Neuralgia do Trigêmeo



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Neuralgia do Trigêmeo

Caracteriza-se por paroxismos de dor na distribuição de um ou mais ramos do nervo trigêmeo.



O nervo trigêmeo é um nervo misto. Apresenta um componente motor (núcleo motor) e um componente somatossensorial.

Sua porção motora tem origem no núcleo motor trigeminal da ponte e inerva músculos pterigóides externo e interno, temporal, milo-hióideo, ventre anterior do digástrico e masséter.

Os impulsos sensoriais vêm da maior parte da cabeça e da face, das mucosas do nariz e da boca, da córnea e das conjuntivas. Os corpos celulares sensitivos estão localizados nos gânglios de Gasser ou semilunares, de onde partem as três divisões sensoriais:



  • Oftálmica (sai na fissura orbital superior)

  • Maxilar (sai no forame redondo)

  • Mandibular (sai no forame oval).

A neuralgia do trigêmeo apresenta um aspecto característico: a zona gatilho. A estimulação dispara um paroxismo de dor típico.

O primeiro ramo é acometido em menos de 5% dos pacientes.



Incidência:


  • 4 casos por l00.000 habitantes

  • Predomínio em mulher - 3:2

Quadro clínico:

Caracteriza-se por episódios paroxísticos de dor no território do nervo trigêmeo. O episódio doloroso dura segundos até um minuto ou dois. É de tal intensidade que provoca reação involuntária, denominada de "tic doloroso". Nunca ultrapassa a linha média facial. É descrita como choque.

Usualmente as crises dolorosas são precipitadas por estímulos táteis no território trigeminal comprometido ou movimentos de mastigação, deglutição ou fala. A zona chamada "gatilho" é o território mais sensível. Localiza-se usualmente na região nasolabial ou na comissura labial, se o ramo mais comprometido for maxilar, ou na língua, se o ramo mais comprometido for o ramo mandibular. 

A localização mais freqüente é nos ramos mandibular e maxilar, cerca de 97 % dos pacientes. Ocasionalmente é bilateral (4 a 6% - alternam as hemifaces).



Diagnóstico:

O exame neurológico é normal ou há disestesias ou parestesias no território comprometido.

Com freqüência, se pode determinar a zona de "gatilho" correspondente. É comum encontrar o paciente irritado, pouco colaborador e em estado de mutismo.

O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo é exclusivamente clínico.



Fisiopatogenia:

- Teoria Central

A compressão local originada pela artéria anômala no sitio do contato causa uma desmielinização progressiva e hiperatividade das fibras.



- Teoria Periférica

A compressão local originada pela artéria anômala no sitio do contato causa uma desmielinização progressiva e uma atividade neuronal anômala in situ. Ocorre um contato patológico entre axônios e transmissão de estímulos cruzados nas fibras nervosas.



Diagnóstico diferencial:

  • Neoplasias

  • Malformações vasculares

  • Quadros vasculares isquêmicos ou hemorrágicos do tronco cerebral

  • Neuralgia atípica facial

  • Cefaléia em salvas

  • S.U.N.C.T.

  • Pulpite

Tratamento:

  • Fenitoína 300 a 400 mg/ dia

  • Carbamazepina 400 a 1600 mg./dia.

  • Baclofeno 5 mg/dia

  • Amitriptilina

  • Oxcarbazepina 900 a 1.800 mg./dia

  • Gabapentina 600 a 2000 mg./dia

  • Lamotrigina 400 mg./dia.



    • Bloqueios:

  • Do nervo periférico com anestésicos locais ou com drogas neurotóxicas como álcool absoluto ou toxina botulínica tipo A aplicados sobre o nervo. São úteis por tempo limitado ou como prova terapêutica.

  • Bloqueio do gânglio de Gasser - se realiza de forma percutânea com anestésicos locais, álcool absoluto, glicerol, radiofreqüência ou balões.



    • Cirúrgicos:

  • Neurectomia Periférica, procedimento que pode diminuir a freqüência das crises dolorosas, especialmente ao eliminar a zona "gatilho" e os estímulos periféricos da face

  • Rizotomia do gânglio de Gasser

  • Tractotomia Trigeminal, ou seja, a destruição dos tratos descendentes do sistema trigeminal na medula dorsal. É chamada cirurgia de Sjökvist recomendada nas dores intratáveis.

  • Estimulação Cortical Crônica

  • Radiocirurgia - se efetua atualmente na raiz do trigêmeo ao nível do ingresso no tronco cerebral.

  • Descompressão Vascular do Trigêmeo - Técnica Microcirúrgica por Craniectomia Suboccipital, conhecida como cirurgia de Jannetta, um procedimento cirúrgico através do qual se separa o nervo do vaso arterial ou venoso anômalo.





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