretanto assinalar que, em- bora a maioria dos autores admita esta divisão, existem controvérsias quanto à exata delimitação de cada parte.

Capitulo 4 - Notas

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Nota *: Lateralmente ao trígono do vago existe uma estreita crista oblíqua, o funiculus separans, que separa este trígono da área postrema (fig. 4.21), região de função muito discutida.

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Nota *: Na maioria das peças de uso didático. a tela corióide está rompida ou foi retirada. Neste caso. as suas bordas rotas permanecem aderidas às margens do ventrículo e aparecem como duas linhas, as tênias do IV ventrículo. que se unem por sobre o ângulo caudal da cavidade para formar uma pequena lâmina triangular. o óbex.


Nota **: Alguns autores consideram a tela coriólde como formação constituída apenas pela pia-máter..

Capitulo 5



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Nota * (*) De outro modo o aluno acabará "fazendo" algumas fissuras.




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